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Karl e Thorold são enviados até os Mares Gelados por sua família para se tornarem herdeiros do Jarl. Apenas um deles pode assumir a função. Eles decidem por uma competição onde os dois vão precisar encontrar os ossos de um dragão para poder curar o que aflige o atual Jarl.



Sinopse:


Das selvagens Terras Geladas de Athelgard, o jovem Thorold e seu irmão Karl são enviados em busca da cura para a doença de seu tio e senhor, o poderoso Sigurd Barbagris. Ora rivais, ora aliados, cada um deve liderar sua tripulação numa arriscada viagem até a Ilha dos Ossos, onde o perigo e o inesperado serão seus constantes companheiros de jornada. Entre naufrágios, piratas e criaturas fantásticas, Thorold conhecerá um pouco mais sobre si mesmo e traçará a rota para seu próprio futuro – embora este possa não ser o que imaginava ao partir.






A sucessão


O Tesouro dos Mares Gelados é mais uma história que serve para ampliar a mitologia da série. E consegue cumprir isso muito bem ao se focar em diversos personagens que são importantes de alguma forma para outros volumes da série. A autora tem total consciência sobre as diversas engrenagens que movem cada pedaço do seu mundo. E é com esse objetivo que ela escreveu a saga de Thorold, de alguém que foi até Sigurd para se tornar o novo Jarl até um personagem que escolheu o seu destino. A novella pode também ser lida como uma história independente e serve para fazer com que o leitor pule imediatamente para O Castelo das Águias, o primeiro volume da série.


A história começa com Sigurd discutindo entre os seus pares a chegada de um possível herdeiro para o papel de Jarl (chefe entre as comunidades do Mar Gelado). Ele comenta que apesar de não ser um de seus filhos, foi enviado por seu amigo para lhe ajudar com sua sucessão. Mas, Sigurd se espanta ao verem dois homens feitos chegando em suas terras. O problema todo estava no fato de que o pai de Karl e Thorold não soube escolher qual dos dois seria o ideal para ocupar a função de Jarl. Para tentar decidir qual seria o sucessor, Sigurd pede a ambos que busquem pó de ossos de dragão para ajudar com os seus problemas de saúde. Aquele que chegasse primeiro, conseguiria se sair vencedor da disputa.


Karl e Thorold não poderiam ser personagens mais distintos. Karl é um excelente espadachim, apesar de ser um pouco fanfarrão. Já Thorold é alguém mais voltado para a arte da navegação, um explorador nato, responsável e preciso. Vemos a história sob o ponto de vista de Thorold, de seus companheiros. Logo no começo da narrativa, a autora nos coloca Thorold como o favorito para alcançar a sucessão. Isso acaba colocando Karl em uma posição complicada e acaba se refletindo na maneira como os irmãos se relacionam um com o outro. Durante a aventura, Thorold se depara com um grupo de piratas e uma mulher e sua filha em apuros. Esses obstáculos acabam transformando uma missão simples em algo que vai exigir toda a habilidade dos dois irmãos.


O que devo escolher para o meu futuro? Esse é o dilema que é colocado para Thorold. Honrar sua família e a disputa com o seu irmão e seguir um destino ou escolher aquilo que seu coração deseja para si. Dever ou sentimento? O leitor vai conhecer de perto o caráter de Thorold e em nosso íntimo já sabemos qual será a decisão do personagem. Só que acompanhamos também o quanto esse dilema corrói seu coração. Essa bola curva colocada pela Ana Lúcia Merege é o elemento narrativo mais interessante nessa curta história. E é o que vai nos prender até o fim.


Gostei da novella, senti um pouco daquela Ana contadora de histórias que eu tanto gosto. Ela conseguiu criar personagens complexos, bem mais complexos do que aparentam em um primeiro momento. Já a história em si foge dos clichês e não é tão previsível do que parece. Dá para lermos a história de uma única toada, e os capítulos deixam ótimos ganchos que fazem com que o leitor queira continuar a leitura. Só discordo um pouco de algumas situações que levaram ao final. Havia atrito entre os dois irmãos que já daria munição suficiente para provocar as cenas do final. Não havia a necessidade de criar aquele ovo e provocar toda uma série de acontecimentos baseados na descoberta do que era aquilo. Toda a carga emocional que levaria a um racha entre os dois já estava colocada. Qualquer coisa a mais representava um extra que não acrescentaria ao resultado final.












Ficha Técnica:


Nome: O Tesouro dos Mares Gelados

Autora: Ana Lúcia Merege

Editora: Draco

Número de Páginas: 66

Ano de Publicação: 2015


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Tags: #otesourodosmaresgelados #analuciamerege #editoradraco #sucessao #legado #familia #irmaos #disputa #escolhas #ficcoeshumanas










Em uma bela história de uma menina perdida em um trem, somos levados a conhecer a história da construção e do desenvolvimento da malha ferroviária paulista. Tocante e sensível, vai ser uma hq que vai encantar a todos.


Sinopse:


Ibi, uma garota de 10 anos, decide pegar o trem que a levará à Vila de Paranapiacaba. Ela embarca em uma viagem singular ao lado do jovem Dilan.




A proposta dessa HQ é bem simples: contar a história da construção da principal linha de trem de São Paulo e como ela se envolveu na história da própria cidade. Ou seja, o que vamos ver é muito mais algo didático e de certa forma homenageando sua história. Mas, o que poderia parecer algo chato, a Talessa transforma em algo doce e sensível através da história de Ibi e Dilan. A proposta de Sobre Trilhos é diferente do Cinco Vermelhos, e isso é perceptível até no tipo de arte empregado nos quadros; mostra a versatilidade da artista. Sem dúvida alguma, é uma obra diferente, e, apesar de eu ter gostado menos do que a anterior, é algo que me impactou em como a artista foi capaz de montar o enredo.


É possível dividir o roteiro em dois tipos: a história de Ibi e a história da linha férrea. Ibi é uma menina que se descobre perdida dentro do trem. Ela parece ter fugido da casa dos avós e quando vê não sabe onde ou quando se encontra. Vários personagens estranhos se encontram nos vagões do trem: um menino que perdeu uma bola, um homem fazendo uma refeição sozinho, um senhor melancólico à janela, um soldado, um menino perneta que vende doces, um senhor idoso... E a lista segue. Ibi corre de vagão em vagão sem entender nada até que encontra um rapaz que serve como guia para ela. A partir daí a história se move entre a história da menina e a daqueles que habitavam os vagões do trem.


Vamos lidar primeiro com o tema mais complicado. Sim, no fundo é uma HQ de divulgação sobre a história da linha ferroviária. A ideia parece ter sido fazer uma homenagem ou algo nesse sentido. E nesse ponto o roteiro cumpre até bem esse papel a partir da segunda metade da história. Vemos momentos como a chegada de imigrantes no Brasil, os investimentos do Barão de Mauá na construção da linha férrea, o desencanto de Santos Dumont com o que foi feito de seus inventos, as duas revoluções que tiveram a linha férrea como meio (a de 1924 e a de 1932). Não tem como fugir do elemento explicativo-histórico porque, do contrário, a história não cumpre parte de seu propósito. Por esse motivo, tem bastante info dumping, mas acho até que a Talessa conseguiu amenizar bastante o emprego de informações ao relacionar com a história da menina.



Já a história de Ibi é onde a habilidade da Talessa se manifesta mais. No começo da narrativa o leitor vai ficar confuso. A artista não fornece tantas informações sobre o que está acontecendo porque a ideia é o leitor ir montando as peças junto da protagonista. Então é natural se perder. As coisas vão começando a fazer sentido a partir do momento em que aceitamos o papel que o sobrenatural tem na história. No fundo é uma história sobre fantasmas e sobre arrependimentos. Ao mesmo tempo tem a ver com a própria protagonista que vai te surpreender no final. Uma boa brincadeira narrativa que a Talessa faz é soltar pequenos easter eggs aqui e ali que mais à frente vão começar a fazer sentido como um todo. O roteiro é bastante coeso, apesar de que o final me deixou um pouco confuso. Não sei se eu cheguei a entender exatamente os últimos quadros. Mas, nada que uma releitura não vá me ajudar a compreender completamente.


A arte da Talessak em Sobre Trilhos está diferente em relação a Cinco Vermelhos. Essa é uma arte mais aquarelada com as cores mais claras. Esse detalhe serve muito à narrativa porque cria uma sensação onírica incrível à história. Por ser uma história que envolve fantasmas, ter um cenário enevoado ou com detalhes menos explícitos contribui para esse clima. Há um grande emprego de cores quentes e alguns quadros com cinza e azul-claro (quando se tratavam de cenas mais tristes). A quadrinização também é bastante eficiente com uma frequência maior de páginas com quatro ou cinco quadros. Mas, tem alguns momentos com dois ou três que são sensacionais. Sinceramente, eu gosto bastante quando a Talessa emprega quadros amplos porque mostra todo o potencial de sua habilidade de ponta de pincel. Mas, sou sincero: eu prefiro mais o estilo de Cinco Vermelhos que me impressionou bastante. Aí é mais uma questão de preferência de fã de um trabalho.


Vale a pena assinalar que a Talessa emprega os meios digitais para complementar a experiência do leitor. Ela insere uma série de QR codes que podem ser lidos e levam a um site onde tem áudios e vídeos. Não é algo estritamente necessário e nem vai comprometer a experiência de leitura, mas certamente vai te dar um algo a mais. Em Sobre Trilhos, a Talessa preferiu se dedicar mais a uma trilha sonora de acompanhamento. Mas, tem algumas cenas bem legais feitas digitalmente. Ou seja, experimentem ouvir a trilha sonora enquanto fazem a leitura. No mínimo, é algo diferente.



Sobre Trilhos é uma HQ diferente de uma artista que sabe empregar uma bela arte. Tem todo o aspecto de divulgação, mas a artista tira um ótimo proveito da oportunidade para nos apresentar uma narrativa sensível sobre uma menina em busca de si mesma e do significado da família. É uma história repleta também de memória e história e o quanto os momentos felizes e tristes podem compor toda uma trajetória. Por exemplo, sempre imaginamos Santos Dumont como um inventor fabuloso por ter criado o 14Bis, mas nunca paramos para pensar como ele se sentiu ao ver o seu invento ser empregado para a guerra. Enfim, esse é um dos muitos exemplos de histórias presentes na HQ.










Ficha Técnica:


Nome: Sobre Trilhos

Autora: Talessak

Editora: Auto-Publicado

Número de Páginas: 140

Ano de Publicação: 2019


Link de compra:

https://www.ugrapress.com.br/produtos/sobre-trilhos/


Tags: #sobretrilhos #talessak #memoria #familia #historia #trilhos #trem #ficcoeshumanas




2020 foi um ano em que investimos mais nossa atenção para as histórias curtas. De rápido impacto e, às vezes, com narrativas impactantes, valem a pena receberem a sua atenção. Aqui eu vou destacar as 10 melhores dentre as dezenas que eu li.


Imagem do jornal The Guardian

Histórias curtas são uma das novas linhas de trabalho no mercado americano. Lentamente, o Brasil vem se rendendo a elas e percebemos que mais editoras tem buscado esse formato. Não importa se são contos, noveletas ou novellas. Se formos parar para pensar, escrever histórias curtas é mais difícil e complexo do que um romance longo. Exige do autor uma atenção às limitações da forma sem perder a qualidade do que está sendo escrito. Para mim, um dos principais expoentes dessa forma de contar histórias é a editora Tor.com. Já há dez anos ela vem se dedicando à divulgação tanto de autores veteranos como de autores novos. A série Crianças Desajustadas, da autora Seanan McGuire, é uma novella publicada por essa editora. Vencedora de inúmeros prêmios, deu um novo gás à carreira da autora que ganhou milhões de novos fãs.


Nessa postagem, destaquei 7 desses trabalhos. Espero que vocês gostem e, afirmo para vocês, será uma forma de escrita bastante explorada pelo Ficções nesse ano de 2021.


Atenção: as histórias não se encontram em nenhuma ordem de preferência.



"When Stars are Scattered" de Spencer Ellsworth


Ficha Técnica:


Nome: When Stars are Scattered

Autor: Spencer Ellsworth

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 52

Ano de Publicação: 2017


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Sinopse: Ahmed é um médico trabalhando em um entreposto no lado mais distante da humanidade. Sua estadia foi paga pelos líderes de sua fé e seu ateísmo é um segredo guardado a sete chaves. Seus encontros com o "povo pipa" irão fazer com que ele duvide de toda a sua visão de mundo. Entretanto, quando os alienígenas começam a morrer e as tensões escalam entre extremistas religiosos para destruir a paz da colônia. When Stars are Scattered, de Spencer Ellsworth é uma história tocante sobre contato alienígena, intolerância religiosa e o poder redentor do divino canalizado através do espírito.


Seja esse espírito humano ou alienígena.


Comentários: Esse é o tipo de conto que mostra o poder da ficção científica para falar assuntos da atualidade. Aqui, Spencer comenta sobre intolerância e em como isso pode afetar a relação entre povos e pessoas. Esse conto é de uma beleza ímpar, nos apresentando nossa capacidade para superar diferenças em prol de uma vida melhor.


"The Horrid Glory of its Wings" de Elizabeth Bear


Ficha Técnica:


Nome: The Horrid Glory of its Wings

Autora: Elizabeth Bear

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 18

Ano de Publicação: 2011


Resenha no Ficções


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Sinopse: Tem uma harpia com asas de bronze vivendo no lixão atrás do prédio de Desiree. Ela é feia e come lixo, mas tem também um pequeno reino lá atrás. Desiree quer algo para si, também - alguma coisa toda dela. Pode essa velha e horrível criatura ajudá-la?


Comentários: Que narrativa linda! O que vai pegar um pouco para os leitores, é que esse conto é profundamente melancólico. Não há uma solução clara para a personagem e a gente fica com o coração apertado diante do destino da Desiree. Sabe aquela personagem que você só quer pegar no colo e dar carinho? Pois é.


"The Cat Who Walked a Thousand Miles", de Kij Johnson


Ficha Técnica:


Nome: The Cat Who Walked a Thousand Miles

Autora: Kij Johnson

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 55

Ano de Publicação: 2011


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Sinopse: Quando um incêndio destrói o seu lar e espalha a sua colônia, Pequena Gata tenta encontrar a casa de seu ancestral, o Gato do Norte, e fazer seu próprio nome ao longo do caminho.


Comentários: Kij Johnson bebe muito de narrativas como a Jornada para o Oeste ao escrever essa história. Temos um gato que vive todo o tipo de aventuras e se envolve com personagens comuns e outros que vão além da compreensão humana. É uma história um pouco mais longa do que o normal, mas escrita de uma forma tão cativante que o leitor não quer parar de ler. Eu tinha tido uma experiência ruim com outra novella do Kij, mas esta história recuperou completamente a minha confiança no autor.


"Emitindo" de Benjamin Edgar Jacob


Ficha Técnica:


Nome: Emitindo

Autor: Benjamin Edgar Jacob

Editora: Revista Mafagafo

Número de Páginas: não informado

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: Pam é uma humana adotada por um casal de erianos, uma espécie alienígena de octópodes telepáticos que veio para a Terra há mais de dois séculos. Aos trinta e dois anos e sem nenhum contato com os pais e os irmãos, se vê numa situação inusitada quando recebe dezenas de mensagens do pai através de uma rede social pouco usada. Não haveria problema nenhum se não fosse por um detalhe: ele se matou há oito anos.


Comentários: Fico o aviso logo de cara, que tem gatilhos de suicídio e de abuso sexual. Então quem se incomoda com essas temáticas, peço que não leiam porque o autor lida de frente com isso. É uma narrativa que me surpreendeu positivamente porque eu não conhecia nada do autor. O ritmo da história, a forma corajosa como ele abordou uma temática difícil. Tudo isso está ali. Há uma infinidade de temas sendo trabalhados aqui. Tantos que você não diria que se trata de uma história curta. E o autor faz isso com concisão e habilidade. Nada é deixado em aberto. Uma demonstração clara de como é possível fazer muito em pouco espaço.


"Cabaré em Chamas" de H. Pueyo


Ficha Técnica:


Nome: Cabaré em Chamas

Autora: H. Pueyo

Editora: Revista Mafagafo

Número de Páginas: não informado

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: Ariadne é uma das únicas médicas humanas no Brasil especializadas em tratar gūls, criaturas carnívoras de rápida regeneração que se alimentam de gente. Apesar de jovem, ela foi criada por um imigrante soviético chamado Erik Yurkov, que desapareceu anos atrás sem deixar nenhuma explicação. Ariadne não quer ouvir falar dele nem pintado de ouro, mas um misterioso gūl chinês chamado Quaint bate em sua porta, insistindo que Erik foi sequestrado. Juntos, os dois precisam navegar pelo submundo da elite gūl brasileira para encontrá-lo e para descobrir a verdade por trás da conspiração política que sumiu com seu mentor.


Comentários: Acharam que eu tinha esgotado todas as minhas indicações da H. Pueyo? Se enganaram!! Na verdade eu fiquei entre indicar um conto dela que eu li na Trasgo e esse aqui. Trouxe esse porque demonstra a capacidade da autora em se embrenhar por uma história de mistério. Ela consegue segurar as informações e vai liberando paulatinamente uma por uma. Ah, tem gatilhos aqui. E pesados. Sobre abuso sexual e violência contra a mulher. Fica o meu alerta. O que eu quero destacar aqui é a precisão da autora. É como ela consegue lidar absurdamente bem com restrições de espaço. Só conheço ela e o Duda Falcão no Brasil com esse potencial absurdo. A diferença é que a Pueyo não escreve personagens recorrentes. Ela simplesmente cria coisas novas a cada nova história. Sinal da imaginação inacreditável dessa mulher. Vou repetir: me espanto em o quanto ela é relativamente desconhecida entre os leitores brasileiros. Talvez porque ela tenha uma carreira internacional mais consolidada, mas eu sugiro conhecer os trabalhos dela que estão espalhados por aí. Não vão se arrepender. Ah, sim. Com certeza vai ter outro dela nos melhores de 2021. Porque ela continua escrevendo e está cada vez melhor.


"Efeito Quebra-Ossos" de Cirilo S. Lemos


Ficha Técnica:


Nome: Efeito Quebra-Ossos

Autor: Cirilo S. Lemos

Editora: Draco

Número de Páginas: 28

Ano de Publicação: 2013


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Sinopse: Ao cair da noite, a cidade revela sua podridão e decadência. As pessoas se acotovelam em busca de emprego e dignidade. Enquanto celebridades e vacas discutem as mazelas sociais na TV, um homem põe em prática um plano simples: forjar o próprio sequestro com a ajuda do terrível Cavaleiro Sem Cabeça. Mas alguém espreita a quadrilha na escuridão: Vespa Negra, o Inimigo do Crime.


Comentários: Aqui temos mais um autor que merecia ser mais divulgado entre os fãs de literatura de gênero. Alguém que já tem anos e mais anos de experiência como escritor e tem uma habilidade com a pena que é incontestável. As histórias curtas que eu li do Cirilo esse ano me convenceram disso. Escolhi esse conto em particular porque o autor dá uma aula de escrita criativa. Ele brinca com a ideia de núcleos narrativos. Consegue pular por três histórias acontecendo em espaços e tempos diferentes e que vão ter uma consequência no final. Aquilo que você imagina ser diametralmente divergente, na verdade é uma história só com início, meio e fim. Isso sem falar na bela desconstrução do mito do herói que o autor faz. Conheçam e apreciem!


"Two Truth and a Lie" de Sarah Pinsker


Ficha Técnica:


Nome: Two Truths and a Lie

Autora: Sarah Pinsker

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 39

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: Stella pensou que ela contou uma mentira no ato, perguntando a seu amigo de infância se ele se lembrava de um estranho programa de TV com um apresentador bizarro em que ela e várias crianças da vizinhança participaram há muitos anos atrás. Mas ele de fato se lembra. Assim como sua mãe. Então por que só ela não se lembra? Quanto mais ela investiga sobre o show e sobre a aura que ele tinha sobre sua cidade natal, mais estranho o mistério fica.


Comentários: No ano passado eu me dediquei a estudar as formas como um autor consegue entregar uma história. O encanto de criar uma narrativa que seja instigante e mantenha o leitor preso o tempo todo. Ou histórias que fazem truques de mágica com nossa percepção. Sarah Pinsker brinca te mostrando uma cenoura de um lado enquanto te passa uma rasteira do outro. Ou seja, estamos diante de uma história que mente para você. Numa boa. Descaradamente. E você se amarra nisso. Para realmente entender essa história, você vai precisar ler mais de uma vez. Porque na primeira, seremos sacaneados numa boa por ela.


"Nil" de Rodrigo Rahmati


Ficha Técnica:


Nome: Nil

Autor: Rodrigo Rahmati

Editora: Draco

Número de Páginas: 10

Ano de Publicação: 2016


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Sinopse: Seria a morte algo a se temer? Algo imutável, um ponto final, um destino inescapável? E qual seria a interpretação dessa figura terrível pelos olhos de outros seres? Confira nesse conto fantástico de Rodrigo Rahmati.


Comentários: Esse é um conto incrível onde Rahmati usa diversas metáforas e simbolismos para contar uma história. Em um cenário fantástico o autor se questiona sobre a efemeridade da vida. Algo que passamos toda uma vida nos questionando: qual é o nosso papel no universo? Existe um papel para nós? O que fazemos neste mundo? E ele faz isso em um espaço bem limitado, o que é uma demonstração crassa das possibilidades das narrativas curtas.


"No Flight Without the Shatter" de Brooke Bollander


Ficha Técnica:


Nome: No Flight without the Shatter

Autor: Brooke Bolander

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 32

Ano de Publicação: 2018


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Sinopse: Depois do fim do mundo, a última jovem representante da humanidade aprende uma lição final dos animais que restaram da Terra.


Comentários: Imagine se a Terra fosse realmente um organismo vivo capaz de se comunicar. E o protagonista da história é a última pessoa que restou da humanidade. Um prato cheio para discutirmos como o ser humano é um parasita de seu próprio planeta. Pensar em maneiras de salvarmos o planeta em que vivemos.


"O Ovo do Tempo" de Finisia Fideli


Ficha Técnica:


Nome: O Ovo do Tempo

Autora: Finisia Fideli

Editora: Plutão

Número de Páginas: 61

Ano de Publicação: 2019


Resenha no Ficções


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Sinopse: O poder dos cristais.

Quando descobre uma pedra estranha na loja de cristais místicos, Mariana não faz ideia de que está prestes a sair em uma viagem para além de tudo o que já sonhou. Noveleta publicada pela primeira vez em 1994 e trazida de volta pela coleção ZIGUEZAGUE, O ovo do tempo cruza as eras e carrega você pelas fronteiras da imaginação.


Comentários: Tinha que ter um material da Plutão Livros que, na minha opinião, foi um dos grandes destaques de 2020. Não só por trazer novos autores para conhecermos, mas por resgatar materiais que estavam esquecidos. Como é o caso de O Ovo do Tempo, da Finisia Fideli, pertencente à segunda onda da ficção científica no Brasil. Um material que bebe bastante das clássicas aventuras do gênero. A ideia de uma história de mistério é uma que não tem sido mais tão explorada. E eu considero fascinante. Vamos atrás das histórias da autora, porque é uma maneira de manter a memória do próprio gênero no Brasil viva.




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