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O que leva uma pessoa a cometer um crime? Um rapaz que sofre de uma forte depressão vê a pessoa que ama e um conhecido morrerem e entra em uma espiral de autodestruição que envolve deep web, assassinatos e remédios experimentais. O resultado disso é uma trama explosiva que reflete nossa realidade.


Sinopse:


E se o "homem do subsolo" de Dostoiévski tivesse acesso aos fóruns do 4chan? E se Poe, na hora de conceber suas novelas policiais, tivesse acesso aos futuros psicopatológicos que povoavam a mente de Ballard? E se nada disso fosse necessário, pois o capitalismo alienante e o submundo tecnológico estivessem levando, agora mesmo, jovens como o narrador deste livro a percorrerem o percurso trágico da solidão do espírito à desagregação mental, culminando em atos de violência impensável?


Questões como essas podem vir à mente do leitor que acompanha a trajetória do protagonista desse romance, um rapaz introspectivo e antissocial, mas de aguda percepção acerca das contradições da pós-modernidade, que cai na toca de coelho dos fóruns da internet. Quando a garota por quem é apaixonado tem um fim trágico e o administrador de seu fórum favorito desaparece misteriosamente, ele se deixa levar por impulsos investigativos que colocam em risco sua rotina e sua lucidez, para não dizer sua própria vida.


Em seu primeiro romance publicado, Matheus Borges demonstra seus poderes singulares de construção psicológica, evocação de detalhes e observação atenta da nossa realidade fraturada e saturada de informação. Humor pontual com tempero absurdo, comentário social e suspense noir-cibernético se somam a uma aura de paranoia pynchoniana, sem nunca perder de vista a emoção genuína que sustenta os personagens e faz o leitor antecipar cada pista e desenlace.





Vivemos em uma sociedade doente cujo mal estar civilizatório é ilustrado nas trocas diárias de mensagens em redes sociais tóxicas. O volume de informações aos quais temos acesso é enlouquecedor e não criamos mecanismos capazes de filtrar tudo o que nos chega a todo minuto. Matheus Borges nos traz uma história repleta de detalhes surrealistas e contemporâneos onde o protagonista pode ser qualquer pessoa que sofra de transtornos depressivos ou crises de ansiedade. Pessoas que orbitam nosso ambiente e que muitas vezes não os enxergamos, perdidos em um oceano de pessoas que transitam nos grandes centros urbanos diariamente. Com um pé no abstrato e vários na realidade, Matheus Borges nos traz uma narrativa melancólica e que em seus minutos finais gera muita inquietação da parte do leitor. Mas, uma inquietação boa, daquela que nos faz pensar em nosso meio e nos questionarmos sobre como lidar com esse tipo de situação, seja em relação a nós mesmos, seja em relação a pessoas conhecidas.


Somos apresentados a um rapaz introvertido que logo descobre possuir um transtorno depressivo forte, que necessita de acompanhamento médico e tratamento farmacológico. Diante de todas as suas dúvidas sobre si, o rapaz lentamente vai perdendo contato com a realidade e se encerrando em seu próprio mundo. Ele passa a frequentar fóruns de discussão e acaba conhecendo aquela que viria a ser o amor de sua vida, Jennifer, uma garota que mora em Jersey City. Depois de alguns anos se relacionando com ela, o protagonista descobre que ela cometeu suicídio, o que viria a complicar ainda mais o seu frágil estado emocional. A partir daí tentamos acompanhar a vida desse garoto, cujo contato com o mundo vai se tornando cada vez mais tênue e ele se volta para um mundo de meias verdades e conspirações onde se envolve com uma internet profunda em que matar um indivíduo é a ordem do dia. A pergunta que nos fazemos é: como ele chegou a esse ponto? E como ele poderá sair desse buraco profundo?


A escrita de Matheus Borges é bem interessante e demonstra um alto nível de pesquisa sobre o assunto. A depressão é tratada a contento aqui e o personagem navega em um mundo meio escorregadio onde nem sempre aquilo que é, é. A narração é feita em primeira pessoa, a partir da visão de mundo do protagonista. Fica aquele velho recado sobre livros com esse tipo de narração que é o de nunca confiar totalmente no que está escrito nas linhas. E em um livro como Mil Placebos isso fica ainda mais evidente. Em vários momentos da história o personagem está sob tratamento farmacológico, tendo sua visão da realidade prejudicada pelos efeitos químicos dos medicamentos em sua percepção. Alguns capítulos da trama se passam em um mundo de sonhos, onde as metáforas do que o personagem está vendo são bastante subjetivas e dependem de como o leitor apreendeu as mensagens escondidas nas linhas e parágrafos. Sem mencionar que estamos lidando com um protagonista cuja visão de mundo é bastante específica, e em vários momentos ele vacila, ele hesita diante dos problemas que lhes são apresentados. Essa forma subjetiva de contar a narrativa pretendo comentar mais abaixo quando falar sobre a trama em si, mas cabe sempre deixar claro ao leitor que a mágica na história não está naquilo que é dito, mas naquilo que está ausente ou que precisa ser interpretado.



Ainda falando sobre a escrita de Matheus Borges, ele emprega muito a função dos fluxos de pensamento. Como a psiquê do protagonista é bastante fraturada, a maneira como ele guia o seu raciocínio não segue os mesmos caminhos que nós. Para mim, como alguém que gosta da boa escrita, é interessante perceber quais caminhos o autor empregou para o seu personagem. Isso porque o protagonista recebe um enorme volume de informações devido ao seu contato com a deep web. A maneira como ele filtra essas informações e incorpora ao seu modo de pensar é bem curioso. Caminhos que normalmente faríamos a partir de associações comuns de ideias/palavras não são as mesmas que ele faz. Aí eu precisaria saber se é algo que o autor tem experiência ao ter estudado sobre depressão, ou se é algo que ele criou para um personagem ficcional. Ou um pouco das duas coisas. Em qualquer um dos casos, me agrada muito ver a habilidade com a qual o autor lidou com a ideia de fluxo de pensamento. Comparar o personagem ao protagonista de Memórias do Subsolo, de Dostoievski não é tão estranho aqui porque a maneira de pensar os caminhos seguidos pelo raciocínio do personagem são semelhantes.


Sobre a narrativa em si, ela segue duas partes claramente estruturadas. Na primeira, temos um profundo estudo sobre o próprio protagonista e a maneira como ele enxergava o mundo até um certo ponto. O autor trabalha sua relação com os pais, o seu tratamento médico e o isolamento progressivo no qual ele se coloca. Já uma segunda parte nos coloca em contato com um mundo sombrio da deep web, de um capitalismo opressor que exige uma adaptação a um status quo massacrante e toda uma indústria surgida em cima dos cuidados com a depressão. Isso sem falar na informação, seja ela a verdadeira, a manipulada ou aquela que o público deseja ver que se situa em um limbo entre a verdade e a mentira. Na minha visão há alguns momentos narrativos em que as discussões propostas pelo autor se descolam um pouco do que o narrador está vivendo. As discussões são pertinentes e bastante interessantes, só que para a narrativa em si elas tem pouco efeito. Elas acabavam me tirando da história embora eu entenda aonde o autor queria chegar. As reflexões sobre o capitalismo, a indústria farmacêutica e a informação são respostas a dúvidas colocadas pelo narrador. Mas, seria possível deixá-las mais implícitas ou até distribuídas de uma maneira que pudesse ser incorporada à trama, seja através de diálogos do narrador ou por um metatexto no formato de discussões do fórum. Poderiam até ser interlúdios explícitos entre capítulos. Gosto de um bom debate sociológico/psicológico, mas ele não pode me tirar do mundo ficcional criado pelo autor.


E aí com esse desvio narrativo, o desenvolvimento de personagens poderia ter sido maior. Isso porque o núcleo narrativo é focado quase inteiramente no protagonista. Isso não é ruim porque permitiu ao autor aprofundar os problemas e abstrações que ele vivia. Mas, talvez tivesse sido possível, ao reduzir a quantidade de discussões sociológicas/psicológicas, abordar outros personagens na trama. Por exemplo, quem é o UV Ray e quais são suas motivações. Ele me pareceu um personagem abstrato demais. Quase um fruto da imaginação do narrador. Outro ponto que poderia ter sido trabalhado melhor pelo autor é a visão ideal x a visão real de Jennifer, a pessoa da vida do protagonista. Algo que somente no final do livro o autor começa a mexer e bagunça nossa cabeça. Só que esse trabalho de deixar o leitor com várias pulgas atrás da orelha poderia ter sido inserido antes, em pequenas dosagens ao longo dos capítulos. Os quatro capítulos finais são muito interessantes e me deixaram bastante curioso, principalmente o final. Uma distribuição mais homeopática dos mistérios ajuda a criar esse sentimento de curiosidade no leitor.


Teria vários temas a tratar sobre essa história, mas quero deixar a exploração do livro ao leitor. Vou tratar apenas de dois que me chamaram mais a atenção. O primeiro deles é sobre o capitalismo e como ele se reflete em nossa visão de mundo. A todo momento vemos o personagem tentando buscar ajuda, mas sendo enredado cada vez mais em um mundo de mentiras e de escuridão. Seja o mundo do pai do protagonista que o deixa desamparado e sem emprego e o coloca em uma situação extrema. Ou um mundo onde a morte de uma jovem por um taxista é apenas mais uma banalidade ocorrida em um dia. Ou um fórum obscuro onde pessoas tratam dos mais diversos assuntos. O capitalismo tornou a nossa realidade em algo opressivo com todo o tipo de coisas se tornando mercadorias, mesmo aquelas que são as mais obscuras. A gente vê que o personagem não consegue encontrar uma luz e quando ele se volta para o amor é sempre algo fantasioso e inalcançável, seja a Jennifer ou a russa do Teenage Lust. Diante de um materialismo exacerbado, tudo perde o valor porque permite ao consumidor uma felicidade muito fugaz.


O outro tema que tem muita força nesse livro é a informação. Seja a informação precisa e útil até a manipulação da mesma. O tempo todo somos afogados em uma multitude de informações sobre os mais diversos temas. O livro brinca um pouco com isso ao nos oferecer informações sobre assuntos de todos os tipos. O protagonista sai em busca disso seja quando deseja saber mais sobre a mulher que amava ou quando temos o mistério do administrador do Bit Talk ou mais tarde quando ele deseja saber quem é a russa que ele tanto aprecia. Por outro lado, o autor discute a manipulação da informação. Como não conseguimos filtrar todo o tipo de informação, ela sempre pende para um lado. Se torna fácil a pessoas mal intencionadas manipular o que chega até nós. Quando Steve Simmers morre, existe toda uma vertente investigativa que deseja encontrar a verdade o mais rápido possível. Mas, uma verdade que seja palatável aos espectadores. Mesmo que seja algo fabricado. Os veículos midiáticos saem em busca de quem é essa pessoa envolvida nesse escândalo e o que se descobre sobre ele não condiz necessariamente com a verdade. Poucos são os fatos que são checados e a conclusão rápida a que se chega é muito suspeita. A maneira como vasculham a vida de Simmers é algo estarrecedor. Me fez lembrar imediatamente de uma HQ chamada Sabrina, escrita por Nick Drnaso. Na história, a jovem Sabrina morre, mas a história não é para descobrir quem a matou, mas o que é dito sobre ela após sua morte. A verdade e os boatos que buscam serem convertidos em verdade. No fim, a personagem Sabrina não aparece uma vez na narrativa, e conhecemos sua vida através de relatos de outras pessoas. O que é verdade? O que é mentira? Não temos certeza. Fica a critério do leitor.


Mil Placebos é um livro tenso e que vai discutir uma imensidão de assuntos. Borges tem uma escrita boa, precisa e que brinca com nosso olhar sobre o que está acontecendo na trama. Não é estranho comparar o que ele fez aqui à escrita de Dostoievski e suas voltas e reviravoltas, sempre nos pegando pelo pé e nos fazendo repensar aquilo que nos cerca. O emprego do fluxo de pensamento é bem feito, apesar de que alguns pontos narrativos ficaram um pouco lacunares, prejudicando um desenvolvimento aprofundado de outros personagens que fizessem parte do meio do narrador. É uma leitura bastante necessária nesse estranho mundo louco em que vivemos.












Ficha Técnica:


Nome: Mil Placebos

Autor: Matheus Borges

Editora: Uboro Lopes

Número de Páginas: 192

Ano de Publicação: 2022


Link de compra:


*Material recebido em parceria com o autor
















 
 

Separamos duas campanhas bem legais e que merecem sua atenção. Uma campanha contendo bons materiais de escrita criativa e outro com uma boa literatura nacional.


"Manual de Sobrevivência na Escrita" e Escrever para quê?" de Bandeirola Editora


Ficha Técnica:


Nome: Manual de Sobrevivência na Escrita Nome: Escrever para quê

Autores: Ana Rusche e George Amaral Organizado por Sandra Abramo

Editora: Bandeirola Editora: Bandeirola

Gênero: Não-Ficção Gênero: Não-Ficção

Número de Páginas: 112 Número de Páginas: 96

Prazo da campanha: 08/01

Data de entrega: março de 2024



Sinopse (Manual de Sobrevivência na Escrita): Ana Rüsche e George Amaral, dois escritores criativos e em elaboração constante, pensaram em um manual de escrita que levasse em conta desde os pequenos detalhes - como as condições materiais - até as dificuldades mais subjetivas, como a procrastinação e o excesso de autocrítica, transformando-o, assim, num verdadeiro manual de sobrevivência.


Aqui, os próprios autores apresentam a ideia:


"Na parte um, deste livro comentaremos os recursos necessários para a arte da escrita, que não são apenas físicos e técnicos, mas também mentais e sociais.


Na parte dois, comentaremos a respeito de planejamento, tempo, definições de tipo de texto e questões de produtividade que nos assombram constantemente. Também abordaremos os bons e maus hábitos da vida de quem escreve, como a temida procrastinação.


Na parte três, você já terá escrito seu texto. Mas, e agora, o que fazer com o trabalho pronto? Como lidar com rejeições? Como deixar para trás elogios em excesso que podem travar você no próximo texto?


Vamos também comentar um pouco sobre a divulgação e as redes sociais."


Sinopse (Escrever para quê): Afinal, escrever histórias de ficção pode trazer satisfação para si, pode dar prestígio entre seus familiares e ser o motor de transcendência de uma vidinha cotidiana em direção à excitante criação de mundos.


Porém, há tantas questões pelo meio do caminho:


Como chegar a um diálogo proveitoso? Como encontrar uma voz literária que seja sua e identificável como uma pincelada de Van Gogh? Como carregar as páginas com palavras e vida que não façam o leitor morrer de tédio ou, pior, abandoná-lo sem perspectiva de retorno?


Oh, glória, isso sim é estar sozinho e entregue à própria sorte.


“Escrever para quê?” é um livro de citações que apresentam alguns caminhos para amenizar a busca solitária de quem quer seguir pela escrita narrativa.


Em suas páginas você irá encontrar Ursula K. Le Guin lhe dizendo para fazer leitura em voz alta, se quiser encontrar a própria voz na escrita (a busca do ritmo). Vai se deparar com Leonardo Padura desfiando algumas inseguranças tais como as suas e Braulio Tavares afirmando que aprendeu lendo Henry Miller que “escrever era algo tão físico-mental e tão atávico quanto fazer sexo”.


Esse livro é uma surpresa a cada citação!


E como a alternativa é sempre escrever, escrever, escrever, em “Escrever para quê?” há páginas em branco exclusivas para você transformar suas anotações em autoria inspirada ou desesperada. Quem dá o tom sempre é você.


Nesse Livro de Anotações você vai encontrar com Rosa Montero Moacyr Scliar Anthony Burguess Anton Tchekhov Alejandro Zambra Javier Cercas Bartolomeu Campos de Queirós Autran Dourado Jorge Luis Borges Philip Roth Mário de Andrade Julio Cortázar Ernest Hemingway Braulio Tavares Robert Harris Leonardo Padura Ursula K. Le Guin Javier Marías Ezra Pound Natalie Goldberg Andrés Braithwaite


Trechos selecionados de entrevistas, artigos, reportagens, depoimentos, narrativas, ensaios.


Principais Formas de Apoio:


1 - Manual de Sobrevivência na Escrita: R$49,00


  • livro impresso

  • mimos literários

  • marcador de páginas

  • postal literário

  • freye calculado ao final da compra


2 - Escrever para quê: R$49,00


  • livro impresso

  • mimos literários

  • marcador de páginas

  • postal literário

  • freye calculado ao final da compra


3 - Os dois livros: R$98,00


  • livros impressos

  • mimos literários

  • marcador de páginas

  • caderno de notas

  • postal literário

  • freye calculado ao final da compra


"Pho-Dah-C" de Flávio Karras


Ficha Técnica:


Nome: Pho-Dah-C

Autor: Flávio Karras

Editora: Rocket Editorial

Gênero: Ficção Especulativa

Número de Páginas: 130

Prazo da campanha: 04/12

Data de entrega: abril de 2024




Sinopse: Fernando, um bancário sádico na busca por uma promoção de emprego; Lívia, uma youtuber necessitada de engajamento a qualquer custo, e Domingos, um avarento mal-educado que inferniza a vida de todos ao seu redor. Três desconhecidos. Três humanos esquecíveis que têm suas vidas mudadas para sempre quando se envolvem com uma misteriosa criatura cheia de ódio, apetite e tremedeira: o pinscheromem.


Recompensas:



Principais Formas de Apoio:


1 - Pinscher: R$49,00


  • livro impresso

  • marcador de páginas

  • frete calculado ao final da compra


2 - Cereja: R$59,00


  • livro impresso

  • marcador de páginas

  • drinking game

  • nome nos agradecimentos

  • frete calculado ao final da compra


3 - Bizarro premium: R$120,00


  • livro Pho-Dah-C impresso

  • livro Indigesto impresso

  • marcador de páginas

  • carta de tar}o pinscheromem

  • drinking game

  • nome nos agradecimentos

  • frete calculado ao final da compra















 
 

Um volume clássico contendo duas histórias belíssimas que mostram um Alan Moore descobrindo outros caminhos para a sua arte. Venham conhecer O Jardim das Delícias Terrenas e Meu Paraíso Azul.


Sinopse:


De 1983 a 1987, um jovem escritor britânico chamado Alan Moore revolucionou os quadrinhos dos Estados Unidos. Sua ousada abordagem na série do Monstro do Pântano, da DC Comics, definiu novos padrões para a narrativa gráfica e desencadeou uma revolução na nona arte que repercute até os dias de hoje. Partindo das premissas de horror gótico do título e construindo um marcante e intuitivo estilo narrativo e uma profundidade de caracterização sem precedentes, a visão de Moore foi traduzida assombrosamente em belos desenhos de colaboradores como Stephen Bissette, John Totleben, Rick Veitch e Alfredo Alcala. O resultado é uma das mais duradouras obras-primas dos quadrinhos.


Este volume reúne as edições: The Saga of The Swamp Thing (1982) 51-56, e inclui as clássicas histórias O Jardim das Delícias Terrenas e Meu Paraíso Azul, bem como um texto introdutório de Stephen Bissette.





Esta é uma edição muito interessante porque nos apresenta uma virada nos interesses de Alan Moore. Se, nas edições anteriores, Moore se focava em uma reimaginação do que é o terror, a partir daqui o vemos seguindo dois caminhos: os seus interesses no xamanismo que vai lhe render a alcunha de Bruxo e algumas histórias voltadas para o terror cósmico com a exploração de temas caros à ficção científica. Dizer que essa é uma edição maravilhosa é chover no molhado e aqui temos duas histórias magníficas: O Jardim das Delícias Terrenas, que coloca o Monstro do Pântano em rota de colisão com a própria Gotham City e a belíssima e melancólica Meu Mundo Azul. A partir desse volume Alfredo Alcala se torna parte da equipe recorrente na arte, atuando como arte-finalista para John Tottleben. Me referi a essas duas histórias em particular, mas o volume é de altíssimo nível com As Flores do Romance sendo outra história impactante e que merece ser mencionada por tratar de temas tão comuns no dia de hoje como violência doméstica e comportamento abusivo, mas que nos anos 80 fazia parte daqueles temas que acabavam silenciados.


A entrada de Alfredo Alcala como arte-finalista fez toda a diferença do mundo nessa edição. Sem desmerecer a fantástica arte de Tottleben, mas Alcala tem um senso de tridimensionalidade e posicionamento que são impressionantes. O lápis de Tottleben já é muito potente e tende a dar destaque para as sombras, mas Alcala consegue fazer com que estas sombras se sobressaiam de uma maneira que elas parecem estar vivas. A preocupação com o realce das linhas finas do artista fornece toda uma gama de novos significados ao que está sendo desenhado. Sem mencionar que existe todo um processo de perceber aonde Alcala deve ou não dar o seu toque, caso contrário poderia fazer a arte de Tottleben perder a identidade. E tal não é o caso. Para quem conhece a arte das edições anteriores do Monstro do Pântano vai perceber uma mudança brusca, mas quem não conhece, é como se Totleben e Alcala fossem complementares.


Gostei demais de como Totleben fez mais alguns experimentalismos por todo esse volume. Em O Jardim das Delícias Terrenas vemos uma mescla de um mundo completamente urbano, cinzento e melancólico com a vida fornecida pelo toque verde do Monstro. As composições de quadros são maravilhosas com Totleben mexendo até mesmo nas bordas colocando matizes vegetais ou mexendo na forma como os quadros são apresentados. Faço ideia de como se tratou de um volume bem complicado de desenhar dada a quantidade absurda de detalhes em cena. Temos a entrada de Rock Veitch como artista recorrente também e ele assume no lugar de Totleben sem decepcionar os leitores. Veitch dá um sopro de ar fresco ao propor novas maneiras de abordar as ações do Monstro. Ele é um adepto mais frequente das splash pages ou das cenas montadas como um caleidoscópio. De Terra a Terra foi a história que mais gostei na arte do Veitch porque ele conseguiu trazer para o leitor todo o sentimento de perda e melancolia que aquela história, em específico, precisava. Os momentos que ele coloca a Abby e o Monstro juntos são de uma poesia que toca a alma. A gente vê a expressão de amor que existe entre eles.

Não consegui falar adequadamente da Tatjana Wood na resenha passada e não farei esta desfeita aqui. Que colorista impressionante ela é. E estamos falando dos anos 80 que ser um colorista era um muito menos glamouroso (não que hoje seja né... mas era pior) que o trabalho de um artista. Os méritos da arte e do traçado estão nas mãos do Veitch, mas a maneira como ela fez essa história funcionar a partir de uma palheta de cores toda voltada para o azul é algo de outro mundo. Literalmente. Ela produz um senso de estranhamento para o leitor que vê estes espaços alienígenas que partem de uma outra forma de entender as colorações. A edição não precisava me dizer que a história se passava em outro planeta... as cores me diziam isso. Mesmo quando Veitch insere elementos familiares como casas e pessoas, em nenhum momento eu considerei aquilo normal. Não há normalidade nesse estranhamento.


Não vou falar de todas as histórias porque poderia passar parágrafos e mais parágrafos falando do quanto Moore insere de temas diferentes nestes capítulos. A propósito, o roteiro do Moore caminha mais e mais para algo poético. A cadência das frases, a escolha de palavras. Tudo remete a isso. A primeira história funciona como um epílogo para os grandes acontecimentos da edição anterior. Ao mesmo tempo, Moore já insere as sementes para a tragédia que se aproxima. Vimos que na edição anterior um fotógrafo curioso flagrou Abby e o Monstro em momentos muito íntimos. Aqui, Abby passa a ser perseguida em todas as direções como uma transgressora sexual por se envolver com um ser vegetal. Nesta edição vemos o poder que a mídia tem para destruir a trajetória de uma pessoa. E isso porque Abby sempre foi enxergada como uma mulher à margem por conta de sua aparência estranha. A comunidade passa a atacá-la com meias verdades e um falso senso de moralismo. Só um ponto: parece, novamente, que estou falando de um quadrinho atual com esses temas que se tornaram tão abordados por diversos autores, mas não é. Essa é uma história de agosto de 1986. O leitor é levado junto com Abby pela torrente de acusações, e não é dado a ela a possibilidade de se defender. Seus atos são considerados imorais por natureza. Tem uma fala ótima do Batman em O Jardim das Delícias Terrenas para o Comissário Gordon e o prefeito que resume o absurdo de tudo isso. Claro que ali já era tarde demais.


O Jardim das Delícias Terrenas é uma edição gigante do Monstro em que ele consegue retornar para o mundo terreno e descobre o que aconteceu com Abby, que havia fugido para Gotham City. Temos um confronto do mundo natural contra o mundo dos humanos. O Monstro demonstra todo o seu poder e domínio sobre o verde. Essa é uma mensagem de Moore de que a natureza é capaz de colocar o homem e sua civilização de joelhos. Nós é que precisamos dos favores da natureza. Junto com o ataque à cidade, a invasão das florestas a Gotham desperta em algumas pessoas mais sensíveis ao meio ambiente a necessidade de viver ao natural. Vamos ver pessoas descobrindo prazeres quase edênicos em sua relação com a cidade. O Batman fica sem ação diante de uma habilidade tão crua como a do Monstro. Fora que o Monstro não demonstra nem um pingo de violência. É curioso pensar no Batman como parte das forças do status quo, mas Alan Moore consegue fazer isso de uma forma natural. O Batman simplesmente não consegue reconhecer sua cidade como aquele jardim de delícias. E não tem a ver com hipnose ou lavagem cerebral. As pessoas estavam se encontrando naquele meio caótico. Apenas àqueles que a ordem exacerbada interessava é que se sentiam incomodadas. Esse é um debate que hoje temos feito: o quanto somos capazes de coexistir com o meio ambiente? Enquanto temos problemas imediatos como aquecimento global e a destruição das florestas, não somos capazes de nos pensar vivendo em um contato mais próximo com a natureza. Apenas queremos acinzentar os espaços. É isso o que o Monstro faz a humanidade pensar.


Ao longo deste volume, vemos Alan Moore resgatando alguns personagens vistos em histórias anteriores e até mesmo parte do elenco da fase do Len Wein como a Lizzy e o Dennis. Ele retoma a história do Sunderland, o homem que "matou" o Monstro do Pântano no primeiro número da fase do Alan Moore. Lizzy está sendo mantida em prisão domiciliar e Dennis fez toda uma lavagem cerebral nela, fazendo-a acreditar que eles vivem uma vida de terror, com medo de serem mortas por Sunderland, este, sim, morto há quase dois anos. É terrível ver o estado emocional no qual Lizzy se encontra quando vai até Houma ver a Abby. E Lizzy era uma repórter investigativa, inteligente e assertiva e agora parece um caco de uma pessoa que ela foi um dia. Ela não consegue encarar a realidade e teve o seu mundo mediado por Dennis, que praticamente ditou o que ela podia ou não fazer. Alan Moore não deixa claro no roteiro se aconteceu algum outro tipo de violência nesse tempo, mas o roteiro solta pistas que isso pode ser verdadeiro. Existem gatilhos que são acionados no comportamento de Lizzy, principalmente quando Dennis começa a ficar nervoso. Esse é o retrato falado de uma relação tóxica em seus níveis mais alarmantes. Daquele que é violento latto senso.


Não tenho como deixar de mencionar a última história, Meu Mundo Azul. Um roteiro genial de Moore que mostra um Monstro todo-poderoso em um planeta em outra galáxia. Nesse mundo, só existe ele e outras vidas vegetais mais primitivas junto dele. Ele até pode retornar para a Terra, mas tem medo de deixar de existir no processo. Então teme dar o próximo passo. Pouco a pouco a solidão vai se abatendo sob a sua alma. Como um ser senciente e que já foi humano, ele não consegue existir em um lugar onde não exista ninguém com quem se relacionar. É então que, para suprir a sua ausência, ele dá o primeiro passo em uma perigosa direção: ele cria uma mulher à imagem de Abby para lhe fazer companhia. Depois de algum tempo, ele deseja criar mais e mais vida ao seu redor. Mas, o que estas vidas artificiais tem de especial? Elas possuem livre-arbítrio? Pensamento próprio? Uma existência única? Ou são apenas marionetes nas mãos de um ventríloquo? É com essa realidade cruel que o Monstro vai precisar refletir o que ele deseja de fato para si.


O que conversamos aqui é apenas um tira-gosto do que o autor insere em sua narrativa. Os significados são múltiplos e os temas são vários. É possível pescar detalhes bem interessantes nas histórias. Nem chego a mencionar outras duas histórias com medo de dar spoilers graves da edição. Basta pensar que essa coleção como um todo representa um clássico dos quadrinhos. Difícil eu achar uma história na qual eu consiga fazer uma crítica mais grave, seja por tema ou por ritmo. Nessa altura do arco do Moore, a gente já sabe como as histórias vão ser, então não tem como ser enganado. O que muda são as direções para onde Moore acaba levando o personagem. Estou curioso com o sexto volume e saber como Moore vai terminar a sua jornada com o personagem. Já posso expressar minha enorme satisfação em ler tantas histórias maravilhosas e uma pena que Moore teve tantos problemas com as grandes editoras. Aqui está o sumo do que ele consegue fazer em uma mensal de personagem.












Ficha Técnica:


Nome: A Saga do Monstro do Pântano vol. 5

Autor: Alan Moore

Artistas: John Totleben, Rick Veitch

Arte-Finalista: Alfredo Alcala

Colorista: Tatjana Wood

Editora: Panini

Tradutor: Edu Tanaka

Número de Páginas: 168

Ano de Publicação: 2018 (nova edição)


Outros Volumes:

Vol. 6


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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