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Depois de comentarmos sobre as nossas leituras e os livros que curtimos, hora de falar sobre os quadrinhos. E tive contato com muita coisa sensacional, sejam clássicos ou quadrinhos atuais.


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Chegamos à nossa última lista de melhores do ano. E para fechar com chave de ouro, nada melhor do que falar do que li no ano passado e que me marcou. Só para deixar claro, são as minhas leituras do ano passado, ou seja, tem muita coisa que não foi necessariamente lançada em 2023. Até porque tenho lido muito material clássico, quadrinhos que estava devendo a mim mesmo como A Saga do Monstro do Pântano ou até Sandman (que não li por inteiro). Aliás, compartilhem a lista de vocês também porque sempre é uma maneira de dar indicações a todos de ótimas leituras.


"Asa Noturna vol. 1" de Tom Taylor e Bruno Redondo


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Ficha Técnica:


Nome: Asa Noturna vol. 1

Autor: Tom Taylor

Artistas: Bruno Redondo, Rick Leonard (n. 82) e Neil Edwards (n. 82)

Arte-Finalistas: Bruno Redondo, Andy Lanning (n. 82) e Scott Hanna (n. 82)

Colorista: Adriano Lucas

Editora: Panini

Tradutor: Rodrigo Oliveira

Número de Páginas: 160

Ano de Publicação: 2022


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Sinopse: Asa Noturna está de volta, e sua vontade de manter Blüdhaven segura nunca foi tão forte! Mas sua cidade adotiva elegeu um novo prefeito com o sobrenome Zucco, o nome do assassino de seus pais. Ao investigar o passado do político com a Batgirl, ele desenterra detalhes que irão chocar e alterar para sempre o futuro do herói. Começa aqui a nova fase escrita pelo aclamado roteirista Tom Taylor (DComposição, Injustiça)!


Opinião: Este volume está no lugar do arco inteiro até onde li (que foi o volume 5) do Tom Taylor. Para mim, o roteirista tem feito um trabalho impecável no personagem e conseguiu fazer com que o Asa Noturna subisse de prateleira dentro da DC. Através das suas histórias, Taylor destaca as qualidades e os defeitos do personagem, fazendo-o até refletir sobre suas escolhas de vida. Há várias semelhanças entre o Dick e o Superman, no que diz respeito à própria definição de heroísmo. Taylor trabalha bastante essas similaridades, mas do ponto de vista de um indivíduo sem poderes, que precisa de outras pessoas que possam ajudá-lo a alcançar seus objetivos. Dick é um personagem que levanta os outros, que traz e enxerga o melhor das pessoas. A batalha por Bludhaven é também uma disputa entre o bem e o mal. Uma cidade que representa várias grandes capitais hoje onde a inércia e a desconfiança caminham lado a lado com a corrupção e o crime.


Tirando o volume 2, inventado no Brasil pela Panini para tentar vender a saga Estado de Medo (que era uma perfeita porcaria), Taylor consegue manter por vários volumes o interesse do leitor. Não há só um investimento em um protagonista forte, mas um elenco de apoio que dá condições para criar inúmeras histórias secundárias. O romance dele com a Batgirl já se tornou também parte da mitologia do personagem e a maneira como Taylor conduz, com respeito, a relação dos dois é bem legal. Não comprei o vilão que Taylor criou para ser o "arquiinimigo" do Dick e até ele tenta beber da influência do Silêncio, vilão do Batman que ganhou espaço durante a saga Batman: Silêncio. Sei que existe uma enorme diferença entre o background dos dois, mas dá para perceber alguns pontos em comum com a narrativa do Jeph Loeb.


"Dylan Dog Nova Série vol. 9" de Paola Barbato, Gianluca e Raul Cestaro


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Ficha Técnica:


Nome: Dylan Dog Nova Série vol. 9 - Das Cinzas às Cinzas

Autora: Paola Barbato

Artistas: Gianluca e Raul Cestaro

Editora: Mythos

Tradutor: Julio Schneider

Número de Páginas: 100

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: A vida do Investigador do Pesadelo está ruindo. Perseguido pelo inspetor Carpenter, sem clientes há meses e com um aviso de despejo imediato, Dylan se tranca em casa, atormentado por uma espiral de paranoia que o leva até a despedir Groucho, suspeito de armar contra ele. Uma enésima e inesperada reviravolta na vida do inquilino de Craven Road!


Opinião: Poderia ter escolhido qualquer uma entre várias edições do Dylan Dog. Se já gostava da série antes, passei a curtir ainda mais agora que peguei mais edições para ler. Qualquer roteiro da série é de alto nível, ou seja, a barra que o leitor espera para as histórias do detetive está lá em cima. Escolhi essa em particular por causa da versatilidade da Paola Barbato. Poucas vezes pude conhecer uma roteirista capaz de escrever um sem número de histórias em gêneros completamente distintos. Essa edição em particular é bastante voltada para o próprio personagem e suas inseguranças. Daquelas narrativas que empregam metalinguagem e que desgraçam a cabeça do leitor ao final. Nesta história específica o protagonista volta para casa e vê todo o seu mundo virado de cabeça para baixo. A casa em Craven Road representa o universo seguro do Dylan. Quando isso é retirado dele, Dylan perde a sua fundação e se sente inseguro para continuar seguindo em frente. A questão forte que fica na narrartiva é: o que está acontecendo é real? É alguma maldição? Ou não passa de uma confusão da cabeça do personagem? Barbato joga essas dúvidas na cabeça do leitor enquanto a trama avança.


Falar da arte em qualquer edição da série é sempre levar em conta um trabalho competente de artistas. É preto e branco na sua mais pura acepção. A habilidade em traduzir o roteiro em imagens e sequências fica claro desde o começo. E isso os leitores podem ver em qualquer edição. Outro ponto bacana é em como os roteiristas tiram influências de autores clássicos do gênero de terror: não é incomum vermos histórias onde mitos lovecraftianos são empregados ou tropos saídos de Edgar Allan Poe. Posso recomendar numa boa Dylan Dog e é uma pena que a Mythos tenha congelado as publicações da Nova Série. Todas as histórias tem um frescor diferente das edições clássicas e dialogam bastante com os problemas que vivemos na atualidade. Sem desmerecer o trabalho de monstros como Tiziano Sclavi, mas curto demais as histórias da Paola Barbato, do Ratigher e de vários outros que se tornaram constantes nessa nova fase do personagem.


"A Saga do Monstro do Pântano vol. 5" de Alan Moore, John Tottleben, Rick Veitch et al


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Ficha Técnica:


Nome: A Saga do Monstro do Pântano vol. 5

Autor: Alan Moore

Artistas: John Totleben, Rick Veitch

Arte-Finalista: Alfredo Alcala

Colorista: Tatjana Wood

Editora: Panini

Tradutor: Edu Tanaka

Número de Páginas: 168

Ano de Publicação: 2018 (nova edição)


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Sinopse: De 1983 a 1987, um jovem escritor britânico chamado Alan Moore revolucionou os quadrinhos dos Estados Unidos. Sua ousada abordagem na série do Monstro do Pântano, da DC Comics, definiu novos padrões para a narrativa gráfica e desencadeou uma revolução na nona arte que repercute até os dias de hoje. Partindo das premissas de horror gótico do título e construindo um marcante e intuitivo estilo narrativo e uma profundidade de caracterização sem precedentes, a visão de Moore foi traduzida assombrosamente em belos desenhos de colaboradores como Stephen Bissette, John Totleben, Rick Veitch e Alfredo Alcala. O resultado é uma das mais duradouras obras-primas dos quadrinhos.


Este volume reúne as edições: The Saga of The Swamp Thing (1982) 51-56, e inclui as clássicas histórias O Jardim das Delícias Terrenas e Meu Paraíso Azul, bem como um texto introdutório de Stephen Bissette.


Opinião: Terminei de ler as três edições finais de A Saga do Monstro do Pântano de Alan Moore e corrigi um dos meus defeitos de caráter por nunca tê-lo feito antes (falta Watchmen... mas, isso é outra história). Poderia indicar qualquer das três edições para vocês, mas preferi o volume 5 por ser um especial. Aqui tem várias histórias favoritas do público como as duas mencionadas O Jardim das Delícias Terrenas e Meu Paraíso Azul. Na primeira história, o Monstro toma posse da natureza em Gotham City e coloca-a contra os humanos que tanto a exploraram. Sim, é o encontro do Monstro com o Batman, de novo. É uma história repleta de camadas que mostra o quanto a humanidade usurpou o espaço que pertencia à fauna e à flora. Tem alguns momentos que são de partir o coração como o Monstro sendo queimado por uma população ensandecida ou o Batman agindo como um completo babaca ao longo de toda a narrativa. O tema da história também remete à opção sexual de Abby por se envolver com o Monstro entendido como um ser bizarro e não humano. A discussão de Moore pode ser totalmente trazida para os dias de hoje com as dificuldades que a sociedade tem de compreender a diferença entre sexo biológico e gênero. Moore precedeu em décadas isso.


Como fã de ficção científica, Meu Paraíso Azul é belíssimo. Um roteiro bem acabado, apresentando um Monstro tentando entender seu lugar em outro planeta onde ele é um ser extremamente poderoso. Só que ele se vê isolado, sem ninguém a seu lado. É então que ele assume o papel de Criador e percebe, muito tardiamente, as responsabilidades que vem com isso. É também quando discutimos que nenhum ser humano é uma ilha. Precisamos ser sociáveis e nos sociabilizar porque isso faz parte de nossos instintos como seres sencientes. O Monstro se perdeu completamente quando não foi capaz de se comunicar com mais ninguém. A história é fascinante e todo o volume está em um nível completamente diferente de histórias com um roteirista que é uma lenda até hoje e artistas do nível de um Totleben e até a entrada do Alfredo Alcala. Ao mesmo tempo, começamos a ver o Moore preparando-se para passar o bastão para Rick Veitch que tomará a frente das histórias do personagem após a saída do Mago.


"Na Mente de Sherlock Holmes" de Cyril Lieron e Benoit Dahan


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Ficha Técnica:


Nome: Na Mente de Sherlock Holmes

Autores: Cyril Lieron e Benoit Dahan

Editora: Pipoca e Nanquim

Gênero: Mistério

Tradutor: Fernando Paz

Número de Páginas: 108

Ano de Publicação: 2023


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Sinopse: O maior detetive de todos os tempos e seu fiel companheiro e biógrafo desvendam um mistério espetacular nesta história original baseada na famosa obra de Sir Arthur Conan Doyle! Um dos quadrinhos franceses mais inventivos de todos os tempos, com uma narrativa que simula a mente investigativa de Sherlock Holmes, chega ao Brasil num álbum extremamente luxuoso!


Em uma típica manhã de sexta-feira, um agente da polícia bate à porta da casa localizada no 221B da Baker Street, trazendo um velho conhecido do doutor Watson em condições lamentáveis. O estranho relato do sujeito chama atenção de um entediado Sherlock Holmes, que rapidamente percebe estar diante de um mistério muito maior.


As pistas envolvendo um enigmático espetáculo de magia, bilhetes com ideogramas chineses, um pó totalmente desconhecido e desaparecimentos aparentemente aleatórios atiçam a curiosidade do detetive-consultor, que se anima com a possiblidade de um caso que o desafie.


A editora Pipoca & Nanquim convida a todos para um passeio investigativo pela Londres do século XIX, atrás dos indícios que levem à resolução de uma nova e intrincada charada, em um álbum com formato grande (21 x 30 cm), capa dura com um furo na forma da cabeça do personagem (que revela uma bela arte de guarda atrás, interagindo com a capa) e 108 páginas coloridas impressas em papel offset de alta gramatura.


Aproveite esta rara e pitoresca oportunidade para ver, em tempo real e com detalhes, o funcionamento daquela que o doutor Watson um dia chamou de “a mais perfeita máquina de observação e raciocínio”: a mente de Sherlock Holmes!


Opinião: Esse quadrinho é uma aula sobre como a nona arte possui uma imensa flexibilidade narrativa. O que a dupla faz aqui é inacreditável. Em uma narrativa onde acompanhamos mais um caso impossível investigado pelo maior detetive da história da literatura, Cyril mostra um personagem muito humano e falho ao mesmo tempo em que é genial. Um homem desaparecido que aparece inesperadamente para Watson e cujo mistério vai se revelando uma enorme conspiração. Sherlock e Watson passam então a se deparar com uma terrível organização criminosa que os levará ao limite. O roteirista traz para o leitor um detetive inquieto que cuja mente funciona o tempo inteiro e cuja rotina é levada por sua curiosidade em solucionar quebra-cabeças. Cyril mostra ao longo da história o quanto foi capaz de compreender o personagem de Arthur Conan Doyle. É uma das histórias inspiradas no famoso detetive que eu mais gostei.


Mas, é preciso também comentar a respeito da arte de Benoit Dahan. Ele faz com que o leitor participe ativamente da investigação. Através de esquemas metanarrativos como direcionar o olhar, inserir pistas em pontos específicos e até esconder detalhes que pedem o emprego de algum elemento externo. São brincadeiras que só podem ser feitos com a mídia quadrinhos muito no que o Marc Antoine Mathieu faz na série publicada pela Comix Zone (que ainda não tive a oportunidade de ler). Isso dá um frescor especial e mostra o quanto ainda não foi explorado pelos desenhistas. Estamos tão acostumados com um produto americano pasteurizado que quando aparece algo diferente nossos olhos se abrem. É como se estivéssemos em uma pequena lagoa quando existe todo um oceano lá fora. A quadrinização que ele faz é algo de outro mundo: aproveitar desenhos para inserir elementos como balões ou imagens sequenciadas, muito no que Will Eisner fazia no passado. A página é como um quadro em branco que é preenchido pelo desenhista. Ele pensa em toda a página como uma tela e tudo que está presente ali interage entre si.


"Uma História Real de Crime e Poesia" de David L. Carlson e Landis Blair


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Ficha Técnica:


Nome: Uma História Real de Crime e Poesia

Autor: David L. Carlson

Artista: Landis Blair

Editora: Darkside

Gênero: Biografia/Fantasia

Tradutores: Bruno Dorigatti e Paulo Raviere

Número de Páginas: 457

Ano de Publicação: 2022


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Sinopse: “Você nunca será livre até que você se liberte da prisão em sua mente”, assim começa a premiada graphic novel de David L. Carlson e Landis Blair. Uma combinação perfeita de palavras e imagens que são usadas para nos contar a história de um pai cego, um filho órfão e sua conexão com o crime do século.


Tudo começa em um inverno de Chicago em 1959. Após a morte da mãe, o jovem Charlie Rizzo reencontra seu pai depois de uma longa separação. Ausência e dor logo dão espaço para um possível recomeço. Através do recurso de flashback, as leitoras e os leitores são impactados no início da leitura pelo possível incidente que causou a cegueira em Matt Rizzo. Na obra, Charlie também fica surpreso com a descoberta e se questiona por que nunca ouviu falar sobre o ocorrido antes.


Matt Rizzo levava a vida como corretor de seguros, mas nunca se distanciou do universo da literatura e da poesia, que descobriu enquanto esteve preso. Com o passar do tempo, Charlie aprende a viver como uma pessoa cega, ressignificando e se adaptando à condição de seu pai. A parceria e a dependência entre os dois cresce com o passar dos anos, porém Charlie não imaginava que seu próprio pai pudesse mantê-lo cego diante da verdadeira história de sua vida.


Toda a verdade vem à tona quando uma velha mala é encontrada. O inferno e o purgatório engolem as possíveis razões. Mentiras ecoam e distorcem a visão de Charlie sobre tudo ao seu redor.


Décadas depois do ocorrido, o verdadeiro Charlie contou a história de seu pai ao roteirista David L. Carlson, que a partir de então mergulhou numa pesquisa profunda para a escrita de Uma História Real de Crime & Poesia. Os talentos narrativos de Carlson se uniram aos do magnífico ilustrador e quadrinista Landis Blair, que os darksiders já conhecem por ter ilustrado Para Toda a Eternidade, de Caitlin Doughty.


Nas exuberantes páginas desta graphic novel de true crime, Blair elabora uma narrativa experimental, que dá conta de transmitir a angústia da cegueira, o desespero da prisão, e os feixes de esperança em meio a tudo que viveu e descobriu sobre Matt Rizzo. Cada quadro de Blair é uma combinação perfeita de caos, sombra e luz capazes de erguer dos traços uma beleza única.


Opinião: Mais um quadrinho que usa e abusa da arte gráfica para levar sua mensagem. Na história, o filho de Matt Rizzo, Charlie, se mete em encrencas o que faz com que seu pai se entristeça muito e se recorde de quanto tempo acabou preso por conta de erros em sua juventude. A relação entre pai e filho não é boa principalmente por conta do enorme vácuo deixado pela ausência de sua esposa. Toda a narrativa vai girar em torno de Matt contando como foi seu tempo na cadeia e de como ele foi colega durante muito tempo de um grande criminoso condenado pela justiça. É uma narrativa de redenção, mas não apenas isso. Durante o assalto que o levou à prisão, Matt ficou cego. Então vamos procurar "enxergar" um mundo da maneira como uma pessoa que perdeu a visão o compreende. Falando do aspecto narrativo, o autor bebe de muitas reflexões filosóficas e sociais como a questão carcerária, as relações entre irmãos, e a desigualdade social em uma população carcerária que perde o seu espaço na sociedade.


A arte é magnífica também. Assim como na HQ anterior, Carlson brinca com as páginas formando composições visuais que servem à sua visão narrativa. A arte também conta uma história. A maneira como os personagens estão dispostos em tela, o sombreamento, ou até uma abstração qualquer possuem um propósito final. Outro ponto bacana é como Carlson traduziu a habilidade musical do seu protagonista para as páginas. Algumas delas são lindíssimas e estamos falando de uma arte predominantemente em preto no PB. Para quem gosta de apreciar que elementos gráficos estão presentes, vale destacar a habilidade do autor para a hachura. Essa mecânica serve inclusive para mostrar os demônios que habitam a mente e o coração do protagonista. Em alguns momentos esse hachurado fornece uma sensação de claustrofobia que remete diretamente à condição de preso de Charlie.


"Mugiko" de Gianfranco Manfredi e Pedro Mauro


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Ficha Técnica:


Nome: Mugiko

Autor: Gianfranco Manfredi

Artista: Pedro Mauro

Editora: Trem Fantasma

Gênero: Espionagem

Tradutor: Lucas Pimenta

Número de Páginas: 128

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: O prisioneiro Ivan Ivanovic foi o soldado mais frio, determinado e preciso da União Soviética, mas sua insubordinação o levou a ser encarcerado na Sibéria.


Acontece que a Pátria Vermelha precisa novamente de seus serviços e Ivan ressurge como MUGIKO, o agente secreto mais mortífero, sedutor e cínico que o mundo já viu. Uma intrincada trama de espionagem e aventura saída da mente genial de Gianfranco Manfredi e soberbamente ilustrada pelo brasileiro Pedro Mauro. Originalmente publicada pela Sérgio Bonelli Editore, no título Le Storie, Mugiko é o primeiro trabalho internacional de Pedro Mauro editado no Brasil.


Opinião: Gente, eu sou fã de carteirinha do Pedro Mauro. Já tive a oportunidade de vê-lo em duas oportunidades durante a CCXP e ele sempre me recebeu com carinho e atenção. Um crime não termos valorizado a habilidade gráfica do Pedro há mais tempo. O que o Pedro desenha é uma enormidade, e não à toa ele se tornou um artista muito badalado pela Sergio Bonelli Editore. Uma editora onde apenas a nata da nata trabalha. Mugiko é uma publicação que saiu pelo selo Le Storie por onde passaram inúmeros trabalhos extraordinários. A narrativa é uma grande aventura de espionagem com um personagem bastante inspirado no 007, de Ian Flemming. É uma história de ação, com perseguição, tiroteio, beldades, tudo o que você pode esperar nesse tipo de história. Manfredi, outro monstro das publicações italianas, nos traz uma narrativa dinâmica, despretensiosa e divertida que vai agradar a qualquer leitor. A arte do Pedro Mauro é um escândalo de boa e ele usa e abusa dos quadros que passam uma energia e um vigor únicos. Às vezes uma narrativa despretensiosa pode ser tão interessante quanto aquela que lhe traz alguma crítica ou discussão. E é isso o que Manfredi e Mauro nos trazem aqui. Aquela coisa de desligar o cérebro por alguns momentos e apenas nos divertir com uma boa história.


"Primavera em Tchernobil" de Emmanuel Lepage


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Ficha Técnica:


Nome: Primavera em Tchernóbil

Autor: Emmanuel Lepage

Editora: Geektopia

Gênero: Não-ficção

Tradutor: Fernando Paz

Número de Páginas: 169

Ano de Publicação: 2020


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Sinopse: O mundo seguiu seu curso, mas muitas pessoas ficaram para trás. Descubra o que aconteceu com elas neste documentário em quadrinhos sobre tragédia e morte, pessoas e terra. E sobre o que resta depois de um desastre. 26 de abril de 1986.


O núcleo do reator da usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia, começa a derreter, desencadeando o maior desastre nuclear da História. Enquanto o mundo dormia, uma nuvem carregada de radiação viajou por milhares de quilômetros em todas as direções, contaminando cinco milhões de inocentes. À época, Emmanuel Lepage tinha apenas 19 anos.


Mais de 20 anos depois, em abril de 2008, um grupo de ativistas e artistas visita Tchernóbil a fim de documentar a vida dos sobreviventes da tragédia, que vivem nas terras contaminadas. Enviado para representar paisagens brutais de desastre e a loucura do homem, Emmanuel Lepage se surpreende com a inesperada beleza que encontra naquele inóspito lugar. “Primavera em Tchernóbil” é o resultado do que ele testemunhou.


Opinião: Estamos discutindo já há alguns anos sobre as alterações climáticas ocorrendo no nosso planeta. Isso se tornou pauta até de políticas públicas nacionais (e já não estava na hora né). Materiais de ficção e/ou quadrinhos que se engajem nesse debate se tornaram best sellers em pouco tempo. Ah, então Primavera em Tchernóbil é sobre alteração climática? Sim e não. Esse é o diário de viagem do Lepage enquanto ele fez um ensaio artístico em Tchernóbil. Ele passa algum tempo junto com um grupo de outros ativistas e procura registrar os seus dias no local. O que vale a pena perceber no discurso feito pelo autor é que ele teve um forte impacto com essa experiência já que estar lá e vivenciar a vida em um ambiente extremo é completamente diferente das informações que lhe foram repassadas. Isso permitiu a ele formar uma nova imagem sobre o local, pensar um ambiente maltratado pelo homem a partir de outro prisma. Pensando retrospectivamente, me incomodou um pouco a postura não necessariamente crítica e meio em cima do muro do Lepage. Mas, okay.


Daí entro no segundo ponto. A arte do Lepage é magnífica e a cada página somos presenteados ora com uma atmosfera melancólica em tons de preto e cinza, ora deslumbrantemente colorido, mostrando uma natureza que se adaptou e se transformou a um novo ethos. E aí é que entra o motivo de eu ter trazido a questão das mudanças climáticas. Não importa o que o homem faça a si próprio: guerras, poluição, lançar gases na atmosfera. As alterações climáticas afetam os seres humanos e não a Terra. O planeta não vai explodir por causa das alterações. Quem vai desaparecer somos nós, fruto de nossa destruição desenfreada de um ambiente que nos acomodou. Esse quadrinho é exemplar em nos mostrar o quanto a natureza pode ser maravilhosa mesmo em função de um desastre. A vida natural vai arrumar um jeito de se adaptar. Seja a partir da inclusão de novas espécies, seja agregando o novo espaço ao seu habitat.


"Asterios Polyp" de David Mazzucchelli


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Ficha Técnica:


Nome: Asterios Polyp

Autor: David Mazzucchelli

Editora: Quadrinhos na Companhia

Gênero: Ficção

Tradutor: Daniel Pellizzari

Número de Páginas: 344

Ano de Publicação: 2014


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Sinopse: Ao lado de nomes como Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman, o artista David Mazzucchelli foi um dos grandes responsáveis pela revolução nos quadrinhos no fim da década de 1980. Seu trabalho em séries como Demolidor: O homem sem medo e Batman: Ano 1 até hoje é referência do que foi feito de melhor no campo dos super-heróis. Depois de anos publicando apenas pequenas histórias autorais, Mazzucchelli voltou-se para esta que é a mais ambiciosa de suas histórias. Asterios Polyp é ao mesmo tempo um estudo sobre as possibilidades narrativas dos quadrinhos, um livro de design, estética, filosofia e, por que não, humor. Tudo isso sem sacrificar a trama, tão envolvente quanto os desenhos do autor. O Asterios do título é um arquiteto de cinquenta anos, cujo renome vem exclusivamente de seus trabalhos teóricos. Mulherengo, misógino e de uma arrogância quase inacreditável, ele vê seu passado se esfacelar após um incêndio que consome sua casa. Tendo salvado apenas uns poucos objetos pessoais, Asterios parte numa viagem de ônibus, até onde o dinheiro em seu bolso puder levá-lo. No coração dos Estados Unidos, ele encontrará uma nova família, enquanto coloca em perspectiva os principais acontecimentos de sua vida. Quem conta a história de Asterios é Ignazio, seu irmão gêmeo natimorto. A partir desse contraponto, Mazzucchelli cria um verdadeiro jogo de espelhos, uma trama ao mesmo tempo densa - que permite diversas leituras - e fluida como um bom romance. Para narrar a vida desse personagem complexo e multifacetado, Mazzucchelli levou a linguagem dos quadrinhos a um novo patamar, e na aparente simplicidade do traço se esconde um trabalho maduro e uma poderosa reflexão sobre o sentido dos relacionamentos, da arte, da família e, em última instância, da vida.


Opinião: Mais um erro quadrinístico resolvido na minha vida. Não há muito o que falar sobre Asterios Polyp a não ser leia e tenha sua vida alterada drasticamente. A história é emocionante e mostra um protagonista que é um cretino inicialmente. À medida em que a narrativa alterna entre passado e presente, momento no qual o personagem aparece com uma postura mais humilde e desejando encontrar um novo rumo em sua vida. Como um personagem arrogante, cheio de si e canalha conseguiu se transformar nesta outra pessoa? Um tipo de história que já foi vista em literatura, cinema e outras mídias, mas que Mazzucchelli faz com maestria. Não consigo encontrar um único problema de roteiro e só elogiar a forma como o autor explorou seu elenco. As mudanças temporais não atrapalham a compreensão e arte e roteiro trabalham como complementares. É impossível não se emocionar com esse quadrinho principalmente quando vamos chegando ao final. De certa forma, ficamos torcendo para um encaminhamento específico para Asterios, mas o final mais engrandecedor foi a melhor opção.


A arte é uma covardia de boa. Mazzucchelli estava no ápice de sua forma e a opção pelo emprego de cores específicas para cada uma das partes foi maravilhosa porque permitiu a ele brincar com as palhetas de cores. Existe todo um simbolismo por trás de suas opções gráficas. É uma segunda camada de interpretação para a história. Conseguimos fazer deduções sobre a personalidade dos personagens e as opções de vida que fizeram. A quadrinização está em outro nível, muito reminiscente do estilo de Will Eisner. Aproveitar o quadro e a arte como um todo para preencher uma cena. Ler Asterios Polyp é assistir uma aula de um grande mestre dos quadrinhos. O emprego de ferramentas de colorização, o posicionamento dos quadros, como empregar balões de diálogo, o impacto emocional das cenas. Está tudo ali. É só ir dissecando cada uma.



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Na cidade de Aren, Tavore lida com as consequências dos acontecimentos que culminaram na morte de Coltaine. Com um exército inexperiente e sem motivação para lutar, ela precisa destruir os exércitos do Furacão, liderados pela misteriosa Sha'ik. Mal sabe Tavore que Sha'ik é, na verdade, sua irmã desaparecida Felisin. Neste sangrento volume, teremos uma guerra de irmã contra irmã que definirá o destino do Império Malazano.


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Sinopse:


Na parte norte de Genabackis, um grupo de pilhagem formado por guerreiros tribais selvagens descem das montanhas rumo às planícies do sul. Seu objetivo é levar o caos rumo aos odiados habitantes das planícies, mas para aquele chamado Karsa Orlong isto marca o início do que irá se provar ser um destino extraordinário.


Alguns anos depois, nos deparamos com as consequências com o que ficou conhecido como a Corrente de Cães. Tavore, a adjunta da Imperatriz chegou no último bastião dos territórios das Sete Cidades em Genabackis. Nova no comando, ela deve aprimorar e treinar doze mil soldados, muitos deles recrutas ainda crus embora tenha um grupo de veteranos da lendária marcha de Coltaine, e torná-los uma força capaz de desafiar as horadas maciças do Furacão de Sha'ik que está à espera no coração do Deserto Sagrado de Raraku.


Mas, esperar nunca é fácil. Os chefes da guerra da profeta estão envolvidos em uma disputa de poder que ameaça a própria alma da rebelião, enquanto a própria Sha'ik sofre, assombrada pela sombra de sua nêmese: sua própria irmã, Tavore. E assim começa mais um novo capítulo do Livro Malazano dos Caídos, de Steve Erikson...



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Tem spoilers de volumes anteriores!!!!





Visão Geral do Volume:


Neste quarto volume, Erikson começa sua narrativa de uma maneira diferente. Ele costuma nos colocar no meio da ação, em algum acontecimento caótico para depois ampliar a lupa e construir aquele momento a partir dos acontecimentos que o tornaram realidade. Isso é feito através de algum personagem-orelha que atua como observador e apenas nos descreve o momento específico e depois ele nos passa para os personagens que serão realmente importantes para a narrativa. Em House of Chains, Erikson decide nos confinar a um pequeno espaço com um elenco pequeno de personagens e a partir dessa abordagem micro, ele vai nos dando uma noção aproximada do que ele pretende construir neste volume. Vamos ficar quase um quarto deste livro com estes personagens, algo também inédito até então. Particularmente, gostei dessa maneira de nos fazer imergir neste volume, porque nos faz criar laços com alguns personagens como Karsa, Torvald e até mesmo os traficantes de escravos.


Chegamos em um momento da série em que é importante saber dos acontecimentos anteriores que vão moldar boa parte do que acontece aqui. Sugiro que quem deu um espaço grande entre os volumes, busque na internet um resumo do que aconteceu para não ficar perdido. Só vou dar alguns toques que serão importantes:


  • Antes de mais nada, esse volume acontece alguns anos depois da Corrente de Cães. Foi uma marcha liderada por um homem chamado Coltaine que buscava resistir à invasão dos Malazanos ao continente de Genabackis. Era uma corrente formada por pessoas simples que acabaram pegando em armas e lutando contra os invasores apenas para se defender. A marcha seria apenas para escoltar inocentes de Genabackis até Aren. A perseguição aos refugiados é um golpe contra as intenções dos malazanos de ficarem em Genabackis já que isso acaba por alimentar a rebelião de Sha'ik. Tavore acaba sendo enviada para lá para cuidar da invasão malazana.

  • É importante sabermos quem Icarium é, porque ele tem participação importante nesse quarto volume. Ele tinha perdido a memória e aos poucos descobre que ele é um Jhag e fez parte da luta terrível entre Soletaken e D'ivers no segundo volume. A gente descobre alguns segredos importantes que envolveram os Tlan Imass e os Teblor.

  • No terceiro volume de Malazan, vimos o verdadeiro inimigo que está movendo suas peças pelo tabuleiro: o Deus Aleijado. Ele era um deus poderoso nos tempos antigos que, graças à interferência dos demais deuses, perdeu seu posto no panteão e passou a ser usado pelos humanos como fonte de poder. Afastado do panteão, seu espírito foi se tornando corrompido e ele consegue retornar ao Panteão graças a um jogo perigoso que envolveu o Pannion Domin, Ben Ligeiro e Ganoes Paran. O Deus Aleijado corrompeu os Labirintos, veículos de magia usados pelos feiticeiros, e estes ameaçavam destruir a própria existência. Sem mencionar que ele vinha pressionando a deusa adormecida Burn, essência da própria terra. Paran usa seus novos poderes como Mestre do Baralho, para devolver o Deus Aleijado ao Panteão e obrigá-lo a seguir as regras dos demais deuses.

  • O Deus Aleijado assumiu o Domínio Fragmentado e escolheu como rei do Domínio o imortal Kallor. Agora, seu novo Domínio parece estar se reestruturando e este vem acumulando mais e mais autoridade.

  • No último volume, todos os Queimadores de Pontes que integraram a campanha contra Darujhistan fizeram parte do exército do Punho e enfrentaram as forças do Pannion Domin e seus Tenescowri. Quase todos morreram com exceção de alguns poucos. Em Genabackis, sobraram Kalam e Apsalar.


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Aspectos específicos:


"Quantos de nós se ajoelham perante um deus em uma esperança desesperada de que nós podemos mudar nosso destino? Rezar para aquele rosto familiar afasta nosso terror do desconhecido - o desconhecido sendo o futuro."

Somos apresentados no livro 1 deste quarto volume a Karsa Orlong, um Teblor. Os Teblors são um grupo de selvagens nômades, bastante inspirados nas tribos mongóis da Idade Média, que habitam as montanhas. São gigantes com um físico avantajado, uma alta resistência a magia e empregam o óleo de sangue, uma substância que eles passam em suas rudimentares espadas de cabo de madeira, mas que dão a elas um poder destrutivo incrível. O óleo serve também para dar ao guerreiro a loucura capaz de atravessar um combate com poderes brutais. Os Teblors são divididos em várias pequenos tribos como os Sunyd, os Rathyd e os Uryd (sendo que Karsa pertence aos Uryd). Existe toda uma rivalidade entre esses povos e eles são adeptos de incursões onde eles atacam os pequenos assentamentos, destroem tudo e depois saem com suas pilhagens. Os Teblors acreditam nas Faces da Rocha, um panteão formado por sete deuses primitivos que os estimulam a verter sangue para honrá-los. Karsa é adepto de Urugal, considerado um dos mais sanguinários do panteão. Dentro de sua comunidade, o avô de Karsa, Pahllk é venerado como um chefe guerreiro poderoso que conseguiu levar a força dos Teblors até a Lagoa de Prata onde vivem os homens das planícies, seres que os Teblors encaram como inferiores. Mas, a tribo dos Uryd parece ter estabilizado no tempo, já que o pai de Karsa, Synyg, não se interessa por guerras e tem uma visão mais pragmática sobre o desenvolvimento da tribo.


Começamos com Karsa e seus companheiros Bairoth e Dellum alegando que irão mais longe do que Pahllk. Eles desejam recuperar a glória da força dos Uryd, levando o terror aos rivais Rathyd e Sunyd. Karsa parte em sua incursão, mesmo contra a vontade de seu pai. Mas, vamos ver que o mundo que Karsa conhece é muito pequeno comparado ao que ele irá vivenciar. Parece que as Faces na Rocha tem um plano para Karsa e isso irá envolver todo um comprometimento do guerreiro de despejar sangue por toda a parte. Mesmo com a força absurda de Karsa e de seus companheiros, veremos que isso só parece fácil. Os habitantes da planície que eram considerados crianças pelos Teblors, agora são mais organizados e chegaram a escravizar uma das tribos. Karsa se depara com uma força estranha que alega que os Teblors foram isolados nas montanhas por muito tempo graças a uma outra raça que não queria que eles se multiplicassem. E Karsa é feito escravo durante um ataque insensato na Lagoa Prateada. O mundo do personagem cai de cabeça para baixo e ele segue cegamente a voz de Urugal, a quem ele antes confiava, mas agora possui muitas dúvidas.


"Forme uma opinião, repita-a com frequência e logo todos estarão falando-a de volta para você e então ela se torna uma convicção, alimentada por uma ira sem razão e defendida com armas saídas do medo. Até certo ponto quando as palavras se tornam vazias e você é deixado com uma luta até a morte."

Nesse primeiro livro vamos conhecer os Teblors. E eles servem para mostrar mais duas novas raças do mundo de Malazan que ainda não havíamos tido contato. O mais próximo de Karsa é Toblakai, que faz parte do grupo que protege Sha'ik (aliás... guardem essa informação porque ela é importante). Karsa é um jovem que quer resolver todos os seus problemas através da força. Por ele ser tão impressionante, se torna um chefe guerreiro, liderando seus dois companheiros em incursões. Acreditem... só 3 Teblors fazem um estrago danado. À medida em que ele vai aumentando o seu conhecimento de mundo, isso vai fazendo-o entender mais qual é o seu lugar neste contexto estranho que ele se vê envolvido. Mais do que isso: ele vai descobrir que muito do que ele sabia sobre a incursão anterior à Lagoa Prateada não passava de mentiras e exageros. Seu objetivo se quebra a partir do momento em que seu pai tinha mais razão do que seu avô. Esse amadurecimento de Karsa vai se dando com suas perdas e frustrações. Mesmo seu grande poder não é capaz de o tirar das diversas adversidades nas quais ele se vê tragado. Ser aprisionado por humanos comuns que eram antes considerados crianças é humilhante para ele.


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A amizade que Karsa vai desenvolver com Torvald Nom, um daru que tinha sido capturado pelos traficantes, é que vai fazer Karsa repensar muito do que ele considerava como certo em sua vida. Torvald vai fornecer ao Teblor a visão de mundo necessária para ele amadurecer e se tornar o guerreiro que ele mesmo desejava ser. Para isso, o Teblor vai precisar mudar suas concepções. Ser menos impulsivo em suas ações. Entender que nem tudo pode ser resolvido com o fio de uma espada. Se um Teblor é perigoso sendo o berserker que é, imagine se Karsa ganhar a habilidade de ponderar sobre seus problemas, entender quais batalhas lutar e com quem se aliar. Até porque Karsa não desistiu de levar o caos ao mundo, ele apenas percebeu que é preciso ser mais inteligente e escolher melhor as suas batalhas. No fundo disso, Karsa e Torvald foram parar no Domínio Fragmentado e causaram algum tipo de efeito lá que vai ter consequências para os planos do Deus Aleijado.


É no segundo livro que voltamos à narrativa nos tempos atuais da trama. Somos transportados a um cenário bem diferente daquele do segundo livro. Lá atrás tivemos a morte de Coltaine e sua corrente de refugiados sofrendo com traições, deserções e todo o tipo de atrocidades na cidade de Aren. Os acontecimentos de Memories of Ice deixaram o Império Malazano ainda mais enfraquecido no continente. Poucas cidades se encontram sob o domínio de Laseen, sendo Aren uma delas. Tavore se torna a comandante-chefe das forças malazanas e precisa encontrar uma maneira de destruir o exército do Furacão e Sha'ik. Tavore contava com o auxílio das tropas do Punho Dujek que viria apoiá-los pelo norte. Só que a perda maciça de homens da tropa de Dujek e a morte de quase todos os Queimadores de Pontes (incluindo Whiskeyjack) cai como uma bomba no colo de Tavore. Subitamente ela perdeu as tropas mais experientes do Império. Tudo o que ela tem são os homens de Aren que são formados pela sobre das tropas de Coltaine e alguns recrutas conseguidos na cidade. Uma perspectiva péssima para uma comandante que também é inexperiente. Tavore ostenta um ar analítico e calculista que pode vir a ajudar nos momentos mais difíceis e ela procura se controlar em boa parte do tempo. Mesmo em situações bem estressantes, a personagem sempre aparenta tranquilidade. Isso vai ser colocado à prova o tempo inteiro. O seu envolvimento com uma concubina que é basicamente sua esposa vez ou outra é colocado em questão pelas tropas, o que ela retruca com uma acidez terrível. Lembrando ainda que Tavore não sabe que Sha'ik, líder do exército revolucionário e avatar do Furacão, é nada mais, nada menos do que Felisin, sua irmã mais nova. Então, o grande núcleo deste quarto volume é uma guerra violenta entre duas irmãs. A única pessoa que poderia impedir algo terrível acontecendo entre elas, Paran, o irmão mais velho, está desaparecido desde Memories of Ice. Agora ele é o mestre do Deck do Dragão.


"Os habitantes das planícies se espalharam pelo mundo como vermes [...] e estava claro que eles se odiavam. Enquanto isso era um sentimento que Karsa conseguia entender - pois tribos deveriam odiar umas às outras - era óbvio que, entre os habitantes da planície, não havia nenhum senso de lealdade. Karsa era Uryd, mas também era Teblor. Os habitantes das planícies pareciam tão obcecados com suas diferenças que não conseguiam compreender o que os unia."

Mas, algumas coisas podem estar conspirando a favor de Tavore. Primeiro é que ela não sabe que um dos sargentos de seu exército é Violinista, um dos Queimadores de Pontes, que agora se apresenta com outro nome, Cordas. Segundo é que Cotillion, a Corda, parece estar muito interessado na presença dos malazanos no subcontinente das Sete Cidades. Vamos entender um pouco do que Cotillion planeja no final deste volume, mas a Corda começa a agir pontualmente para dar algumas vantagens para Tavore. Primeiro ele envia Kalam (outro dos Queimadores de Pontes remanescentes) para reunir algumas tropas para auxiliar os malazanos. Justo Kalam, o assassino entre os Queimadores e que detesta comandar tropas. Aliás, Kalam vai dispor da ajuda de um ser bem estranho ao longo deste volume. Estranho e mortífero. A Corda também envia Cutter (antes conhecido como Crokus) para uma ilha nômade que servia de lar para os Tiste Andii. Lá Cutter tem a missão de auxiliar jovens Tiste Andii a derrotar seus rivais Tiste Edur. Só que este grupo de Andii é bem diferente dos homens de Anomander Rake. Então os planos de Cotillion vão permear todo este volume. Além de uma certa mudança na personalidade do Ascendente. No volume anterior, Cotillion tomou algumas decisões horrorosas e que levaram a todo o desastre no confronto com o Pannion Domin. Não preciso nem dizer que o conselho de Cotillion para confiar em Kallor foi péssimo. Principalmente porque a pessoa a quem ele disse para confiar foi morta pelo próprio Kallor. Então temos um deus mais reflexivo e compassivo.


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Por falar em Crokus, agora Cutter, este agora serve em missões para Cotillion. Tudo para estar ao lado de sua amada Apsalar. Só que essa vontade de estar ao lado de seu amor não foi algo que lhe deu muitos benefícios. Primeiro porque de um simples ladrão e malandro, ele foi obrigado a se tornar um assassino. Isso fez com que ele precisasse realizar várias missões das quais ele se arrepende profundamente. Sem mencionar que Apsalar se tornou algo diferente da garota simples que ele conheceu no passado. Apsalar contém as memórias e parte da personalidade do próprio Cotillion. Isso fez dela uma pessoa fria e cruel, que vê os humanos como seres passíveis de serem mortos se estiverem no caminho de seus planos. Cutter não vê nem sombra de um mínimo de bondade e sentimentos em seu coração. Sabe que seu amor não será correspondido. É então que Cotillion busca a ele para enviar para a ilha nômade. Ele e não Apsalar. As respostas do motivo que levou Cotillion a pedir justamente a Cutter não são algo que ele vai gostar de saber. Nesse sentido vamos ver que Cutter está tentando entender o que ele está fazendo e qual o seu papel no plano geral das coisas. Com o seu coração e sua vontade perdidas, ele segue meio que para onde o vento o leva. E em uma situação que exige atenção e cuidado das partes envolvidas em algo muito maior do que a compreensão humana, isso pode levar à morte certa.


"A Ascensão era mais um entre os diversos mistérios do mundo, um mundo onde a incerteza governava a todos - deuses e mortais - e suas regras eram impenetráveis. Mas, parecia a ele, que ascender era também se render. Abraçar o que, para todos os propósitos, poderia ser chamado de imortalidade era, ele começou a acreditar, pressagiado por um dar de costas. Não era o destino de um mortal - destino, ele sabia, era a palavra errada para isso, mas ele não conseguia pensar em outra - abraçar sua própria vida, como se fosse uma amante? A vida, com toda a sua fragilidade, era uma fragilidade momentânea."

Algo que Erikson sempre faz e que acho legal é nos colocar no meio das coisas. Um dos personagens que nos guiam durante a narrativa é o Violinista que está no sétimo batalhão malazano. E lá nós vamos conhecer a galerinha da pesada que está lidando com um exército desfalcado. E com Tavore se mantendo bem distante de tudo. Conhecemos o conselheiro Gamet, um homem leal à família Ganoes e que de um simples guarda de honra se transforma no novo Alto Punho. Gamet é um homem acostumado com números, com tarefas burocráticas. Se ver no meio de uma guerra ao lado de Tavore, que está tateando sua habilidade como comandante, é algo completamente acima da alçada dele. Violinista começa a liderar alguns homens bem interessantes: Bottle, um mago cujo Labirinto ele prefere não revelar qual usa; Smiles, uma garota completamente maluca e que sempre cai na porrada com alguém; o preguiçoso Cuttle que se revela um soldado multi-talentoso; Koryk, que parece ser um dos poucos com miolos no lugar e Truth, que não sabe por que está ali. É como se o Violinista estivesse experimentando os sentimentos que Whiskeyjack teve quando liderava os Queimadores de Pontes. E o apego que ele tinha aos seus homens. Vamos acompanhar também como Tavore vai lidar com as pequenas picuinhas entre os comandantes como com Blistig, Tene Baralta e o sortudo capitão Keneb.


Se Tavore está tendo suas dificuldades, Sha'ik não fica atrás. Se preparando para um futuro ataque contra os malazanos, Felisin precisa entender o funcionamento das políticas e rivalidades perigosas entre seus capitães. Se Tavore tem a inexperiência como problema principal, Felisin tem a traição e um possível assassinato (dela) no horizonte. Kamist Reloe e Korbolo Dom são os homens mais perigosos de seu acampamento. Korbolo tem pretensões muito acima de sua posição. Sua ambição consiste em usar o exército de Sha'ik como moeda de troca para conseguir se aproximar de Laseen e assassiná-la para se tornar o futuro imperador. Kamist Reloe é um mago extremamente cauteloso em suas ações, que desconfia até de sua própria sombra. A aliança tênue entre Reloe e Dom é o que vai colocar boa parte das tensões no deserto sagrado. Mas, existem outros problemas. Por exemplo, Bidithal é um mago poderoso e provavelmente o mais poderoso por ali. Mas, suas peculiaridades e preferências sexuais (por jovens meninas... jovens de verdade mesmo) o fazem ser repudiado. Principalmente porque ele "caça" dentro do próprio acampamento de Sha'ik. Heboric das Mãos Fantasmagóricas teme que Bidithal se volte para a filha adotiva de Sha'ik e isso cause um tremendo alvoroço. Só que Heboric também tem suas preocupações. Lembrando que ele é um clérigo decaído de Fener e que não tinha mais suas mãos. Mas, por conta dos acontecimentos no segundo volume, ele conseguiu mãos fantasmas que estão ligadas ao tempo em que ele e Felisin estavam nas minas de otataral. A ele é aconselhado retornar às minas e à estátua de jade que lhe deu as mãos fantasmas porque estas parecem estar ligadas a alguma estranha força mística que pode atentar contra a vida de todos. Ah... e eu já disse que o deus-javali Fener perdeu a sua divindade e teve os seus domínios tomados pelo Tigre Treach? Pois é. As complicações não param e Heboric subitamente precisa se ajoelhar perante um estranho deus cujos objetivos são bem diferentes dos de Fener.


"Pedras, mares, florestas, cidades - e todas as criaturas que já viveram - todas compartilham a mesma luta. A existência resiste à não existência. A ordem guerreia contra o caos da dissolução, da desordem. Karsa Orlong, esta é a única verdade, a maior delas. O que os próprios deuses veneram, se não a perfeição? A vitória absoluta sobre a natureza, contra a incerteza da natureza. Existem muitas palavras para esta disputa. Ordem contra caos, estrutura contra dissolução, luz contra trevas, vida contra morte. Mas todas elas significam a mesma coisa."

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Nesse volume temos mais algumas respostas sobre o que são os labirintos e como eles funcionam. Para quem imaginava que eles eram apenas combustíveis para que os feiticeiros usassem magias ou lugares de domínio dos deuses, bem... também são. Mas, muito mais. Existem relações intrínsecas entre os labirintos, além da possibilidade de serem invadidos por outros deuses, sejam eles ativos ou dormentes. Vimos um pouco disso no volume anterior quando Treach, o Tigre do Verão, invadiu o Domínio das Feras, controlado por Fener, o Javali e este perdeu o seu controle sobre o labirinto. Treach tomou os sacerdotes de Fener e se tornou o novo deus das feras. Algo que vemos nesse volume com Heboric precisando se ajoelhar para um novo deus. E tendo suas características físicas alteradas por conta de sua influência. Em House of Chains, um dos temas que ficam no fundo é a relação entre luz, trevas e sombras; ou Kurald Thyrllan, Kurald Galain e Kurald Emurlahn, os três labirintos respectivos. Conhecemos as raças representantes destes labirintos anciãos, os Tiste Liosan, os Tiste Andii e os Tiste Edur. E a visão que cada uma destas raças tem sobre o domínio do mundo material. Os Andii como seres das trevas assustadores e poderosos personificados na figura de Anomander Rake. Ou os ordeiros Tiste Liosan, com sua arrogância infinita e a visão de superioridade sobre as outras raças. Os os guerreiros Edur que veem na conquista a razão de suas vidas. Estamos nos referindo a apenas três labirintos e a como este volume da série dá uma nova visão sobre como entendê-los. Embora Erikson explique muito sobre o poder dos deuses e de seus domínios saímos com ainda mais dúvidas. Ou melhor, novas. E isso é ótimo porque abre todo um leque de possibilidades.


"Não é incomum ver os labirintos de Meanas e de Rashan como próximos. Ainda assim os jogos de sombras e ilusão não seriam jogos de luz? Em algum momento, portanto, a noção de distinções entre estes labirintos parou de fazer sentido. Meanas, Rashan e Thyr. Apenas o mais fanático dos praticantes entre seus praticantes iria se opor a isso. O aspecto destes três compartilha uma certa ambivalência; seus jogos são jogos de ambiguidade. Todos são enganadores, tudo é engodo. Entre eles, nada - nada mesmo - é o que parece."

Este quarto volume é um pouco diferente dos anteriores por ser um volume mais calmo e ritmado. Ele é denso de informações e se o leitor não tomar cuidado pode se perder bastante. Recomendo voltar capítulos quando algo não ficar claro e até buscar informações em volumes anteriores. Tem muito aqui reunido dos três volumes anteriores, principalmente do segundo. Lembrando que House of Chains é uma continuação direta de Portões da Casa dos Mortos por se passar no mesmo continente das Sete Cidades embora os acontecimentos de Memories of Ice tenham empurrado os acontecimentos, ou pelo menos acelerado muito. Existe toda uma confluência de narrativas, o que considero algo de extrema habilidade do autor. Erikson dá um sentido para que os vários núcleos narrativos estejam no mesmo lugar e nada disso parece forçado. A noite dos fantasmas em Raraku vai parecer um acontecimento pequeno agora, mas terá uma enorme influência no futuro. As maquinações do Deus Aleijado renderam alguns desenvolvimentos embora algumas de suas escolhas venham para morder o traseiro dele depois (Karsa Orlong). E a presença de Onrack e Trull Sengar não é voltada para este volume, mas para o próximo. Até porque... pasmem... Erikson vai nos levar para outro ponto do mundo... com personagens completamente diferentes e com conexões bem tênues com TODOS os personagens que ele apresentou até agora. Midnight Tides, o quinto volume, é um adorável mundo novo. E iremos falar dele em breve.


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Ficha Técnica:


Nome: House of Chains

Autor: Steven Erikson

Série: O Livro Malazano dos Caídos vol. 4

Editora: Tor Books

Número de Páginas: 1044

Ano de Publicação: 2006


Outros Volumes:


Link de compra:









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Duas boas campanhas nesse início de ano: uma pela editora Wish que volta mostrando por que é referência na plataforma e outra dos nossos queridos da Laboralivros, com mais traduções de contos japoneses.


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"A Montanha das Feras" de Juliet Marillier


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Ficha Técnica:


Nome: A Montanha das Feras

Autora: Juliet Marillier

Editora: Wish

Gênero: Fantasia

Tradutora: Julia Romeu

Número de Páginas: mais de 500

Prazo da Campanha: 24/02

Data de entrega: maio de 2024




Sinopse: Whistling Tor é uma colina amaldiçoada que abriga a fortaleza em ruínas de Anluan. Ao descobrir que ele precisa desesperadamente de uma escriba, Caitrin, recém-chegada na cidade, se oferece para o serviço. Para os aldeões, o chefe da fortaleza e seus moradores são bestas ferais. Para Caitrin, a esperança de deixar o luto e o medo para trás. Mas tem um porém: ninguém acredita que ela ficará lá até o final do verão – ninguém nunca fica.


Determinada a provar que é capaz de lidar com o temperamento impulsivo de Anluan e a horda de espectros que assombram a montanha, Caitrin logo se vê envolvida em uma intrincada teia de feitiçaria, espelhos mágicos e assassinatos. Para quebrar a maldição, ela precisa descobrir quem é o verdadeiro monstro da fortaleza antes das rosas desabrocharem, ou perderá o homem que ama... para sempre.


Recompensas:


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Principais Formas de Apoio:


1 - Promocional do Catarse: R$98,00


  • livro impresso

  • marcador de páginas com formato de Calt

  • adesivo Ouroboros

  • entrevista exclusiva traduzida com Juliet Marillier sobre a obra em um folder

  • nome nos agradecimentos

  • frete incluso


2 - A Montanha das Feras + Ecobag: R$130,00


  • livro impresso

  • marcador de páginas com formato de Calt

  • adesivo Ouroboros

  • ecobag Ouroboros exclusiva da campanha em algodão 30x40cm (não vendida separadamente)

  • entrevista exclusiva traduzida com Juliet Marillier sobre a obra em um folder

  • nome nos agradecimentos

  • frete incluso


"Noites de Hokkaido" de Mashiho Chiri


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Ficha Técnica:


Nome: Noites de Hokkaido

Autor: Mashiho Chiri

Editora: Laboralivros

Gênero: Contos Tradicionais

Tradutor: Felipe Medeiros

Número de Páginas: entre 150 e 200

Prazo da campanha: 08/03

Data de entrega: julho de 2024



Sinopse: As narrativas ainu têm vários nomes; algumas das que são feitas em casa entre família ou mesmo entre as pessoas do kotan (aldeia/vila), muitas vezes ao redor do fogo, são chamadas uwepekere, o que podemos traduzir a grosso modo como "contos populares".

Dessa forma, foram selecionados dois grupos de uwepekere recolhidos pelo etnólogo e nativo ainu Mashiho Chiri. São eles o Ezo obake retsuden (histórias sobrenaturais de Ezo) e o Anoyo no iriguchi (passagem para o outro mundo).


Entre essas narrativas, temos histórias de fantasmas, kamuy, heróis populares e mitos misturadas com alguns relatos populares de lugares e coisas, além de uma ou outra anedota típicas.


Todo o texto conta com preciosas notas feitas por Mashiho, que nos permitirão compreender mais da cultura Ainu.


Recompensas:


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Principais Formas de Apoio:


1 - Uwekeper: R$75,00


  • livro impresso

  • marcador metalizado

  • nome nos agradecimentos

  • button exclusivo

  • frete incluso


2 - Oina Yukar: R$80,00


  • livro impresso

  • marcador metalizado

  • nome nos agradecimentos

  • ímã cikap

  • button exclusivo

  • frete incluso


3 - Kamuy Yukar: R$102,00


  • livro impresso

  • marcador metalizado

  • nome nos agradecimentos

  • ímã cikap

  • bandana

  • button exclusivo

  • frete incluso



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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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