• Paulo Vinicius

Resenha: "Knights of Sidonia vols. 3 e 4" de Tsutomu Nihei

Depois da perda da Hoshijiro, a tripulação da Sidonia começa a se deparar com um contingente de gaunas que parecem ter adquirido mais inteligência. Ficamos sabendo também a respeito da origem das kabizashis e uma decisão ousada da capitã Kobayashi diante das frequentes ameaças dos inimigos.

CONTÉM SPOILERS DE EDIÇÕES ANTERIORES!


Sinopse:


A obra escrita e desenhada por Tsutomu Nihei foi lançada em 2009 nas páginas da revista japonesa Afternoon, da Editora Kodansha, e é hoje um dos grandes mangás publicados. O sucesso da versão impressa levou a Netflix encomendar uma série animada original, disponível também no Brasil.


O protagonista Nagate Tanikaze, nascido e criado na gigantesca nave espacial, treinou sozinho para se tornar um piloto de combate sem nem imaginar o destino que o aguardava. Nessa época, a humanidade se adaptou à vida no espaço. Entre as evoluções de nossa raça estão a capacidade de realizar fotossíntese e até de trocar de gênero quando acha o parceiro ideal.


Depois da morte de seu avô, Tanizake acaba selecionado para efetivamente se tornar piloto. Graças ao seu treinamento, revela­-se um dos mais hábeis do esquadrão de defesa de Sidonia. Ao lado de seus companheiros, Tanikaze irá enfrentar um novo ataque dos Gaunas a bordo da lendária unidade Tsugumori .


O problema é que os gigantescos alienígenas não são a única ameaça. Ao mesmo tempo que luta em nome da sobrevivência dos seres humanos, o audaz piloto também terá de lidar com conspirações dentro do alto­ comando de Sidonia, perdas irreparáveis, traições e descobertas que poderão mudar a sua vida para sempre.






TEM SPOILERS DE EDIÇÕES PASSADAS!





No terceiro volume temos as consequências do que aconteceu na última edição com a Hoshijiro sendo morta pelos gaunas. Um momento bem impactante e que mostrou aos pilotos que ninguém está seguro diante da ameaça. Logo no começo vemos Kunato tirando satisfações com o Nagate sobre o desastre que foi a missão passada. Tendo ele se afastado um pouco da ação, Nagate é redirecionado para a equipe Samari onde ele precisa cumprir todas as missões como ele combinou com a capitã Kobayashi. Mas, isso não seria algo suicida dada a quantidade de pilotos que retornam após as missões? Um novo problema surge também para ameaçar o sossego da tripulação do Sidonia: gaunas inteligentes. Após várias missões contra eles, parece que as criaturas estão desenvolvendo algum tipo de inteligência rudimentar e aprendendo a criar estratégias contra os guardiões. As próximas batalhas serão ainda mais difíceis do que as anteriores.


Falando sobre a arte do Nihei, a primeira parte desse volume é toda focada no espaço com combates entre guardiões e gaunas. Apesar de curtir a arte dele, sinto que esses combates espaciais não aproveitam o máximo do que ele consegue entregar. As cenas com naves não são assim tão legais, salvo um momento ou outro. Prefiro quando o Nihei tem espaço para criar ambientes estranhos ou criaturas bizarras. É aí que ele consegue entregar aquilo que tem de melhor. Por exemplo, o gauna que tem o formato de um míssil ou uma estrutura que parece um queijo suíço bizarro. Esse design maluco de estruturas e criaturas é sempre inesperado, mas preciso elogiar também quando ele faz espaços amplos. Tem um momento em que o Nagate e a Chinatose estão chegando na casa da avó dela e ela mostra ao Nagate o quanto o quarto distrito é amplo. Aquilo é tão lindo e alienígena ao mesmo tempo. Te passa aquela impressão de que é impossível que este distrito faça parte de algo na Terra. Só poderia estar no espaço.


A história começa a entregar alguns de seus segredos nessa edição. Mas, antes de falar por alto sobre eles, queria comentar sobre os gaunas inteligentes. E aí pensar com os leitores o que são essas criaturas. Até agora Nihei apenas os apresentou como inimigos, mas está ficando cada vez mais claro que eles são algo mais. Terem um núcleo e uma placenta pode classificá-los como seres vivos, mas e uma inteligência lógica? Será que eles tem algum tipo de raciocínio? Ou apenas reagem como feras selvagens? Nesta edição dois momentos ficam claros de que existe algum tipo de padrão no pensamento deles, quando eles copiam a estrutura fisiológica da Hoshijiro e criam clones gaunas dela para aprenderem como lidar com os seres humanos. O outro momento acontece cem anos antes quando eles quase devastaram toda a Sidonia, cem anos no passado, e levaram quase todos à extinção. E simplesmente foram embora. Ainda não sabemos as motivações dos gaunas, mas algo misterioso está acontecendo.



A outra revelação diz respeito à origem do Nagate. Não vou falar muito para não dar spoilers, mas basta sabermos sobre o que aconteceu há cem anos atrás. Isso antes dos guardiões portarem suas kabizashis. O confronto com os gaunas era quase sempre mortal e a equipe que tinha Ochiai, Kobayashi, Hiroki e Suzuki precisou lidar com uma estranha estrutura que apareceu na frente da Sidonia. Quando eles foram investigar perceberam a existência de estranhos seres que davam origem aos gaunas. De pequenas gotas saídas de sua estrutura surgiram as famosas lanças dos guardiões porque eram as únicas coisas que tinham a capacidade de penetrar na estrutura dos seres alienígenas. Após a devastação deixada para trás quando dois gaunas conseguiram invadir a Sidonia, a doutora Shinatose propõe uma meta de repovoamento audaciosa que envolvia clonagem e a possibilidade de se alimentar via fotossíntese. Isso é o que levou à situação atual. Mas, não apenas isso: algo trágico vai levar à separação da equipe original que resgatou a matéria-prima para as kabizashis.


Já o quarto volume se foca nos mistérios de Sidonia e na vinda do gauna Benisuzume. O roteiro do Nihei continua muito bom e ainda estamos no quarto número e já sabemos algumas coisas. Ou seja, os mistérios são ainda maiores do que imaginamos. Até então estava tendo dificuldades para identificar os personagens porque as primeiras edições foram muito velozes. Agora temos alguns momentos mais intimistas ou desafiadores em que cada um dos personagens conseguiu o seu tempo para brilhar. Nos volumes 3 e 4 conhecemos mais sobre a capitã Kobayashi e a Shinatose. No primeiro caso a capitã acaba servindo como faísca para descobrirmos os segredos de Sidonia, algo que vem da sua geração. Já a Shinatose nos ajuda a humanizar mais o Nagate, além de ser uma personagem complexa em diversas camadas. Ao final dessa edição estaremos em um outro momento da história com algumas graves revelações que abrem novas possibilidades. Ou seja, não foi um momento de parada para avançar a história apenas mais tarde. O foco em núcleos específicos foi bastante benéfico para a narrativa como um todo e ajuda a dar aquele ar de mistério, tão necessário aqui.


Toda a ação deste quarto volume envolve uma ofensiva contra os gaunas e a nave Mass Union menor mais próxima de Sidonia. A Mass Union, apelidada de Ocarina, envia várias unidades em direção aos nossos personagens e é rechaçada por Nagate (que agora se tornou capitão) e outras unidades. Vemos Nagate se tornando um ponto diferencial nas forças guardiãs de Sidonia e seu estilo ofensivo de lidar com os gaunas inspira a capitã Kobayashi a alterar a sua abordagem sobre os problemas. Primeiro porque ela se torna mais pró-ativa do que defensiva e isso se reflete, por exemplo, nas pesquisas sobre as kabizashis artificiais. Segundo porque ela está receosa de que Nagate, com seu jeito ingênuo e idealista, possa se tornar uma liderança contrária a ela no futuro. Existem alguns mistérios sobre o protagonista que são revelados nesta edição e justificam os medos de Kobayashi.


O gauna apelidado de Benisuzume se torna um adversário recorrente dos humanos. Com uma particularidade específica, ele é um ponto de vulnerabilidade a alguns pilotos. E revela uma série de truques e artimanhas que desconcertam a todos e fogem dos padrões de combate das criaturas. O fato de Nagate ter recuperado um pedaço específico da placenta de um gauna fornece instrumentos de pesquisa adicionais aos que os cientistas de Sidonia já possuíam. É aí que surge um velho fantasma de alguns anos atrás: a pesquisa de quimeras entre humanos e gaunas. Algo que será amplamente abordado em edições posteriores, mas que começa a aparecer aqui. Ou seja, nesta edição continuamos a ver os gaunas ganhando mais e mais inteligência e utilizando formas de ataque que não se assemelham a situações anteriores. O comportamento deles já não é mais o mesmo. Falta descobrir o que mudou já que os ataques deles não eram tão comuns no passado.


Cresce a narrativa de coexistência com os gaunas. Segundo as pessoas ligadas a esse movimento, as criaturas atacam por causa das kabizashis usadas pelos guardiões. Por serem pedaços de órgãos deles, isso serviria como uma espécie de radar. Além de estimular seus ataques, já que os seres humanos poderiam ser vistos como hostis. Até mesmo Shinatose começa a pensar nessa possibilidade, cansada de ver pessoas queridas sendo mortas a cada nova investida. A guerra tem custado a todos no lado emocional. Várias equipes perdem integrantes valiosos nessa edição, algo que dá uma certa melancolia a todos. Principalmente quando os gaunas ficam mais e mais inteligentes e matá-los se torna ainda mais complicado. As vitórias de Nagate, por mais absurdas que algumas delas sejam, levanta a moral de todos e afirma a eles que não é para desistir agora. E que se todos unirem suas forças, os obstáculos podem e devem ser superados.


As duas edições são muito boas e tocam para frente uma história que se torna cada vez mais misteriosa. Ao final dela, somos deixados com mais perguntas do que tínhamos começado, apesar de obtermos algumas respostas como, por exemplo, a origem de Nagate, das kabizashis, os erros cometidos há cem anos e quem são os membros do Comitê Imortal. Claro que Nihei também dá umas quebradas no clima apresentando o cotidiano dos pilotos e o divertido triângulo amoroso entre Nagate, Chinatose e Midorikawa. Serve como um alívio cômico para uma história que vai ficando bastante pesada. A arte ficou meio lá e cá nestas duas edições: o volume 4 me agradou mais porque gosto dos designs de interior e de criaturas do Nihei. Quando ele se foca mais no combate espacial, o leitor se sente meio perdido porque não sabe bem o que está acontecendo.












Ficha Técnica:


Nome: Knights of Sidonia vols 3 e 4

Autor: Tsutomi Nihei

Editora: JBC

Tradutor: Denis Kei Kimura

Número de Páginas: 190 cada volume

Ano de Publicação: 2016


Outros Volumes:

Vols. 1 e 2

Vols. 5 e 6

Vols. 7 e 8


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