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Resenha: "Asa Noturna vol. 2" de Tom Taylor, Tini Howard, Robbi Rodriguez et al

Atualizado: 19 de nov. de 2023

Depois de receber um chamado de emergência da Oráculo para uma emergência em Gotham City, Dick não percebe que caiu em uma armadilha. Todo o sistema da Oráculo foi invadido por uma nova inimiga chamada de a Vidente.


Sinopse:


A premiada equipe composta por Tom Taylor e Bruno Redondo continua sua aclamada fase do Asa Noturna com este segundo volume que se conecta ao evento Batman: Estado de Medo!O sistema de Bárbara Gordon foi hackeado! Mas quem é poderoso o suficiente para invadir a própria rede supersegura da Oráculo? E quais informações pessoais estão agora em risco? Ao investigar quem está por trás disso, os medos mais profundos de Batgirl e Asa Noturna são relevados!





Um dos males que mais vemos hoje em quadrinhos mainstream da Marvel e da DC são os eventos com crossovers. Quando um personagem não faz parte necessariamente do evento ou seu arco de histórias não foi pensado para aquilo o que vemos é ele ser puxado para um buraco negro, inserido automaticamente em um evento que interrompe o ritmo de histórias que estavam acontecendo com ele. E é precisamente o que aconteceu neste esquecível volume 2. Nesta edição vemos o personagem ser introduzido na saga Estado de Medo, que acontecia na revista mensal do Batman e a revista do Asa Noturna ficou três edições sendo um tie-in desse evento. Adiantou alguma coisa para o personagem? Não. Teve algum avanço em alguma coisa? Não. As três edições são tão importantes, mas tão importantes, que elas são mencionadas de uma forma quase envergonhada no terceiro volume do Asa Noturna que resenharemos em breve. Para completar a Panini enfiou o Anual do Asa Noturna (que também é genérico e sem importância) e as malditas histórias do Urban Legends. Já se tornou quase uma tradição nas revistas do Homem-Morcego ou dos coadjuvantes: quando você não tem nada para colocar em uma revista, enfia alguma história da Urban Legends para encher linguiça. Vou fazer essa resenha e tentar tirar leite de pedra (como o Tom Taylor tentou fazer aqui, coitado) e apresentar algo sobre essas edições, mas me senti extorquido com essa edição. Pior: nos EUA, essa parte nem é colocada como volume 2.


Neste volume 2, temos dois roteiristas fazendo parte do encadernado: Tom Taylor continua nas edições normais do Asa Noturna enquanto que a Tini Howard foi a responsável pelo Anual e pela edição aleatória de Urban Legends. Os artistas são o Robbi Rodriguez na revista principal, Cian Tormey e Daniel HDR na Anual e o Christian Duce na Urban Legends. Comecemos pelo principal porque é a única coisa que presta neste encadernado (ou seja... o nível é bem baixo mesmo). A gente sente um roteiro envergonhado do Taylor e ele tentando aproveitar algo que pudesse repercutir depois quando ele retomasse o controle das mensais. Então ele decidiu investir na relação entre o Dick e a Barbara. Neste arco de histórias, Dick Grayson recebe um chamado da Bárbara para que ele se dirigisse a Park Row, em Gotham para algum problema a ser resolvido. Quando ele chega a Gotham se depara com uma cidade sitiada, sendo administrada com mão de ferro por Simon Saint que instaurou um regime policial lá. A rede de comunicações da Babs foi invadida por uma misteriosa inimiga chamada de Vidente que agora consegue ouvir as transmissões e se fazer passar pela Oráculo. Depois de se reencontrar com a Babs, Dick, o Robin, a Batgirl (Cass) e a outra Batgirl (Stephanie) vão tentar acabar com a sabotagem da Vidente.


A arte das três edições é bem qualquer coisa com o Robbi Rodriguez entregando páginas que conseguem entregar numa boa a ação dos personagens. Fica difícil a gente fazer uma comparação com o que Bruno Redondo entregava antes porque chega a ser covardia. Rodriguez tem um estilo mais mainstream com uma arte que não me agrada muito. Seus personagens são angulares e duros demais. Falta expressividade neles e ele até tenta brincar um pouco na segunda edição que acho a melhor das três. A palheta de cores é meio vazada demais e ele tenta inserir sombras só que existem muitos veículos que dirigem luzes às ruas como parte da história de um regime policial e vigilante. Então você observa uma página escura com uma explosão de luz estroboscópica que deixa a página esquisita. As cenas de ação estão lá. Algumas são legais, mas a maioria é mal coreografada e os personagens parecem estar pulando de um lugar para o outro.


Achei legal a forma como o Tom Taylor tentou apresentar um roteiro diferenciado na história. Na primeira história a essência da coisa é a relação do Dick com o Batman e com a própria cidade de Gotham. Ele sai da Bludhaven, mas seu coração permanece lá e ele tenta entender o que ele pensa estar fazendo agora que se revelou como o benfeitor da cidade. Sua obrigação e lealdade ao Batman é grande, mas está na cara que ele se ressente um pouco de ter deixado assuntos para trás. A segunda edição é narrada pela Babs e nela ela reflete sobre o seu papel como Oráculo ao longo dos anos. Esse plot me remeteu imediatamente ao que havia sido posto na época de Crise Infinita quando o Batman construiu o Irmão Olho. Porque isso é semelhante. Babs assumiu a vigilância de toda a cidade, como se fosse um ser onipresente. Era óbvio que um dia isso se voltaria contra ela própria. A questão maior é voltar depois ao papel de Oráculo ou assumir de novo o manto de Batgirl e combater o crime. A terceira edição é um momento climático onde coisas explodem, e o plot é resolvido. Não há muito o que comentar aqui porque é uma edição orientada para a ação.


A única parte que gostei no encadernado todo foi como Tom Taylor usou as três edições para avançar o relacionamento de Dick e Babs. Eles ainda relutam para assumir um compromisso, mas aqui vemos o quanto a Babs se tornou importantíssima para ele ter pelo que lutar. Bruce e Alfred eram a bússola do Dick antes, mas a perda do Alfred foi grande demais para ele. Mesmo com Bruce sendo quase uma figura paterna para ele, o Homem-Morcego tem suas próprias preocupações e não está sempre presente para ele. A Babs é algo palpável como o Alfred era. Apesar de se tratar de um tipo de amor diferente. Para a Babs, o Dick é uma pessoa especial. Taylor mostra através de recordatórios o quanto a vida dos dois sempre esteve atrelada. Eles sempre tiveram essa química boa de duas pessoas que simplesmente se gostam. Não tem necessariamente a ver com extravasar os sentimentos depois de um dia difícil; nada disso. Se trata de um amor em que os dois se veem como pilares um para o outro. Tanto é que quando o gás do medo afeta os dois, o maior medo deles é perder um ao outro.


O anual escrito pela Tini Howard vai nos mostrar uma história em que o Capuz Vermelho aparece em uma gravação matando um grupo de bandidos que ele esteva perseguindo. Só que entre as pessoas dentro do carro atacado pelo Capuz estavam agentes do FBI infiltrados que agora culpam o Capuz pelo ocorrido. Dick e Barbara veem a cena e saem atrás do Jason Todd. Dick quer acreditar que o Jason não teve a ver com o ocorrido e se não teve, quem foi o responsável? Mas, sempre existe aquela dúvida de que pode ter sido ele de verdade. A Tini trabalha a relação entre os dois ex-Robin, mostrando o quanto eles são diferentes, porém possuem um laço de irmandade. Só que essa é uma história que já foi explorada outras vezes, seja lá atrás após a série Silêncio, do Jeph Loeb ou na série dos Foragidos. A Tini não apresentou nada de muito novo, sequer é emocionante. Achei uma história bem qualquer coisa.


A arte é dividida entre o Ciam Tormey e o Daniel HDR. E, meu deus, existe uma baita diferença da arte dos dois. Brutal. Tormey ficou com as cenas que acontecem no presente e o Daniel ficou com os recordatórios. Preferiria mais que o Daniel tivesse ficado com a edição toda e usasse algum outro mecanismo para situar quando eram cenas atuais e quando eram do passado. A arte dele é mais limpa e os traços são mais suaves. Dá para o leitor sentir a diferença qualitativa e isso é bastante incômodo. Daniel faz os personagens parecerem naturais enquanto que Torney carrega demais em sombras e hachuras. Gosto mais também da quadrinização do Daniel que usa quadros grandes e insere janelas que dão closes ou apresentam outros ângulos do que está acontecendo. Já o Tormey usa uma distribuição de três a cinco quadros que se parece só com o estilo do Daniel. Só parece mesmo porque a forma como ele lê o roteiro é um pouco diferente. Do encadernado todo, preferi a colorização deste anual. Rain Beredo e John Kalisz foram os responsáveis pela colorização e ela parece estar menos forçado. Inclusive a colorização do Kalisz me fez remeter a da Tamra Bonvillain em Melhores do Mundo. Uma arte clara que explode para o leitor e faz com que a cena fique mais potencializada. Cores claras sempre que possível, e quando não, um uso cuidadoso do azul-escuro e do roxo.

A última história é uma história natalina. Afinal, por que não né? Também da Tini Howard e ela vai pegar o plot super clichê de Os Fantasmas Contra-Atacam. Porque todo super-herói já teve um encontro natalino com o fantasma do tempo presente, do passado e do futuro. Dick está perseguindo remanescentes que fugiram de Gotham após Estado de Medo e vieram atacar Bludhaven, afinal tem poucas cidades nos EUA para eles atacarem, certo? Babs está irritada com ele porque todos o estão esperando para iniciar a ceia de natal. Dick avalia sua relação com todos enquanto tenta entender seu lugar no mundo. Algo que o Tom Taylor gastou três edições na revista principal fazendo, a Tini faz em mais uma edição. Só que usando tema natalino. Roteiro pouquíssimo criativo, uma história que poderia ter sido contada de umas dez maneiras melhores. E a gente sabe que a Tini sabe entregar roteiros mais inspirados do que isso. Estava com preguiça de ler essa história de tão chata que ela era. A gente tem nosso momento bonitinho no final, porque, afinal, ela serve para isso. A arte do Christian Duce é... a arte do Christian Duce. Ela está ali e não tenho nada para destacar dela. Poderia ter sido qualquer outro artista em um dia preguiçoso fazendo. Com todo o respeito ao trampo do artista. Mas, é uma arte normal, entrega o que tem que entregar. Com um roteiro pouco inspirado, a arte não tem o que brincar.


Minhas palavras finais sobre esse encadernado é: não leiam isso. Passem longe. Um bagulho ruim, para tirar dinheiro do leitor mesmo. Até um sujeito genial e criativo como o Tom Taylor teve extrema dificuldade para trazer algo bacana nas histórias principais. Tenho certeza que ele ficou frustrado por ter que deixar de lado algo incrível que ele estava fazendo apenas para cumprir o editorial da empresa. Pior: sequer deram para ele um artista bacana. Até porque os melhores provavelmente estavam nas edições centrais do crossover. Para completar ainda temos duas histórias sem qualquer inspiração enfiadas no encadernado só para aumentar número de páginas. Mas, existe uma luz no fim do túnel: o volume 3 (que eu já li) é anos-luz melhor a essa porcaria aqui. A gente volta a sonhar como estávamos no primeiro volume. Então... pulem esse treco, comprem o volume 3 e sejam felizes.











Ficha Técnica:


Nome: Asa Noturna vol. 2

Autores: Tom Taylor e Tini Howard

Artistas: Robbi Rodriguez, Ciam Tormey, Daniel HDR e Christian Duce

Arte-finalistas: Robbi Rodriguez, Cian Tormey, Raul Fernandez, Daniel HDR, Christian Duce

Coloristas: Adriano Lucas, Rain Beredo, John Kalisz e Sarah Stern

Editora: Panini Comics

Tradutor: Diogo Prado

Número de Páginas: 144

Ano de Publicação: 2022


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