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Enquanto faz a pesquisa de um magnetar, o Astronauta acaba se envolvendo em um acidente que acaba destruindo a sua nave. Ele vai precisar de toda a sua perseverança e conhecimentos para sobreviver ao fato de ter se tornado um náufrago no espaço.



Sinopse:


O Astronauta, personagem que singra o espaço sideral sozinho em sua nave há anos, visita uma galáxia distante para estudar um magnetar, uma estrela de nêutrons que possui um campo magnético estimado em 1 bilhão de teslas. Mas ele comete um erro que pode custar sua vida. Agora, com a nave danificada e sem comunicação, ele está “náufrago no espaço” e precisa encontrar uma forma de escapar antes de ser derrotado pela insanidade que insiste em tomar sua mente. E a saída pode estar em aliar a tecnologia aos ensinamentos de seu velho avô, há tanto tempo falecido.






Apesar de esta ser a quarta Graphic MSP que eu leio, cronologicamente ela foi a primeira. E eu demorei um pouco para pegá-la porque sou um enorme fã de ficção científica. Vários colegas tinham me dito que Astronauta era uma das melhores graphics da série por conta do roteiro de Danilo Beyruth. Me preocupei com o fato de ir a uma HQ com muito hype e acabar me decepcionando ou esperando mais do que ela poderia prometer. Deixei o hype arrefecer e então finalmente peguei para ler. E não me arrependi nem um pouco. A narrativa de Beyruth entrega para o leitor tudo o que alguém que curte scifi poderia esperar: altas ideias, uma narrativa tensa e pequenos easter eggs colocados aqui ou ali. Terminei a história bastante satisfeito.


A narrativa é bem simples e direta e nos coloca ao lado do Astronauta que está explorando um magnetar, um fenômeno espacial nunca antes visto por um explorador. Algo que é derivado de uma estrela de nêutrons. Ele pousa sua nave em um dos asteroides de gelo maiores e começa a posicionar instrumentos de medição por vários locais de forma a obter leituras e realizar pesquisas. Só que a estrutura instável do magnetar faz com que esta seja uma missão arriscada. E em algo imprevisto pelo Astronauta, um enorme menir cair em cima de sua nave, danificando-a de forma fatal. Sem nave, sem ter como entrar em contato com alguma missão de resgate, o Astronauta vai precisa de todas as suas forças para sobreviver em um ambiente hostil.


Quem gosta de exploração espacial vai ter um prato cheio com esse quadrinho. É importante destacar que a história é bem fácil de ser compreendida e mesmo os altos conceitos são bem explicados ao longo da história. O leitor não se sente perdido sendo que mesmo quem não seja fã do gênero pode gostar do que está sendo lido. Fora que essa é uma narrativa bastante humana que vai se debruçar sobre sentimentos de solidão e saudade diante de um homem que abandonou várias coisas na Terra para se dedicar a uma vida no espaço. Mais do que explorar lugares inacreditáveis, vamos analisar o quanto a relação com outras pessoas é importante para manter nossos pés no chão. Não se deixem levar por todo o pano de fundo de ficção científica; é uma história sobre sentimentos, sobre o quanto algumas pessoas preenchem um vácuo em nossos corações. Tem alguns momentos desesperadores da história em que nos perguntamos se o Astronauta vai conseguir sair ileso de toda essa experiência. A narrativa de Beyruth consegue nos deixar sempre nos nossos calcanhares e desejando virar a página para saber o que irá acontecer a seguir.



A arte acima mostra um pouco do que podemos esperar na HQ. A arte do Beyruth é bem polida e ele consegue nos ilustrar um personagem expressivo e que demonstra seus sentimentos através de seus gestos, expressões faciais e corporais e de sua interação com o ambiente. Se estou falando do design do personagem que faz jus à criação de Maurício de Souza, preciso comentar também sobre o cenário que ele cria. É absolutamente insano, repleto de tudo aquilo que um fã de ficção científica saliva por ver. Ele conseguiu criar algumas cenas lindíssimas com explosões de asteroides, os mistérios do espaço ou até mesmo quando ele começa a imaginar coisas em sua mente. Algumas das splash pages apresentadas são inacreditáveis e atestam a qualidade da pena de Beyruth.


Gostei também da quadrinização do artista que varia bastante por toda a história. Em momentos mais calmos ele emprega a quadrinização tradicional com 5 a 8 quadros, mas quando ele precisa apresentar alguma cena mais insana, ele não se arroga de empregar quadrinizações exóticas ou experimentalismos. Um exemplo bem legal é quando ele demonstra a passagem do tempo para o Astronauta quando ele se vê sem saída. Ele cria uma rotina diária de 9 quadros, cada uma com uma ação. Inicialmente essa sequência se desdobra em uma página inteira. Aos poucos ele vai reduzindo essa cena para que caiba mais delas em uma página. Isso até ele criar todo um mosaico com repetições ad infinitum dessa rotina. O efeito disso é nos mostrar algo tedioso e monótono, demonstrando a decadência do personagem à medida em que ele percebe o quanto essa rotina parece não ter fim.


A colorização da Cris Peter também está lindíssima. Ela conseguiu colocar vivacidade nas cenas criadas por Beyruth. O emprego de uma palheta focada no azul, no rosa e no amarelo ajudou a dar um grau ainda maior de insanidade ao que está sendo apresentado em cena. Só que a cena que mais me agradou e que mostra a potência das cortes da Cris Peter é uma que se passa na mente do Astronauta. São quatro quadros em wide screen em uma splash page que nos apresenta o Astronauta perseguindo uma pessoa. A cada quadro, ele aparece mais próximo do seu objetivo. O uso da cor rosa dá um ar de abstração necessária para compreendermos que aquilo não se passa no mundo real, mas no subconsciente de um personagem afetado por tudo aquilo que está acontecendo ao seu redor.



Astronauta encarna o verdadeiro explorador espacial. Alguém curioso para conhecer os mistérios do espaço. Beyruth nos mostra o quanto isso faz parte da personalidade do protagonista. A iniciativa de estar sempre em busca do desconhecido é um elemento importante na vida de qualquer pesquisador. Buscar o fantástico, criar hipóteses que saem da caixinha. Qualquer entusiasta de ciências tem essas características e eu achei que o autor conseguiu colocá-las muito bem na história. Não apenas isso, mas o quanto essas escolhas dividem a essência do personagem. Ao mesmo tempo em que elas fornecem a ele uma perspectiva única sobre o que ele faz e o que pretende como seus próximos passos, lhe dá um dilema sobre como conciliar sua vida emocionante e perigosa e seu contato com pessoas queridas. Estar tanto tempo no espaço o faz pensar sobre relações humanas. O que ele precisou sacrificar e deixar para trás. Se no começo vemos um personagem seguro de si e quase se divertindo ao estar diante de um fenômeno tão maravilhoso, ao final ele está repensando suas escolhas e se preocupando com como as pessoas o veem. Cito aqui que isso é uma característica do cientista, mas qualquer pessoa que mergulha de cabeça em seu trabalho passa por uma situação semelhante. Quando não vemos nada além de nossos trabalhos. E quando a ficha cai percebemos o que deixamos de lado. E esse é o momento em que a solidão bate mais forte.


A solidão e o desespero são os temas mais presentes na narrativa. É algo que me fez pensar imediatamente no filme Perdido em Marte, baseado no romance de Andy Weir. Não digo com certeza se o romance teve alguma influência sobre a composição da história porque normalmente projetos de HQs se iniciam anos antes de ser publicada. Então as ideias que originaram a narrativa podem muito facilmente ser bastante anteriores à publicação no final de 2012 (o romance é de 2011). Com o avanço da tecnologia, viagens espaciais mais longas vão se tornar viáveis nas próximas décadas. E a própria noção de náufrago pode ganhar um novo contexto. É terrível o quanto os dias monótonos vão se sobrepondo uns aos outros e fazendo a nossa esperança diminuir pouco a pouco. E isso vai afetando a nossa própria capacidade de percepção do mundo que nos cerca. Astronauta vai sentir isso na pele e tem alguns momentos desesperadores quando ele começa a duvidar daquilo que ele está vendo. Parece que existem fantasmas ao seu redor. Esse efeito colateral pode ser resultado do efeito que o magnetar tem sobre ele ou até de sua mente pregando peças em sua percepção. Este segundo é um fenômeno comum e alguns cientistas chamam de doença social, quando ficamos muito tempo longe do contato com outras pessoas. Para mim, esse foi um dos melhores aspectos da narrativa, esse terror de estar preso e sozinho no espaço. Beyruth conseguiu traduzir isso muito bem nas páginas da HQ.


Consegui me divertir bastante com Astronauta - Magnetar e realmente foi uma das melhores Graphic MSP que eu li. Principalmente por eu ser fã de ficção científica e de o autor ter pirado bastante nas cenas e nos conceitos. Mas, muito mais do que ser uma história que explora o espaço e seus fenômenos maravilhosos, esta é a história de um homem que está há muito tempo longe de seus pares. E ele começa a se questionar se esta foi uma escolha certa e o que ele precisou sacrificar para poder alcançar os seus objetivos. Sem falar nas cores insanas empregadas pela Cris Peter.











Ficha Técnica:


Nome: Astronauta - Magnetar

Autor: Danilo Beyruth

Colorista: Cris Peter

Editora: Mauricio de Souza/Panini (Graphic MSP)

Número de Páginas: 80

Ano de Publicação: 2012


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A jovem Raya foi nomeada para ser a guardiã de um cristal que contém os poderes mágicos de Sisu, um dragão que se sacrificou para eliminar os Druun da face de Kumandra. Mas, as disputas entre as várias nações do continente colocarão em xeque a confiança que Raya tem nas pessoas e causará um desastre sem proporções.


Desde que Raya foi anunciado em 2019 que tinha ficado animado. Isso porque a Walt Disney sairia um pouco das lendas europeias e abraçaria parte da cultura oriental para contar uma história voltada para um público de todas as idades. Algo que somente a Disney consegue fazer através de histórias como Mulan, Frozen e entre tantos outros. E a animação me fazia pensar em animações japonesas embora com aquele toque ocidental característico. Veio a pandemia que atrasou bastante a produção do longa metragem e complicou a edição, mas o resultado final é lindo. É uma pena mesmo que Raya e o Último Dragão não tenha desfrutado de um palco maior, nos cinemas até para poder se pagar porque ele não foi capaz disso. Ainda sob efeito da pandemia, o longa metragem foi direto para o streaming, ficando por algum tempo no Premier Access, ao qual o espectador precisava pagar um valor mais elevado, mas pouco tempo depois estava liberado. Esse é um filme que valia a pena ter desfrutado de algumas semanas nos circuitos dos cinemas.


Raya e o Último Dragão é uma produção da Walt Disney Animation, com roteiro de Qui Nguyen e Adele Lim, direção de Don Hall e Carlos Lopez Estrada, co-direção de Paul Briggs e John Ripa. Os produtores são Osnat Shurer e Peter del Vecho. Como vocês podem ver, é uma equipe bastante representativa com pessoas vindas de diferentes partes do mundo. Vale assistir um extra disponível no streaming que mostra os bastidores de produção durante o período de lockdown. É um documento histórico sobre um período tão estranho história da humanidade. O filme tem 107 minutos e estreou em março de 2021. A animação é estonteante com belos cenários de fundo inspirados na China antiga. Apesar das nações de Kumandra serem bastante variadas, a gente percebe um elemento coeso que une todos eles. Mesmo os habitantes de Coluna, que representariam um povo do norte da Europa podem ser associados às partes mais elevadas da China, próximas ao Tibet.


Então vamos tentar explicar a história do filme sem dar muitos spoilers. Kumandra é um continente formado por cinco nações: Presa, Garra, Coluna, Coração e Cauda. Há muito tempo atrás, seres chamados de Druun assolaram o continente. Eles são seres amorfos que se alimentam da energia vital dos seres vivos, deixando para trás apenas uma estátua de pedra. Todos os esforços da humanidade para lutar contra eles eram em vão. Um dia, os dragões se envolvem na guerra contra eles e se sacrificam. Sisu, o último dragão concentra todo o seu poder em uma bola de cristal e consegue destruir os Druun para sempre. Mas, ela desaparece no processo. A pedra de energia é guardada pelo povo de Coração que possui um reino pacífico e próspero. Mas, os demais reinos acreditam que a pedra fornece habilidades sobrenaturais aos habitantes do reino, justificando por que eles possuem um lugar tão belo e rico. O chefe Benja, o atual guardião da pedra está cansado dessas brigas entre os reinos, que ocasionou a separação entre eles. Kumandra, o continente unido, não existe mais. E tudo o que Benja deseja é o entendimento entre todos eles. Sua filha Raya acaba de passar no teste para ser escolhida como a próxima guardiã da pedra e isso provoca enorme felicidade a seu pai. Mas, a sua escolha vem com uma tarefa difícil imediatamente. Benja convocou os líderes das outras nações para se unirem e tentarem alcançar um entendimento para a cooperação. Se os dragões não mais existem, cabe aos humanos cuidar de suas terras. Durante esse evento, um acontecimento trágico mudará a história: a pedra que estava sob a proteção de Raya se parte em vários pedaços, o que libera novamente os Druun para atacarem os seres viventes.



A animação me agradou demais, entregando um bom meio termo de uma atmosfera medieval e magnífica com elementos fantásticos. Todo o design de personagens está de parabéns. Os cinco reinos possuem personalidades próprias que são simbolizados na forma de se vestir, de se portar e em suas respectivas cidades. Alguns cenários como o de Coração e até mesmo o castelo de Presa são pinturas. Conseguiria facilmente usar um cenário daqueles como poster no meu quarto. O design de personagens também está lindo. O CGI empregado tem personalidade, movimentação fluida. Não é aquele 3D estranho e robótico. Os personagens parecem feitos de massinha, se movimentando livremente pelo cenário. Aliás, o tipo de movimentação também caracteriza o personagem, seja Raya com uma postura decidida ou Namaari com um estilo mais real. As cenas de ação são bem coreografadas com alguns destaques como a perseguição de Raya a alguns pequenos ladrões e algumas lutas entre Raya e sua rival. A trilha sonora também é bastante competente com sons que puxam bastante a essa veia oriental do filme, mas sem deixar de lado a conexão com o tipo de cena com a qual as músicas são inseridas. Um bom mix de instrumentos musicais e até de ritmos também. Achei a trilha sonora bem completa.


Raya é uma personagem em conflito. A história se passa anos depois dos acontecimentos trágicos e o continente se tornou uma sombra daquilo que foi um dia. As pessoas se tornaram alvos dos Druun que atacam indiscriminadamente. O medo e a falta de coragem se apossaram do coração de todos. Para Raya isso vai mais além. Como os acontecimentos foram provocados indiretamente por ela, Raya não consegue tirar de seus ombros a responsabilidade pelo que ocorreu. Desde então ela se dedica noite e dia a procurar Sisu, o último dragão, aquele que não foi petrificado pelos Druun. Só que seu paradeiro é desconhecido de todos. Ela vai encontrar finalmente a dragão anos mais tarde, e ela já se tornou alguém mais calejada pela vida e pela solidão.


Já nossa último dragão, Sisi, é uma personagem energética e até, de certa forma, inocente. Ela deseja a felicidade a todos e confia de coração em todos os que aparecem diante dela. E, claro, esse jeitinho meio amalucado da personagem vai colocar Raya em enormes apuros. É muito divertido ver a química entre elas porque elas representam espectros emocionais opostos. Enquanto Raya é mais contida, fechada e desconfiada, Sisu é extrovertida e impulsiva. A presença dela se torna essencial para Raya, que estava com o coração partido pelos eventos de outrora. Pouco a pouco, a energia de Sisu contagia Raya que vai lentamente abrindo seu coração. Mas, Sisu vai passar por uma mudança porque ela era a irmã mais nova e menos experiente. Embora detentora de um enorme coração, seus poderes não são os mesmos de seus irmãos e ela precisa descobrir a força dentro de si. Um motivo pelo qual lutar. Essa jornada a levará a conhecer todos os cantos de Kumandra.



A humanidade é responsável pela maior parte dos problemas que acontecem no filme. A ambição humana é o que leva todos a disputarem os poderes mágicos dos dragões. Se eles tivessem se unido no começo, nada disso teria acontecido. De certa forma essa é uma crítica social que podemos trazer nos dias de hoje. E é parte da filosofia oriental. O verdadeiro mal está nos corações dos homens. Essa sombra crescente que se manifesta através da busca de privilégios não merecidos, de vantagens, da manipulação de pessoas, e do poder desmedido. Os chefes das nações são o melhor exemplo dessa problemática como Virana que mesmo mais à frente quando tudo parecia resolvido, a decisão dela é a pior possível. A mentalidade do chefe Benja é completamente ignorada por todos que não foram capazes de compreender o real significado da amizade e da cooperação.


Talvez o ponto central dessa história seja confiança. E isso é o que se torna necessário para todos os problemas que assolam o mundo possam ser resolvidos. Que todas as nações possam confiar umas nas outras para superarem suas dificuldades e diferenças. Que a Sisu encontre a força no interior para conseguir superar suas inseguranças. E que Raya possa novamente confiar nas pessoas porque somente assim ela será capaz de encontrar uma saída para enfrentar os problemas que tanto a colocam para trás. Esses problemas de confiança se revelam até mesmo em sua relação com os seus companheiros. Ela não consegue se abrir completamente para as pessoas porque tem medo de ser novamente traída. Ela e Namaari poderiam ter sido melhores amigas não fosse a ambição de Presa. E anos mais tarde, Raya não se vê capaz de realmente confiar em sua rival. Para ela, Namaari representa a sua falha. A perda de seu pai para uma força maligna. Ao superar isso, ela pode ser capaz de ser uma pessoa melhor.


Este é um filme maravilhoso e que merecia ter sido melhor apreciado pelos fãs. Tenho certeza de que se ele tivesse tido uma oportunidade de estar nos cinemas, teria uma projeção muito maior. A animação está de primeira linha e mostra a evolução tecnológica nos últimos anos ao lidar com CGI. A trilha sonora é também competente, fornecendo as emoções certas nos momentos adequados. As cenas de ação foram bem construídas explorando toda a fluidez de movimentação oferecida pela equipe técnica. As temáticas são bem mais complexas do que parecem à primeira vista. Temos nações que não cooperam, uma menina com um enorme fardo em suas costas e a necessidade de criar confiança uns nos outros.



Que tal uma lista com alguns animais de estimação que passaram pelas dezenas de livros do Stephen King? Aqui segue uma, com alguns simpáticos e outros horripilantes!


Os livros de Stephen King sempre nos trazem aquela segurança de insegurança e de pavor. Seja um menino que enxerga acontecimentos estranhos em um hotel, a um mundo pós-apocalíptico em que um ser de capa preta ronda pelos EUA ou uma redoma de vidro que circunda uma cidade de forma inexplicável. Ao mesmo tempo em que nos mostram pessoas em situações limite, consegue nos entregar estudos de personagens apaixonantes. E muitos deles ficam em nossa memória como Jack Torrance, o Homem da Lata de Lixo, Bill Hodges, a Coisa entre tantos outros. Mas, alguns livros do nosso querido autor nos trazem outros personagens menos badalados: os animais de estimação. Sim, eles estão lá e hoje nessa postagem do Setembro King, queria homenageá-los. Escolhi cinco deles que são marcantes e uma menção honrosa.


1 - Churchill, de O Cemitério


Talvez nenhum deles seja tão apavorante quanto esse maldito gato. Me lembro de que tive pesadelos com esse bichano dos infernos por muito tempo. Churchill é o doce gatinho da família Creed, que acaba de se mudar para uma casa que fica em frente a uma auto-estrada perigosa e atrás dela tem uma floresta onde se situa um estranho cemitério. Um dia, Church morre atropelado e as crianças ficam extremamente tristes. A conselho de seu vizinho, as crianças enterram Church no "simitério" dos animais, mas poucos dias depois, Church retorna vivo e bem. É aí que a saga da família começa a virar porque o gato parece ser detentor de uma estranha presença e ele surge em lugares e situações absolutamente bizarras. A sequência de final de situações que envolvem Church e o filho mais novo dos Creed é daqueles momentos que ficam na história dos livros de terror.


2 - Cujo, de Cujo


Outro animal icônico é o famoso são bernardo de Cujo. Como alguém que tem um cachorrinho em casa, fiquei triste demais com a história dele. A gente entende toda a situação bizarra na qual ele coloca Donna, mas ele estava sendo vítima de uma doença sombria. Bem, a história gira em torno de Donna, Frank e Vic. Donna é uma mulher que foi popular na escola e esperava ter um casamento bacana regado a viagens e muito glamour. Infelizmente a realidade foi bastante diferente e ela se tornou apenas uma dona-de-casa que busca o calor dos velhos tempos em uma relação extraconjugal. Um dia, seu cachorro Cujo se torna um animal descontrolado, colocando-a em uma situação da qual ela não consegue fugir. Nessa situação absurda, Donna vai refletir sobre as escolhas que fez na vida enquanto tenta se livrar da fúria de um animal selvagem e descontrolado. O final desse romance me deixou mal.


3 - Kojak, de A Dança da Morte


Big Steve é um setter inglês que é renomeado por Glen Bateman como Kojak em homenagem a uma famosa série dos anos 70. O setter é um tremendo companheiro para o grupo de Stu Redman. Eles caminham por todo o país em busca de segurança e nosso querido Kojak serve como caçador e apoio nos momentos mais dramáticos. Em A Dança da Morte a humanidade se torna vítima de uma praga que dizima a maior parte das pessoas. Em meio a uma sociedade marcada pelo caos e pela destruição, um grupo de pessoas se dirige para o centro dos EUA em busca de abrigo. Mal sabem eles que estarão se envolvendo em uma batalha entre o bem e o mal que colocará na balança o destino de todos. É nesse romance que conhecemos o poder do Homem de Preto, que vai ser um dos personagens principais dessa história.


4 - Horace, de Sob a Redoma


Horace é o pequenino corgi que pertence a Julia Shumway, nossa querida repórter bisbilhoteira de Sob a Redoma. Um fiel companheiro de solteirice de nossa Julia, aquele cãozinho que te espera todos os dias para se enrodilhar perto de você. Julia é uma personagem marcante que, infelizmente, foi mal adaptada para a série de televisão. Na trama de Sob a Redoma somos colocados em uma cidade do interior dos EUA, controlada por um político chamado Big Jim Rennie que tem todos na palma de suas mãos. Controlando através de um coronelismo desenfreado, exigindo favores e usando a intimidação, ele vê seu mundo ficar de pernas para o ar quando uma redoma de energia fecha a cidade do resto do mundo. Ninguém mais pode sair. O hamburgueiro Barbie e a repórter Julia são alguns dos que ficam contra o espírito de ditador que se acende no interior de Rennie e desejam descobrir como sair dali.


5 - Milo, de Joyland


Milo é um terrier danadinho que apronta todas em Joyland. Devemos a introdução de Mike e Annie a Devin Jones em parte por causa dele. A história se passa dentro de um estranho parque de diversões onde aconteceram diversos acontecimentos trágicos alguns anos antes. Devin decide trabalhar no parque enquanto busca respostas para uma morte pela qual ele se sente parcialmente culpado. Só que quando o jovem Mike entra em sua vida e se vê envolvido com o parque, Devin pode precisar de todas as suas forças para que os acontecimentos não se repitam e mais uma vida seja destruída. Nosso querido Milo é aquele cão que acorda virado no 220v e a gente precisa competir em energia com ele.


Menção Honrosa:


Molly ou a Pequena Coisa do Mal

Não podíamos fechar esta matéria sem falar na doce Molly, o corgi do nosso querido autor. A Pequena Coisa do Mal também é um daqueles cachorrinhos animados e encrenqueiros. Daqueles que comem o seu dever de casa e te arrastam para todo lado até você dar atenção a ele. É tão legal ver o quanto nosso autor é uma pessoa absolutamente normal, com sua família, filhos, casa e cachorro. Talvez passe pelas nossas cabeças que um autor de livros de terror precise ser soturno, bizarro e estranho. E isso não é necessariamente verdade. Afinal, somos humanos de carne e osso. E uma foto linda dessas fica para fechar o seu dia, lembrando que devemos dar para o nosso querido autor hoje. Parabéns a ele e que possa continuar a nos dar obras maravilhosas e significativas.