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Refletindo sobre o atentado contra Salman Rushdie, vamos falar sobre o poder da literatura de pensar o mundo em que vivemos. E de o quanto não há mais espaço para esse tipo de perseguições.


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No início de agosto, enquanto se preparava para dar uma palestra no município de Chautauqua, NY, o autor Salman Rushdie sofreu um atentado em que foi esfaqueado várias vezes por um militante muçulmano. Ele seguia uma fatwa (uma espécie de emenda à lei corânica, a muito, muito grosso modo) em que a vida do autor havia sido condenada pelo aiatolá Khomeini quando da publicação de seu best-seller, Os Versos Satânicos. Por mais de vinte anos o autor havia ficado recluso, mudando sua identidade, não divulgando endereço, não participando de eventos, com receio de que pudesse sofrer algum atentado. Em 2020, ele voltou a participar de palestras, debates, eventos, imaginando que era seguro estar em público, tendo passado tanto tempo. Infelizmente tal não era o caso. Até a publicação desta matéria, o autor passa bem e salvo alguns ferimentos e a necessidade de cirurgias, sua vida foi salva a tempo. Isso coloca em debate o fundamentalismo na literatura, não só no sentido religioso, como no ideológico.


Mas, afinal, sobre o que é Os Versos Satânicos? Bom, diferentemente do que vocês imaginam, não se trata de nenhuma apologia demoníaca, livro de terror nem nada do gênero. O título do livro tem a ver com um trecho do Corão que menciona três deusas pagãs existentes no período pré-islâmico: Allat, Al-Uzza e Manat. Se trata da história de dois indianos que morrem, mas acabam caindo do céu, um na forma de anjo e outro na de demônio. Rushdie oferece características contrapostas entre um e outro: um é mais bon vivant, o outro é engajado. Um deles possui um espírito livre enquanto o outro deseja lutar por causas sociais. A ideia geral é semelhante ao que Sasha Baron faz em seus filmes: através de uma comédia ácida e irônica, Rushdie levanta questionamentos importantes sobre o mundo que o cerca. Rushdie vivia em um Irã que passava por um momento de transformação. A Revolução Iraniana havia tirado do poder o governo civil e se transformado em uma teocracia sob o comando do aiatolá Khomeini. Este revogou a constituição existente e colocou em vigor um código de leis baseado única e exclusivamente na interpretação corânica. Recomendo vocês darem uma passada na matéria que fizemos sobre Persépolis, de Marjane Satrapi.


A sociedade iraniana da época havia retomado costumes saídos da visão xiita do islamismo: mulheres usando pesadas burkas, o respeito à tradição, a observância de um conjunto rigoroso de regras morais. Até hoje o Irã vive neste estranho mundo tradicional dentro de uma sociedade globalizada. Versos Satânicos causou tanta polêmica por ser baseado na vida do profeta Maomé. Ao observar o lugar em que ele vive sendo tomado por uma visão estreita do mundo, Rushdie passou a refletir o que aconteceria se Maomé caminhasse nos dias de hoje. Ele questiona tudo o que o aiatolá tratava como sagrado dentro da nova interpretação jurídica. Mais do que isso, Rushdie coloca os personagens em situações bizarras e estapafúrdias, de forma a mostrar o quanto a realidade iraniana era (e ainda é) estranha aos olhos de quem enxerga a religião com o devido respeito. Ao final o que percebemos é que ele critica quem interpreta errado as palavras do Profeta, sem imaginar as nuances e as belas metáforas inseridas nas linhas de um livro tão sagrado. Rushdie não desfaz da religião, ele a eleva, condenando aqueles que a usam em seu próprio benefício.


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Só que tem um pequeno problema. O Islã condena qualquer retratação de Maomé. Se trata de uma religião iconoclasta, que não acredita na veneração de ídolos. Mais do que isso: é estritamente proibido desenhar o Profeta, representar cenas do Corão. A própria escrita corânica é sagrada, portanto são as letras que devem ser veneradas e não os ídolos. Por isso, existe uma arte toda voltada para a representação caligráfica, para o simbolismo dos trechos do Corão. Reparem que nos monumentos islâmicos, as letras são gravadas em trípticos, valorizando a sacralidade de sua escrita. Quando Os Versos Satânicos foi lançado em 1988, pouco tempo depois o aiatolá Khomeini baixou uma fatwa condenando-o a morte. Ela é uma espécie de pronunciamento de um especialista no Corão ou alguém ligado à autoridade religiosa. Este é feito em nome de um fiel ou uma autoridade jurídica e tem a finalidade de deixar claro algum ponto da fiqh, a interpretação jurídica do livro sagrado. Por se tratar de uma fatwa expedida a mando do próprio aiatolá, ela possui um alcance global e tem o poder quase de uma ordem sagrada a mando do próprio Profeta. Por essa razão, no momento em que a fatwa foi expedida, é como se o Irã inteiro tivesse se voltado contra o autor. Ele precisou deixar o país porque sua vida estava em risco assim como a de seus familiares. Mas, para piorar, qualquer iraniano poderia atuar a mando da fatwa em qualquer parte do mundo a qualquer momento. Por essa razão, mesmo morando fora do Irã, o autor ainda não estava seguro.


O fato de ele ter sido vítima de um atentado vinte e quatro anos depois que a fatwa foi redigida, demonstra o poder exercido pela religião no país. E a gente precisa ter muito cuidado ao entrar nesse tema porque mexe com a fé e com nossas opiniões pessoais. Na época da publicação, cópias do livro foram queimadas em praça pública. A ideia de ter uma representação gráfica ou escrita do Profeta já causou incidentes internacionais como o ocorrido com as famosas charges no Charlie Hebdo. A publicação de charges cômicas condenando as ações terroristas de grupos extremistas ocasionou a morte de doze pessoas na redação do jornal francês. Não é uma questão a ser tratada de forma leviana. Antes de mais nada, preciso expressar o meu profundo respeito pela cultura muçulmana, a qual pesquisei por quase doze anos durante a minha vida acadêmica. Tive a oportunidade de ler obras de autores como Ibn Battuta, al-Tabari, al-Ghazzali. Na graduação estudei a fundo a Muqqadimah para buscar compreender a sociedade de al-Andaluz durante a Idade Média. Durante a pesquisa, visitei mesquitas e tive o contato com pessoas maravilhosas que me ensinaram pérolas de sabedoria que até hoje guiam minha vida. Me casei em uma igreja mourisca, aquela que melhor resumia o meu pensamento de que as religiões do Livro podem viver em harmonia. Portanto, não sou nenhum leigo no assunto (eu linkaria a minha tese de mestrado se eu soubesse aonde ela está... pesquisei sobre o conceito de guerra santa e o fundamentalismo nas três religiões).


Para quem está de fora, nem sempre é possível compreender o Islã. Talvez muito por causa do enorme preconceito existente em cima da religião. Para não complicar demais, basta sabermos que existem interpretações distintas do Corão, e escolas religiosas que nem sempre concordam entre elas. As duas principais são o xiismo e o sunismo, mas existe também o ibadismo e o sufismo, sendo este último uma espécie de visão monástica do Islã. Por compreenderem a necessidade de lerem os hádices, os livros de costumes deixados por Maomé, eles são mais flexíveis, acreditando na justeza e na bondade dos indivíduos. Já os xiitas, enxergam apenas no Corão como um livro viável, já que ele representa a visão sagrada de Alá. Livros de pessoas próximas ou que testemunharam apenas o trabalho dele não possuem validade frente a escrita sagrada. É uma visão mais precisa e estreita, porém fiel aos ditames originais. De um lado temos algo mais interpretativo e de outro mais concentrado no que foi escrito. Visões distintas de mundo que são inconciliáveis já que ambos possuem argumentos plausíveis em relação a como enxergam o tema.


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E é aí que chegamos no tema do debate. Para uma religião radicalmente iconoclasta, representar Maomé, ou fazer uma sátira do mesmo é um assunto delicado. Mesmo os sunitas manifestaram incômodo na época, apesar das críticas serem todas voltadas à sociedade iraniana. Enxergando a partir do ponto de vista deles, de fato, é um pecado mortal. Porém, é aqui que precisamos traçar uma linha do certo e errado. Nenhuma vida pode ser tomada dessa forma. Como se estivéssemos no Velho Oeste e o assassino ganhasse uma recompensa pelo ato. Nos dias de hoje, parece que se tornou comum condenarmos autores à morte. Quando as críticas deixam de ser opiniões e se transformam em ações. Salman Rushdie talvez seja o primeiro indivíduo a ser alvo de perseguições de seus detratores, algo que hoje se tornou comum. Autores e outras personalidades da cultura pop reclamam de perseguições. Quando suas vidas pessoais se tornam alvo favorito de perseguidores ou pessoas que lhes desejam mal.


Em seu livro Uma História da Leitura, Alberto Manguel classifica a visão negativa dos leitores em três tipos: os autoritários (que impedem outros de aprender a ler), os fanáticos (que decidem o que pode ou não ser lido) e os estoicos (que se recusam a ler por prazer e exigem somente que se recontem fatos que julgam ser verdadeiros). Hoje queria me concentrar nos fanáticos porque a literatura pode mudar o mundo. Já vimos isso acontecer em diversas oportunidades. Oras, a Bíblia mudou o mundo. Podemos argumentar em que nuances isso se deu, mas ela provocou uma mudança em como sociedades inteiras pensavam suas existências. Em diversos momentos da história, a literatura foi empregada como uma maneira de questionar a realidade em que vivemos. Grandes obras surgiram com esse objetivo como Dom Quixote, A Metamorfose, O Deserto dos Tártaros, Madame Bovary, Grandes Esperanças. A literatura nos faz pensar e tenho certeza que todas elas tiveram seu devido impacto no momento de suas publicações. Sou um dos fortes críticos de Neuromancer, mas é inegável que a obra nos ajudou a pensar na exploração das camadas mais baixas da população por grandes empresas. E em como o capitalismo avançava para uma visão de mundo que atravessava meras fronteias. Não chegamos a uma corporocracia porque houve um entendimento de que era precisa combater uma perspectiva monopolizadora das mesmas. É óbvio que nenhum empresário à época gostou disso; nem por isso William Gibson sofreu uma tentativa de assassinato.


Assim como Rushdie, Jose Saramago usa o realismo mágico para criticar o que conhecemos como civilização. Aliás, Rushdie é um mestre na compreensão do ato de contar histórias e de como usar a fantasia para falar de problemas reais. Ele usa o mesmo expediente em A Feiticeira de Florença onde ele usa uma fábula digna das Mil e Uma Noites para questionar a visão preconceituosa que temos sobre o Oriente. De entender a história da humanidade a partir de uma perspectiva eurocêntrica e ele oferece inúmeras sementes para repensarmos nossas certezas. Em Ensaio sobre a Cegueira, Saramago deixa toda a humanidade cega (com exceção da protagonista) para nos mostrar que somos verdadeiramente cegos quanto à condição humana. Ou, se é para falarmos de religião, que tal O Evangelho segundo Jesus Cristo, um livro polêmico e poderoso questionando como o homem Jesus Cristo teria percebido o mundo na época de sua pregação. Não o messias, mas o homem. Ou quem sabe Caim, do mesmo grande Saramago, que tem uma verve irônica ao estilo de Os Versos Satânicos.


Não podemos ser fiadores de quem deve ler o que, nem como ou quando. Proibir é censurar e todo o ato de censura deve ser castigado. Somos seres racionais, capazes de pensarmos por nós mesmos. Chegarmos às nossas próprias reflexões; sermos responsáveis por nossas próprias ações. Se leio o Mein Kampf e desejo maltratar as pessoas, não é o livro (mesmo que tenha uma temática deplorável) que vai me fazer causar o mal, mas o que eu apreendi ou interpretei dele. Se o autor fez uma piada cruel, ele deve ser criticado, não condenado à morte. Se uma temática me agrediu de alguma forma, tenho todo o direito do mundo de pôr o livro de lado e nunca mais voltar a ele. Assim como diz a banda Natiruts, é preciso ter "liberdade para dentro da cabeça". Devemos ser capazes de nos apropriar do conhecimento que nos é passado e utilizá-lo a nosso bel prazer. Críticas, condenações, má versações, exageros... são contas de uma equação que vem com a responsabilidade de nossas ações. Para todo bem, existe o mal. O mundo não é preto e branco. E é isso o que o torna mais rico do que uma visão dicotômica e maniqueísta. Acredito na condição humana e sei que somos melhores do que isso. Melhores do que meros caçadores de recompensas aguardando um pobre homem deixar sua casa para pôr uma bala na cabeça a mando de uma autoridade religiosa. Não creio que divindade alguma desejaria a morte para um de seus filhos. Pelo contrário, ela desejaria a felicidade, a luz, a sabedoria... sejam seus filhos bons ou maus.



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Uma festa de casamento em Mooncaster Manor é o lugar onde Dylan Dog reencontra uma velha chama do passado, Diane. Em uma festa regada a bebida, dança e vários flertes desconcertantes de Diane, Dylan vê a morte quase o levar de uma vez. Tendo sobrevivido a um massacre por pouco, o nosso investigador vai descobrir que talvez a pena seja mais poderosa que a espada. Nas mãos certas...


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Sinopse:


Uma velha mansão inglesa é vendida por um lorde falido, a Diane, amiga de Dylan. Mas a mulher sente que há algo errado com a construção, e entra em contato com o Old Boy, temendo que a casa esteja assombrada. Depois de comparecer de má vontade à festa de reabertura da mansão, Dylan permanece ali para passar a noite, e por pouco não acaba vitimado durante um trágico e inexplicável massacre noturno. Depois de se recuperar, nosso herói começa a indagar sobre o mistério que envolve a residência.





Esse volume possui uma deliciosa mescla de mistério e terror. Cavaletto coloca o Old Boy em uma situação onde sua vida realmente se encontra em perigo e ele nada pode fazer a respeito. Algumas histórias do Dylan tem pouco dessa sensação de que a vida do personagem está em perigo e de que o adversário é alguém capaz de causar danos reais. Não apenas isso como a sensação de que não se pode fazer muita coisa a respeito para evitar suas atrocidades. Essa edição é bastante peculiar nesse sentido além de colocar Dylan como um detetive e precisar conectar as pistas que ele coletou ao longo da investigação para chegar ao real responsável pelo mistério. Sem falar no fato de que o autor criou uma narrativa bastante criativa usando um objeto que a gente não costuma ver com tanta frequência. Ou quando vê sai geralmente algo estranho.


Diane é um velho amor de Dylan Dog. No passado eles tiveram uma tórrida relação juntos, algo que não suavizou com o passar do tempo. Ele foi chamado para aquilo que ele menos esperava: uma festa de casamento de Diane, que agora assentava sua vida ao lado de Mark. Eles conseguiram comprar uma bela mansão chamada Mooncaster Manor, um lugar cheio de mistérios e que pertenceu no passado a uma importante família. Ao chegar na festa, Diane e Dylan trocam ligeiros flertes para a consternação de alguns convidados e um olhar cauteloso de seu futuro marido. Quando estão sós na sacada, Diane revela o real motivo para ela tê-lo chamado: ela está tendo uma estranha sensação de desconforto na mansão, como se uma mão invisível estivesse agindo sobre ela. Apesar de Dylan achar que se trata apenas de nervosismo da parte dela, ele decide passar a noite lá, como foi pedido por ela. Durante a madrugada, um terrível massacre acontece na mansão com direito a muito sangue e atos insanos de violência. Dylan sobrevive por muito pouco e agora quer descobrir o que terá acontecido na mansão.


Quando li o prefácio dessa história, me deparei com o fato de que essa é uma edição feita por quatro artistas diferentes. Luigi Piccatto trabalhou com mais três assistentes para compor essa história. Fica bem simples de compreender que não é que cada um fez uma parte. Os traços são bem parecidos e se trata mais de algo no sentido de que alguém deve ter arte-finalizado, outro talvez dado retoques, outro talvez com o letreiramento. Isso não fica bem claro. A arte não me agradou tanto se for colocar na balança alguns dos artistas que passaram pelas últimas edições. Senti falta de um refinamento maior nas cenas, uma preocupação com detalhes e sombras. Aonde a arte se sai melhor são nos momentos em que situações bizarras e aterrorizantes acontecem. Diga-se de passagem, algumas das monstruosidades abstratas que aparecem em momentos críticos parecem claramente inspiradas em Lovecraft. Por outro lado, é preciso destacar a competência da equipe que conseguiu trazer algo tão homogêneo para o leitor. Quando algo é feito a muitas mãos, existe essa preocupação de leves diferenças, já que estamos tratando de indivíduos. Cada um tem suas características e inclinações e isso pode prejudicar o todo. Não foi o que aconteceu.


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A narrativa de Cavaletto tem pelo menos três momentos específicos. No primeiro temos a festa onde somos apresentados aos personagens, à preocupação de Diane e o momento em que a tragédia acontece. O segundo momento envolve a investigação onde Dylan vai procurar saber mais sobre o ambiente no qual o massacre aconteceu. E este é um belo de um red herring, ou seja, um desvio narrativo onde somos inclinados a pensar para uma direção quando na verdade o autor está apresentando o real motivo na outra mão. O terceiro momento é o clímax onde as peças se juntam e somos levados ao confronto com o antagonista desta edição. Falando sobre a forma da escrita em si, achei-a muito boa e é daquelas histórias que nos deixam em dúvida o tempo inteiro. Queremos virar a página para saber o que vem em seguida. No entanto, o autor meio que entrega a mão no começo da narrativa e ficamos tentando entender como esse estranho momento vai se conectar com a história. O final foi um pouco esquisito porque uma determinada situação que aconteceu entre o antagonista e outro personagem ficou um pouco mal explicado. Me pareceu mais um deus ex machina do que uma resolução per se.


Essa também é uma edição que volta na temática de Dylan sofrendo por não conseguir necessariamente vencer por completo. Ele mesmo diz que apesar de ter sido vitorioso, ele sempre perde alguma coisa no caminho. Isso contribui para esses momentos de reflexão do personagem onde ele vai em busca de como ele ainda consegue lidar com essas perdas. Diane era alguém com quem ele tinha fortes sentimentos e ver acontecer com ela o que se sucede logo no começo é um choque para ele. Ao invés de seguir em uma direção de depressão e tristeza, vemos o personagem mais melancólico e cínico. Como foi na edição anterior em que tivemos uma contradição entre uma mulher que tinha uma abordagem mais direta e de confrontação enquanto Dylan pensava em algo mais individualista. Podemos até tentar imaginar que Dylan está passando pela síndrome do sobrevivente já que ele tem passado por tantos momentos ruins e mesmo assim acaba dando um jeito de continuar vivendo. Enquanto isso, pessoas importantes de sua vida estão desaparecendo uma por uma.


Outro tema bem legal nessa edição é o do justiceiro que imagina estar realizando atos bondosos quando na verdade está apenas alimentando seu próprio ego. É estarmos diante de um instrumento poderoso e querermos usá-lo para fazer aquilo que interpretamos ser o correto. Ou seja, assumimos a função de juiz, júri e executor. Dizer que isso é um ato de bondade é apenas um narcisismo tolo e sem sentido. Usar desse poder para fazer o que queremos parece a dose de uma droga poderosa que se apossa de nosso organismo. É aquele pique que precede a adrenalina quando parece que o mundo inteiro faz sentido. Só que na realidade é apenas o nosso ego sendo preenchido. Isso até o momento em que precisarmos de mais uma dose. Quando o antagonista começa a descrever suas ações de uma forma quase fanática, Dylan fica chocado com a capacidade que o mesmo tem de justificar massacres como um bem para a humanidade. Ao pararmos para refletir, é como os Estados Unidos fornecendo armas de destruição em massa para o governo israelense aniquilar outra etnia. É ter um artefato poderoso na mão e, para matar algumas pessoas que eles consideram vilões, destruir outras vidas inocentes no processo. Com uma risada maníaca e um ar angelical.


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Boa trama, em uma história repleta de significados ocultos que podem ser refletidos posteriormente pelo leitor. O que parece ser só uma história de investigação com um possível assassino mortífero no meio ou até um mero desastre familiar, se transforma em algo mais quando o autor revela suas cartas. Uma edição feita a oito mãos que nos faz pensar também sobre todo o processo de criação das páginas e das cenas. Algo feito de maneira tão eficiente que mal percebemos as diferenças na arte. Gostei e é mais uma história do Old Boy que tenho o prazer de recomendar.


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Ficha Técnica:


Nome: Dylan Dog Nova Série vol. 14 - A Caligrafia da Dor

Autor: Andrea Cavaletto

Artistas: Luigi Piccatto, Giulia Massaglia, Renato Riccio e Matteo Santaniello

Editora: Mythos

Tradutor: Julio Schneider

Número de Páginas: 100

Ano de Publicação: 2020


Outros Volumes:

Vol. 1 Vol. 6 Vol. 11

Vol. 2 Vol. 7 Vol. 12

Vol. 3 Vol. 8 Vol. 13

Vol. 4 Vol. 9

Vol. 5 Vol. 10


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Ao acordar numa cama junto de seus pais, a pequena Theresa (ou Triss, para sua família) percebe que alguma coisa está errada. Ela sente que suas memórias estão borradas e tem uma fome absurda. Logo, ela se dá conta de que ela pode não ser a Triss e alguma coisa pode ter acontecido a ela. E quem é o Arquiteto?


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Sinopse:


Você acorda após um acidente. Você sente uma fome constante e implacável. Você acorda durante a noite várias vezes, com folhas e terra em seus cabelos. Objetos inanimados tentam te atacar. Você atrai tesouras. Em seu pranto, no lugar de lágrimas, teias de aranha brotam como fios de desespero. Sua irmãzinha passa a ter um medo incontrolável de você... Assim tem sido a vida da jovem Triss Crescent. Aos poucos, ela descobrirá que o mal com o qual tem convivido é mais estranho e terrível do que ela jamais poderia imaginar. Tomada por dúvidas, ela parte numa jornada frenética em busca do Arquiteto, projetista de prédios, pontes e destinos sombrios. Acompanhe Triss nesta arrepiante fábula da premiada escritora britânica Frances Hardinge, que desponta como uma das mais incríveis contadoras de histórias de sua geração. Mas lembre-se: nada é o que parece. Até mesmo você.






Apesar de termos nos espalhado por todo o planeta o ser humano não conhece como um todo o lugar onde vive. Esse fato é algo que fascina e assombra as mentes das pessoas ao longo dos séculos. No passado, os povos antigos contavam contos cautelares sobre estranhas aparições na floresta, seres horripilantes capazes de devorar nossas mentes ou metamorfos que substituíam crianças incautas, tomando seus lugares. Histórias sobre metamorfos são um pouco raras, mas já comentei algumas delas por aqui. Em A Criança Roubada, Keith Donohue nos mostra a vida de Henry Day, que foi substituído por Aniday que ocupa seu lugar e o metamorfo é apresentado como um ser maléfico e insidioso. Então, será que esses seres que ocupam os recantos sombrios de nosso mundo são, necessariamente, seres maléficos ou apenas não podemos defini-los dentro de nossas caixinhas? Hardinge nos leva a esses lugares secretos em uma fantasia sombria repleta de elementos cinzentos, onde o que é bem e o que é mal não pode ser facilmente esclarecido pelo leitor.


A protagonista, Triss, desperta na cama após um momento de preocupação de seus pais. Ela caiu no rio Grimmer e quase se afogou. Pelo menos é isso o que os pais lhe dizem. Mas, à medida em que ela vai se recuperando do susto, Triss começa a perceber que suas memórias estão lacunares. Ela não consegue se lembrar de detalhes simples de sua vida como a relação com sua irmã ou até onde fica o seu quarto em sua casa. Aos poucos ela vai se dando conta de que ela não é a pessoa que a sua família pensa que é. Sua irmã, Pen, parece ter alguma coisa a ver com isso. Sua fome é como a de um animal selvagem; o que sua família atribui à sua doença e consequente recuperação, Triss vai se convencendo de que ela pode ter substituído a verdadeira filha dos Crescent. Ao longo das páginas, a trama vai tomando contornos macabros, com o surgimento de um homem conhecido apenas pela alcunha de o Arquiteto, e que parece ter algum segredo junto de seu pai. E Triss... ou não-Triss está no meio dessa história toda sem ter total conhecimento do seu papel. Assim começa uma aventura onde as coisas não são o que parecem ser.


"Triss lembrou-se de uma escuridão gelada. água fria entrando, pelo nariz, pela boca e pela garganta. Parecia lembrar-se também de enxergar por entre um negrume amarronzado, enquanto brandia os membros lentamente, e de ver duas formas sombrias acima dela, cujos contornos ondulavam e oscilavam com o movimento da água."

Essa é uma narrativa de fantasia com toques bastante sombrios. Hardinge buscou sua inspiração nos contos de fadas e em narrativas de cunho cautelar para encorpar suas ideias. Há muitos anos atrás, li um livro chamado Mythago Wood, de um autor chamado Robert Holdstock, cuja abordagem do fantástico era bastante semelhante à Canção do Cuco. Holdstock apresentava seus seres como criaturas insondáveis para a mente humana, cujas motivações fogem do que entendemos como lógico e racional. As florestas antigas eram o seu lar ancestral e a evolução da humanidade colocava em risco a existência de tais criaturas. Hardinge traz os Outros, aos quais ela não procura explicar quem são ou o que fazem. Através da leitura, ficamos sabendo que eles sempre existiram e é isso. Suas habilidades nos escapam e podem nos parecer miraculosas, mas, claro, possuem suas limitações dentro de um mundo pós-Revolução Industrial. Curiosamente, a narrativa de Hardinge se passa quase no mesmo período que o livro de Holdstock: no começo do século XX. Essas criaturas, mesmo sendo muito poderosas, possuem suas próprias regras e lugares nos quais podem viver. Há um pouco da noção nietzcheana de a morte de Deus, no sentido de que as pessoas se afastaram demais do aspecto teológico de suas vidas e abraçaram a ciência com força. Isso fez com que as criaturas perdessem o que as torna amedrontadoras para os humanos. Os Outros são seres conceituais, que se alimentam de memórias, de histórias e de emoções.


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Sobre a escrita propriamente dita, ela emprega uma narrativa em terceira pessoa onisciente, algo bastante comum em contos de fadas. Não há necessidade de empregar cortes de câmera, como é usado em várias narrativas mais contemporâneas. Ou onde posicionar o ponto de vista do leitor. Triss é naturalmente uma personagem-orelha, já que ela está buscando recuperar suas memórias. Isso fornece à autora a justificativa necessária para trabalhar a dinâmica familiar ou explicar posteriormente os aspectos mais "sobrenaturais" da história. Os capítulos são bem curtinhos, contendo 6, 8 ou 10 páginas. A ideia seria fornecer um dinamismo ao desenrolar da narrativa, empregando técnicas saídas das histórias Young Adult. Só que não funcionou bem como a autora imaginou porque ela emprega parágrafos muito descritivos, fornecendo peso ao que está sendo contado ao leitor. A narrativa é bem mais lenta do que parece. Hardinge não se preocupa muito em explicar determinadas situações, dando a impressão de que as coisas são como são e a gente precisa só aceitar. Dependendo do leitor, isso pode não cair bem. Não se trata de um erro de escrita, mas de uma característica propriamente dita. Como leitor, o livro não funcionou para mim. Tive bastante dificuldade para terminá-lo, e uma das razões para isso foi essa escrita mais pesada. Outros motivos contribuíram, mas esse, especificamente, foi um dos que mais me atrasaram.


A protagonista, Triss, é uma personagem naturalmente curiosa e inquisitiva. Ela segue uma tendência heroica e aos poucos vai se afeiçoando ao núcleo de personagens ao seu redor. Ela começa como alguém buscando apenas a sobrevivência e entender quem ela é. Suas ações são movidas por essa necessidade de saber quem a criou e como ela chegou nas circunstâncias atuais. À medida em que o livro vai colocando-a em novas situações, Triss desenvolve uma conexão mais forte com Pen. Mesmo sabendo que é uma doppelganger e tendo ciência de que ela não é a irmã real da menina mais nova, Triss e Pen passam a se tratar como irmãs. Elas desenvolve uma afetuosidade e uma cumplicidade que ultrapassam a simples noção de consanguinidade. No final, a personagem passa a desejar ajudar as pessoas a seu redor a encontrar a felicidade. Em um determinado momento em que ela está fugindo de uma situação complicada, Triss interrompe sua ação para dar conselhos a uma pessoa importante da história. Tudo porque ela entende que suas palavras, por virem de alguém de fora de um contexto familiar, podem ter um eco mais potente. Tem outro detalhe: assim como vários dos Outros (e mesmo Triss fazendo várias boas ações), isso não a enquadra necessariamente em um rótulo de "boazinha". Ela faz o que precisa fazer para continuar existindo; se ela precisar realizar alguma ação reprovável, ela assim o fará. Por essa razão é que Triss consegue desenvolver laços com Violet, outra personagem importante do livro.


"As casas respiram quando dormem, tanto quanto seus donos, e os únicos ruídos no silêncio eram tiques suaves e rangidos delicados. O resto da família tinha ido para a cama fazia muito tempo, e Triss não ouvia som algum de movimento vindo dos quartos deles. Não havia mais ninguém na casa além da cozinheira, cujo quarto ficava no porão. Geralmente, a governanta ocupava um quarto perto da família, mas no momento eles não contavam com uma."

Já falei do aspecto industrial tratado na trama, mas a narrativa se passa no período da Primeira Guerra Mundial. Um dos personagens da família Crescent, o primogênito Sebastian, morreu durante o conflito. Sua família recebeu apenas alguns dos seus pertences que sobraram no esquadrão de seu filho. Isso mostra um dos dramas vividos pelos familiares que perderam seus filhos durante a guerra. A ausência fez a família Crescent mudar completamente. Os pais ficaram abalados demais com a perda de Sebastian, e isso se transformou em uma proteção obsessiva de suas filhas, principalmente na de Triss, que passou a ser a filha mais velha. O que ocorreu com esta família é o que ocorreu com várias outras. As perdas de soldados chegaram ao patamar de quase um terço da população masculina em idade de trabalho. O trauma de um conflito em larga escala como esse se deu nos aspectos familiar e social.


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O que me leva ao próximo tópico que é a personagem de Violet Parish, a viúva de Sebastian. Por ter perdido o seu marido ainda jovem e sofrendo de outra situação explicada mais à frente no livro, ela vive uma vida nômade. Para poder sobreviver, Violet passou a trabalhar em várias profissões, algumas delas até que eram destinadas a homens em idade produtiva. A falta de mão-de-obra obrigou os patrões a contratar qualquer força de trabalho disponível. Mulheres passaram a ocupar estes espaços, algo que anteriormente era visto como uma barbaridade. Ainda estávamos em uma Europa alimentada por uma mentalidade saída da sociedade de corte do período absolutista. O papel da mulher era unicamente voltado para o lar. A ocupação de vagas de trabalho fez com que o movimento feminista ganhasse muita força no final da década de 1910 e 1920. Mas, claro, havia muita resistência de pessoas que tinham uma visão mais tradicional sobre qual era o papel social da mulher. Só que essa transformação social se provou ser irreversível, mesmo com o crescimento posterior da população masculina, algo que levou quase uma década para retornar aos patamares anteriores a 1914, ano de início do conflito. Violet sofre com a incompreensão de seus pares e o fato de ser uma viúva jovem a tornou hostilizada pela sociedade. Tem um comentário de Pen que é excelente (e estamos falando de uma jovem menina na casa dos nove anos): em um dado momento da história, Pen pergunta se Violet é uma meretriz, já que ela passa o dia fazendo entregas usando sua moto.


"A guerra pertence à humanidade, e a ninguém mais. Mas para nós ela foi uma dádiva, isso eu posso dizer. A guerra esmagou a fé. Todo tipo de fé. Antes da guerra, as pessoas mantinham suas posições, e nunca ficavam muito abaixo ou acima. E agora? Pobres e ricos morreram lado a lado nas trincheiras, e tinham todos basicamente a mesma aparência com a cara enfiada na lama. E os heróis que voltaram do inferno não se preocuparam mais em arrumar o topete enquanto passavam fome nas ruas. E as mulheres! Antes, ela se guardavam em seu caminhozinho de sempre e não pisavam na grama. Mas as que trabalhavam nas fazendas e fábricas durante a guerra gostaram de cuidar da própria vida, não? Então os maridos estão todos em pânico. Assustados. Incertos. E toda essa dúvida, esse chacoalhar dos fundamentos, havia mais disso nas cidades."

Canção do Cuco é uma boa narrativa que vai pegar elementos narrativos que se tornaram um pouco incomuns na fantasia contemporânea. Mas, é bom ver que alguns autores vão buscar sua inspiração em narrativas mais originárias do gênero, de quando a linha entre conto de fadas e fantasia não era tão clara assim. Contudo, preciso dizer que o livro não me agradou muito, sendo que senti pouca empatia pelos problemas vividos por Triss. Mesmo sendo um personagem detentor de várias camadas, o que, teoricamente, a tornaria mais interessante, ela não conseguiu ressoar comigo. Pen é uma garotinha que, em diversos momentos, mais me irritava do que qualquer coisa. Pontuando que Pen é uma das pessoas que colocam a protagonista na situação inicial que ela se encontra. A facilidade com que Triss a perdoa me incomodou bastante, dada a gravidade das ações de sua irmã menor. Detalhe: Pen toma algumas atitudes que não se encaixam nas ações de uma garota da idade dela. Hardinge não explica como Pen tem alguns tipos de conhecimento bizarros, dignas de um punguista de primeira. Pen rouba, mente, engana... tem um processo de redenção lá pelo final em que ela enxerga Triss como sua irmã verdadeira. Mesmo tentando ser bem leve e condescendente com o que a autora faz, minha suspensão de descrença foi zerada nesse ponto. Qualquer coisa se tornou possível para o desenvolvimento da história que a autora queria contar. Foi aí que a história me perdeu. Mas, é aquilo: o que não funcionou para mim, pode funcionar para você, leitor.


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Ficha Técnica:


Nome: Canção do Cuco

Autora: Frances Hardinge

Editora: Novo Século

Tradutor: Caio Pereira

Número de Páginas: 320

Ano de Publicação: 2015


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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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