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Uma mensagem importante a todos aqueles que nos acompanham junto dos meus agradecimentos.



Como começar esse texto? A gente nunca se imagina escrevendo algo desse tipo.


Já venho como criador do Ficções Humanas há mais de nove anos. Tive colaboradores, colunistas, tive várias editoras como parceiras, sou frequentemente procurado por escritores para parcerias ou leituras. Já fui contratado para fazer serviços para editoras. Tenho matérias e resenhas minhas que são compradas até hoje por editoras educacionais. Fui até membro de um podcast graças a querida Domenica Mendes, alguém que sempre admirei e escutei por horas a fio. Pensar em fazer parte de um mesmo lugar ao lado de quem admiramos é loucura. Pasmem... já recebi mais de uma dezena de currículos de pessoas achando que eu fosse dono de uma editora. Já tive autores mandando originais para mim. Pensar nisso é uma loucura.


De uns anos para cá, meio que me estabilizei no fato de que blogs são animais em extinção. Nenhuma editora procura mais para parceria fora aquelas que sempre nutriram um carinho por nós. Então, passei a atuar mais de acordo com os meus gostos e preferências. No começo dessa jornada, passei por várias situações malucas como eventos que não deram certo, convites que não eram convites, autores que vinham tirar satisfações por uma resenha negativa. Hoje chega a ser engraçado quando um autor independente (ou até alguns com algum lastro) me dizem que sentem receio de mim. Devo pintar uma imagem quase demoníaca, né (imagina aí uma risada macabra). E quando conversam comigo descobrem que estou mais para manteiga derretida do que para ser das trevas. Pude passar bons finais de semana em Porto Alegre a convite de um editor que gosto de pensar como um amigo carioca radicado no sul, o Artur Vecchi.


E gosto de pensar que tive a sorte de ser atacado pouquíssimas vezes nas redes sociais. Talvez pelo blog ser pequeno ou de nicho. Ou pode ser apenas que eu só não tenha visto mesmo. Essa semana fui atacado duramente porque cometi um deslize no lead para uma matéria que publiquei. E, assim, sou bastante sincero em admitir que não sou perfeito. Tenho certeza que não sou uma IA (eu acho) e cometo erros como qualquer ser humano. Está no meu caráter e até no meu estilo como professor, entender que sempre posso aprender mais. Estudo todos os meses escrita criativa, quadrinhos, leio revistas, acompanho colunistas, assistas vídeos no YouTube. Não tenho qualquer pudor em ouvir e aprender. Sempre com meu caderninho do lado, fazendo anotações. Negatividade não deveria me incomodar e normalmente não me incomoda. Só que sofro com crises de ansiedade fortes desde a pandemia. Faço terapia há mais de um ano, tomo suplementos vitamínicos. Mas, quem tem crises desse tipo sofre com altos e baixos constantemente. E nesse momento calhou de ser uma tempestade perfeita enquanto tenho dúvidas no meu trabalho, me preparo para embarcar em um projeto paterno e tenho várias preocupações e agora as questões de validação do blog. Isso culminou em um momento de reflexão em que preciso entender o que eu desejo fazer.


Já ouvi algumas pessoas me chamarem de prepotente e arrogante no passado. Me espanta ouvir esse tipo de coisa. Me espanta de verdade porque não acredito que eu seja esse tipo de pessoa. Acho que posso soar como alguém seguro de mim mesmo, mas isso não poderia estar diferente da verdade. Aqueles que me conhecem sabem o quanto sou acessível. Também posso dizer que gosto de pensar em mim como alguém que compartilha. Informações, opiniões, conhecimentos. Como professor há quinze anos, sempre digo aos meus alunos que mais aprendo com eles do que ensino. No começo da minha carreira no magistério, admito que tinha aqueles vícios e o nariz empinado da academia. Mas, trabalhar em comunidades de alto risco e alunos que sequer tinham algo para comer em casa me fizeram baixar muito a minha bola. Hoje prefiro ajudá-los a chegar a algum lugar. Ao compartilhar o que sei, me sinto parte desse processo. E essa é a minha postura como formador de opinião por aqui. Porque qualquer blogueiro é também um formador de opinião, por menor alcance que tenha. E é por isso que ler opiniões tão negativas e maldosas incomoda, seja de desconhecidos ou de pessoas que você chega a acompanhar. Não uso o meu conhecimento como mestre (porque sim, sou mestre em História Social pela Unirio e isso não é eu dar uma carteirada) para diminuir o próximo. Sequer gosto de citar minha formação. Quando alguém dispara o seu conhecimento sobre o outro, o que parece é uma metralhadora de perdigotos que não tem função alguma além de demonstrar insegurança e tolice. E quero acreditar que o ser humano é melhor do que isso.


E é por isso que estou fazendo essa postagem. Pretendo deixar um pouco de lado o site, pelo menos por algum tempo. Preciso esfriar a cabeça, me divertir, ler sem compromisso com nada. Voltar a ter tesão pelo que faço. Porque do contrário vai parecer uma obrigação e não quero me igualar a quem não tem nada a dizer. Não vou dizer o tempo do meu hiato ou sequer se retorno mesmo. Aos que não gostam do que fazemos, não tenho nada a dizer. Acho que não farei falta... ou não sou bem-vindo em seus espaços. E tudo bem. Quero apenas expressar gratidão e carinho por quem me acompanhou nessa jornada. Desde autores, editores, desenhistas, amigos, os colunistas que passaram por aqui. O meu eterno agradecimento a todos vocês. Esses nove anos não foram possíveis sem vocês. Eu estar aqui até hoje foi porque teve alguém do outro lado me apoiando, curtindo e oferecendo uma palavra amiga ou um momento bacana.


O meu muito obrigado a todos! E que fiquem em paz e com boas leituras! E obrigado pelos peixes!







O destaque desse mês vai para três campanhas. A primeira delas é da Editora Draco que está fazendo aniversário esse mês e traz uma coletânea de história em quadrinhos e outro livro com contos de piratas. Tem também um lançamento nacional da MMarte e por fim mais uma saga de Crazy Jack pela Tai Editora. E vamos dar um apoio para a Tai, que é uma editora gaúcha e precisa de nós.


"Coleção Imaginários 2024" por Editora Draco


Ficha Técnica:


Nome: Indigestão

Organizado por Raphael Fernandes

Editora: Draco

Gênero: Terror/Fantasia

Número de Páginas: 128

Prazo da campanha: 17/07

Data de entrega: setembro de 2024











Sinopse: Produzido pelos alunos do editor e roteirista Raphael Fernandes, o novo quadrinho do selo Imaginários traz para você um cardápio com os mais variados sabores do horror.


“Indigestão” reúne 10 HQs de 10 páginas cada uma, todas com uma coisa em comum: histórias que trazem como tema principal um prato da culinária mundial. Além dos roteiros dos alunos, o volume conta com a participação de artistas convidados nos desenhos.




Ficha Técnica:


Nome: Piratas das Américas

Organizado por Erick Santos

Editora: Draco

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: entre 224 e 248

Prazo da campanha: 17/07

Data de entrega: setembro de 2024


ATENÇÃO: PIRATAS DAS AMÉRICAS É UM LIVRO E NÃO UM QUADRINHO












Sinopse: Produzida pelos alunos do editor e escritor Erick Sama, a nova coletânea de contos do novo selo Imaginários homenageia o subgênero da fantasia protagonizada por piratas, navegantes que simbolizam a liberdade e a aventura. Essas narrativas vão acontecer em qualquer época e sem restrições tecnológicas, portanto prepare-se para embarcar por incríveis incursões pelas Américas de ontem e do amanhã.


“Piratas das Américas” reúne 10 contos de 4.000 a 8.000 palavras com narrativas que misturam terror, fantasia e ficção científica.


Principais Formas de Apoio:


1 - Indigestão + Piratas das Américas: R$85,00


  • livro impresso

  • quadrinho impresso

  • cupom de 20% de desconto para compras na editora Draco

  • nome nos agradecimentos

  • frete calculado ao final da compra


2 - Indigestão: R$36,00


  • quadrinho impresso

  • cupom de 20% de desconto para compras na editora Draco

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3 - Piratas das Américas: R$50,00


  • livro impresso

  • cupom de 20% de desconto para compras na editora Draco

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"Atlas e Dante: O Oráculo da Yadala" de Daniel Baz e Law Tissot


Ficha Técnica:


Nome: Atlas e Dante - O Oráculo de Yadala

Autor: Daniel Baz

Artista: Law Tissot

Editora: MMarte

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 180

Prazo da campanha: 31/05

Data de entrega: junho de 2024










Sinopse: Em Atlas e Dante: O Oráculo de Yadala, os protagonistas encontrarão a pista de uma antiga sociedade que, segundo rumores, seria capaz de prever o futuro. No seu encalço, terão de enfrentar seus piores inimigos, os Necronos, que perseguem e assassinam todos aqueles que tentam manter vivas as vozes que a história oficial silenciou. Registrar o destino das comunidades que se opuseram à lógica predatória e violenta dos líderes que governam a galáxia é a eterna missão de Atlas e Dante.


Além disso, a dupla conhecerá as corridas meteóricas de Jamalal, intergaláctico evento de apostas que reúne os maiores líderes do universo. Atlas e Dante comprarão ainda um raro disco de vinil, declamarão poesia em espaçoportos lotados, testarão a eficiência de armamentos que foram descontinuados no protótipo, contemplarão espelhos de alta tecnologia que desejam mais do que apenas refletir a realidade, lutarão contra fascistas em armaduras infinitas, entenderão o que significa conhecer integralmente o futuro e, talvez, vomitem sobre alguns gerânios.


Atlas e Dante são Videntes, e os Videntes são conhecidos por duas características principais: andarem sempre em duplas e dedicarem sua existência a conhecer e registrar a contra-história da galáxia. Os Videntes já foram um grupo grande, próspero e organizado, mas foram cassados pela ACAB, a Associação dos Capitais de Bem, que colocou sua força de elite, os Necronos, em seu encalço. A maioria dos Videntes foi morta como consequência desta perseguição. Os que sobraram são espécies de párias que dedicam sua vida a registrar aquilo que a ACAB deseja destruir e esconder.


Principais Formas de Apoio:


Atlas e Dante - O Oráculo de Yadara: R$85,00


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"Crazy Jack - A Saga de Veneza" de Manuel Morini e Ruben Meriggi


Ficha Técnica:


Nome: Crazy Jack - A Saga de Veneza

Autor: Manuel Morini

Artista: Ruben Meriggi

Editora: Tai Editora

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: não informado

Número de Páginas: 160

Prazo da campanha: 09/06

Data de entrega: novembro de 2024








Sinopse: A primeira fase inicia na Terra, em um futuro apocalíptico onde os recursos naturais estão escassos e a elite dominante da humanidade comanda da sua sede no planeta Marte. Na terra, sobraram os mais fracos, pobres, bandidos e renegados. Crazy Jack é Jack Robinson, um ex soldado que virou mercenário e tem como principal objetivo chegar a Marte. Mas, para isso, precisa conseguir cruzar em meio ao caos e adquirir os meios para realizar a sua jornada. No seu caminho ele encontra Veneza, uma mulher bonita, ágil e esperta que, assim como ele, sabe como sobreviver em um planeta que agoniza.


Principais Formas de Apoio:


1 - Crazy Jack - A Saga de Veneza: R$49,00


  • quadrinho impresso

  • frete calculado ao final da compra


2 - Sagas + Crazy: R$69,00


  • Crazy Jack - A Saga de Veneza impresso

  • Crazy Jack - A Saga do Fantasma impresso







Considerado um clássico dos quadrinhos europeus, A Balada do Mar Salgado nos traz a misteriosa figura de Corto Maltese, o verdadeiro marinheiro. Tendo sido resgatado por Rasputin, Corto se vê envolvido em uma trama que envolve o sequestro de dois jovens filhos de um homem importante nas águas do Pacífico. No meio de tudo isso, temos o Monge, alguém cuja identidade é desconhecida, mas que possui muita história a ser contada.



Sinopse:


Oceano Pacífico, dia de Tarowean de 1913. O sanguinário corsário Rasputin, a serviço do misterioso Monge, resgata seu antigo companheiro, Corto Maltese, amarrado e jogado à deriva no mar. Este é o início de uma incrível trama que se desenrola pelos mares do sul, às vésperas da Primeira Guerra Mundial. Drama e aventura se misturam ao fantástico e ao mistério, apresentando personagens inesquecíveis como Cain, Pandora, Crânio, Slutter, Sbringolin e muitos outros. Considerada um clássico da literatura mundial, Uma Balada do Mar Salgado foi publicada originalmente na Itália em 1967 e na França entre 1973, consagrando seu criador, Hugo Pratt, como uma das grandes personalidades artísticas do século XX. O álbum de estreia do Ulisses moderno, Corto Maltese, que dispensa poder e riqueza em favor da liberdade, um dos personagens mais importantes das histórias em quadrinhos de todos os tempos. A edição da Trem Fantasma traz a história completa de Uma Balada do Mar Salgado no traço original em preto e branco do mestre Hugo Pratt em uma edição repleta de extras em cores, incluindo aquarelas e esboços do autor, além de prefácio de Umberto Eco. Uma edição de colecionador em capa dura e papel de alta gramatura.






Está aí um clássico dos quadrinhos franceses. Corto Maltese é considerado um personagem icônico e suas histórias já se tornaram famosas pelo mundo inteiro. Aqui está a essência do trabalho de Hugo Pratt. Essa edição da Trem Fantasma faz jus ao legado do artista e como início dessa resenha queria destacar o longo artigo inicial escrito por ninguém menos do que Umberto Eco. Ele procura resumir em algumas páginas a longa trajetória e influência do personagem, discutindo a inovação da obra de Pratt e de como o personagem era um eterno amante da liberdade, navegando pelos mares desconhecidos. Mesmo falando bastante sobre esse volume, ele não dá nenhum spoiler da história, então podem ficar tranquilos. Acho até que vale a pena ler para que possamos entender mais o quanto o personagem tem toda uma aura de grandiosidade e os paralelos com o livro Moby Dick, de Herman Mellville estão por toda a parte. Essa é a minha primeira aventura pelo universo do personagem e quero deixar bem claro o quanto me impactou. Aliás, é a primeira HQ que leio do próprio Pratt.


Rasputin está tendo um péssimo dia. Ao lado de sua tripulação ele está se dirigindo para uma abordagem ousada, digna de um grande pirata quando dois acontecimentos marcantes mudam para sempre a sua vida. Ele resgata dois jovens, um rapaz e uma menina, de um naufrágio. Eles parecem ser filhos de algum figurão da região, a família Groovesnore. Rasputin imagina já quanto dinheiro ele pode conseguir em um possível resgate. Mas, logo em seguida ele se depara com um homem preso no mastro em alto mar. É ninguém mais, ninguém menos que Corto Maltese, com quem Rasputin já cruzou algumas vezes e não tem boas recordações disso. Só que Corto é alguém afiliado a um homem misterioso chamado Monge que controla toda aquela região do Pacífico. Então o marinheiro não vê outra saída se não trazer o seu desafeto a bordo e a partir daí pensar quais serão seus próximos passos. Ele ataca um navio carregando carvão, um recurso importante na região e Corto começa a ficar incomodado com Rasputin, cujos métodos não lhe agradam nem um pouco. Ao mesmo tempo, Cain e Pandora começam a criar vários problemas a bordo, o que os obriga a tomar uma decisão sobre o destino dos dois.


Se você pegou esse quadrinho para ler, certamente tem alguma familiaridade com o trabalho de Pratt. Ver a arte dele diretamente é uma experiência bastante diferente. A Balada do Mar Salgado é a primeira história do Corto então ele ainda está trabalhando nos designs de personagem. Tanto que vamos ver nas próximas histórias Pratt solidificando como ele imagina o marinheiro. Sua arte é toda no lápis e no emprego de carvão. As linhas são bastante precisas e o artista é um gênio no emprego da presença/ausência. No fundo o que ele faz em PB é o que vou deixar aparecer e o que não aparece. As silhuetas compõem o quadro e formam os cenários. Mesmo usando o lápis Pratt consegue dar detalhes e características bastante específicas ao cenário e a quem está presente nele. Há uma forte pesquisa sobre vestuário e tradições da região, sendo possível perceber como ele representa as comunidades do Pacífico com formas de se vestir bastante diferentes. Posso imaginar o quanto ele precisou ir atrás de informações específicas para representar povos que nem tinham tantas informações assim a respeito. Pratt também trabalha muito o aspecto gestual dos personagens, o que lhes dá personalidade e individualidade. Por exemplo, Corto é um sujeito meio estóico e malandro enquanto Rasputin é uma dinamite ambulante, vociferando e fazendo amplos gestos.


A narrativa de Pratt é bastante tranquila e ela segue um ritmo constante ao longo da história. Se você está procurando um quadrinho de ação, esta não é a sua pedida. Aqui temos uma história de piratas, traições e relacionamentos com uma bela virada narrativa ao final. A estrutura da história segue uma narrativa em três atos com o começo sendo o encontro com Cain, Pandora e Corto e como eles são apresentados à tripulação, a segunda parte sendo o ataque de Rasputin e a chegada à ilha Escondida e a terceira parte sendo todo o clímax envolvendo a loucura do Monge e como lidar com os personagens envolvidos. Há uma preocupação de Pratt em apresentar os personagens, todo o contexto onde se passa sua história e envolver os personagens em uma trama que os conecta de modo indelével. Há uma clara evolução nos personagens já que todos eles saem de um ponto A e vão a um ponto B, mesmo que essa mudança seja apenas um revelar de sentimentos adormecidos. Mistérios rondam a história como, por exemplo, a identidade do Monge, apesar de que Pratt solta algumas pistas na metade da história e o leitor meio que dá uma adivinhada antes da revelação. Em vários momentos o leitor fica apreensivo com Corto que é colocado em algumas situações bastante perigosas. Ou seja, o mar não é exatamente um ambiente calmo e tranquilo.


Corto é o ideal do homem livre. E isso é possível perceber completamente no roteiro de Pratt. Ele não chega a ser um personagem bonzinho no sentido estrito da palavra. De vez em quando, percebemos o quanto ele pode ser ardiloso e até colocar uns contra os outros. Só que se trata de um sujeito honrado, ou seja, ele acaba fazendo a coisa certa quando a circunstância não lhe dá outra alternativa. Por exemplo, ele não concorda com os métodos de Rasputin, mas não faz nada para impedi-lo. Só que quando o capitão passa uma linha específica, Corto não se contém. Queria entender mais sobre essa relação com a figura do Monge e como Corto se envolveu com ele, mas parece que não vai ser bem aqui que vamos descobrir. Essa falta de vontade do personagem em se atrelar a responsabilidades é seu ponto forte, mas também sua vulnerabilidade. Pratt o trata de uma forma tão livre que o personagem parece etéreo em várias cenas. Me incomodou isso um pouco ao mesmo tempo em que me deixou intrigado. Normalmente o papel de um protagonista é tocar a história adiante, mas Corto não faz isso ao longo da história. Ele funciona mais como um catalisador para que certos fatos se acelerem.


Vemos na história o funcionamento dessa rede de relações no Pacífico. Se trata de um cenário bem tenso, com uma história acontecendo pouco antes da Primeira Guerra Mundial e as marinhas dos países estando bastante presentes na região. Vemos ingleses e alemães nessa história, lembrando que ambos estão em lados opostos do conflito. Rasputin tem boas relações com um almirante alemão a quem ele deseja favorecer, mas os dois jovens são filhos de uma importante família inglesa local. Isso o coloca em uma posição onde ele precisa tomar uma decisão bem rápida, caso contrário ele estaria colocando todos os seus planos em risco. No meio disso tudo, Pratt nos mostra as traições e acordos em cadeias de comando e como a pirataria podia ser usada como um instrumento para o controle local. Vale a pena prestar atenção principalmente no final com o destino de Slutter nas mãos dos ingleses. Caso determinadas situações não tivessem acontecido, o resultado final poderia ter sido bem inglório.



Por outro lado temos a figura do Monge que age como uma espécie de comandante dos piratas dessa região. Um homem que age com um misto de misticismo e força de comando. Pratt consegue nos passar bem o quanto essa figura estranha é vista pelos demais. Se fôssemos pensar de maneira lógica, não seria estranho pensar como rufiões poderiam traí-lo rapidamente, mas ele consegue controlá-los. Há um respeito tácito exposto pela maneira como ele se porta e até as artimanhas que ele usa para impor o medo quando necessário. Gostei de ver o momento em que ele chega a encarar numa boa a marinha de um país estrangeiro sem medo de ser feliz. Ao mesmo tempo em que há esse poder de comando, sentimos logo que o mistério que ele esconde possui dor e arrependimento naquela capuz que esconde seu rosto. Nenhuma das pessoas que ele encara como aliadas viram seu rosto, o que lhe confere esse ar místico. Tem um momento na narrativa em que Crânio chega a pensar que o Monge seria uma espécie de título dado a várias pessoas ou que ele seria um homem muito velho. Crânio é um sujeito esperto, e o quanto essa sua reflexão vem de um pensamento próprio ou ele estaria apenas manipulando a opinião dos personagens é algo incerto. A terceira parte da história é toda voltada para lidar com o seu ocaso e loucura e aí vemos o quanto o personagem escondia sentimentos até de si mesmo.


Disse que Corto é um personagem que não move a história para a frente. Rasputin assume essa função. O seu estilo caótico e descontrolado, apesar de ser uma raposa astuta, é o que acaba tendo esse papel. É muito interessante ver as interações dele com Corto porque parece que alguma coisa vai explodir quando os dois estão juntos. Eles são polos muito opostos um ao outro. Porém, existe um grau de respeito na maneira como Corto se refere a ele. Rasputin deseja que as pessoas tenham respeito por ele. O mesmo respeito e deferência que o Monge tem. Só que há uma diferença clara entre os dois: enquanto que o Monge é um indivíduo naturalmente carismático (mesmo que pelo medo e intimidação), Rasputin precisa forçar situações para que isso aconteça. E é impossível prever o efeito que algumas de suas atitudes vão ter ao longo da história. Ele é lógico na sua maneira de abordar o mundo. Só que ele se encontra como um obstáculo para quase todos os personagens. Então seria óbvio pensar que todos querem se livrar dele de alguma maneira.


Essa minha primeira experiência com Corto Maltese foi bem legal. Não conhecia o trabalho de Pratt e foi uma boa experiência narrativa. Me incomodou um pouco o meio da história que tem uma barriga, me levando a crer que a história poderia ser um pouco menor, mas o autor quis investir mais no desenvolvimento de personagens. A arte de Pratt é uma aula de arte em PB que precisa ser melhor observada pelos leitores e todos aqueles interessados na nona arte. No mais, quero acompanhar mais histórias do personagens e já estou ansioso pelo próximo volume da coleção.




Ficha Técnica:


Nome: Corto Maltese - Uma Balada do mar salgado

Autor: Hugo Pratt

Editora: Trem Fantasma

Gênero: Ficção

Tradutor: Marcello Fontana

Número de Páginas: 184

Ano de Publicação: 2023


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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