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Depois de se separar do grupo de ataque aos gaunas, Shinatose vai parar no planeta Nine onde precisará sobreviver a uma avalanche de inimigos. Nagate e Tsumugi partem para o resgate, mas as coisas se complicam quando surge Benisuzume. Hora do acerto de contas!


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Sinopse:


Sidonia inicia o seu plano de investida contra a Nave Mass Union Grande, e o primeiro objetivo é tomar controle do Planeta Nine, que fica no ponto médio entre os dois. Porém, a tropa inicial de reconhecimento, que contava com participação de Izana, é abatida pelos Gaunas escondidos no planeta! Agora, Nagate e Tsumugi se juntam para resgatar os sobreviventes da tropa, principalmente Izana! No entanto, os Gaunas agem como se soubessem que esses dois viriam, e quem se posta no caminho deles é o arqui-inimigo Benisuzume…







Contém spoilers de volumes anteriores!






Essa é uma edição toda orientada para ação. Na última edição vimos que o setor de pesquisas decidiu testar Tsumugi no campo de batalhas; e o setor de desenvolvimento bélico criou um novo modelo de robô com uma kabi diferenciada. Eles partem para o ataque na nave Mass Union menor como teste de campo, mas as coisas acabam saindo errado quando o grupo da Shinatose se vê precisando fugir. Eles acabam indo parar no planeta Nine e, desacostumados com a gravidade, precisam lidar com um grande grupo de gaunas. Nagate e Tsumugi partem para o resgate, mas acabam esbarrando em Benisuzume. Nessa edição temos também uma batalha campal do Nagate contra centenas de gaunas. Mesmo com tanta ação acontecendo, ainda temos alguns momentos para investigar os sentimentos crescentes da Shinatose pelo Nagate e o quanto o fantasma da Hoshijiro paira no ar. Será amor ou culpa?


Vou falar primeiro da arte porque é o ponto mais direto no volume 9. A edição é toda orientada para o combate. Mais de dois terços se passam no planeta Nine e o finalzinho também tem mais um. Então a maneira como Nihei coreografou a ação é importante para a compreensão do que está acontecendo. Nos três capítulos iniciais, os balões de diálogo são bastante escassos, mas se o leitor for atento ao que está acontecendo nas cenas, dá para entender numa boa. Só que: precisa ter calma ao passar as páginas. Se o leitor se concentrar nos diálogos, vai perder momentos importantes das cenas e até pequenos gestos que são importantes para a compreensão do todo. Por exemplo, Tsumugu se comunica muito por suas expressões (ou ausência delas), então no combate contra Benisuzume, ela parece estar entediada com o prospecto de enfrentá-la, até que sua adversária a surpreende em um curto espaço de tempo. Isso é contado sem falas, apenas na arte mostrando o confronto das duas. Ou mais tarde quando a Hoshijiro-gauna invade o cockpit do Nagate. A gente só consegue entender o objetivo dela através do que ela faz naquele pequeno espaço de tempo. A ação é muito boa e Nihei continua tendo uma ótima noção do que acontece nas cenas. O design de personagens é bizarro... parece que o Nihei se desafia a desenhar algum bicho biomecânico mais estranho que o anterior a cada edição.

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Mesmo sendo um volume bem mais puxado na ação, a gente tem bons desenvolvimentos de personagem. Por exemplo, ter que enfrentar Benisuzume é um desafio para Nagate. Isso porque ele ainda sofre com a culpa por não ter conseguido salvar a Hoshijiro. O fato da Benisuzume usar a aparência dela é quase um tapa na cara do Nagate. Não sabemos ainda qual a real intenção desse gauna em particular, principalmente depois de perceber que a sua placenta consegue agir de forma independente do núcleo. Nagate parece amadurecer mais nessa edição e se torna alguém de bastante confiança para a nave. Ele é a diferença fatal entre a vitória e a derrota aqui. O que ele faz quando resgata a Shinatose é incrível. Tem um momento posterior quando a placenta se separa do núcleo e parte para o ataque frontal, fiquei meio apreensivo principalmente porque a Shinatose estava junto dele ali. Mas, pelo menos parece que o Nagate conseguiu superar esse pedaço de sua angústia, apesar de ela estar sempre presente ali.


E por falar na Shinatose, ela volta a ser parte da história correndo no fundo. E está mais do que na cara que ela se apaixonou pelo Nagate. Não entendi bem a conversa da Yuhata com a Shinatose sobre a biologia hermafrodita dela. Ela pode ser mais feminina ou masculina de acordo com o parceiro? Se for o caso, não gostei disso... me parece ser só uma desculpa para ela fazer par com o Nagate. Se for algo só comportamental, beleza, acho a proposta interessante e nos ajuda a entender questões de representatividade. Se for isso, dou os parabéns para o Nihei. Se for modificação biológica, não gostei. Porque aí parece que a Shinatose tem que se tornar uma mulher com atributos biológicos desenvolvidos, o que não é uma forma respeitosa de tratar o tema. De toda forma, gosto do dilema vivido pela personagem. Desde o começo quando o autor começou a tratar com mais atenção o que ela é e como ela se vê, a personagem passou a ter muitas camadas. Aliás, prefiro ela pareando com o Nagate do que uma possível aparição insana de uma Hoshijiro sintética. E isso me leva a Tsumugu que o Nihei deixa pistas que pode vir a formar um triângulo amoroso pelo coração do Nagate. Isso sim me preocupa um pouco também. A dinâmica deles como uma família maluca me agrada mais.

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No volume 10 temos uma continuidade no relacionamento entre a Yuhata, a Shinatose, a Tsumugu e o Nagate. Acontece um acidente que deixa a Shinatose bastante ferida e isso serve como um catalisador para explorarmos o carinho que todos sentem por ela nesse tempo em que eles passaram a viver juntos. Aqui ficou mais claro de que maneira o Nihei está explorando a questão sexual dela, e, ufa... fiquei mais aliviado. Tem a ver mais com como ela enxerga a si mesma. No começo da série, a personagem era bastante neutra. Dava até para pensar que a feminilidade dela tinha a ver com algum tipo de personagem andrógino, como é comum em mangás japoneses. Mas, pouco tempo depois, ela explica a situação dela e isso fica mais claro. De algumas edições para cá a personagem deixou de ser uma pessoa solitária e passou a viver junto de outros. E ela começa a despertar sentimentos pelo Nagate. É muito bacana vermos a amizade que se desenvolveu entre ela e a Tsumugu e como a Shinatose vê na Yuhata uma confidente.


Mas, o tema central desse volume é a transformação de seres biológicos em armamentos. Tsumugu é o resultado da visão científica do Kunato em usar gaunas para criar quimeras. A quimera é um sucesso porque ela possui uma personalidade predominante. Só que Kunato quis ir além e daí surge Kanata, a quimera de número 2. Essa é um pouco diferente de Tsumugu, com capacidades reprodutivas, habilidades transmutadoras e até controle da mente. O leitor é levado a imaginar que as experiências do Kunato são um segredo conhecido apenas pelos membros de sua corporação. Mas, percebemos que isso não é o caso e tem gente da nave que ajuda a encobrir e a estimular o desenvolvimento bélico. Como qualquer arma de alto poder de destruição, existe sempre algum porém em sua utilização. E o controle sobre Kanata não é tão fino assim. Ou seja: estava na cara que alguma coisa ruim iria acontecer. Pensar que toda a confusão aconteceu pela ambição do homem de criar algo extremamente poderoso para destruir seus inimigos é quase um espelho do que foram os testes nucleares durante a Guerra Fria. Quaisquer efeitos colaterais são apenas um reflexo de nossa tolice.


Tirando o trecho final desse décimo volume, não vi nada de muito especial neste volume. Assim como no anterior. Gosto das cenas de ação do Nihei, mas algumas das páginas tem traços tão finos que parece que não foi arte-finalizado. Pode ser uma característica específica do autor, mas me incomodou um pouco. As cenas deste volume se passam mais internamente. Confesso que o primeiro e o último capítulos deste volume são os que mais me agradaram por se passarem no interior da nave e em lugares que não haviam sido explorados ainda. Sem mencionar que o Nihei precisou conter mais a sua loucura em criar criaturas bizarras. Gosto muito do design da Tsumugu quase sendo alguma espécie de princesa alienígena, mas com um poder avassalador. Kanata também é medonho. Fico imaginando aquele rosto bizarro que parece saído de algum jogo do Metroid, da Nintendo. No mais, foram dois volumes de transição e que posicionaram as peças para o ato final a acontecer nos próximos volumes.


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Ficha Técnica:


Nome: Knights of Sidonia vols. 9 e 10

Autor: Tsutomu Nihei

Editora: JBC

Tradutor: Denis Kei Kimura

Número de Páginas: 191 e 175

Ano de Publicação: 2017


Outros volumes:


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Uma névoa cinza ocupou o mundo e aqueles que tem medo não podem mais sair de suas casas. Vamos acompanhar relatos de várias pessoas que tentam lidar com o isolamento, a falta de esperança e o desespero.


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Sinopse:


Enclausurado por muito tempo, o ser humano definha.


Do lado de fora, uma espessa neblina dominou países inteiros. Ela mata quem se arrisca a desbravá-la, espalha vísceras, sangue e entrega os gritos a um estranho lugar sem cheiros, sons, luz ou escuridão.


Do lado de dentro os sobreviventes enfrentam sua subsistência. Não há água encanada, ondas de rádio ou energia elétrica. Falta comida e os sentimentos são confusos e intensos.


Não há sol ou chuva para se observar. Não há divisão entre dia ou noite. Os relógios estão parados e qualquer esperança já se fragmentou, mesmo que alguns ainda esperem por algo que já nem sabem se existe ou mesmo se tem um nome.






O nada. O vazio. Esse é um daqueles medos primais do homem. Quando não há perspectiva de futuro. Quando a impotência nos abate e somos incapazes de encontrar uma saída. Carolina Mancini nos entrega um dos romances mais claustrofóbicos que já pude ler. Onde ela alterna entre diferentes tipos de narrativa e nos apresenta diversos personagens cujas vidas foram sequestradas por essa névoa que os impede de deixarem seus refúgios. Aos poucos o sentimento de impotência vai se acumulando no fundo de seus corações gerando situações-limite. O resultado é um relato pungente sobre a humanidade e aquilo que se esconde no lado mais obscuro de nossas almas. Nihil foi vencedor do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica na categoria Terror em 2019 e essa é a segunda edição, do qual a edição física foi financiada via Catarse. Um livro com um projeto editorial incrível que conta com múltiplas formas de letreiramento, tem ilustrações aterrorizantes internas da autora. Vale destacar também os dois textos de posfácio, sendo uma matéria sobre o nilismo ao longo do tempo e um posfácio sobre a obra em si. Destaco bastante o texto sobre nilismo porque ele vai se debruçar sobre os principais pensadores sobre o assunto e trazer para como Mancini traz isso para o seu texto.


Não há uma sinopse exata do livro porque ele se trata de um apanhado de histórias contadas por vários personagens que vivem em um mundo tomado por uma névoa mortal. Aquele que deixa o seu refúgio, pode morrer em poucos segundos. Vamos ver relatos de uma garota assolada por sua outra personalidade, um homem que encontra em uma mulher corajosa capaz de atravessar a névoa em algumas horas por dia, uma família que tem sua rotina completamente alterada, uma atriz que precisa aprender a sobreviver enquanto busca o lendário Errante, entre outros personagens. No meio disso tudo estes indivíduos serão testados até os seus limites onde aprenderão que o medo pode ser apenas o começo de algo muito pior.


A escrita de Carolina Mancini é múltipla ao longo de sua obra. Para cada personagem ou núcleo de personagens ela emprega um estilo diferente. Vai desde o texto repleto de diálogos, ao puramente descritivo, tem o epistolar, tem relatórios. Essa multiplicidade de formas de escrita oferece uma visão caleidoscópica do que estamos acompanhando. O leitor é sempre tirado de sua zona de conforto. Até poemas e escritas sensoriais temos presentes aqui. A constância em Nihil é a inconstância. Isso deve ter exigido muito da autora para poder dar um norte para essas múltiplas formas de escrever e esses personagens tão diferentes. Isso porque apesar de não ter exatamente uma trama maior, temos personagens vivendo suas subtramas nesse mundo devastado. A autora oferece uma espécie de desfecho ao final com algum tipo de mensagem de esperança no meio da catástrofe. Seus personagens são bem desenvolvidos mesmo que em textos fragmentados. O leitor mais atento vai acompanhando-os e vendo como eles reagem ao que está diante deles.


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O contexto da trama é terrível. A autora não oferece nenhuma explicação exata sobre como a névoa apareceu, apenas algumas pessoas que testemunharam o evento e dizem ter visto anjos ou outras coisas mais delirantes. Aliás, não é esse o objetivo da trama. A névoa é um recurso narrativo que dá condições para as diversas vivências dentro do livro existirem. Por mais que a névoa represente um nada absoluto. Esse é outro ponto terrível já que a névoa é tão espessa que impede as pessoas de enxergarem muito longe de suas janelas. Em pouco tempo a vida passa a se resumir a um passar de dias monótono e desesperançoso em que buscar alimentos é muito perigoso. A monotonia faz os indivíduos começarem a se comportar de maneira diferenciada, acirrando ânimos. As ações mais extremas passam a ser cogitadas já que o viver em sociedade não mais existe. É o caso, por exemplo, de uma família mostrada no início da trama que vai se esfacelando lentamente. Um dos irmãos cai no desespero, os gêmeos passam a praticar incesto e pensam em assassinar os outros, a mãe não sabe como reagir diante de tudo o que vem acontecendo. Stephen King usou desse expediente na novella O Nevoeiro, mas Carolina Mancini expande esse conceito ao reduzir ainda mais o espaço de convivência.


Em uma das narrativas, um homem se apaixona por uma mulher chamada Margarete. Ela representa a coragem que ele não dispõe. Isso porque Margarete descobriu que é possível se movimentar pelas ruas em determinadas horas do dia quando um vento bate e reduz os efeitos da névoa. É assim que ela o encontra. O espírito aventureiro dela se choca com a necessidade de um ambiente de segurança que ele precisa. Ela não se importa de arriscar sua vida em prol de ajudar os outros. Já ele vê nela uma companhia nesse mundo bizarro. Rapidamente eles se apaixonam porque se encontram um no outro. Só que as necessidades dele se chocam com a impetuosidade dela. Duas pessoas que são polos opostos e acabam por se encontrarem nesse mundo, o que talvez não acontecesse se as coisas fossem normais. Mancini nos entrega um drama amoroso bem interessante em que ele simplesmente não sabe o que fazer e sabe que irá perdê-la eventualmente. A questão é saber se ele será capaz de abandonar sua forma de pensar e acompanhar aquela que ama ou se ele irá permanecer em seu pequeno mundinho.


Essa ideia do isolamento/enclausuramento está presente em várias das tramas. A ideia de uma névoa que é capaz de esfacelar nossos corpos faz com que as pessoas percam a vontade de se arriscar pelas ruas. Mesmo sabendo que existe uma pequena janela de ação. Contudo, o medo de se tornar mais uma vítima de um inimigo que não pode ser visto ou derrotado, faz com que as pessoas simplesmente desistam de tentar. O medo é tão grande que impede as ações de acontecerem. Tem um casal de senhores no começo da história que estão pensando em como fazer para continuarem vivendo. Percebemos nas falas de ambos que a inércia se tornou o maior impeditivo para que eles possam ter esperanças em continuar vivendo. Tem uma frase ótima que Mancini usa que diz que apesar de eles não serem tão velhos assim, a sensação é a de estarem quase no final de suas vidas. O medo lhes tirou tudo, até a vontade de viver. A narrativa de Mancini emprega um terror psicológico brutal nos personagens. O leitor acompanha aquilo e se revolta pelos personagens não fazerem nada contra aquilo. Mas, a questão é: havia alguma coisa a ser feita?


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Temos o personagem do Errante que aparece em alguns trechos referindo a si mesmo como Este. Isto porque ele não possui um nome. Lentamente, a autora vai integrando-o à mitologia de sua história até ele se tornar peça central para alguns núcleos de personagens. Ele é um personagem capaz de andar livremente pela névoa. Mas, ele é uma tabula rasa, uma página em branco que desconhece as emoções. O passado do personagem não é revelado, apenas ele está ali. Pode ser uma entidade, ou apenas alguém que nasceu e se criou no meio dessa insanidade. Uma das personagens tenta ensinar a ele como o rosto dos humanos se modifica a partir das emoções. Ele só não compreende o que é o medo. Por outro lado, temos a jovem Lúcia/Brenda que sofre de transtorno de múltiplas personalidades. Ela tenta lidar com essa situação de pressão ao assumir uma personalidade capaz de manter a sanidade. Mas, aos poucos ela vai perdendo o senso de si e ela se deixa levar pela ebriedade. Um acidente acontece com ela enquanto ela vagava pela névoa e ela perde os pés. A partir daí, a personagem cai ladeira abaixo e precisa encontrar forças em si para conseguir se manter viva. O desespero que ela passa é palpável. No começo a narrativa é contada por Brenda e depois passa para Lúcia. E isso é feita quando a autora altera a forma como a narrativa é apresentada.


Nihil é um ótimo terror psicológico. Apesar de não ter nenhum monstro ou demônio maligno, não é um livro para os fracos de coração. Suas histórias são angustiantes e ficamos conhecendo alguns lados desses personagens que não gostaríamos de conhecer. A maneira como a autora brinca com diferentes formas de escrita me agradou muito e considero uma das melhores literaturas nacionais que fui capaz de pôr as mãos nesse ano. Já estou curioso querendo mais materiais legais e diferenciados da autora. Vale muito a pena!


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Ficha Técnica:


Nome: Nihil

Autora: Carolina Mancini

Editora: Independente

Número de Páginas: 200

Ano de Publicação: 2021


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  • Foto do escritor: Paulo Vinicius
    Paulo Vinicius

Nossa matéria hoje vai falar sobre uma das animações mais queridas da Disney: Aladdin. A famosa história do ladrão que tenta ganhar a vida no mercado de Agrabah e a princesa Jasmine, que busca a felicidade e muita aventura.


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Em 1992, estreava um filme nos cinemas que fugia completamente daquela estética de filmes da Disney. Quando era criança imaginava as histórias de princesas vindas de contos de fadas e isso não me interessava tanto. Gostava de aventura, de ação, de emoção. É então que veio Aladdin. Para o jovem eu, adolescente, aquilo era revolucionário. Uma história que se passava no deserto, com perseguições, magia, vilões cruéis ao mesmo tempo em que era divertido. Isso mudou a minha visão completamente sobre o produto e me fez entrar em contato nos próximos anos, sem preconceitos da minha parte, com outros produtos Disney encantadores como O Rei Leão e o meu favorito até hoje, Fantasia. Se posso dizer que gosto de Fantasia hoje é porque antes perambulei pelas ruas de Agrabah junto de Aladdin. Tenho certeza que essa vai ser a impressão de inúmeros meninos que passaram por essa experiência. Mas, o mágico disso tudo é que Aladdin também pode ser visto por meninas em igual espécie já que apresenta uma garota decidida, que sabe o que deseja e que não deixa ninguém a colocar para baixo. Embora tenha uma série de polêmicas envolvendo a produção e os temas abordados no filme, Aladdin é uma obra para todas as idades, todos os gêneros.


Sendo o quarto filme da Renascença Disney (os primeiros sendo A Pequena Sereia, Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus e A Bela e a Fera) representou vários marcos para a Disney. Foi um sucesso de bilheteria, tendo ultrapassado A Bela e a Fera que detinha o recorde antes e só foi ultrapassado mais tarde por O Rei Leão. Marcou também o início da participação de atores de Hollywood dublando os seus personagens, tendo Robin Williams dublando o Gênio. No ano de 1992 foi a segunda maior bilheteria, perdendo apenas para Esqueceram de Mim 2. O filme foi dirigido por John Musker e Ron Clements (ambos de A Pequena Sereia), teve roteiros da dupla além de Ted Elliot (conhecido por Shrek e pelos três primeiros filmes de Os Piratas do Caribe) e Terry Rossio (também de Shrek). A história teve como base um dos contos das Mil e Uma Noites, Aladdin e a Lanterna Maravilhosa. Claro que tem várias liberdades criativas no meio o que chegou a desagradar algumas comunidades muçulmanas. Críticos da época disseram que a dublagem de Robin Williams era caricata demais e diminuía a visão de um muçulmano. Recebeu o Oscar de Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção com A Whole New World (e teve Friend Like Me indicada também) e foi indicado por Melhor Som e Melhor Edição de Som.


A trilha sonora ficou a cargo de Allan Irving Menken, que foi responsável de alguns clássicos da Disney como A Pequena Sereia, Pocahontas, A Bela e a Fera. Frequentemente Aladdin é lembrado como sendo detentor de um dos melhores conjuntos de trilhas cantadas da história da empresa. Comentei em outra matéria o quanto A Bela e a Fera se beneficiou do seu conteúdo como musical com cenas inesquecíveis como a dança na mansão ou a cena com os objetos animados cantando para Bela. Aladdin não foge de ser um musical acima de tudo, mas ele não é um filme chato por isso. As inserções musicais acontecem em momentos-chave do roteiro, não atrapalhando a evolução do que está sendo contado. Quantos de nós já não vimos a cena de Aladdin e Jasmine em cima do tapete mágico? É uma cena marcante do cinema, e em nenhum momento é considerada galhofa.


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Já comentei o quanto tenho um fraco por essa animação desenhada da Disney. Nada de computação gráfica, apenas o puro trabalho na mesa de desenho, na aquarela. Processo manual. Existe todo um capricho nos movimentos dos personagens. Por exemplo, Aladdin é um personagem ágil e esquivo, Jasmine é esguia e o pai da Jasmine é atabalhoado. Os movimentos parecem naturais embora por vezes a gente veja algum deslize aqui ou ali. A fluidez e a velocidade de movimentação é impressionante, e as cenas que se passam no bazar mostram o quanto a Disney estava à frente em sua época. Vários personagens se movimentando, cada um fazendo sua própria ação em seu próprio ritmo. Imaginem tudo isso feito à mão. Hoje é mais simples darmos instruções para bonecos 3D procurarem fazer ações diferentes ou até podemos dar comandos de ir de A para B. Em Aladdin, os animadores precisaram pensar em cada detalhe. Gosto de pensar também em como foi feita a pesquisa para criar a cidade em si e até mesmo a caverna onde ficava a lâmpada. A cidade parece enorme, embora o bazar seja apertado emulando como é o Grande Bazar de Istambul, na Turquia. Tudo transpira sons e odores que são transportados até o espectador que se sente imerso naquele universo incrível. Mesmo nos momentos mais dramáticos, não somos tirados daquele momento, nos sentindo companheiros dos personagens.


Na animação somos levados até uma estranha caverna onde Jaffar deseja obter poder além da imaginação. Ele descobriu a lenda de uma lâmpada capaz de realizar os desejos de seu dono. Mas, para consegui-la, ele precisa que algum indivíduo de coração puro consiga entrar na caverna e até o presente momento ele não consegue. Até que ele conhece o jovem Aladdin que possui incríveis habilidades como ladrão no bazar. Sendo órfão e tendo sido criado nas ruas junto de seu companheiro símio Abu, ele tem um bom coração e busca apenas descobrir quem ele realmente é. Aladdin acaba conhecendo Jasmine acidentalmente, quando esta se disfarça de plebeia para poder escapar do palácio. Os dois desenvolvem uma amizade (e um pouquinho de romance), mas o jovem ladrão é preso e descobre que sua companheira é a princesa. Jaffar solta Aladdin em troca de ele conseguir entrar na caverna e reaver a lâmpada para ele. Depois de muito esforço, Aladdin consegue pegar a lâmpada e a entrega a Jaffar, que atira o jovem e seu companheiro para dentro de uma caverna que está entrando em colapso. Em um ato de malandragem, Abu consegue roubar a lâmpada das mãos de Jaffar. E é aí que as coisas começam a complicar...


De cara, vale pensar que Aladdin, sendo o protagonista, é aquele que tem o arco do herói. Teoricamente seria isso, mas o dilema do personagem é outro. Ele precisa descobrir quem ele é de verdade. Ele deseja uma vida mais confortável na qual ele não precise passar tantas dificuldades. Mas, ao mesmo tempo, não deseja corromper seu coração sendo um homem vil e desonesto. Quando conhece o Gênio, Aladdin se torna o príncipe Ali, um homem capaz de adentrar no palácio do sultão e pedir a princesa Jasmine em casamento. Um homem de riqueza, de recursos, de poder. Mas, logo uma questão se coloca: o que encanta Jasmine é a riqueza do príncipe Ali ou a honestidade de Aladdin? Em pouco tempo, o disfarce se torna um empecilho já que ele começa a medir suas ações com base em uma visão de si que não é a sua essência. Tentando se fazer passar por aquilo que não é, Aladdin toma algumas decisões atrapalhadas e o que deveria aproximar sua amada de si, só consegue afastá-la. Lógico que existe uma contradição materialista na forma como a Disney coloca esse tema porque Aladdin só consegue estar ao lado de Jasmine tanto no meio como no final depois de conseguir obter recursos à vontade. A diferença está na visão ética da coisa. Contudo, sem a riqueza, Aladdin não teria ficado com Jasmine mesmo depois de derrotado Jaffar. Riqueza não forma um indivíduo, mas é importante para conquistar seus objetivos, certo? Enfim, Aladdin precisa encontrar o que faz dele uma pessoa nobre e virtuosa e ele vai perceber que as relações que fez ao longo da história vão levá-lo nessa caminhada rumo a um final feliz.


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Só que Jasmine também possui um arco que vale ser mencionado. Sendo a herdeira do sultão, ela levará quem se casar com ela a se tornar o novo governante do reino. Para seu pai se torna essencial escolher um bom partido para ser seu marido. Só que Jasmine não tem interesse em se casar neste momento. Ela é um espírito livre e deseja conhecer o mundo. Quer ver lugares, pessoas, viver experiências emocionantes. Não à toa a canção A Whole New World representa o casal. Jasmine se ressente de que seu futuro e sua vida não pertencem a ela. O controle sobre o que ela pode ou não fazer foi retirado dela. Apesar de seu pai ser uma pessoa muito boa e gentil, a princesa se sente presa em uma gaiola dourada. Por toda a sua vida ela não conheceu o mundo. Ela sempre fantasiou histórias de como seriam as pessoas que viviam fora do castelo. Quando conseguiu finalmente escapar, viu um mundo bastante diferente do que imaginava. Sua fértil imaginação foi esmagada por uma realidade dura e difícil onde as pessoas lutam diariamente por seu sustento. O que a fez se encantar por Aladdin é que mesmo tendo muitas dificuldades e obstáculos a serem superados, ele mantém um bom coração, que se preocupa com os outros. Jasmine enxerga em Aladdin uma pessoa real, de carne e osso. Por isso que quando ele ressurge como príncipe Ali, o disfarce incomodou tanto ela. Porque o que ela queria era a pessoa real, não o personagem.


Uma outra discussão que temos é sobre a liberdade e a escravidão representadas na figura do Gênio. Um ser mágico que tem o dever de atender a todos os pedidos de seus amos, não importa quem eles sejam. Mas, um gênio também tem vontade própria. Tem desejos seus, já que se trata de uma criatura viva. Essa discussão permeia toda a narrativa com visões distintas vindas de Aladdin e Jaffar. O protagonista enxerga o Gênio como um amigo e leva as suas opiniões e sentimentos em considerações. Já o Vizir vê oportunidades no ser mágico e seus poderes ilimitados. O Gênio é um ferramenta que, para ele, deve ser usada da melhor maneira possível. A maldição da lâmpada faz com que o personagem fique limitado naquilo que ele realmente deseja. Mesmo quando o Gênio precisa atacar ou prejudicar os seus amigos, ele nada pode fazer a respeito. A gente sente a dor presente na fala do personagem. O jeito jovial e irreverente colocado no personagem escondem uma vida difícil e de tristezas ao se ver sendo usado desse jeito. Quando Aladdin promete que irá libertá-lo, o personagem não consegue acreditar. Isso porque vários outros amos fizeram a mesma promessa com o objetivo de ganhar algum tipo de privilégio ou vantagem vinda do Gênio. Mas, à medida em que o tempo passa e o ladrão continua a repetir o mesmo mantra, o coração do ser mágico vai sendo tocado pela sinceridade de seu novo amigo.


A animação é uma das joias do catálogo da Disney e merece sua atenção. Se vocês ficaram preocupados com a idade da animação, que fez trinta anos recentemente, fiquem tranquilos porque se trata de uma história atemporal. As animações continuam sendo muito boas mesmo nos dias de hoje. A mensagem de amizade, de liberdade e de correr pelos seus objetivos continua atual. Jasmine foi uma das primeiras princesas negras da história da Disney e isso reflete uma mudança lenta de paradigma da empresa rumo ao que é feito nos dias de hoje. Se eu recomendo? Com certeza.



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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification Área de anexos ficcoescodigo.txt Exibindo ficcoescodigo.txt.