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Depois que Dengo capturou Alana e Hazel, elas seguem rumo ao desconhecido. Marko consegue a ajuda do Príncipe Robô IV e procura pistas do paradeiro de sua esposa e filha. E em um planeta distante, Gwen, Sophie e The Brand buscam uma cura para The Will. Uma edição repleta de emoções.



Sinopse:


Nesse novo volume da série, múltiplas histórias colidem numa emocionante aventura por todo o cosmo. Enquanto Gwendolyn, Sophie, a Gata da Mentira e A Mácula, arriscam suas vidas na procura de uma cura para O Querer, Marko faz uma incômoda aliança com o Príncipe Robô IV para ajudá-lo a encontrar seu filho raptado, que está preso num estranho mundo com novos e terríveis inimigos. A trama, magnificamente ilustrada por Fiona Staples, continua, página a página, cada vez mais envolvente e surpreendente, misturando magistralmente elementos de ficção e fantasia, continuando a narrativa do que já é uma das melhores sagas em quadrinhos do século 21.


Atenção: Tem spoilers... muitos spoilers de volumes anteriores. Afinal é a resenha do volume 5.






Saudade e arrependimento


Saga continua arrasando com uma narrativa que não para nem por um segundo. Esse quinto volume tem muitas peças em movimento. Quando você imagina que vai ter um respiro, algo mais emocionante acontece a seguir. Vaughn nos mantém presos desde a primeira página. Se eu posso dizer em relação a volumes anteriores, essa é a melhor edição até o momento. O trabalho com personagens continua no topo e mesmo a temática que é o foco desse volume, o arrependimento, é muito bem trabalhada.


A arte da Fiona continua belíssima. Mesmo com o fato de ela não ter tido muito espaço para se espraiar pelas páginas, ela mostra o repertório que possui. A variedade de tipos de personagens diferentes é espantosa. Temos desde um dragão, passando por diversos robôs, mutantes malucos e situações malucas. Essa variedade dá muito frescor aos capítulos já que nada é igual o tempo todo. O leitor sempre fica perdido diante da quantidade de informações presentes em cada página. O cuidado com frente e fundo mostra o quanto a Fiona se preocupou em adequar sua arte ao roteiro do autor. Tudo o que ela faz é orgânico e parece realmente complementar o roteiro. Por essa razão Saga é tão espetacular; tudo é coeso e coerente. Já não tenho mais adjetivos para qualificar a arte da Fiona. Vou ser um pouco perfeccionista porque ela me acostumou com o sensacional e dizer que eu queria ter visto uma quadrinização mais aberta, com menos quadros. A arte dela implora por isso e é chato vê-la tão comprimida. Sei que essa era uma edição que pedia isso, mas mesmo assim me incomodou um pouco.


Arrependimento é a palavra-chave deste volume. E vemos diversos personagens lidando com esse sentimento ao longo de toda a narrativa. Quando fazemos algo que não gostaríamos de ter feito. Como nos sentir diante disso? Não é possível voltar atrás como veremos nas diversas narrativas presentes neste volume. Tudo o que podemos fazer é aceitar e buscar mudar algo ou se conformar com aquilo que foi feito. Mudança ou aceitação. Não podemos refazer as coisas, viajar no tempo. O que podemos é aprender com aquilo que erramos e buscar nos tornarmos pessoas melhores. Ou então simplesmente zerar e começar de novo.



O personagem que passa por maiores transformações neste volume é Marko. É preciso lembrar que ele é uma pessoa que abomina a violência. E terminamos o anterior com ele arremessando uma caixa no rosto de Alana, algo que provocou a separação do casal. Ele acaba precisando lidar com o que fez. Infelizmente ele decide fazer da forma errada no começo e acaba se afogando no próprio arrependimento. Por todo este volume ele revive algumas sequências de sua infância e do período em que ele esteve envolvido na guerra. Ter matado pessoas, mesmo sendo durante uma guerra, causou feridas em seu coração. É um momento importante para entendermos de onde veio o seu estilo pacifista. A reação dele ao fato é a normal em qualquer ser humano: se afogar em bebidas e drogas. O que não passa de uma fuga do problema real. Fica até os meus parabéns à maneira como o autor faz com que o personagem dê a volta por cima. Nos estimula a repensarmos nossos valores e a como devemos buscar forças mesmo nos momentos mais difíceis.


Já Alana está junto de Dengo sendo levada em uma espaçonave a um planeta distante. Aparentemente o robô deseja vender Hazel a um grupo de revolucionários. Este grupo não é favorável nem a um lado nem a outro da guerra. Tudo o que eles desejam é pura anarquia. A princípio, Dengo fica animado com a perspectiva, mas vamos ver que as coisas não são tão simples assim. O amor de Alana por Hazel vai ser muito testado aqui. É até um contraponto ao volume anterior que viu um contato maior entre Marko e sua filha. A maneira como ambos se envolvem com Hazel é diferente: enquanto Marko precisa de Hazel como um complemento a seus sentimentos, o amor de Alana é o amor de uma mãe, como uma parte de si.


No outro grupo temos Gwen, Sophie e The Brand buscando uma cura para The Will. Eles acabam parando em um planeta buscando fluidos corporais de um dragão macho. O que eles encontram é algo completamente diferente do que eles tinham imaginado. Gwen acaba não tendo muito espaço aqui, e acabamos conhecendo um pouco mais da personalidade de Sophie. Uma menina atrapalhada e que está em busca de aceitação por parte dos membros do seu grupo. Essa necessidade cria problemas até desnecessários para todos. Aliás, o autor não tem a menor pena de sacrificar um personagem. E de maneiras bem sangrentas.



Em um volume marcado por histórias se desenvolvendo para todos os lados, Marko brilhou demonstrando sua capacidade como um pai que ama sua família. Ele sabe que errou e busca uma maneira de se redimir por seus pecados. A arte da Fiona continua maravilhosa e não é à toa que esta é uma série que sempre concorre ao Eisner. A qualidade do roteiro de Vaughan continua ficando cada vez melhor. Ele demonstra estar à vontade com seus personagens e retirar deles o máximo de seu potencial.









Ficha Técnica:


Nome: Saga vol. 5

Autor: Brian K. Vaughan

Artista: Fiona Staples

Editora: Devir

Tradutor: -----

Número de Páginas: 152

Ano de Publicação: 2017


Outros Volumes:

Volume 1

Volume 2

Volume 3

Volume 4


Link de compra


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Dando continuidade às nossas discussões sobre uma possível "retração da fantasia", dessa vez fomos buscar a opinião de autores consagrados da literatura fantástica nacional. Como será que eles enxergam esse cenário?



Na semana passada fizemos uma postagem repercutindo a declaração da editora Leya dada ao público (e publicada pelo site Publishnews) em que ela alegava haver uma retração no gênero fantástico não só no Brasil como no mundo todo. Buscamos a opinião de especialistas do mercado editorial para entendermos melhor este cenário e obtivemos algumas respostas bem interessantes. Mas, como bom historiador que sou, entendo que para compreender uma conjuntura histórica, é preciso conhecer o todo, ouvindo todas as partes envolvidas: produção, produtor e público-final. Ouvimos o lado das editoras; agora é hora de ouvir o lado dos autores. Será que a opinião deles é a mesma?


Nas respostas que vamos ver a seguir, vamos notar algumas diferenças em relação ao material coletado junto aos editores. Enquanto que para os editores existe uma batalha diária a ser lutada, um mote de perseverança diante de obstáculos inimagináveis, para os autores esses obstáculos possuem outros nomes. Muitos leitores do Ficções vão se perguntar, por que fazer a mesma pergunta a tantas pessoas diferentes? As respostas não vão se repetir? Até podem... e eventualmente irão. Mas, percebam os detalhes finos das respostas dadas. Percebam o que fica nas entrelinhas; o enfoque de cada um; os acréscimos; os silêncios. Esse é o trabalho do pesquisador e essa é a brincadeira por trás dessa longa matéria de três (que ganhou uma semana a mais porque Ana Lúcia Merege merece uma semana para dar o seu depoimento, afinal ela é uma de nossas colunistas).


Os links das outras matérias estão abaixo:


Houve retração na fantasia? Na Opinião de editores

Houve retração na fantasia? Na Opinião dos influenciadores de conteúdo


Você concorda que o gênero de fantasia teve uma retração no Brasil? Que os fãs não justificam um investimento das editoras?


Ian Fraser, autor da série Araruama e de Noir Carnavalesco:


O caso Sanderson mexeu muito comigo. Não pelo autor, ele vai continuar rico e eventualmente achará uma casa para traduzir seus trabalhos aqui em nossas terras. Pensei em mim e nos meus amigos, para ser sincero. Se a LEYA, que é a LEYA, pelo amor de Deus, com nome, com distribuição nacional, com know-how está dizendo que o Sanderson e o Martin (não vamos esquecer que a editora falou algo semelhante algum tempo atrás) não vendem, imagina se um dia elas vão olhar para esses míseros escritores desconhecidos que movimentam a cena da literatura fantástica independente no Brasil. Não posso falar de retração, não tenho base para falar dos números do mercado como um todo. É verdade que se você for viver dos números de Harry Potter, Crepúsculo e Jogos Vorazes, faz tempo que a fantasia não produz um sucesso nessa escala. Mas isso é só questão de tempo, também. Contudo, porém, entretanto, todavia, essa estratégia de mercado para mim, falando puramente no âmbito pessoal, é uma furada. Honestamente, não me importo com o que Sanderson ou o Martin estão escrevendo. Perdoem meu inglês, mas estou shiting and walking para eles. Eu acho que precisamos de uma grande editora, eu tô falando grande mesmo, que trabalhe APENAS com autores nacionais de fantasia especulativa. Faça o trabalho de base, investindo, levando para eventos e criando um mercado que seja autossustentável. Que use o dinheiro de obras estrangeiras para alavancar o cenário nacional. Para que o debate não seja sobre Sanderson, mas sim sobre nós. E tenho certeza de que, se bem trabalhado, com cautela e com ambições realistas, poderemos ter um mercado saudável, pois, se há uma verdade que é clara é que o Brasileiro quer se ver nas obras que ele consome. Ele quer olhar e falar, puts, sou eu aqui.


Sobre o mercado independente, quero apenas dizer o quanto eu admiro o trabalho da Pyro, da AVEC, da Corvus (BAHIA!!!!), da Dame Blanche, e tantas outras editoras que dão o sangue para que a gente tenha um mercado pequeno, porém movimentado. Se há uma coisa que eu posso dizer da minha bolha fantástica é que ela é, de fato, fantástica. E nessa bolha não tem espaço para retração de porra nenhuma.



Nikelen Witter, autora de Viajantes do Abismo e Territórios Invisíveis:


A resposta curta é não. Mas justificar esse não é um pouco mais complexo. Primeiro, a retração que se nota nos últimos anos é no mercado de livros como um todo. Contribuem para ela a crise econômica, o fim dos investimentos governamentais no PNL, o crescimento dos streamings. Sinceramente, não vejo um setor mais ou menos afetado, caso a gente separe a produção literária por gêneros.


O Brasil é um país em que historicamente a leitura foi compreendida como um tipo de ócio das elites, como um não fazer nada, como algo contrário a ideologia do trabalho, como uma perda de tempo. Isso fica bem claro quando observamos uma sociedade que está sempre pronta a condenar, cobrar e perseguir professores. Uma sociedade que está sempre clamando por melhores níveis de educação, mas não se choca em ter o professor mais mal pago do mundo. Estamos nas piores posições do mundo em níveis educacionais, e ao invés de se culpar o fato de esses profissionais precisam trabalhar 60h por semana para sobreviverem, se cobra deles resultado.


Por que falo dos professores? Porque em grande parte dos países, os professores ocupam um lugar importante como multiplicadores de leitura, o que não ocorre no Brasil. Entre outros motivos – e falo aqui como formadora de professores – porque os professores não têm tempo para ler.


E justamente por estar em contato com jovens (sejam os meus alunos, sejam os alunos dos meus alunos) é que não vejo essa retração no interesse pelo gênero fantasia. Pelo contrário, cada vez que converso vejo o interesse muitas vezes barrado pelo pouco investimento ou pela pouca propaganda sobre o gênero.


O que me faz estranhar a justificativa da Editora Leya é colocar essa declaração nesse momento, culpando um gênero específico e não o mercado como um todo. Talvez a escolha tenha se dado pelo gênero que vendia menos na Leya, mas não penso nisso como um retrato do cenário nacional. Não quando se percebe o aumento dos clubes de leitura pelo país, o aumento exponencial de Booktubers e Instabookers, e muitos destes dedicados à fantasia. Mesmo os serviços de streaming têm dado especial atenção ao interesse das pessoas pelo gênero fantasia, produzindo e anunciando estarem produzindo material, inclusive, baseado em livros e séries (muito além de Game of Trones).


O que incomoda a nós, autores brasileiros de fantasia e literatura fantástica em geral, é a contínua negação por parte do mercado editorial mainstream de nossa existência e de nossa qualidade. Já falei mais de uma vez que não conseguimos ainda superar uma fase heróica (categoria sócio-histórica) da literatura fantástica, ainda dependente dos esforções pessoais de escritores, bravos pequenos editores e leitores engajados. Oxalá um dia a gente passe para a próxima fase desse jogo.



Diego Guerra, autor de Teatro da Ira e Gigante da Guerra:


Acho que antes de mais nada é importante entender a perspectiva das coisas. Quando se fala em retração do gênero de fantasia, estamos falando sobre a retração da fantasia nacional ou nos best sellers de fantasia importada? O mercado editorial brasileiro sempre foi pequeno, o mercado de nicho, como a fantasia é proporcionalmente menor.


Não acredito em uma retração no interesse dos leitores. Os fãs de fantasia, ficção científica e horror costumam ser fiéis aos seus gostos ao longo da vida e embora um ou outro curioso possa ter passado pelo gênero incentivado por algum sucesso cinematográfico, acredito que a maioria dos leitores continua firme, forte e sedenta. Talvez sedentos até demais, o que torna a espera pelas traduções algo complicado.


Arriscando um palpite, diria que o que vem inviabilizando a importação de best sellers sejam questões puramente econômicas. Royalts negociados em dólar podem ter espremido as margens de lucro das editoras, que já vinham caindo com a contração do preço dos livros. Se vender hipotéticos 5 mil livros de algum autor internacional antes dava lucro, hoje em dia talvez dê prejuízo. É uma conta difícil de se fazer sem entender sem a planilha na mão.


Acho, porém, que vem sido um bom momento para o autor nacional de fantasia, não apenas por conseguirem manter uma produção constante e acessível ao público, mas também pela proliferação de publicações de nível profissional como as revistas Mafagafo, Trasgo e A Taverna, além, claro, das possibilidades abertas pelos financiamentos coletivos, capazes de viabilizar um projeto independente.


As Editoras de fantasia brasileiras saem na vantagem nesse atual momento, uma vez que já estão adequadas a uma margem de lucro menor, fazem o pagamento dos direitos autorais em Real e tem a grande vantagem do autor presente para lidar com o público local. O trabalho não é fácil, mas estamos vendo um trabalho excelente feito por alguns nomes do gênero o que, pessoalmente, me dá certa esperança de que o mercado de fantasia nacional saia mais forte desta crise. Se sobrevivermos ao apocalipse.

Eneias Tavares, autor de A Lição de Anatomia do Temível Dr. Louison e Juca Pirama - Marcado para Morrer:


A pergunta demanda um "Sim" ou "Não", o que é difícil de dar porque há muitas variantes envolvidas. Do ponto de vista do mercado como um todo, não do gênero “Fantástico” ou qualquer outro, minha resposta seria "Sim", pois há um número significativo de menos livrarias, dada a crise econômica no país, crise agravada pela atual pandemia.


Com essa retração – que é fato, não opinião – do mercado, temos menos casas editoriais dispostas a arriscar seu capital. E isso, novamente, independe do gênero A ou B. O resultado é óbvio: Menos títulos sendo produzidos e lançados e dos que estão sendo lançados ou são títulos já negociados e, não raro, já editados. Nesse cenário, gêneros específicos e, em especial, autores nacionais, com raríssimas exceções, sentem o baque. Agora, do ponto de vista do gênero "fantasia" – pensando como um todo, que compreende número de títulos, autores e migrações necessárias e mais que bem-vindas para outras mídias, como Quadrinhos, TV e Cinema – minha resposta seria "Não". Em relação a outros títulos, não haveria uma retração específica do gênero fantástico, ao contrário, pois mais canais e empresas estão investindo em um gênero mais próximo do público jovem e com um potencial de produtos derivados enorme. Em outros termos, o que noto é o mercado se movimentando e se reinventando com novos títulos de autores consagrados, novos lançamentos de autores novos, novas ações sendo promovidas, sejam virtuais ou coletivas, e tudo isso nesses tempos críticos e preocupantes, não apenas para a literatura e sim para todos os profissionais da indústria artística e cultural no mundo. Do ponto de vista das editoras, foi uma perda grande não termos a LeYa produzindo mais fantasia, de fato. Por outro lado, cito como exemplos as editoras Jambô - que fechou 2019 com um número impressionante de novos lançamentos de literatura fantástica nacional – sob a guardo do selo Odisseias, com curadoria de Karen Soarele – e uma participação marcante tanto na Bienal do Livro do Rio quanto na CCXP 2019, além da AVEC, de Artur Vecchi, que teve um 2019 recorde de lançamentos, com um 2020 também cheio de novidades, também muito em conta por seu modelo de negócios. E isso para citar apenas duas casas editoriais. Eu finalizo, apenas reforçando que não desconsidero a dificuldade que várias casas editoriais estão enfrentando nesse momento, bem como os profissionais nelas inseridos, sejam eles autores, editores, diagramadoras e revisores, entre outros. Antes, o que gostaria de enfatizar é que casos particulares sejam vistos e analisados em suas particularidades, sem generalizações, como infelizmente aconteceu na nota a imprensa da LeYa. Para quem trabalha com livros no Brasil, a reinvenção do mercado, das ações e da própria carreira, parece uma dura realidade e uma dura constante. Acho que é isso que estamos vivendo, mais uma vez. Precisamos, então, é de ações apaixonadas e inteligentes, que notem a ferramenta maravilhosa que temos em tempos de internet, redes sociais e tantas plataformas, como sabemos fazer tão bem, especialmente em tempos de crise.


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Na segunda história dos tripulantes da Amaterasu, eles se envolvem em uma caça ao tesouro que se transforma em uma aventura muito perigosa.



Sinopse:


Rosa Okonedo está de volta! Com dívidas para pagar, a capitã do cargueiro Amaterasu e sua equipe partem para uma missão com ares de mistério — encontrar um tesouro tido como lenda entre os contrabandistas espaciais. Mas e se eles não forem os únicos atrás dessa imensa fortuna?




Esta é a segunda história com os tripulantes da nave Amaterasu. Aqui temos uma narrativa que explora a relação entre eles e como a nave é considerada quase como uma casa para todos. Como pessoas tão diferentes entre si conseguem formar um grupo muito próximo. Essa exploração da tripulação como um todo serviu também para desenvolver melhor os personagens e até individualizá-los. Diferentemente do primeiro volume, aqui temos mais uma "caça ao tesouro" com um clímax bem surpreendente.


Sybylla adota uma mecânica bem interessante em sua narrativa: ela nos apresenta um momento climático que acontece mais ou menos após a metade da história para depois retornar e contar os fatos encaminhando até aquela situação. A ideia foi boa porque ela pegou uma situação chave que nos deixa estarrecidos e curiosos para saber o que aconteceu. Trabalhar com a curiosidade também é algo válido para um autor. É a pura criação de um baita cliffhanger que vai nos fazer ler até aquele momento em especial. A narrativa é em terceira pessoa e isso serve bem ao que ela pretende aqui. A opção por esse ponto de vista permite a ela dividir sua atenção para mostrar as diferentes situações e como cada membro da tripulação encara seu papel na Amaterasu.


Logo no começo vemos como a capitã Rosa Okonedo precisa livrar Jensen da prisão após ele se envolver em uma briga de bar. Mas, Rosa acaba sendo presa também ao tentar subornar o guarda. Cabe à Irmã Cecília ir atrás dos dois para tirá-los de lá. Enquanto isso, na Amaterasu, Jim parece estar tendo alguns glitches estranhos que Deepa não consegue explicar. No meio disso tudo boatos sobre uma possível nave alienígena nas redondezas fazem todos os caçadores de tesouros das redondezas partirem atrás de pistas. E Rosa acaba sendo arrastada para a mesma busca.



Cada personagem recebe um pouco de atenção da autora neste volume. Seja Cecília que ganha espaço no começo mostrando como sua postura pacificadora serve como um ponto de conexão entre os vários membros da Amaterasu. Ou Deepa e seu jeito preocupado. Será esse lado alerta da personagem quem irá detectar os erros de Jim e o quanto isso pode prejudicar a nave. Rosa é importante sim, e vimos no primeiro volume que ela é corajosa e destemida, qualidades necessárias a uma capitã. Em vários momentos vemos o quanto é importante a individualidade de cada um dos membros da nave. Na cena em que Rosa está em outra nave, a habilidade da tripulação de improvisar em um momento extremo é o que faz o jogo virar.


Mas, para alcançar este objetivo, eu senti que a autora sacrificou um pouco a narrativa em si. Isso se levarmos em conta que desde o primeiro volume, a história segue um foco muito mais voltado para os personagens e nem tanto à narrativa em si. Mas, neste segundo volume isso ficou mais patente. Isso foi uma escolha per se... e, dentro daquilo que a autora queria, ela conseguiu desenvolver bem os personagens. Por conta desse foco maior, eu acabei não me engajando completamente com a narrativa.


"Rosa, eu melhor do que ninguém sei que a idade não dá sabedoria a quem quer que seja. Idade é apenas tempo de vida e tem gente que não sabe aproveitar isso. Até as estrelas, depois de bilhões de anos, tem um final explosivo, devastador, algumas delas brilhando mais do que galáxias inteiras. Depois de tantos séculos vivendo tanto, parece que algumas pessoas simplesmente não aceitam que gente mais velhas não é inválida. Muito menos sábia. Ou prudente."

Um dos temas principais deste segundo volume (tem outro, mas se eu comentar, seria um grande spoiler) é a inquietude de Rosa. Ter assumido a Amaterasu e retomado suas atividades pareceu uma aventura no primeiro volume. Os perigos do espaço eram reconfortantes para a capitã. Mas, em pouco tempo isso acabou se tornando uma rotina e o coração da capitã parece ter ficado mexido com isso. Falta uma pimenta em sua vida e ela parece gostar dos riscos. Ao mesmo tempo existe a preocupação com a Amaterasu e sua tripulação. Rosa fica em uma encruzilhada onde ela precisa encontrar o equilíbrio perfeito entre uma vida de aventuras emocionantes e proteger aqueles que lhes são queridos. Esse dilema vai se arrastar até o fim da história e vai colocá-la em situações bem complicadas.


Mesmo não tendo gostado tanto quanto curti o primeiro volume, aqui temos uma autora amadurecendo ideias e desenvolvendo personagens. A escrita da Sybylla é segura e tranquila, qualidades que a gente não vê sempre. Seu universo começa a tomar uma forma mais sólida e o mais legal de tudo é que a novella pode ser lida sem que o leitor tenha tocado no primeiro volume. Tem alguns elementos que ligam o primeiro ao segundo volume, mas existe essa opção. Espero ver mais histórias com os membros da Amaterasu.



Ficha Técnica:


Nome: Por uma Vida Menor Ordinária

Autora: Lady Sybylla

Série: Amaterasu vol. 2

Editora: Dame Blanche

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 110

Ano de Publicação: 2019


Outros Volumes:

Deixe as Estrelas Falarem (vol. 1)


Link de compra:

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