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Uma HQ que traça a vida de Lima Barreto ao mesmo tempo em que nos apresenta a Primeira República. Uma profunda pesquisa feita por Spacca com base nas colunas de jornal escritas por Lima Barreto que nos mostra a realidade de uma república em formação.


Sinopse:


O cartunista Spacca e a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz narram o nascimento e as contradições da Primeira República através do olhar de um dos principais escritores brasileiros de todos os tempos: Lima Barreto.


Guiados pela narrativa da vida desse personagem fundamental que é Lima Barreto (1881-1922), vemos nascer a República brasileira, carregada de marcas autoritárias, num “mundo em que a cor atua como marcador e discriminador social”. Escritor militante, como ele mesmo se definia, Lima professou ideias políticas e sociais à frente de seu tempo, com críticas contundentes ao racismo (que sentiu na própria pele), aos estrangeirismos e outras mazelas crônicas da sociedade brasileira. Em Triste República, o cartunista Spacca e a historiadora e antropóloga Lilia Moritz Schwarcz ― autores de As barbas do imperador e D. João Carioca ― voltam a contar a história do Brasil em quadrinhos, desta vez investigando a Primeira República e prestando um tributo essencial a um dos maiores prosadores da língua portuguesa de todos os tempos.






Muitos de nós conhecemos Lima Barreto a partir de romances como Clara dos Anjos ou Triste Fim de Policarpo Quaresma. Romances que o tornaram um clássico entre os escritores nacionais. Mas, o bom malandro foi também colunista de jornal e era bastante engajado na cultura e na política da Primeira república. Esteve em jornais como A Careta, Fonfon, A Noite ora publicando suas colunas ou seus romances na forma de folhetins. Spacca, um cartunista de bastante rodagem, fez uma profunda pesquisa orientada por Lilia Moritz Schwarcz e coloca para nós, leitores, uma visão sobre A Primeira República muito interessante partindo da vida de Lima Barreto e de suas colunas e nos ajudando a enxergar fatos importantes deste momento inicial da república no Brasil. Um período histórico que, confesso, não tenho muito apreço ou interesse, mas que a prosa de Spacca me ajudou a ter um pouco mais de carinho. Aliás, terá sido a escrita do Spacca mesmo ou as citações que ele usa do Lima Barreto? Bem, se foi o bom roteiro do cartunista ou as falas mordazes de Barreto, o importante é que esse período histórico ganha mais cores neste bom quadrinho.


Como qualquer quadrinho informativo, o foco está no conteúdo apresentado pelo autor. Sei que a Lilia foi a orientadora do projeto, e a Lilia é maravilhosa, mas queria mais focar no Spacca como autor e desenhista. O leitor vai perceber de cara que a arte dele é mais cartunesca e invoca o espírito descontraído e irônico desse meio, puxando quase para o espírito chargista. Mas, entendi que o cartum é usado com um pouco mais de seriedade até para se concentrar em acontecimentos da época como mostrar o que foi a política dos governadores, ou apresentar a Exposição Universal ou a atuação de Anita Malfatti durante a Semana de 22. Os personagens estão todos ali. Claro que tem uma pegada mais leve com traços exagerados, o que ajuda a dar leveza ao quadrinho. E tem momentos em que precisa ser leve ao falar de acontecimentos mais pesados como a Revolta da Chibata ou Canudos. Minha crítica é que eu queria ter visto mais da arte do Spacca, com quadros mais soltos. É importante ter a informação precisa e em grande volume, mas, por exemplo, para quem como eu é professor e gostaria de usar os quadrinhos isolados em uma prova, a seleção se torna bem mais complicada. Se torna necessário usar sempre o todo e quase nunca um trecho ou outro. Tem um quadro incrível mostrando o trajeto seguido pela Coluna Prestes, mas é um quadro difícil de ser usado porque ele está interpolado com outros, se tornando complicado usá-lo separado.


A edição da Quadrinhos na Companhia está bem legal, em capa brochura, bem simples e sem grandes frescuras. E eu concordo totalmente com a escolha da editora porque se torna essencial baratear o custo para que a HQ possa chegar no máximo número possível de mãos. Achei até exagerado ter usado papel couché, podendo ter usado um mais simples como um off-white, por exemplo. Esse é um daqueles trabalhos voltados para escolas ou até como referência para professores. Por exemplo, para mim ele é bem útil porque me ajuda a lembrar de detalhes de alguns acontecimentos sem que eu precise consultar materiais mais específicos. Sem contar que posso usar trechos nas minhas aulas, como observei acima. Ao final do quadrinho tem uma cronologia com a vida de Lima Barreto, seus trabalhos, a data de lançamento de seus livros na época, intercalando com fatos importantes da época. A seguir, Spacca nos deixa uma boa quantidade de referências bibliográficas de suas pesquisas, com alguns materiais bastante conhecidos e outros mais específicos (nada como ver um clássico como A Formação das Almas, do José Murilo de Carvalho sendo referenciado). E, mais legal ainda, tem um índice remissivo com onde o leitor pode encontrar os quadros que falam de determinados assuntos.

Na minha visão, Spacca foi muito feliz ao escolher a vida de Lima Barreto para traçar as características da Primeira República. É fácil nos voltarmos a João do Rio, um escritor tradicional sobre o Rio de Janeiro para buscarmos entender a vida na antiga capital do Brasil, mas ver a visão de Lima Barreto é um sopro de ar fresco. Curiosamente, Lima Barreto teve uma vida curta (morreu aos 41 anos), mas pôde presenciar o final do período monárquico e quase toda a Primeira República. Viu os altos e baixos, os problemas, as polêmicas e acompanhou de perto a maneira como as oligarquias cafeeiras e os políticos corruptos tomaram conta do Brasil da época. Algumas de suas colunas possuem críticas ferozes, que destoam bastante de alguns intelectuais mais alinhados com o espírito da época. Spacca não é um biógrafo apaixonado e nos mostra os problemas da vida do escritor sem papas na língua. Lima era alcoólatra, chegou a ter um contato com o movimento feminista embora nunca tenha o aceitado, fez um discurso contrário à Semana de 22 que afetou Anita Malfatti profundamente. É uma biografia sincera e que parte de fatos, sem juízos de valor.


A vida de Lima Barreto foi bastante conturbada. Tendo nascido em uma família que precisou batalhar bastante para conseguir seu sustento, viu de perto as comemorações da assinatura da Lei Áurea e o pouco efeito que isso teve para uma população que permaneceu marginalizada. Embora nós celebremos o escritor e ele faça parte de um grupo marcante de estrelas como Machado de Assis, Aloísio de Azevedo, José de Alencar, entre tantos outros, Barreto nunca teve o merecido reconhecimento na época em que escreveu. Suas obras eram incompreendidas e, como tiravam espelhos de sua própria vida, eram vistas com olhos tortos pela intelectualidade. Livros que pouco ou nada vendiam e, mesmo quando Monteiro Lobato foi seu editor e o colocou sob sua batuta, não teve a popularidade que merecia. Ele tentou diversos projetos paralelos, nunca conseguindo ir longe neles porque eles encalhavam. Vendia suas colunas a preço de banana, meramente para ganhar seu sustento e ajudar uma extensa família. Muito jovem ele se tornou o principal provedor da casa, já que seu pai foi encostado, com graves problemas de saúde. De certa forma me entristece ver o quanto ele era à frente de sua época em muitos sentidos e o quanto ele não conseguia atingir o patamar que desejava.

Falando sobre a forma como o período nos é apresentado, ele é riquíssimo em informações. Para aqueles que buscam conhecer mais sobre o período, esse é um ótimo material de entrada. Gosto de como Spacca nos traz as informações sem aquela divisão chata que vejo em vários livros didáticos, apresentando os acontecimentos por presidente. Spacca separa em grupos temáticos, indo e voltando quando é necessário e explicando todo o contexto de uma forma simples e direta. Os acontecimentos se sucedem de uma maneira orgânica e conseguir encaixar tudo em aproximadamente 180 páginas ao mesmo tempo em que fala da trajetória de um autor prolífico como Lima Barreto não foi uma tarefa simples. Do ponto de vista historiográfico e do ponto de vista quadrinístico, o material me agrada. Só, como comentei antes, teria dado mais espaço para a arte se espraiar.


Entender mais sobre a Primeira República é essencial nos dias de hoje. Parando para refletir sobre a política dos governadores, o coronelismo, os movimentos sociais da época, o voto de cabresto, é assustador o quanto esse período tem muitas similaridades com os dias que vivemos hoje. Muitos dos críticos atuais costumam buscar as raízes dos problemas que vivemos hoje na ditadura iniciada em 1964. Acho que 2022 tem muitas similaridades com as primeiras décadas do século XX. Com militares buscando reforçar seu poder, com uma classe latifundiária que não vê escrúpulos ao comprar votos ou ao usar de todo tipo de expediente corrupto para se perpetuar no poder. Ou movimentos sociais que buscavam mitigar a fome e promover mudanças reais sendo reprimidos com força pelas polícias locais. Ou em como o preconceito e a xenofobia eram a ordem do dia, seja em acontecimentos como a Revolta da Chibata ou em situações como uma imigração desordenada ao Brasil. A Primeira República é um oceano de corrupção e ninguém escapava disso. Homens com boas intenções como Ruy Barbosa e sua campanha civilista eram atropelados pelos interesses de poucos. Vale a leitura para vermos como parece que não aprendemos com o passado e costumamos repetir nossos erros.


Triste República é um trabalho de fôlego que gostaria de ver chegar ao máximo número possível de mãos. Que tem todo o potencial para passar por um processo de seleção como o do PNLD Literário e chegar às escolas públicas espalhadas por todo o Brasil. Ao mesmo tempo, é uma boa HQ para que possamos conhecer mais sobre este período sem precisar ler materiais mais pesados. Ou até mesmo um material de consulta ou de preparação de aulas para um professor de História ou de Literatura. Os meus parabéns para Spacca e para a orientação sempre precisa da Lilia Moritz Schwarcz.



Ficha Técnica:


Nome: Triste República - A Primeira República comentada por Lima Barreto

Autor: Spacca

Orientado por Lilia Moritz Schwarcz

Editora: Quadrinhos na Companhia

Número de Páginas: 196

Ano de Publicação: 2022


Avaliação:


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Companhia das Letras






 
 
  • Foto do escritor: Paulo Vinicius
    Paulo Vinicius

O aquário Gama Gama é a paixão da vida de Kukuru. Mas, a baixa quantidade de visitas e a idade de seu avô fazem com que ele decida fechá-lo no final do verão. Kukuru pede para tentar salvar o aquário e seu avô a nomeia diretora interina até ele fechar. A chegada da ex-idol Fuuka, sem rumo e desesperançosa após perder sua vaga na agência de talentos, podem ocasionar uma virada na vida de Kukuru e do Gama Gama.



Desde que Shiroi Suna no Aquatope foi anunciado meses atrás, eu sabia que esse seria o meu momento relaxante da semana. Aquele slice of life com uma história cotidiana, uma música tranquila e pessoas felizes fazendo coisas legais. Em todas as temporadas, sempre saio em busca desse tipo de material e não me decepcionei nem um pouco com Aquatope. Sei que é o tipo de animação que não agrada a todos, não tem uma história emocionante com explosões, dramas e viradas. Mesmo assim, slice of life, ou histórias de cotidiano, conseguiram cativar uma legião de fãs que procuram algo diferente no meio de tantos lançamentos. Nesse ponto, Aquatope entrega tudo o que fãs como eu curtem. E com isso consigo satisfazer os meus momentos de paz semanais.


Sendo mais um título do studio P.A. Works, responsável por animes como Shirobako e Hanasaku Iroha, ele mantém todas as características do gênero com sucesso. Personagens cativantes e sensíveis, uma história de superação resolvendo problemas corriqueiros e pessoas com dramas e dificuldades reais. A direção ficou nas mãos de Toshiya Shinohara (filmes de InuYasha e Kuroshitsuji), a direção de fotografia com Satoshi Namiki (Another e Hanasaku Iroha), a arte de fundo com Yoshinori Shiozawa (End of Evangelion e Rewrite) e a direção artística com Kurumi Suzuki (Irozuki Sekai no Ashita kara). Como podemos ver pelo background dos membros da equipe de direção todos são muito experientes e já participaram de grandes projetos. Não que a animação seja exigente demais já que um slice of life não precisar se esmerar em algo bem trabalhado. Basta que consiga transmitir bem as mensagens desejadas. A trilha sonora serve para manter o ar calmo da animação e são músicas que se encaixam adequadamente nas cenas.


O aquário Gama Gama é o lugar onde Kukuru cresceu. Até hoje ela se encanta com o aquário criado por seu avô e toda a magia que ronda os seus salões. Ela se dedicou a aprender um pouco sobre tudo o que existe no aquário, mas quando seu avô revela que pretende vender o aquário no final do verão, seu coração se parte. As visitas ao aquário tem diminuído assim como o interesse das pessoas. Mas, Kukuru insiste em manter o aquário, esse lugar tão incrível que ela deseja compartilhar com as pessoas. Depois de muito conversar com seu avô, ele concorda em torná-la diretora interina até o fechamento do aquário no prazo determinado. Sobre fechar ou não o aquário, seu avô foi esquivo e preferiu não dar uma posição quanto a repensar sobre o assunto. Kukuru não quer desistir de seu sonho.


Por outro lado, Fuuka desiste de seu sonho de se tornar uma idol. Depois de passar por muitas dificuldades e decepções, ela se convence que esta não é uma vida para ela. Ao levar seu pedido de demissão para sua agente, ela ouve os comentários sussurrados a seu respeito: "Nunca teve o espírito", "nunca se importou o suficiente", "não tem o talento". As lágrimas vem em seu rosto e ela sai derrotada da agência de talentos sem um destino certo. Ao ligar para a sua mãe, ela afirma estar voltando para casa, derrotada e de malas prontas. Mas, por uma loucura do destino, ela subitamente decide seguir para Hokkaido já que ela sempre gostou do mar. Fuuka não sabe entender por que ela vai até lá até que chega a uma cidade com um pequeno e lindo aquário. Ao visitar a exposição de animais marinhos, ela se vê sugada para dentro de uma paisagem oceânica onde ela vê peixes e outros animais passando ao seu redor, em uma experiência onírica maluca. É então que ela conhece Kukuru, a diretora do aquário com quem ela faz rapidamente amizade. Em um impulso louco, Fuuka pede a Kukuru um emprego no aquário Gama Gama. Nem ela sabe por que fez isso, mas no fundo de seu coração sabe que é a coisa certa a se fazer. É aí que os destino das duas meninas, a que tem um sonho e a que perdeu um sonho, se encontra. Será que elas conseguirão salvar o Gama Gama de ser fechado?


Uau... precisei de dois parágrafos para explicar a sinopse da história. Fiquem tranquilos que eu não dei nenhum spoiler, é apenas a premissa básica do primeiro episódio. E o motivo pelo qual a história acontece. É fascinante ver essa contradição entre um sonho sonhado e um sonho perdido. Temos duas personagens com diferentes experiências de vida que se encontram por alguma mágica do destino. Aliás, esta é uma série marcada por situações fantásticas e inexplicáveis acontecendo. Não se trata de uma narrativa de fantasia, mas espíritos mágicos rondam o Gama Gama e pregam peças de vez em quando. Como isso que aconteceu à Fuuka que eu descrevi no parágrafo acima ou em um senhor idoso que sempre aparece no aquário para se lembrar do amigo que ele perdeu. E de repente ao olhar para dentro do aquário, ele revive um momento feliz com seu amigo cujo espírito se despede dele com carinho. São pequenas coisas que tocam o coração de todos aqueles que nutrem algum sentimento pelo lugar e acabam protegidos pelos espíritos.


Kukuru é uma personagem alegre e animada e sua preocupação com o Gama Gama a colocou na posição de buscar encontrar alguma forma de salvá-lo. Ela se torna uma diretora séria e trabalhadora, conhecedora de cada detalhe da administração do local. Com a ajuda de um grupo pequeno, porém unido de funcionários, ela tenta criar estratégias que possam aumentar a renda de lá. Só que a indiferença e a falta de visitas doem em seu coração porque cada dia que passa a esperança de salvar se esvai. A chegada de Fuuka dá um sopro de ar fresco ao Gama Gama e apesar da resistência inicial e de achar que ela estava ali só por conveniência, Kukuru percebe o esforço que a ex-idol tem para cuidar de lá. As duas desenvolvem uma forte conexão o que leva Kukuru a renovar suas energias. Claro que ela sabe que ainda falta muito para conseguir de fato salvar o Gama Gama, mas só o fato de ter alguém com ideias novas por perto já significa uma mudança.


Demora um pouco para a ficha da Fuuka cair em relação às suas escolhas. Ter saído de Tokyo, um grande centro para uma cidade menor e que se situa em uma região turística e de praia é uma baita mudança. E ela é atraída ali pelos ventos da mudança... ou seja, não houve um planejamento. Tanto que ela nem chegou a avisar a mãe que estaria indo para lá. Fuuka, de fato, fugiu de casa; ou fugiu de voltar para casa. Ela é abrigada na casa dos avós de Kukuru e decide trabalhar no Gama Gama. Ter tido seus sonhos destruídos pelos obstáculos apresentados pela vida a fez ficar vazia. De repente o sonho de sua vida deixou de existir, deixando tudo em ruínas. É curioso usar essa expressão porque o subtítulo da série é Quando duas Garotas se encontram em uma cidade em ruínas. Podemos dizer que essa cidade poderia ser os sonhos das duas que foram balançados pelas circunstâncias. Fuuka permanece no Gama Gama porque a magia do lugar lhe proporcionou uma visão de que ela poderia encontrar seu caminho em breve. É como se ela hoje fosse um copo vazio e estivesse sendo preenchida com água lentamente por aqueles que trabalham no aquário: desde Kukuru até todos os outros. Fuuka se torna uma pessoa que funciona quase como uma irmã mais velha para Kukuru, servindo de apoio e confidente quando ela precisa. Essa relação, que a animação brinca com o equilíbrio de um amor romântico e um amor fraterno, é o que vai levar a série em seu ritmo tranquilo e sossegado.


Aquatope é o típico anime de quem procura uma história relaxante e que levante os nossos espíritos. Não vai agradar a todos, e isso é bem comum em slices of life. Muita gente reclama que são animes que parecem não ir a lugar nenhum, que não possuem emoção. Discordo porque esse não é o objetivo deles. Aqui temos apenas duas pessoas que precisam reencontrar seus sonhos dentro de um lugar que precisa de ajuda. Um aquário quase mágico que leva esperança e sonhos a todos que tem algum tipo de laço com o lugar. Recomendo a animação a todos aqueles que estão em busca deste pequeno lugar seguro e mágico. E continuarei sempre a buscar esse tipo de animação em todas as novas temporadas.




 
 

Desde pequena, Diana tem estranhas visões com nuvens coloridas e situações que ela não é capaz de explicar. Ela toca sua vida, mas tenta esconder isso para não ser considerada uma pessoa com algum problema. Mas, os estranhamentos estão se tornando cada vez mais frequente, o que irá mudar sua vida para sempre.


Sinopse:


Diana está terminando o curso de história na USP e mal vê a hora de deixar para trás a rotina cansativa entre Guarulhos, a cidade onde mora, e São Paulo, onde estuda, trabalha e encontra os amigos.


Desde jovem, a universitária testemunha fenômenos peculiares que só ela enxerga: breves aparições de uma névoa colorida, próximas a determinadas árvores. Certa noite, diante do quiosque de salgados da faculdade, ela vê uma ocorrência e percebe que não foi a única a presenciar o estranho fenômeno.


Quando seus amigos mais próximos revelam segredos que jamais poderia imaginar, Diana descobre que suas visões fazem parte de um ecossistema complexo, alvo de conspirações e jogos de interesse. Agora, ela terá de lutar para proteger espécies ameaçadas — e garantir a segurança daqueles que ama.







Nos últimos anos a preocupação com o meio ambiente tem se tornado cada vez maior. Encontrar soluções para problemas como o avanço do espaço urbano, a exploração científica ilegal de espécies em perigo de extinção e os investimentos em projetos de laboratórios clandestinos são pautas importantes e que merecem a devida atenção. Carol Chiovatto nos traz vários desses temas importantes em uma trama que tem muitos dos elementos de fantasia urbana que ela tanto gosta (e que a tornaram conhecida no romance Porém Bruxa). O resultado é um livro divertido, repleto de mistérios e emoções vividos pela sua protagonista em mais de trezentas páginas. A edição da Suma está muito bonita com uma aplicação de verniz no título, uma capa lindíssima e uma diagramação bem gostosa. Dá uma boa valorizada no trabalho da Carol, além de oferecer aquela primeira impressão chamativa em que o leitor certamente vai pelo menos dar uma chance para ler a sinopse da história. O resto é com a escrita da Carol que é fantástica e tenho certeza que os leitores não vão se arrepender em dar uma oportunidade para a autora.


Acompanhamos a vida de Diana, uma jovem estudante de História que precisa lidar com o fato de que desde pequena enxerga coisas que outras pessoas não consegue. Teias coloridas, estranhas névoas, animais de cores bizarras... Ela já compartilhou isso com sua irmã e uma outra amiga, a Mayara, mas ninguém parece ser capaz de ver aquilo que a atormenta. E nos últimos tempos os fenômenos tem se tornado cada vez mais frequentes. Enquanto ela lida com tudo isso, Diana acaba conhecendo Miguel, irmão de seu amigo Tiago, com quem já passou vários momentos bacanas nesses anos de universidade. Miguel a atrai com seu jeito mais quieto, porém educado e Diana parece finalmente que vai conseguir ter um relacionamento saudável após sair de um que a manteve chateada por alguns anos. O fim do seu período universitário também a preocupa já que ela precisa pensar o que vai fazer de sua vida enquanto pensa que perderá alguns de seus amigos para a vida. Todo esse drama do fim da adolescência vai ficar mais e mais bizarro quando suas visões a colocam no meio de uma trama que envolve segredos escondidos dos olhos do mundo.


Árvore Inexplicável é o segundo romance que leio da Carol (o primeiro foi Senciente Nível 5) e aqui dá para perceber o quanto a autora foi aprimorando sua habilidade como escritora. Algo que fica bem claro no trabalho dela é o seu apreço pelo desenvolvimento de personagens os mais verossímeis possíveis. Por mais que a ambientação seja fantasiosa ou se passa em um futuro espacial, os personagens da autora possuem características claramente definidas. Ela não se preocupa em usar alguns capítulos para nos mostrar quem o personagem é, quais suas motivações, suas virtudes e defeitos e suas vozes únicas. O emprego de uma narrativa em primeira pessoa ajuda o leitor a entender estes personagens. Enxergamos o mundo através de seus olhos, compreendemos seus sentimentos. O livro começa bastante focado em Diana e ela é a voz que nos guia por uma São Paulo movimentada que de repente se vê afetada pelo surto de covid-19 e tem sua realidade completamente alterada. Mas, mais à frente na narrativa, os capítulos se alternam com outros personagens da história. O que me chamou a atenção é em como os capítulos desses personagens são diferentes entre si, possuindo vozes que ora podem ser mais descritivas, ora mais passionais. Até porque os personagens que narram não são os mesmos. Por essa razão é lógico pensar que a própria forma como esses personagens narram em primeira pessoa sejam diferentes. Só que, por incrível que pareça, isso não é algo comum. O que a Carol fez é algo muito bom.


A narrativa começa enfocando as dúvidas e questionamentos de Diana acerca de sua condição. Carol faz um bom trabalho mostrando o quanto a personagem está dividida acerca disso. A ideia não é mostrá-la como alguém com super-poderes, mas uma garota querendo viver sua vida. Suas dúvidas são legítimas porque isso afeta a sua vida. O pior de tudo: ela não tem com quem conversar a respeito. Mais tarde, Diana vai interpretar isso como sendo um preconceito de sua parte, mas não vejo assim. Qualquer um no lugar dela reagiria da mesma forma. Como não pensar que essa peculiaridade não fosse algo de sua mente, que poderia esconder algum transtorno ou outra condição. A ausência de alguém para compartilhar isso é terrível e enlouquecedora. O receio de ser taxada por seus iguais como indigna de confiança, o bullying, os pequenos comentários. Carol consegue transmitir com perfeição esse dilema da personagem. Fiquei em cima do muro em relação ao tempo que esse momento da história leva. Por um lado achei certo e necessário para construir esse contexto de dúvida na protagonista. Até mesmo colocá-la como uma pessoa sociável ao mesmo tempo em que se preocupa com como as pessoas irão passar a vê-la se ela contar o que tem. Por outro lado, achei que a autora levou tempo demais nisso, podendo afastar um leitor mais impaciente. Em alguns capítulos, pouco ou nada acontece para avançar a trama o que poderia ter prejudicado no longo prazo. Como disse, fiquei em cima do muro em relação a isso, mas só a dúvida já me fez repensar o todo.


Se disse que a Carol trabalha bem as vozes dos personagens, o mesmo posso dizer dos diálogos. Só posso aplaudir de pé a maneira como a autora faz para tornar os seus diálogos reais. Eles não são encenados ou robóticos como acontecem em alguns romances. Já li romances de fantasia em que os personagens parecem estar declamando um texto. Já aqui isso não é o caso. Eles soam naturais e qualquer pessoa poderia estar conversando dessa forma na rua. A autora também não se perde em estereotipar os diálogos, forçando gírias ou empregando regionalismos desnecessários. Os personagens falam como pessoas que moram em São Paulo. Não apenas isso, como não há exagero no seu emprego. Quando não há necessidade de usar um travessão para afirmar ou negar alguma coisa, ela simplesmente descreve a cena. Sem mais nem menos. Carol também não emprega info dumping; as informações são oferecidas ao leitor aos poucos, com um crescendo que impacta nos mistérios da trama. Nada de entregar todas as informações de uma só vez como se fosse um mistério da Agatha Christie. Tudo com calma e paciência.


Os capítulos são bem curtinhos, o que oferece uma enorme velocidade à trama. Mas, não subestimem o que está sendo apresentado a vocês. Os mistérios são entregues aos poucos, seja nas falas ou nas reações dos personagens. Como se trata de uma narrativa em primeira pessoa, acompanhamos tudo ao lado deles. Podemos até ter nossas desconfianças, mas se o personagem não percebe algo, nós não iremos perceber também. A narrativa possui uma construção em três atos, sendo que a narrativa vai se tornando mais e mais complexa e envolvente a cada virada de página. Quando cheguei à terceira parte, lembro que devorei mais de cem páginas de uma só vez. A curiosidade me matava para saber o que aconteceria a seguir. Carol sabe deixar bons ganchos narrativos que fazem com que fiquemos com aquela pulga atrás da orelha. Sabe aquela situação de "vou ler mais um capítulo só para ver o que acontece"? Isso se repete bastante. A história tem um bom tamanho, mas, como me referi mais acima, talvez eu cortasse um pouco da história para que ela ficasse perfeita. Mas, é uma visão minha e mesmo eu fiquei em dúvida quanto a isso.


O contexto em que a história se passa é no começo da pandemia de covid-19 no Brasil entre os meses de fevereiro e de julho. Quando as informações eram escassas e as mudanças pelas quais passamos foram drásticas. Os personagens revelam todo o receio e o desconhecimento sobre uma doença inexplicável, sem querer usar o trocadilho. Também vivíamos sob um governo negacionista que era um solo fértil para o que acontecia durante a narrativa. Carol conseguiu reproduzir bem os medos e anseios desses período. Porém, preciso pontuar a respeito de algumas referências que ela faz durante a história. Certas referências são muito específicas como o desgoverno que vivíamos e outras informações pequenas e sutis que só serão lembradas no futuro por quem viveu intensamente esse período. Faltou explicar determinadas situações o que pode prejudicar o livro daqui a alguns anos. Referências só são boas ou intrigantes quando entendemos mais ou menos ao que elas se referem. Do contrário soam apenas estranhas.


Adoro os personagens e depois que terminei a história, percebi o quanto eles vão me fazer falta. Gostei da gentileza do Tiago e seu amor incondicional por Yoko. Da linda relação entre irmãs de Nati e Diana e o quanto isso me fez pensar que eu adoraria ter tido um irmão ou uma irmã e o quanto gostaria que fosse como a Nati. Do jeito controlador de Miguel ao mesmo tempo em que ele se sente desconfortável com seus sentimentos. Da doce Mayara e seu amor por cuidar dos animais. Tudo isso e muito mais está presente nesses personagens que formam um núcleo intenso onde as relações se desenvolvem no contato íntimo com eles no dia a dia. Vamos conhecendo pedaços de cada um deles aos poucos até montarmos um quebra-cabeças. Em alguns momentos vamos duvidar de cada um deles, graças às suas inseguranças e aos momentos tensos acontecendo na narrativa. Um segredo precisa ser mantido, mas a que custo? Mesmo que tenhamos todas as melhores intenções do mundo, não podemos deixar alguém que amamos de fora de algo que pode afetar a sua vida. A reação que acontece no desenrolar da história é natural porque um laço de confiança foi rompido (curiosamente isso volta a acontecer lá no final da terceira parte). Recuperar a confiança perdida leva tempo, pode nunca acontecer e sempre modifica nossos sentimentos. Para o bem ou para o mal.


Árvore Inexplicável é uma boa leitura para quem está buscando ler algo que fale sobre meio ambiente e a proteção da fauna e da flora. Tudo com aquelas pitadinhas saborosas de magia que são tão características dos romances da autora. Com uma trama envolvente que, apesar de demorar a pegar, nos leva a um mundo de segredos que precisam protegidos, de relações que estão para amadurecer como belas árvores e de uma personagem que precisa se aceitar assim como ela é. Afinal quantos de nós já não passaram por uma situação em que nossos medos acabam custando o melhor de nós mesmos.











Ficha Técnica:


Nome: Árvore Inexplicável

Autora: Carol Chiovatto

Editora: Suma

Número de Páginas: 328

Ano de Publicação: 2022


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Editora Suma















 
 
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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. 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Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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