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O livro O Despertar de Tudo, de David Graeber e David Wengrow propõe novas reflexões sobre o desenvolvimento da humanidade. A partir de algumas de suas observações sobre as culturas ameríndias, vamos analisar como os livros e quadrinhos mais recentes tem abordado o tema.


Já há algumas décadas, historiadores e antropólogos de diversas abordagens e orientações vem alertado quanto ao viés eurocêntrico das reflexões sobre o desenvolvimento da humanidade. Alertando para elementos como uma divisão histórica segundo grandes acontecimentos europeus, o próprio mapa-múndi tendo a Europa em seu centro, o modelo civilizatório tendo como "pináculo" o europeu. Se em tempos passados essas reflexões ficavam apagadas devido a um corporativismo acadêmico, cada vez mais as vozes silenciadas tem gritado cada vez mais alto. Entre alguns bons exemplos recentes tivemos o sucesso de Sapiens, de Yuval Noah Harari e agora o polêmico O Despertar de Tudo, dos autores David Graeber e David Wengrow. Para essa matéria vou me referir mais ao segundo como ponto de partida para algumas conexões com livros e quadrinhos recentes que tem buscado descontruir nossa visão sobre a cultura ameríndia.


Embora os autores tenham a tendência de partir para certos exageros e curtir polemizar em alguns capítulos, suas reflexões são legítimas e partem de vácuos deixados por arqueólogos e antropólogos. Podemos questionar algumas de suas afirmações, mas é sempre necessário fazer uma auto-crítica quanto a como estamos abordando certos temas. Como o próprio livro aponta, estudos dissonantes de autores clássicos como Marshall Sahlins ou Pierre Clastres acabam ficando no ostracismo porque batem de frente com "verdades" que vigoram há muitos anos. Ou acabam sendo reduzidos a ligeiras exceções ou regionalismos ou até se cria um subgênero no qual se encaixar. Os estudos dos autores sobre os hábitos de povos da América do Norte e as análises sobre as interações entre os povos que viviam na Amazônia são repletos de estudos e descobertas recentes que abrem os olhos quanto a uma complexidade das relações entre os povos originários. Um bom exemplo disso é o quanto sempre imaginamos que os povos indígenas como amontoados isolados em seus próprios espaços. E isso, antropologicamente, é inexato. Embora fossem agregados com quantidades menores de habitantes, eles eram forrageadores, vivendo da caça, da coleta ou da pesca. Como seria possível que em centenas de anos, eles nunca tivessem encontrado outros agregados? Ou melhor: será que os indígenas nunca tiveram a curiosidade de cruzar os Andes? Convido vocês a conhecerem as reflexões dos autores, mas tenham em mente que as conclusões que eles chegam não são verdades absolutas, assim como não o eram aqueles que eles criticam. Sempre devemos ter uma posição crítica e questionadora. Mas, como é que a literatura tem encarado essas novas discussões?


Uma das autoras com trabalhos muito bem conceituados entre os escritores de gênero é Rebecca Roanhorse. Sendo uma nativa-americana, ela procura trazer algumas das reflexões sobre as visões de mundo dos povos indígenas com uma riqueza de detalhes que nem sempre é aparente para os leitores. No nosso site, já fizemos uma boa resenha sobre Trail of Lightning, sua obra de estreia. Nele a autora nos coloca em universo pós-apocalíptico em que parte dos Estados Unidos foram isolados do resto do mundo e seres mágicos conseguem caminhar entre os homens. Na leitura vale considerar o quanto a autora coloca a solidariedade entre os povos originários como um fator importante. Mesmo a protagonista, Maggie, sendo uma pessoa que vive há anos sozinha, ela não consegue evitar ajudar os seus iguais. Graeber e Wengrow nos mostram o quanto existe esse senso de coletividade entre os povos e que isso foi importante para que eles pudessem sobreviver em um mundo mais hostil. Claro que isso não significava que eles precisavam abandonar o seu nomadismo para isso. Diferentemente do que se pensa, não existe uma evolução óbvia do nomadismo para o sedentarismo. Na visão dos dois autores, cada povoamento indígena decidia qual era a melhor forma de sobreviver. No modelo nomadista, isso facilitava a locomoção e evitava as guerras constantes com outros povos. No livro, eles nos oferecem uma reflexão sobre qual é a melhor maneira de sobreviver: ser um povo pescador ou um catador de bolotas e nozes? Pela lógica, pescar é mais simples porque o preparo do alimento é mais rápido em relação a tirar os venenos das bolotas, quebrar a casca e deixar em estágio de preparo. Mas, os autores chegam a ótimas conclusões a respeito do segundo caso. Voltando ao livro de Roanhorse, a autora nos presenteia com exemplos de nômades e sedentários e nos permite entender a visão de mundo de cada um.


Mas, gostaria também de mencionar Black Sun, livro de Roanhorse que é mais recente (e ainda não resenhamos) mas que vale a reflexão. Na trama somos novamente colocados em um mundo meio fantástico, meio futurista (as divisões não são tão claras na escrita dela) e nele está acontecendo um fenômeno astronômico de poder em que, segundo seus sacerdotes, o mundo entraria em desequilíbrio. É então que surge um viajante que parece ser detentor de uma poderosa sabedoria. Graeber e Wengrow falam sobre essa figura do viajante de outro lugar que traz em si ensinamentos de sabedoria que desequilibram o status quo. Essa figura mítica está presente em diversas culturas e podem apontar para rupturas sociais que levaram povos a uma revolta interna ou à sua decadência. Entre os povos ameríndios existia uma conexão forte entre religião e fenômenos astronômicos como eclipses, solstícios, aproximação de outros planetas. E é por essa razão que a figura do sacerdote, do oráculo ou do profeta assume tamanha importância nessas sociedades. Eles constroem a ponte entre o mundo material e o mundo invisível. Falando em termos mais práticos, estas figuras servem para traduzir fenômenos da natureza incompreensíveis aos homens. Em Black Sun, Roanhorse brinca com essa temática, mas ao mesmo tempo nos traz uma visão mais profunda onde um homem vai apontar os erros e problemas em uma sociedade. Ao mesmo tempo o quanto figuras que falam sobre rupturas são entendidos como vilões, como desviantes.


Ainda nessa temática dos povos originários e em como sua visão de mundo está relacionada à natureza e ao universo, Darcy Little Badger, outra escritora oriunda da população nativo-americana (da comunidade Apache) escreve Elatsoe, uma obra que bebe bastante de Crônicas de Nárnia, mas que insere sua própria visão em suas páginas. Nesse mundo alternativo, os espíritos existem próximos dos homens. Tirando o mistério do assassinato de seu irmão que é a narrativa principal do livro, a narrativa se foca bastante no modo de vida dessas populações. Tendemos a simplificar demais a maneira como eles sobreviviam porque entender uma população que vive da natureza ou que vive em um modo de vida nômade é inconcebível como "evolução" para nós. Por exemplo, existem muitos fatores que determinam como o líder de uma aldeia é selecionado. Ou até quem é ou não o chefe. Geralmente tais sociedades são bastante igualitárias, embora não completamente. O líder geralmente é aquele que detém o monopólio dos instrumentos ou das terras sagradas. O mágico é o diferencial em uma sociedade que sobrevive em uma linha tênue entre o sucesso e a destruição. Graeber e Wengrow apontam que, na visão deles, a semente que originou o conceito de propriedade privada é proveniente desse monopólio do sagrado. Ou até de ter conhecimentos sobre o sagrado e como ele afeta o mundo material. Darcy Little Badger nos apresenta esses elementos com uma linguagem com a qual estamos acostumados, que é a da protagonista ter alguma conexão com o mundo invisível, e a partir desse domínio, se tornar uma pessoa respeitada entre seus iguais.


Outra boa reflexão dos autores de O Despertar de Tudo tem a ver com a falsa acepção que temos sobre o fato de estas civilizações mais voltadas para a natureza serem menos evoluídas ou bárbaras em relação às sociedades avançadas europeias. Os autores trazem uma série de relatos de época de personagens históricos que tiveram contato com estas civilizações, retornaram para a Europa e não conseguiam mais viver em sociedade. Isso porque o conceito de liberdade nas sociedades ameríndias era bem diferente do modelo europeu. O livro usa como guia para a discussão o nativo Kondianronk. E ele vai até a Europa junto com Lahontan, um nobre europeu que havia ido, no século XVII, conhecer mais sobre a cultura nativa. Ao chegar na Europa, Kondiaronk critica uma série de instituições que na visão dele eram pouco eficientes: a desigualdade social vinda de cima para baixo, a existência de pessoas que não contribuíam para a sobrevivência da comunidade, as leis que representavam mais aspectos negativos do que engrandecedores. Graeber e Wengrow nos mostra através dos relatos de Kondiaronk e de outros viajantes como diversos europeus acabavam retornando a essas comunidades indígenas porque viam um bem-estar maior em tais locais. Uma qualidade de vida e liberdade sem precedentes, embora precisassem obedecer a todo um conjunto de leis. No quadrinho O Mágico Vento, Gianfranco Manfredi nos coloca ao lado do personagem Ned, que sofreu uma tragédia na qual perdeu sua memória e acaba indo viver por muitos anos ao lado de uma comunidade indígena onde acaba se tornando uma espécie de medicine man (um tipo de guerreiro/feiticeiro). Suas histórias nos mostram o personagem lutando para recuperar sua memória, mas a cada nova aventura e com o desenvolvimento de sua história, percebemos o quanto ele prefere estar ligado ao universo indígena do que ao mundo dos homens. Suas leis negativas e injustiça pouco apetecem ao personagem que prefere viver sob um código de honra mais claro e transparente. Esse apelo por uma vida mais voltada para a sua comunidade não é privilégio somente de comunidades ameríndias, mas de diversos outros povos nômades como os beduínos, os mongóis.


Também gostaria de trazer outra HQ muito interessante que é o Crônicas Ameríndias com roteiro do Gustavo Schimpp e arte do Enrique Alcatena. Schimpp faz um ótimo estudo sobre as nações ameríndias da América do Norte e escreve histórias curtas que podem ou não envolver colonizador, magia e desejos de vingança. Vale notar uma característica bastante curiosa nas histórias que gira na figura do chefe. Este não necessariamente tem um poder incontestado. Para poder continuar exercendo sua função, ele precisa se dedicar ao seu povo, seja doando sua parcela de comida, ajudando a se livrar de invasores ou contribuindo na colheita. Seu poder pode ser questionado a qualquer momento e Graeber e Wengrow nos mostram casos de comunidades em que um chefe é tratado como um palhaço, sendo motivo de risada e chacota por seus iguais caso não seja capaz de prover sua comunidade. Aliás, seu poder só é inconteste na área sagrada na qual ele vive. Quando sai dela, ele só torna apenas mais um, podendo ser desobedecido a qualquer momento. Essas estruturas de poder nos mostram uma sutileza ímpar nessas relações pessoais, algo que os antropólogos acabaram jogando como exceções ou como subclassificações. Tais exemplos estão presentes em diversas comunidades e os autores nos mostram a diferença entre um povo que é mais voltado para a colheita, mas com leis mais rígidas e outra comunidade voltada para caçadores que precisam sobreviver a incursões e cujas leis de governança são mais flexíveis.


Como podemos ver, a literatura de gênero que se volta para a exploração das comunidades ameríndias tem se tornado mais complexa à medida em que novas informações chegam até nós. Por mais que a academia ainda resista às novas pesquisas, algumas delas tem apresentado resultados e informações que não tem como não serem aceitas diante de meros preconceitos e orientações eurocêntricas. O livro O Despertar de Tudo é um compilado de diversas dessas novas pesquisas, com reflexões e discussões feitas por ambos os autores nos quais eles questionam o status quo. Acredito que o material seja um ótimo guia de leitura para autores que desejam entrar nessa temática. De linguagem fácil e clara, os autores conseguem transmitir essas informações mesmo para um público que não está acostumado com esse tipo de pesquisas. Recomendo fortemente para todos.



Livro consultado:


Ficha Técnica:


Nome: O Despertar de Tudo - Uma nova história da humanidade

Autores: David Graeber e David Wengrow

Editora: Companhia das Letras

Gênero: Não-ficção

Tradutores: Denise Bottman e Cláudio Marcondes

Número de Páginas: 696

Ano de Publicação: 2022


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Companhia das Letras












 
 

Um dia, durante uma de suas corridas pela Escadaria Infinita, Gwendy encontra um estranho homem chamado Richard Farris que lhe entrega uma caixa. Com um sorriso sardônico, o senhor Farris diz que essa caixa possui incríveis poderes que podem fazer o que Gwendy quiser. E isso pode ser uma benção ou um fardo.


Sinopse:


A pequena cidade de Castle Rock testemunhou alguns eventos estranhos ao longo dos anos, mas existe uma história que nunca foi contada... até agora.


Viaje de volta a Castle Rock nesta história eletrizante de Stephen King, o mestre do terror, e Richard Chizmar, autor premiado de A Long December. O universo misterioso e assustador dessa pacata cidadezinha do Maine já foi cenário de outros clássicos de King, como Cujo e A zona morta, e deu origem à série de TV da Hulu.


Há três caminhos para subir até Castle View a partir da cidade de Castle Rock: pela rodovia 117, pela Estrada Pleasant e pela Escada Suicida. Em todos os dias do verão de 1974, Gwendy Peterson, de doze anos, vai pela escada, que fica presa por parafusos de ferro fortes (ainda que enferrujados pelo tempo) e sobe em ziguezague pela encosta do penhasco.


Certo dia, um estranho a chama do alto: “Ei, garota. Vem aqui um pouco. A gente precisa conversar, você e eu”. Em um banco na sombra, perto do caminho de cascalho que leva da escada até o Parque Recreativo de Castle View, há um homem de calça jeans preta, casaco preto e uma camisa branca desabotoada no alto. Na cabeça tem um chapeuzinho preto arrumado.


Vai chegar um dia em que Gwendy terá pesadelos com isso.






O que você faria se tivesse em suas mãos uma caixa que lhe desse poderes extraordinários, mas tivesse um terrível poder de destruição? Qual seria sua reação? No que você pensaria? Quem ajudaria? Que benefícios iria tirar dela? Esse é o mote principal desse livro diferente escrito a quatro mãos por Stephen King e Richard Chizmar que nos leva de volta a Castle Rock, um dos lugares favoritos dos fãs do mestre do terror. Lá iremos nos deparar com uma adolescente que recebe um terrível fardo em suas mãos. Sendo uma garota que passou por bullying durante o início de sua adolescência, ela conhece um pouco do mal que as pessoas são capazes de fazer com os outros. Mas, ela não faz ideia do que uma caixa com tamanhos poderes e habilidades pode ser capaz de causar no mundo. E quando Gwendy se dá conta disso, o que antes pareceram bençãos, lentamente se tornam maldições. Caberá a ela manter a caixa de botões longe de pessoas com pensamentos malignos ao mesmo tempo em que precisa evitar a sedução de usar seus poderes em seu próprio benefício.


Falando da edição em si, a editora Suma optou por uma edição em capa dura, o que é bem diferente dos trabalhos mais recentes de King, que são publicados em capa brochura (com exceção da Biblioteca Stephen King, que é uma coleção especial). O livro possui algumas ilustrações feitas por Keith Minnion, que dão a ideia de um tipo de conto de fadas ou história cautelar. São várias ilustrações normalmente colocadas no começo de alguns capítulos. A tradução é da sempre competente Regiane Winarski. Senti falta de um posfácio com os dois autores explicando como foi o processo de criar uma história juntos, mas isso é coisa do original. Não tem a mão da Suma nisso. O livro tem uma diagramação bem legal, com letras grandes, um projeto editorial bem diferente do normal e papel pólen. Seria legal se a edição tivesse vindo com um fitilho só para ser diferentona mesmo de outros projetos do King e para combinar com a ideia de um "conto de fadas". Mas, isso é preciosismo meu.

Quem está esperando uma daquelas histórias tradicionais do Stephen King, melhor mudar suas expectativas. Depois de terminada a leitura até pude perceber algumas influências do King aqui ou ali, mas esse é essencialmente um livro do Richard Chizmar. A história é bem curtinha e o leitor consegue devorar em uma tarde de leitura. Os autores usaram do expediente de capítulos bem curtinhos sendo o maior deles tendo umas dez páginas. Tem vários capítulos de uma ou duas páginas, o que faz a história passar bem rápido. A narrativa se estende em um período de dez anos e os indicativos da passagem do tempo estão presentes em sutilezas informadas através de uma rápida menção ou um diálogo bem pontuado. Apesar de que em alguns momentos fiquei perdido e os autores não referenciaram se houve ou não uma passagem de tempo. Achei isso confuso principalmente no miolo da história onde perceber determinados acontecimentos e observar detalhes se tornam essenciais para a compreensão da história.


Dá para perceber a diferença de abordagem entre King e Chizmar. King gosta de usar diálogos e pequenos trechos narrativos para contar suas histórias. Já Chizmar é mais descritivo e prefere se focar em fluxos de pensamento e na descrição de como os acontecimentos afetaram a percepção da protagonista. A história é narrada em terceira pessoa, como se fosse uma câmera colocada no ombro da protagonista; gosto de me referir a isso como pseudo-terceira pessoa porque esse estilo narrativo tem várias similaridades com a primeira pessoa. Principalmente no fato de que o narrador não é inteiramente onisciente. Por ser uma narrativa contada ao longo de um espaço de tempo, não há muitas oportunidades para aprofundar o núcleo de personagens que circundam Gwendy. Personagens vão e vem tendo alguns poucos como Olive e Frankie que permanecem mais tempo na história recebendo um pouco mais de atenção. Achei isso problemático porque Gwendy não é exatamente uma protagonista inesquecível. Pelo menos não aqui (se trata de uma trilogia e imagino que Chizmar deva desenvolvê-la melhor nos próximos volumes). Muitas de suas reações são previsíveis e só lá pelo final da história ela se torna uma personagem mais tridimensional. A existência de um núcleo de apoio talvez tivesse oferecido à personagem mais oportunidades de brilhar, mas o que vemos são acontecimentos que se sucedem sem um "payoff" adequado.


A narrativa parece ter bebido bastante do conto "A Pata do Macaco" de W.W. Jacobs. Fizemos uma resenha desse conto que vocês podem encontrar neste link aqui. Este é um dos contos favoritos de King, como ele disse no livro Sobre a Escrita. Então a ideia principal é que Gwendy está de posse de uma caixa que pode realizar desejos. Só que tem uma pegadinha: a caixa tem uma espécie de vontade maligna por trás. Gwendy se beneficia da "magia" que a caixa possui e alguns de seus problemas pessoais e familiares são resolvidos por ela. Por exemplo, no começo da história, ela sofre de bullying de seus colegas com apelidos de teor gordofóbico, além de seus pais que parecem estar em um processo de separação com um casamento estagnado. Nos primeiros capítulos da trama, a caixa parece resolver magicamente seus problemas, fazendo com que Gwendy se tornasse uma garota esbelta e inteligente e seus pais se reconciliassem. O que parece ser algo bom, começa a tomar um rumo estranho quando Gwendy percebe a extensão do que a caixa é capaz de fazer. Então a protagonista quer apenas evitar que a caixa exerça sua influência sobre as coisas, mas, como qualquer objeto que tenha esse tipo de desígnio, seus poderes parecem exercer uma certa fascinação. Por mais que ela tentasse esconder a caixa, mais ela aparecia ou influenciava determinados acontecimentos.


Só que isso acaba caindo em um ciclo de responsabilização por parte de Gwendy. Qualquer coisa ruim que acontecia ela logo atrelava a si mesma ou à influência da caixa. Algumas das coisas que se sucedem na trama até são culpa dela, fruto de uma preocupação excessiva com situações que não lhe diziam respeito. Isso é até algo que um personagem fala a ela depois. Nem tudo gira em torno dela, Gwendy. Sem falar nas possibilidades ruins de acontecimentos que poderiam ter ocorrido caso ela abusasse da caixa ou permitisse que esta caísse em mãos ruins. O zelo de Gwendy e sua responsabilidade é o que separou alguns fatos ruins de situações catastróficas. Se tudo o que ela passa é um teste ou não, só o tempo dirá. Mas, o que fica de lição é que Gwendy tem uma boa disposição para ajudar o próximo, só que se coloca no palco principal demais e isso afeta sua tomada de decisões.


A Pequena Caixa de Gwendy é uma leitura rápida e fascinante. Gwendy é uma personagem ainda em desenvolvimento e o romance não me empolgou tanto assim. Mas, o final da história revelou algumas boas possibilidades além de ter deixado ganchos para futuras histórias. Contudo, se o leitor não quiser continuar, tudo bem porque a história tem um desfecho satisfatório. É um romance feito a quatro mãos, então percebemos partes truncadas aqui ou ali. Além do fato de que este, definitivamente, não é um livro escrito pelo King. Agora é aguardar para ver o que Richard Chizmar pretende aprontar com esta personagem em futuras histórias.











Ficha Técnica:


Nome: A Pequena Caixa de Gwendy

Autores: Stephen King e Richard Chizmar

Série: A Pequena Caixa vol. 1

Editora: Suma

Tradutora: Regiane Winarski

Número de Páginas: 168

Ano de Lançamento: 2018


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Editora Suma












 
 

Atualizado: 25 de out. de 2023

Em um mês normalmente mais tranquilo, temos três boas pedidas para apoiar. Uma de nossos queridos parceiros da Laboralivros, com uma coletânea de contos clássicos de terror japonês; uma coletânea de contos de fadas sombrios pela Editora Wish e um thriller da talentosa Larissa Brasil.


"Os Melhores Contos de Fadas Sombrios" organizado por Editora Wish


Ficha Técnica:


Nome: Os Melhores Contos de Fadas Sombrios

Organizado pela Editora Wish

Editora: Wish

Gênero: Conto de Fadas/Fantasia

Tradutores: Robson Ortlibas, Paulo Noriega, Sofia Soter, Carolina Cândido e Camila Fernandes

Número de Páginas: aprox. 320 (mas devem entrar metas estendidas e esse número deve aumentar)

Prazo da campanha: 06/02

Data de entrega: maio de 2023




Sinopse: O lado mais sombrio dos contos de fadas.

A partir de uma ideia controversa de moral e bons costumes, os contos de fadas foram passados de geração em geração para educar a sociedade a partir do medo e do assombro. Tais histórias sofreram diversas modificações ao longo dos anos, muitas vezes ganhando elementos romantizados na tentativa de amenizar até o mais horrendo dos enredos. Nem toda fada é madrinha, nem todo “beijo de amor” é consensual, nem toda história tem um final feliz. Os Melhores Contos de Fadas Sombrios reúne mais de 40 contos de fadas registrados a partir da tradição oral, sem censura, para adultos.

O 5º volume da Coleção Áurea - Contos de Fadas chega para aterrorizar até o mais corajoso dos leitores e fazer com que você nunca mais leia um conto de fadas da mesma forma. Este livro não é recomendado para menores de 18 anos.


Principais Formas de Apoio:


Livro Impresso: R$72,00


- livro impresso

- marcador de páginas ilustrado por Mari Morgan

- postal com hotstamp ilustrado por Janaina Medeiros

- nome impresso nos agradecimentos

- frete incluso

- brindes das metas estendidas alcançadas


"Gótico Japonês" organizado por Laboralivros


Ficha Técnica:


Nome: Gótico Japonês

Organizado por Laboralivros

Editora: Laboralivros

Gênero: Terror

Tradutores: Jovanca Kamizi Ichikawa, Marina Gonçalves Pietsch e Dioney Ribeiro da Silveira Junior

Número de Páginas: não informado

Prazo da campanha: 04/02

Data de entrega: abril de 2023



Sinopse: A tradição japonesa literária começa na poesia, onde existe o chamado Honkadori (tirar de um poema original) é uma tradição literária japonesa em que seu recurso é fazer uma alusão ou reinterpretação de trechos, versos ou trama de um autor respeitado. Isto é tão tradicional quanto o costume da corte de recitar poemas. No compêndio de poemas Man’yoshû (coletânea das dez mil folhas, publicado por volta de 759, período Nara) são encontrados vários poemas que fazem referências a obras de famosos poetas chineses, ou mesmo, poemas que fazem referência a outros poemas publicados no mesmo livro. Pode-se dizer que, reconhecer em um poema um trecho reinterpretado de outro, era sinal de um verdadeiro apreciador e conhecedor da arte.


Desse modo, é muito comum que escritores estejam sempre referenciando obras clássicas ou, algumas vezes, as revisitando.


Para um japonês, pode ser quase intuitivo perceber essa citação, mas para nós, distantes da cultura e das referências literárias japonesas, isso pode ser um desafio.


Pensando nisso, costuramos nesse volume, além das obras desses famosos escritores, trechos de livros clássicos como o konjaku monogatarishû e Genji monogatari, textos do século XI que até os dias atuais são base da cultura e literatura japonesa.


Recompensas:


Principais Formas de Apoio:


1 - Básico: R$96,00


- livro impresso

- nome nos agradecimentos

- marcador metalizado

- postal retrô "rostos misteriosos"

- frete incluso


2 - Médio: R$110,00


- livro impresso

- nome nos agradecimentos

- marcador metalizado

- pin de metal

- postal retrô "rostos misteriosos"

- frete incluso


3 - Completo: R$135,00


- livro impresso

- nome nos agradecimentos

- marcador metalizado

- pin de metal

- ecobag

- postal retrô "rostos misteriosos"

- frete incluso


"IREBU" de Larissa Brasil



Ficha Técnica:


Nome: IREBU

Autora: Larissa Brasil

Série: URUTAU vol. 2

Editora: Independente

Gênero: Thriller

Número de páginas: aprox. 250

Prazo da campanha: 20/01

Data de entrega: março de 2023



Sinopse: Esta é uma história contada das cicatrizes da inspetora de polícia Nanda Noronha.


Na floresta da Serra de Dois Cumes, entre as árvores centenárias, há feras raras e formidáveis como o Aguará e o Uiraçu, e há também o Kurupi, um dos sete monstros lendários da mitologia Tupi-Guarani. De gritos estridentes e gargalhadas sinistras que podem ser ouvidas de longe, principalmente de madrugada, corre à boca miúda que ele sequestra jovens virgens nas noites de céu sem lua. O desafio de Nanda Noronha é descobrir se os desaparecimentos de pessoas na região, inclusive de sua sobrinha, resultam dessa criatura mítica que dizem rondar a floresta e a serra da Cidade de Meia Ponte, ou se é uma ação bem orquestrada de uma organização criminosa que trafica pessoas e usa o misticismo da lenda para passar desapercebida aos olhos da lei.


Recompensas:


Principais Formas de Apoio:


1 - Sou básica: R$57,00


- livro impresso

- marcador de páginas

- nome impresso nos agradecimentos

- frete calculado ao final da compra


2 - Deu match (Lara + Psicothriller): R$68,00


- livro impresso

- marcador de páginas

- pin de lapela mão caveira

- poster exclusivo italiana

- clip de papel caveira

- aviso de porta

- nome impresso nos agradecimentos

- frete incluso

- metas estendidas alcançadas


3 - Recompensa extra: R$102,00


- livros impressos URUTAU e IREBU

- marcador de páginas

- pin de lapela mão caveira

- poster exclusivo italiana

- clip de papel caveira

- aviso de porta

- nome impresso nos agradecimentos

- frete incluso

- metas estendidas alcançadas


4 - Nanda Maniac (Nanda Noronha): R$92,00


- livro impresso

- marcador de páginas exclusivo NN

- card exclusivo NN

- revista com contos Nanda Noronha

- pin de lapela mulher/caveira

- poster A3 exclusivo NN

- clip de papel caveira

- aviso de porta

- nome impresso nos agradecimentos

- frete incluso

- metas estendidas alcançadas


5 - Deu Match (Lara + Moço do Vinho): R$82,00)


- livros impressos URUTAU e IREBU

- marcador de páginas italiana

- pin de lapela garrafa e taça de vinho

- poster A3 exclusivo italiana

- clip de papel caveira

- aviso de porta

- nome impresso nos agradecimentos

- frete incluso

- metas estendidas alcançadas


6 - Sou básica, quero os dois: R$82,00


- livros impressos URUTAU e IREBU

- marcadores exclusivos (um de cada livro)

- frete incluído ao final da compra































 
 
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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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