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Em um mundo onde ser notada é essencial para continuar existindo, Manel Naher, uma garota que nunca se importou com isso, vai precisar encontrar formas de aumentar sua presença nessa sociedade insana. Afinal, saber um nome é existir. Mas, o que será que existe no Grande Vazio?


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Sinopse:


Quem é essa outra Manel Naher que está na capa dos jornais? Ela está ofuscando Manel Naher, a verdadeira Manel Naher, a heroína desta história! Ela não percebe que, com todo esse sucesso, está colocando a verdadeira Manel Naher em perigo? Se todo mundo começar a pensar nessa Manel Naher que está ficando famosa, em vez de pensar na Manel Naher que passa seus dias nos fundos de uma pequena livraria... bem, podemos esquecer nossa Manel. E, neste mundo, se as pessoas não pensam mais em você, você morre, simples assim.


Pensar em alguém é dar-lhe Presença. Nessa cidade colossal, o horizonte é bloqueado por milhares de nomes, e tudo o que os mendigos pedem é um segundo de atenção. Sobreviver para alguns, tornar-se Imortal para outros – é a Presença que faz essa cidade girar. Manel adoraria virar as costas para tudo isso; mas lá, além dos arranha-céus, há apenas o Grande Vazio, de onde ninguém jamais voltou.


Primeira graphic novel da francesa Léa Murawiec, O Grande Vazio recebeu o Prêmio do Público France Télévisions no Festival de Angoulême, em 2022. A edição tem acabamento de luxo, capa dura, 208 páginas em cores, impressas em papel offset de alta gramatura.







Nesse conturbado mundo em que vivemos, as redes sociais se tornaram uma das maneiras que temos para provar nossa existência. Pelo menos, essa é a maneira com a qual os jovens de hoje se mostram e se validam num mundo repleto de modas, dancinhas e trends. Mas, imagine um mundo onde isso é elevado à décima potência. Léa Murawiec nos coloca em um mundo insano onde saber o nome de uma pessoa significa sua própria existência. Manel Naher e seu amigo Ali se cansaram desse mundo estúpido e decidiram seguir para o Grande Vazio, um lugar que é visto como uma lenda urbana onde as pessoas não estariam mais sujeitas às regras impostas pela sociedade. Mas, tudo isso vai mudar quando aparece uma cantora com o mesmo nome da protagonista com uma música que se torna moda rapidamente. A própria existência de Manel está ameaçada. E, para continuar existindo, só resta uma saída: aumentar sua presença a todo custo.


O que mais me agradou na arte dessa HQ é perceber o quanto o fazer quadrinhos passou a ter influências globais. Já me deparei com outros trabalhos que se influenciam por vertentes artísticas vindas de toda parte, mas Léa Murawiec consegue condensar isso em O Grande Vazio ao combinar duas linhas bem distintas. Seu design de personagens é claramente uma referência aos mangás japoneses. Os personagens são super expressivos e o molde do corpo é feito em um esquema super-deformed que remete ao Astro Boy do Osamu Tezuka. Em algumas cenas os personagens aparecem com pernas ou braços gigantes ou um olho bem expressivo. Isso depende muito de como a cena vai exigir um tipo específico de arte. Por exemplo, quando Manel vai dar um tapa em alguém, a palma de sua mão cresce e se torna muitas vezes maior do que seu corpo, expressando um sentimento de violência momentâneo que toma o seu ser. Para a composição de cenas, em determinados momentos, a autora usa o efeito De Luca, popularizado pelo autor Gianni de Luca. Nele, os personagens são representados realizando diversas ações em sequência no mesmo quadro, buscando um dinamismo no que está acontecendo. Os quadros parecem estar acontecendo quase que em uma animação. Logo nas primeiras páginas o leitor vai conseguir perceber isso.


Para a composição do cenário, acho importante destacar arte e colorização. A HQ é toda feita em tons de branco, azul e vermelho (seria uma menção à bandeira francesa?) o que oferece algumas perspectivas bem curiosas. O cenário é repleto de nomes, por toda parte em todo lugar e em todas as situações possíveis e imagináveis. Afinal, os nomes representam uma maneira de continuar existindo. Em alguns momentos as cenas parecem tão congestionadas que nos perdemos durante alguns minutos observando tudo. E a ideia geral é justamente essa: representar uma sociedade distópica onde se torna fundamental expor o nome de uma forma com que todos pudessem ver e lembrar. No sentido artístico, os cenários são pensados na mesma vibe como Chris Ware monta seus cenários geométricos em obras como Rusty Brown. A cidade se expande até o infinito e a repetição e o caos se espalham pelas páginas. O nível de detalhes é absurdo e fico me questionando quanto tempo Murawiec ficou pensando nessas cenas. Aliás, fica o desafio para os leitores encontrarem nomes conhecidos no meio das placas. Consegui encontrar alguns como o do ex-presidente francês Nicolas Sarcoszy, o do quadrinista Tran Nguyen e até mesmo o nome da própria autora que está no começo do quadrinho.


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Esse é um livro extremamente atual e que vai mexer com algumas de nossas preocupações em relação a como nos apresentamos para a sociedade. Vou começar comentando aquele tema que está estourando em nossa frente ao ler o quadrinho que é o tema das redes sociais e do engajamento. É uma crítica feroz à necessidade de precisar justificar nossa existência através de atos nem sempre lógicos. Manel Naher, a protagonista do livro, acaba encontrando na violência a sua maneira de existir. Ao executar uma violência sobre uma outra pessoa, ela causa incômodo e repulsa. Mas, o seu ataque é tão chocante que estimula nos outros uma necessidade de ver, de observar, de entender por que aquilo está acontecendo. Quantas vezes já não vimos indivíduos realizando atos bizarros como competições de comer canela, acender fósforo para saber se produzimos metano, entre outras ações. Mas, há também o voyeurismo de observar os "babados", as "fofocas", as grosserias. Alguns desses fatos provocados para gerar cliques e comentários. Nessa ótica, o famoso pode surgir em segundos em um vídeo feito sem intenção. E a primeira vez em que Manel faz sua atrocidade, ela é acidental. As outras não. São com consciência e motivação para tal.


A HQ fala também de identidade. Até porque ter uma identidade significa existir nesse mundo estranho. E a autora parte da visão de que nossa identidade faz sentido a partir de uma validação dada por outros. Somos quem somos porque outros definem quem somos. Nesse mundo maluco. Até porque há várias visões sobre como uma identidade é construída de fato. Mas, a autora dá um passo além. Essa identidade equivale a uma realidade percebida e aí entra o conceito do Imortal, os indivíduos que possuem uma existência eterna neste mundo. São tão lembrados que se tornam perenes. Só que existem uma pegadinha nisso: essa imortalidade acontece a partir da visão original que as pessoas deram a este indivíduo. Por exemplo, tem um bebê que participa de um diálogo fascinante com a protagonista, que é um bebê porque as pessoas só conseguem enxergá-lo como um bebê. Essa é a imagem existencial dele que se tornou perene. Na cena, o bebê aparece fumando um charuto porque ele possui muitos anos de idade. Só que está preso neste corpo.


A protagonista não é uma pessoa com a qual vamos sentir empatia. Ela realiza diversas ações reprováveis na trama. Sua caminhada é repleta de más decisões e isso a torna interessante. Por ser uma personagem falha, ela foge do clichê da protagonista ideal. É curioso porque ela começa o quadrinho desejando encontrar o Grande Vazio, mas a partir do momento em que sua existência é ameaça, Manel se torna obcecada em sobreviver custe o que custar. Isso vai ter um preço muito caro para ela. O momento em que a trama sofre um salto temporal, o leitor fica chocado com isso. E a própria personagem também fica. No começo achei essa transição meio complicada e não tendo fornecido algumas respostas, mas depois de conversar com outras pessoas que também leram o quadrinho, me convenci de que o choque que a gente sente é semelhante ao que a própria protagonista sente. É o resultado da futilidade de suas ações, de o quanto ela se perdeu em seu caminho e se voltou para um hedonismo absurdo.


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Confesso que o final aberto deixado por Lea Murawiec me incomodou muito. Ao te deixar criar uma interpretação sobre os próximos acontecimento, é preciso dar condição aos leitores para imaginar este final. No livro Wonderbook, Jeff Vandermeer destaca que se torna necessário fornecer um resultado satisfatório para o leitor, seja resolvendo os problemas enfrentados durante a trama, fornecendo um desfecho para o clímax ou oferecendo uma evolução para o que foi proposto inicialmente. Finais abertos precisam deixar algum tipo de mensagem, em uma cena que nos leva a pensar o que pode vir a seguir. Eu não me incomodaria se o final da narrativa fosse em um determinado momento em que Manel está com um carro se dirigindo para um certo lugar. Seria como o final de um faroeste quando o estranho que chegou à cidade não tem mais o seu espaço ali e precisa encontrar um novo lugar. E, no fim das contas, é isso. Manel chega a um ponto em que aquela realidade no qual ela sempre viveu não se basta mais para ela. É como se ela estivesse sendo expulsa pelo próprio sistema no qual as engrenagens daquele mundo funcionam.


Um ponto que diferencia O Grande Vazio de outras obras é que a autora nos presenteia com uma narrativa do gênero do realismo mágico. E isso vem de sua influência de autores como Jorge Luis Borges e Bioy Casares. E a narrativa lembra bastante as interrogações deixadas no livro A Invenção de Morel. Em nenhum momento, Lea Murawiec se preocupa em nos explicar por que acontece essas questões de identidade e engajamento. Elas simplesmente são porque são. Nem mesmo os limites são explicados. O leitor é que vai montando conjecturas a partir dos dados que são apresentados e essa participação ativa na montagem do contexto da realidade desse mundo torna a leitura mais aprazível. A narrativa não gira também em torno dessa questão; a protagonista sabe que não tem como evitar seu apagamento quando ele acontecer. Não há algo mágico para evitar isso. Todas são características desse gênero de história. Achei curioso a combinação entre ficção científica e realismo mágico quando este último tende a ser mais combinado com fantasia.


A HQ me agradou bastante e propõe várias discussões que são bastante pertinentes. É uma daquelas narrativas que geram várias discussões até porque o enredo nos incita a encontrar várias temáticas diferentes. Me voltei mais para a questão do engajamento e das redes sociais, mas O Grande Vazio também pode ser entendido como uma crítica ao modo de produção capitalista ou até uma visão fractal sobre o que é real. A arte é bastante interessante porque reúne em si uma série de influências vindas dos mais diferentes lugares. Mas, não se trata apenas de copiar artes distintas e colocar num caldeirão: Lea Murawiec fez dessa combinação algo particular seu, lhe deu vida própria. A narrativa tem alguns problemas como um excesso de subtramas que não são encerradas e um final aberto demais e que pode provocar algum incômodo nos leitores. Mas, é uma daquelas histórias recomendadíssimas ainda mais neste nosso mundo em constante transformação.


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Ficha Técnica:


Nome: O Grande Vazio

Autora: Lea Murawiec

Editora: Comix Zone

Tradutor: Fernando Paz

Número de Páginas: 208

Ano de Publicação: 2023


Link de compra:













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Durante a temporada de julho de animes no Japão vimos uma situação curiosa: três deles (quatro se eu incluir Night Head) lidando com o tema de formas distintas. Vamos debater o tema para entendê-los melhor.


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Nessa temporada de julho de 2021 aconteceu um fenômeno interessante: aconteceu de termos um número grande de animes que se dedicaram à temática da viagem no tempo e seus efeitos no destino das pessoas. Normalmente isso acontece relacionado a personagens que são transportados para outro mundo, uma temática que se tornou um subgênero no Japão (o isekai). Só que cada um dos animes vai lidar com o tema de uma maneira bem diferente, abordando ângulos que chegam até a ser curiosos e nos provocam alguns níveis de reflexão. Isso apesar de que alguns deles banalizam escolhas ou trajetórias, mas mesmo assim vale a pena discutir. Nessa postagem irei falar de três deles: Bokutachi no Remake, Scarlett Nexus e Tokyo Revengers. Diferentemente de outras postagens em que fiz alguns comentários sobre a produção, apontando diretor, obra original e quantos episódios, não vou fazer isso agora porque do contrário a postagem iria ficar imensa. Vou fazer uma sinopse e depois destacar como a viagem no tempo é abordada.


Começo pelo primo famoso do trio, Tokyo Revengers. Foi até uma coincidência este anime estar passando na mesma temporada que o resto porque ele já estava passando há algum tempo. Na trama, Takemitchi Hanagaki é um homem de vinte e seis anos que vive uma vida simples e monótona, trabalhando em uma locadora e morando em um apartamento apertado. Ele se lembra dos seus tempos de escola quando fazia parte de uma "gangue" com seus três amigos até que foram destruídos por um valentão que pertencia a uma gangue maior chamada Tokyo Manji. Um determinado dia, ele descobre que o seu amor de escola, Hinagaki Tachibana morreu em um confronto de gangues em um acidente de carro. Tanto ela como seu irmão mais novo, Naoto, acabam mortos dessa forma. No dia seguinte, Takemitchi está pensativo sobre sua vida e o quanto ele deixou para trás. Quando ele está indo ao seu trabalho e entra na estação de trem, o protagonista acaba sendo empurrado para os trilhos e morre. O que ele pensava ser o seu destino final toma um novo rumo quando ele desperta em 2005, doze anos antes e durante o seu período na escola. Takemitchi decide então fazer o possível para salvar a sua namorada de escola de um destino terrível muitos anos mais tarde.


O lado explorado pelo anime é o quanto a mão do viajante do tempo consegue transformar o passado e criar novas possibilidades. Cada vez que Takemitchi tenta alterar algum fato passado, ele cria outras variáveis que produzem efeitos diferentes no futuro. É como no filme De Volta para o Futuro em que Marty McFly tenta transformar a vida de sua família e acaba produzindo um futuro terrível. Esses desenvolvimentos em Tokyo Revengers permitem ao personagem entender fatos acessórios que levariam aos desdobramentos causados pelo futuro que ele conhece. A pergunta que o personagem faz, às vezes, é se o esforço que ele tem feito para alterar o passado não está sendo em vão. Porque parece que tudo tem ficado pior a cada nova interferência. Se no começo as decisões sobre o que fazer eram simples, agora elas não dependem apenas da força de vontade do protagonista, necessitando de planejamento, tempo de ação e aliados.


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Outro anime que navega pela mesma corrente é Bokutachi no Remake. Kyouya Hashiba é um game designer fracassado de vinte e oito anos que tem uma carreira bem ruim na indústria de games. Ele é mandado embora de onde ele trabalha e se vê impossibilitado de continuar a viver em Tokyo e precisa voltar a morar com os pais. Para ele, isso é uma situação frustrante que coloca abaixo os seus sonhos na área. Ao pensar sobre a sua carreira, ele se lembra logo da Geração de Platina, um grupo de pessoas que são da sua idade e que foram muito bem sucedidos como designer, roteirista, cantora. Na sua avaliação, a decisão de ter optado por fazer uma universidade comum ao invés de uma faculdade de artes foi o fator fundamental para tê-lo levado à sua situação. Ao deitar na quarto da casa de seus pais toda a tristeza e depressão caem em seu ser e ele adormece pensando em escolhas nunca realizadas. Só que ele acorda dez anos no passado quando ele estava saindo de casa para se matricular no ensino superior. Depois de perceber que isso não é um sonho, Kyouya decide mudar o seu destino e se inscreve na faculdade de artes. Seu destino vai realmente mudar quando ele descobre estar dividindo o mesmo quarto com os membros da Geração de Platina.


Já vimos inúmeras vezes animes que se focam na jornada do protagonista que, ao viajar no tempo, procura modificar seu passado e realizar as escolhas certas para fazer de seu futuro algo melhor. Só que este futuro é melhor para quem? O que parece é que muitas destas histórias possuem um olhar egocêntrico, onde a realidade gira naquele que está realizando as alterações. Ele seria uma pessoa abençoada, escolhida. Porém, estas mudanças podem afetar a vida daqueles ao seu redor. E Kyouya vai percebendo aos poucos que o fato de ele estar mudando sua vida para melhor significa que alguém vai deixar de ter suas oportunidades. Os colegas de Kyouya vão perdendo o seu gosto por aquilo que fazem já que o protagonista sempre sabe o que fazer e, muitas vezes, toma o lugar daqueles que eram para estar realizando alguma coisa. Quando o protagonista se dá conta, ele tem a vida que ele sempre desejou, casado com a mulher que ele gostava e tendo uma família e um emprego promissor. Só que a Geração de Platina não existe mais. Todos desistiram de sua trajetória devido a um ou outro problema causado pelo próprio Kyouya ao assumir funções.


Um ponto curioso sobre os dois animes é que ambos os protagonistas estão insatisfeitos com suas vidas. E este é um mote bastante comum em histórias de viagem no tempo. São personagens que desejam mudar o seu status quo de alguma forma a partir de escolhas nunca realizadas. Em vários momentos da vida passamos por este questionamento. Se teríamos feito alguma coisa diferente, se nos arrependemos de uma situação marcante. Depende aliás do que para nós é um momento definidor de nossas vidas. Algo que somente nós mesmos sabemos responder. Só que uma coisa que fica bastante clara a partir da filosofia oriental é que as coisas acontecem por que precisam acontecer. Todas as escolhas que fazemos são parte da estrutura que forma nosso caráter, nossos defeitos e virtudes. Ao tomar caminhos diferentes seríamos outras pessoa e não o nosso eu atual. Somos moldados pelos acontecimentos.


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O último dos três é Scarlet Nexus. Aí está um anime bem diferente dos outros dois. A história se passa em um futuro onde a humanidade aprendeu a usar as ondas cerebrais para realizar as mais variadas tarefas. Alguns seres humanos surgem com habilidades mentais acima da média podendo mover objetos, ficar invisíveis, manipular elementos ou prever o futuro. Tais habilidades acreditam-se terem vindo do Cinturão da Extinção, um imenso campo eletromagnético que circunda a Terra e de onde nasceram criaturas chamadas os Outros. Seres que se alimentam dos seres humanos e são combatidos pela Força de Supressão dos Outros, um grupo paramilitar dedicado a manter a paz e a ordem. Yuito Sumeragi é o filho do presidente de New Himuka, onde a história se passa. Ele finalmente conseguiu entrar para a força, mesmo que suas habilidades mentais sejam bem abaixo dos poderes dos membros da famosa família Sumeragi. Kasane Randall é uma menina que foi adotada pela família Randall e não sabe muito sobre seu passado. Ela e Naomi (que realmente pertence aos Randall) se tornaram irmãs inseparáveis e ambas estão dando apoio uma para a outra ao entrar para a força. O encontro entre Kasane e Yuito vai desencadear uma série de acontecimentos que colocarão em xeque a própria sociedade "utópica" de New Himuka.


Bem, onde está a viagem no tempo? Não vou comentar muito a respeito, apenas que tem a ver com algo chamado portal Kunad. De alguma forma Kasane e Yuito irão parar no futuro onde ficarão sabendo que este portal é responsável pelo aumento do número de Criaturas na Terra e seu consequente fortalecimento. E uma pessoa que eles conhecem é o responsável pela destruição da humanidade daqui há algumas décadas. O portal vai crescer de uma tal forma que irá engolir a tudo e a todos. Somente matando essa pessoa será possível mudar o futuro. Mas, isso é algo que não passa pela cabeça dos protagonistas. Eles querem fazer todo o possível para encontrar alguma alternativa ao problema. Mas, e se não houver alternativa? Vale a pena abandonar suas convicções por uma mudança que você não sabe se vai realmente surtir efeito? Como ter a certeza? Essa escolha moral vai ocupar boa parte da série e vamos descobrindo mais e mais elementos que vão apoiar os dois lados da questão.


Achei bastante curioso a existência destes três animes ao mesmo tempo. E isso porque eu não incluí Night Head, outro anime que também tem na viagem do tempo/extradimensional uma possibilidade para resolver os seus plots. Todos eles nos permitem pensar nas questões éticas por trás de uma simples escolha. E nos forçam a pensar em nossas próprias vidas e em como atuamos para fazer nossas decisões. É óbvio que em algum momento vamos refletir sobre nosso passado e como ele definiu nossas vidas. Maturidade é compreender que nossas escolhas fizeram quem somos e que não adianta apenas sofrer por aquilo que não foi escolhido. Resta aprendermos com o que erramos e buscarmos o sucesso.



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Uma linda história de amor, de confusão e de traição regada a uma culinária deliciosa em um México que se coloca nos limites da realidade e da fantasia. Um exemplar maravilhoso do realismo mágico.


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Sinopse:


Laura Esquivel inaugurou um novo gênero literário: a cozinha-ficção.


Neste surpreendente romance, 'Como água para chocolate', que tem como subtítulo 'romance em fascículos mensais com receitas, amores e remédios caseiros', tudo gira em torno da cozinha.


Cada capítulo é aberto com uma extraordinária (e perfeitamente realizável) receita, em torno da qual não só se aglutinam os comensais que as consomem, como também se "cozinham"; e "coalham"; amores e desamores, risos e prantos (sobretudo risos).


Em suma, uma cozinha - espaço e função - onde se celebra o triunfo da alegria e da vida sobre a tristeza e a morte.







Falar sobre o que trata o livro é um pouco difícil. Não é sobre o amor proibido entre Tita e Pedro. Não é uma crítica aos costumes tradicionais da sociedade mexicana durante o período revolucionário. Tampouco é um livro de receitas. O livro dá uma dica nas suas páginas finais: “os segredos da vida e do amor através da cozinha.” Laura Esquivel utiliza-se largamente de metáforas culinárias ao longo da obra para expressar sentimentos ou ações dos personagens. O choro de Tita ao cortar cebolas produzindo rios de lágrimas, o cozimento de uma nogada representando o casamento de Alex e Esperanza ou a briga de galinhas que produziu um furacão que arrastou as galinhas para os confins do mundo. Esse último representava a relação entre Tita e Rosaura.


A história se passa no norte do México durante a Revolução Mexicana. Alguns detalhes sobre o cenário aparecem, mas eles não são fundamentais para a história. Exceções ocorrem em dois momentos: quando revolucionários invadem o rancho onde Tita vivia e o casamento de Gertrudes com um capitão do exército revolucionário.


A todo o momento vemos um conflito entre tradição e livre-arbítrio. Tita está presa à Mamãe Elena por causa de uma tradição de família. Ela não podia casar por ser a mais nova da família; precisava viver ao lado da mãe até sua morte. Seu grande amor, Pedro, casou-se com a irmã do meio, Rosaura, apenas para viver próximo de Tita. A protagonista age de forma submissa por boa parte da história, sempre procurando atender às expectativas de sua mãe. Quando ela percebe que atender às expectativas não a levará a lugar algum, ela tem um colapso.


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Esse artifício da autora é recorrente em romances. O personagem precisa “morrer” ou “desaparecer” para poder “renascer” com novos valores. É na segunda metade da história que Tita precisa lidar com um novo dilema: casar com Pedro, o amor de sua vida ou com John que cuidou dela quando precisou. É a famosa escolha entre a razão (John) ou o sentimento (Pedro) comum em romances de Jane Austen.


A história apresenta momentos tórridos como quando Gertrudes corre nua pelos campos enquanto tem uma relação sexual com Juan em cima de um cavalo, ou os olhares nada discretos de Pedro em direção aos seios de Tita. A autora usa a metáfora dos corpos em chamas quando os personagens estão excitados. É um contraponto ao frio sentido por Tita quando está distante de Pedro. Existe uma leve referência mitológica na história. Tita é associada à deusa romana Ceres, que personifica a agricultura e a alimentação. Ceres é a equivalente romana da deusa Demeter que também tem atributos sexuais. Talvez por causa dessa associação, Tita aparece frequentemente lidando com grãos ou fazendo uso de plantas para fins medicinais.


No geral, “Como água para chocolate” é uma história gostosa de ser lida. Um romance no tamanho adequado, sem ser muito arrastado. Quando eu comecei a me chatear com a história, ela terminou. Ou seja, não sofre de problemas com o timing da história. Os personagens cumprem o seu papel. Aos principais como Tita, Mamãe Elena, Pedro e Rosaura é dado um bom espaço para suas personalidades serem apresentadas. Aos coadjuvantes é dado o tempo necessário para compreendermos as suas motivações. As metáforas culinárias são interessantes e acabam por deixar a história mais interessante e imprevisível. A autora soube usar muito bem este artifício.


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Ficha Técnica:


Nome: Como água para chocolate

Autor: Laura Esquivel

Editora: Martins Fontes

Tradutora: Olga Savary

Número de Páginas: 208

Ano de Publicação: 2015


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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