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Resenha: "Ogiva" de Bruno Zago e Guilherme Petreca

Em um mundo invadido por criaturas saídas de nossos piores pesadelos, os seres humanos se esforçam para sobreviver. Entre eles está Pilar, uma mulher que teve uma enorme perda em sua vida e agora refugia seu coração cuidando da pequena Sara. Mas, quando elas acabam separadas, fruto de um infortúnio, Pilar inicia uma corrida arriscada para rever Sara.


Sinopse:


O mundo não é mais nosso! Monstros que se alimentam de humanos chegaram misteriosamente e dominaram tudo. Uma década depois da invasão, as poucas pessoas que restaram lutam para sobreviver em uma terra devastada. Entre elas está Pilar, uma mulher que assumiu a responsabilidade de cuidar de Sara, uma garota órfã, e acompanhá-la em uma longa e perigosa jornada até seu único familiar vivo. Este é o primeiro quadrinho escrito por um dos três integrantes do canal e editora Pipoca & Nanquim! Ogiva marca a estreia de Bruno Zago como roteirista de quadrinhos, ao lado de Guilherme Petreca na arte, com seu traço único. Juntos, eles conceberam um rico cenário pós‑apocalíptico para ambientar uma grandiosa história de ação, com mais de 200 páginas! O resultado é uma aventura que pode ser definida como uma mistura inusitada de Mad Max com Procurando Nemo, com influências de Fallout, The Last of Us e A Estrada. A edição tem formato grande, 220 páginas em preto e branco, impressas em papel couché fosco de alta gramatura, com capa dura com verniz localizado e lombada redonda.





A tarefa de seguir em frente pode ser mais complicada do que parece. Quando perdemos alguém amado, nosso mundo desaba e não sabemos mais o que fazer. É como se perdêssemos nossa bússola da vida. Ficamos tentando encontrar maneiras de resgatar aqueles velhos momentos ou mesmo qualquer pequena lembrança que tenha restado. O que pode parece um motivador mínimo para a vida pode se revelar problemático quando esse apego ao passado nos impede de olhar aqueles que estão ao nosso redor e precisam de nós. E isso pode acabar acarretando em uma nova perda e uma nova tragédia como um ciclo vicioso de tristeza e arrependimento que pode nunca ter fim. É um pouco disso e muito mais os temas presentes em Ogiva, a primeira aventura de Bruno Zago como roteirista de um quadrinho publicado por uma editora. Zago deixa suas obrigações como editor de lado e aposta como roteirista em uma obra que tem seus altos e baixos, mas que consegue entregar sentimento e entretenimento.


O mundo foi virado do avesso quando criaturas do espaço chegam em ogivas na Terra. Os humanos tentaram destruí-las apenas para que elas revelassem criaturas apavorantes que agora caçam humanos por toda a parte. Tudo o que se pode fazer é sobreviver em um ambiente hostil e que pode nos levar à morte a qualquer segundo. Sara é uma menina que vivia com seus pais em uma casa que servia como esconderijo contra as criaturas. Lá a comunidade ajudava a se livrar dos monstros e eles tentavam tocar uma normalidade dentro desse estranho mundo novo. Só que um dia um monstro faminto ataca a comunidade e devora a todos inclusive todos de sua família. O ataque selvagem deixa a menina apavorada e sem chão até que ela é resgatada por Pilar, outra sobrevivente que costuma viajar de lugar em lugar. Pilar ajuda Sara e se compromete a encontrar o pai de Sara que teria ido para o norte matar algumas dessas criaturas. Só que com o passar do tempo a relação entre as duas se aprofunda e Pilar acaba associando em Sara a sua filha morta. Entre cuidar de Sara e as memórias de sua filha, Pilar acaba saindo para buscar suprimentos deixando a jovem para trás. Só que Pilar é capturada por um grupo de bandoleiros e então inicia uma jornada de retorno aonde deixou Sara. Uma jornada que pode se mostrar mais difícil do que ela imagina.


Esse é um roteiro bem simples e fácil de entender, constituindo uma corrida contra o tempo onde a protagonista precisa superar uma série de obstáculos que são colocados em sua direção. Zago decide não se dedicar muito a revelar como se deu a invasão ou até maiores detalhes sobre as criaturas. Só que elas são mortais e os humanos devem correr delas. O que considerei uma decisão acertada porque dirige o foco nos personagens que ele coloca na trama. A história é sobre uma mãe e uma menina, apesar de que Pilar assume o protagonismo total depois de alguns capítulos. A história procura ser rápida para combinar com a dinâmica do desespero de Pilar na busca de Sara. Então o arco temporal da história é bem curto e muita coisa acontece nesse meio tempo tendo como objetivo revelar suas motivações e anseios. Em alguns momentos, faltam informações sobre aqueles que rodeiam Pilar e esse é um ponto mais vulnerável da trama. Personagens como Ramiro, Abbas e Leila poderiam trazer uma profundidade maior, mas eles realmente acabaram em segundo plano. Tem outros pontos menos aproveitados na história, mas, é aquilo, como se trata de um primeiro roteiro achei bem executado e com uma história facilmente compreensível para o leitor. O que Zago não diz sobre o mundo acaba não fazendo diferença para a história em si e serve como um gostinho para outras histórias.


A arte do Guilherme Petreca está bem apavorante nesta HQ. Para quem se acostumou com Shamisen, outra obra cuja arte ele foi responsável, vocês vão ver outra faceta de sua arte. Algo mais claustrofóbico e trabalhado no uso de sombras, o emprego da arte cinética nas movimentações dos personagens e o design de personagens mais assimétrico. Confesso que não me agradou tanto, apesar de eu sentir o Petreca empregando bem mais recursos do que ele usou em Shamisen. E nem é por causa da diferença entre cores e o PB até porque as cores podem esconder muita coisa. Na minha cabeça era como se algo estava estranho quando virava as páginas. Faltava alguma coisa. Ou quando você pensa: "isso não devia ser assim". Essa foi a minha sensação, que não consegui encontrar as palavras para explicar. Contudo, dá para perceber que Petreca se inspirou bastante nas temáticas lovecraftianas para criar os monstros. Tem um Cthulhu ali no meio da confusão. Outro momento que me agradou bastante foi a perseguição. Gosto de como o artista tem uma bela noção de timing e posicionamento, e o leitor consegue imaginar toda a sequência na sua cabeça. Tem algumas splash pages sensacionais, principalmente nos começos de capítulo. Essas páginas duplas costumam tem uma arte vazada, o que dá uma sensação de amplitude bem legal. Como se estivéssemos observando um horizonte se abrindo para a gente... horizonte esse que nem sempre é muito convidativo (Cthulhu que o diga).


Várias histórias se conectam nessa história emocionante. Começando pela Pilar que tem seus próprios dilemas a serem resolvidos. A perda de sua filha a transformou em uma mulher triste e solitária. E nesse mundo caótico, ser uma pessoa sem rumo pode ser uma jornada sem volta. Quando ela encontra Sara, seu mundo parece ganhar mais cor. Sara consegue dar a ela uma motivação para continuar seguindo, mas olhar para trás é sempre uma necessidade para ela. A verdade é que Pilar nunca seguiu em frente. Depois de conseguir dirigir seu coração a Sara, alguém que agora precisa dela, Pilar precisa deixar algumas coisas para trás. Não é que ela deva esquecer sua filha, mas não torná-la algo que a faça tomar decisões insensatas. "Dar vida", dar uma existência a alguém que se foi. Ela esconde algo em seu celular que parece que turva todas as suas decisões. Aliás, é por esta necessidade, por essa quase obsessão que ela acaba se colocando em problemas. Porém, a personagem é mais do que isso e ela revela possuir uma força interior muito grande, que a faz perceber o que errou e decidir que precisa encontrar aquela que ela deixou para trás. Pilar não deseja de forma alguma repetir o que aconteceu no passado.


O personagem do Abbas é o nosso modelo para este mundo. No que os humanos se transformaram depois que tudo foi para o espaço. Seguir atrás de comida, roubar daqueles que puderem, matar se for preciso. É uma espécie de lei da selva neste mundo vil e estranho. O primeiro encontro de Pilar e Abbas é ela indo atrás do urso grande que serve de mochila a ela. Um urso que entra no enredo dela mantendo coisas que a façam se lembrar de sua filha. Em vários momentos da narrativa, Abbas vai se revelar um personagem que funciona como um sobrevivente. Ele vai fazer o possível por si mesmo, não importando as consequências para aqueles ao seu redor. Porém, a coragem de Pilar e o jeito conciliador de Ramiro vão conquistando seu coração. Agora é preciso saber se isso será o suficiente para manter Abbas na linha quando ele for colocado diante de uma situação de vida ou morte. Porque no final a pessoa mais importante do mundo para Abbas é ele mesmo.


Também preciso destacar a relação bem legal entre Leila e Ramiro. Sem apelação, sem bobagem. São duas pessoas que se amam e se apoiam mesmo no pior dos mundos. Gosto de pensar que mesmo em um inferno como esse, ainda existem pessoas capazes de manter um coração e um caráter puro e cristalino. A forma como os dois são unidos e até se referem um ao outro é bacana. Mesmo as brincadeiras e provocações fazem parte da vida do casal. Ramiro quer fazer o papel do cavaleiro que se sacrifica por sua amada, mas Leila pouco se importa com esse orgulho masculino bobo. Ela quer apenas que o seu amado volte para casa no fim do dia e esteja com ela.


Nesse mundo esquisito onde cultistas desejam sacrificar pessoas em nome de algum deus esquisito que possa poupá-los de serem mortos, o amor entre duas pessoas é que é transformador e bonito. Talvez esta mensagem de esperança e de carinho esteja na própria essência da história e é o que me fez ficar preso a ela até o final. Ogiva é uma boa HQ e consegue entregar seu roteiro de uma maneira bastante responsável. Tem lá seus defeitos aqui e ali, mas o importante no fim das contas é saber se eu me diverti ou não. E isso Ogiva conseguiu. A arte de Petreca está bem diferente aqui, não me encantou tanto como em Shamisen, mas ele me mostrou mais ferramentas de seu arsenal. O que me convidou a observar o que mais ele pode fazer no futuro.











Ficha Técnica:


Nome: Ogiva

Autor: Bruno Zago

Artista: Guilherme Petreca

Editora: Pipoca e Nanquim

Número de Páginas: 220

Ano de Publicação: 2020


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. 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