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Depois da confusão que levou aos assassinatos na Rua Dunridge, Rowan precisa lidar com as consequências disso. Os caçadores de bruxas se aproximam perigosamente de nossa protagonista, mas os maiores inimigos podem estar ainda mais próximos.



Sinopse:


A armadilha ao redor de Rowan Black continua a se fechar, com o Martelo se aproximando de um lado e a Ascensão agora em movimento do outro lado. Mas, a ferida final pode não ser manejada por magia, mas ser feita através do coração.



Atenção: Tem spoilers do primeiro volume!!!!!!








O Poder dos Black


A história continua de onde ela parou no primeiro volume com Rowan precisando lidar com as consequências dos acontecimentos na Dunridge Street. O primeiro capítulo deste segundo arco vai contar a história e a importância da família Black para depois voltarmos a lidar com a Ascensão e a Aria (o grupo de caçadores de bruxas). Greg Rucka mantém uma dinâmica muito boa apesar de que este segundo volume se foca mais nas relações que Rowan desenvolveu com Morgan e com Hawthorne. Em qualidade eu achei este segundo volume um pouco mais devagar e me parece ser um arco de preparação para o que segue. De qualquer forma, é uma baita história e o leitor deveria aproveitar para acompanhar já que a série ainda tem poucos volumes.


A arte do Nicola Scott continua a sendo o ponto alto da série. Embora este segundo volume não tenha imposto tantos desafios ao artista. O fato de ele usar uma palheta em preto, cinza e branco dá um baita diferencial para Black Magick inserindo um visual meio noir a tudo. Mas, novamente, este segundo volume está distinto do primeiro por causa da necessidade do Rucka de tornar as lendas do universo criado por ele mais complexas. Por essa razão a arte acaba não recebendo toda a atenção que deveria. Por outro lado, Nicola Scott foi obrigado a trabalhar mais nas expressões dos personagens, uma limitação que acontece devido ao aspecto mais intimista deste segundo volume. O visual da dupla Ascensão é do cacete. Principalmente a garotinha; simplesmente assustadora. Tem uma cena lá pelo décimo capítulo em que a garotinha está andando pelo hospital e um médico vem perguntar se ela estaria perdida. O olhar que ela devolve é macabro.



Senti falta um pouco do trabalho da Rowan como policial e investigadora. Imaginei que eu veria mais disso até porque o Rucka gosta de histórias nessa linha (vide o arco que ele fez na série do Demolidor, pela Marvel). Não levem isso pelo lado água com açúcar dessa comparação, mas esse segundo volume me lembrou um pouco Charmed, aquela série sobre bruxas que passava há algumas décadas atrás. Isso porque o foco aqui é em mostrar a importância da família Black, de onde vem o conhecimento e poder das bruxas e por que elas acabaram se tornando reclusas. Excelente a solução do Rucka que dá às bruxas bastante conhecimento, sem torná-las apelativas. Estava em dúvida sobre qual abordagem eu curti mais: a de Scott Snyder em Wytches ou a do Rucka, aqui. Posso dizer com convicção que prefiro agora a do Rucka. Embora o Snyder tenha apresentado ideias aterrorizantes, achei a forma como o Rucka explora o mito como algo mais verossímil.


Conhecemos um pouco mais da relação entre Hawthorne e Rowan neste volume. Para quem esperava um romance lésbico, quebrou um pouco a cara. Até acho super legal a maneira como Rucka aborda a amizade e a confiança das duas. O autor poderia ter criado um romance artificial apenas para abarcar um apelo LGBT. E ele preferiu tornar a relação entre as duas ainda mais repleta de camadas. Gostei porque isso permite explorar de muitas formas diferentes como elas ficaram juntas, por que confiam uma na outra. E até associar isso ao conhecimento adquirido através de gerações de bruxas foi bem inteligente. Sério... seria muito fácil cair em uma armadilha aqui. Hawthorne acaba se tornando bem participativa neste volume, precisando lidar com a Aria no lugar da Rowan.


A Aria finalmente aparece na forma dos dois caçadores: Stepan e Leclerc. Bom também perceber que o Rucka fugiu do lugar comum de apresentar caçadores fanáticos e mortíferos. Tem uma ótima discussão entre Leclerc e Hawthorne que mostra que a Aria não é simplesmente uma versão moderna da Santa Inquisição. Eu imaginei isso lá atrás e o autor quebrou minha expectativa pelo clichê. Só o que eu fiquei em dúvida ainda é acerca das motivações e do comportamento de Leclerc. Ele aceita facilmente o convite de Hawthorne. Para um caçador, ele poderia ter sido levado a uma armadilha e ter sido morto em um piscar de olhos. Esse, para mim, foi um furo de roteiro. Queria ver um pouco mais de tensão entre Rowan/Hawthorne, a Aria e a Ascensão. Acho que essa dupla ameaça faria a narrativa ganhar muito dinamismo, já que a dupla de protagonistas não saberia de onde viria o perigo. Me parece que não é isso o que veremos a seguir.


E no fim temos a Ascensão. Ainda são seres envoltos em mistério, sendo que este segundo volume não revela a respeito dos perseguidores misteriosos. O que deu para entender e esta era uma desconfiança que vimos no primeiro volume, é que elas estão atrás de Rowan. Pelo que vimos no sexto capítulo e sem dar spoilers, Rowan parece ter herdado habilidades mágicas poderosas. Sem comentar mais, essa é a impressão que ficou. Uma segunda dedução que vem a partir do primeiro volume é que são seres demoníacos. E é isso o que temos. A relação entre Rowan e Morgan acaba entrando na mira da Ascensão. A filha de Morgan está para nascer e a química que existe entre a dupla acaba ficando mais forte. A questão é como Morgan vai lidar com isso. Ele se deixa levar pela sua paixão por Rowan ou continua com sua esposa que acaba de ter um filho. Nossa bruxa fica dividida entre deixar Morgan ser feliz ou ser egoísta e ir atrás daquele que ela ama. Como isso se relaciona com a Ascensão? Bem... digamos que elas vão explorar essa dúvida no coração de Rowan.



Um segundo volume tenso e que no final deixa a gente com várias pulgas atrás da orelha. A arte do Nicola Scott ficou em parte limitada pelo fato de ser um volume mais tranquilo do que o anterior. Apesar disso ele trabalha bem nas expressões dos personagens, conferindo emoção e drama às cenas. O roteiro está preciso apesar de ter alguns furos que me incomodaram como o fato de a Aria aceitar facilmente conversar com seus inimigos. Estranho e pouco coerente. No mais, minha única reclamação é o fato do Rucka demorar tanto tempo entre uma edição e outra. O próximo arco de histórias parece que vai sair apenas no segundo semestre de 2020.












Ficha Técnica:


Nome: Black Magick vol. 2

Autor: Greg Rucka

Artista: Nicola Scott

Editora: Image Comics

Número de Páginas: 136

Ano de Publicação: 2018


Outros Volumes:

Volume 1


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Esham trabalha como um vendedor de raspadinhas de loteria. Seus fregueses podem vir de qualquer parte no universo. O prêmio para o vencedor da loteria é o desejo mais íntimo de seu coração. Até que um dia, algo estranho acontece...



Sinopse:


Podem os sonhos se tornar reais? Eles podem se você ganhar na loteria, que promete dar ao vencedor aquilo que o seu coração desejar. Para um humilde vendedor em Yiwu, vender tickets de loteria é um modo de vida. Até que um bilhete premiado abre mistérios que ele nunca imaginou.




A trama tecida por Lavie Tidhar parece simples. Vamos rever: um vendedor de loteria no futuro vende tickets de loteria para todo o tipo de pessoa. Logo na primeira página do conto ele fala que só viu três vencedores e as coisas mais estranhas aconteceram: uma vez começaram a cair coisas estranhas do céu, na segunda, o vencedor foi levado por dois caras de terno e na terceira, todas as estátuas do mundo inteiro dançaram ao som de k-pop por cinco minutos. Desejos absolutamente bizarros. Mas, a senhora Qiu é um mistério para ele. O que aconteceu com ela fez com que ele fosse tentar descobrir o inimaginável. Mais do que isso eu não posso contar.


Lavie Tidhar tem uma escrita bem redondinha, mas como o conto é bem estranho, o leitor precisa ficar atento à narrativa. Ainda mais porque a história é curtinha. A narrativa vai ficando cada vez mais estranha à medida em que vai avançando. E esse estranhamento vai se dando desde à apresentação de situações até os personagens envolvidos. Lá pelo final, vamos ver coisas completamente fora da realidade com uma percepção até de normalidade frente ao que já passamos parágrafos antes. É essa noção de crescendo na estranheza que faz o conto fazer sentido no final.


A vida de Esham é bem monótona. O autor vai colocando essa monotonia a cada página mostrando o quanto o personagem pouco se importa com o que vai acontecendo ao seu redor, mas ao mesmo tempo o quanto seu coração anseia por algo diferente. Se a gente for fazer um paralelo curioso, é como os dias de isolamento social durante a pandemia tem sido. A gente perde a noção de dias ou de semanas já que todos os dias são iguais. Tem um diálogo muito bom do Esham com a Isa em que ela pergunta a ele se ele se imagina fazendo alguma coisa diferente ou estando em algum outro lugar se ele ganhasse o prêmio e dizendo que não. Vender tickets é a vida dele e é tudo o que ele sabe do mundo. O que no fundo é triste.


Ao mesmo tempo a trama trabalha com a questão do que o nosso coração realmente deseja. E é aí que a coisa toma um rumo realmente diferente. Por que acontece tantas coisas bizarras ao longo da história? O único desejo aparentemente normal acaba nos parecendo estranho diante de todas as coisas bizarras que acontecem aos vencedores da loteria. Afinal, sabemos realmente o que nosso coração realmente deseja? Será que faz sentido? É com essa dúvida que Tidhar constrói sua narrativa e nos leva por um caminho tortuoso que nos leva para um final que eu achei bem singelo. Yiwu é um belo conto e uma maneira de usar o estranho para contar uma bonita história.










Ficha Técnica:


Nome: Yiwu

Autor: Lavie Tidhar

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 26

Ano de Publicação: 2018


Avaliação:


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Em um mundo sendo preparado para a vida humana, nosso protagonista tenta se adaptar a um mundo de aparências. Mas, o que ele enxerga na verdade?



Sinopse:


Nos confins da galáxia há um planeta onde tudo é perfeito. Dias de céu claro se sucedem, as cidades são confortáveis, com poucos habitantes, os bosques e pradarias verdejantes se estendem no horizonte e as pessoas vivem felizes e bonitas. RR/1.111 é uma bem-sucedida colônia humana, um paraíso distante que carrega as melhores características da Terra.


Allen um dia também já se deixou ludibriar por essa mentira. Para além da superficialidade criada pela tecnologia holográfica, ele enxerga agora toda a decadência de um planeta instável e daqueles expurgados que ali foram obrigados a buscar refúgio.


O confronto com o caráter ambivalente daquele mundo, e da sua própria existência, é levado ao extremo pela paixão e ódio que sente pela sedutora criatura que lhe enreda em seus desejos de constantes revoluções.


Allen então se vê em meio a um mundo bipartido onde nada é exatamente o que parece e em meio a uma relação em que tudo precisa morrer pra nascer de novo. Entender seu papel em meio a esse jogo de decadência e vitalidade, vida e morte, não será tarefa fácil.





O mundo em que Allen vive ainda está sendo preparado para a vida humana. Neste momento ele propõe várias dificuldades para todos. Para amenizar a dor de ter de viver em um mundo cinza e decadente, foi criado um óculos capaz de transformar o cinza em campinas verdejantes. Logo, todos passaram a usar este óculos de forma a esquecer a realidade terrível que os cerca. Só que este é um sentimento fugaz que apenas engana aquele que não deseja ver. E Allen deseja ser capaz de ver a verdade. Por esse motivo ele sofre e se sente solitário nesse mundo de aparências. Pouco a pouco ele vai percebendo que até mesmo a aparência das pessoas é falsa já que algo mais se esconde entre as pessoas que vivem neste falso mundo.


A escrita de Teresa é melancólica e nos coloca frente a frente com uma realidade opressiva e claustrofóbica. Nos sentimos presos, comprimidos. A saída é confiar em algo que nos permite escapar da realidade. Mas, será que este ato de escapar não é o mesmo que enganar a si mesmo? Ao nos cercar de mentiras, perdemos a percepção do que é a verdade. Teresa brinca com este conceito que está tão na moda hoje da pós-verdade, de que a percepção corresponde à realidade. Mas, corresponde mesmo?


Ao terminar a leitura de À Sua Imagem me veio à mente O País dos Cegos, um dos contos mais famosos de H.G. Wells. Uma história onde um explorador ao cair de um barranco nos Andes acaba indo parar em uma vila onde todas as pessoas são cegas e ele é o único capaz de enxergar. Claro que as temáticas exploradas são bem díspares, mas o encaminhamento é semelhante. Achei o conto da autora legal, e é uma daquelas histórias que a gente precisa ficar remoendo depois para retirar novos significados. Não é uma daquelas que vai ecoar de imediato. Você vai tentar uma sensação de estranhamento e o insight vai vir bem depois.










Ficha Técnica:


Nome: À Sua Imagem

Autora: Teresa P. Mira de Echeverria

Editora: Monomito Editorial

Tradutor: Toni Moraes

Número de Páginas: 26

Ano de Publicação: 2020


Avaliação:

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