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Atualizado: 25 de out. de 2023

No mês das festividades, um pouco mais de tranquilidade e menos movimento no mercado editorial. Mesmo assim, selecionamos a dedo alguns títulos que podem ser interessantes para os leitores.



1 - "The Union" de Leah Vernon


Ficha Técnica:


Nome: The Union

Autora: Leah Vernon

Editora: 47North

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 326

Data de Lançamento: 01/12


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Sinopse: Milhares de anos no futuro, uma elite dos Pretos reina. As classes inferiores batalham nos campos por sobras em cidades afligidas pela miséria e pela doença, servindo os seus governantes em um mundo cruel e dividido.


Entre as Elites está Avi Jore, uma garota de dezoito anos, filha de um homem poderoso e destinada a governar. Mas quando ela atinge sua maioridade, Avi não consegue deixar de perceber as injustiças de seu mundo - o tratamento de trabalhadores escravizados e a opressão das classes inferiores. Sua desilusão cresce quando ela encontra Saige Wilde, uma garota mestiça escravizada cujo único objetivo é escapar para além das fronteiras de sua nação brutal.


Quando Saige salva Avi de uma tentativa de assassinato, seus caminhos se cruzam em formas que elas nunca imaginaram. Com Saige planejando como conseguir sua liberdade, Avi tenta realizar mudanças de dentro da corte. Mas é uma tarefa complicada, repleta de perigos e malícia.


Juntas, seus esforços podem pavimentar uma revolução - e reforçar o poder de uma amizade.


2 - "Augland" de Erin Carrougher


Ficha Técnica:


Nome: Augland

Autora: Erin Carrougher

Editora: Morgan James YA Fiction

Gênero: Ficção Científica/Young Adult

Número de Páginas: 296

Data de Lançamento: 06/12


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Sinopse: Augland 54 é o parque de diversões mais extravagante do Noroeste do Pacífico. Aqueles com Trajes escolhem o corpo que querem e vivem a vida de seus sonhos... e aqueles sem Trajes trabalham para o Centro de Existência Artificial, ou CEA. Enquanto os trabalhadores mantiverem suas cabeças baixas, Augland fornecerá comida e abrigo de um mundo pós-guerra que fica do lado de fora dos domos. Quando Ashton é enviada para a nova atração Terra das Lendas, ela descobre que Augland está mantendo segredos - dentro e fora de suas paredes - e eles estão mais violentos do que ela pensava. Então ela decide contra-atacar. Afinal, se Augland a fará se vestir como uma princesa guerreira de cabelos vermelhos, então ela está mais do que satisfeita em se tornar uma. Em mundo governado por uma corporação habitado pelos corpos modificados dos ricos, seguramente separados das outras pessoas em câmaras de extensão de vida, Ashton expõe a vergonha do sucesso de uma corporação e se recusa a permanecer como uma engrenagem da máquina. A única coisa que importa agora é a liberdade.


3 - "The Citadel of Forgotten Myths" de Michael Moorcock


Ficha Técnica:


Nome: The Citadel of Forgotten Myths

Autor: Michael Moorcock

Editora; Saga Press

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 336

Data de Lançamento: 06/12


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Sinopse: Elric é o imperador afastado do império Melniboneano, lutando com sua natureza enquanto luta desesperadamente para seguir em frente com seu império decadente ao lado de sua sede constante por almas, fruto de sua espada, Stormbringer. Elric está em busca da grande Cidadela dos Mitos Esquecidos enquanto viaja ao longo do que restou de seu império com o seu melhor amigo Moonglum, com Elric procurando respostas para a natureza da ascensão dos Jovens Reinos. Acontecendo entre o primeiro e o segundo livro da Saga de Elric, The Citadel of Forgotten Myths é perfeito para os fãs de longa data e para aqueles que estão conhecendo essa fantástica série.


4 - "Where it rains in color" de Denise Crittendon


Ficha Técnica:


Nome: Where it rains in color

Autora: Denise Crittendon

Editora: Angry Robot

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 416

Ano de Lançamento: 06/12


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Sinopse: Colonizados pelos descendentes da Tribo Dogon cuja origem é da África Ocidental, o planeta Swazembi é uma utopia rica em cores e um dos mais famosos centros turísticos da galáxia. Ninguém está em grave perigo neste mundo idílico, de amantes da paz, nem mesmo o Rare Indigo.


Mas a vida perfeita e mimada de Lileala está prestes a ser mudada. O impensável acontece e a gloriosa pele da meia-noite fica infectada com uma doença misteriosa. Onde sua pele poderia brilhar como diamantes misturados com carvão, ao invés disso tem crostas e escaras. Além disso, ela começa a ouvir vozes em sua cabeça, e tudo ao seu redor se torna confuso e assustador.


O destino de Lileala, entretanto, vai além de sua beleza. Enquanto busca por uma cura, ela esbarra em algo ainda mais valioso. Um novo poder desperta dentro dela, e ela percebe que toda a sua vida, e a galáxia junto com ela, está prestes a mudar...


5 - "Expect me tomorrow" de Christopher Priest


Ficha Técnica:


Nome: Expect me tomorrow

Autor: Christopher Priest

Editora: Mobius

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 320

Data de Lançamento: 13/12


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Sinopse: Um ladrão mesquinho conhecido como John Smith foi preso por comportamento fraudulento em 1877. Ele enganou mulheres fazendo-as pensar que ele é rico, então roubava os seus pertences e desaparecia. Sua culpa era óbvia.


Em 1852, o pai de Adler e Adolf Beck morre em uma expedição a uma geleira, e suas vidas são separadas. Um se torna um respeitado climatologista, a outra uma cantora de ópera bem-sucedida viajando pelo mundo. Ou ele pensava assim. Porque ambos permaneceram em contato, se apenas para compartilhar as vozes misteriosas que apenas eles podem ouvir.


Charles Ramsey também tem um gêmeo. Estamos em 2050 e Greg é um jornalista que trabalha com mudanças climáticas inspirando conflitos ao redor do mundo. Quando Charles se torna redundante em seu trabalho como um montador de perfis para a polícia e é enviado para casa com um novo chip experimental em sua cabeça, ele é incentivado pelo seu irmão a explorar um aspecto pouco conhecido da história de sua família.


Todas estas pessoas estão conectadas. Todas as suas vidas irão ter um ponto de interseção. E o clima do mundo continuará mudando.





 
 

Uma série de histórias curtas cujo tema central é a separação. Sejam por sentimentos que divergem, interesses desencontrados e a quebra entre os casais. Tudo regado a uma arte maravilhosa de um dos maiores artistas espanhóis em atividade.


Sinopse:


Em Tangências, Miguelanxo Prado deixa seu lado sarcástico de lado por um momento para nos oferecer uma visão cúmplice, madura e profunda de relações sentimentais que, por algum motivo, só se concretizam de forma tangencial, imperfeita e limitada. O que faz com que duas vidas, que em um momento se juntaram com grande intensidade, voltem a separar seus caminhos? O resultado final, seja paradoxal, vingativo, dramático ou mesmo trágico, é carregado com um realismo e intensidade emocional que nos lembra a obra mais premiada do autor, Traço de Giz. A edição da Conrad ainda conta com um EXTRA exclusivo: uma nova entrevista com Miguelanxo Prado feita pelo jornalista e editor Sidney Gusman.






Tangências é uma HQ muito sensível que fala de relacionamentos. Em diversas histórias curtas, Miguelanxo Prado nos mostra casais que se encontram pela última vez em uma explosão de calor sexual para em seguida se separarem por algum motivo. E estes são diversos: interesses divergentes, pontos da vida em que eles não mais se encontram, sentimentos que não se complementam. Em pinceladas poderosas, o autor nos presenteia com momentos íntimos e que se passam em uma questão de horas, mas que determinam caminhos diferentes para cada um dos personagens envolvidos. Essa é daquelas HQs para se ler várias vezes e em momentos diferentes de nossas vidas. Tangências ganha novos significados dependendo de aonde nosso coração se encontra no momento da leitura.


O autor é considerado um dos maiores artistas espanhóis da atualidade ao lado de Paco Roca e em poucas páginas conseguimos perceber o motivo. Ele emprega uma arte aquarelada com tons escuros e terrosos, denotando melancolia e tristeza que transbordam pelos seus quadros. Um ponto curioso em seus quadros é a ausência do ápice, ou seja, daquelas flechinhas que apontam para quem está dialogando. O autor prefere só puxar uma linha simples em direção ao evocador da fala. Segundo ele, é para evitar poluir ao máximo a arte presente nos quadros. E funciona bem porque os quadros que ele pinta por toda a HQ são belíssimos. Não apenas esse que usei para chamar a matéria, mas tem outro na história Tangências em que o casal está em um prado regado por um sol do meio da tarde. Dignos de um quadro. Se eu pudesse pregava um original do Miguelanxo na parede do meu quarto. Outro ponto bacana é que o autor economiza nos diálogos e deixa os gestos e as tomadas de cena falarem mais. Em alguns momentos fica um pouco confuso, mas na maior parte das vezes funciona com primor.


Falando da edição da Conrad, com tradução de Claudio Martini, a HQ é em capa dura e tamanho grande. Totalmente necessário o tamanho da HQ para que a arte de Miguelanxo possa respirar. Por mim, poderia ser até maior porque são artes que vale a pena a gente observar com calma e estudar como Miguelanxo pensou seus quadros. Um artista que deseja estudar sobre arte em aquarela vai se beneficiar demais de uma observação dos quadros, da escolha de cores, da angulação das cenas, do posicionamento dos personagens, do emprego ou não de sombras, da quadrinização (mais quadros por página ou menos?). A edição da Conrad está em papel couché bem brilhoso o que ajuda a dar mais realce para a tinta de Miguelanxo. O prefácio é do Cassius Medauar onde ele conta a sua paixão por Miguelanxo e o quanto ele desejava publicar Tangências no Brasil. É legal de ver que ele menciona que Traço de Giz, outra obra famosa do autor, fora publicada pouco tempo antes pelo Pipoca & Nanquim e não há qualquer traço de rancor ou rivalidade boba, como costuma haver entre outras editoras. O importante é publicar o Miguelanxo por aqui, fazê-lo chegar ao maior número de leitores. Se vai ser publicado por A ou B, não importa, desde que feito com respeito ao material. No final da edição temos um posfácio contendo uma entrevista feita por Sidney Guzman (que faz parte da Maurício de Souza Produções e do site Universo HQ) com o Miguelanxo. Gosto demais de como o Sidão toca a entrevista, como se fosse uma conversa informal, e o autor revela sua escolha de temas, seu processo criativo e até que tipo de arte usar em uma HQ específica. Vale a pena ler a entrevista, mas DEPOIS de terminada a leitura. Primeiro, curtam as histórias e depois leiam a entrevista.


Como as histórias são curtinhas, não tem como não dar spoiler. Mas vou falar só de duas para não destruir a experiência dos leitores. Até para que vocês possam ter uma mostra do que é a HQ. Começando pelo segundo conto que dá título à coletânea, Tangências, e vemos um casal que se encontra em uma bela planície ensolarada à tarde. O amor dos dois explode em uma relação sexual apaixonada onde o passado de ambos colide com tudo. Corpos nus se encontram e ambos buscam a presença do outro, negada por um tempo cruel. Há anos atrás os dois estiveram neste mesmo lugar onde decidiram seguir caminhos diferentes, buscando ter uma vida melhor, seguir uma carreira lucrativa. Só que isso não aconteceu para nenhum dos dois. Um se tornou um negociador de contratos enquanto que sua parceira apenas se tornou uma sombra do que poderia ser. Nessa tarde ensolarada eles imaginavam que poderiam recuperar a paixão de outrora, mas tal não será o caso. O tempo do amor e do romance já passou; a vida aguarda responsabilidades que eles precisam cumprir. Toda a HQ é perpassada por esse tema do encontro, da paixão e do desencontro. É o que liga estes diversos contos. Não esperem finais felizes até porque a vida não nos produz um "felizes para sempre".


Fica aqui o alerta de que a HQ transborda sexualidade e Miguelanxo não se arroga de nos mostrar relações explícitas. Não é uma HQ erótica, mas um HQ com sexo. Aliás, o sexo costuma ser o pavio para o clímax da trama onde a relação se tangencia de alguma forma. Algo que chama atenção e é bem pontuado pelo Sidão em sua entrevista é como Miguelanxo desenha mulheres reais. Não esperem mulheres idealizadas, com corpos esculturais, parecendo deusas gregas. Nada disso... temos mulheres jovens, mulheres com mais idade, corpos nem sempre perfeitos. Não só para as mulheres como para os homens. Isso oferece muitas doses de verossimilhança às tramas o que assusta à primeira vista. Fiquei pensando por diversas vezes se o próprio Miguelanxo já ouviu falar desses casos ou já passou por um deles. Na entrevista, ele afirma que algumas histórias são baseadas em situações vividas por pessoas próximas a ele.

A outra história que queria destacar é Divindades Ociosas. Nele vemos um casal formado por uma mulher rica que gosta de ostentar seu poder e sexualidade e um homem que acreditamos ser um jornalista ou um âncora de telejornal que alcança muitas pessoas. Após uma tórrida sessão de sexo selvagem, a mulher olha pela janela de onde enxerga as outras pessoas como pequenas formigas diante do poder de seu dinheiro. Em seu diálogo, ela se compara a verdadeiros deuses gregos capazes de alterar a vida das pessoas em um piscar de olhos. Algumas das tramas dessa HQ envolvem políticos e profissionais liberais. A mostra de que mesmo pessoas com muito dinheiro e poder podem não ser realmente capazes de serem felizes ou terem vidas com realizações satisfatórias como muitas vezes acontece com pessoas com muito menos poder aquisitivo, mas que conseguem ter felicidade nas pequenas realizações. Na história, a mulher convida o homem com poder de mover as massas a terem uma relação tórrida, a se reunirem e se transformarem em uma dupla capaz de mudar o mundo e gozar das coisas finas da vida. O homem apenas retruca alegando que já esteve naquele mesmo lugar com outras mulheres tendo um sexo talvez mais prazeroso do que o que ele teve com ela. E que ela seria apenas mais uma, ninguém mais nem ninguém menos. Nada de deuses gregos. Ao final eles ainda marcam mais uma sessão de sexo quente para uma outra oportunidade. O olhar da mulher fica perdido por alguns segundos antes de ela retomar a arrogância costumeira.


São histórias como essas que fazem de Tangências uma HQ tão especial. Ela fala de vida, de sentimentos. Talvez não seja uma HQ para todos porque ela exige do leitor um certo grau de maturidade. Para analisar a vida a partir de uma outra ótica. Eu mesmo já me peguei pensando o que faria se tivesse que lidar com sentimentos tangenciais como esse. Me renderia a um último momento tórrido para depois apenas tocar a vida como se nada tivesse acontecido? As relações do passado tendem a nos assombrar quando menos esperamos. Quanto mais velhos e experientes ficamos, mais nos questionamos se teríamos feito algo diferente no passado. E é normal pensar isso; ruim é remoer isso. Aí sim é um sinal de que algo não está indo bem em seu relacionamento. A arte de Miguelanxo é maravilhosa e digna de quadros e homenagens. Não dá para mostrar muita coisa porque há vários quadros bastante explícitos, mas de qualquer forma a história sabe usar esses momentos íntimos para trazer para o primeiro plano o que ela quer realmente dizer.



Ficha Técnica:


Nome: Tangências

Autor: Miguelanxo Prado

Editora: Conrad

Gênero: Romance

Tradutor: Claudio Martini

Número de Páginas: 64

Ano de Publicação: 2021


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A leitura nos acompanha do momento em que nascemos até nossos inevitáveis finais. Seja um livro, um signo, uma placa. Esta relação é intrínseca ao ser humano. Duvida? Confiram nesta matéria, baseada no maravilhoso trabalho de Alberto Manguel.


O verbo ler vem do latim "legere" cujo um dos significados é colher, escolher, recolher. Curioso pensar que uma palavra tão cara a nós e que tem a ver com o ato de obter informações ou conhecimentos vem de um ato tão distante dos livros como é o da agricultura. A palavra chega à contemporaneidade a partir do processo de escolha de símbolos e palavras para formar significado cognoscíveis. Alberto Manguel em seu livro sobre a História da Leitura nos chama a atenção para as diferentes maneiras como a leitura foi parte das relações sociais ao longo do tempo. Desde os tempos primitivos com os vestígios deixados por povos que ainda descobriam o emprego de símbolos ou ideogramas, passando pelos pensadores gregos, os copistas medievais, a criação da imprensa e as diferentes formas como a tecnologia nos fez repensar o ato de leitura. Mas, o que é a leitura e quais as formas que ela assume?


A leitura nos acompanha desde que nascemos. Isso porque ler não é apena agrupar símbolos para produzir palavras. Ler envolve também decifrar códigos que podem ser placas, instruções, pinturas, cores, imagens, gestos. Nosso cérebro procura decodificar essas informações e nos fazer reagir da maneira adequada. Ao longo de nossa infância e adolescência ganhamos informações culturais que nos permitem conviver em sociedade. Se pararmos para pensar a leitura é a primeira coisa que fazemos e a última que desaparece. Ou seja, precisamos nos desprender dessa percepção superficial de que a leitura está atrelada às letras. Quando um caçador rastreia sua presa, ele lê suas pegadas e marcas deixadas na floresta. Quando um jardineiro cuida de um jardim, ele lê o crescimento das plantas e as poda quando necessário. Quando um ceramista está moldando sua peça, ele lê suas formas e tamanho para criar algo mais belo ou vistoso. Quando um médico cuida de seus pacientes, ele lê sua anatomia para ver que parte de seu organismo possui alguma doença. Manguel nos fornece vários outros exemplos fascinantes em seu livro, mas queria contribuir de alguma forma para essa discussão. Ao me deparar com esta estranha realidade, me paro para refletir em o quanto ler está na essência de nossas vidas. É a própria ambrosia que nos move todos os dias. Nos permite nos maravilhar, nos enternecer, nos entristecer, nos emocionar.


O que quero dizer com o parágrafo anterior é em o quanto a leitura assume disfarces e nos apresenta apenas sua face mais primordial. É como um enorme iceberg cuja ponta nos oferece letras escritas por homens como Drummond de Andrade, Machado de Assis, Oscar Wilde e tantos outros. Enquanto em suas profundezas, ações mais simples do cotidiano estão em seu escopo. Como bom historiador me pego pensando nos povos caçadores e coletores da Pré-História e em suas maneiras para perpetuar os conhecimentos adquiridos às duras penas e o legado para gerações futuras. Pensem nas imagens deixadas nas cavernas de Lascaux, na França. Ali estão alguns dos primeiros registros da humanidade. Como caçavam animais, como faziam fogo, como usavam ferramentas para facilitar suas vidas. Os descendentes de uma geração seguinte seriam capazes de compreender as pinturas e assim terem maiores chances de sobreviver em um mundo mais difícil. Se pararmos para pensar nesse ponto, temos que concordar com Manguel que não existem sociedades sem leitura. Podemos ter sociedades sem escritas, baseadas na oralidade como assim o eram os povos da África mais antiga ou os povos da Polinésia. Para eles, não havia uma necessidade prática para acumular registros escritos em papel ou em estelas. Bastava indicar com desenhos ou símbolos.


Para os egípcios, desenvolver um tipo de escrita homogênea estava na base da sobrevivência neste mundo e no pós-vida. Isso porque os comerciantes egípcios precisaram criar algum sistema matemático que os permitisse realizar suas negociações sem terem grandes prejuízos. Mais uma vez, saímos do mundo das letras e nos voltamos para uma outra forma de compreensão do mundo. Dessa vez, o mundo das trocas. Mas, é claro que a maior parte dos leitores se encantam com as tumbas, os sarcófagos, as pirâmides e seu incrível alfabeto hieroglífico. Só que esses símbolos tinham um significado ulterior para estes povos. Dominar o significado dos mesmos era o mesmo que memorizar uma fórmula mágica que permitia a eles ser bem recebidos no mundo inferior. A leitura era quase um ritual, defendido e escondido a sete chaves pelos escribas e sacerdotes. No Egito antigo, ser um escriba era dispor de um status privilegiado e eles eram um dos poucos grupos que eram alfabetizados. Um rei podia ter um ou mais escribas como conselheiros de Estado. O escriba detinha um enorme poder social.


O desejo de difundir a capacidade de entender palavras esteve na ordem do dia em vários momentos. Basta pensar em Alexandre, o Grande e sua filosofia de helenizar os povos do mundo inteiro. Um gênio militar, mas que compreendia a necessidade de difundir conhecimentos, de encontrar formas de transitar entre várias culturas. Dominar a produção de conhecimento era controlar, indiretamente, o povos conquistados. Sua habilidade de leitura ia além de seu domínio de técnicas de combate avançadas, mas a da diplomacia também. O alfabeto fenício criou uma possibilidade de registrar o conhecimento em ideogramas que acabaram se tornando quase preponderantes no mundo inteiro. Claro que isso é graças principalmente ao domínio do Império Romano. É lá que surgem novas maneiras de se encarar a leitura. Os romanos beberam muito de seus antecessores, os atenienses e herdaram o interesse pela oratória. O ler em voz alta se torna parte da formação de um intelectual. Se em Atenas, os discursos eram feitos na ágora e eram abertos a todos, agora havia o espaço do Senado romano; o começo de uma elitização do conhecimento, algo que se torna marca registrada da Idade Média. Mas, basta percebermos o quanto a leitura em voz alta se torna importante. Em seu livro sobre a retórica, Cícero busca ensinar métodos de memorização. Gravar longos trechos de textos usando habilidades mnemônicas, a busca por padrões que facilitem nesse processo.




Só que todo o período áureo do domínio chega ao fim com as invasões germânicas e o mundo cai em uma convulsão social. Enormes pedaços de conhecimento são varridos do mapa nos saques e destruições que se sucederam às conquistas de homens como Átila, o huno, Alarico ou Odoacro, sendo este último aquele que pôs um ponto final a este enorme império. Mas, o que isso tem a ver com a leitura? Bem, basta pensarmos que agora ler era para poucos e para membros da Igreja católica, a verdadeira vencedora da guerra contra os romanos. A principal senhora feudal e a acumuladora de conhecimento. Os copistas medievais em suas torres (ou seriam Igrejas?) de mármore, copiando escritos clássicos, talvez alterando aqui ou ali. Para os copistas a concentração era fundamental e eles podem ter sido aqueles a difundirem a leitura silenciosa. Não que ela não existisse antes, mas entre os intelectuais havia uma visão idealizada do discurso.


A imprensa oferece um novo marco para a humanidade. Se antes os livros eram apanágio para poucos privilegiados a concentrarem seus tratados em suas bibliotecas preciosas, agora qualquer um poderia dispor de sua cópia, pelo preço certo. Lembrando sempre que esse universo editorial não era tão diferente do nosso atual com nossas eternas reclamações sobre preços e elitização da posse de um livro. Lógico que na época dispor de um belo tomo em sua capa de couro era algo que nobres e burgueses entendiam como sinal de status. O processo de impressão vai ganhando melhorias e desenvolvimentos tecnológicos até se tornar mais simples por volta do século XVIII ou XIX quando os panfletos revolucionários dão o tom da voz dos oprimidos. A leitura destes pequenos manifestos criam as bases para as lutas político-sociais que marcam a esteira do que foi o Iluminismo e o conflituoso século XIX. Imaginem que em um período de poucos séculos vemos o despontar da Revolução Francesa, a independência dos EUA, as independências na América Latina, a Comuna de Paris. Pensamos nestes movimentos como fruto de interesses e insatisfações, mas como pensar em se tornar independente ou se rebelar contra o status quo se o indivíduo não tivesse lido um Thomas Paine, um John Locke, um Montesquieu e, mais tarde, um Karl Marx. Ler se tornou um ato político e os governantes passaram a perceber o perigo de uma população consciente de seus próprios direitos e deveres.


A leitura assume seus disfarces e mostra novos lados para a humanidade a todo o momento. Não devemos colocá-la apenas na caixinha das letras, sendo que ela tem todo um universo de significados. Poderíamos fechar toda essa nossa digressão apenas dizendo o quanto o ato de ler abre nossas mentes, expande nossos mundos. Nos refugiar em outros universos ou refletir sobre os tempos em que vivemos. Lógico que o leitor é um bom viajante, disposto a pegar a estrada rumo a lugares fascinantes e a conhecer personagens diferentes. Como Alberto Manguel, sou fascinado pela leitura e o seu poder transformador. A sua capacidade inerente de ser como uma fada, apontando sua magia para nossas mentes e corações. Certamente toda e qualquer leitura, seja ela de letras ou de qualquer outra forma de leitura me nossas vidas, nos metamorfoseia, nos transforma em novas pessoas a todo o momento. E é um processo que está acontecendo continuamente. Ou seja, somos todos leitores. Só não damos conta sempre desse simples fato.



Livro mencionado:


Ficha Técnica:


Nome: Uma História da Leitura

Autor: Alberto Manguel

Editora: Companhia das Letras

Gênero: Não-ficção

Tradutor: Pedro Maia Soares

Número de Páginas: 432

Ano de Publicação: 2021


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*Material enviado em parceria com a Companhia das Letras























 
 
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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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