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Depois dos acontecimentos em Gotham, Dick Grayson retorna a Bludhaven para descobrir que sua cabeça está a prêmio. Não, não a cabeça do Asa Noturna... a do Dick Grayson. E ele vai precisar da ajuda dos Titãs para lidar com tantas ameaças à sua identidade secreta.


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Sinopse:


Dick Grayson retorna a Blüdhaven após os eventos de Estado de Medo, apenas para descobrir que uma recompensa de US$ 10.000.000 foi colocada por sua cabeça devido a seus planos de mudar a cidade. E ainda: o encontro de Asa Noturna e Superman! Anos atrás, quando Robin deu seus primeiros passos incertos para longe de Batman como herói solo, Superman interveio e ofereceu apoio e conselhos a Dick Grayson, além de tê-lo nomeado como Asa Noturna. Agora chegou a hora do Asa Noturna retribuir o favor… com o filho de Kal-El, Jon Kent.






Tendo saído do desastroso volume 2, que sequer existe na numeração americana, voltamos à programação normal. A história era tão enfadonha que temos apenas recordações genéricas sobre o que aconteceu. O enredo que acontece com Dick aqui poderia ter sido facilmente adaptado caso o personagem nunca tivesse ido a Gotham. Os problemas vividos por ele continuam a ser abordados e damos continuidade aos desenvolvimentos. Tem uma parada suave no meio do caminho para uma ida a Metrópolis, mas dessa vez nada que atrapalhe o andamento geral. Esse terceiro volume também chegou a ser indicado para o Eisner, mas a série ganhou outro prêmio de melhor série contínua. O que mostra a força do que Tom Taylor vem fazendo aqui. O nível de qualidade é espetacular, e tirando a gordurinha que tem na história com o Jonathan Kent no meio, seria uma edição perfeita. Mesmo assim a qualidade é altíssima. Sem falar que o Bruno Redondo está voando baixo na arte e mesmo quando foi substituído pelo Geraldo Borges a arte continuou boa.


Ao retornar a Bludhaven, Dick Grayson descobre que tem um prêmio pela sua cabeça. Não pela do super-herói, mas pela identidade secreta. O Arrasa-Quarteirão está incomodado com os projetos de revitalização propostos pelo Dick para a cidade e quer eliminá-lo a todo custo. Para isso ele emprega diversos mercenários que o perseguem em plena luz do dia. Percebendo o risco que o Asa Noturna estava correndo, Barbara Gordon (nossa querida Babs) pede ajuda para os Titãs. Os assassinos são tantos e tão variados que vai precisar da força combinada do grupo todo para evitar situações mortais. E o Dick não ajuda muito se expondo a situações em que ele se torna um alvo fácil (nosso herói sequer está vestindo seu uniforme por baixo... mesmo um colete à prova de balas). No outro arco, Dick é contactado por Kelex para conversar com Jonathan Kent, filho do Superman. Com o pai distante em uma missão no Mundo Bélico, Jon assume o manto de Superman, mas passa a vivenciar os problemas de ser um herói poderoso responsável por milhares de vidas. O peso do manto está se tornando insuportável, e Dick tenta aconselhá-lo. No meio de tudo isso, surge uma organização criminosa disposta a matar todos os heróis do mundo chamada de Ascensão.


Facilmente o Bruno Redondo está vivendo um momento alto em sua carreira. Tanto que ele se permite fazer experimentos artísticos nas edições do Asa Noturna. Logo na segunda página da primeira edição deste volume já me lembrei por que o primeiro volume me cativou tanto. Para mim, essa primeira edição é a melhor do volume todo. Como se fosse algo super comum, Redondo faz a edição inteira em splash pages, como cenas contínuas, empregando o efeito De Luca. A qualidade das cenas é impressionante e Redondo tem um cuidado absurdo com o fundo brincando com easter eggs nas páginas. As páginas são verdadeiras obras de arte e mostram o personagem em ação lutando contra os bandidos. A premissa da primeira edição é muito simples: Dick está sendo alvo dos mercenários e um deles sequestra a Asa Peluda. A edição é uma grande cena de perseguição. Mesmo nas outras edições em que Redondo se contém mais, a arte é dinâmica, interessante e prende a nossa atenção às páginas. Por exemplo, na segunda edição tem uma página dupla fascinante da Coelhinha (uma das mercenárias) recebendo uma encarada da Estelar e tentando fugir antes de ser pega pela Donna Troy. Uma cena dividida em quatro quadros que funcionam como janelas, mas possuem um belíssimo senso de continuidade.



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Nas edições do Geraldo Borges temos uma arte mais mainstream, mas não sei o que é, mas algo na arte do Borges me deixa interessado. Não sei se é porque ele tem uma boa noção dos personagens que está desenhando ou o emprego específico de cores. Ele acaba pegando um arco complicado de desenhar em que temos um team-up entre o Flash e o Asa Noturna. E desenhar o Flash é sempre desafiador para representar a força de aceleração. Vale destacar também que a arte do Borges não é tão diferente assim da do Redondo, mas com um foco maior no uso de sombras e perspectivas. Dá um tom até um pouco mais carregado na arte do Borges, mas para a história em si serve muito. Alguns momentos mostram as boas sacadas dele na quadrinização. Por exemplo, tem uma cena em que a Babs é sequestrada em que ele consegue dar um bom foco ao que está acontecendo a ela e o cenário ao redor. Dá naturalidade à cena. Ele gosta de alguns bons ângulos em que o leitor precisa acompanhar frente e fundo. Ou seja, tem coisas acontecendo por todos os espaços de um quadro... ele não é só centralizado.


O roteiro do Tom Taylor está bem preciso e se concentra em três grandes temas: os amigos do Asa Noturna, o fardo de carregar um nome e a parceria entre o Flash e o Asa. Começando pelo primeiro, temos o Dick precisando sobreviver a uma enorme quantidade de inimigos. E aqui Taylor subverte dois clichês. Não é o herói que está sendo perseguido, mas sua identidade secreta. Então Dick fica exposto e precisa lidar com a situação com bastante calma sem revelar quem ele é. O segundo clichê é o de ser dependente de amigos para derrotar inimigos poderosos. A subversão vem do fato de que Dick não é dependente, são os amigos dele que estão preocupados com o seu bem-estar. A personalidade altruísta do personagem o impede de simplesmente buscar ajuda. Mas, a ajuda vem porque seus amigos sabem o quanto ele é uma pessoa que acaba se metendo em situações complicadas porque deseja ajudar os outros. Isso é feito de uma maneira tão natural tanto nas ações quanto nos diálogos que o leitor passa a gostar do Dick simplesmente por ele ser um cara legal. A gente torce por ele. É diferente das sombras que o Batman carrega por ter perdido os pais e estar em uma cruzada contra o crime. Dick enxerga o que há de bom nas pessoas e os ajuda sem pedir nada em troca. A recíproca é dada não porque ele cobra favores, mas porque as pessoas sentem que o mundo é um lugar melhor com ele por perto.


Vou tocar rapidinho no ship do Dick com a Babs. E Taylor é malandro e não insere em nenhum momento essa discussão antes do último número deste volume. Babs e Dick estão vivendo juntos, fazem coisas juntos, combatem o crime juntos. Mas, não se referem a si mesmos como um casal, apesar de fazerem todas as coisas como casal. Quando conversa com o Flash mais para a frente, ele diz que a relação dos dois é complicada e Wally responde da maneira que a gente gostaria de responder. Não é a relação que é complicada, mas os dois que a tornam complicada. A relação dos dois tem um tom de reciprocidade e cumplicidade que me fez lembrar na maneira como a relação entre o Clark Kent e a Lois Lane funciona. A conversa sobre colocar um rótulo nela vai ser necessária.



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No meio de dois arcos temos o crossover com a revista do Jonathan Kent. E desde que seu pai deixou a Terra em missão que ele sente o peso de ser o Superman. Em situações onde alguém morre acidentalmente ou um vilão foge para cometer mais crimes, ele se culpa pelo ocorrido. Dick coloca para ele que não há problema em falhar de vez em quando. O importante é saber que você fez o melhor que pôde por aqueles que precisavam de sua ajuda. É óbvio que o Jon não é o Clark. Existem anos de experiência entre eles, foram que pai e filho são pessoas diferentes, com valores e posturas diferentes. O erro do Jon é querer ser o Clark. É isso o que Dick destaca para ele. Seja seu próprio herói. Dick cita o momento em que ele assumiu o manto do Batman temporariamente enquanto o Bruce Wayne estava morto. E o quanto isso deu toda uma outra perspectiva a ele. Gosto de pensar no Dick como um mentor para o Jon, porque ele é simplesmente essa pessoa de luz que pode iluminar a maneira como o Jon enxerga o mundo. O Superman é um herói solar e ele precisa ser lembrado disso para poder ser um símbolo de otimismo e esperança para as pessoas.


Nas últimas histórias temos um team-up entre o Wally e o Dick que precisam perseguir La Agente Funebre, uma lendária agente de assassinos que os coloca à disposição pelo preço a ser pago. O Arrasa-Quarteirão contrata seus serviços ainda em perseguição ao Dick e o que eram apenas alguns atiradores comuns escala a um outro nível. Os dois heróis passam a trabalhar juntos para descobrir o paradeiro dela. Esse arco pequeno é bem legal para mostrar a conexão que existe entre os dois, desde a época dos Novos Titãs. É uma amizade genuína, de dois caras que querem o bem um ao outro. Wally não se preocupa só com a segurança de seu amigo, mas deseja o melhor para ele e busca aconselhá-lo em seu relacionamento com a Babs. Tem alguns momentos bem legais como o do abraço fraternal entre eles depois da explosão da casa onde Dick vivia e de como o Asa salva a vida do Wally mais para a frente. Tem uma situação lá no final que mostra muito do altruísmo do personagem quando ele precisa se decidir se destrói lá a base secreta ou se usa a informação que dispõe para realizar um bem maior.


Belíssima edição essa que retoma o bom momentum do personagem. Aliás, Taylor está inserindo aqui as sementes para o seu futuro trabalho nos Titãs que começa depois dos acontecimentos do número 100 do Asa Noturna (provavelmente virá no volume 5 da série). Por isso que começamos a ver o Mutano, o Wally, a Ravena, a Estelar e a Donna de volta. Uma edição também que explora bastante o que faz o Dick uma pessoa tão especial. O coração do herói. A arte do Bruno Redondo está uma covardia de tão boa e mesmo quando é substituído por outro artista, a peteca não cai. O ponto fraco desta edição foi o crossover com o Jon, mas nem se compara com o desperdício de tempo que foi o volume anterior.



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Ficha Técnica:


Nome: Asa Noturna vol. 3

Autor: Tom Taylor

Artistas: Bruno Redondo e Geraldo Borges

Colorista: Adriano Lucas

Arte-Finalistas: Bruno Redondo, Geraldo Borges e Wade von Grawbadger

Editora: Panini Comics

Tradutores: Diogo Prado e Rodrigo Barros

Número de Páginas: 160

Ano de Publicação: 2023


Outros Volumes:


Link de compra:







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Nos próximos dias estaremos na Odisseia de Literatura Fantástica, que estará acontecendo nos dias 07 e 08 na Biblioteca Municipal de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Não teremos postagens nesse final de semana, mas é por uma boa causa. Voltaremos com novidades!


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Essa é a história de Asterios, um homem erudito e deveras arrogante que quando chega em sua meia-idade decide mudar os rumos de sua vida quando uma tragédia se passa com ele. É um estudo de vida e de personagem feito por um artista no ápice de sua carreira.


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Sinopse:


Ao lado de nomes como Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman, o artista David Mazzucchelli foi um dos grandes responsáveis pela revolução nos quadrinhos no fim da década de 1980. Seu trabalho em séries como Demolidor: O homem sem medo e Batman: Ano 1 até hoje é referência do que foi feito de melhor no campo dos super-heróis. Depois de anos publicando apenas pequenas histórias autorais, Mazzucchelli voltou-se para esta que é a mais ambiciosa de suas histórias. Asterios Polyp é ao mesmo tempo um estudo sobre as possibilidades narrativas dos quadrinhos, um livro de design, estética, filosofia e, por que não, humor. Tudo isso sem sacrificar a trama, tão envolvente quanto os desenhos do autor. O Asterios do título é um arquiteto de cinquenta anos, cujo renome vem exclusivamente de seus trabalhos teóricos. Mulherengo, misógino e de uma arrogância quase inacreditável, ele vê seu passado se esfacelar após um incêndio que consome sua casa. Tendo salvado apenas uns poucos objetos pessoais, Asterios parte numa viagem de ônibus, até onde o dinheiro em seu bolso puder levá-lo. No coração dos Estados Unidos, ele encontrará uma nova família, enquanto coloca em perspectiva os principais acontecimentos de sua vida. Quem conta a história de Asterios é Ignazio, seu irmão gêmeo natimorto. A partir desse contraponto, Mazzucchelli cria um verdadeiro jogo de espelhos, uma trama ao mesmo tempo densa - que permite diversas leituras - e fluida como um bom romance. Para narrar a vida desse personagem complexo e multifacetado, Mazzucchelli levou a linguagem dos quadrinhos a um novo patamar, e na aparente simplicidade do traço se esconde um trabalho maduro e uma poderosa reflexão sobre o sentido dos relacionamentos, da arte, da família e, em última instância, da vida.






Falar de Asterios Polyp é bem complicado. É uma HQ tão cheia de camadas que não vou conseguir raspar a superfície do que Mazzucchelli fez aqui. A história é simplesmente emocionante, onde acompanhamos um personagem que busca encontrar uma nova razão de viver depois de passar por uma terrível perda. O autor nos entrega uma narrativa poderosa que transborda sentimentos e sensibilidade à medida em que desenvolvemos alguma empatia ou antipatia por Asterios. O protagonista é uma pessoa muito real mesmo no mundo insano de racionalismos e dicotomias que ele cria para si mesmo. Isso sem falar na arte que é magnífica e mostra toda a habilidade no traço, na composição de quadros e no preenchimento de cores pelo cenário. Tenho certeza de que ao final os leitores ficarão tocados ou incomodados com a jornada percorrida pelo personagem.


Tendo sido criado em uma família que não lhe deu a atenção que ele tanto ansiava, Asterios se tornou uma personalidade difícil de se conviver. Sua mãe teve gêmeos, sendo o outro Ignazio, que faleceu e é o narrador dessa história. Asterios cresce e se torna um arquiteto de relativo sucesso, possuindo ideias arrojadas sobre a implementação de novas técnicas de construção. Embora seja respeitado pelos seus pares, Asterios nunca construiu uma única casa. No início de sua vida adulta, ele se envolveu com inúmeras mulheres, se aproveitando de sua posição para exercer um fascínio sobre elas até conhecer Hana, com quem se casa. O início da história vê Asterios sozinho e com o apartamento completamente bagunçado e um incêndio toma conta do local. Precisando escapar do prédio, ele vê toda a sua vida sendo lambida pelas chamas. Diante de um cenário de abandono, desolação e perda, Asterios sai com a roupa do corpo e parte em uma jornada para reencontrar a si mesmo e pensar no que fazer de hoje em diante.


Vou tentar comentar um pouco sobre a arte de Mazzucchelli, mas ela é tão fora do meu alcance que já peço desculpas de cara se não conseguir transmitir adequadamente as minhas sensações. Primeiramente é preciso comentar o quando Asterios Polyp bebe da influência de Will Eisner. A habilidade com a qual o autor preenche as páginas é sensacional. A quadrinização faz parte do pensar a página. É esse tipo de raciocínio que falta bastante nos dias de hoje. É pensar em o quanto uma cena pode integrar um quadro, como algum elemento de dentro do cenário pode ser entendido como parte do todo. Seja a fumaça do cigarro de Asterios, a silhueta de Hana, as letras do cenário, os sólidos geométricos ou as figuras sem forma. Mazzucchelli teve o cuidado até de criar fontes de letras específicas para personagens que são importantes para a história. E elas, de certa forma, definem parte de sua personalidade. Seja a fonte mais empolada de Ursula, ou a letra escrita à mão de Hana, ou a letra em negrito do produtor teatral. Os detalhes fazem com que a obra ganhe muito mais detalhes se pararmos para prestar atenção. Em determinados momentos, vemos o corpo de Asterios sendo representado como uma formação de sólidos geométricos, mostrando o jeito racionalista de seu pensamento. Já Hana é representada como hachurada, sem uma forma definida já que sua personalidade é fluida.


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O emprego de cores é sensacional e ajuda a contar a história. Sua distribuição pelo cenário nos conta seja o passado representado pelo azul e pelo lilás, seja pelo presente com o roxo e o amarelo. Para dar mais riqueza às cenas, Mazzucchelli preenche com tons de claro ou escuro dessas cores. Dois outros pontos que é preciso destacar é o preenchimento de silhuetas pelo cenário e o uso inteligente do branco. As sombras fornecem uma perspectiva maior para as imagens, dando profundidade às cenas. O autor ora as estica como uma forma de dar um tom dramático à cena, ora as limita para preencher o quadro com um número maior de personagens. Em determinados momentos, as silhuetas servem para apresentar alguma cena acontecendo em segundo plano. Já o branco ajuda a compor os quadros. Lembrando que Eisner coloca em seus livros sobre arte sequencial o quanto saber usar a ausência pode ser uma boa ferramenta. Em vários momentos, Mazzucchelli não emprega sarjetas, o que poderia gerar uma cena confusa, mas não é isso o que acontece. A forma como ele emprega oferece dinamismo para o que está acontecendo em cena. Às vezes mesclar quadros gera efeitos incríveis como a representação de como Asterios pensa em que vários itens são colocados em um quadro grande com pequenas janelas nas páginas laterais.


Artisticamente falando, Asterios Polyp é um trabalho extremamente maduro. Tendo sido o autor e o artista por trás da composição da HQ, Mazzucchelli conseguiu combinar arte e roteiro em uma coisa só. Há uma relação clara entre ambos e isso é percebido quando colocamos balões, quadros, sarjetas, escolha de cores, montagem de páginas e enredo todos juntos. Percebam que mesmo os flashbacks, mostrando o que levou Asterios a chegar até aquele momento, possuem uma intencionalidade. A montagem dos capítulos que se passam no presente possuem páginas iniciais abstratas mostrando algum tipo de interação entre Asterios e Ignazio. Isso é proposital porque o protagonista encara o seu gêmeo e tenta enxergar nele o que este teria feito em seu lugar; que escolhas seriam diferentes. Os cenários desenhados representam essa jornada: seja uma longa galeria de arte, seja a representação do monumento a Abraham Lincoln, ele se enxergando em um espelho d'água ou Asterios entrar em um escritório com uma arquitetura complexa. Esses elementos artísticos dizem algo e cabe ao leitor entender estes momentos oníricos dentro do escopo da história.


O protagonista não é um personagem simples de se sentir empatia. No começo é um homem bastante tóxico que impõe a sua vontade às das outras pessoas. Sua opinião está sempre correta e as dos outros deve ser descartada. O seu grande conhecimento é usado como uma forma de agredir a inteligência alheia. Ele se enxerga literalmente como o protagonista de seu próprio universo. E é nessa batida que vemos o personagem apequenando todos os personagens com os quais tem contato. Sejam alunos, companheiros de trabalho, pessoas comuns e até sua própria esposa. Esse ar pomposo serve para esconder suas próprias inseguranças, vindas de uma família que não o enxergava. Esse ar de soberba começa a se quebrar quando ele passa a interagir com Hana, que é o seu exato oposto. Hana enxerga o melhor nas pessoas e busca ajudá-las e guiá-las a se tornarem pessoas melhores. À medida em que Asterios é colocado em situações de stress, ele mostra a sua impaciência e baixa tolerância a ser contrariado, o que o faz estar no meio de situações bem complicadas.


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É engraçado imaginar que a ausência do irmão pode ser o que causou a criação dessa mentalidade maniqueísta e dicotômica que cerceia a personalidade de Asterios. Ele separa todas as coisas em branco e preto, positivo e negativo, certo e errado. Na sua visão, o mundo pode ser separado sempre em duas tendências. A sua linha de pensamento gira nessa direção e mesmo para os assuntos mais absurdos, ele sempre vai conseguir um jeito de classificar em duas categorias. O numeral 2 é tudo para ele e isso pode ter a ver com essa ausência. Essa visão dicotômica sobre a vida faz com que ele torne tudo bidimensional, inclusive sua relação com o resto do mundo. O que me parece é que Asterios sente uma ausência o tempo inteiro. E ele não se conforma com isso, pensando de forma associada nas escolhas que fez. Essa relação implícita com um indivíduo que nasceu natimorto guia a sua viagem pelo seu subconsciente. É possível interpretar isso de inúmeras formas. Ignazio poderia representar algum aspecto do seu ego, poderia representar possibilidades nunca alcançadas, ou até mesmo como o próprio Asterios gostaria de ser. Ignazio poderia representar o indivíduo ideal na mente do protagonista.


Mazzucchelli entrega muitas sutilezas no roteiro. Isso vem de uma narrativa pensada onde ele não entende o leitor como um tolo. Algumas informações não são ditas abertamente deixando para a nossa interpretação. O que falamos sobre a infância de Asterios é revelada em uma série de quadros que não falam muita coisa, mas entregam uma sequência de cenas que, somadas, nos permitem fazer deduções. Outra situação que acontece mais à frente é quando Hana se envolve com um produtor de teatro. Em um determinado momento, Hana acusa Asterios de não prestar atenção em um certo tom nas interações com ele. Quando me dei conta do que era, juro que retornei a todas as partes em que Hana e ele conversavam e percebi na hora o que ela quis dizer. Mas, assim como Asterios, não percebi o que estava acontecendo nas entrelinhas e me senti culpado. O curioso é que essas interações vão ficando progressivamente grosseiras e a gente só se dá conta depois da explosão de Hana.


Não é à toa que o quadrinho é reverenciado por muitos leitores e está na lista daqueles quadrinhos clássicos que estão em outro patamar. Um roteiro soberbo montado com cuidado, atenção e inteligência. Todas as pontas são amarradas no final, que é lindíssimo e emocionante. Mazzucchelli entrega uma obra de arte que pode e deve ser lida muitas vezes ao longo da vida. Certamente vai provocar reações e interpretações diferentes a cada nova leitura. A arte é estelar e dispensa comentários. É uma aula de arte sequencial, digna de um trabalho de mestres como Will Eisner. Os quadros, os personagens, o balonamento, tudo é levado a outro nível pelo autor.


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Ficha Técnica:


Nome: Asterios Polyp

Autor: David Mazzucchelli

Editora: Quadrinhos na Companhia

Gênero: Ficção

Tradutor: Daniel Pellizzari

Número de Páginas: 344

Ano de Publicação: 2014


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. 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Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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