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Resenha: "A Saga do Monstro do Pântano vol. 2" de Alan Moore, John Tottleben e Stephen Bissette

Atualizado: 19 de nov. de 2023

Neste segundo volume, Alan Moore explora mais quem é o Monstro do Pântano e como ele se relaciona com Alec Holland. Além de termos um arco em que Arcane retorna com toda a força para atormentar a vida do nosso protagonista e de todos ao seu redor.


Sinopse:


De 1983 a 1987, um jovem escritor britânico chamado Alan moore revolucionou os quadrinhos dos estados unidos. Sua ousada abordagem na série do monstro do pântano, da DC comics, definiu novos padrões para a narrativa gráfica e desencadeou uma revolução na nona arte que repercute até os dias de hoje. Partindo das premissas de horror gótico do título e construindo um marcante e intuitivo estilo narrativo e uma profundidade de caracterização sem precedentes, a visão de Moore foi traduzida assombrosamente em belos desenhos de colaboradores como Stephen Bissette, John Totleben, Shawn Mcmanus e Rick Veitch. O resultado é uma das mais duradouras obras-primas dos quadrinhos. Este volume inclui também um prólogo de Neil Gaiman, o criador de Sandman; e uma nova introdução de Jamie Delano, o aclamado roteirista de Hellblazer.






Estou até agora tentando encontrar as palavras para compor a resenha deste segundo volume. Só consigo começar pensando em uma única palavra: arte. Alan Moore, John Tottleben e Stephen Bissette conseguiram alcançar um patamar inacreditável aqui. Imaginar o impacto que cada uma dessas histórias teve sobre a indústria de quadrinhos é perceber o quanto a narrativa foi revolucionária. Moore tirou uma HQ da DC Comics daquela alcunha de histórias sobre super-heróis e seus feitos. Aqui há muito mais profundidade do que isso. Se eu pensasse em tirar Moore só um pouquinho e falasse só da arte já seria o suficiente para ficar dias elogiando a arte de Tottleben e Bissete, sem falar nas colaborações de Shawn McManus e Ron Randall que dão um ar diferente para aquilo que estava sendo feito até então. Mas... o Mago dos Quadrinhos está presente e sua feitiçaria produziu uma história que fala de filosofia, religião e identidade. Se eu pudesse dar uma nota maior do que a que eu já dou ao que eu coloco aqui, eu assim o faria. Sem pensar duas vezes. Se existem quadrinhos essenciais na vida de um fã de quadrinhos, esse é um deles.


Vou fazer comentários histórias por história, trabalhando um pouco do roteiro e depois da arte. Se eu fosse precisar escolher um quadro dessa HQ para fazer uma análise, nem sei por onde eu começaria. A primeira história chama-se O Enterro e é Alan Moore se voltando mais uma vez sobre quem é o Monstro do Pântano. Esse é um tema recorrente nesse segundo volume e chegaremos ao final dele chocados com o que Moore define como sendo. Ele vai soltando as pistas do quebra-cabeças e montando bem devagar, até soltar tudo no final. Essa narrativa é uma clara homenagem de Alan Moore ao criador do personagem, Len Wein. E essa história produz alguns momentos icônicos como o encontro das duas formas do Monstro, a de Wein e a de Moore. É uma releitura da origem dele, mas com outro enfoque, mais voltado para o desenvolvimento deste ser criado pelo autor que possui caminhos distintos dos que foram dados anteriormente.


A arte de Tottleben está um primor e apesar desta fase toda do Monstro do Pântano ser bem voltado para o terror (mesmo Moore subindo a régua do psicodélico com o passar do tempo), este capítulo em especial possui muitas raízes nos quadrinhos da EC Comics. A composição de cena, a escolha das cores e a quadrinização, que mesmo sendo tradicional, tem algumas escolhas que reforçam a tensão e o medo para o leitor. A exploração do elemento sobrenatural por Moore é bem transposta por Tottleben e Bissette que traz para nós momentos como o de um certo fantasma que assombra o Monstro. A expressão do personagem é de gelar a alma e condensa através da arte o que significa ser um fantasma com assuntos pendentes. Outro detalhe bem pequeno é como os dois artistas escolheram desenhar a borda dos quadros: quando em flashbacks eles parecem com recortes de fotografia ou uma borda distorcida, diferente dos quadrados retos normais que significam acontecimentos do presente.


Amor e Morte é a história que inicia uma trilogia focada no confronto entre o Monstro e seu inimigo Arcane. Essa história tem um pezinho maior no universo DC onde vemos o aparecimento de figuras como o Monitor e a Precursora, o Desafiador, o Espectro e o Vingador Sombrio, além do retorno do Etrigan. Na história, Arcane retorna para humilhar o protagonista, já que ele foi o responsável por enviá-lo ao inferno. Para isso, ele tomou o corpo de Matthew, marido de Abigail. O que vou falar não é spoiler porque desde o volume passado está no ar, mas há um clima romântico enorme entre Abby e o Monstro. Mas, como ela é casada, a personagem se contém. Desde o volume passado, Moore nos mostra que a relação entre os personagens anda de mau a pior com o personagem agredindo sua esposa, além de alguns momentos bem estranhos. Matt parece ter desenvolvido poderes mágicos que permitem a ele realizar seus desejos. Ao mesmo tempo, esses poderes são a porta de entrada para atrair seres malignos como Arcane. O que veremos será um combate de proporções épica e Moore consegue trazer que é puramente maligno. Representa a própria essência do mal e seu prazer reside em machucar as pessoas. Vale destacar que a própria aura de Arcane afeta outras pessoas, despertando seu desejo sombrio.



Essa história é bem pesada e Moore inseriu uma série de simbologias ligadas a diversas religiões. Se o leitor mais atento prestar bastante atenção nas páginas, vai perceber como os artistas deixaram uma série de easter eggs como os gafanhotos que representam uma das pragas do Egito ou como os insetos acabam sendo representativos de sentimentos negativos e ligados à podridão. Essas histórias tem algumas cenas bizarras como quando Abigail está sendo puxada por Arcane e outros seres mortos em uma splash page ou o momento do confronto entre o Monstro e Arcane com umas cenas de fundo malucas. Aqui Bissette e Tottleben acionaram o botão máximo da criatividade e, tendo um roteiro tão fora de série como o de Moore, eles conseguiram criar cenas espetaculares. Meu destaque fica para uma em especial que está na história Auréola e Moscas, a segunda da trilogia, no momento em que o Monstro entra em uma casa em busca de Abby. A cena toda tem pouquíssimos diálogos e Moore deixa a arte fluir. Tudo me lembrou filmes como Poltergeist em que a gente entra na casa e não tem nada. Somente a escuridão profunda que envolve o local, uma aura sombria que permeia tudo ao redor e o vento batendo no rosto. Mais do que ter diversos inimigos, é a total ausência que nos deixa apreensivos.


Ficam aqui duas observações bem legais sobre Auréola e Moscas ainda. A primeira delas é que essa é a primeira história da DC que vem sem a aprovação do Comics Code Authority, ou seja, estamos pegando o início do fim desta censura que foi tão marcante para os quadrinhos americanos. E que mostrou com clareza a que todo o run de Alan Moore à frente do quadrinho representava: uma quebra de paradigma. Outro destaque fica para Alfredo Alcala que vai fazer a arte-final dessa história. Alcala tem uma longa trajetória principalmente como um artista que trabalhava histórias de capa e espada, mas aqui dá para perceber o quanto ele potencializou a pena de Bissette e a deixou mais encorpada. Principalmente em uma história que bebe tanto das histórias de horror.


Em seguida temos Descida entre os Mortos que é um fechamento da trilogia de Arcane. Aliás, é possível fazer uma correlação entre esta história e Abandonadas Casas que vem duas edições depois. Em Descida entre os Mortos, o Monstro vai ao inferno em busca de uma alma perdida durante o confronto com Arcane. O personagem tem um lado humano e piedoso que o faz colocar em risco sua própria existência por uma vida. E ele entende que a morte dessa pessoa foi injusta porque foi um efeito colateral de seu confronto com o inimigo. Nesta história vemos como Moore pensa a própria concepção da vida após a morte. E ele tem uma posição bem ampla nesse sentido já que essa transcendência perpassa inúmeros credos e religiões. Por exemplo, vamos ver o Desafiador falando em Rama Kushna, uma divindade oriental enquanto o Vingador Sombrio tem uma visão mais tradicional. Um questionamento sensacional ocorre entre o Desafiador e o Monstro em que o segundo questiona o primeiro sobre por que existe o inferno. A ideia de que o inferno é uma criação da humanidade e não dos deuses é bem curiosa e se relaciona com a visão do próprio autor. É uma visão que merece ser refletida e discutida mais a fundo. Por outro lado, Abandonadas Casas aprofunda a personagem de Abigail e nos apresenta a origem do Monstro do Pântano a partir de outra ótica. Na narrativa vemos Caim e Abel, duas criaturas do mundo dos sonhos que farão parte do elenco de Sandman alguns anos mais tarde. Uma ideia apresentada neste capítulo me chamou a atenção. Caim representa os mistérios e Abel os segredos e eles propõem a Abby uma troca: se ela for com Caim ela conhecerá um mistério que poderá ser compartilhado com todos e se ela for com Abel ela descobrirá um segredo que ela esquecerá assim que despertar. Moore nos faz refletir sobre uma afirmação que diz que hoje as pessoas preferem mais conhecer mistérios do que segredos. Se pensarmos bem, reflete nossa sociedade atual, voltada para um aspecto público de nossa relação com os outros e depende dos outros para nos validarmos.


Abandonadas Casas tem a arte de Ron Randall que é um dos convidados desta edição. Ele consegue traduzir bem uma atmosfera quase vitoriana na narrativa. Em alguns momentos, a arte de Randall me fez imaginar o Drácula de Bram Stoker com alcovas ao invés de quartos e roupas mais tradicionais em contraposição a algo moderno. Há também um aspecto enevoado nas cenas o que remete realmente a um mundo de sonhos onde nossas memórias são embaçadas e nem sempre tão precisas. Os personagens na frente da cena recebem uma atenção especial e várias cenas são de close e com uma aproximação maior, destacando suas reações e expressões. Não foi a arte que mais me agradou, mas bastante eficiente para a história que precisava ser contada.



Pog é o elemento curioso e, apesar de ser uma história de transição entre arcos, revela muito da habilidade como roteirista de Moore. O personagem é uma homenagem de Moore a Walt Kelly que após a Segunda Guerra Mundial teve sua série de tirinhas com o personagem Pogo Possum. A série fazia bastante sucesso e eram sempre histórias bastante críticas, apesar de bem humoradas. Pensem em um quadrinista com claras disposições libertárias publicando um quadrinho crítico na década do macartismo, com um conservadorismo exacerbado e fortes perseguições políticas. Mas, a história não fica só no emprego desse divertido personagem como também de uma linguagem de retalhos. Pog e seus companheiros usam palavras que misturam pedaços de outras como "docilusão", "vultombração" ou "musgonstro". Imaginem uma história inteira que necessita dessa maneira de formar palavras. Moore já tinha mostrado enorme habilidade ao lidar com Etrigan, um personagem que fala usando rimas e agora mais essa brincadeira linguística. É sensacional.


Não posso fechar sem falar de Rito de Primavera, uma das histórias mais icônicas do personagem e foi marcante para separar o Monstro do Pântano de tudo aquilo que era publicado na DC. Nele, Abigail decide expor o que sente pelo protagonista e temos a ilustração de uma cena de sexo entre os dois. Mas, nada explícito, já que se trata da relação de uma humana com um ser vegetal. Então, como os dois iriam ter relações íntimas? A solução dada por Moore é de uma poesia e criatividade que até agora ainda reflito sobre ela. O nível de psicodelia está lá na estratosfera, mas roteiro e arte estão em uma sintonia de outra dimensão. Algumas das páginas são daquelas que você pode pegar e emoldurar na parede. Isso porque Tottleben e Bissette desconstroem completamente a quadrinização tradicional e deixam a criatividade seguir em quadros que usam e abusam da página inteira ou de duas páginas, alteram a orientação de leitura e muitos mais. Não quero contar muito sobre esta história, preferindo deixá-la para apreciação porque é uma obra de arte.


Este segundo volume é icônico e é o que faz da fase de Alan Moore à frente de O Monstro do Pântano tão memorável. É impossível falar que uma das histórias é ruim ou sequer mediana. Todas são fantásticas a partir de algum ponto, seja o roteiro impecável, a quadrinização, alguma ferramenta diferenciada, uma orientação, uma distorção na história ou uma mudança de clima. Tudo combina para formar um todo que é impossível não impactar o leitor.









Ficha Técnica:


Nome: A Saga do Monstro do Pântano vol. 2

Autor: Alan Moore

Artistas: John Tottleben, Stephen Bissette, Rick Veitch, Shawn McManus e Ron Randall

Colorista: Tatjana Wood

Arte-Finalistas: John Tottleben e Alfredo Alcala

Editora: Panini Comics

Tradutor: Edu Tanaka

Número de Páginas: 228

Ano de Publicação: 2018 (nova edição)


Outros Volumes:

Vol. 6


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