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Após ajudar um velho rabugento que vive sozinho junto de sua velha cadela, Charlie Reade vai viver uma história que não vai deixar nada a dever a um conto de fadas. Só que o final feliz dessa história pode não ser tão feliz assim...


Sinopse:


Aos dezessete anos de idade, Charlie Reade parece ser um garoto comum: pratica esportes, é um filho atencioso e aluno de desempenho razoável. Suas lembranças, entretanto, não são feitas apenas de momentos felizes. Após perder a mãe em um grave acidente quando tinha apenas dez anos, Charlie precisou aprender a cuidar de si e do pai, que, enlutado com a perda da esposa, buscou refúgio na bebida.


Certo dia, ao pedalar pela rua de casa, Charlie atende um pedido de socorro vindo do quintal de um dos vizinhos: Howard Bowditch. O homem recluso e rabugento, que amedrontava as crianças do bairro, cai de uma escada e se machuca gravemente. O chamado por ajuda veio de Radar, a fiel pastor alemão , tão idosa quanto seu dono.


Enquanto Bowditch se recupera, Charlie passa a ajudar o vizinho com tarefas domésticas e com o cuidado de Radar, e assim o rapaz faz duas grandes amizades. Quando Howard morre, Charlie se depara com uma fita cassete que revela um segredo inimaginável: um portal para outro mundo.







Há alguns meses atrás li mais um desses críticos enjoados que gosta de cuspir alta literatura a cada dois parágrafos afirmar que Stephen King escreve literatura descartável. Que os leitores me perdoem por não citar a origem da dita coluna por dois motivos: por não querer dar espaço para bobagens como essa e por eu sequer me lembrar de em que jornal foi. Mas, esse tipo de afirmação já passou até por nomes laureados como Harold Bloom, os quais nosso bom e velho escritor do Maine prefere nem dar trela. Em Conto de Fadas, King mostra por que é o rei dos best-sellers e como consegue se tornar cada vez melhor com o passar dos anos. Sempre produzindo histórias que divertem ou nos trazem um pouco da cultura americana. Prolífico, inteligente e o principal: divertido. Acho que a melhor forma de rebater comentários tolos como esse é: a literatura escrita por King é de entretenimento, sim. Afinal, o papel da literatura também é nos entreter.


Neste novo romance somos apresentados a Charles Reade, um garoto de 17 anos que possui uma infância e adolescência bastante conturbada após a perda da mãe em um acidente de carro e precisando lidar com o pai que acabou afogando sua tristeza na bebida. Depois de anos de luta contra o álcool, Charlie amadureceu e é durante essa fase que ele conhece o senhor Bowditch e a cadelinha Radar. Ao passar pelo alto da rua Sycamore, ele escuta Radar uivando em um pedido desesperado de ajuda para o seu dono, que tinha acabado de cair da escada. Depois de ajudar o velho Bowditch, Charlie e ele desenvolvem uma profunda amizade que curará o coração de um velho que estava apenas esperando a hora de sua morte. Mas, Bowditch esconde muitos mistérios como um balde repleto de bolas de ouro os quais ajudam a sustentar o final de sua vida e uma casa nos fundos que sempre está trancada , mas que Charlie ouviu estranhos ruídos vindos de lá.


A estrutura narrativa de Conto de Fadas é bem peculiar. Vai ser engraçado dizer isso, mas parece algo escrito pelo King e ao mesmo tempo tem uma inovação. King é um autor que gosta de empregar capítulos longos ou nem os emprega, preferindo dividir em subseções quando pretende avançar cenas ou trocar núcleos narrativos. Aqui ele usa capítulos bem curtos sendo que o maior deles tem umas 32 páginas. Ele ainda divide em subseções, mas o fato de empregar capítulos particularmente curtos favorece uma leitura mais intensa. A gente quer saber o que vai acontecer a seguir. Já a maneira de organizar a trama segue o modelo dos contos de fadas antigos de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm: todo início de capítulo tem um título formado por frases curtas que resumem o que acontecem nele, seguido de uma ilustração e o texto a seguir. Aliás, fica aqui o elogios às boas artes de início de capítulo feitas por Gabriel Rodriguez e Nicolas Delort. Realmente me fazem lembrar as ilustrações clássicas dos contos de fadas e auxiliam o leitor a buscar imaginar algumas das cenas.


A narrativa de Conto de Fadas é em primeira pessoa e serve para que o leitor sinta bastante empatia pelo personagem. Narrativas usando esse padrão tem esse efeito e nos envolvemos com cada um dos personagens da trama. Charlie está nos contando a história de um momento no futuro, incerto ainda para nós. Isso pode ser um pouco desestimulante para o leitor que vai alegar saber qual é o final da trama já que o personagem está vivo e teoricamente bem. Mas, essa história tem o dom de surpreender. E me peguei não me incomodando tanto com isso já que a jornada em si é o que é mais interessante de tudo. E no meu caso em específico, minha preocupação nem era tanto com o Charlie, mas com outro personagem que o acompanha na aventura.


Podemos dividir a história facilmente em três metades: a primeira com Charlie contando as dificuldades de sua vida ao lado de seu pai; a segunda contando a relação dele com o senhor Bowditch e a terceira que é quando as coisas ficam bem esquisitas. Talvez o leitor fique um pouco incomodado com a primeira parte que é bem comprida, mas ela é bastante necessária para nos ajudar a entender o que move o protagonista. Suas dificuldades é que o fizeram ser quem é. Algumas de suas estranhas escolhas vem de uma necessidade patente de redenção e por uma culpa que ele sente por ações passadas. Charlie não é um personagem perfeito... longe disso. Como ele mesmo diz: "não sou nenhum príncipe das histórias da Disney". E é bem por aí. Ao mesmo tempo, ele é uma pessoa disposta a ajudar o próximo, de bom coração e bastante leal. King consegue construir um personagem bastante tridimensional e não é nenhum espanto ele fazer isso. Sua capacidade para construir bons personagens continua afiadíssima e passa pelo pai do Charlie, pelo senhor Bowditch, pela senhora Richland e até pela Radar. Desculpa, gente, mas Radar tem toda uma personalidade própria. Ela nos emociona a cada página.


O livro tem uma cara de história adaptável que é incrível. O elenco de personagens é bem interessante e é apresentado gradualmente durante a narrativa, o lugar aonde a história se passa é facilmente adaptável e o estranhamento que vem depois pode ser traduzido por um bom CGI. A narrativa tem aquela estrutura bonitinha de cinema com início, meio e fim bem delineados. Dá até para o leitor imaginar uma trilha sonora de fundo. A experiência que tive lendo a história foi muito boa e está acima até dos últimos trabalhos do King. Algumas das histórias sempre pecavam por alguma coisa: Outsider por demorar a engrenar, Joyland por ser óbvia demais, Revival por querer ser algo que não é. Tirando Mr. Mercedes que é fenomenal junto com suas sequências (Achados e Perdidos é a melhor história da trilogia), Conto de Fadas imprime um ritmo constante que nunca deixa cair a peteca. Se pudermos traduzir o ritmo da história é como batimentos cardíacos com altos e baixos que se alternam. Só que a história tem aqueles elementos mais sombrios que o autor tanto gosta. King vai buscar sua inspiração nas versões originais dos contos de fadas com mortes trágicas, pactos fáusticos, histórias cautelares. Tem alguns momentos da história que são bem brutais e alguns personagens que vão te fazer lembrar de histórias de H.P. Lovecraft (inclusive um Cthulhuzinho mencionado aqui e ali). Mas, talvez a história que mais me remeta a Conto de Fadas seja Algo Sinistro vem por Aí, do grande Ray Bradbury. Com toda a estranheza da história, a maneira como precisamos ultrapassar a primeira impressão que temos dos personagens e a magia existente das formas mais criativas possíveis.


Essa é uma narrativa de descoberta e de aceitação. Percebam como estou pisando em ovos nessa resenha porque não quero contar exatamente o que acontece com Charlie e os segredos que o senhor Bowditch guarda. Uma das coisas mais legais nessa história é nos aventurarmos junto do protagonista. Nós vivemos a aventura ao seu lado, nos emocionamos, sorrimos, nos entristecemos, ficamos furiosos. A jornada é mais importante até do que o final porque é somente através dela que Charlie vai se conhecer melhor. No começo estranhamos as atitudes de Charlie porque as consideramos virtuosas demais, mas aos poucos vamos nos dando conta de o quanto elas realmente fazem sentido. Quando perdemos alguém próximo e não temos em quem nos apoiar, caímos em um universo sombrio que pode nos levar a fazer coisas das quais vamos nos arrepender depois. Ao fazer um voto para si mesmo de ajudar ao próximo, ele não está apenas pensando na benção que foi o seu pai se recuperar de seu vício em álcool, mas em si mesmo. Em o quanto ele fez o mal ao próximo e precisa se redimir por isso.


A conexão que ele faz com Radar e o senhor Bowditch é maravilhosa. Tanto Charlie precisava do senhor Bowditch como o contrário. Eles foram capazes de se apoiar mutuamente no momento certo. Depois de tantos anos sozinho, o velho pôde finalmente ter um "filho" na forma de Charlie. Pôde passar um pouco de si a esse outro micro-cosmo de existência. Tudo o que Charlie vai viver depois, com as mensagens e lições deixadas por ele e até os sinais de orientação são uma metáfora de um legado deixado para outra pessoa. É o que todo pai sonha deixar para seu filho. O pai de Charlie não foi exatamente um pai na hora em que ele precisava de um espelho ou de um modelo; ele foi encontrar essa relação no velho rabugento. Se tornou uma figura paterna para ele assim como Radar se tornou uma pessoa importante em sua vida. Só quem já teve um animalzinho (seja um cachorro, um gato) com quem desenvolveu esse grau de afeição sabe o que Charlie sentia por Radar. Era o mesmo sentimento que eu tinha pelo meu falecido cachorrinho. Eles se tornam nossos filhos, pessoas as quais nos dão carinho e amor nos momentos mais improváveis. Sim, pessoas, porque os tratamos como pessoas. Quando eles partem, e tanto gatos como cachorros possuem uma expectativa de vida baixa compara aos seres humanos, nosso coração se parte em mil pedaços. Radar plantou a semente do amor no coração de Charlie o que rendeu frutos e tornou o garoto em uma pessoa mais compreensiva e observadora em relação àqueles que se encontram ao seu redor. Ou alguém realmente estranhou quando ele passou a se relacionar com Eye, Jaya, Iota, Eris, Amnit e todos os outros? Aquilo já estava florescendo há muito tempo. A transformação pela qual ele passa é o amadurecimento, é ele entrar em um processo de aceitação de si mesmo. O Charlie que emerge no final da história já é uma outra pessoa.


Conto de fadas é uma história fascinante que tenho certeza que vai agradar a vários tipos de leitores. Àqueles que buscam mais um livro de Stephen King e ser entretido por ele. A quem busca uma boa história de terror com elementos mágicos e será surpreendido pelas invenções e pela forma pouco convencional como King se relaciona com o fantástico. E a quem busca uma história de um protagonista em sua jornada de redenção. Tem muito de técnica narrativa avançada para quem quer estudar. Ou seja, é um prato cheio e um dos melhores trabalhos do autor nos últimos anos. Só tenho a fazer uma forte recomendação.









Ficha Técnica:


Nome: Conto de Fadas

Autor: Stephen King

Editora: Suma

Tradutora: Regiane Winarski

Número de Páginas: 624

Ano de Publicação: 2022


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*Material recebido em parceria com a editora Suma












 
 

Nesse reconto moderno dos mitos gregos, Perséfone, a garota nova da cidade, acaba indo parar no carro de Hades e sendo levada para o submundo. Hades, alguém que não dá sorte com relacionamentos, acaba se apaixonando por Perséfone, mas confusões e desentendimentos levam a situações inesperadas.


Sinopse:


Amizades, fofocas, mentiras, festas glamorosas e amores proibidos fazem de Lore Olympus um retrato dos deuses gregos como jamais visto ― mais humano do que nunca. Finalista dos prêmios Eisner e Hugo e fenômeno absoluto no WEBTOON, o webcomic é uma releitura deslumbrante, envolvente e revolucionária da mitologia grega.


Perséfone, a jovem Deusa da Primavera, acabou de chegar no Olimpo. Criada no reino mortal pela mãe de pulso firme, Deméter, ela recebe a permissão para viver no mundo dos deuses enquanto se prepara para seguir a vida como uma virgem sagrada.

Quando a amiga Ártemis leva Perséfone para uma festa, sua vida muda completamente: lá ela conhece Hades, e o charmoso e incompreendido líder do Submundo desperta nela uma chama. Agora, Perséfone precisa aprender a lidar com as relações e as políticas confusas que regem o Olimpo, enquanto descobre seu lugar e seu próprio poder.

O primeiro volume da série reúne 25 episódios do webcomic, além de um conto exclusivo e inédito.





AVISO DE GATILHO: abuso sexual, relações tóxicas, violência física e moral



Os mitos gregos já nos são completamente familiares em vários sentidos. Sejam as histórias das façanhas de Hércules, as caçadas de Artemis e suas amazonas, a sabedoria de Athena, os casos amorosos de Zeus. Criar algo novo em cima disso é uma tarefa realmente complicada. Mas, Rachel Smythe foi bem feliz ao dar um frescor a esses mitos. Ela pega o mito de Perséfone e Hades e faz uma releitura com diversos toques contemporâneos e cria um grande novelão, divertido em partes e bastante complicado em outras. O resultado é uma HQ deliciosa de ler e que, apesar do tamanho ser intimidante, o leitor vai virar as páginas com bastante velocidade, tudo para saber o que acontecerá ao final da história. E quando a história chegar na última página, vamos nos perguntar por que acabou e queria ler mais. U,a HQ que, embora seja mais voltada para um público Young Adult, qualquer um vai curtir ler (este que vos fala ficou louco de curiosidade). Se a intenção era essa, palmas para a autora e ela foi bem sucedida em sua tarefa.


Lore Olympus é uma web toon, ou seja, um quadrinho criado para ser lido online. É um tipo de formato que já ganhou muito espaço nos últimos anos e começamos a ter contato por agora. São leituras rápidas com histórias instigantes e, no momento em que a narrativa ganha um formato físico, isso pode prejudicar ou não o seu fluxo de leitura. Já vi acontecer com outras histórias, mas em Lore Olympus tal não foi o caso. Até achei que o formato físico foi bastante benéfico para a leitura porque existe um ritmo no momento em que o leitor passa de quadro a quadro e depois vê o todo na página ou páginas publicadas online naquela semana. O formato físico deu mais espaço para a arte respirar. Smythe trabalha muito forte com sequencialidade narrativa. Cada quadro contribui para a história, quase como se fosse uma animação. Vocês vão me dizer que isso é natural em quadrinhos que são, na visão de Will Eisner, arte sequencial, mas alguns autores usam essa mecânica mais do que outros. Por exemplo, George Perez usa bastante isso em suas HQs, basta pegar qualquer edição de Os Novos Titãs ou de sua Mulher Maravilha. Se imaginarmos as cenas criadas por Smythe em nossas cabeças, conseguimos perceber os personagens se movimentando. O olhar perdido de Hades quando percebeu que ignorou Perséfone, ou Perséfone em dúvida sobre como lidar com Apolo ou até a hilária sequência de Zeus, Hades e Poseidon no clube de strip. São sequências em que os balões de fala são escassos, mas há muito movimento.


Confesso que a arte ainda não me conquistou de todo. E aqui preciso fazer uma clara distinção: o que tenho de dúvidas em relação à arte, não tenho nenhuma em relação à colorização que me conquistou por completo. Se vamos ou não gostar de arte digital, isso é ainda algo que varia de leitor para leitor. A minha visão é de que a arte digital precisa ter personalidade, passar alguma impressão para quem está lendo. Caso contrário, tudo vai ser igual. Existe um padrão que só é superado quando o autor imprime algo que o distinga de todos os outros. Não desgostei por completo, só não me conquistou ainda. Digo ainda porque o trabalho de Smythe com as cores é sensacional. Ela procura fornecer a cada deus alguma cor que o distinga naquele quadro ou naquela cena. Seja o roxo de Zeus, o verde de Poseidon, o azul de Hades. De certa forma as cores representam as personalidades de cada um. Mas, as cores não ficam apenas nos personagens, mas transbordam para o cenário. O Submundo de Hades costuma ser formado por ambientes que tem como base esse azul escuro. Quando mais de um personagem está em cena, as cores se mesclam de maneiras muito curiosas. Gosto bastante dessa brincadeira que a autora faz porque oferece inúmeras possibilidades.


A quadrinização é bem diferente do que estamos acostumados porque a HQ é em um formato quadradinho. A autora prefere entre três a cinco quadros por página e isso pode variar bastante. O normal é ela criar cenas de quadro inteiro com janelas espalhadas pelo quadro grande. Essas janelas podem significar closes em alguma parte do cenário ou pontos de vista distintos sobre a mesma cena. Ou ela pode usar fluxos de pensamento que acontecem enquanto uma situação se desdobra. Gosto bastante quando ela usa quadros sobrepostos, mas essa é uma técnica bastante perigosa. Se não houver comedimento, as janelas sobrepostas podem atrapalhar uma bonita arte de fundo. Nessa edição tiveram alguns quadros que me fizeram torcer o nariz, mas nada grave. A autora sabe refletir bem quando usar ou quando não usar. Só que tem uns quadros de página cheia que são deslumbrantes. Me fez pensar em outro quadrinho que li esse ano que foi O Enterro das Minhas Ex, do autor Gauthier. Os quadros de página inteira servem para passar algum momento mais dramático, seja alguma situação feliz e radiante ou algo cruel e triste. Essas cenas de página cheia vão ecoar sentimentos de alguma maneira. Podem acreditar.


A narrativa em si é bastante jovial. Apesar de parecer um velho comentando dessa maneira, mas esse é o sentimento que a história me passa. Frescor, Juventude, Jovialidade. Uma maneira diferente de se referir a histórias que conhecemos de cabeça para baixo. Vou deixar um pouco de lado que se trata de conhecidas histórias de deuses e me focar no que é apresentado na história. Perséfone representa a típica caipira que chega em um ambiente novo e precisa aprender a se relacionar. Tendo sido superprotegida por sua mãe Deméter, ela conhece pouco de seu mundo. Por causa da inveja de Afrodite, ela acaba sendo rifada e embebedada e vai parar no carro de Hades. Quando todos achavam que algo aconteceria a ela, Hades a trata com devido respeito. Aliás, Hades não a trata de forma infantil, entendendo-a em suas potencialidades como mulher. Só isso já desperta a atenção de Perséfone que fica encantada pela maneira como é tratada. Mas, como Hades é um dos grandes deuses, ela acha que a situação toda foi uma coincidência e tenta tocar sua vida adiante depois de todo o ocorrido embora tenha passado a nutrir sentimentos por Hades.


Mas, a HQ não é apenas a narrativa de um amor entre duas pessoas onde acontecem mil confusões. Ela é bastante pesada em vários momentos. Falando do Hades, ele é um personagem mais introvertido e tímido o que o faz péssimo em se relacionar com garotas. No começo da história, ele está com um affair com uma ninfa que o trata de maneira bastante desagradável. A autora nos coloca diante de uma relação nitidamente tóxica e abusiva onde o outro lado, sedutor e dono de si, abusa claramente dos sentimentos de alguém inseguro. Tudo incomoda na maneira como Hades lida com a situação: o fato de ser encarado como um objeto, ser descartado quando a pessoa não tem tempo e não receber nenhum tipo de afeto ou carinho. Quando Perséfone surge como uma luz brilhante em sua vida, Hades se dá conta de que amar pode ser bastante diferente do que o que ele está acostumado. A sensação boa que ele sente sendo transmitida a ele por Perséfone é o que ele realmente deseja. Ser tratado com respeito, com amor; e isso porque tudo o que ela fez foi lhe tratar de igual para igual. É bastante doloroso observar a relação entre Hades e Minti se desenvolvendo e o quanto ela contribui para sua baixa auto-estima.


Tanto Hades como Perséfone são donos das auto-estimas mais baixas que vi ultimamente nas HQs. Boa parte das confusões que acontecem na história se devem ao fato de que eles não confiam inteiramente no que estão fazendo ou em como o outro reagiu ao seu contato. Sem dar grandes spoilers, uma das maiores confusões neste primeiro volume tem a ver com o primeiro celular de Perséfone que manda uma mensagem de texto para Hades, que não tem o contato dela. Para ele, aparece usuário desconhecido e Hades imagina ser mais um golpe baixo de Minti. E isso vai gerar toda uma espiral de confusões. Preciso também tocar no assunto do abuso sexual que acontece lá para a metade final da HQ e em como a autora foi extremamente habilidosa em lidar com essa cena. Ela não é gráfica em nenhum momento, mas a dor e a angústia estão lá presentes a cada segundo. Talvez a situação toda seja ainda mais cruel por que as falas da personagem que sofre o abuso são reais. Todos os pensamentos são verdadeiros e a gente consegue imaginar o momento. O abuso é mais cruel porque é textual e metafórico. E a autora consegue transmitir esses sentimentos do antes, do durante e do depois. Não quero entrar em detalhes para não dar spoilers, mas aquele momento me pegou fundo.


Apesar desse primeiro volume tenha sido focado mais em apresentar Hades e Perséfone os demais personagens também possuem seu espaço ao sol. Creio que eles vão ser mais aprofundados em volumes subsequentes da série, mas gosto de como a autora oferece personalidade a cada um. E não se enganem: os deuses do Olimpo são bastante problemáticos. Seja Afrodite que em um momento de ciúmes, estraga com a noite de Perséfone, a superprotetora mãe de Perséfone, que não a deixou nem aprender a ler; o beberrão e mulherengo Zeus, sempre em busca da próxima ou Poseidon e suas tiradas estranhas. Todos ganham um lugar ao sol. Inclusive vale pontuar que a edição brasileira conta com um capítulo especial no final com a festa do começo do volume visto pelo olhar de Hera. A autora explica as razões que ela retirou o capítulo no volume original e faz sentido, tendo sido publicado como extra. Acredito que o próximo volume da série vá se centrar, além da história de amor dos dois protagonistas, no entorno deles. Creio que narrativas paralelas possam vir a se tornar mais comuns. Gostei desse primeiro volume e ele me deixou bastante interessado em seguir a série.











Ficha Técnica:


Nome: Lore Olympus vol. 1 - Histórias do Olimpo

Autora: Rachel Smythe

Editora: Suma

Tradutor: Erico Assis

Número de Páginas: 384

Ano de Publicação: 2022


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Em Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago nos mostra uma humanidade passando por uma terrível epidemia de cegueira. Isso leva toda a sociedade ao seu lado mais obscuro onde vemos uma mulher, a única que enxerga, buscando entender o que está acontecendo e sobreviver com sua sanidade intacta. Mas, o que isso fala sobre nós? Podemos relacionar o romance aos dias de hoje?


Recentemente reli Ensaio sobre a Cegueira, obra seminal do grande José Saramago. Recebi a nova edição da Companhia das Letras e me pus a pensar nos rumos e descaminhos que a humanidade tem tomado nos últimos anos. E a obra parece que sempre permanece atual com sua mensagem sendo ressignificada à medida em que olhamos para dentro de cada um de nós. Em uma narrativa que ora parece por demais pessimista, ora esperançosa, Saramago repensa o que é ser capaz de viver em sociedade, de obter a harmonia social necessária para despertar a solidariedade do próximo. Como a própria epígrafe denuncia, nós olhamos mas não vemos. Várias situações do cotidiano no qual um simples prestar atenção poderia ser a diferença entre a vida e a morte. Nesta matéria pretendo escrever alguns parágrafos jogando algumas reflexões para o alto e vendo aonde elas vão parar. Me acompanhem nessa jornada.


Antes de passar para a matéria em si queria dedicar algumas linhas para falar da edição da Companhia das Letras. Esta é uma edição especial, em capa dura, contando com uma fortuna crítica ao final. A edição está bacana com uma fonte agradável aos olhos e isso é bastante necessário para ler Saramago com fluidez. Com os seus parágrafos colossais, uma fonte mais apertada poderia fazer o leitor se perder com facilidade. O espaçamento também é muito bom o que também contribui. A edição conta também com papel pólen, bem duradouro para alguém que busca fazer uma coleção do autor. Ao final contamos com alguns trechos do diário de Saramago que trata diretamente da criação da obra. Temos também três textos críticos, sendo um deles de uma das primeiras leitoras da obra antes de ela ser lançada em 1995. O outro é do crítico Marco Lucchesi reverberando a visão brasileira sobre o que autor escreveu. O último texto é do jornal Folha de São Paulo e além de contar mais sobre a vida do autor que estava para receber o Prêmio Nobel de Literatura, nos faz pensar sobre alguns temas citados na obra, mais precisamente sobre uma humanidade em decadência às vésperas da virada do milênio. Três visões bastante valiosas e que podem complementar a experiência de leitura. Só não recomendo ler antes de terminar o livro porque entrega alguns detalhes explorados pelo autor.


A história se centra na ideia da cegueira e somos conduzidos, literalmente, por uma protagonista que não é a narradora. Aqueles que são infectados pelo mal branco ficam cegos, e, ao invés de enxergar um mundo de trevas como acontece com quem fecha os olhos, passam a enxergar tudo branco. Vivemos em um mundo hoje em que realmente parecemos cegos. Cegos não no sentido da visão em si, mas acerca do que acontece ao nosso redor. Partindo de um exemplo micro, todos os dias vemos pessoas em situação de rua. Pessoas que, por algum motivo perderam suas casas, seja por não terem um trabalho, por se renderem a vícios ou diversos outros problemas. As histórias de vida que levaram estas pessoas à condição de rua são as mais diversas e tristes. Quantas vezes já paramos para dar um minuto de atenção a elas? Eu mesmo parei poucas vezes. Temos receio por nossa segurança, por nossos materiais, por nossos parentes e amados, imaginando que algum tipo de violência possa acontecer a eles. Só que sequer refletimos se essas pessoas são capazes disso. Apenas deduzimos algo com base em uma impressão externa e primeira. No Brasil, o padre Júlio Lancelotti é uma das pessoas mais engajadas na luta para ajudar a população de rua. Estender uma mão, oferecer palavras de alento, e até oferecer um caminho para se recuperarem e terem uma vida digna. Casos de aporofobia, que é o medo da população de rua que leva a casos comuns de violências contra essas pessoas, se tornaram comuns de alguns anos para cá. Algo que sempre aconteceu, mas que se tornou uma tendência em grupos ligados à ideologia de extrema-direita. Só que isso também pode ser observado em outros grupos sociais que seriam mais abertos. Oras, faço aqui minha autocrítica porque toda vez que observo uma das ações do padre Júlio, sinto que estou cego. Cego àqueles que estão ao meu redor.


Amar ao próximo não é uma mensagem que é um privilégio de alguma religião específica. É uma frase de vida. Quando dizemos de amar o outro nos referimos ao respeito, ao afeto e não a algo carnal. Em Ensaio sobre a Cegueira temos várias imagens fortes de como o ser humano realmente parece estar cego. Do ladrão no começo do livro que se aproveita da impotência do próximo para realizar seu roubo, ao militar em posição de poder que vê com nojo aqueles que estão infectados, mas antes eram apenas pessoas comuns. Vários são os momentos em que não vemos, apenas olhamos.


Essa cegueira branca é provocada pelo modelo econômico-social no qual vivemos. O capitalismo estimula o individualismo. Na sua obra A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, Max Weber explica como o sistema parte de uma visão salvífica para construir uma necessidade de realizar ações no mundo terreno. Weber faz associações que hoje estão defasadas devido à própria evolução do capitalismo, mas o cerne da questão permanece. "Eu preciso ser salvo." "Preciso justificar minhas ações." Salvar-se é um ato individual. Se antes havia uma percepção do coletivo, agora o homem precisa alcançar a riqueza, o status. É o conceito americano do self-made man.


Podemos avançar na discussão sobre o mal branco a partir dos horrores que a protagonista passa no manicômio ao lado de seu marido. Quando confrontados com uma situação onde o governo não mais ofereceria ajuda e todos deveriam se ajudar para escapar daquela situação, a opção feita foi por concentrar os recursos e limitar o acesso. Criar novas estruturas de poder e de exploração. A solidariedade coletiva desaparece em prol do bem de poucos. O leitor vai acompanhando o quanto essa situação vai progredindo exponencialmente. O que começa com alguém pegando mais comida do que a sua parte se transforma em um circo de horrores com roubos, estupros e tudo o mais no meio. Transportando isso para o mundo real vemos o quanto os micro-poderes aparecem nos lugares em que menos esperamos. Se faz necessário encontrar novas maneiras de exploração, de buscar individualidades dentro do coletivo. Como é o líder do grupo dominante no manicômio. A protagonista nunca quis liderar; seu objetivo é usar sua habilidade como uma forma de potencializar o grupo.


A cegueira civilizacional está em uma sociedade que não entende que vive um paradoxo: vive em um mundo pós-moderno interligado em um pensamento iluminista. Estamos globalizados, acessamos informações em poucos segundos. Mesmo assim parece que estamos mais isolados do que nunca. Não somos capazes sequer de enxergar aqueles que estão ao nosso lado. Milhares de pessoas sofrem com depressão e ansiedade todos os dias. Um momento de atenção e carinho seria um alívio para superar uma situação difícil. Nesse sentido parece que estamos mais cegos do que os personagens do romance de Saramago. Ao refletir sobre esse tema fico pensando nas dúzias de pessoas com o mal branco que adentram na instituição e se sentem completamente perdidos. Não há palavras de conforto a eles, apenas um lugar ao qual eles não sabem sequer dimensionar. As pessoas que ali habitam caem em um poço de imundície e sujeira. O espaço tomado por fluidos corpóreos, os corpos largados ao chão representam o próprio estado de espírito dos mesmos. Os pudores ficaram para trás já que ninguém pode ver. Ou pelo menos essa é a desculpa apresentada.


Mas nem tudo é pessimismo. Muito pelo contrário, Saramago nos deixa uma mensagem de esperança. Aquele grupo guiado pela mulher do médico representa a humanidade. Pessoas das mais diferentes origens, de diversos grupos sociais e situações de vida que são colocadas juntas. Possuem suas visões distintas que precisam ser superadas em prol da sobrevivência. Eles chegarão ao ponto mais fundo da decadência para se levantarem como novas pessoas. Deixando de lado suposições e ideias bestas eles passam a amar um ao outro. O amor vem da compaixão, da solidariedade, do companheirismo. Nos momentos finais da obra vemos cenas tocantes como o banho do homem do tapa olho, o retorno para casa do casal com o primeiro cego, o jovem menino estrábico. A chuva que eles precisam atravessar quando saem da instituição é o ponto de transformação no qual eles adquirem um novo ponto de vista sobre sua existência. Por isso eu disse que Saramago não é um pessimista. Como qualquer insight tudo vem do trabalho árduo, como qualquer transformação, tudo vem da transpiração. Alcançar a felicidade exige atravessar um mar de problemas e dificuldades. Somente assim poderemos voltar a realmente ver.


Ficha Técnica:


Nome: Ensaio sobre a Cegueira - Edição Especial

Autor: Jose Saramago

Editora: Companhia das Letras

Gênero: Ficção/Realismo mágico

Número de Páginas: 432

Ano de Publicação: 2022


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*Material recebido em parceria com a Companhia das Letras













 
 
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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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