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William HJope Hodgson foi um importante expoente da literatura de terror e suas obras tiveram impacto e influência sobre muitos autores contemporâneos. Vocês o conhecem? Se não, confiram mais sobre ele na nossa postagem.


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Nascido em Essex, na Grã-Bretanha, em 1877, William Hope Hodgson. Jamais um dos grandes autores de uma safra que produziu os clássicos romances de terror que tanto conhecemos como Drácula (de Bram Stoker), Frankenstein (de Mary Shelley), O Médico e o Monstro (de R.L. Stevenson) e O Retrato de Dorian Grey (de Oscar Wilde). Talvez por ter publicado quase na mesma época que figuras tão icônicas da produção literária, Hodgson tenha ficado em segundo plano. Apesar de ter tido uma vida breve, tendo morrido aos quarenta anos, ele deixou várias produções de alta qualidade.


Filho de um padre anglicano, tinha onze irmãos, sendo o segundo mais velho. Isso acabou tirando muitas de suas perspectivas já que as famílias vitorianas valorizavam mais os "filhos da ponta", ou seja, os primogênitos e os mais jovens. Sua família também foi marcada pela tragédia com Hodgson estando presente na morte de três de seus irmãos durante a sua infância. A morte de crianças ou de irmãos se tornou um tema bastante presente em seus romances. Por causa de seu ministério, o pai de Hodgson precisava se mudar com bastante frequência, causando instabilidade e incerteza em sua família. Para se ter uma ideia foram onze paróquias ao longo de vinte e um anos.


Curiosamente Hodgson escolheu uma carreira bem diferente da de seu pai e bem longe da literatura: foi marinheiro por quatro anos. Depois que seu período como aprendiz terminou, Hodgson seguiu para Londres onde passou mais um tempo se aperfeiçoando como marinheiro. Isso lhe rendeu mais alguns anos no mar. Apesar de ser seu sonho seguir a vida a bordo de um navio, sua rotina não era um mar de rosas. Por ser um garoto magricela e de feições afeminadas, ele sofria bullying de seus companheiros. Isso o fez entrar em uma rotina de treinamentos de auto-defesa. Como a arte imita a vida, o tema do bullying e da vingança também foi transposto para seus livros.


Ainda nesse tema do aperfeiçoamento físico, Hodgson abriu uma Escola para Cultura Física na cidade de Blackburn, na Inglaterra. O objetivo era a cura para a indigestão e a pesquisa de alimentos que pudessem ajudar no desenvolvimento físico. Não chega a ser o que hoje conhecemos como uma escola de nutrição, mas eram os primórdios disso. Hodgson era mais um curioso do que um cientista. Uma situação curiosa da época teve a ver com o envolvimento de Hodgson com o departamento de polícia de Blackburn por causa de sua pesquisa. Em uma apresentação de palco, Hodgson se envolveu com ninguém menos do que Henry Houdini. Em um dos números do famoso escapista, Houdini reclamava do comportamento dele e das algemas que havia fornecido. Segundo Houdini, Hodgson teria o machucado e enferrujado as fechaduras das algemas para prejudicá-lo.


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Hodhson percebeu que essa carreira não dava dinheiro, mas inspirado por homens como Edgar Allan Poe, Jules Verne e H.G. Wells, voltou sua atenção para a literatura. Sua primeira história publicada chamava-se A Deusa da Morte e foi publicada na Royal Magazine em 1904. Desde o começo o autor revelava seu gosto pelas narrativas envolvendo o oculto e o sobrenatural. Na história o narrador vai investigar uma série de assassinatos por estrangulamento em uma pequena vila. Ele acaba desconfiando de uma estátua da deusa indiana Kali que havia sido roubada de um templo. A particularidade do narrador é que ele é um homem racional buscando explicações lógicas para tudo o que acontece ao seu redor. A partir daí veremos uma série de clichês de histórias de aventuras como passagens secretas, cultos macabros entre outros.


Antes de comentar sobre alguns de seus trabalhos mais famosos cabe pontuar que Hodgson teve uma breve carreira como poeta. Ele escreveu vários deles, mas poucos chegaram a ser publicados. Muitos desses poemas eram dedicatórias colocadas no início de cada uma de suas histórias. Ele não era nem um pouco otimista em relação a uma carreira como porta. Chegou a sugerir em uma entrevista que poetas poderiam ganhar mais dinheiro se se aventurassem a escrever pequenas frases para lápides. A Penguin Random House reuniu quarenta e oito de seus poemas, sendo que vários deles foram publicados por sua esposa após a sua morte, na coletânea The Lost Poetry of William Hope Hodgson.


Entre seus romances mais famosos estão o ciclo de histórias do Mar de Sargasso, do qual destacamos Os Barcos de "Glen-Carrig", A Terra da Noite e A Casa no Fim de Tudo. Dos três conseguimos encontrar A Terra da Noite em uma ótima edição da Editora Clock Tower e A Casa no Fim de Tudo que tem duas versões, sendo que indico a da Editora Novo Século pela tradução e acabamento melhor. As histórias do mar de Sargasso usam um pouco do conhecimento náutico do autor aliado à sua paixão por mistérios sobrenaturais. Os Barcos de "Glen-Carrig" vai se passar em alto mar e flerta com as superstições típicas de homens do mar para criar uma história de vingança.


Hodgson é bastante conhecido por explorar o tema de fantasmas e sua busca por vingança. A Casa no Fim de Tudo vai explorar dois homens que encontram um estranho abismo durante uma viagem para pescar no interior da Irlanda. Ao explorar o local eles encontram uma casa em ruínas no seu ponto mais profundo. Enterrado próximo à casa tem um diário que vai contar a vida de um senhor ao lado de sua filha nessa estranha casa e o seu cachorrinho, Pepper. Os habitantes da vila mais próxima consideram o senhor como um velho louco. Chama a atenção o estranho formato da casa, circular e suas decorações se parecem com chamas. A história fica mais estranha quando em uma noite o velho se vê arrastado para uma estranha planície vermelha. Sem entregar mais, a história se parece muito com o ciclo cósmico de H.P. Lovecraft.


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Minha história favorita do autor também se encontra nessa linha de terror cósmico. Chama-se A terra da Noite e possui uma trama bastante peculiar. Muitos leitores reclamam da escrita desse romance, que possui um estilo rebuscado e pedante demais. Hodgson se inspirou em Paraíso Perdido, de John Milton e tentou emular a fala do protagonista como se fosse um cavalheiro do século XVII. Só que é aí que as coisas ficam insanas: a história se passa no futuro, em uma realidade em que o Sol desapareceu do espaço e a Terra é afligida por atividades vulcânicas constantes. Os humanos que conseguiram sobreviver habitam uma colossal pirâmide de ferro que está sendo atacada por seres desconhecidos alimentados por energias sombrias. A pirâmide consegue conter os ataques graças a uma energia misteriosa que vem do núcleo da Terra. Isso faz com que exista um tênue equilíbrio de forças, mas os seres humanos desejam derrotar seus agressores. É aí que iremos descobrir mais sobre os mistérios que se escondem nesta estranha realidade.


Hodgson se casou aos 35 anos e se mudou para o sul da França. Ele começou a escrever gêneros variados de histórias como aventuras e faroeste para tentar uma estabilidade financeira que nunca foi alcançada. A propriedade no sul da França impunha baixos custos só que quando a Primeira Guerra Mundial estourou o casal precisou retornar para a Inglaterra. O autor se envolveu com uma unidade de treinamento de oficiais. Curiosamente ele se recusou a se envolver com qualquer coisa que dissesse respeito à Marinha. Tendo permanecido na artilharia, sofreu um grave acidente de cavalo tendo uma concussão. Apesar de ter recebido uma dispensa mandatória por causa do grau de concussão, Hodgson se realistou e serviu na guerra por mais dois anos. Só que ele faleceu durante a Quarta Batalha de Ypres, em 1918 por causa do impacto de uma carga de artilharia. Alguns autores que alegaram publicamente terem sido inspirados por Hodgson foram Greg Bear, Clark Ashton Smith, China Miéville, Gene Wolfe e muitos outros. Ou seja, ele deixou muito de si na escrita de outros autores.



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A morte de alguns indivíduos pertencentes a um grupo de caçadores em uma pequena cidade na Polônia faz com que Janina Dusheiko, uma senhora com uma obsessão por astrologia e William Blake, se envolva em uma trama que envolve a morte hedionda de animais. O que estará acontecendo?


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Sinopse:


Subversivo, macabro e discutindo temas como mundo natural e civilização, este livro parte de uma história de crime e investigação convencional para se converter numa espécie de suspense existencial. “Uma das grandes vozes humanistas da Europa”, segundo o jornal The Guardian, Olga Tokarczuk oferece um romance instigante sobre temas como loucura, injustiça e direitos dos animais.






A caça de animais é uma prática realizada desde que o homem decidiu se organizar. Era uma forma de sobreviver em um mundo onde ele era apenas mais um no menu. Com o passar dos milênios e o surgimento das cidades, os animais foram domesticados e alguns se tornaram parte da alimentação cotidiana. Mesmo assim, os caçadores continuavam a existir em diversas partes do mundo. Várias espécies desapareceram, fruto de uma caça desenfreada e que nem sempre era voltada para a alimentação. Isso porque surgiu a prática da caça esportiva, voltada para troféus e prêmios. O homem se sentia mais másculo ao abater um animal selvagem terrível ou apenas ver um corpo sob seus pés. Foi necessário criar regras para a caça esportiva, estabelecendo épocas do ano, espécies autorizadas e formas de abate. Mas, como toda a atividade que lida com os instintos mais primitivos do homem, tais regras nunca foram obedecidas. Caçar continua fazendo parte da vida de alguns indivíduos. E são os animais que pagam por isto.




Sobre os Ossos do Mortos é um livro que mescla suspense e um pouco de terror, em que Olga Tokarczuk nos coloca em uma pequena cidade na fronteira da Polônia com a República Tcheca. Uma cidade com aspectos bem rurais e afastada de muita coisa. Lá conhecemos Janina Dusheiko, uma senhora de hábitos bastante pitorescos, que vive solitária, salvo pela companhia de um ex-aluno seu, Disio, e cujos hábitos simples a tornam estranha aos olhos dos outros moradores da cidade. Junto de seu Samurai (o seu carro) ela cuida das casas espalhadas pelas montanhas afastadas da pequena vila. Uma série de assassinatos vai envolvê-la no olho de um tornado em que pessoas morrem de formas bastante bizarras como um osso de corça entalado na garganta, um homem que engole besouros entre outros. A sra Dusheiko acredita que isso se trata de uma vingança dos animais caçados violentamente pelos membros do clube de caça ilegal da cidade. Será mesmo? Ou teremos um serial killer local? Ou alguma coisa ainda mais insidiosa?


" - Deus criou o ser humano para ser feliz e rico. Mas a astúcia fez com que os inocentes virassem pobres - parafraseei, livremente, as palavras de Blake. Aliás, é o que eu penso mesmo."

A escrita de Tokarczuk é extremamente envolvente e contém tudo aquilo que os fãs de um bom livro de suspense querem: tensão, uma pequena vila no meio do nada, assassinatos brutais. Tem um tema ecológico inserido no meio que já chego nele, mas preciso falar da escrita da autora que é uma aula de narrativa. Temos um livro narrado em primeira pessoa, a partir do ponto de vista da sra Dusheiko que é uma narradora não confiável. Seus hábitos estranhos e sua forma peculiar de enxergar o mundo a tornam dessa maneira, o que oferece uma outra camada ao que a autora está trazendo para nós. A escrita é bem envolvente e a autora constrói para o leitor toda a realidade deste local afastado, com as pequenas redes de relacionamento, os desafetos e o status local. Curioso é que enxergamos toda essa dinâmica a partir de uma senhora já na metade final de sua vida e que sofre um semi-ostracismo por parte dos locais. Ela é vítima de preconceito pela sua idade e por suas ideias particulares. Vale destacar também que a protagonista escolhe o que está contando e como está contando a história. Isso fica ainda mais claro em uma segunda leitura quando percebemos as lacunas propositais que ela vai deixando. E vamos parar para pensar: quando contamos uma história a outra pessoa, costumamos ser seletivos sobre o que contamos. Às vezes deixamos detalhes de lado, os quais só iremos lembrar posteriormente. O que me espantou em seu livro é em o quanto ela consegue encaixar em pouco mais de duzentas e cinquenta páginas. Parece pequeno, mas existe um mundo de informações presentes aqui.


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A sra Dusheiko nos guia através da história com seu olhar de fora dos fatos. Por ser uma pessoa isolada, ela desenvolveu diversos hábitos que para uma sociedade contemporânea seriam inaceitáveis. Ela pouco se importa com televisão, com sinal de celular e vive uma existência bastante pacata. Suas atividades são feitas com paciência, persistência e calma. A urbanidade a incomoda. Ela observa o desenvolver da civilização como algo agressivo à natureza. Tomamos como padrão determinadas situações que seriam entendidas como violências caso acontecessem com seres humanos. Ela tenta se manter parte do agrupamento social, mas ela claramente se incomoda em precisar se relacionar com pessoas. Para termos uma ideia, ela tem o hábito de dar apelidos às pessoas com base na visão que ela tem delas. Quase nunca ela chama o outro pelo seu nome, salvo em alguns casos de pessoas que ela acha que o nome se encaixa ou que passam a ter um contato maior com ela. Em sua visão, nomes são convenções sociais, não falam a verdade sobre quem uma pessoa é de fato. A cada novo capítulo, a personagem vai se afastando mais e mais do convívio social, embora ela desenvolva novas amizades e até ficamos conhecendo como é sua rotina, como o fato de ela ensinar idiomas para uma turma de 3º ano, entre outros.


Há uma discussão forte de civilização x isolamento aqui. A protagonista dá valor a uma existência mais frugal e menos afeita a bens materiais. Tem um momento na narrativa em que ela se inspira no dentista local que diz ser capaz de colocar todas as suas coisas em uma mochila rapidamente. Isso é um tipo de foreshadowing da autora para o que viria mais à frente na narrativa. A vila é mostrada como um lugar decadente em que as pessoas não são mais capazes de respeitar ou se sintonizar com o universo natural que as cerca. A sra Dusheiko faz amizade com pessoas que vivem à margem da sociedade como Boas Novas, a menina que trabalha no brechó local, mas que por sua pobreza e aparência é um pouco deixada de lado. Nesse ponto, Tokarczuk, ao ter escolhido Wiliam Blake como uma espécie de mentor por trás das ideias da protagonista, acertou em cheio. Blake é conhecido por essa visão deveras crítica sobre os rumos da sociedade e em como perdemos o contato com o mundo natural ao decidirmos habitar nas grandes cidades. A fronteira entre civilização e natureza é mediado pela floresta e pelos animais selvagens, que acabam sendo perseguidos pelos caçadores locais. Estes estreitam ainda mais essa fronteira, fazendo com que não sejamos mais capazes de nos horrorizarmos com atos cruéis.


Não posso deixar de trazer a crítica ferrenha que Tokarczuk faz à caça indiscriminada de animais. A sra Dusheiko vai radicalizando o seu discurso à medida em que a narrativa passa, mas inicialmente ela se vê mais indignada com a caça esportiva. A maneira cruel com a qual animais são assassinados apenas para serem expostos como troféus. Não são sequer consumidos. Pessoas como o Pé Grande expõem suas aquisições nas estantes de suas casas. A autora faz descrições realmente aterradoras desses momentos de caça e não alivia nem um pouco para o leitor. O objetivo é causar o incômodo em quem está do outro lado. E ela faz isso com maestria. Chega a um ponto em que, mesmo que as reclamações da velha senhora sejam um pouco exageradas, nós concordamos com elas. Isso porque a autora usa bem a sua habilidade de escrita para causar empatia. E isso cria um efeito curioso porque, quando dei uma parada na leitura, comecei a fazer uma autocrítica. Somos uma sociedade que consome toneladas de carne todos os anos. Não paramos para pensar de onde essa carne vem, como o animal é morto, como o alimento é preparado. Se fizermos isso, dificilmente continuaremos consumindo carne. O processo é bem cruel. Isso pode ser entendido se pensarmos em nossos animais de estimação, os quais desenvolvemos laços afetivos. Deixando cães e gatos de lado, é fato que pessoas que cuidam de galinhas ou perus, não sentem a menor vontade de consumir esse tipo de carne. Isso acontece porque acabamos por espelhar isso nos animais que tomamos conta. O discurso que a sra Dusheiko dá no dia de São Huberto na Igreja é brutal e descreve precisamente o quanto o consumo de animais é cruel com o meio ambiente.


"O ato de matar se tornou impune. E por ser impune, ninguém o percebe mais. E já que ninguém percebe, não existe. Quando passam pelas vitrines dos açougues onde grandes pedaços vermelhos de corpos esquartejados estão pendurados em exposição, acham que aquilo é o quê? Não refletem sobre isso, não é? Ou quando pedem um espetinho ou um bife, o que recebem, então? Nada disso assusta mais. O assassinato passou a ser considerado algo normal, virou uma atividade banal. Todos o cometem. Assim seria o mundo se os campos de concentração se tornassem algo normal. Ninguém veria nada de errado neles."

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Por fim, queria escrever algumas linhas sobre como a sociedade enxerga uma senhora peculiar como a protagonista. E isso traz bastante a maneira como a sociedade trata as pessoas que fazem parte da Terceira Idade. Ela se sente um fardo para a sociedade. Depois de muito tempo contribuindo com a sua força de trabalho, subitamente ela é jogada de lado já que não serve mais como força motriz e de inovação. A maneira condescendente como ela é tratada quando vai fazer as denúncias de assassinato também nos ilustra a crueldade com a qual facilmente desconsideramos as ideias e conhecimentos de tais pessoas. Por mais que o que ela dissesse fosse exótico e peculiar, infantilizar o discurso de uma pessoa com tantos anos de experiência é de uma crueldade ímpar. Ela só conseguia manter suas atividades normais porque algumas delas não envolviam contato com outras pessoas e seu trabalho na escola era mais um tapa-buraco. Essa realidade que Tokarczuk nos mostra é a total realidade da vida. Quantos de nós já não fizemos isso, mesmo que não tivéssemos uma intenção maliciosa? Gosto que a autora nos mostra a personagem fazendo coisas normais, seja realizando alguma obra ou conserto, tentando continuar ativa com suas atividades profissionais, aconselhando seu ex-aluno com insights importantes e até se relacionando sexualmente com outras pessoas. Uma vida normal, sabe.


"Quando chegamos a uma certa idade, precisamos entender que as pessoas sempre ficarão irritadas conosco. Antes, nunca tinha percebido a existência ou o significado de gestos como acenar com a cabeça rapidamente, desviar o olhar, repetir "sim, sim", feito um relógio. Ou checar as horas, ou esfregar o nariz. Mas agora entendo muito bem que esse teatro todo só quer expressar uma simples frase: "Dá um tempo, sua velha". Às vezes fico pensando se um jovem bonitão ou uma morena curvilínea seriam tratados da mesma forma se dissessem as mesmas coisas que eu."

Gostei bastante do romance e a autora conseguiu manter a tensão do começo ao fim. Não gostei só da resolução do caso, que me levou ao velho hábito de Agatha Christie de precisar explicar tudo nos mínimos detalhes do começo ao fim. Achei que a autora poderia ter deixado alguns dos fatos para o leitor deduzir o que se sucedeu ali. Não havia necessidade de detalhar os acontecimentos. Isso tirou um pouco do brilho da história. Me fez até pensar naqueles desenhos onde o vilão maligno precisa explicar ao mocinho todos os seus planos diabólicos. Não, sabe. Mas, no mais, gostei de como a autora deu uma personalidade individual para a protagonista, sem estereotipá-la. Os problemas sociais são apresentados com uma franqueza e honestidade que são como flechas no peito. A protagonista é fascinante, em suas qualidades e defeitos e gostei de ter feito parte de sua jornada.


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Ficha Técnica:


Nome: Sobre os Ossos dos Mortos

Autora: Olga Tokarczuk

Editora: Todavia

Tradutora: Olga Baginska-Shinzato

Número de Páginas: 256

Ano de Publicação: 2019


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Estamos chegando ao final do ano e é hora de pensar em um presente. Tem vários livros interessantes chegando no mercado americano entre o retorno de Patrick Rothfuss e mais um volume da série espacial de Brandon Sanderson.


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1 - "Bradbury Weather" de Caitilin R. Kiernan


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Ficha Técnica:


Nome: Bradbury Weather

Autora: Caitilin R. Kiernan

Editora: Subterranean Press

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 800

Data de Lançamento: 01/11


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Sinopse: Embora Caitlin R. Kiernan seja conhecida primariamente como uma autora preeminente dos gêneros weird e do macabro, e é frequentemente citada como a sucessora de Lovecraft, durante três décadas de sua carreira ela também foi conhecida como uma prolífica autora de ficção científica. Inclusive os primeiros contos escritos por Kiernan apareceram impressos antes de qualquer uma de suas histórias de ficção weird ("Persephone" e "Between the Flatirons and the Deep Green Sea", ambos de 1995). E embora a sua ficção científica tenha sido elogiada frequentemente por críticos, a autora só lançou uma única coletânea especificamente devotada para a sua ficção científica - A is for Alien (2009). Finalmente, com a publicação de Bradbury Weather, quase todas as histórias curtas e novellas de ficção científica de Kiernan foram reunidas neste volume. Estas vinte e oito histórias ilustram uma imagem de futuros distópicos, primeiros contatos que deram absolutamente errado, os limites e perigos de tecnologia e encontros com aliens dentro de nós mesmos. Da Terra a Marte a exoplanetas distantes, do passado ao presente até ao futuro, Kiernan analisa um cosmos que é estranho e maravilhoso e algumas vezes hostil à vida humana. Uma paleontóloga em treinamento, ela traze para sua ficção científica uma compreensão profunda de ciência, seus métodos e seus limites, com o seu pano de fundo científico frequentemente informando e emprestando uma autenticidade para seus contos de tempo profundo, espaço distante, vida extraterrestre e coisas que poderiam ser.


2 - "Bookshops & Bonedust" (Legends & Lattes vol. 2) de Travis Baldree


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Ficha Técnica:


Nome: Bookshops & Bonedust

Autor: Travis Baldree

Série: Legends & Lattes vol. 2

Editora: Tor Books

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 339

Data de Lançamento: 07/11


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Sinopse: A carreira de Viv com a notória companhia de mercenários os Corvos de Rackam não está indo como planejado.


Ferida durante uma caça a um poderoso necromante, ela se retirou contra a sua vontade para se recuperar na preguiçosa cidade praiana de Murk - tão longe da ação que ela se preocupa se um dia ela irá ser capaz de voltar a ela.


O que uma mercenária frustrada pode fazer?


Passando o seu tempo em uma livraria na companhia de seu proprietário de boca suja é a última coisa que Viv poderia ter previsto, mas pode ser tanto exatamente o que ela precisa e a semente de mudanças que ela não poderia ter imaginado.


Ainda assim, aventura não está tão longe assim. Um viajante suspeito vestido com roupas cinzentas, um gnomo com muita frustração nos ombros, uma paquera de verão e um improvável número de esqueletos provam que Murk pode ter mais eventos do que Viv poderia imaginar.


3 - "The Future" de Naomi Alderman


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Ficha Técnica:


Nome: The Future

Autora: Naomi Alderman

Editora: Simon & Schuster

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 429

Data de Lançamento: 07/11


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Sinopse: Quando Martha Einkorn fugiu do terreno isolado de seu pai em Oregon, ela nunca imaginou se ver trabalhando como uma poderosa influenciadora de mídias sociais obcecada em controlar tudo. Agora, ela está cercada por companhias super-ricas fazendo design de climas privados, análises preditivas, e armamento de operações secretas, enquanto faz discursos proféticos sobre tecnologia. Martha pode ter deixado o culto, mas se os avisos apocalípticos dos sermões sobre a raposa e o coelho de seu pai - que foi uma parábola para ela um dia - estiveram começando a se tornar verdadeiras, o quanto do futuro realmente restou?


Ao redor do mundo, em um shopping em Cingapura, Lai Zhen, uma expert em sobrevivência famosa na internet, foge de um assassino. Ela está cercada, desesperada e - o pior de tudo - pode morrer sem saber o que está acontecendo. Subitamente, um pedaço impressionante de software aparece em seu telefone dizendo a ela exatamente como fugir. Quem o fez? Para que serve realmente? E se aqueles por trás disso podem salvá-la do perigo, o que eles querem com ela, e o que mais eles sabem sobre o futuro?


Os mundos de Martha e Zhen estão prestes a colidirem. Uma sequência explosiva de eventos é colocada em movimento. Enquanto alguns bilionários asseguraram a sua própria segurança levando um mundo à destruição, a vontade obcecada de Martha e a insaciável curiosidade de Zhen poderia levar a alguma coisa bela ou ao fim cataclísmico da civilização.


4 - "Defiant" (The Skyward Series vol. 4) de Brandon Sanderson


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Ficha Técnica:


Nome: Defiant

Autor: Brandon Sanderson

Série: The Skyward Series vol. 4)

Editora: Delacorte Press

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 432

Data de Lançamento: 21/11


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Sinopse: Spensa conseguiu fugir de Lugar Nenhum, mas o que ela viu no espaço entre as estrelas a mudou para sempre. Ela ficou frente a frente com os Delvers, e finalmente conseguiu respostas para as perguntas que ela tinha sobre seus próprios dons Cytonicos estranhos.


A Superioridade não parou em sua luta pela dominação galáctica enquanto ela esteve fora, contudo. A equipe de Spensa, Skyward Flight, foi capaz de segurar Winzik, e até mesmo conseguir aliados para ajudar na causa, mas é apenas uma questão de tempo até que a humanidade - e o resto da galáxia - caiam.


Derrotá-los irá precisar de todos os conhecimentos que Spensa conseguiu enquanto estava em Lugar Nenhum. Mas ser uma Cytonic é mais complicado do que ela poderia ter imaginado. Agora, Spensa deve se perguntar: o quanto ela está disposta a ir para vencer, se isso significar perder a si mesmo - e seus amigos - no processo.


5 - "Before we say goodbye" (Antes que o café esfrie vol. 4) de Toshikazu Kawaguchi


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Ficha Técnica:


Nome: Before we say goodbye

Autor: Toshikazu Kawaguchi

Série: Antes que o café esfrie vol. 4

Editora: Hanover Square Press

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 240

Data de Lançamento: 14/11


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Sinopse: Os frequentadores do mágico Café Funiculi Funicula estão acostumados com sua famosa e lendária oferta de viagem no tempo. Muitos patronos se reuniram com antigos amores, reataram laços com familiares há muito separados e visitaram pessoas amadas. Mas a jornada não é desprovida de riscos, e existem regras a serem seguidas.


Na tradição da sensacional série Antes que o café esfrie de Toshikazu Kawaguchi, os leitores irão novamente ser introduzidos a um novo conjunto de visitantes: o marido com algo importante a dizer; a mulher que não conseguiu dar adeus a seu cachorrinho; a mulher que não pôde responder a um pedido de casamento; e a filha que afastou seu pai.


6 - "The Lost Cause" de Cory Doctorow


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Ficha Técnica:


Nome: The Lost Cause

Autor: Cory Doctorow

Editora: Tor Books

Gênero: Ficção Científica

Número de Páginas: 360

Data de Lançamento: 14/11


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Sinopse: São trinta anos no futuro. Estamos fazendo progressos, mitigando as mudanças climáticas, lentamente mas com segurança. Mas e as pessoas raivosas que não conseguem deixar o passado para trás?


Para os jovens americanos da próxima geração, as mudanças climáticas não são controversas. É apenas um fato absurdo da vida. E assim são os grandes esforços para contê-las e mitigá-las. Cidades inteiras estão sendo movidas para o interior por causa do mar que avança. Vastos projetos de energia limpa estão aparecendo por toda a parte. O alívio do desastre, a mitigação de enchentes e superfuracões, se tornaram uma habilidade pela qual dezenas de milhares de pessoas são treinadas todos os anos. O esforço é global. Ele emprega todos que queiram trabalhar. Mesmo quando as políticas nacionais oscilam de volta para os líderes da extrema-direita, o momentum é grande demais; estes vastos programas não podem ser parados.


Mas ainda existem americanos, muitos mais velhos, que se apegam aos seus bonés vermelhos de beisebol, suas reclamações, seus veículos enormes, sua fúria. Para suas fontes de notícias "alternativas" que asseguram a eles que o ressentimento é correto e puro e que as "mudanças climáticas" são apenas uma grande enganação.


E eles são os seus avós, seus tios, suas primas. E eles não vão a lugar nenhum. E eles estão armados até os dentes.


7 - "The Narrow Road Between Desires" (Crônicas do Matador de Rei vol. 2,5) de Patrick Rothfuss


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Ficha Técnica:


Nome: The Narrow Road Between Desires

Autor: Patrick Rothfuss

Série: Crônicas do Matador de Rei vol. 2,5

Editora: DAW

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 240

Data de Lançamento: 14/11


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Sinopse: Bast sabe como barganhar. A arte da negociação é tão familiar a ele quanto respirar; observá-lo realizar trocas é como apreciar um artista em seu ofício. Mas mesmo um mestre comerciante pode cometer deslizes. Quando ele aceita um presente, pegando algo em troco de nada, todo o mundo de Bast é bagunçado, porque ele sabe como barganhar - mas não como ficar devendo.


Da aurora até a meia-noite pelo curso de um dia, sigam o inimigo mais charmoso das Crônicas do Matador de Rei enquanto ele planeja e se esgueira, dançando em torno de problemas e saindo delas como uma graça fabulosa.


The Narrow Road Between Desires é a história de Bast. Nela ele traça os seus velhos caminhos de produzir e destruir, seguindo seu coração mesmo quando fazendo algo que vá contra o seu próprio julgamento.


Depois de tudo, o quando a precaução é boa se ela o mantém longe do perigo e do prazer?


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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