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A batalha final contra o demônio Nezha se aproxima e uma vitória não virá sem sacrifícios. Nezha estica suas garras e consegue possuir ainda mais pessoas em sua batalha contra os melhores do mundo. Poderão Batman e Superman deter essa ameaça?


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Sinopse:


Enquanto Robin e Supergirl correm para recuperar os segredos do Diabo Nezha na China antiga, Batman e Superman recebem uma surpresa inesperada no presente! Para salvar a humanidade do fogo do demônio, os Melhores do Mundo devem enfrentar o protetor do Setor 2814… o Lanterna Verde Hal Jordan.






Sacrifício e amizade são dois motes bem comuns em histórias de super-heróis. Um tema que já foi abordado de inúmeras maneiras possíveis e imagináveis por diferentes autores. Mas, como sempre digo, não é o tema em si, e sim a forma como ele é tratado. Depois de conhecerem o real perigo do demônio Nezha, Batman e Superman descobrem o quanto ele é poderoso. Possuindo corpos tanto de heróis como vilões, ele envia uma avalanche de inimigos contra os dois. É preciso descobrir qual é o ponto fraco deste ser poderoso e isto pode estar nas mãos de Supergirl e Robin. Só que tudo o que está ruim, sempre pode piorar. E em uma aventura solo, Dick Grayson tenta descobrir quem é o culpado para uma série de assassinatos em um circo itinerante. Só que os animais do circo estão sendo culpados por isso. Somente suas habilidades como detetive poderão solucionar o mistério.


O roteiro de Waid é muito consistente. Uma das vantagens de suas histórias é que elas são bem fechadinhas em si mesmas, sem a necessidade de precisar conhecer uma cronologia maior. Tudo o que você precisa saber estão nas vinte e quatro páginas de cada capítulo da história. Apesar da história ser bem veloz, Waid consegue fazer uma boa construção de personagens, o suficiente para trabalhar pontos bem específicos na narrativa. As cinco primeiras edições (vou falar já da sexta, que é uma história independente) que compõem este arco foram voltadas para construir a amizade e a parceria que envolvem Clark e Bruce. Ou melhor, Superman e Batman já que Waid se foca mais na identidade heróica dos dois. Mencionei na resenha anterior o quanto é mostrado a amizade que Batman tem pelo Homem de Aço e aqui isso é reforçado ainda mais. O roteiro é bastante inteligente ao construir situações que denotem esse tipo de preocupação. Há também uma dose honesta de diálogos e ação, com um quadrinho que não se perde em nenhum momento, sendo objetivo. Talvez seja esse ponto o que mais tenha cativado os leitores para essa série. Ele é um quadrinho solar, com temáticas voltadas para o heroísmo, o sacrifício e o companheirismo. Mesmo tendo um tema sombrio com o despertar de um demônio antigo. Mas, em nenhum momento senti que o quadrinho era pesado.

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A arte do Dan Mora continua numa pegada bem forte. Seus quadros são pulsantes e ele transforma as páginas em animações incríveis. Os quadros possuem movimento e a coreografia dos personagens é bem feita, sendo coerente com os seus poderes e até com a física em si. Montar cenas de ação que envolvem muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo não é tarefa simples. Não consegui identificar nenhum erro de continuidade. Há uma preocupação nítida de Mora em apresentar boas expressões faciais e gestos. Isso acaba por humanizar os personagens. Seja o rosto de Kara pela culpa de ter acontecido uma tragédia em sua frente, ou do Batman preocupado com o Superman após uma cena épica. Os personagens não são robóticos e reagem no ato em que as coisas acontecem. O roteiro sequer precisa descrever o que eles estão sentindo ou inserir uma fala de diálogo para pontuar alguma coisa. Roteiro e arte se complementam para construir uma história fascinante. As cores da Tamra Bonvillain estão fabulosas e é a cereja do bolo desta série. Alguns podem alegar que há um exagero no emprego de cores mais quentes, o que discordo muito. Essa HQ pede esse tipo de palheta de cores porque combina com aquilo que autor e artista desejam entregar: uma história heróica repleta de cenas de ação estroboscópicas e meio exageradas. Isso é quadrinho de super-heróis.


Vou ser um pouco chato e criticar um pouco a ausência do Robin em cenas chave. De um trabalho de personagem tanto com ele quanto com Kara. Entendo que esse arco é todo voltado para construir a relação entre Batman e Superman, mas se o próximo arco é sobre o Robin, a gente deveria ter tido alguma prévia dele nisso. Senti até que depois da terceira edição ele é meio jogado de lado. Até a Kara tem um pouco mais de tempo de tela. Ser objetivo em um roteiro não é ruim e esse é um dos pontos fortes dessa série. O problema é que a gente não pode esquecer completamente de tudo o que acontece ao redor. Vocês vão me lembrar que tem uma edição isolada com o Robin no número 6 e uma mini posterior. Ok, concordo. Mas, minha visão analisando só essas cinco edições é que poderia ter tido uma ou duas páginas a mais com ele. Somente para demonstrar a importância do personagem para o Batman.


O sexto número conta com a arte do Travis Moore, e é uma edição solo mais focada no Robin após os acontecimentos no final do arco anterior. Não vou contar muito a respeito, basta destacar como Waid trouxe o lado detetive da dupla dinâmica e fazia tempo que não via uma história assim. Gostei da diferença de tom em relação ao arco anterior e como é uma história mais intimista. Sem usar flashbacks, Waid conta parte da história de Grayson e sua conexão com o circo. Nesse ponto achei genial o roteiro. A edição permanece no presente vivido pelos personagens enquanto fala do passado. A arte de Moore é uma ótima substituta para o Dan Mora sem perda de qualidade. O que tem de diferente é o emprego de outros tipos de ângulos por Moore e como seus cenários são estilizados. Tem uma cena magnífica do Batman e do Robin no trapézio e Moore monta uma cena quase ao estilo do efeito DeLuca, repetindo movimentos para mostrar a beleza das acrobacias executadas pelos dois. Bonvillain continua cuidando das cores o que mantém a caracterização da série.

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Temos várias histórias curtinhas no final das edições, com algumas possuindo até duas micro-histórias. Uma delas é com o Flash, com roteiros do Ryan Cady e arte de Gleb Melnikov; outra do Batman e o Homem-Borracha com roteiros de Joey Esposito e arte do Ryan Howard; uma terceira do Batman com o Etrigan (que eu odiei) com roteiro do Henry Baratas e arte de Serg Acuña; outra do Batman e do Superman com roteiros de Dave Wielgosz e arte de Jorge Corona; e por último um do Batman e vilões com roteiro curtinho de Dan Watters e arte de Riley Rossmo. Algumas dessas histórias são bem difíceis de se analisar porque são micro-narrativas de 3 a 5 páginas. Artisticamente falando gostei mais da arte do Riley Rossmo que tem um nível de detalhamento e perspectiva que me agradam muito. A primeira página contendo o título da história é linda e forma uma espécie de caleidoscópio que te dá o spoiler do enigma do Charada. Sim, leia algumas vezes a narrativa e você vai entender o motivo da irritação do Batman. A arte do Gleb Melnikov é aquela arte mais padrão mainstream, mas mesmo assim ela é bem feita. Algo que acho sempre bem difícil de fazer é como representar a supervelocidade do Flash. Vários artistas deram o seu toque nisso e o Melnokov se ateve ao fato de o personagem ser multitarefa. A representação da força de aceleração é quase no modelo de quadros cinéticos dos mangás. Artes estilizadas demais me desagradam como a do Serg Acuña e do Jorge Corona. Para mim não se encaixam bem naquele tipo de história.


Quanto aos roteiros, a que mais me agradou foi a história da parceria improvável entre o Batman e o Homem-Borracha. Não tem dois personagens mais opostos do que eles. Joey Esposito nos coloca o Patrick O'Brian na cola de uma criminoso fugitivo que o Batman também persegue. Só que Eel (apelido do Patrick) quer dar uma segunda chance ao seu companheiro enquanto que o Batman só quer aplicar sua justiça e tirar mais um bandido das ruas de Gotham. Mas, Eel apresenta outra perspectiva já que ele também foi um bandido no passado. E justamente o Batman foi quem o inspirou a ser uma pessoa melhor. Ele não tem a mesma índole obsessiva do morcego. É interessante porque durante a história vemos o Batman repensando sua abordagem com base nas palavras de Eel. A aventura do Flash também foi bem legal, mostrando a parceria entre Barry Allen, um cientista forense, e o Batman, um super detetive. É muito legal ver o respeito mútuo entre os personagens e o Batman vendo alguém ainda mais obsessivo do que ele. O Flash é um herói solar, mas se coloca um enorme fardo em suas costas querendo salvar todos. No fundo, esse é um desejo do Batman, mas ele conhece suas limitações.


Três boas edições mantendo o alto nível das edições e deixando um final bem satisfatório para o arco. O número 6 nos apresenta uma história bem legal estrelando o Menino-Prodígio. Voltando às raízes do Batman e Robin precisando exibir suas habilidades como detetives. Waid também trabalha as origens circenses de Dick Grayson e amarra tudo em uma boa história. Dan Mora é um dos melhores artistas da atualidade e mesmo quando foi substituído por Travis Moore não perdeu o ritmo. As histórias de fundo são de medianas para ruins. Não tem nada de destaque e algumas são questionáveis como a do Etrigan. A partir da próxima edição começa um novo arco, e Waid deixou sementes para outra minissérie chamada Batman vs Robin, que eu pretendo acompanhar. A nota máxima vai mais pela história principal do que pelas demais.


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Ficha Técnica:


Nome: Batman/Superman - Os Melhores do Mundo ns. 4 a 6

Autores: Mark Waid (história principal), Ryan Cady (n. 4), Joey Esposito (n. 5), Henry Barajas (n. 5), Dave Wielgosz (n. 6), Dan Watters (n. 6)

Artistas: Dan Mora (história principal ns. 4 e 5), Travis Moore (história principal n. 6), Gleb Melnikov (n. 4), Jason Howard (n. 5), Serg Acuña (n. 5), Jorge Corona (n. 6), Riley Rossmo (n. 6)

Coloristas: Tamra Bonvillain (história principal), Luis Guerrero (n. 4), Dave McCaig (n. 5), Mat Lopes (n. 6), Trish Mulvihill (n. 6)

Arte-Finalistas: Scott Hanna (n. 4)

Tradutor: Diogo Prado

Número de Páginas: 48 cada

Ano de Publicação: 2023


Outros Volumes:


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Nesta matéria vou listar os cinco poderes mais bizarros e criativos de Deatte 5-byou, um anime no estilo battle royale que, embora seja mais um entre muitos, tem essa peculiaridade. Venha conhecê-los.


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Já assisti todo tipo de animação japonesa com pessoas ganhando os super poderes mais estranhos da face da Terra. Desde bolas de fogo, superforça e voo até controlar a realidade e parar o tempo. Mas, uma animação que estreou em julho de 2021 conseguiu se superar no nível de bizarrices apresentadas ao espectador. Este é Deatte 5-byou de Battle, mais um daqueles animes de batalha campal (apelidado carinhosamente de battle royales em homenagem ao anime que gerou o gênero) em que personagens se matam indiscriminadamente e por motivos bem pouco práticos, mas que a galera adora pelo grau de violência. Como podem perceber, essa frase resume bem a minha opinião sobre o anime em questão: é mediano, mas acabou se tornando o meu dirty pleasure em uma temporada tão fraca.


O nome é esquisito mesmo: Deatte 5-byou de Battle ou Battle Game in 5 Seconds. Originalmente é um web mangá publicado no aplicativo MangaONE da Shogakukan e tem roteiros de Saizo Harawata e arte de Kashiwa Miyako. O sucesso foi tão grande que a história passou a ser publicado no site Ura Sunday (também da Shogakukan) e passou para o impresso em 2015. Atualmente conta com dezessete volumes. O anime é uma produção de dois estúdios: o studio SynergySP (de Initial D 5th Stage e a quinta temporada de Major) e o Vega Entertainment (de Gun Frontier) com o suporte de um terceiro, o studio A-Cat (de Getter Robot Arc). Ou seja, já viram a zona que foi a produção do anime, né? Quando temos vários estúdios cuidando de uma animação, e nenhum deles produziu nada de grande vulto, já dá para esperar o que vai ser visto. O chefe de produção que coordenou com os três estúdios é Mea Naitou (mais conhecido por Baki) e contou com o suporte de Nobuyoshi Arai (de Banana Fish e Dororo, aquela versão do Prime Video). A animação é qualquer coisa e não chegou a me surpreender em nenhum momento. A história é até divertida e a gente acompanha mais porque acontecem umas mortes bizarras e o protagonista é um verme desgraçado (apesar de que eles deixam o personagem mais mole no final da temporada).


Vamos tentar explicar a história. Akira Shiroyanagi é um estudante com uma inteligência acima da média só que com vários problemas para se relacionar socialmente. Isso porque ele não vê graça na vida comum, acreditando que o mundo dos games é mais imprevisível e estimulante. Um dia, ele desmaia e desperta em um salão onde várias pessoas se encontram. Uma estranha garota chamada Mion diz a eles que todos foram trazidos a um jogo mortal onde apenas aqueles que conseguirem vencer os desafios sairão com vida. Ah, e todos eles receberam algum tipo de poder especial que somente eles ficam sabendo o que é. Alguns desafios envolvem lutas em arenas, ultrapassar obstáculos ou batalhas campais com pontos em jogo. Usando sua sagacidade e falta de escrúpulos, Akira faz amizade com a arisca Yuuri, uma garota cujo poder é multiplicar suas capacidades físicas em cinco vezes. Através dessa aliança, Akira começa a planejar seus próximos passos.


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Não vou comentar muito sobre a narrativa até porque não tem tanta coisa a ser comentada. Prefiro me focar no mais divertido que são os poderes bizarros. Só um desses poderes que vou dizer a quem pertence até porque sabemos dele logo no primeiro episódio: o do protagonista.


1 - Sofista (Akira Shiroyanagi)


Como qualquer protagonista de animes isekai, o do protagonista é o mais roubado de todos. O poder dele é qualquer coisa desde que o adversário acredite que é. Ou seja, ele precisa fazer com que o adversário imagine que ele tem um determinado poder. Pode ser um canhão devastador (que ele usa na maior parte das vezes), metamorfose, teleporte, telepatia. Pouquíssimas pessoas sabem qual é o seu verdadeiro poder e ele manipula isso a seu bel prazer, seja fornecendo informações falsas aos oponentes ou controlando que informação é repassada. Quanto a adversários, isso depende de quem ele está entendendo como seu adversário, podendo até aliados se enquadrarem nessa classificação.


2 - Dama de Ferro


A capacidade de criar instrumentos de tortura a partir de fluidos corporais. Sim, é isso que você leu. Qualquer fluido corporal: sangue, suor, lágrimas. E os instrumentos de tortura só dependem da imaginação do usuário.


3 - Vajrapani (Inquebrável)


O personagem consegue ficar invulnerável por dois segundos. Dois segundos??? Isso. Claro que a história dá um jeito para tornar a habilidade um pouco mais roubada de acordo com a necessidade do autor. Então ele pode usar essa habilidade várias vezes, desde que respeite o período de descanso entre os usos (uma espécie de cooldown).


4 - Mediador


É a habilidade de conduzir negociações pacíficas com o seu alvo. O usuário designa um alvo a quem "negociar". A partir dali, qualquer dano sofrido pelo usuário vindo do alvo é anulado completamente durante a negociação. Quando o usuário determina uma quebra de contrato, todo o dano que o alvo tentou causar no usuário é retornado enquanto este recebe uma parte desse dano.


5 - Agiota


Uma habilidade que se relaciona diretamente com a Mediador. Todos os débitos devidos ao usuário são cobrados na forma de comandos que não podem ser negados. Ou seja, essa é uma habilidade que escraviza o alvo e o deixa sob seu controle. O que é considerado um débito depende da situação no qual o usuário coloca o alvo. Outra característica é que a extensão e a duração dos comandos que podem ser enviados pelo usuário dependem do tamanho do débito devido pelo alvo.


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Já deu para perceber o quanto o anime é criativo, pelo menos, nos poderes dos personagens. Com a habilidade roubada do Akira várias delas acabam perdendo o efeito, mas pelo menos é interessante em como o protagonista vai dar uma volta em seu adversário. Não é dos melhores animes do ano, mas consegue ser divertido e coloca umas situações bem bizarras. Quem tiver um espacinho no seu tempo para assistir, corre lá porque o anime é bem curtinho. Dá para assistir de uma tacada só.


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As geleiras do mundo estão avançando e tornando o mundo mais frio. A população do mundo entra em desespero. No meio de toda essa confusão, um homem segue em uma perseguição obcecada pela mulher que deseja.


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Sinopse:


Não é à toa que Jonathan Lethem afirma no prefácio desta edição que "Gelo" “é uma narrativa como a lua é a lua. Só existe uma.” Experimental, onírico e inebriante, o romance de Anna Kavan teve um percurso particular desde sua primeira publicação, em 1967. Se por um lado Kavan foi consagrada pela crítica ― que a filiou a escritores canônicos como Kafka, Woolf ou Beckett ― e despertou a admiração de autoras como Anaïs Nim e Doris Lessing, por outro lado, a ficcionista inglesa que adotava como pseudônimo o nome de uma de suas personagens foi menos lida do que merecia, de certo em razão de suas rupturas narrativas desconcertantes. Em meio a uma iminente catástrofe ambiental que destruirá o planeta com uma avalanche de gelo, três protagonistas inominados e envolvidos em um suposto triângulo amoroso tentam se salvar a um só tempo da destruição que se aproxima e uns dos outros. O narrador, “a garota” e o “guardião” estão sempre a um passo da aniquilação, da guerra dos homens diante da escassez de recursos, da violência de seu próprio relacionamento e das imensas paredes gélidas que engolfam seus caminhos em ambiente e tempo não definidos. Sempre no encalço da garota cristalina de cabelos brancos de tão loiros, os dois homens não poupam brutalidade para protegê-la, tratando-a como vítima incapaz e indefesa. Tudo em "Gelo" parece ruir e escapar inclusive da leitura mais atenta, como se a brancura gélida cegasse a percepção. Mas, como é comum acontecer com obras de vanguarda, o tempo vem realçando o caráter antecipatório do livro ao evidenciar mais de um aspecto central da narrativa: ao lado do protofeminismo do romance, subjaz nele a certeza de que ação destrutiva do homem sobre a natureza invariavelmente o levará à extinção. Embora temas pós-apocalípticos já fossem comuns na literatura do período pós Segunda Guerra Mundial, sobretudo pela falta de saída em que se encontravam os indivíduos fraturados, é inevitável ler "Gelo" nos dias de hoje sem associá-lo ao panorama das mudanças climáticas, tema do posfácio desta edição, assinado pela pesquisadora inglesa Victoria Walker. Não apenas pela escolha temática, mas por sua linguagem e forma, o romance pode ser lido como uma poderosa representação literária do antropoceno e do apocalipse ecológico prenunciado pela genialidade fugidia de Kavan.







Aviso de gatilho: violência contra a mulher, insinuação de estupro

Se você é sensível a esses temas, por favor, não leia a resenha






Gelo, da autora Anna Kavan, é um livro que me incomodou em muitos níveis. Daquelas leituras que você faz que são bons livros, mas o personagem é um canalha em tantos níveis que te deixa enojado. Um livro onde as cenas transbordam violência, seja concreta, seja aparente. E se você não se incomodar com o que o livro apresenta, alguma coisa está errada com você. Entrei em contato com Gelo graças a um clube de leitura que participo mensalmente chamado Filamentos onde discutimos obras cujo tema perpassa o debate sobre o Antropoceno e as alterações causas pelo homem no planeta. E este é um livro que se encaixa na categoria de ficção pós-apocalíptica (de certa forma) e que irá discutir muitos dos problemas ambientais que conversamos hoje. Mas, é um livro complicado de se chegar até o final. Em vários momentos me deu embrulho no estômago, fui surpreendido com algumas descrições bem complicadas e no final queria que o protagonista se explodisse ou fosse para o inferno.


Antes de passar para falar sobre o livro, queria dar uma puxada de orelha na editora Fósforo. Esse é um livro pesado que dispara vários gatilhos relacionados à violência contra a mulher. Não tem nenhum aviso sobre isso no começo do livro. E a obra da Anna Kavan é abundante em descrições de violências as mais variadas e abjetas possíveis. O livro é de 2022 e a gente está cansado de saber que tem que destacar esse tipo de coisa em leituras mais sensíveis. Não pode passar algo assim. Precisa estar na orelha, na quarta capa ou na página do título. Quem tem gatilho com situações de violência, vai ter sérios problemas. O protagonista se deleita com descrições de violência contra a garota a qual ele está atrás. Para não dizer que só há problemas, a edição da Fósforo é bem minimalista, com um design que gostei bastante e combina com a vibe do livro. A tradução está muito boa e a leitura flui bem. Camila von Holdefer fez um ótimo trabalho e conseguiu manter a essência seca da escrita da autora. Tem um prefácio de Jonathan Lethem, mas o meu destaque vai para o extenso posfácio de Victoria Walker que é basicamente um artigo falando sobre as conexões de Gelo com as discussões sobre desastres naturais e o papel do homem. Victoria é uma especialista na obra de Anna Kavan e vai fornecer amplos detalhes sobre o processo de escrita da autora, sua trajetória e como Gelo se insere no hall de grandes obras do gênero.


"Tinha a consciência permanente de que estava indo para a execução. Não que minha própria morte parecesse importar. Eu tinha vivido, feito coisas, visto o mundo. Não queria envelhecer, decair, perder minha inteligência e as faculdades físicas. Mas sentia essa urgência compulsiva de ver a garota mais uma vez; ser o primeiro a encontrá-la."

O protagonista é um homem obcecado por uma linda garota de longos cabelos prateados. Um amor do passado ao qual ele deixou escapar e agora tem sonhos estranhos com ela. Quando o protagonista sai em busca dela para saber de sua vida, um terrível desastre começa a se acometer sobre o planeta. As geleiras do mundo estão se espalhando e tudo está ficando mais frio. Nesse espetáculo do desastre, com vulcões de gelo jogando cristais mortais por toda a parte e animais e homens morrendo de frio, a jornada do protagonista se torna uma fuga contra os efeitos nocivos desse inverno mortal. Na confusão gerada pela mortandade causada por isso, a jovem garota foge de sua casa e acaba indo parar nas garras de um homem conhecido como "guardião". Dois homens que desejam a mesma mulher. Para possuí-la, amá-la, machucá-la e destruí-la. A destruição do mundo é também a destruição destas almas.


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A escrita de Anna Kavan é de um estilo meio experimental que possui uma crueza e um polimento que balança o leitor. Seus parágrafos são repletos de detalhes interessantes sobre o que o personagem está pensando e o que os outros estão. É curioso como ela mexe com a mecânica do fluxo do pensamento para transformar em algo só dela. E esse pensar pelos outros possui um segundo detalhe mais profundo. Como a narrativa é em primeira pessoa, representando um personagem que é enganador e iludido em uma farsa que serve apenas para acobertar seu próprio coração sombrio, o seu "pensar pelo outro" pode não ser algo real. O próprio protagonista escreve o que o outro está pensando... mas será que o outro está pensando isso mesmo ou é o que o protagonista acha que é? Nenhum dos personagens é nomeado, sendo retratados como o "eu" (o narrador), a "garota" e o "guardião". Isso dá um aspecto de aridez que é como se estivéssemos em um deserto gelado. Não importam os nomes. Não apenas não sabemos os nomes, como também não temos noção de em que lugar se passa a história. Kavan dá algumas pistas de que poderia estar se passando na Escandinávia, mas são só isso: pistas. A história segue em um rumo de fuga o tempo todo e somos transportados para várias paisagens em ruínas, alguns momentos oníricos até chegarmos a um destino final. Gostei que o final ele é subjetivo. Depende de como o leitor vai entender as últimas páginas e ele tanto pode ser entendido como um final ameno ou um desastre absoluto.


"Eu era parte de tudo isso, estava irrevogavelmente envolvido com eventos e pessoas neste planeta. Foi devastador rejeitar o que parte de mim mais desejava. Mas sabia que meu lugar era aqui, em nosso mundo condenado à morte, e que teria de ficar e assistir até o final."

O contexto onde a história se passa é esse mundo em um momento trágico. Todos estão vivendo em uma situação-limite em que as pessoas estão desesperadas para sobreviver. Isso leva os homens a momentos de bastante crueldade com o próximo. Alguns vão argumentar a estranheza de mostrar um mundo invernal, não um aquecimento global. A época em que Kavan escreveu Gelo não pensávamos em efeito estufa ou aquecimento das calotas polares. Contudo, a ficção apocalíptica estava em alta e elas prenunciam outras. Kavan é contemporânea de obras como The Drowned World, do autor J.G. Ballard (um crime esse título não estar nas prateleiras no Brasil) e Hothouse, outro clássico do cli-fi escrito por Brian Aldiss. Kavan é fruto de um período sombrio da história da humanidade quando os artistas de diversos campos saíram desiludidos com o final da Segunda Guerra Mundial. Achava-se que os conflitos estariam resolvidos, que o senso de liberdade prevaleceria e caminharíamos para um período de luz. Não foi bem isso o que aconteceu. Autores como F. Scott Fitzgerald pertencem a esse período com uma visão mais pessimista e cínica sobre a vida. Kavan se encaixa nisso. É um mundo escuro e frio, o que reflete essa visão de que estamos destruindo o lugar em que vivemos. O começo da história é como o cogumelo nascido da bomba de Hiroshima, produzindo todos esses efeitos adversos vistos depois. O contexto da história é de desesperança, de luto. Não existe salvação. É um mundo em estado terminal e a humanidade só se separa com tudo o que está acontecendo.


O protagonista é um homem desprezível. Ele segue em sua busca por uma garota angelical, ao qual ele tem um amor obcecado. Sua postura é covarde, ele se mantém alheio a todos os problemas que se apresentam ao seu redor. Em diversos momentos lhe é dada a oportunidade de salvar vidas graças à sua posição social. Ele prefere continuar em sua cruzada pela posse de uma mulher a qual ele não sabe como se sente. O seu egoísmo é patente nas páginas do livro e ele vai empregar de quaisquer meios possíveis para chegar à sua musa encantada. Tem um momento em que o guardião diz a ele que eles são parecidos e o protagonista refuta isso de forma veemente. Mas, logo depois ele se pega a refletir que ele, de fato, é parecido sim. Por mais que ele esconda suas ações, o seu desejo de posse da garota é quase doente e essa posse não se trata de um sentimento verdadeiro de amor, até porque ele nem sabe se sente amor por ela. O que as falas do protagonista deixam transparecer é uma percepção de devoção como os personagens vitorianos tinham por suas amadas. Uma devoção que, no caso dele, beira à idolatria. Mas, a beleza disso termina aí. Assim como o guardião, ele deseja machucar a garota a qual persegue. É que ele se pega em um conflito moral entre a execução da violência e a imaginação sobre ela. Ele fica no meio do caminho.


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Parando para pensar depois, Kavan nos apresenta uma garota cujas feições são angelicais, delicadas, frágeis como um objeto de porcelana. A todo o momento, os personagens masculinos desejam maculá-la. Esse ser angelical precisa ser quebrado, fraturado, sangrado. O guardião executa as violências, exercendo sua força cruel sobre seus braços e pernas, a deflorando pelo prazer de manchá-la. Tudo é mostrado ou insinuado das piores formas possíveis. Tem uma cena que não desejo dar detalhes da mesma, em que o guardião está pintando a garota. Aquilo é de um grafismo cruel quase bíblico. Outros momentos envolvem os momentos de tensão social em que a personagem tenta fugir e acaba sendo ferida de maneira cruel no processo. O narrador é movido pela sua obsessão pela garota, mas Kavan parece fazer uma paródia do amor barroco. Do amor não correspondido e inalcançável. É a busca pelo amor impossível que move a trama. Só que diferente dos personagens desse tipo de narrativa, o narrador é completamente inerte diante das situações que lhe são apresentadas. E essa inércia o deixa frustrado e nervoso. Suas ações vão se tornando cada vez mais erráticas com o desenrolar da trama.


Outro detalhe é que o personagem imagina situações bem vívidas. Seus sonhos são repletos de detalhes onde ele é o herói e precisa realizar alguma ação que o torna capaz de estar com seu amor impossível. Só que tem um detalhe: em todas as vezes a garota acaba morta em situações cada vez mais bizarras. O grau de violência cometido contra ela só aumenta desde espancamentos, abusos e até ela ser devorada por um suposto dragão, tendo deixado seus restos mortais embaixo de um fiorde. Na minha visão, é como se o narrador extravasasse a violência que ele gostaria de causar a uma mulher que não atendia aos seus desejos cada vez mais doentios. Quando ele se depara frente a frente com a garota, ele não sabe o que fazer. Porque aquilo que o movia era o perseguir a garota. Era o estar em seu encalço. Observá-la à distância. Tem alguns momentos em que a garota sofria abusos em que ele nada fez para deter os seus algozes. Os mundos oníricos que o personagem imagina são os mais variados: cenário de fantasia, um que parece saído de um filme noir, outro onde são confrontos de exércitos. Kavan é inteligente e não anuncia quando ela faz a troca entre mundo real e mundo de sonhos. Em outros romances, eu poderia entender isso como uma falha, mas no dela, mostra o quanto o personagem não consegue mais discernir entre realidade e ilusão. Seus sentimentos estão tão além do alcance que ele prefere permanecer em um mundo de abstração do que encarar os seus mau feitos no mundo real.


"Ambos a perseguiam, ela não entendia por quê. Mas aceitou, como aceitou tudo o que aconteceu com ela, esperando ser maltratada, convertida em vítima e por fim destruída, fosse por forças desconhecidas ou por seres humanos. Esse destino parecia esperar por ela desde sempre, desde tempos remotos. Só o amor poderia tê-la salvado. Mas nunca tinha buscado o amor. O papel dela era sofrer; isso era sabido e aceito. Fatalidade trazia resignação. Não adiantava lutar contra o destino. Sabia que havia sido derrotada antes de começar."

Gelo é um romance poderoso e violento ao mesmo tempo. Fruto de uma autora que possuía uma visão radical sobre o desenvolvimento da humanidade no pós-guerra. A violência que ela apresenta em sua narrativa é apresentada com tamanha naturalidade que choca o leitor. Me peguei algumas vezes surpreso com... "espera aí, isso aconteceu mesmo?". Ao mesmo tempo, é uma bela discussão sobre o antropoceno e o quanto nos desencantamos com o papel do homem como transformador. Essa transformação hoje atingiu patamares parasitários em que a natureza parece desejar se vingar de uma criatura que lhe cometeu tamanhas atrocidades. A narrativa é impactante, reflexiva e cruel. Daquelas que o leitor ficará remoendo por alguns dias. Vale a pena? Sim. Precisamos de experiências boas e ruins para formarmos uma consciência mais reflexiva sobre o nosso papel no mundo.


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Ficha Técnica:


Nome: Gelo

Autora: Anna Kavan

Editora: Fósforo

Tradutora: Camila von Holdefer

Número de Páginas: 208

Ano de Publicação: 2022


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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