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Em mais de quarenta história curtas, Silvina Ocampo presenteia os leitores com aquilo que há de melhor e mais estranho em sua escrita de realismo mágico. Desde crianças com asas, passando por um estranho homem que come gatos e até casamentos bizarros, tem histórias para todos os gostos.


Sinopse:


Segundo livro da autora argentina publicado no Brasil, As convidadas reúne 44 contos breves em que fantasmas emergem de fotos, crianças surdas-mudas criam asas e o absurdo irrompe de fatos e objetos cotidianos para destroçar a monotonia das relações familiares.


Uma das escritoras fundamentais do século XX, Silvina Ocampo vem sendo revalorizada com entusiasmo nos últimos anos. Seu nome é cada vez mais citado como referência por uma nova geração de autoras que tem alcançado protagonismo nas letras latino-americanas, e sua obra começa a sair da sombra de figuras como Adolfo Bioy Casares e Jorge Luis Borges, que faziam parte de seu grupo literário em Buenos Aires.

As convidadas, lançado originalmente em 1961, é considerado emblemático em sua maturidade estilística. As obsessões da escritora, como as crianças que agem de maneira enigmática e muitas vezes parecem mimetizar os adultos, retornam já no primeiro conto, "Assim eram seus rostos", até atingirem uma apoteose no texto que dá título ao livro. Nele, um garoto enfermo é deixado a sós com a empregada em seu aniversário de seis anos, quando recebe como convidadas meninas estranhíssimas, vindas sabe-se lá de onde. O desfecho é uma síntese do humor absurdo presente na prosa de Silvina, sempre atravessada por elementos insólitos e perturbadores.






A Companhia das Letras tem feito um excelente trabalho ao trazer Silvina Ocampo para os leitores brasileiros. Estamos acostumados com vozes como as de Jorge Luis Borges, Julio Cortazar ou Adolfo Bioy Casares que representam o que há de melhor na literatura de realismo mágico. Só que Ocampo estava esquecida não sei se por ser mulher, não sei se por ser mais contista do que romancista. As Fugitivas representa um mergulho em seu lado mais sombrio, com histórias que saem do insólito até insinuarem situações bastante bizarras. Esta edição conta com tradução de Livia Deorsola que faz um ótimo trabalho com o texto. Ocampo não tem uma escrita lá muito simples e lê-la é um desafio até mesmo com uma boa tradução. A tradutora nos deixa notas bastante pontuais também, destacando elementos culturais que desconhecemos sem interferir no texto. A edição é bem simples, mas bastante respeitosa à autora.


Nessa resenha vou pegar alguns dos contos que mais gostei na coletânea para comentar sobre aspectos temáticos ou da escrita da autora. Infelizmente não tenho como evitar dar spoilers porque os contos são quase ficções-relâmpago com poucas páginas. E nada como falar do primeiro conto, Assim eram os seus rostos. Já de cara a autora já demonstra o quanto esta série de contos é diferente de A Fúria, que foi publicada anteriormente pela Companhia das Letras. Em A Fúria os temas giram em um campo mais do maravilhoso de sua escrita, com elementos fantásticos fazendo parte do cotidiano, interferindo em relações familiares ou em relacionamentos. Aqui, o fantástico caminha mais para o estranho, para o aterrorizante. Em uma escola, diversas crianças com rostos iguais começam a se portar todas de forma exatamente igual para consternação de seus professores. Tentando entender o que realmente se passa, os professores fazem de tudo para ou separar as crianças ou fazê-las entrarem no ritmo da escola. Ocampo vai mergulhar de forma literal na concepção que temos de que crianças possuem características angelicais. E se elas criassem asas?


Outro exemplo dessa verve mais voltada para o terror de Ocampo é o conto Amelia Cicuta. Nela, Emidia, uma mulher que tem o hábito de dar de comer para gatos de rua conhece um estranho homem que se alimenta de... gatos. Ele os trata muito bem, dando de comer, abrigando-os, protegendo-os do frio até que eles fiquem gordos o suficiente para que ele possa comê-los. Emidia fica horrorizada e considera um absurdo, só que o homem banaliza, dizendo que apenas fornece alguns momentos de carinho para estes animais abandonados. E rechaça as críticas da mulher perguntando se ela, por acaso, não come bois, porcos, faisões, peixes e outros animais. Emidia, que se apresentou a ele como Amelia Cicuta, decide então tomar medidas drásticas. Neste conto podemos perceber nas linhas de Ocampo o quanto ela gosta de deixar coisas implícitas. Em seus contos, nem sempre os acontecimentos são claros, ficando muita coisa para o leitor interpretar o que depreendeu daquilo. É como se a escrita fosse feita com a participação do leitor.


E se estamos mencionando a ótima escrita da autora, não tem como não se referir ao conto A Escada. Que ideia sensacional a que ela teve. Em um dia comum, Isaura é chamada por algum motivo e precisa subir uma escadaria de vinte e cinco degraus para chegar à sua casa. A partir daí, a autora vai contando pequenas histórias em curtos parágrafos para cada um dos degraus. Eles presenciaram acontecimentos os mais diversos, desde os falatórios da vizinhança, até uma moradora que observava o bairro pensativa, um deles onde o lixo quase sempre caía e até um em que um estupro fora cometido. São vinte e cinco parágrafos para cada um dos vinte e cinco degraus. A genialidade da autora em criar um microcosmo de pequenas coisas que se sucedem em um amplo espaço de tempo é inimaginável para nós. Só de tentar entender como ela conseguiu criar tantas histórias já embaralha a minha cabeça.


O Progresso da Ciência é um conto que faz parte das discussões sociais da autora. Nela somos colocados em um reino onde a ciência avançou a um ponto onde é possível curar diversas doenças e rejuvenescer as pessoas até certo ponto. Só que o rei manda cegar as pessoas para que elas não possam vê-lo envelhecer e ficarem decepcionado. Com o passar dos anos, o rei deseja rejuvenescer e pede aos seus sábios que o façam para voltar a ser admirado pelo povo. Mas, cegos, eles tem muita dificuldade até que enfim conseguem. O rei está mais jovem, mas não há ninguém para admirá-lo já que todos estão cegos. Ele volta a ficar deprimido até que pede aos sábios que desenvolvam uma forma de fazer com que os seus súditos voltem a ver. Alguns anos mais tarde, os sábios conseguem finalmente desenvolver um método para curar a cegueira. Mas... Enfim, este é um conto que lida com as concepções de vaidade e egoísmo. O rei quer a aprovação das pessoas, mas não deseja que as pessoas tenham os mesmos privilégio que ele. Isso remete demais a uma sociedade de aparências onde prestamos a atenção no que o outro pensa sobre nós. Muitas vezes tendemos nossas escolhas ou preferências ao que os outros irão pensar de nós. Existe uma reflexão dura ao final deste conto.


Se estou citando contos de teor social, não tem como não mencionar Fora das Jaulas. Na trama, temos um professor que tem em suas mãos a chave para um zoológico. E ele gosta de apreciar os animais e descreve todo um mundo secreto vivido pelos animais depois que as portas do zoo se fecham. Quase como se fosse outro mundo onde os animais podem falar, seus sonhos se tornam nítidos para nós e suas ações correspondem às nossas. Um dia, ele decide levar um grupo de alunos para visitar tais animais à noite, mas um deles tem a obsessão de entender o que aconteceria se deixássemos os animais saírem de suas jaulas. É um conto sobre civilização e como nos sentimos o topo da cadeia alimentar. Contudo, pouco conhecemos sobre a natureza e todo um mundo que parece alheio aos nossos sentidos. Queremos ter o controle sobre os outros animais e os observamos como se fosse em um... zoológico. Mas o que aconteceria se as posições fossem invertidas?


A forma como Ocampo entende o amor pode ser perturbadora às vezes. Nada exemplifica mais isso como em A Cara na Palma. Um conto onde a protagonista tem uma.... cara na palma de sua mão. Um rosto com quem ela pode conversar, debater e até discordar. Essa cara tem sua própria visão sobre as coisas e tudo isso vai explodir quando ela passa a se engraçar com um rapazinho da aldeia. A cara não concorda com esse amor e a protagonista, em uma carta apaixonada escrita a seu amado, conta como terminou a confusão com sua "confidente". É simplesmente perturbador. Semelhante a esse aqui é As termas de Tirte onde o narrador é apaixonado por Lucy, mas esta só tem olhos para um galã que passou a frequentar as termas. Só que este galã deseja perpetuar sua beleza para sempre e depois de uma conversa pensa em uma saída deveras estranha: para ganhar mais tempo é preciso não gastá-lo com tarefas mundanas. Então a saída que ele cria é que toda vez que ele estiver dormindo, irá realizar todas as tarefas que são entediantes. Dessa forma ele vai ganhar mais tempo de vida. O protagonista agora quer provar que o galã, toda vez que sai com Lucy, está de olhos fechados porque ele tem certeza que não a ama como ele. Mas, será que ele poderá provar o que diz ou sua amada é que está realmente com olhos fechados? Ou seja, Ocampo não é lá muito romântica... Estou ironizando, caros leitores. Mas, vale pensar que a autora está fazendo algumas reflexões lá nos idos da metade do século XX que só fazemos hoje com mais frequência.


No conto Celestina vemos um pouco mais desse lado mórbido da autora. E o quanto ela gosta de inserir punchlines, ou seja, pequenas frases de efeito ou situações que fecham uma trama. E ela faz isso muito bem. Nesse conto, a narradora nos conta que conhece uma mulher chamada Celestina, que se alimenta de notícias ruins. Apesar de ser uma pessoa bondosa, ela precisa ouvir notícias ruins, podendo ser terremotos, desastres, assassinatos em família, epidemias. Qualquer coisa que envolva mortes, maldições ou injustiças. Todos os dias. Chega a um ponto em que eles precisam trazer provas das notícias ruins que eles estavam contando. E é uma necessidade constante de ouvi-las. Mas, um dia, o jornal não tem uma única notícia ruim sequer. E nem os vizinhos possuem nada trágico para contar. As pessoas próximas a Celestina pensam em inventar uma história, mas ela é muito inteligente e pode desconfiar. O que será que vai acontecer quando Celestina não tiver uma notícia ruim da qual se alimentar?


Paro por aqui ou vou estragar as surpresas que Ocampo nos presenteia nessa coletânea. A autora é um dos pilares do realismo mágico na América Latino e reitero os meus parabéns para a Companhia das Letras por estar nos trazendo as histórias dela. A capa também está lindíssima e remete a esse espírito insólito e maravilhoso de suas histórias. Como qualquer coletânea de histórias vão ter aqueles contos que os leitores irão curtir mais e aqueles que não serão tão interessantes. De qualquer forma, vale demais a pena, principalmente pela liberdade de poder abrir o livro em qualquer página e encontrar uma boa história.










Ficha Técnica:


Nome: As Convidadas

Autora: Silvina Ocampo

Editora: Companhia das Letras

Tradutora: Livia Deorsola

Número de Páginas: 264

Ano de Publicação: 2022


Avaliação:


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Companhia das Letras









 
 

Atualizado: 25 de out. de 2023

Na ressaca após a CCXP, um mês com apenas um destaque ficando para a segunda parte do arco Dilúvio de The Few and the Cursed, HQ épica criada por Felipe Cagno e Fabiano Neves que nos traz a Ruiva, um dos personagens mais fascinantes que já pude conhecer.


"The Few and the Cursed #8 - Dilúvio Parte 2 de 8" de Felipe Cagno e Fabiano Neves


Ficha Técnica:


Nome: The Few and the Cursed #8 - Dilúvio parte 2 de 6

Autor: Felipe Cagno

Artista: Fabiano Neves

Colorista: Tiago Barsa

Editora: Timberwolf Entertainment

Gênero: Terror/Fantasia

Número de Páginas: 32

Prazo da campanha: 12/01

Data de entrega: julho de 2023



Sinopse: The Few and Cursed #8 é uma sequência direta da edição anterior e é a próxima parte da nova temporada: O Grande Dilúvio. Na edição anterior depois que a Ruiva acabou com a maldição da Rubia Del Baño, ela e a Hazel, sua sidekick, tiveram um pequeno atrito... que terminou com Hazel desaparecida do acampamento delas.


O Grande Dilúvio é uma continuação do arco dos Corvos, mas mesmo sendo uma continuação não deixa de ser o início de uma nova aventura e o ponto ideal para novos leitores conhecerem melhor este universo.


Principais Formas de Apoio:


1 - Sobreviventes - Básico: R$15,00


- exemplar impresso na capa regular com arte de Joe Bennett e Ivan Nunes

- Cópia digital em pdf

- revista autografada por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


2 - Cursed - Capa variante: R$20,00


- exemplar impresso na capa variante com arte de Nico di Mattia

- Cópia digital em pdf

- revista autografada por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


3 - Poucos - Capa Variante: R$20,00


- exemplar impresso na capa variante com arte de Eduardo Vieira

- Cópia digital em pdf

- revista autografada por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


4 - Amaldiçoados - Capa variante: R$20,00


- exemplar impresso na capa variante com arte de Fabiano Neves que se conecta com as outras capas dele

- Cópia digital em pdf

- revista autografada por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


5 - Few and Cursed - Capa Foto: R$25,00


- exemplar impresso na capa variante estampando a Carol Costa como Ruiva. Uma edição exclusiva da campanha no Catarse

- Cópia digital em pdf

- revista autografada por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


6 - Colecionadores - Todas as capas: R$80,00


- exemplar impresso de cada capa da edição #8 da série Few and the Cursed (a revista com a capa regular + as 4 capas variantes)

- total de 5 revistas com arte de Joe Bennett, Nico di Mattia, Fabiano Neves, Eduardo Vieira e Carol Costa

- Cópia digital em pdf

- revistas autografadas por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


7 - Os Atrasados: R$30,00


- exemplar impresso na capa regular com arte de Joe Bennett e Ivan Nunes

- exemplar impresso da edição #7 na capa regular com arte de Diógenes Neves

- Cópia digital em pdf

- só a edição #8 por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra


8 - Pacote Ruiva completo: R$80,00


- exemplar impresso na capa regular com arte de Joe Bennett e Ivan Nunes

- exemplar impresso da edição #7 na capa regular com arte de Diógenes Neves

- exemplar impresso da saga completa dos Corvos de Mana'Olana em volume único com capa cartão ilustrada pelo co-criador Fabiano Neves

- Cópia digital em pdf

- só a edição #8 por Felipe Cagno e Fabiano Neves

- frete calculado ao final da compra




 
 

Uma ligação em que Perséfone e Hades conversam por horas a fio aprofunda a relação dos dois. Minte percebe que pode estar perdendo Hades e ela se dá conta de o quanto ele é importante para ela. E Apolo quer assegurar a sua "posse"...


Sinopse:


No segundo volume da premiada série de Rachel Smythe, Hades luta para lidar com sentimentos até então desconhecidos para o Rei do Submundo, enquanto Perséfone tenta descobrir se suas expectativas para o futuro ainda condizem com suas escolhas. Best-seller do New York Times e ganhador do Prêmio Eisner, Lore Olympus é fenômeno absoluto do Webtoon e o quadrinho mais lido do mundo atualmente.


Perséfone estava pronta para começar uma nova vida quando deixou o Reino Mortal para viver no Olimpo. Porém, ela logo descobriu o lado sombrio do novo e deslumbrante lar, e agora tenta encontrar seu lugar no mundo dos deuses, sempre em constante e rápida mudança. Hades também está abalado, lutando contra seus sentimentos pela jovem Deusa da Primavera, enquanto mantém seu reinado solitário do Submundo. Conforme se aproximam, os dois precisarão desatar os nós do passado e do presente para construir um futuro juntos.

Ganhador do Prêmio Eisner e finalista do Prêmio Hugo, Lore Olympus reúne fãs ao redor do mundo todo. O segundo volume da série contém os episódios 26 a 49 do webcomic, além de um conto exclusivo e inédito.






Alerta de gatilho: Abuso físico, relações tóxicas, traumas sexuais


Um segundo volume que continua algumas tramas do primeiro enquanto se foca nos desencontros e nos problemas vividos pelos protagonistas. Rachel Smythe consegue se assentar em uma narrativa super veloz onde os leitores podem viver momentos divertidos, emocionantes e intrigantes ao lado de um elenco digno de uma série de streaming. Devorei a leitura em poucas horas e, apesar de alguns problemas aqui ou ali, Lore Olympus é uma revelação. Não à toa os fãs da série são apaixonados pelos personagens. Só fica aquele aviso básico de spoilers da primeira edição porque não tem como evitar e os gatilhos presentes aqui como os traumas vividos pela Perséfone, a relação tóxica entre Hera e Zeus além de Apolo e sua visão absurdamente machista sobre sua possível parceira.


Falando da arte da Rachel Smythe nesse volume ela está mais intimista do que no volume anterior. Boa parte dos capítulos envolvem conversas entre dois personagens seja Hades e Perséfone, Hades e Minte, Zeus e Hera ou outros da trama. Então a autora investe muito em gestos e reações. Ou seja, são quadros menores em que os closes são mais comuns e os personagens passam o que estão sentindo a partir dos olhos ou da boca. Um sorriso de felicidade, um esgar malandro, uma torcida de nariz, um olhar pensativo. Tem páginas que são todas pontuadas por estes closes com poucos ou nenhum balão de fala. Caberá ao leitor deduzir o que o personagem está querendo dizer. Esse recurso é um dos responsáveis por este ser um volume tão rápido de ser lido. Só que ele acaba combinando melhor com uma leitura feita digitalmente, quando passamos os quadros através de um clique e as cenas passam de forma dinâmica. Quase como se fosse uma animação mesmo. De qualquer forma esse recurso fez com que a autora tornasse os personagens mais expressivos. Isso acontece tanto para bem como para mal. Para bem no sentido de que isso oferece mais personalidade a eles. Por exemplo, Hades é um personagem bastante sorumbático, sempre com um olhar distante e até meio distraído. Isso faz com que outros personagens o menosprezem ou subestimem. Para mal, no sentido de que a autora apelou para expressões muito caricatas para os personagens, com expressões exageradas, típicas dos mangás japoneses. A Perséfone parece uma garotinha chibi de um mangá, balançando os braços e pulando desordenadamente. Embora isso a torne mais divertida e leve para os leitores, sendo mais querida, o exagero me incomodou um pouco. É possível fazer uma personagem parecer engraçadinha e inocente, sem remeter a tanto exagero. Fica parecendo forçado demais.


Em relação às cores, achei essa edição mais centrada e a autora mais à vontade na hora de compor seus quadros. A gente percebe quando um quadro se refere a um determinado personagem pela predominância de uma cor específica naquele quadro. Se o quadro puxa para o azulado, é um momento do Hades (até as letras se tornam azuis). Quando um cenário está mais para o roxo, ou é o Apolo ou a Artemis. Ou até o Zeus. Quando é o amarelo, temos a Hera ou a Héstia. É legal essa percepção do leitor sobre o que está sendo apresentado a ele. Só que a autora começa a fazer alguns experimentos. Por exemplo, tem um quadro bem legal da Hera após pegar nas mãos da Perséfone e ter uma premonição. Para representar que foi algo negativo, Smythe coloca um quadro todo hachurado em preto com fundo branco e uma moldura simples (quase uma janela) com a Hera com um rosto triste e choroso. O leitor consegue inferir a partir dessa página simples de que se tratou de uma informação ruim ou trágica. Tem outro momento bem legal que é quando Hades resgata Perséfone do Tártaro. Para se proteger, Perséfone faz nascer uma árvore de cerejeira. Quando Hades chega e ela está meio traumatizada, ele a abraça e o quadro ao fundo toma tons de rosa e azul (metade/metade) e a árvore ao fundo faz nascer folhas azuis misturadas com as rosas. Isso fornece um efeito lindíssimo ao quadro.

Hades tenta resolver as confusões iniciadas no volume anterior. Ele precisa se livrar de alguns problemas e traumas caso deseje seguir com seu relacionamento adiante. Por mais que ele tente, ele é o centro das atenções, um dos principais deuses do Olimpo. Uma das situações chatas que acontecem nesse volume é que um fotógrafo flagrou os dois saindo da mansão de Hades e isso é divulgado na imprensa. Para Hades, isso pouco importa porque ele se mantém longe dos holofotes. Por ser um cara reservado e até por ser homem, uma fofoca como essa apenas serve para elevar o seu cacife. Vejam como a autora trabalha o machismo nas relações desequilibradas heteros. Para Perséfone, isso traz uma série de inconvenientes. Ela passa a ser julgada como uma aproveitadora, alguém que quer subir de status social se envolvendo com um homem importante. Os colegas de escola a enxergam como uma concubina. Vejam a diferença do tratamento entre Hades e Perséfone pela "opinião pública". Perséfone precisa lidar com o julgamento da sociedade, por mais que ela consiga se esquivar disso com sua inocência e inteligência.


Entra em questão a diferença de idade entre Hades e Perséfone. A menina é uma jovem deusa de 19 anos enquanto Hades existe há milênios. Se trata de uma brincadeira da autora com os mitos gregos para trazer o problema da diferença grande de idades dentro de uma relação. Hades faz uma série de piadas sem se dar conta da juventude da pessoa que está com ele. Até mesmo há uma tensão sexual e depois que ele descobre a verdade (porque Hades é meio lerdinho né) ele se toca da confusão na qual se meteu. Aí é que a sensatez baixa um pouco e ele passa a refletir a partir de dois vieses: o de o quanto Perséfone poderia entregar algo a mais para ele ou não e o quanto a sociedade poderia julgar também essa diferença absurda de idade. Percebam o quanto a questão da opinião alheia está presente com força nessa edição. É então que Hades decide se afastar um pouco para evitar que a personagem sofra com isso. Só que ele causa mensagens cruzadas com isso. Ao mesmo tempo em que o leitor percebe que existe uma atração forte entre eles, ele faz de tudo para tentar afastar a sua amada. E isso faz com que Minte, o terceiro elemento desse triângulo amoroso não entenda o que está acontecendo. Mas, já já volto na Minte.


Perséfone precisa lutar com suas inseguranças. Hera acaba colocando-a como estagiária a serviço de Hades e isso é a Hera agindo do jeito que ela bem entende. E ela sabe numa boa sobre a relação que existe entre os dois. Quanto a Perséfone, ela luta para entender qual é o seu papel ali. Ela quer ser útil de alguma forma. Sendo uma deusa da primavera, ela sente que não contribui o suficiente. Então ao buscar seu lugar ali, ela não quer nada de mãos beijadas. Ela deseja realmente poder demonstrar o seu potencial. Uma das cenas mais legais dessa edição tem a ver com a aceitação de Hades de seu estágio. Ele não quer aceitar partindo de uma noção exagerada de proteção. Então ela combina com ele uma disputa de xadrez. Se ela vencer, ele aceita sem hesitações; se ela perder, vai embora. Perséfone enrola Hades fazendo parecer que ela não sabe nada do jogo e quando vê destrói o oponente. São pequenas interações como essa que reforçam as qualidades dela e o quanto ela luta consigo mesma. Existe aqui um debate sobre a Síndrome do Impostor, quando somos capazes de fazer bem nossas tarefas, mas imaginamos que somos indignos ou não capacitados. Perséfone começa a ganhar um pouco mais de confiança nessa edição. No fundo temos Apolo que, depois de ter transado com a Perséfone, meio que sem o consentimento dela, agora a persegue. Apolo tem todas as características de um stalker e esse deve ser um tema mais trabalhado na próxima edição.


Então chegamos a Minte. Já vimos o quanto a relação dela com Hades é extremamente tóxica, com a ninfa usando sua sensualidade para se manter no posto de dominante na relação. E ela se sente segura sendo a dominante, ditando os termos da relação. Mesmo que para isso o outro lado se sinta desconfortável. Hades expressa em vários momentos o quanto está incomodado, mas como é um homem solitário e busca companhia, acaba aceitando os abusos dela. Só que quando ele conhece Perséfone e vê uma outra forma de carinho, seu coração se sente acalentado. Perséfone o trata como igual, e a ignorância de Hades em relação a diversos temas (idade, origem, virgindade) relacionados a ela o fazem tratá-la com igualdade. É uma relação baseada em um senso de parceria. E é aí que a balança muda de fiel e Hades começa a despertar sentimentos por Perséfone. Não é que ele não goste mais de Minte, mas é que aos poucos ele já não se sente mais à vontade com ela. Estar com Perséfone é mais engrandecedor para ele do que com Minte. Ou seja, a ninfa não é mais a dominante da relação. Hades só não terminou ainda com ela porque não sabe o que fazer em relação aos seus sentimentos por Perséfone. Existem muitos problemas como a idade, afetar o status social dela, o julgamento de seus parentes. Por essa razão, Hades permanece ainda com ela, e até é respeitoso em relação aos sentimentos da ninfa (embora ache que terminar fosse o mais honesto da parte dele). Minte fica confusa porque nunca esteve por baixo na relação. E é aí que ela se dá conta do que realmente sente. Será tarde demais?


Baita edição com alguns probleminhas, mas divertida à beça. A autora consegue escrever uma narrativa que te prende nas páginas a cada segundo. São mais de trezentas páginas que se passam tão rápido que a gente fica triste querendo mais. A arte não estava tão legal quanto na primeira edição, mas senti que a autora estava mais à vontade com o que pretende trazer para as páginas da HQ. As relações são muito bem trabalhadas e ficamos torcendo para que algo X ou Y aconteça. Meu problema é algo que havia alertado na resenha passada. A história se concentra demais em Hades e Perséfone e existe muito potencial em histórias secundárias para deixá-las de lado. Um bom exemplo disso é a relação entre Hera e Zeus que a autora começa a comentar aqui. Parece que o próximo volume promete fortes emoções.











Ficha Técnica:


Nome: Lore Olympus vol. 2

Autora: Rachel Smythe

Editora: Suma

Tradutor: Érico Assis

Número de Páginas: 368

Ano de Publicação: 2022


Outros Volumes:


Link de compra:


*Material recebido em parceria com a Editora Suma








 
 
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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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