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Com bastante bom humor e ironia, Margaux Motin narra o que ela passou depois que, com 35 anos, ela passa por um processo de separação e aprende a tocar sua vida. São páginas repletas de bom humor que desconstroem a visão da vida perfeita sob o casamento.


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Essa não vai ser uma resenha ou uma crítica sobre esse excelente quadrinho da Margaux Motin. Por dois motivos básicos. Em primeiro lugar, porque se trata de uma série de esquetes bem humorados sem seguir exatamente uma linearidade (apesar de seguirem) e representarem fragmentos ou momentos da vida da autora. Até porque o objetivo dela não é exatamente contar uma história, mas desabafar sobre temas que ela precisa pôr para fora ou a incomodam. Mas, de uma maneira bastante engraçada e reflexiva. E isso entra na minha segunda justificativa que eu não gostaria de parecer um tolo que fica julgando a vida alheia. Nesse caso específico aqui, não é necessariamente uma biografia, mas temas dispersos. Então vou jogar conversa fora nas linhas a seguir junto com vocês, leitores, e quem quiser está convidado para participar nos comentários.


Motin acabou de passar por um período de separação em que ela agora se vê se reajustando a uma segunda vida de solteira. É curioso porque existe um lado julgador da sociedade que enxerga na mulher separada como uma espécie de cobra à espreita dos maridos alheios. Julgamento esse feito apenas sobre a mulher, porque o homem não passa por esse mesmo processo. Prova de nossa sociedade machista. Ao encarar essa nova realidade, é como se Motin voltasse no tempo e tirasse do armário roupas e hábitos de sua adolescência. Uma espécie de reaprendizado só que com um porém: ela tem uma filha e precisa conciliar esse seu novo lado com a educação e atenção que sua filha precisa. Logo no começo da HQ vamos percebendo o quanto ela tem dificuldades de se ajustar a essa nova fase por não entender o tom certo de suas ações e atitudes. É como alguém que conquistou sua liberdade e não sabe bem o que fazer com ela. O apartamento inteiro do solteiro. O enorme quarto ao qual você não sabe como aproveitá-lo melhor. E é na tentativa e erro que ela vai se tornando sua própria pessoa.


Seus esquetes são repletos de críticas, ironia e acidez. Às vezes o leitor pode até se incomodar. Gosto do jeito politicamente incorreto dela porque é revelador de uma sociedade que tenta julgá-la e cobrar dela um comportamento exemplar. E ela não é obrigada a isso. Motin conquistou sua carreira e independência e ela presta contas apenas a si mesma. A vida privada de alguém só diz respeito a ela mesma. Motin escolhe compartilhar um pouco dessa vida privada para desmistificar essa visão da recém-separada que deve se encolher em posição fetal e sofrer pelo marido perdido. Nada disso. Ela tem uma postura assertiva e sabe o que deseja para si. Seja a maneira como ela conduz a sua rotina de trabalho, a maneira como ela lida com sua filha (mesmo que seja bastante irresponsável, mas isso é um problema dela e não nosso) e como ela escolhe conduzir sua nova vida. Gosto da honestidade crua com a qual ela mostra determinadas situações como a ida na escola da filha, a organização para um dia de trabalho ou a fofoca com as amigas. Parece até que estamos acompanhando uma adolescente com os hormônios à toda, mas não é o caso. É uma mulher de 35 anos que já passou por várias experiências, algumas boas e outras ruins.


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Talvez o tema central de Placas Tectônicas seja a liberdade. Aparentemente o casamento era uma prisão para Motin. Pelo menos no período próximo à separação. Posso deduzir isso com base nos próprios comentários que ela faz no começo do quadrinho. Parece que ela está presa, atada. E quando ela se separa, o horizonte é o único limite para ela. Seja vestir roupas cafonas, encher a cara todas as noites, andar pelada em casa falando palavrão. Não importa. É uma outra maneira de ver a vida e poder experimentar coisas que ela não podia antes por estar casada. Agora com uma vida mais estabilizada, ela pode se dar ao luxo de certas coisas que ela não poderia enquanto brigava para se estabelecer como adulta. Para aqueles que se casam cedo, parece existir todo um buraco de fruição e lazer que foram deixados para trás. Não sou o melhor exemplo por ser homem cis, mas só fui me casar aos 33 anos. Procurei aproveitar ao máximo o início da minha vida adulta. Bebi, dancei, saí, namorei, fiquei. Teve um momento da minha vida em que tive um insight de "agora preciso parar e me estabelecer". Foi quando conheci minha esposa. Tenho lá alguns arrependimentos de anos passados (quem não tem, afinal), mas sinceramente fiquei satisfeito com o que fiz. E é esse vazio anterior que Motin está tentando preencher.


Claro que é inevitável a gente encontrar outro amor em nossas vidas. E ela logo encontra essa pessoa. Motin precisa se abrir e não desconfiar. E depois da fase inicial, se apegar novamente a uma nova realidade. Ao descobrir suas conexões, entender o quanto essa pessoa a deseja em sua vida. Mesmo com toda a bagagem que ela traz junto de si. Mais do que isso, aceitá-la como ela é, maluca, irresponsável, carinhosa, tempestuosa. Ao se conhecerem, saber se ambos são metades da mesma laranja, mesmo que essa laranja seja meio torta. Quando passa tudo isso, Motin se depara com uma necessidade difícil: precisar se mudar para onde o seu novo amor vive. Ela viveu durante muitos anos em Paris, e agora precisa aceitar morar no País Basco, um lugar bastante diferente de seu lugar de origem. Duas dimensões surgem para ela: ela realmente tem que se mudar para junto de seu amor? E será que ela vai conseguir se acostumar a um lugar com costumes tão diferentes do dela? Mais do que isso: será ela aceita pela sociedade local? São os medos de alguém que precisa se arriscar se encaminhando para uma vida adulta mais avançada e que precisa fazer uma lista de coisas do que precisa para viver em um novo lugar.


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Gosto demais do jeito otimista e desregrado da Motin. Isso porque essa postura a ajuda a encarar os problemas de frente. E ela não se importa mais tanto com o que a sociedade pensa a respeito dela. Em determinados esquetes percebemos o quanto ela fala o que pensa, o que a coloca em situações bem constrangedoras em algumas oportunidades. Mas, tudo isso são vivências que vão dando cor à sua vida e às páginas do seu quadrinho. Quando ela se muda para o País Basco ela comete algumas gafes aqui e ali, mas consegue ser bastante aceita e formar um grupo de amigas bastante divertidas. Claro que tem uma virada narrativa depois com um desgaste em sua nova relação e um novo aprendizado. Afinal, a vida é uma enorme montanha-russa, feita de altos e baixos, boas e más escolhas. Cada uma dessas escolhas é um tijolo a mais na construção que é o edifício ou a casa de nossas vidas. Acho importantíssimo discutir algumas pautas sobre independência feminina que Motin aponta em suas páginas. E ler o quadrinho com atenção, apreciando os quadros e as situações certamente vai abrir nossas mentes.



Quadrinho citado:


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Ficha Técnica:


Nome: Placas Tectônicas

Autora: Margaux Motin

Editora: Nemo

Gênero: Ficção/Humor

Tradutor: Fernando Scheibe

Número de Páginas: 256

Ano de Publicação: 2016


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Inaugurando nossa seção de resenhas da Clarkesworld, essa é a edição de novembro de 2017. Vários contos de autores de fantasia e ficção científica como Daryl Gregory e Suzanne Walker.


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1 - "Prasetyo Plastics" de D.A. Xiaolin Spires


Título: Prasetyo Plastics Avaliação:

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Autora: D.A. Xiaolin Spires

Gênero: Ficção Científica



Ali Prasetyo é alguém que sempre quis ter um olhar no futuro. Em um de seus momentos de luz inspiradora, ele buscou usar uma impressora 3-D para criar um tipo de plástico que pode ser usado em qualquer área. Só que ele não contava com a evolução do plástico ao se ligar a um outro tipo de ser vivo. Ele chega à conclusão de que podemos ter nosso lugar no mundo tomado pelos plásticos que ameaçam a nossa vida na Terra.

Gostei da premissa de Xiaolin Spires embora a execução tenha ficado um pouco aquém do que eu esperava. A ideia de trabalhar com conceitos ecológicos e até com impressoras 3-D e seu impacto no mundo não é novidade. Eu li Autonomous há pouco tempo e Annalee Newitz se baseia justamente nisso. O que eu senti nas linhas apresentadas é que a autora teve uma boa ideia, mas ela foi se perdendo com o decorrer da narrativa. Por exemplo, para que serve a relação entre Ali e Karina? Apenas para dar uma esposa ao personagem? Eu imaginei que a esposa poderia talvez servir como a voz da razão ou até confrontar as escolhas feitas pelo personagem, mas não é isso o que acontece. Achei que tudo ficou em uma proporção muito teórica, como se tudo estivesse sendo enxergado de cima. Trata-se de um bom conto científica que vai nos apresentar conceitos intrigantes, mas é só. Faltou um desenvolvimento melhor nos personagens.

A ideia do plástico como algo que possa tomar conta do nosso planeta é curiosa. Achei assustadora a ideia de que algo como o que é apresentado na história possa acontecer, e não é algo inteiramente impossível. Até porque o ser com o qual o plástico se liga é bem simples em sua constituição celular. Daí para uma possível evolução seria um salto de milhares ou milhões de anos. Claro que para os fins de composição da história, a autora apressou um pouco essa evolução. Legal, é algo a se refletir quanto à preservação dos mares e do nosso meio ambiente. Quando vemos a quantidade de lixo plástico despejado diariamente nos rios e oceanos podemos realmente estar nos encaminhando para mergulharmos em plástico mesmo. E quem disse que a próxima evolução das impressoras 3-D não tem a ver com o plástico propriamente dito?

A escrita da autora é um pouco confusa em alguns trechos, mas ela consegue entregar uma boa história. Para quem está preocupado com o emprego de expressões complexas ou jargões pode ir tranquilo. Achei o texto da Xiaolin mais fácil de entender do que o de Autonomous que emprega muitos termos de patente e de farmácia. Só realmente achei que eu não comprei os personagens, o que acabou fazendo com que a história não tivesse o impacto esperado.


2 - "Retrieval" de Suzanne Walker


Título: Retrieval Avaliação:

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Autora: Suzanne Walker

Gênero: Ficção Científica



Imagine se, no futuro, durante as expedições espaciais, quando um indivíduo morresse, sua alma ficasse presa no espaço, ficando à mercê de seres obscuros e cruéis. Essa é a premissa de Suzanne Walker nesse conto. Os Recuperadores são pessoas encarregadas de recuperar a alma destas pessoas e trazê-las de volta para casa. A protagonista está atrás de seu pai que morreu em circunstâncias terríveis e junto de sua mentora Ferrier, elas estão no encalço da alma de seu pai. Mas, não será fácil trazê-lo de volta. Para nossa protagonista, esta missão é muito mais do que buscar a alma de uma pessoa. É buscar uma pessoa amada.

Suzanne Walker faz uma construção de personagens extremamente competente. A gente percebe todo o drama por trás da missão; tudo o que significa aquilo para a protagonista. Encontrar um ambiente hostil é algo que ela jamais esperaria de seu próprio pai. Ter escrito em primeira pessoa foi muito acertado e consegue nos passar todos os sentimentos da protagonista de uma forma bem direta e pessoal. Até mesmo o questionamento acerca do papel dos deuses nesse estranho cenário é visto. Será que os deuses estão cuidado das almas das pessoas mesmo que estas estejam tão longe?

A ideia dos caçadores de almas é muito interessante. Ainda não tinha visto nada parecido em outras histórias. Ou seja, o que vemos é uma mescla de elementos sobrenaturais com pura ficção científica. Eu gostaria de ver uma história mais longa nesse tipo de cenário. Enfim, a narrativa tem uma boa condução, deixa muita margem para outras histórias e se fecha a partir de um bom impacto. A autora tem um bom encadeamento de palavras e eu fiquei perdido apenas no comecinho, mas deu rapidamente para entender aonde ela queria chegar com a história. Os cenários são bem simples: o local onde a mãe da protagonista foi enterrada e o local onde se encontra a alma de seu pai. Me parece que eles levam o espírito do pai a uma espécie de templo, isso ficou um pouco confuso para mim.

Enfim, temos uma história pequena, mas com muita coisa a se contar. A autora nos introduziu a um mundo que pode conter outras histórias, então vamos aguardar para ver se alguma editora compra a ideia da autora. Com uma mescla bem inusitada de gêneros, Suzanne Walker entrega uma história competente e com vários ganchos deixados para os leitores.


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3 - "Dead Heroes" de Mike Buckley


Título: Dead Heroes Avaliação:

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Autor: Mike Buckley

Gênero: Ficção Científica



A chegada de uma estranha condição chamada O Vazio faz com que as pessoa se esqueçam de todas as coisas. Isso acaba deixando os seres humanos vulneráveis ao ataque de forças alienígenas. Após O Vazio, um estranho ser chamado A Floresta Viva começa a tomar conta de todas as regiões do mundo se alimentando dos homens e os absorvendo para si. O Vazio vem todas as noites se alimentar também das memórias das pessoas. O protagonista acredita ainda na figura de Catalus, um grande herói do passado que foi capaz de proteger muitas pessoas. Mas, a condição de seu pai e de Tim que se tornam cada vez mais ausentes, faz com que ele comece a perder as esperanças de um mundo melhor. E se torne vítima da Floresta Viva.

Olha, eu acredito que este conto tenha sido concebido como um romance e depois o autor tenha reduzido-o para caber neste formato. Isto é muito transparente porque vemos toda uma profusão de ideias aparecendo aqui e ali que necessitariam de muito mais páginas para ser desenvolvido. Como não foi, isto acaba provocando muita confusão no leitor. Percebi no final o que o autor quis dizer com a narrativa após separar as duas ideias do Vazio e da Floresta Viva, sendo que ambas deveriam ser entendidas juntas. Essa confusão acabou tornando a escrita truncada demais. E a escrita acaba não ficando legal ao mesmo tempo já que o autor se perdeu durante a narrativa. O encadeamento de palavras não é bom, então estamos o tempo todo precisando voltar alguns parágrafos para que as ideias possam ser absorvidas.

A ideia de trabalhar questões acerca da memória não é nova e eu até li um conto muito bom neste sentido. O protagonista se ressente um pouco de que seu amigo e seu pai estejam tão avançados na condição de pessoas sem memória e acaba passando um pouco deste seu sentimento para as linhas. Mas, ao mesmo tempo ficou parecendo uma muleta isso; Tim e o pai poderiam ter sido deixados um pouco de lado e o protagonista poderia ter sido colocado em outras situações que reforçassem aquilo que está assolando o planeta. Tim acaba funcionando como aquele que propulsiona a história para a frente ao colocar o protagonista em situações arriscadas. Entretanto, nada em Tim me faz querer que o protagonista deseje salvá-lo. Muito pelo contrário: eu queria que o autor desse um fim logo no personagem.

Pelo título já dá para perceber que o tema da narrativa é a importância dos heróis para as pessoas comuns. Isso o autor consegue trabalhar bem na narrativa. A gente percebe que os personagens parecem sem rumo e sem motivação para traçar algum plano para o futuro. Todos se deixaram abater pela condição do Vazio. Muitos deles já desistiram e perceberam que não há esperanças mais. Quando o protagonista se refere a Catalus ele demonstra sua fé inabalável de que existe a possibilidade de um futuro melhor. Enquanto ele foi capaz de manter essa esperança, sua força esteve presente a todo momento, seja incentivando Tim e seu pai, seja resolvendo algum obstáculo que se interpôs entre eles.

Dead Heroes é um conto bem fraco e eu não recomendo. Acho que o autor precisava de bem mais espaço para desenvolver suas ideias e este conto não foi capaz de atingir os objetivos que ele havia traçado para si.


4 - "Who Won the Battle of Arsia Mons" de Sue Burke


Título: Who Won the Battle of Arsia Mons Avaliação:

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Autora: Sue Burke

Gênero: Ficção Científica



Adoro ser surpreendido. Sério! Tem histórias que eu pego sem nenhuma expectativa, já com a minha caneta vermelha na mão, aguardando o que eu posso criticar. Até este quarto conto, eu tinha me decepcionado bastante com o conteúdo desta edição da revista e o início deste conto não fez muito para ajudar. Mas, quando o conto chega quase na metade, sou lindamente surpreendido. Sue Burke foi extremamente inteligente em esconder o jogo por boa parte da história e deixar muito do que ela queria nas entrelinhas. Este é um dos melhores contos nesta edição não pelo que a história lhe apresenta diretamente, mas tudo o que pode ser retirado no rastro da história central.

A história é contada em uma espécie de relatório feito após os acontecimentos da narrativa. É quase como se fosse um interrogatório onde os personagens prestam contas dos acontecimentos e fazem alguns comentários em cima. Aliás, relatório não é nem bem a palavra; eu senti como se estivesse em um documentário feito por um telejornal. A escrita da autora é bem direta e não se foca em nenhum personagem em particular. Existe até alguns termos um pouco mais complicados, mas é possível se acostumar daqui a algumas páginas. Trata-se de uma aposta feita entre cientistas na Terra sobre quem seria capaz de construir o melhor robô para uma espécie de battle royale acontecida em um terreno escolhido no planeta Marte. Quatro concorrentes deveriam construir seus robôs e quando todos estivessem completos, eles seriam enviados a Marte aonde a competição seria mostrada em todos os veículos de informação.

Quando eu entendi do que se tratava a história no começo, achei a ideia boba. Não achava possível uma autora escrever uma história tão boba quanto uma disputa besta de superioridade robótica no espaço. E da maneira como tudo estava sendo construído, não parecia ser legal. Só que Sue Burke tentou construir tudo da maneira mais verossímil possível dentro de sua extrapolação. Ela dificultou a construção dos robôs, colocou uma série de obstáculos e fez com que cada um dos concorrentes construísse a sua versão da coisa. Uma das empresas chegou a fazer um financiamento coletivo para tentar levar o projeto adiante. E aos poucos vamos vendo os bastidores da construção destes robôs. A empresa que fez o financiamento coletivo acabou tendo uma série de problemas com CEOs que não conseguiam levar adiante o projeto. Outro grupo precisou lidar com todas as críticas acerca de sua arquitetura considerada infantil e boba. Os chineses construíram um robô que parecia muito com um soldado de Terracota. E eles desejavam o estrelato acima de tudo. E uma última empresa sofreu um ataque terroristas porque um grupo de investidores reclamava do uso de dinheiro das pessoas para uma iniciativa tão sem pé nem cabeça.

Só isso que eu descrevi aí em cima já dá uma noção das sutilezas presentes na história. Mas, tem mais... e se no lugar onde eles fossem lutar, a humanidade descobrisse sem querer, pela primeira vez na história da exploração espacial, vida inteligente em Marte? Daí eles decidiriam parar e estudar as criaturas, certo? Mas, e se um dos robôs tivesse perdido o controle por causa de algum acontecimento na Terra. É tanto desastre que acontece ao longo deste conto que a gente fica pensando se alguma coisa vai dar certo em uma última análise. E é isso que é o mais legal na narrativa: tudo é muito possível. São tantas variáveis envolvidas em um tipo de empreendimento desses que, acontecer algum acidente é mais provável do que o sucesso na missão.

As cenas de luta que acontecem no finalzinho são incríveis. Regadas a momentos emocionantes, fazia tempo que eu não lia uma boa batalha entre robôs. Adorei a maneira como a autora conseguiu manter o leitor preso por mais de vinte páginas em uma sequência de cenas de ação. Extremamente eficiente mesmo. A narrativa consegue amarrar todas as pontas e nos entregar um final muito digno, apesar de eu ter ficado desconfiado acerca de algumas coisas que ocorreram na metade da narrativa. Algumas coisas não ficaram bem explicadas, mas percebi que isso foi proposital da parte da autora para nos deixar com a pulga atrás da orelha.

Conto recomendadíssimo, se vocês puderem, leiam no site da Clarkesworld (acho que é possível ler via url). A autora parece que vai publicar algo no início de 2018, logo eu vou ficar ligado e certamente interessado no que ela colocar à venda.


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5 - "The Catalog of Virgins" de Nicoletta Vallorani


Título: The Catalog of Virgins Avaliação:

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Autora: Nicoletta Vallorani

Gênero: Fantasia




Histórias sobre clones são bastante comuns entre os autores de ficção científica. Algumas delas se tornaram memoráveis como Battlestar Gallactica. Desde que a ficção científica adotou um propósito mais social e psicológico que vemos histórias desse gênero abordando temáticas mais éticas. Nicoletta Vallorani apresenta uma narrativa bem impactante tocando em temas pertinentes, mas é muito prejudicada pelo espaço do conto.

Um mundo distópico onde clones são usados em rituais de estupro coletivo e acabam morrendo pela insanidade do ato em si. Sim, meus caros, esse é o mote principal da trama. Temos uma narrativa em primeira pessoa onde o protagonista se vê diante da terrível história de cinco clones que tiveram suas vidas brutalmente reduzidas por esses atos bárbaros. Alguns dos momentos são narrados por aquelas que passaram pelos próprios atos, que descrevem de forma bem direta o que elas sentiram e como suas vidas se esvaíram. Dá um tom de impacto absoluto à narrativa.

Eu só achei que a autora não teve o espaço necessário para desenvolver o que ela gostaria de dizer. As informações são passadas ao leitor de uma maneira atrapalhada e confusa, o que acaba prejudicando a compreensão completa da história. E o tamanho reduzido da narrativa onde ela precisa passar por vários pontos de vista de uma só vez acaba fazendo com que a gente não sinta qualquer empatia pelo protagonista. Só desenvolvemos algum sentimento por conta dos relatos impactantes do que é feito aos clones. A escrita é tão crua que é impossível a gente não sentir nada.

Acho um tema extremamente pertinente que acabou sendo mal desenvolvido devido aos limites impostos pela própria autora na composição de sua narrativa. Esse conto merecia umas 100, 120 páginas para que a autora pudesse ter a liberdade absoluta de nos encantar e revoltar com sua narrativa. Infelizmente não recomendo esse conto por tudo o que não está presente nele e tudo o mais que eu gostaria de ver.


6 - "Second Person, Present Tense" de Daryl Gregory


Título: Second Person, Present Tense Avaliação:

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Autor: Daryl Gregory

Gênero: Fantasia?



E se houvesse uma droga capaz de quebrar a conexão entre o cérebro e a capacidade do ser humano de tomar decisões? Não uma droga que amplifique desempenhos ou que produza melhorias, mas uma que provoque o esquecimento, a perda de noção acerca do que é a realidade. A tal ponto que isso formaria uma segunda pessoa dentro de si mesmo com suas próprias reações e personalidade. Essa é a proposta de Second Person, Present Tense onde Therese está tendo aconselhamento psicológico para tentar recuperar a velha Therese seja através de técnicas terapêuticas até métodos não convencionais.

Gostei demais do ritmo da história. Admito que no início achei o conto estranho e não estava entendendo qual era a proposta e nem aonde o autor queria chegar. Aos poucos vamos sendo imersos na mente estranha de Terry e o autor vai nos mostrando os meandros da coisa. Não conseguia entender se se tratava de uma possessão, de um clone, de uma outra personalidade. Mas, mais ou menos na metade do conto vamos nos dando conta de que se trata da mesma pessoa sob efeito de uma droga supostamente alucinógena e silenciadora. E o conto sai da simples ficção científica (ou fantasia) para se tornar um thriller. É assustador o que a Terry passa. Ela não consegue entender como pode existir uma outra pessoa dentro dela mesma. E isso vai corroendo a personagem por dentro. Ela não entende o que é real ou não. E é incapaz de trazer a pessoa que os pais de Terry querem de volta. Não importa o que eles façam para tornar isso uma realidade.

Ao mesmo tempo vemos o drama dos pais desesperados por terem sua garotinha de volta. O que fazer em uma situação como essa? Deixar as coisas como estão, na esperança de que as memórias retornem? Buscar métodos alternativos na esperança do aparecimento de algum que seja capaz de reverter o poder da droga? Submeter sua filha a remédios que talvez alterem para sempre o cérebro da pessoa? Isso é um drama terrível e os pais ao longo da trama vão passando por vários estágios psicológicos junto da filha: a ira de perceber que Terry não colabora porque ela não sabe como colaborar; a tristeza de saber que o que se quebrou jamais pode ser recuperado; o arrependimento de não ter sido capaz de impedir que algo assim acontecesse; ou a aceitação de que pelo menos sua filha está viva de alguma maneira.

O tema principal desse conto é a identidade. O que nos torna nós? O que compõe a nossa personalidade: a experiência do que vivemos ao longo dos anos ou o tempo presente? É uma questão complexa que vem sendo estudada por sociólogos e especialista em psicologia há anos. Se pensarmos em a nossa identidade sendo baseada em nossas experiências, podemos cair em uma armadilha como essa do conto. Foi o que Daryl Gregory procurou nos mostrar. Apesar de toda a extrapolação em cima do tema, eu achei algo bem interessante e até revi algum dos meus posicionamentos sobre o que compõe a nossa identidade. Sem dúvida alguma, o nó que se formou na cabeça de Terry é parte da incompreensão que ela tem de que sua identidade não é verdadeira e que poderia existir outra pessoa que não ela mesma dentro de sua mente. Ela não compreende porque ela vive o agora... e o agora diz a ela que as suas experiências atuais são as reais. Mesmo quando todos dizem que isso é mentira.

Um conto absolutamente complexo e que vai fazer você refletir de alguma maneira. Ficção especulativa de boa qualidade é assim! É desafiar o leitor, é tornar sua leitura uma experiência da qual algo será retirado. Essa é a essência desse gênero e é algo que vem da década de 1970 quando homens como Philip K. Dick nos provocava fazendo com que questionássemos o que era real ou não. Só isso já me fez desejar ler outras coisas do autor.


7 - "Martian Blood" de Allen M. Steele


Título: Martian Blood Avaliação:

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Autor: Allan Steele

Gênero: Ficção Científica



As histórias de John Carter se tornaram muito famosas nos EUA. As explorações nos rios de Marte, os combates contra jeddaks, contra tiranos e até líderes de seitas levavam os americanos à loucura nas décadas de 1920 e 1930. Até os dias de hoje vemos reflexos da obra de Edgar Rice Burroughs nos livros de muitos autores de ficção científica. Allan Steele pegou toda essa herança e influência e ressignificou em uma história onde a colonização de Marte se tornou algo maligno. Nosso protagonista é uma espécie de faz-tudo que é contratado por um doutor para levá-lo até uma comunidade de marcianos. Nesse mundo, os seres humanos acabaram construindo grandes cidades e os marcianos se afastaram da esfera de influência dos homens e se retiraram para uma vida no interior dos desertos marcianos. São muito avessos ao contato com os homens e apenas poucos deles como Ramsey são capazes de se aproximar e entender os mesmos. Mas, o doutor deseja uma gota de sangue dos marcianos. Ele quer provar que terráqueos e marcianos possuem uma origem comum. Mas, isso vai ser uma jornada extremamente complexa e difícil.

O leitor é colocado em uma espécie de Las Vegas em Marte. Tudo respira John Carter: as garçonetes estão vestidas como as mulheres de Carter, os seguranças vestidos como marcianos vermelhos, e até tem estátuas simulando as montarias das histórias de Burroughs. Isso mostra a banalidade dos objetivos do homem ao colonizar outros planetas. Vemos que tudo o que tem na Terra foi transplantado para o planeta vermelho. Tanto as coisas boas como as coisas ruins. Essa crítica social é forte à medida em que hoje pensamos em singrar o espaço seja para encontrar outros seres inteligentes ou para criar um mundo melhor. Mas, o autor deixa claro que o ser humano visa apenas repetir o que ele fez aqui na Terra.

A relação entre terráqueos e marcianos se assemelha demais a de colonizadores e colonizados. Os colonizadores espanhóis expulsaram os nativos para o interior do continente. Estes ou foram escravizados ou criaram uma forte aversão aos europeus. Com o tempo essa aversão acabou se transformando em guerras que duraram muitos séculos. Os povos indígenas acabaram massacrados pela superioridade tecnológica dos europeus. Aqui, não é que o autor coloca que os marcianos serão exterminados, mas que isso pode acontecer. Um determinado acontecimento no conto dispara um gatilho que faz o protagonista pensar se vale a pena deter um certo conhecimento ou não. Vale a pena arriscar o tênue equilíbrio da relação entre humanos e marcianos?

Gostei muito do conto de Allan Steele e eu creio que este não é o primeiro conto que leio dele. Mas, de toda forma, gostei do ritmo e da maneira como tudo é construído progressivamente. Mesmo em uma realidade absurda de colonização em Marte com elementos estranhos e curiosos, a narrativa manteve sua seriedade acima de tudo. Recomendadíssimo e para quem ficou curioso, este conto é parte da coletânea Old Mars que a editora Arqueiro lançou com o título As Crônicas de Marte no início de 2018.


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Ficha Técnica:

Nome: Clarkeworld número 134 Publicada em novembro de 2017 Editores: Neil Clarke Número de Páginas: 170


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Em um mundo invadido por criaturas saídas de nossos piores pesadelos, os seres humanos se esforçam para sobreviver. Entre eles está Pilar, uma mulher que teve uma enorme perda em sua vida e agora refugia seu coração cuidando da pequena Sara. Mas, quando elas acabam separadas, fruto de um infortúnio, Pilar inicia uma corrida arriscada para rever Sara.


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Sinopse:


O mundo não é mais nosso! Monstros que se alimentam de humanos chegaram misteriosamente e dominaram tudo. Uma década depois da invasão, as poucas pessoas que restaram lutam para sobreviver em uma terra devastada. Entre elas está Pilar, uma mulher que assumiu a responsabilidade de cuidar de Sara, uma garota órfã, e acompanhá-la em uma longa e perigosa jornada até seu único familiar vivo. Este é o primeiro quadrinho escrito por um dos três integrantes do canal e editora Pipoca & Nanquim! Ogiva marca a estreia de Bruno Zago como roteirista de quadrinhos, ao lado de Guilherme Petreca na arte, com seu traço único. Juntos, eles conceberam um rico cenário pós‑apocalíptico para ambientar uma grandiosa história de ação, com mais de 200 páginas! O resultado é uma aventura que pode ser definida como uma mistura inusitada de Mad Max com Procurando Nemo, com influências de Fallout, The Last of Us e A Estrada. A edição tem formato grande, 220 páginas em preto e branco, impressas em papel couché fosco de alta gramatura, com capa dura com verniz localizado e lombada redonda.





A tarefa de seguir em frente pode ser mais complicada do que parece. Quando perdemos alguém amado, nosso mundo desaba e não sabemos mais o que fazer. É como se perdêssemos nossa bússola da vida. Ficamos tentando encontrar maneiras de resgatar aqueles velhos momentos ou mesmo qualquer pequena lembrança que tenha restado. O que pode parece um motivador mínimo para a vida pode se revelar problemático quando esse apego ao passado nos impede de olhar aqueles que estão ao nosso redor e precisam de nós. E isso pode acabar acarretando em uma nova perda e uma nova tragédia como um ciclo vicioso de tristeza e arrependimento que pode nunca ter fim. É um pouco disso e muito mais os temas presentes em Ogiva, a primeira aventura de Bruno Zago como roteirista de um quadrinho publicado por uma editora. Zago deixa suas obrigações como editor de lado e aposta como roteirista em uma obra que tem seus altos e baixos, mas que consegue entregar sentimento e entretenimento.


O mundo foi virado do avesso quando criaturas do espaço chegam em ogivas na Terra. Os humanos tentaram destruí-las apenas para que elas revelassem criaturas apavorantes que agora caçam humanos por toda a parte. Tudo o que se pode fazer é sobreviver em um ambiente hostil e que pode nos levar à morte a qualquer segundo. Sara é uma menina que vivia com seus pais em uma casa que servia como esconderijo contra as criaturas. Lá a comunidade ajudava a se livrar dos monstros e eles tentavam tocar uma normalidade dentro desse estranho mundo novo. Só que um dia um monstro faminto ataca a comunidade e devora a todos inclusive todos de sua família. O ataque selvagem deixa a menina apavorada e sem chão até que ela é resgatada por Pilar, outra sobrevivente que costuma viajar de lugar em lugar. Pilar ajuda Sara e se compromete a encontrar o pai de Sara que teria ido para o norte matar algumas dessas criaturas. Só que com o passar do tempo a relação entre as duas se aprofunda e Pilar acaba associando em Sara a sua filha morta. Entre cuidar de Sara e as memórias de sua filha, Pilar acaba saindo para buscar suprimentos deixando a jovem para trás. Só que Pilar é capturada por um grupo de bandoleiros e então inicia uma jornada de retorno aonde deixou Sara. Uma jornada que pode se mostrar mais difícil do que ela imagina.


Esse é um roteiro bem simples e fácil de entender, constituindo uma corrida contra o tempo onde a protagonista precisa superar uma série de obstáculos que são colocados em sua direção. Zago decide não se dedicar muito a revelar como se deu a invasão ou até maiores detalhes sobre as criaturas. Só que elas são mortais e os humanos devem correr delas. O que considerei uma decisão acertada porque dirige o foco nos personagens que ele coloca na trama. A história é sobre uma mãe e uma menina, apesar de que Pilar assume o protagonismo total depois de alguns capítulos. A história procura ser rápida para combinar com a dinâmica do desespero de Pilar na busca de Sara. Então o arco temporal da história é bem curto e muita coisa acontece nesse meio tempo tendo como objetivo revelar suas motivações e anseios. Em alguns momentos, faltam informações sobre aqueles que rodeiam Pilar e esse é um ponto mais vulnerável da trama. Personagens como Ramiro, Abbas e Leila poderiam trazer uma profundidade maior, mas eles realmente acabaram em segundo plano. Tem outros pontos menos aproveitados na história, mas, é aquilo, como se trata de um primeiro roteiro achei bem executado e com uma história facilmente compreensível para o leitor. O que Zago não diz sobre o mundo acaba não fazendo diferença para a história em si e serve como um gostinho para outras histórias.


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A arte do Guilherme Petreca está bem apavorante nesta HQ. Para quem se acostumou com Shamisen, outra obra cuja arte ele foi responsável, vocês vão ver outra faceta de sua arte. Algo mais claustrofóbico e trabalhado no uso de sombras, o emprego da arte cinética nas movimentações dos personagens e o design de personagens mais assimétrico. Confesso que não me agradou tanto, apesar de eu sentir o Petreca empregando bem mais recursos do que ele usou em Shamisen. E nem é por causa da diferença entre cores e o PB até porque as cores podem esconder muita coisa. Na minha cabeça era como se algo estava estranho quando virava as páginas. Faltava alguma coisa. Ou quando você pensa: "isso não devia ser assim". Essa foi a minha sensação, que não consegui encontrar as palavras para explicar. Contudo, dá para perceber que Petreca se inspirou bastante nas temáticas lovecraftianas para criar os monstros. Tem um Cthulhu ali no meio da confusão. Outro momento que me agradou bastante foi a perseguição. Gosto de como o artista tem uma bela noção de timing e posicionamento, e o leitor consegue imaginar toda a sequência na sua cabeça. Tem algumas splash pages sensacionais, principalmente nos começos de capítulo. Essas páginas duplas costumam tem uma arte vazada, o que dá uma sensação de amplitude bem legal. Como se estivéssemos observando um horizonte se abrindo para a gente... horizonte esse que nem sempre é muito convidativo (Cthulhu que o diga).


Várias histórias se conectam nessa história emocionante. Começando pela Pilar que tem seus próprios dilemas a serem resolvidos. A perda de sua filha a transformou em uma mulher triste e solitária. E nesse mundo caótico, ser uma pessoa sem rumo pode ser uma jornada sem volta. Quando ela encontra Sara, seu mundo parece ganhar mais cor. Sara consegue dar a ela uma motivação para continuar seguindo, mas olhar para trás é sempre uma necessidade para ela. A verdade é que Pilar nunca seguiu em frente. Depois de conseguir dirigir seu coração a Sara, alguém que agora precisa dela, Pilar precisa deixar algumas coisas para trás. Não é que ela deva esquecer sua filha, mas não torná-la algo que a faça tomar decisões insensatas. "Dar vida", dar uma existência a alguém que se foi. Ela esconde algo em seu celular que parece que turva todas as suas decisões. Aliás, é por esta necessidade, por essa quase obsessão que ela acaba se colocando em problemas. Porém, a personagem é mais do que isso e ela revela possuir uma força interior muito grande, que a faz perceber o que errou e decidir que precisa encontrar aquela que ela deixou para trás. Pilar não deseja de forma alguma repetir o que aconteceu no passado.


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O personagem do Abbas é o nosso modelo para este mundo. No que os humanos se transformaram depois que tudo foi para o espaço. Seguir atrás de comida, roubar daqueles que puderem, matar se for preciso. É uma espécie de lei da selva neste mundo vil e estranho. O primeiro encontro de Pilar e Abbas é ela indo atrás do urso grande que serve de mochila a ela. Um urso que entra no enredo dela mantendo coisas que a façam se lembrar de sua filha. Em vários momentos da narrativa, Abbas vai se revelar um personagem que funciona como um sobrevivente. Ele vai fazer o possível por si mesmo, não importando as consequências para aqueles ao seu redor. Porém, a coragem de Pilar e o jeito conciliador de Ramiro vão conquistando seu coração. Agora é preciso saber se isso será o suficiente para manter Abbas na linha quando ele for colocado diante de uma situação de vida ou morte. Porque no final a pessoa mais importante do mundo para Abbas é ele mesmo.


Também preciso destacar a relação bem legal entre Leila e Ramiro. Sem apelação, sem bobagem. São duas pessoas que se amam e se apoiam mesmo no pior dos mundos. Gosto de pensar que mesmo em um inferno como esse, ainda existem pessoas capazes de manter um coração e um caráter puro e cristalino. A forma como os dois são unidos e até se referem um ao outro é bacana. Mesmo as brincadeiras e provocações fazem parte da vida do casal. Ramiro quer fazer o papel do cavaleiro que se sacrifica por sua amada, mas Leila pouco se importa com esse orgulho masculino bobo. Ela quer apenas que o seu amado volte para casa no fim do dia e esteja com ela.


Nesse mundo esquisito onde cultistas desejam sacrificar pessoas em nome de algum deus esquisito que possa poupá-los de serem mortos, o amor entre duas pessoas é que é transformador e bonito. Talvez esta mensagem de esperança e de carinho esteja na própria essência da história e é o que me fez ficar preso a ela até o final. Ogiva é uma boa HQ e consegue entregar seu roteiro de uma maneira bastante responsável. Tem lá seus defeitos aqui e ali, mas o importante no fim das contas é saber se eu me diverti ou não. E isso Ogiva conseguiu. A arte de Petreca está bem diferente aqui, não me encantou tanto como em Shamisen, mas ele me mostrou mais ferramentas de seu arsenal. O que me convidou a observar o que mais ele pode fazer no futuro.



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Ficha Técnica:


Nome: Ogiva

Autor: Bruno Zago

Artista: Guilherme Petreca

Editora: Pipoca e Nanquim

Número de Páginas: 220

Ano de Publicação: 2020


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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