A batalha final contra o demônio Nezha se aproxima e uma vitória não virá sem sacrifícios. Nezha estica suas garras e consegue possuir ainda mais pessoas em sua batalha contra os melhores do mundo. Poderão Batman e Superman deter essa ameaça?
Sinopse:
Enquanto Robin e Supergirl correm para recuperar os segredos do Diabo Nezha na China antiga, Batman e Superman recebem uma surpresa inesperada no presente! Para salvar a humanidade do fogo do demônio, os Melhores do Mundo devem enfrentar o protetor do Setor 2814… o Lanterna Verde Hal Jordan.
Sacrifício e amizade são dois motes bem comuns em histórias de super-heróis. Um tema que já foi abordado de inúmeras maneiras possíveis e imagináveis por diferentes autores. Mas, como sempre digo, não é o tema em si, e sim a forma como ele é tratado. Depois de conhecerem o real perigo do demônio Nezha, Batman e Superman descobrem o quanto ele é poderoso. Possuindo corpos tanto de heróis como vilões, ele envia uma avalanche de inimigos contra os dois. É preciso descobrir qual é o ponto fraco deste ser poderoso e isto pode estar nas mãos de Supergirl e Robin. Só que tudo o que está ruim, sempre pode piorar. E em uma aventura solo, Dick Grayson tenta descobrir quem é o culpado para uma série de assassinatos em um circo itinerante. Só que os animais do circo estão sendo culpados por isso. Somente suas habilidades como detetive poderão solucionar o mistério.
O roteiro de Waid é muito consistente. Uma das vantagens de suas histórias é que elas são bem fechadinhas em si mesmas, sem a necessidade de precisar conhecer uma cronologia maior. Tudo o que você precisa saber estão nas vinte e quatro páginas de cada capítulo da história. Apesar da história ser bem veloz, Waid consegue fazer uma boa construção de personagens, o suficiente para trabalhar pontos bem específicos na narrativa. As cinco primeiras edições (vou falar já da sexta, que é uma história independente) que compõem este arco foram voltadas para construir a amizade e a parceria que envolvem Clark e Bruce. Ou melhor, Superman e Batman já que Waid se foca mais na identidade heróica dos dois. Mencionei na resenha anterior o quanto é mostrado a amizade que Batman tem pelo Homem de Aço e aqui isso é reforçado ainda mais. O roteiro é bastante inteligente ao construir situações que denotem esse tipo de preocupação. Há também uma dose honesta de diálogos e ação, com um quadrinho que não se perde em nenhum momento, sendo objetivo. Talvez seja esse ponto o que mais tenha cativado os leitores para essa série. Ele é um quadrinho solar, com temáticas voltadas para o heroísmo, o sacrifício e o companheirismo. Mesmo tendo um tema sombrio com o despertar de um demônio antigo. Mas, em nenhum momento senti que o quadrinho era pesado.
A arte do Dan Mora continua numa pegada bem forte. Seus quadros são pulsantes e ele transforma as páginas em animações incríveis. Os quadros possuem movimento e a coreografia dos personagens é bem feita, sendo coerente com os seus poderes e até com a física em si. Montar cenas de ação que envolvem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo não é tarefa simples. Não consegui identificar nenhum erro de continuidade. Há uma preocupação nítida de Mora em apresentar boas expressões faciais e gestos. Isso acaba por humanizar os personagens. Seja o rosto de Kara pela culpa de ter acontecido uma tragédia em sua frente, ou do Batman preocupado com o Superman após uma cena épica. Os personagens não são robóticos e reagem no ato em que as coisas acontecem. O roteiro sequer precisa descrever o que eles estão sentindo ou inserir uma fala de diálogo para pontuar alguma coisa. Roteiro e arte se complementam para construir uma história fascinante. As cores da Tamra Bonvillain estão fabulosas e é a cereja do bolo desta série. Alguns podem alegar que há um exagero no emprego de cores mais quentes, o que discordo muito. Essa HQ pede esse tipo de palheta de cores porque combina com aquilo que autor e artista desejam entregar: uma história heróica repleta de cenas de ação estroboscópicas e meio exageradas. Isso é quadrinho de super-heróis.
Vou ser um pouco chato e criticar um pouco a ausência do Robin em cenas chave. De um trabalho de personagem tanto com ele quanto com Kara. Entendo que esse arco é todo voltado para construir a relação entre Batman e Superman, mas se o próximo arco é sobre o Robin, a gente deveria ter tido alguma prévia dele nisso. Senti até que depois da terceira edição ele é meio jogado de lado. Até a Kara tem um pouco mais de tempo de tela. Ser objetivo em um roteiro não é ruim e esse é um dos pontos fortes dessa série. O problema é que a gente não pode esquecer completamente de tudo o que acontece ao redor. Vocês vão me lembrar que tem uma edição isolada com o Robin no número 6 e uma mini posterior. Ok, concordo. Mas, minha visão analisando só essas cinco edições é que poderia ter tido uma ou duas páginas a mais com ele. Somente para demonstrar a importância do personagem para o Batman.
O sexto número conta com a arte do Travis Moore, e é uma edição solo mais focada no Robin após os acontecimentos no final do arco anterior. Não vou contar muito a respeito, basta destacar como Waid trouxe o lado detetive da dupla dinâmica e fazia tempo que não via uma história assim. Gostei da diferença de tom em relação ao arco anterior e como é uma história mais intimista. Sem usar flashbacks, Waid conta parte da história de Grayson e sua conexão com o circo. Nesse ponto achei genial o roteiro. A edição permanece no presente vivido pelos personagens enquanto fala do passado. A arte de Moore é uma ótima substituta para o Dan Mora sem perda de qualidade. O que tem de diferente é o emprego de outros tipos de ângulos por Moore e como seus cenários são estilizados. Tem uma cena magnífica do Batman e do Robin no trapézio e Moore monta uma cena quase ao estilo do efeito DeLuca, repetindo movimentos para mostrar a beleza das acrobacias executadas pelos dois. Bonvillain continua cuidando das cores o que mantém a caracterização da série.
Temos várias histórias curtinhas no final das edições, com algumas possuindo até duas micro-histórias. Uma delas é com o Flash, com roteiros do Ryan Cady e arte de Gleb Melnikov; outra do Batman e o Homem-Borracha com roteiros de Joey Esposito e arte do Ryan Howard; uma terceira do Batman com o Etrigan (que eu odiei) com roteiro do Henry Baratas e arte de Serg Acuña; outra do Batman e do Superman com roteiros de Dave Wielgosz e arte de Jorge Corona; e por último um do Batman e vilões com roteiro curtinho de Dan Watters e arte de Riley Rossmo. Algumas dessas histórias são bem difíceis de se analisar porque são micro-narrativas de 3 a 5 páginas. Artisticamente falando gostei mais da arte do Riley Rossmo que tem um nível de detalhamento e perspectiva que me agradam muito. A primeira página contendo o título da história é linda e forma uma espécie de caleidoscópio que te dá o spoiler do enigma do Charada. Sim, leia algumas vezes a narrativa e você vai entender o motivo da irritação do Batman. A arte do Gleb Melnikov é aquela arte mais padrão mainstream, mas mesmo assim ela é bem feita. Algo que acho sempre bem difícil de fazer é como representar a supervelocidade do Flash. Vários artistas deram o seu toque nisso e o Melnokov se ateve ao fato de o personagem ser multitarefa. A representação da força de aceleração é quase no modelo de quadros cinéticos dos mangás. Artes estilizadas demais me desagradam como a do Serg Acuña e do Jorge Corona. Para mim não se encaixam bem naquele tipo de história.
Quanto aos roteiros, a que mais me agradou foi a história da parceria improvável entre o Batman e o Homem-Borracha. Não tem dois personagens mais opostos do que eles. Joey Esposito nos coloca o Patrick O'Brian na cola de uma criminoso fugitivo que o Batman também persegue. Só que Eel (apelido do Patrick) quer dar uma segunda chance ao seu companheiro enquanto que o Batman só quer aplicar sua justiça e tirar mais um bandido das ruas de Gotham. Mas, Eel apresenta outra perspectiva já que ele também foi um bandido no passado. E justamente o Batman foi quem o inspirou a ser uma pessoa melhor. Ele não tem a mesma índole obsessiva do morcego. É interessante porque durante a história vemos o Batman repensando sua abordagem com base nas palavras de Eel. A aventura do Flash também foi bem legal, mostrando a parceria entre Barry Allen, um cientista forense, e o Batman, um super detetive. É muito legal ver o respeito mútuo entre os personagens e o Batman vendo alguém ainda mais obsessivo do que ele. O Flash é um herói solar, mas se coloca um enorme fardo em suas costas querendo salvar todos. No fundo, esse é um desejo do Batman, mas ele conhece suas limitações.
Três boas edições mantendo o alto nível das edições e deixando um final bem satisfatório para o arco. O número 6 nos apresenta uma história bem legal estrelando o Menino-Prodígio. Voltando às raízes do Batman e Robin precisando exibir suas habilidades como detetives. Waid também trabalha as origens circenses de Dick Grayson e amarra tudo em uma boa história. Dan Mora é um dos melhores artistas da atualidade e mesmo quando foi substituído por Travis Moore não perdeu o ritmo. As histórias de fundo são de medianas para ruins. Não tem nada de destaque e algumas são questionáveis como a do Etrigan. A partir da próxima edição começa um novo arco, e Waid deixou sementes para outra minissérie chamada Batman vs Robin, que eu pretendo acompanhar. A nota máxima vai mais pela história principal do que pelas demais.
Ficha Técnica:
Nome: Batman/Superman - Os Melhores do Mundo ns. 4 a 6
Autores: Mark Waid (história principal), Ryan Cady (n. 4), Joey Esposito (n. 5), Henry Barajas (n. 5), Dave Wielgosz (n. 6), Dan Watters (n. 6)
Artistas: Dan Mora (história principal ns. 4 e 5), Travis Moore (história principal n. 6), Gleb Melnikov (n. 4), Jason Howard (n. 5), Serg Acuña (n. 5), Jorge Corona (n. 6), Riley Rossmo (n. 6)
Coloristas: Tamra Bonvillain (história principal), Luis Guerrero (n. 4), Dave McCaig (n. 5), Mat Lopes (n. 6), Trish Mulvihill (n. 6)
Arte-Finalistas: Scott Hanna (n. 4)
Tradutor: Diogo Prado
Número de Páginas: 48 cada
Ano de Publicação: 2023
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