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Um é o maior detetive do mundo. O outro é o herói mais poderoso do mundo. Juntos eles são uma dupla infalível, mas quando um antigo ser originado dos recantos mais sombrios do planeta ressurge e ataca nos pontos vulneráveis de cada um dos dois heróis, seus limites serão levados ao extremo.


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Sinopse:


O Cavaleiro das Trevas e o Homem de Aço. Eles são os dois maiores super-heróis que o mundo já conheceu… e estão juntos novamente em uma nova série épica pelos talentos lendários de Mark Waid e Dan Mora! Em um passado não muito distante, os poderes do Superman são sobrecarregados por um ataque químico devastador do vilão Metallo… e a única pessoa que pode ajudar o superpoderoso herói é o Batman, que tomará medidas extremas para auxiliar seu aliado recrutando ninguém menos que a Patrulha do Destino. São os maiores super-heróis do mundo pelos maiores talentos dos quadrinhos em uma experiência épica que dará início aos próximos grandes eventos no UDC. Prepare-se, está na hora de voar!





Para aqueles que não conhecem o Mark Waid (e acho meio difícil não conhecer de tão prolífico que ele é), ele é um dos maiores conhecedores vivos da cronologia do universo DC. Acho que poucos conhecem tanto os pormenores das histórias criadas desde o início desse universo criado pela DC. Waid já foi responsável por clássicos como O Reino do Amanhã que tinha como tema justamente o que faz de alguém um herói. Nos últimos anos, Waid tem se concentrado mais em histórias mais leves e divertidas, sem perder a qualidade, mas buscando aquele clima de heroísmo vindo dos anos 70 e 80. E é justamente isso o que o leitor irá encontrar nesta mensal do Waid com desenhos incríveis do Dan Mora, um dos melhores artistas da DC em atividade. Essa dupla tem trazido consistentemente histórias que os leitores irão pegar, ler e ter aquela dose de heroísmo e diversão que vez ou outra faz falta no universo dos super-heróis. Não dá para ficarmos em megassagas ou mudanças de status quo o tempo inteiro. Um bom feijão com arroz, entregando entretenimento é importante também.


A mensal trazida pela Panini com tradução de Diogo Prado é mais um dos mix que a editora traz para as bancas. Mas, apesar do preço pelas poucas páginas, a Panini fez algo inteligente: colocou duas histórias sendo uma a principal e outra história feature que possui o Batman fazendo dupla com algum outro personagem da DC. Pelo menos é assim nessas três edições iniciais: uma do Batman com o Questão, outra com um confronto com o Adão Negro e uma terceira com o Aquaman. Todas elas saídas da Batman: Urban Legends que tinha esse formato de história principal + feature. Na relação custo-benefício, ela só vale o que vale porque as histórias do Mark Waid são muito, mas muito boas. Se fosse só um mix comum com histórias medianas, sairia muito caro. São 48 páginas a R$19,90. Pensar que uma revistinha de 80 e poucas páginas custava esse valor apenas no ano passado é bizarro e mostra o quanto está complicado manter o hobby de quadrinhos. Tem outro problema: normalmente uma revista como essa serve como entrada para novos leitores. Coisa que a Panini não faz mais. Não tem novos leitores de quadrinhos chegando. Isso é um problema que podemos abordar em outra matéria, mas que a editora ou não se tocou disso ou não se importa com isso. Só para citar: a Abril sofreu do mesmo problema em 2001 e deu no que deu.


Mas, vamos à revista que é o que interessa. Nela começamos com um ataque da Hera Venenosa a Metrópolis e o Superman precisando lidar com ela. Algo que, para nosso herói, é estranho já que normalmente ela é uma vilã típica de Gotham City. Quando Batman e Robin chegam para ajudar, surge Metallo que ataca impiedosamente o Homem de Aço. Mas, tanto a Hera quanto o Metallo parecem estar mais poderosos do que nunca graças à interferência de alguém no fundo. Esse alguém está visando os heróis usando novas táticas a partir da observação de suas estratégias comuns de combate. Isso vai levar o Batman e o Superman a descobrirem um inimigo que existe há séculos e que depois de muito tempo parece estar agindo nos bastidores. Alguém que é perigoso e altamente inteligente. Apenas a força combinada dos dois será capaz de deter essa nova ameaça.


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A arte do Dan Mora é um escândalo de boa. Ele dá um visual meio cartunesco aos personagens, mas sem perder o realismo ao qual estamos acostumados. A própria escolha da palheta de cores (palmas para a colorista Tamra Bonvillain) também ajuda nessa mudança de perspectiva. O emprego de cores vivas em um cenário escuro fornece um impacto visual que mantém nossa atenção nos quadros. Essa combinação de um design vintage/contemporâneo com as cores vivas oferece cenas incríveis como a do quadro acima. É curioso porque o Dan Mora não viaja tanto na quadrinização, mantendo um padrão de 4 a 8 quadros e tendo poucas splash pages. Mesmo assim, ele consegue aproveitar toda a extensão da página. É tudo muito pensado e detalhado, seja aquilo que está em destaque na frente ou o cenário de fundo. Sem entrar em muitos spoilers, tem algumas cenas com inspiração em outra cultura que são lindos e a mescla de influências entrega boas cenas. Falando do aspecto da ação em si, é tudo muito bem detalhado e coreografado. O leitor consegue entender bem o que está acontecendo. Mora usa diversas ferramentas ao longo das edições, seja o efeito de Luca, ou linhas cinéticas ou até mesmo um pouco de boa e velha ação ao estilo Kirby. Ou seja, é um autor que conhece o craft e sabe como tornar essas ferramentas parte do que ele faz.


As primeiras edições são concentradas em mostrar ao leitor como é a sinergia entre o Batman e o Superman. O quanto existe uma genuína amizade entre eles, mesmo que nem sempre eles enxerguem as coisas da mesma forma. Vi repetidas vezes o Waid citar nos diálogos o quanto um é o maior detetive do mundo e o outro é o maior herói do mundo. Ou o quanto o Superman não consegue fazer as coisas que o Batman faz e vice-versa. Essa visão de complementaridade é importante para mostrar que a revista é dos dois. Ambos são protagonistas. Waid procura fornecer espaço para ambos os personagens por igual. É óbvio que em algum momento um terá mais tempo de tela que o outro, mas não é o objetivo final. Outro aspecto legal dessas histórias é o quanto um se importa com o outro, algo que nem sempre é abordado em histórias onde os dois estão presentes. Em um determinado momento quando o Superman está em um estado de vulnerabilidade, vemos a preocupação genuína do Homem-Morcego.


Há espaço também para os sidekicks dos dois. Nesse primeiro momento é muito mais o Robin do que a Supergirl que aparece mais para o final da segunda edição. Gostei das piadinhas que os dois trocam entre si e Waid conseguiu dar uma boa química entre eles. A gente vê o quanto o Robin se preocupa em ter que se provar digno de estar ao lado do Batman. Já a Supergirl é mais tranquila neste sentido, me parecendo mais ser protagonista de sua própria vida do que uma mera sidekick do Superman. A ideia da viagem no tempo me pareceu bizarra, mas tudo bem, deixei isso para lá. Quero ver aonde essa história vai dar, principalmente com a introdução de participações especiais, algumas conhecidas como a Patrulha do Destino e outras inéditas. Dá para ver aqui o quanto a influência de outra cultura conduziu a história para uma outra direção e isso é algo divertido porque introduz um tempero único ao que Waid está entregando para os leitores.

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Falando brevemente das histórias extras, gostei de duas das três. Achei a do Aquaman a mais fraca delas. A do Adão Negro é a melhor e trata do personagem como o líder de Kahndaq. Aliás a história se passa durante o arco do Reino Sombrio da Sociedade da Justiça, que é um dos meus arcos favoritos do grupo. Mexe muito com política e transforma o personagem do Adão Negro em alguém mais complexo. O roteiro faz um paralelo entre as vivências do Batman e do Adão Negro onde este último seria uma espécie de imagem do Batman caso ele não tivesse tido o Alfred para colocá-lo com os pés no chão e manter sua humanidade. O roteiro é esperto ao não pintar o Adão como um vilão simples, mas um estadista que possui visões extremas sobre como conduzir a justiça. Um reflexo de o quanto este imortal, ao longo de muitos anos, se tornou um homem solitário. Mesmo sendo um ser muito poderoso, lhe falta bases nas quais ele possa simplesmente ter empatia, embora ele ame o povo de sua nação.


Já a história do Questão mostra o segundo encontro entre os personagens. O roteiro de Ryan Crady segue um clima meio noir e de investigação com o Questão buscando entender quem é responsável por um grande desvio de dinheiro da Waynetech. O envolvimento de bandidos nisso acaba chamando a atenção do Batman, principalmente com o fato de o Questão estar na cidade e ele não ser conhecido por ser muito sutil. Crady brinca com a paranoia que é tão típica do personagem e o coloca em rota de colisão com o Homem-Morcego. Principalmente quando o Questão passa a desconfiar que Bruce Wayne teria algum tipo de negócio criminoso. Então é aquelas histórias de duplas instáveis que precisam aprender a confiar um no outro. Tem uma virada narrativa com a qual eu não contava e achei que teria sido mais divertido se a virada tivesse vindo do Questão e não do Batman. Mas, okay, é uma feature divertida e serve como pavimentação para outras aparições posteriores do Questão depois em Gotham.


Essas três primeiras edições da revista mensal do Batman/Superman dão o tom do que vai ser a trajetória do Waid no título. Visto que hoje já tem dezoito edições publicadas nos EUA (no dia da escrita desta resenha) e é uma das revistas mais elogiadas no catálogo da DC hoje, é sinal de que o Waid ainda tem muito, mas muito a entregar. Aliás, fica um parênteses aqui que o autor foi buscar na velha revista dos dois personagens publicada na Era de Prata. Se realmente esse foi o caso (o que tudo leva a crer que foi), então estamos embarcando no que pode ser uma trajetória histórica do autor. Sem mencionar que talentoso é pouco para se referir ao Dan Mora. Então se trata de uma belíssima combinação e apertem os cintos porque já já trago para vocês a resenha dos números 4 a 6.


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Ficha Técnica:


Nome: Batman/Superman - Os Melhores do Mundo n. 1 a 3

Autores: Mark Waid (história principal), Ryan Crady (n. 1), Alex Paknadel (n. 2) e Joey Esposito (n. 3)

Artistas: Dan Mora (história principal), Giuseppe Camuncoili, Cam Smith (n. 1), Amancay Nahuelpan (n. 2) e Serg Acuña (n. 3)

Coloristas: Tamra Bonvillain (história principal), Sebastian Cheng (n. 1), Jordie Bellaire (n. 2) e Alex Guimarães (n. 3)

Editora: Panini

Tradutor: Diogo Prado

Número de Páginas: 48 cada

Ano de Publicação: 2022 (n. 1) e 2023 (n. 2 e 3)


Outros Números:


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Em vários momentos da história, livros foram proibidos por instituições ou governos. O quanto isso afeta nossa capacidade de pensar por nós mesmos? Qual o impacto da censura?


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Já discuti em outras matérias o quanto conhecimento equivale a poder. Através de vários momentos históricos, instituições demarcaram sua autoridade através do emprego de um tipo de alfabeto, da forma de aprendizado, do tipo de formato de livro a ser produzido. Mas, controlar a veiculação do conhecimento também é uma forma de expressão de poder. Um pouco mais abrupta e violenta, mas ainda assim é. Em vários momentos da história, instituições ou governos usaram de sua autoridade para dizer o que um leitor poderia ou não ler. Chamamos isso de censura.


A palavra censura vem da família do latim censo. Na Roma antiga, havia uma magistratua chamada de censor. Era um funcionário público responsável por recensear a população para facilitar o trabalho dos questores, os cobradores de impostos. Os censores se tornam essenciais a partir da expansão de Roma por territórios fora da Itália. Mas, o censor também era responsável por fiscalizar a moral e os bons costumes. Se inicialmente essa era uma magistratura mais civil, ela vai adquirindo um viés mais religioso a partir do final do Império Romano com imperadores mais ligados aos aspectos da religião, fosse um apóstata como Juliano ou um cristão enrustido como Constantino. Fato é que já no Império Romano vimos alguns indícios de censura em maior grau, vindo da época da organização da Igreja católica que buscou escolher quais livros iriam fazer parte da Bíblia cristã. Alguns evangelhos considerados mais polêmicos ou de conteúdo duvidoso foram censurados da versão final do livro sagrado.


Isso não quer dizer que não havia censura anteriormente. Basta vermos o caso da queda do faraó Akhenaton no Egito antigo. Depois de ter transformado o politeísmo egípcio em um monoteísmo voltado ao deus Aton, e de ter transferido a capital para Amarna, seu reinado foi bastante efêmero com a nobreza de Mênfis conseguindo retomar o poder. Após sua queda, o príncipe Tutankhamon não passou de um fantoche e ele e Nefertiti, sua mãe, foram obrigados a reconhecer os erros de Akhenaton e retomar o culto politeísta. Durante o reinado de Akhenaton inúmeros escritos sagrados, templos e tumbas foram erigidos de forma a propagar a nova religião. A partir de Tutankhamon, os sacerdotes e oficiais reais realizam um verdadeiro apagamento da história, riscando o nome do antigo faraó da tábua dos reis e vandalizando tudo o que se vinculava a ele. Qualquer material que versasse sobre o faraó deveria ser queimado e destruído. O objetivo era apagar para sempre a imagem de um blasfemador, na visão dos sacerdotes, da face da Terra. É o uso da máquina administrativa para mudar a história, para selecionar o que deve ou não ser transmitido às gerações futuras.


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Avançando vários séculos no tempo, podemos nos deparar com a Igreja católica do início da Idade Moderna. Poderíamos falar sobre a concentração de livros que eles exerceram alguns séculos antes, trancados nos scriptoriums, transcrevendo obras clássicas, como uma espécie de censura também. Pode, mas vale mencionar a criação do Index Prohibitorum, um catálogo contendo todos os livros considerados hereges pela alta cúpula eclesiástica. O chamado livro negro foi uma das decisões saídas do Concílio de Trento, no século XVI, que visava restaurar a autoridade da Igreja em um momento bastante complicado de sua história. Diversos membros do clero eram visados com denúncias de corrupção, venda de indulgências e favorecimento de cargos. A ideia do clero era direcionar as mentes rumo a um conceito de moral que nem a própria Igreja era ciosa. Pessoas que eram encontradas tendo esses livros em suas residências eram denunciadas ao Tribunal do Santo Ofício que realizava a acusação de heresia. É daí que começam as lendas sobre livros demoníacos. Curiosamente o manual usado por inquisidores para perseguir as bruxas, o Malleus Maleficarum (o Martelo das Feiticeiras), fazia parte do Index. Os autores, Heinrich Kramer e James Sprenger, foram excomungados pela Igreja. Alguns autores defendem que o Malleus não estava na primeira versão do Index, mas isso só mostra o quanto as demonstrações de poder e de controle sobre o que deve ou não ser lido não possuem critérios claros. O Index teve várias versões com livros entrando e saindo de suas linhas à vontade de quem estava no poder máximo.


Se estamos falando em queima de livros, os leitores logo irão se lembrar do incêndio da biblioteca de Alexandria, na Antiguidade. Só que esse é um episódio ainda sem detalhes precisos como data e responsáveis e prefiro algo mais dramático como a queima de livros árabes pela Inquisição espanhola em 1499. E novamente nos deparamos com a Igreja buscando exercer sua autoridade sobre as mentes de seus fieis. Desde a Alta Idade Média, o catolicismo se via frente a frente com o Islã em uma disputa por fieis e espaço. Só que por muitos séculos a Andaluzia foi um oásis onde cristãos, judeus e muçulmanos conseguiam coexistir. Isso proporcionou enormes avanços para o Ocidente já que os árabes não tinham os mesmos repúdios que a população europeia que estava sob a égide do cristianismo. É no Oriente Médio que se desenvolvem as técnicas de sutura, a astronomia, a matemática mais avançada. Mas, quando inicia-se o processo de Reconquista por todo o território espanhol a Igreja avança lado a lado com os exércitos castelhanos. Dois tristes episódios desse período foram a expulsão dos judeus sefarditas em 1496 e a queima de mais de 5000 obras árabes em 1499. Dessa maneira, o catolicismo se tornou a religião dominante nos reinos de Aragão e Castela que viriam a dar origem à Espanha unificada.


Para fecharmos a discussão sobre a censura sob o campo religioso, não podemos deixar de nos referir à barbárie provocada pelos espanhóis no Novo Mundo. Quando estes se depararam com a cultura dos povos incas, astecas e maias, os espanhóis ficaram horrorizados com suas práticas que podiam envolver sacrifícios humanos ou de animais, adoração a deuses ligados à natureza, governos que usavam sistemas políticos e econômicos estranhos demais à compreensão deles. Ao invés de buscar entender como estes funcionavam, os colonizadores decidiram usar de uma tática de terra arrasada e queimar seus manuscritos sagrados, derrubar templos e cidades e instaurar uma conversão à força ao cristianismo. A justificativa era que eles estariam trazendo a "civilização" a povos que nunca haviam tido contato com os livros sagrados. Nesse caso aqui, a censura é usada para reforçar o poder e subjugar povos que viviam sob um outro conjunto de valores anteriormente. A submissão pela aceitação forçosa foi um princípio usado também com os escravos negros trazidos da África que eram batizados coletivamente antes de entrarem nos navios negreiros. Segundo os padres da época, mesmo que eles morressem durante a viagem, suas almas estariam "salvas".


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Avançando rumo ao presente, precisamos apontar o quanto os regimes ditatoriais detestam a

livre circulação do pensamento. Tanto o modelo fascista como o socialismo stalinista queriam manter um controle estrito sob a sua população. Para alcançar a disciplina e a eficiência, livros e religião deveriam ser mantidos de fora. Hitler justificava as enormes fogueiras de livros como sendo uma maneira de se livrar de materiais inúteis. Apenas aquilo que valorizava o espírito alemão era necessário para o engrandecimento da população. Claro que isso fazia parte do espírito propagandista preconizado por Joseph Goebbels, o responsável pela transformação do regime em algo aceito sem discussões pela população. Já Stálin tinha uma mão de ferro. Em sua visão era preciso se voltar para aquilo que Lênin havia iniciado décadas antes, Mais paranoico do que Hitler, ele temia a formação de algum tipo de oposição mais organizada e que pudesse colocar o governo em risco. Por um lado temos um governante desejando censurar para ditar o que deveria ou não ser lido e de outro alguém que governava pelo medo onde o livre pensar era uma ameaça.


Um fenômeno semelhante aconteceu no Brasil durante a Era Vargas e a ditadura militar que ocorre mais tarde. Getúlio Vargas instaurou o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) durante o Estado Novo, entre 1937 e 1945, que era responsável pela propaganda do regime, criando datas comemorativas, ressaltando as obras feitas pelo presidente, incentivando uma produção cultural governamental. Mas, além disso, o DIP era responsável também por censurar obras que fossem consideradas ofensivas ao governo. Mais tarde o DIP deu lugar ao DOPS que não apenas era uma instituição vinculada à censura, mas também à prisão e tortura dos opositores. A censura no Brasil também tinha um viés de controle. Havia inclusive uma vinculação do regime militar a uma pauta de costumes, voltada para a preservação da família e da moral. Curiosamente é durante a ditadura militar que os roteiros de filmes do gênero da pornochanchada ganharam mais e mais visibilidade. Roteiros esses que não eram nem um pouco "familiares" ou "moralistas", os diretores escondiam pautas de crítica ao regime em meio ao erotismo de atrizes que mostravam seus dotes para a câmera. Um dos filmes mais famosos dessa era foi Bonitinha e Ordinária que discutia a desigualdade social e a hipocrisia da classe média que fingia não ver a violência do governo e o sofrimento do povo. Essas histórias não foram censuradas. Neste sentido me recordo de um professor da faculdade de História chamado Paulo Cavalcante que nos falava sobre os descaminhos do ouro e as trambicagens usadas pelos colonos para burlar a lei. Se pararmos para analisar a censura da época era vencida por estratégias pensadas para ultrapassar os obstáculos colocados pelas instituições.


Para fecharmos nossa discussão, não podemos deixar de mencionar o cerceamento que alguns Estados norte-americanos tem feito em relação ao ensino de literatura a crianças e adolescentes. Livros mais críticos como a HQ Maus, de Art Spiegelmanmn, o livro Fahrenheit 451, de Ray Bradbury entre muitos outros passaram a ser proibidos nas escolas. Essa censura tem vindo de duas direções: das associações de pais ligadas a Estados mais conservadores ou populações mais ligadas a religiões neopentecostais. A ascensão do partido republicano e suas pautas mais estridentes tem suas ramificações na necessidade de cercear a mentalidade dos jovens. Ao controlar o que é distribuído e lido nas escolas, o objetivo é replicar os valores defendidos pelos republicanos. Isso provocou fortes críticas em Estados mais progressistas, mas a verdade é que os EUA se veem às voltas com um retrocesso forte que tem seu simbolismo nas políticas culturais. Óbvio que podemos apontar o Brasil como outro exemplo dessa pauta ganhando força, mas as instituições ainda funcionam ou funcionaram adequadamente para embarreirar a sanha conservadora.


Censura sempre existiu em diferentes momentos históricos. Coube à sociedade resistir da maneira que julgou necessária em uma determinada conjuntura. Seja através de revoltas e revoluções ou pelos descaminhos, enganando e burlando o sistema. Os objetivos por trás da censura de livros são as mais diversas possíveis, seja o controle de mentes e corpos, o apagamento da história, ou o simples saque e destruição. A leitura e os livros são componentes frágeis nessa equação e cabe a cada um de nós sermos os guardiões de uma rica cultura literária que se estende por milênios.


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O ser humano possui diversos tipos de fobia: medo do escuro, de insetos, de alimentos, de solidão. Diversos autores nacionais se debruçaram sobre o tema e escreveram histórias muito interessantes que passam do terror, à fantasia e até a ficção científica. Venham descobrir do que vocês tem medo.


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Sinopse:


A revista Suprassuma nasce da necessidade e do desejo de ouvir as vozes da literatura fantástica no Brasil, criando o portal para um universo compartilhado. Dentro dele, criaturas desconhecidas, mundos inexplorados e histórias únicas que ninguém mais poderia contar. Após o sucesso da primeira edição, a Suprassuma #02 traz mais oito dessas histórias, selecionadas e editadas com muito carinho pela Suma junto aos autores.


Contos presentes nesta edição:


1 - "Uma salada de frutas e qualquer outro instrumento de tortura, por favor" de Diogo Ramos

2 - "A morte da quimera" de Pamela Engelke

3 - "Bruxa de Areia" de Lucas Santana

4 - "Despertar na aurora sideral" de Juliane Vicente

5 - "Alucinótica" de André Cordeiro

6 - "Carne de carnaval" de Luisa Montenegro

7 - "Bunker" de Emerson Rodrigues

8 - "Pele de cobra" de Carol Chiovatto



Resenhas:


1 - "Uma salada de frutas e qualquer outro instrumento de tortura, por favor"


Autor: Diogo Ramos Avaliação:

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Gênero: Ficção Científica



A coletânea começa com uma tensa ficção científica escrita pelo talentoso Diogo Ramos, um grande amigo e me ajudou a entender bastante desse processo de escolha de contos para revistas. Ele nos traz um protagonista com sérios transtornos, alimentares e comportamentais, que precisa do aval de uma avaliadora para poder ter o direito de embarcar rumo às colônias espaciais. A Terra é um ambiente ruim para se viver e as pessoas fazem um belo esforço para poder deixar o planeta. Mas, existe um regulamento criterioso, e alguém que não consegue comer frutas, possui TOC e outras coisas mais seria um péssimo candidato para a viagem. Mas, ele se esforça ao máximo para passar em uma avaliação de sete dias feita por aquela que detém o seu destino em suas mãos. Irá ele conseguir ou terá seus esforços sido em vão?


A narrativa é bem tensa e quando entendemos o que está realmente em jogo, parece que qualquer respiro pode denunciar a verdadeira natureza do protagonista. Um suco de manga, um bolo com pedaços de pêra, tudo pode ir contra o personagem. A narrativa é escrita em um discurso em terceira pessoa, próximo aos personagens, de uma forma bem descritiva, sem diálogos. A aposta no estilo descritivo foi acertada porque ajuda a dar o clima do que está acontecendo em cena. O leitor consegue entender rapidamente qual é a proposta do conto, o que funciona bem já que o conto é pequeno. A narrativa se sucede em um espaço de sete dias, pontuado pelo autor cujas cenas acontecem em cada um destes sete dias, apresentados como subcapítulos. Gostei também da escolha porque à medida em que os dias vão se passando e a linha de chegada vai ficando mais próxima, os acontecimentos vão ficando mais complicados. Como se fosse algo nos comprimindo contra o chão e aguardamos obter ar para respirar.


Seria um conto para quatro estrelas se o Diogo não tivesse me surpreendido com algo inesperado. Por toda a narrativa, somos levados a entender a avaliadora como uma mulher cruel, uma antagonista para a história de libertação do personagem principal. Mas, na metade final da história, temos um breve momento em que vemos um dos dias pelo lado dela. Ela é humanizada, mostrando os problemas que ela tem no cotidiano através de um belo de um plot twist. Poderia ter tido mais tempo de tela, mas entendo que em um conto, a quantidade de linhas e palavras se torna um fator de compressão, o que muitas vezes obriga o autor a fazer escolhas. De qualquer forma é um ótimo começo para essa coletânea.


2 - "A morte da quimera"


Autora: Pamela Engelke Avaliação:

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Gênero: Fantasia



Esta é uma história fascinante que nos mostra como a fantasia pode ser usada para falar de problemas muito contemporâneos. Nossa protagonista está vivendo um momento de luto pela perda de Ricardo, um homem sem teto que vive em um lugar conhecido como a Praia. Nesse mundo algumas pessoas foram expostas a uma condição que as transforma em seres chamados de quimeras, que possuem partes de outros animais. Ricardo possui traços de pássaro, além das asas pretas. Assim como um pássaro, Ricardo deseja permanecer livre, sem ficar sob um teto. Vamos acompanhar como a protagonista o conheceu, como ela superou um preconceito inicial e como ele se tornou uma pessoa muito importante em sua vida. E acompanhar junto as etapas do luto vivido por ela.


Esse conto fala muito sobre a invisibilidade dos moradores de rua. O preconceito que eles sofrem vindo de outras pessoas. Estas os julgam e apenas querem tocar suas vidas adiante. Não há um interesse em entender por que elas foram parar naquele lugar. Poderia falar a respeito da noção de liberdade que Ricardo tinha, mas é que o preconceito é tão patente que até a protagonista precisa superar um desejo de distanciamento inicial. Tem um momento em que ela se pergunta por que ele está conversando justamente com ela e não com outra pessoa. Embora ela goste do espírito livre no começo, não sabe como reagir diante de sua presença. Isso a faz questionar sobre sua própria realidade. Esse contato com Ricardo a faz amadurecer para outras questões sobre sua relação com o mundo. A aporofobia foi superada pela compreensão de humanidade desta pessoa que possui tanto a dar para ela. Uma das coisas mais tristes é que ela parece não conseguir retribuir os presentes de vida que ela recebeu de Ricardo. É um daqueles contos que esconde sua real intenção nas engrenagens que movem o gênero fantástico.


3 - "Bruxa de Areia"


Autor: Lucas Santana Avaliação:

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Gênero: Fantasia



Em uma praia no nordeste brasileiro, Amália observa as sombras que tomam a cidade a cada dia que passa e teme pela sua vida. Afinal ela é uma bruxa da areia e ela é um ser solar. Ser tocada pelas trevas significa a sua aniquilação. Ela teme também o oceano impiedoso que se estende por quilômetros no horizonte. Seus medos se tornam cada vez mais reais à medida em que a especulação imobiliária pode fazer com que ela precise deixar sua casa para sempre e talvez nunca mais veja a praia. Seus temores só aumentam e um encontro com outro ser estranho pode ser que lhe ajude a virar um destino que parece iminente.


Essa é uma história que explora o medo do escuro em geral. A personagem é detentora de uma peculiaridade que é tratada com bastante cautela pelo autor. Em suas linhas, ele busca passar para o leitor o quanto a personagem teme aquilo tudo. A narrativa é escrita em terceira pessoa, pelo ponto de vista da Amália com ela descrevendo seus sentimentos e sensações para um narrador onisciente. Ao definir a história como uma fantasia, forcei um pouco a barra porque a narrativa se situa no limiar entre a fantasia e o realismo mágico. Não a considerei esta última porque faltou aquele princípio do fantástico como corriqueiro e algumas outras característica do gênero relacionadas ao tom e ao estilo. A escrita é boa e embora a história tenha alguns trechos que poderiam ter sido suprimidos, ela consegue ser compreensível para qualquer leitor. Faltou impacto emocional na narrativa. Por ser uma história intimista, ela precisa ecoar para quem está lendo. Nesse sentido ela falha, pelo menos para mim. Tecnicamente é uma história boa e recomendo a leitura.


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4 - "Despertar na aurora sideral"


Autora: Juliane Vicente Avaliação:

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Gênero: Ficção Científica



Durante uma viagem dos terráqueos, que agora são uma espécie quase imortal e habitando outros sistema planetário, de volta ao seu mundo, a tripulação parece estar passando por uma situação terrível. Nossa protagonista está semidesperta, ainda em seu tanque de animação suspensa, com as funções de seu organismo retornando uma a uma. Mas, não há tempo para que a capitã da nave e sua amada Amara a tirem do tanque, pois a nave será destruída em poucos minutos. O terror toma conta da protagonista que observa a tudo e nada pode fazer para sair daquela situação. Enquanto ela vê sua vida se esvaindo, momentos de sua vida passam por seu subconsciente e ela é lembrada que precisa sobreviver a qualquer custo.


Essa é uma narrativa tensa onde a personagem se encontra em uma situação na qual ela está impotente diante do que acontece com ela. A autora consegue transmitir muito bem esse sentimento de estar de mãos atadas e vendo as coisas acontecerem sem poder ter um agenciamento sobre suas próprias ações. Foi uma decisão acertada escolher a narrativa em primeira pessoa como veículo para transmitir isso porque é algo que o leitor vai sentir na pele. A construção da tensão é feita de uma forma muito rápida e somos envolvidos pela iminência dos acontecimentos na narrativa. Meu porém fica para os momentos de flashback da personagem que acabam por nos tirar daquela tensão. É compreensível estes flashbacks existirem porque oferecem profundidade à protagonista, mas imagino que uma outra forma de apresentar esse grau de profundidade teria sido mais eficiente. Talvez posicionando isso no começo e não na metade teria oferecido um resultado melhor. Digo talvez porque não consegui pensar em outra alternativa: por um lado o flashback é necessário, por outro ele te tira do cenário. Realmente fiquei em dúvida.


5 - "Alucinótica"


Autor: André Cordeiro Avaliação:

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Gênero: Ficção Científica



Imagine ser uma pessoa cuja condição física é não ter nenhuma sensação. Não sentir amor, alegria, raiva. Essa é a vida de Dimitri. Ele chega a uma São Paulo arruinada em busca de um médico que diz possuir uma tecnologia capaz de despertar as sensações dos usuários. Uma tecnologia que se espalhou por toda a parte, só que com resultados divididos. Mas, Dimitri está cansado e deseja mudar sua vida. Por essa razão ele sai em busca do criador. Depois de comparecer para a consulta e ter uma conversa inicial com o médico Viktor e explicar com mais detalhes a sua condição, ele finalmente revela o que deseja sentir: medo. Para a total surpresa do dr. Viktor e seu tratamento se inicia. Poderá ele sentir medo? Ou sua condição é tão terrível que nem os elogiados métodos aplicados pelo nobre doutor serão incapazes de reverter sua condição?


Este é um conto de teor mais filosófico. A gente tem um debate sobre a dicotomia entre o medo e a coragem. Eles são realmente opostos um ao outro, sendo que se é possível obter coragem sentindo medo? O personagem é atormentado por sua condição, algo que fica explícito desde o primeiro minuto. Essa sua incapacidade fez com que diversos acontecimentos ou eventos na vida de uma pessoa passassem ao largo dele. A ponto de ele colocar sua vida em perigo com frequência sem se dar conta. Viktor, uma clara referência ao famoso cientista da obra de Mary Shelley, fica apavorado com a condição de seu paciente. Ele o expõe a algumas cenas realmente terríveis, gráficas mesmo, buscando despertar o medo dele. Só que Dimitri nunca conheceu essa sensação ou qualquer outra emoção, então ele não tem uma base como ponto de largada. Achei legal a virada narrativa ao final porque este é um medo que é inescapável para nós. E vivenciá-lo é algo bem diferente de uma simulação.


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6 - "Carne de carnaval"


Autora: Luisa Montenegro Avaliação:

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Gênero: Ficção Científica



Jessica, uma garota de seus dezoito anos, se submete a uma experiência um tanto quanto peculiar para conseguir um dinheiro a mais. Ela se inscreve em um aplicativo que faz com que ela possa alugar seu corpo e autorizar que ele seja usado por outras consciências que podem fazer o que quiser com ela pelo tempo que pagarem. Na propaganda, tudo o que se diz é que é uma experiência rápida: piscou, acabou. Só que essa ideia de ganhar dinheiro provoca algumas situações bem estranhas para ela: algumas vezes ela apenas acorda em outra cama, ou com uma sensação estranha de tempo perdido. Em outras, acontece coisas realmente bizarras como a sua boca parecer ter sido costurada. Agora, ela é uma mulher grávida e ela aluga o seu ventre para que uma estranha prática aconteça. O que pareceu ser uma vida fácil, se transforma em algo realmente bizarro e Jessica agora tem medo de perder o controle do próprio corpo. De nunca mais ficar consciente. No que ela foi se meter?


Luisa Montenegro nos entrega uma belíssima narrativa em primeira pessoa. A história é apavorante e com toda a razão. Me fez pensar em Invasores de Corpos, do Jack Finney, mas de uma maneira completamente diferente. Ser em primeira pessoa nos permite quase vivenciar o medo em seu sentido mais primal conforme o sentido pela protagonista. Mais do que isso, se trata de uma escrita bastante sensorial onde a autora cria essas conexões límbicas entre o leitor e seu conto. As descrições são muito vivas e nos permitem entender o que acontece ao redor da personagem. Dependendo do leitor e de sua sensibilidade, você pode vir a sentir o mesmo medo que ela. Gostei de todo o contexto de uma empresa que usa um aplicativo que parece produzir um ganho fácil e insere algum outro menos legal e que proporciona um tipo diferente de prazer àqueles que possuem dinheiro. O bioterror é um gênero que eu já não via há algum tempo e fico feliz que a autora tenha decidido usá-lo. Achei o clímax final com o confronto em si meio anticlimático e as coisas se resolvendo com muita facilidade. Teria sido interessante deixar o final em aberto para que as personagens pudessem continuar sua luta e o leitor iria imaginar isso. Uma companhia tão grande ser derrubada dessa forma foi simples demais. Mas, entendo a vontade da autora de querer fazer um trocadilho em suas linhas iniciais e dar um certo tom de final feliz.


7 - "Bunker"


Autor: Emerson Rodrigues Avaliação:

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Gênero: Ficção Científica



Em um mundo devastado por guerras e desequilíbrio ambiental, viver dentro de uma redoma se tornou comum. O que existe do lado de fora é um calor infernal, capaz de derreter a pele. Nordeste e Sudeste no Brasil, agora territórios autônomos, disputam pelo domínio um do outro. No meio de tudo isso surgem uns seres chamados de Evoluídos que possuem habilidades especiais as mais diversas. Nosso protagonista foi contratado para fazer parte de um perigoso trabalho de resgate de produtos fora da redoma. Ao seu lado está um indivíduo que sempre viveu na proteção do seu lar, sem entender os perigos do que se esconde lá fora. Mas, em um dos seus trabalhos juntos, acontece um bombardeio inesperado e eles vão precisar se esconder dentro de um bunker de proteção. O que parecia ser apenas um abrigo seguro contra o desastre lá fora se torna uma prisão já que um deles é um Evoluído com poderes ilusórios e um terrível medo de lugares apertados.


Confesso que não gostei da história. Muita coisa pareceu simplesmente desnecessária na narrativa. A proposta dela é interessante, mas todo o contexto de ficção científica e de distopia parece muito mais uma cortina de fumaça do que algo realmente efetivo. No fundo essa é uma história que vai tratar de um sujeito desesperado com medo de lugares apertados. E é isso. Teria sido muito mais efetivo criar uma narrativa de suspense/terror com duas pessoas presas em um bunker. E teria tido o mesmo efeito. O cenário de ficção científica não é aproveitado; os efeitos dos poderes produzem mais uma ilusão, mas sem eles a história funcionaria do mesmo jeito; as explosões do lado de fora não precisavam ser de um mundo distópico. Quando a gente consegue desmontar os mecanismos que fazem uma história funcionar desse jeito, é porque o autor não conseguiu criar a suspensão de descrença em quem está lendo. Até porque no fundo, todas as histórias já foram contadas; o que torna uma narrativa memorável é o como ela é contada. O autor é um prestidigitador, ou seja, ele distrai a nossa atenção com uma mão enquanto que com a outra ele constrói os elementos formadores da história. A escrita do autor é até boa, mas esses problemas acabaram me atrapalhando de curtir realmente o que estava sendo contado.


8 - "Pele de cobra"


Autora: Carol Chiovatto Avaliação:

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Gênero: Fantasia



Um grupo de exploradores europeus, em uma Amazônia no período colonial, saem em busca de pistas a respeito de um estranho ataque de indígenas que eles logo descobrem terem sido feitos por invasores espanhóis. Para seguir mato adentro, eles precisam de um médico para tratar de possíveis feridos. Como o médico morreu recentemente, a jovem Nina, uma mulher liberta e que possui fama de ser bruxa, é incorporada ao grupo. No meio de uma floresta tão extensa e de necessidades tão urgentes, ela se tornou essencial para a continuidade da missão. Mas, esta será uma viagem tensa e repleta de descobertas e perigos. Não só isso: Nina tem um medo mortal de cobras... estando em uma floresta com o maior número delas.


A ambientação feita pela Carol é muito boa mesmo. Ela conseguiu captar o espírito da época através de uma descrição precisa e que, mesmo com uma visão contemporânea, aborda temas como preconceito, violência e colonialismo. Essa é uma narrativa bem direta onde os personagens saem de um ponto A e vão até um ponto B. Ao longo do trajeto, a autora desenvolve sua personagem e coloca os obstáculos para ela, de uma forma crescente. A sensação de iminência, de que alguma coisa ruim vai acontecer, é palpável. Não é algo que acontece de uma só vez, mas pequenas coisas que se acumulam e se transformam em algo maior. A escrita é bem clara, ou seja, mesmo que os leitores não conheçam nada sobre o período, Carol fornece todas as informações que você precisa saber. Uma coisa legal é que o leitor vai ficar curioso a respeito de determinados temas como a bruxaria no Brasil no período colonial e vai querer saber mais a respeito. Dica: leiam Inferno Colonial, da autora brasileira Laura de Mello e Souza, um dos melhores trabalhos sobre o tema. Mas, voltando aos aspectos da escrita, há uma clara divisão entre os três atos da narrativa com um clímax bastante satisfatório que fecha a narrativa ao mesmo tempo em que deixa o leitor imaginar o que aconteceu com a personagem. Uma boa história e que só tenho a recomendar graças ao talento da autora.


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Ficha Técnica:


Nome: Suprassuma n. 2

Organizado por Editora Suma

Editora: Suma

Número de Páginas: 172

Ano de Publicação: 2023


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O leitor é enviado para o site da Amazon, mas a revista é gratuita.













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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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