top of page
Buscar

Uma famosa artista cujas pinturas representam a morte é envolvida em assassinatos. Suas telas são reproduzidas por algum assassino misterioso, mas suas digitais estão presentes por todo o local dos crimes. Só tem um problema: as digitais pertencem à sua mão direita, que ela não tem há vários anos.


ree

Sinopse:


Anita Novak é uma pintora no ápice do sucesso. Mas um terrível acidente a privou da mão direita. A partir daquele momento a sua mão esquerda, como animada por vida própria, começa a pintar quase de forma autônoma, ilustrando a morte.


O Investigador do Pesadelo, contratado pela artista, deverá descobrir o nexo entre os homicídios tracejados na tela e aqueles que acontecem na realidade.





Em uma narrativa inspirada nos romances de Agatha Chistie, Barbara Baraldi nos traz um investigador do pesadelo precisando encarar uma morte mais artística e fatal. Tendo sido contratado por Anita Novak, uma pintora cuja fama se deve aos seus quadros que representam a morte em diversos aspectos, ele se vê às voltas com assassinatos misteriosos. Todos eles ligados à Anita de alguma forma. Acontece que seus quadros passaram a se tornar as cenas reais dos assassinatos representados em tela. E as digitais da mão direita da artista foram encontradas pelo inspetor Carpenter nos locais do crime. Só tem dois detalhes: primeiro é que Anita manteve suas pinturas em segredo antes de revelá-las nas exposições; segundo é que Anita sofreu um trágico acidente anos antes e perdeu exatamente sua mão direita, precisando usar uma prótese. Esse será um caso difícil para Dylan que precisará entrar no mundo das artes e descobrir quem pode ter cometido tal crime.


Quando digo que existem histórias feitas para determinados tipos de arte, isso é totalmente corroborado por Nico Mari nesta edição. Seus traços parecem saídos de uma exposição, com traços elegantes e despojados. Os personagens que ele desenha parecem realmente saídos de quadros ou frequentadores de museus. Mesmo os cortes nas roupas, a tatuagem de Rita, mostram uma preocupação do artista em trazer algo a mais para a história. Outro detalhe é que Mari tem muito de características góticas em seus traços. Seja no aspecto físico dos personagens, seja na apresentação das cenas. Existe tormento na personagem de Anita, e isso é revelado em várias de suas cenas. Seja o olhar desesperado de alguém procurando se agarrar à vida ou uma mulher sedutora passando por uma fila de fãs em uma exposição de arte. Ou mesmo Rita, uma rival de Anita cujo olhar me lembra uma das noivas de Drácula. Um olhar frio e avaliador que te despe de todos os seus preconceitos e virtudes. Todo o vício e a insanidade do que acontece aqui por vezes me faz pensar em Sin City, de Frank Miller, apesar de não ir para a mesma linha.


Essa é uma narrativa de investigação e mistério propriamente dito. Tem alguns momentos meio estranhos ao longo da história, mas não se enganem. É uma corrida atrás de um assassino misterioso. Barbara vai colocando novos detalhes sobre os assassinatos a cada momento e fazendo a gente investigar junto com Dylan como que tudo pode ter ocorrido. É o mesmo esquema inventivo de histórias de mistério: apresenta-se o crime, disponibilizam-se as cenas e os não-ditos, a investigação leva a alguns suspeitos, planta-se uma distração qualquer até a revelação do assassino que é alguém do qual o leitor não esperava. Mas cujos indícios estavam presentes desde o começo. É a velha fórmula de Agatha Christie e Barbara até mesmo emprega aquela famosa etapa de explicação e revelação onde todos os pontos que ficaram obscuros são ligados para mostrar que tudo estava ali e só não reparamos direito nos detalhes. Gostei de como ela fez isso tudo, e fez isso com bastante elegância, nos tirando do prumo em alguns momentos com o que vinha se desenrolando entre Dylan e Anita.

ree

Essa é uma história repleta de sensualidade e sexualidade. Barbara pescou muito bem isso e trouxe para a história sem ser algo forçado. Estava claro desde o começo que Dylan e Anita tinham várias características em comum e a química fica estabelecida desde o primeiro instante. A fragilidade de Anita diante do que vinha acontecendo a ela e sua tendência em se relacionar de maneira próxima com a morte é um magnetismo natural para o Old Boy. Gosto de como Barbara nos coloca a personagem como uma femme fatale sem ela o ser necessariamente. Ela é fatal no sentido de que ela questiona a si mesma se deve continuar existindo. Dylan busca salvá-la de si mesma, ao trazer a personagem de volta para esse mundo, destacando suas virtudes como uma criadora. O envolvimento entre os dois é bem abordado por Barbara e ela dá alguns teases disso acontecendo até que... Bem, aí é spoiler, né. E sabemos como é a vida sexual do Old Boy: intensa e apaixonada.


Vários momentos da trama (e a autora brinca com isso em alguns momentos) me fizeram remeter a Dorian Grey, personagem criado por Oscar Wilde. Suas pinturas revelavam a realidade e o seu autoretrato era aquilo que lhe conferia a imortalidade. Só que a pintura não poderia ser vista por mais ninguém. Aqui é o exato contrário, já que estamos falando de uma artista de exposições cujas obras são seu meio de vida. Só que ao serem vistas, suas obras ganhavam vida e causavam a morte, muito na linha da relação de Dorian com sua pintura. Curiosamente, Dylan reluta em ter seu retrato pintado seja por Anita ou por Rita. Em um diálogo com Anita, Dylan afirma que não deseja se tornar um imortal, fazendo alusão ao famoso personagem. Outro detalhe é que Anita passou apenas a pintar a morte após a perda de sua mão. Se antes ela apresentava quadros magníficos mostrando o melhor da vida, agora suas pinturas são horrendas, disformes e malditas. Ao longo da trama, ficamos tentando entender por que ela só consegue pintar a morte e a narrativa alude a alguma coisa vinda de seu inconsciente. Ao ter tido uma perda horrível e desejar a própria morte, Anita entrou em contato com um mundo escuro e sombrio existente dentro de seu coração. Barbara deixa essa dúvida pairando no ar até o final da história.

ree

A narrativa expõe também a luta de uma personagem que precisou reencontrar a sua razão de viver após um momento difícil. Anita perdeu a mão com a qual pintava, e isso fez com que ela tivesse uma vida muito difícil pela frente. Reaprender a pintar, a comer, a tomar banho, ou seja, mesmo às coisas mais simples foi bastante difícil para ela. Exigiu esforço físico e emocional e vimos momentos em que ela esteve prestes a desistir e se entregar simplesmente à sua autodestruição. Ela foi salva por sua própria força de vontade e com a ajuda de sua agente, Ingrid, que a manteve focada em si mesma. Anita não percebe o quanto ela é uma mulher forte por ter conseguido superar tamanha adversidade. O nosso investigador fala a ela o quanto ela precisou lutar e como chegou tão longe após passar momentos dramáticos. Mas, a personagem estava tão enfiada em seus problemas e frustrações que foi incapaz de ver isso. A melancolia em seu coração a levava a dispensar todas essas coisas.


Uma boa edição com um mistério que se estende por toda a edição e nos leva aos recantos mais profundos da alma humana. Somos levados a um ambiente artístico onde vida e morte caminham juntas seja nos quadros ou nas características das artistas envolvidas. Barbara traz uma trama com várias características do gótico vitoriano (com aquela sensação de Oscar Wilde pairando no ar) e uma arte de Nico Mari que combina perfeitamente com o que foi pretendido ser trazido nessa edição.



ree









ree

Ficha Técnica:


Nome: Dylan Dog Nova Série vol. 11 - A Mão Errada

Autora: Barbara Baraldi

Artista: Nico Mari

Editora: Mythos Editora

Tradutor: Julio Schneider

Número de Páginas: 100

Ano de Publicação: 2020


Outros Volumes:

Vol. 4 Vol. 9

Vol. 5 Vol. 10


Link de compra:





ree




 
 

O falecimento nesse mês do autor pulp e de terror R.F. Lucchetti escancarou uma visão nada agradável sobre como pouco conhecemos sobre nossa própria produção de literatura de gênero.


ree

No último dia 04 de abril, Rubens Lucchetti faleceu aos 94 anos deixando um legado prolífico para trás. Com mais de 1500 livros publicados, você, leitor, certamente já ouviu falar dele, não é? Não? Pois é, vou dedicar algumas linhas para falar do querido Lucchetti, uma pessoa com uma história de vida fabulosa, mas que amargou aquilo que acontece a vários autores do final do século XX, principalmente aqueles ligados à literatura de gênero: o esquecimento. Pensar que um homem com a produção como a dele há décadas não tem a oportunidade para publicar em uma editora grande é perceber o quanto desprezamos nossa própria cultura. Trago isso para reflexão, principalmente pensando nos amigos escritores que ralam diariamente para conseguir um espaço ao sol. E incluo nessa lista de autores esquecidos outros cujos leitores sequer tem uma pista do que produziram como André Carneiro, Jeronymo Monteiro, Finisia Fideli entre tantos outros. E autores que possuem reconhecimento internacional, mas no seu próprio país de origem são solenemente ignorados, salvo quando acontecem resgates específicos a partir de editoras de pequeno e médio porte.


Lucchetti é mais conhecido por suas histórias do gênero pulp, cuja produção pode ser traçada desde a década de 1940. Na época, o pulp era uma febre e chegava ao Brasil seguindo a moda americana, com revistas de tiragem barata e descartáveis, com histórias beirando o terror e o absurdo. Entre as revistas por onde Lucchetti passou está a Meia-Noite, uma revista voltada para narrativas de lobisomens, vampiros e tantas outras criaturas saídas de nossos pesadelos. Como vários autores de sua geração, Lucchetti não se intimidava em tentar escrever em outros gêneros como o de capa e espada, o de ficção científica e até romances policiais publicados na velha revista X9. Mas, podemos traçar o auge do autor durante o período da ditadura em 1970. Ele conseguiu ocupar os espaços nas livrarias com seus livros de histórias divertidas e envolventes. Lembremos que nesse mesmo período, outra figura com uma trajetória bem semelhante à de Lucchetti conquistava muitos fãs: José Mujica, o Zé do Caixão. O que Mujica fazia nas artes visuais, Lucchetti entregava na literatura. E, claro, em suas tramas cheias de elementos sobrenaturais, se entremeavam as críticas ao regime militar que tirava a liberdade dos brasileiros. Assim como as pornochanchadas da época, os livros de terror e de mistério conseguiu atravessar o olhar rapinante da censura.


Se podemos traçar paralelos também à história dos quadrinhos no Brasil, Lucchetti foi diretor editorial da Cedibra que publicava quadrinhos em formatinho e livros em tamanho mais econômico, visando um maior apelo junto ao público. Ou seja, o autor (e agora editor) seguia a receita dos livros pulp da década de 1920 nos EUA. Pensemos comigo: 1500 livros escritos em toda a carreira. Qual era o ritmo de produção do autor? Bem, vamos inserir mais um elemento nessa equação. Lucchetti era editor e tradutor também. Na Cedibra, ele trabalhava na revisão de obras enviadas por outros autores da casa, além de fazer a tradução do que era publicado posteriormente. Não é absurdo pensar que ele possuía esse volume de produção, já que não haviam muita regras sobre produção editorial na época. Tudo se tateava e experimentava. Pensando em algo parecido, Jack Kirby, um dos ícones dos quadrinhos americanos, produzia mais de uma página de quadrinhos por dia. Ele foi responsável por roteirizar e desenhar mais de um quadrinho das grandes editoras por mês. Quando escutamos relatos de que Lucchetti escrevia um romance a cada três dias, não é nenhuma ficção, com todo o perdão do trocadilho. E o autor nunca conseguiu ter a vida luxuosa que um Stephen King, por exemplo, tem nos dias de hoje. Ainda mais se falamos de Brasil onde a própria profissão de escritor é entendida mais como um hobby do que algo sério.


ree

A produção da Cedibra alcançou a marca de mais de cem livros publicados todo o mês. Duvidam? Na imagem, vocês conseguem ver alguns dos produtos da Cedibra como a Coleção Vagalume, uma febre entre o público infanto-juvenil nas décadas de 70 e 80. Os livros de Lucchetti possuíam um grande apelo popular através de suas capas apelativas, como nos clássicos de Robert E. Howard do Conan, com mulheres em poses sensuais ou em situações sempre sexualizadas. Era a forma de atrair o público masculino que corria para bancas e livrarias em busca do tempero do mês. Grandes autores como Edgar Rice Burroughs, Ray Bradbury, E.E. Doc Smith, todos publicaram nesse estilo de produção. Sem mencionar que Lucchetti aproveitou e deu um tempero brasileiro nas produções, usando títulos sugestivos em suas histórias como "Vampiros não fazem sexo". As tiragens eram imensas, na base das dezenas de milhares de exemplares. Frequentemente se usava do expediente de levar os títulos ao máximo de leitores, usando todo tipo de mercado para isso como armazéns, caminhões de fruta, kombis que vendiam livros em praças a preços populares. Devemos lembrar que a logística na época era péssima e leitores de regiões fora do eixo Rio-São Paulo tinham muita dificuldade em ter acesso a esses produtos. Lucchetti copiou o modelo empregado pela Alpargatas, de vender seus produtos em kombis que iam em praças no interior do Norte e do Nordeste.


Tem uma história bastante curiosa sobre o autor. Às vezes ele publicava usando pseudônimos como Brian Stockler e Isadora Highsmith. Uma vez ele teria ido em uma banca que vendia quinze livros escritos por ele com diferentes pseudônimos. Em uma época onde publicar literatura de gênero não era algo que dava muito dinheiro, publicar dezenas de títulos em velocidade industrial era uma necessidade de sobrevivência. Fora que a Cedibra vai lentamente entrar em declínio com a entrada posterior de editoras como a Globo, a Record e a Ebal. Por falar em José Mujica, Lucchetti escreveu roteiros de filmes para o ator, que rasgava elogios sobre suas produções. Dizia que o escritor era uma das pessoas que melhor entendia a sua visão para os filmes. Infelizmente esse gênero de publicações entrou em declínio no final da década de 1980 e desde então o autor não conseguiu mais ser publicado em grandes editoras. Era encarado como um estilo ultrapassado e fora do contexto das novas publicações que investiam em um estilo mais sério de ficção. A literatura de gênero entrou em uma espécie de apagão por muitos anos. Apenas na década de 2010, Lucchetti recebeu uma nova oportunidade de publicar e reeditar seus materiais, através de uma editora chamada Corvo que resgatava suas histórias em um formato pequeno e acessível. Contudo, conseguir um dos livros poderia se provar bem complicado já que a venda era feita de forma direta. Nos últimos meses o autor esteve internado com problemas de saúde e uma campanha para ajudá-lo com as suas despesas hospitalares ganhou as redes sociais e foi responsável por apresentar o autor para algumas pessoas. Mesmo assim, Lucchetti continua sendo um grande desconhecido do público, o que é uma pena.


E aí entro na discussão dessa matéria já que não valorizamos nossas produções nacionais. No que diz respeito à literatura de gênero, essa é uma grande lacuna que temos. Mal conhecemos aqueles que escreveram terror, fantasia e ficção científica por aqui. E olhe que temos muita gente boa que chegou a integrar coletâneas de melhores histórias do mundo, como André Carneiro que está presente no Big Book of Science Fiction, editado por ninguém menos do que Jeff Vandermeer. O ostracismo pelo qual Lucchetti passou é sofrido até hoje por outros expoentes do gênero. Mesmo as editoras não se interessam ou sequer conhecem a existência desses autores. Por muito tempo, Emilia Freitas era uma autora desconhecida do grande público, sendo apreciada mais por estudiosos do mundo acadêmico em edições bem antigas de seus trabalhos. A Rainha do Ignoto pode ser considerado o primeiro romance de fantasia nacional e que tratava de temas que hoje são bem comuns no universo feminino como patriarcalismo e representatividade. Freitas era uma autora muito à frente de seu tempo. No entanto, apenas com a bela edição da Editora Wish os leitores tiveram seu primeiro contato com ela. Hoje temos edições de várias outras editoras graças ao que a Wish fez por ela.


Existe um certo ar de viralatismo e uma falta de cultura literária no brasileiro. Até hoje literatura de gênero, ou sejam fantasia e ficção científica principalmente, são encarados como subgêneros voltados para o público infanto-juvenil. As grandes editoras já mudaram sua visão sobre isso, mas os leitores ainda relutam. Mesmo premiações como o Jabuti apenas recentemente reconheceram a literatura de gênero como parte de sua avaliação dos melhores do ano. Quanto aos autores propriamente ditos, precisamos recuperar nossa memória. O Brasil já passou por várias ondas de produção de materiais de fantasia e ficção científica. Basta pegar um livro como Fantástico Brasileiro, de autoria de Eneias Tavares e Bruno Matangrano para vermos a riqueza da produção nacional. Garanto a vocês que irão descobrir dezenas de autores aos quais vocês nunca ouviram falar e que irão se interessar rapidamente. Não podemos apagar a memória dessas produções que fizeram parte de um contexto e podem nos ajudar a entender o período. Canso de dizer que os temas e problemas apresentados em livros de fantasia e de ficção científica são fruto de dúvidas e angústias do período em que foram produzidas. Por mais que o objetivo das histórias seja uma narrativa leve, como era muitas vezes o estilo "terrir" de Lucchetti, eles possuem preocupações que os autores tinham. Sem mencionar no fato de que é possível compreender como estes autores escreviam, como pensavam suas histórias, como construíam seus personagens. Isso além do fator diversão.


Considero lamentável a maneira como esquecemos nossos autores. Me entristeci bastante quando soube da situação pela qual Lucchetti estava passando nos últimos meses. Principalmente pelo fato de ele ser uma pessoa conhecida mais dentro de uma bolha de indivíduos mais afinados com a produção literária nacional. Isso despertou a minha atenção para essa cultura do esquecimento. Gostaria de ter mais esperanças de que alguma editora média ou grande abraçasse a obra de Lucchetti, mesmo que fosse para publicar algumas de suas melhores histórias selecionadas ou algo do gênero. Mas, o Brasil se esquece com facilidade demais.



ree


 
 

A Princesa Fiorimonde é uma adepta das artes da bruxaria. E vive sua vida livremente, ajudando sua mestra, uma bruxa que vive nas montanhas. Em troca ela continua bela eternamente. Mas, quando seu pai anuncia seu casamentom Fiorimonde fica preocupada de ser descoberta até que a bruxa lhe dá um colar capaz de transformar seus pretendentes em contas.


ree

Sinopse:


A beleza da princesa Fiorimonde é conhecida em todo lugar. Entretanto, a aparência que atrai pretendentes de todos os cantos do mundo esconde um segredo sombrio.


Os príncipes e reis que tentaram se casar com Fiorimonde são agora as contas no colar que ela, orgulhosamente, carrega no pescoço.


Quando o príncipe Florestan decide que irá se casar com a princesa, seu melhor amigo fará de tudo para impedir que ele tenha o mesmo destino que os outros pretendentes.


Escrito em 1880, O Colar da Princesa Fiorimonde chega em fevereiro com exclusividade para os assinantes da Sociedade das Relíquias Literárias.





Este conto escrito por Mary de Morgan tem muito de conto de fadas. Só que tem uma pequena inversão de papéis. Nesta história fascinante, somos apresentados à cruel Princesa Fiorimonde, filha do rei e uma pessoa que se encantou pelos propósitos nefastos da magia negra. Sua mestra é uma bruxa que mora além das colinas e Fiorimonde a ajuda em seus trabalhos em troca de poder ser a mulher mais linda desse mundo. Um dia, o rei decide que chegou a hora de sua filha se casar. Fiorimonde teme que seja descoberta e perseguida e junto de sua mestra pensam em uma maneira de eliminar seus pretendentes. É então que a bruxa, em sua louca imaginação, concebe um artefato de poder terrível: um colar de ouro capaz de tornar todo aquele que o toca em uma conta a decorar o belo adereço. Com este artefato, Fiorimonde volta ao castelo e passa a receber seus pretendentes, como uma filha obediente faria por seu pai. Mas, todos os pretendentes que lhes são apresentados acabam desaparecendo misteriosamente na véspera da cerimônia de casamento. E Yolande, sua aia, percebe que a cada rei ou príncipe pretendente que vem até a princesa e desaparece, uma nova conta surge no colar da cruel princesa. Alguém será capaz de detê-la?


Este é um bom exemplo de uma narrativa que possui vários elementos de contos de fadas. Mary de Morgan, como uma compiladora de contos tradicionais, conseguiu inserir a fantasia em um tipo de história cautelar. Já volto a esse tema, mas cabe acrescentar que a autora segue o esquema de três situações antes da resolução do problema central da história. A fórmula do "Era uma vez..." dá início à história. Oferece um ar de miraculoso e fabuloso ao que está sendo contado ao leitor, diferentemente de uma ficção com os pés na realidade. A fantasia é empregada como um instrumento capaz de alterar algum aspecto do mundo. Como em um conto de fadas, seja um espelho mágico, uma fada que faz surgir um sapatinho de cristal, um pé de feijão. Aqui é um colar mágico. Mary de Morgan insere regras em seu funcionamento e, para que a história possa chegar a um final feliz, é preciso "derrotar" o artefato ou revelar os segredos daquele que o utiliza. Gosto também do fato de que a autora começa a narrativa pelo lado de Fiorimonde, a antagonista da história. Temos aqui uma leve inversão de expectativas, pois sabemos de partida quem é a vilã, quais são seus objetivos e como ela faz suas maldades. Somente na metade da história que a autora passa para os reais protagonistas, Gervaise e Yolande. É aí que a narrativa passa a seguir o caminho normal tomado por esses contos de fadas.


Mary de Morgan é uma autora conhecida por fazer críticas sociais e aqui não é diferente. O tema central é a vaidade de Fiorimonde que a faz realizar todo tipo de maquinações. Para manter sua beleza, ela não se importa de realizar bruxarias e prejudicar pessoas. Muito pelo contrário, ela se regozija nessas ações, sorrindo sadicamente a cada nova vítima capturada pelo colar. O casamento poderia não apenas lhe retirar a beleza porque ela não seria mais desejada como uma potencial noiva, mas lhe tiraria a possibilidade de agir livremente. Assim como a bruxa má de Branca de Neve, quando ela é confrontada com a possibilidade de existir alguém mais bela, a personagem passa a agir de forma errática e saindo de seu modus operandi. Perder o posto de mais bela é algo impossível para ela; seu prazer está em ser desejada, ser cobiçada sem nunca ser "exclusiva" ou se tornar alguém comum. Nessas histórias, ou surge alguém mais belo, mesmo que essa nova princesa ou plebeia seja uma mulher de fato bela ou possua outras virtudes que não apenas a beleza física. Aqui na narrativa, Mary de Morgan muda um pouco o ângulo ao fazer com que o protagonista use de sua sagacidade para lidar com as maldades da antagonista.


Essa é uma bela história que funciona de uma maneira diferente dos contos de fadas habituais. Gosto que a autora buscou inovar em alguma coisa. A temática da vaidade e de como isso pode transformar uma pessoa em alguém sádico e cruel é bem abordada na história e Yolande funciona como uma espécie de contraponto, ajudando o protagonista a libertar seu amigo. Vale sim a leitura, sendo uma boa exploração da fantasia como crítica social.










ree

Ficha Técnica:


Nome: O Colar da Princesa Fiorimonde

Autora: Mary de Morgan

Editora: Wish

Tradutor: Luiz Henrique Batista

Número de Páginas: não informado (formato ebook)

Ano de Publicação: 2022


Avaliação:

ree


*Faz parte do projeto Sociedade das Relíquias Literárias







ree


 
 
ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

bottom of page
Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification Área de anexos ficcoescodigo.txt Exibindo ficcoescodigo.txt.