top of page
Buscar

Atualizado: 25 de jun. de 2023

Um dos grandes mestres dos quadrinhos faz a adaptação de um dos grandes clássicos da literatura mundial em uma obra de vanguarda que explora a nona arte de uma forma única.


ree

Sinopse:


O trágico e clássico romance de William Shakespeare entre Romeu Montecchio e Julieta Capuleto permanece como um dos maiores textos dedicados ao amor. Romeu e Julieta só ficaram juntos por uma noite. Uma noite sob a lua de Verona, em que os dois amantes se olham, se tocam, se abraçam, se beijam, riem ou brincam com sua audácia, se amam e despertam sua paixão secreta. São esses momentos frágeis e fugazes de amor que nasce que Lorenzo Mattotti escolheu nos oferecer com a ponta de seu lápis. Um magnífico presente de amor, puro e simples.






O que acontece se você retirar tudo aquilo que é supérfluo em uma cena de quadrinhos? Tire os balões de fala. A arte-final. As cores. Os retoques. Deixe apenas o essencial: o desenho feito a lápis. Cada traço criando um rosto, uma silhueta. Montando um cenário ao fundo usando traços grosseiros e crus. Uma mescla do grafite com o papel em branco, criando uma cena. Isso é o que Mattotti se desafiou a fazer neste quadrinho. Uma ideia que pode parecer estranha para a maior parte dos leitores de quadrinhos, mas que na visão de um artista representa a própria epistemologia da arte. O resultado vai te causar estranhamento em um primeiro momento, mas depois de quatro ou cinco páginas, a ideia vai parecendo estranhamente genial. Não é um quadrinho para entrar na galeria dos melhores do ano, e sim algo para te fazer refletir sobre o que é arte e como desenvolvê-la em sua mais pura expressão. É um quadrinho que me fez apurar o meu olhar e reeducá-lo para entender as engrenagens que fizeram Matotti pensar dessa maneira. E faz sentido, em uma últimna análise.


"Percebi que para conseguir dar a ideia de movimento em uma imagem estática, era necessário conseguir retirar o que é supérfluo para manter apenas a extrema tensão da linha e da forma."

Mattotti partiu de uma proposta simples: representar o sentimento de amor imortal entre os dois famosos amantes em todas as pranchas. Absolutamente todas, com exceção do primeiro quadro (o abrir das cortinas da peça de teatro) e o último (o fechar das cortinas, encerrando o espetáculo) contém os protagonistas. Ele consegue representar o amor entre os dois em diferentes abordagens apenas repetindo-os pelo cenário, sem balões de fala, contando apenas com a nossa compreensão do que está acontecendo ali. Começa com um amor inocente entre dois jovens: Romeu, que sobe em uma árvore e expressa seu amor puro por uma doce Julieta. É a primavera da juventude onde tudo é possível, o cupido flechando dois corações apaixonados. Depois passa para um amor secreto, com duas famílias que se odeiam e eles precisando se esconder a todo custo: Romeu atrás de uma moita, os dois em um beco escuro. A seguir temos o amor sexual, com os toques e as carícias levando às primeiras experiências. E por fim, o amor desesperado, com a possibilidade do fim se aproximando a qualquer momento e o sexo se tornando sôfrego e ansioso. O artista consegue representar tudo isso sem falar nada, sem apresentar qualquer outro cenário além daquele onde os dois se encontram. Não há nenhum outro personagem aqui.


ree

Algo que fica muito claro desde o começo da HQ é a noção de sequencialidade. É incrível como mesmo desenhando pranchas diferentes, Mattotti nos passa uma estranha impressão, ao passar os quadros, de que as figuras estão em movimento. Como naqueles desenhos repetidos que nós viramos a página para ver os personagens realizando ações como se estivessem animados. Não só existe uma sequencialidade como também uma temporalidade. As expressões dos personagens mudam, denotando que houve uma passagem de tempo entre os acontecimentos. Frequentemente nos referimos a Will Eisner ao entender os quadrinhos como uma arte sequencial. Nesta HQ o conceito é levado ao seu extremo quando o artista retira tudo aquilo que ele considerava sem importância para a mensagem que ele queria passar. Outro ponto que vale destacar é como os personagens são expressivos, seja em seu olhar, ou na forma como eles tocam um ao outro. Tem um dos quadros em que Romeu põe as mãos no rosto de Julieta que a cena é de uma calidez que toca o coração. Mesmo quando passamos para as cenas mais quentes do quadrinho, a forma como um se dirige ao outro comanda a cena. Tem um dos quadros em que Romeu está deitado de lado e Julieta está do outro lado da cama, seminua, em que eles trocam um olhar que pode resumir desejo e amor ao mesmo tempo. Assim como a cena final também transparece sentimentos que se chocam.


Esse é um daqueles quadrinhos que não é voltado para todos. É experimental, repleto de nuances e conceitos que vão fazer aquele que acompanha a cena de quadrinhos a partir de um lado mais artístico refletir sobre o que é realmente essencial para a construção dos quadros, o que oferece sequencialidade às cenas, como organizar um roteiro cronologicamente, como dar sentido a uma cena sem qualquer diálogo. Mattotti é um gênio que merece sua atenção. Talvez não por esse quadrinho, mas assim, eu acredito que toda e qualquer experiência é válida. Para mim, esta bela adaptação consegue trazer a carga dramática, a emoção e a pura essência do fazer quadrinhos. Fez com que eu pegasse e revesse alguns dos meus manuais de teoria de quadrinhos e desse uma lida. E só isso já valeu.


ree

Ficha Técnica:


Nome: Romeu e Julieta

Autor: Lorenzo Mattotti

Baseado na obra Romeu e Julieta, de William Shakespeare

Editora: Conrad

Gênero: Ficção

Número de Páginas: 64

Ano de Publicação: 2022


Avaliação:

ree




Link de compra:




ree

 
 

A Plutão Livros, uma editora que se foca na publicação principalmente de ebooks de ficção científica de autores nacionais, fez cinco anos. E, em uma postagem de indicações, queria deixar cinco livros que podem agradar a públicos de vários tipos.


ree

Essa imagem da super talentosa Paula Cruz resume bem o que é a Plutão Livros: uma editora que aposta na inovação, na aventura rumo ao desconhecido. Se você não conhece a editora, queria te apresentar a ela: a Plutão Livros nasceu com a proposta de publicar livros digitais de ficção científica de autores nacionais (embora tenha uma coletânea recente que conta com autores internacionais... a editora está ficando chique!). Há alguns anos atrás, apostar inteiramente no digital era uma ideia insana. Estávamos em 2018 e os ebooks estavam em baixa com uma espécie de ressurgimento dos livros físicos em formatos luxuosos ou em propostas diferentes. André Caniato, editor e figura da Plutão Livros surge com essa ideia assim como a Anna Martino e a Clara Madrigano na Dame Blanche. Ao apostar nos livros digitais seria possível reduzir os custos de produção gráfica e dar oportunidade a novos autores ou a autores nacionais com ideias que fugissem do que o mercado queria como padrão. Desde então a editora produziu mais de uma dúzia de ebooks e alguns indicados a premiações ou efetivamente premiados como foi Olhos de Pixel, do Lucas Mota.


Só tenho a elogiar a coragem do André Caniato por ter apostado em um formato tão diferente em um mercado tão tradicional e meio retrógrado como o nosso. Aliás, fica aquela máxima de que apostar pode te gerar bons frutos, já que tanto a Plutão como a Dame Blanche ajudaram a apresentar ou dar mais projeção a nomes como a G.G. Diniz, a H. Pueyo, o próprio Lucas Mota. Ou resgatar nomes como o de Jeronymo Monteiro ou o de Finisia Fideli. Esse ano a editora anunciou uma seleção de originais e começou uma nova fase em comemoração ao marco de cinco anos. Tive a honra de conseguir ler quase todos os livros da editora e posso atestar a qualidade editorial, o preparo do texto, as obras diferentes. Para quem gosta de ficção científica no seu sentido mais puro e inovador, deixo aqui cinco obras que eu recomendo. Não tenho nenhuma que eu considere a melhor, a indispensável; considero todos bem acima da média. Então procurei indicar de vários tipos diferentes. Sem ordem de preferência. Se vocês quiserem saber mais sobre a obra além dos comentários que fiz, vou deixar um link para as resenhas que fiz de cada um deles.


1 - "Diário Simulado" de Delson Neto


ree

Ficha Técnica:


Nome: Diário Simulado

Autor: Delson Neto

Editora: Plutão Livros

Número de Páginas: 231

Ano de Publicação:2019



Link de compra:









Sinopse: O limiar entre o real e o virtual pode ser tão perigoso quanto a travessia da juventude para a vida adulta. Os caminhos são diferentes, mas as escolhas que apresentam são mais parecidas do que alguém pode pensar.


Shura sabe que não tem a vida perfeita. Ela não precisa que lhe digam que sua família é disfuncional ou que ela não tem perspectiva de futuro. O que ela precisa é de um plano — e isso, felizmente, ela tem. As luzes da cidade não a impedem de imaginar um futuro, mas a cegam o suficiente para que ela deseje nunca ter olhado para trás.


Comentários: Delson Neto é um autor que me impressionou com a proposta de Diário Simulado. Ele nos trouxe um cenário cyberpunk com um governo que fica em cima das pessoas, buscando controlar suas vidas. Costumo pensar nesse romance mais para o lado do cyberpunk do que para uma distopia. Mas, o que é legal é como ele pega um cenário futurista e ressignifica o ciclo arturiano. Sim, você vai ver algumas piscadelas como a cidade de Cornewall, a existência de Camelot, um locao utópico para onde as pessoas desejam ir. A trama é repleta de voltas e reviravoltas, com muitas teorias da conspiração e momentos em que você não vai saber se estamos falando da realidade ou de algo simulado. E, no fundo, se trata de uma linda história de amor entre Shura Lee (a protagonista) e Violet. Shura é uma personagem fascinante, que se parece bastante com os personagens decadentes como Deckard Cain em Blade Runner; de forma alguma posso chamar Shura de heroína. Ela é uma pessoa comum tentando viver em um contexto opressor, mas que possui suas brechas que podem ser aproveitadas para se alcançar seus próprios objetivos.


2 - "O Último Homem" de Mary Shelley


ree

Ficha Técnica:


Nome: O Último Homem

Autora: Mary Shelley

Editora: Plutão Livros

Tradutora: Jana Bianchi

Número de Páginas: 582

Ano de Publicação: 2020


Link de compra:








Sinopse: O fim nunca esteve tão próximo. O último homem, escrito por Mary Shelley pouco tempo depois da morte do esposo, é um misto de pessimismo, autobiografia e reação a Percy Shelley, cujos ideais românticos não são capazes de salvar os protagonistas do derradeiro fim. Quase duzentos anos após a publicação original, o livro que chocou os críticos do século XIX está mais atual do que nunca — de outras formas, mas ecoando o mesmo som.


É aqui que a célebre autora de Frankenstein registra uma história de guerras, de amores trágicos e, como não poderia deixar de ser, da extinção da raça humana. Em um futuro não mais distante, Lionel Verney vê cada um de seus amigos cair vítima de uma doença que, entre fanáticos e negacionistas, deixa cada vez mais clara a inexorável força da natureza. Ficção apocalíptica ou profecia acertada?


Comentários: A Plutão Livros também trabalhou com alguns resgates de autores internacionais como essa obra da Mary Shelley. Trata-se de uma ficção científica onde uma epidemia se abateu sobre a humanidade dizimando boa parte da população mundial. A gente acompanha Lionel Varney, um nobre, parte de uma aristocracia londrina que se vê no meio desse furacão. A narrativa o vê perdendo um a um os seus familiares, amigos e pessoas a quem ele amava. A dor da perda e da desesperança que se abate sobre ele permeia as páginas e por melhor que sejam os seus esforços, nada parece surtir efeito. No geral, o livro não me agradou muito. Achei a escrita sem o mesmo brilhantismo de Frankenstein e várias situações são bem forçadas. Mary Shelley queria escrever sobre o que aconteceria se um nobre se tornasse o último homem na face da Terra, mas Lionel é um personagem típico do período em que foi escrito. Então algumas de suas ações vão parecer estranhas para um leitor mais contemporâneo. Vale a pena para conhecer um outro trabalho da Mary Shelley e ver como ela progrediu em sua habilidade como escritora, já que O Último Homem foi escrito anos depois de Frankenstein. Fica também um duplo destaque: para a ótima tradução da Jana Bianchi que consegue manter a essência da forma de escrita da autora e para o paratexto do Fábio Fernandes que nos coloca dentro do clima para apreciar a história, além de nos contar um pouco sobre como Shelley produziu a obra e como esta foi recebida.


3 - "O Ovo do Tempo" de Finisia Fideli


ree

Ficha Técnica:


Nome: O Ovo do Tempo

Autora: Finisia Fideli

Editora: Plutão

Número de Páginas: 61

Ano de Publicação: 2019



Link de compra:








Sinopse: O poder dos cristais.


Quando descobre uma pedra estranha na loja de cristais místicos, Mariana não faz ideia de que está prestes a sair em uma viagem para além de tudo o que já sonhou. Noveleta publicada pela primeira vez em 1994 e trazida de volta pela coleção ZIGUEZAGUE, O ovo do tempo cruza as eras e carrega você pelas fronteiras da imaginação.


Comentários: Nem só de resgate internacional viveu a Plutão Livros. A editora nos trouxe pérolas como O Ovo do Tempo, da autora brasileira Finisia Fideli, e que traz para os leitores uma ótima ficção especulativa que brinca com nossa tendência a buscar o esoterismo quando estamos perdidos em nossas vidas. Tudo gira em torno de duas amigas, Lúcia e Mariana, que entram em uma loja de produtos esotéricos e Lúcia fica fascinada com as pedras e suas propriedades místicas. Ela acaba por comprar uma específica que desperta sua atenção para o desespero de sua amiga que acha essa febre por cristais e outros produtos desse nicho uma completa bobagem. Quando Lúcia se dá conta, a pedra possui poderes além da imaginação e a personagem precisa devolver a pedra a todo custo. O que mais me agrada nessa obra é em como a autora usa uma trama scifi para falar de pessoas. De nossas escolhas e das decisões que precisamos tomar. O leitor vai se importar com a personagem e viver aquela estranha aventura junto com a personagem. É uma narrativa que possui uma mensagem que vai tocar a cada um de nós. Esteve entre as melhores leituras que fiz em 2019. Aliás, continuo com o pensamento de que mais pessoas deveriam ler essa obra. Ela é surpreendente.


4 - "Crônicas da Unifenda" organizado por AJ Oliveira, Jana Bianchi e André Caniato


ree

Ficha Técnica:


Nome: As Crônicas da UniFenda

Organizado por André Caniato, Jana Bianchi e AJ Oliveira

Editora: Plutão Livros

Número de Páginas: não informado

Ano de Publicação: 2020


Link de compra:








Sinopse: Vida de universitário não é fácil.

E vida de universitário superpoderoso? Acredite se quiser, mas também pode ser bem complicada.


A Fenda celeste da Ilha de Marajó mudou a realidade de todo o país, e a Unifenda foi criada às pressas para cumprir os deveres de toda universidade pública: ensinar, pesquisar e fazer o possível com o que tem à disposição. Os dons sobrenaturais que os alunos receberam do céu não tiram deles a necessidade de viver um dia de cada vez em histórias com emoção e brasilidade de sobra.


Além de Eric Novello, Roberta Spindler e Mary C. Müller, As crônicas da Unifenda conta com onze autores novos e conhecidos da literatura fantástica brasileira unidos sob o único propósito de mostrar a verdadeira balbúrdia.


Comentários: Quer conhecer vários autores nacionais ao mesmo tempo? Leiam revistas ou coletâneas. Não há nada mais eficiente do que isso. Em uma única edição você vai encontrar mais de uma dúzia de autores incluindo os citados na sinopse, mais a Jana Bianchi, o Pedro Poeira, a Isa Prospero, o Auryo Jotha. Muita gente para conhecer aqui e depois, se curtir, acompanhar os trabalhos. A proposta nasceu de um workshop feito por esses autores que criaram um universo conjunto onde uma universidade é responsável por cuidar de seres poderosos cujos poderes vieram de fendas dimensionais. Para quem curte multiverso e histórias de super-heróis essa é uma boa pedida com histórias variando de dramas adolescentes, a escolhas de vida e até a corrigir acontecimentos trágicos. Entre as minhas histórias favoritas estão a tensa história curta escrita pela Isa Prospero que nos coloca frente a frente com Laura, uma garota que desperta em um quarto seminua e precisa entender o que aconteceu na noite anterior. O que a história da Isa tem de tensa, a do Pedro Poeira tem de leve e divertida. Quem nunca pensou em viajar no tempo para lidar com os trabalhos da faculdade? Pois é, Teo é capaz de fazer viagens curtas no tempo e procura fazer isso para tentar entregar o seu trabalho a tempo. Só que toda vez que ele faz isso as coisas tem a tendência de darem sempre errado. Essas e outras histórias vocês podem encontrar nessa coletânea.


5 - "Olhos de Pixel" de Lucas Mota


ree

Ficha Técnica:


Nome: Olhos de Pixel

Autor: Lucas Mota

Editora: Plutão Livros

Número de Páginas: 240

Ano de Publicação: 2021



Link de compra:









Sinopse: Tudo que Nina Santteles — mercenária, queer, habitante do submundo — quer é resgatar o amor do filho adolescente e conseguir passagens só de ida para a colônia espacial Chang'e. Quando é detida pela polícia, recebe a oportunidade de capturar o hacker alvo da maior corporação-igreja do país em troca das tão desejadas vagas no paraíso.


O problema é que o hacker oferece o mesmo negócio, mas com um adendo: ela não precisará ir contra seus ideais se ajudar a enfrentar a igreja que quer banir a existência de pessoas como ela. Nina vai atravessar explosões e realizar feitos super-humanos para decidir se o preço de se redimir com o filho e dar a ele uma vida melhor vale tanto quanto provar para o mundo que sua existência não é um crime.


Ambientado em uma Curitiba futurística e cyberpunk, Olhos de pixel leva o leitor em uma jornada sobre como podemos reafirmar nosso lugar no mundo e enfrentar nossos próprios preconceitos.


Comentários: Não posso deixar de mencionar o maior sucesso da Plutão Livros, o Olhos de Pixel, do Lucas Mota. Foi vencedor do Jabuti em 2022, e indicado a várias premiações importantes como o Argos, o LeBlanc e o Prêmio Odisseia. O autor conseguiu escrever uma história em um futuro próximo, mas com um pé no presente, e situando a história em um cenário autenticamente brasileiro. Nina Santelles é uma personagem bem trabalhada e a história é repleta de ótimos momentos de ação. Nina é uma espécie de Robin Hood do futuro, em que ele comete roubos para tentar sobreviver em uma sociedade controladora de mentes e corpos. É curioso como uma trama pode ficar ainda mais atual mesmo tendo sido escrita há algum tempo atrás. Hoje falamos mais ainda sobre a necessidade de termos um controle e um cuidado maior com o que é divulgado nas mídias sociais e como grandes empresas desejam ter o controle sobre o que é apresentado ao usuário. Uma Igreja também que deseja controlar os corações das pessoas e impõe uma necessidade de ordem com base em premissas falsas. Olhos de Pixel é uma história de ação também. Você não vai parar nem um segundo em um ritmo que é mantido lá em cima pelo autor o tempo inteiro.





E essas foram as minhas dicas. Mas, não deixem de conhecer o catálogo da editora que é recheado de coisas legais. Nem em sonhos eu conseguiria afunilar o que eu gosto da Plutão Livros em cinco obras específicas. Por exemplo, O Fantasma da Máquina da Gabriela S. Nascimento não está aqui, além da H. Pueyo, uma autora que gosto muito. Ou seja, isso aqui é só um aperitivo sobre o que você vai poder encontrar. E fiquem ligados nas redes sociais da editora que ela tem colocado alguns de seus ebooks gratuitos por um tempo como uma forma de comemorar o aniversário dela.



ree


 
 

Uma tragédia ocorrida entre um grupo de amigos na Barra do Sahy os separou para sempre. Antes companheiros, cada um deles foi viver sua vida enquanto outro teve a sua tirada. Anos mais tarde, Caroline tenta lidar com seus medos enquanto busca respostas para mistérios que foram deixados para trás.


ree

Sinopse:


Todo ano, Caroline, Mariana e Hélio costumavam deixar a capital paulista para encontrar Paulo, um jovem habituado à simples vida caiçara. No entanto, a amizade construída nas areias do litoral sofreu abalos sísmicos no Réveillon de 1999, quando algo tão inquietante quanto o bug do milênio abriu caminho para uma misteriosa ilha que despontava no horizonte, e explorá-la talvez não tenha sido a melhor decisão.


Sobreviver à Ilha das Cobras tem um preço. O arquipélago é um ambiente hostil, tomado por víboras, e esconde segredos tão perturbadores quanto seus habitantes. Mais do que um equívoco darwiniano ou uma lenda popular, a ilha praticamente destruiu a vida deles. Entre memórias e fatos fragmentados, o que aconteceu naquela fatídica noite se tornou um mistério. Mas de algumas coisas eles se lembram perfeitamente: uma enorme e ameaçadora serpente, além de uma pessoa sendo entregue ao ninho da víbora, um sacrifício sem chance de recusa.


Anos depois, Caroline é confrontada com um de seus piores pesadelos: a pessoa que eles abandonaram está viva. Um fantasma do passado que surge para fazer suas certezas caírem por terra. Então, ela decide reunir os amigos para entender o que aconteceu. E talvez o encontro seja parte de algo maior... e maligno. Em Serpentário, Felipe Castilho mostra todo o seu talento ao mesclar referências do folclore e da mitologia a elementos da cultura pop, da ficção científica e do horror.





Admiro autores que arriscam, que buscam se reinventar a todo o momento. Escrever é uma eterna tarefa de buscar novas maneiras de impressionar o leitor. E o Felipe Castilho certamente não é avesso a tentar coisas novas. Já li um livro de alta fantasia, uma HQ com temática steampunk e outra que fazia menções a Lovecraft. E agora estamos diante de um terror psicológico que tem muito de drama. Se o autor vai acertar ou errar isso é um outro assunto que somente aqueles que pegarem o livro irão saber. Se arriscar, buscar o diferente é algo que ajuda muito um autor a evoluir em todos os aspectos. Normalmente um autor escreve narrativas curtas para testar alternativas de escrita; o Felipe tentou isso através de uma narrativa longa. Só isso já é louvável. O fato de eu ter gostado demais é um plus.


Caroline, Mariana, Hélio e Paulo são amigos de infância. Uma amizade surgida nas férias e feriados prolongados em que as famílias de Caroline, Mariana e Hélio passam em suas casas em Barra do Sahy. Aquela amizade forjada no verão de praia onde sonhos e esperanças brilham como o sol. Mas, existem diferenças entre eles. Paulo é um menino pobre que mora junto com a mãe que trabalha em uma mansão como empregada de um casal rico. Hélio é um garoto privilegiado que acredita ser bom em tudo o que faz. Seus troféus estão lá para comprovar isso. Mariana vem de uma família que acredita na liberdade para dentro da cabeça. E ela é uma amante do rock... e de uma outra pessoa dentro do grupinho. Já Caroline se encontra em uma família esfacelada que vive de aparências. Um pai machista e violento e uma mãe submissa. Em uma véspera de Ano Novo uma tragédia se abate no grupo. O cãozinho Manson se perde e os amigos saem em busca do paradeiro do pequeno animalzinho. A busca irá levá-los a uma situação mortal que os mudará para sempre. Anos mais tarde, Caroline está insatisfeita com sua vida. Suas escolhas a fizeram uma pessoa traumatizada, que possui uma fobia mortal de cobras (ou qualquer coisa que lembre cobras). Em mais uma véspera de Ano Novo ela quer enfrentar seus demônios e finalmente se livrar de seu trauma. Para isso ela vai reunir seus amigos para que juntos possam juntar as peças do que aconteceu no passado.


" [...] algum dia ela havia se importado com aquele menino pobre vivendo à margem daquelas vidas rica ou ele era apenas uma mascote?"

A escrita do Felipe está bem precisa em Serpentário. Até porque ele precisou se arriscar com algumas ferramentas narrativas. Temos uma narrativa que se passa em duas temporalidades: no passado e no presente. A cada capítulo o autor alterna entre os dois momentos para nos apresentar o que acontece com os personagens. Os acontecimentos do passado servem para criar as fundações para a exploração de Caroline no presente. Mais para a metade do livro as duas temporalidades convergem para nos dar pistas sobre o que aconteceu. Somente com o leitor mantendo a atenção focada no livro é que ele vai perceber as nuances e detalhes. A narrativa é contada em terceira pessoa, mas a personagem que é usada como guião da história é Caroline (embora tenha trechos com cada um dos demais personagens). Por ser um terror psicológico, o autor vai explorar bastante os detalhes da vida de Caroline, Hélio, Paulo e Mariana. Nesse sentido temos diversos momentos em que a escrita assume um tom descritivo, mas em nenhum momento a obra se torna chata ou enfadonha. Muito pelo contrário: os dilemas vividos por cada um são uma história à parte e que enche o livro com camadas de complexidade muito interessantes.


Preciso destacar também os textos que vem antes dos capítulos. Não pulem esses textos porque eles complementam e muito a mitologia criada pelo autor. Ajudam a compor como o elemento sobrenatural se posiciona na história e algumas coisas vão ser empregadas no enredo mais na segunda segunda metade da narrativa. O autor emprega bastante o horror cósmico de Cthulhu. A influência está presente na maneira como o sobrenatural afeta o real. Construir uma rica mitologia ajuda na compreensão de que existe uma iminência sobre o que acontece aos personagens. Quando as apostas ficam elevadas e os personagens são colocadas diante de seus medos primitivos, tudo o que foi construído antes começa a fazer sentido. Um subproduto disso é que esse backstory permite ao autor retornar ao universo que ele construiu com outras narrativas. Nem precisa ser com os mesmos personagens, mas dentro daquela mitologia.


ree

A riqueza real desse livro está nos personagens e nas discussões pertinentes. Desde A Ordem Vermelha que o autor sempre usa suas narrativas para tocar em problemas contemporâneos. A começar pela diferença social entre Paulo e seus colegas. A mãe de Paulo não tem uma moradia, vivendo na mansão onde trabalha. Isso nos deixa diante de uma situação bem peculiar que não é de todo incomum. Entender que os dois não tem exatamente liberdade de ir e vir é uma constatação de uma atividade bem próxima a um trabalho escravo. Vemos depois que acredita-se que o menino vai suceder a mãe em suas tarefas domésticas. É exploração de menor. Para os demais amigos, Paulo é aquele menino caiçara com quem eles se divertem, saem e curtem os dias de verão. Em sua ingenuidade, o jovem menino acredita que eles são amigos, mas pouco a pouco a diferença social entre eles fica mais e mais gritante. E a pergunta que fica é: até onde eles são amigos? O quanto Hélio, Mariana e Caroline realmente conhecem ou se importam com ele?


"Podemos até sobreviver, mas apenas ver a antiga criatura vai acabar com a gente. Jamais vamos nos esquecer da visão infernal. Aos poucos, ela vai consumir nossa sanidade, um parasita se alimentando de lembranças traumáticas para prolongar a própria existência através dos tempos, Um ser procurando por sua antiga grandeza, de uma época onde não existia isolado dos seus semelhantes."

Já Caroline sendo a protagonista direta da história se revela uma pessoa repleta de pequenos nuances. Ela pertence a uma família que parece ser liberal, mas as rachaduras internas estão presentes em pequenos detalhes. Embora a mãe seja uma companheira para ela, Caroline detesta o pai. Representa tudo aquilo que ela entende como errado dentro de uma sociedade machista. Reparem também o quanto a personagem não tem sequer uma relação adequada com o irmão. Ele nem nomeado é na narrativa, mas sabemos que ele existe. Mais um detalhe na escrita do Felipe que passa despercebido para muita gente. O fato de sua existência ser indiferente à protagonista revela bastante sobre a dinâmica familiar. Quando Manson desaparece, o pai sequer se importa com o que aconteceu ao pequeno animal de estimação. Só o que interessa é o fato de Caroline tê-lo enfrentado e desafiado. Na mente dele, isso é inadmissível. Seu pai representa o que há de mais comum em famílias de classe média com um pai machistóide e bêbado e uma mãe que se submete às vontades dele.


Por outro lado Hélio é o membro da família perfeita. O atleta dourado que é muito bom em tudo o que faz. Ele precisa ser bom porque isso representa a manutenção do status da família. Estes investem pesado em sua educação e o tratam como um bibelô. Ao não ter o seu ego podado, ele se transforma em um pequeno príncipe que enxerga competição em tudo o que faz. E ainda pior: consegue tudo o que deseja. Ele precisa o tempo todo demonstrar a sua dominância e/ou liderança do grupo quando este não pede um líder. Hélio acaba sempre se chocando com Mariana por conta de sua completa falta de tato nas situações. Esse é o tipo de personagem que vai gerar alguém próximo ao pai de Caroline: bêbado, subjugador, violento. Ao mesmo tempo o personagem é covarde e na hora de tomar alguma decisão mais séria, ele acaba dando para trás e questionando suas capacidades. É o protótipo do machão inseguro.


ree

Mariana só vai receber um plot mais para a frente. Apesar de ela ter a questão de seu amor por Caroline. Algo não correspondido e que ela não consegue se abrir completamente para a amiga. Essa indecisão vai levar a uma série de consequências acidentais que culminam em seu futuro. E aí já começando a falar sobre alguns dos temas trabalhados no segundo momento temporal da trama, Felipe faz uma baita de uma crítica aos fundamentalistas evangélicos. O intuito não é ofender nenhuma matriz religiosa, mas a forma como ele monta o estereótipo da família que é integrante de uma célula é extremamente verossímil. Toda a hipocrisia e a falsa virtuosidade estão presentes seja na própria Mariana como em seu marido Rodrigo. Achei que faltou trabalhar um pouco melhor a dinâmica entre eles porque fica no ar a percepção de que Mariana é uma mulher infeliz. A gente não sabe exatamente como ela acabou se casando com Rodrigo e se este sabia ou não da existência de Caroline. Tanto a trama de Mariana como de Hélio ficaram um pouco aquém do que eu esperava, embora eu tenha gostado muito do desenvolvimento, de como eles acabaram não tendo um bom desfecho.


"A vida brota onde a mente cria raízes, e a morte vem logo em seguida, onde achamos que dominamos o plantio da imaginação."

No fundo a trama é sobre segundas chances. E como estas segundas chances devem ser aproveitadas para que possamos rever nossos conceitos sobre o que fizemos até um determinado momento. A vida é repleta de altos e baixos. Um acontecimento trágico não pode servir como definidor de toda a existência de um indivíduo. Ao revisitar este momento, a ideia de Caroline é encontrar forças para seguir em frente. Por mais que todos tenham mudado e tocado suas vidas. Mas, estas segundas chances se estendem a todos os demais personagens. Seja Hélio que segue a sua vida de uma maneira lamentável e acaba de certa forma pagando pelo que fez na Ilha das Cobras ou Mariana que se arrepende de escolhas não tomadas. Não se confundam, gente: não se trata de personagens virtuosos. Todos eles tem questões. Algumas delas ultrapassam o escopo de simplesmente lidar com um problema de anos atrás. Algo que mesmo após esta história não irá necessariamente gerar um final feliz. Humanos são humanos e falhos, acima de tudo.


Curti bastante a história e acho que o Castilho evoluiu muito como autor de A Ordem Vermelha para cá. Ele sabe entregar personagens que possuem problemas bem reais. A narrativa tem uma estética sobrenatural que vai beber do horror cósmico de Lovecraft, mas não é necessariamente isso o mote da história. Mais uma vez somos apresentados a uma maneira de usar o terror e o fantástico para falar de temas como alcoolismo, fundamentalismo, egoísmo, narcisismo e muitos outros ismos que vemos por aí. Não se apeguem somente ao lado sobrenatural do livro porque vocês perderão muito daquilo que realmente envolve a narrativa do autor. Me ressenti de um pouco mais de trabalho de pano de fundo nos outros personagens entre o final da cena no passado e a que se passa no presente.


ree







ree

Ficha Técnica:


Nome: Serpentário

Autor: Felipe Castilho

Editora: Intrínseca

Número de Páginas: 368

Ano de Publicação: 2019


Link de compra:














ree

 
 
ficções humanas rodapé.gif

Todos os direitos reservados.

Todo conteúdo de não autoria será

devidamente creditado.

  • Facebook - Círculo Branco
  • Twitter - Círculo Branco
  • YouTube - Círculo Branco
  • Instagram - White Circle

O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

bottom of page
Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification Área de anexos ficcoescodigo.txt Exibindo ficcoescodigo.txt.