• Paulo Vinicius

Resenha: "Black Magick vol. 2" de Greg Rucka e Nicola Scott

Depois da confusão que levou aos assassinatos na Rua Dunridge, Rowan precisa lidar com as consequências disso. Os caçadores de bruxas se aproximam perigosamente de nossa protagonista, mas os maiores inimigos podem estar ainda mais próximos.



Sinopse:


A armadilha ao redor de Rowan Black continua a se fechar, com o Martelo se aproximando de um lado e a Ascensão agora em movimento do outro lado. Mas, a ferida final pode não ser manejada por magia, mas ser feita através do coração.



Atenção: Tem spoilers do primeiro volume!!!!!!








O Poder dos Black


A história continua de onde ela parou no primeiro volume com Rowan precisando lidar com as consequências dos acontecimentos na Dunridge Street. O primeiro capítulo deste segundo arco vai contar a história e a importância da família Black para depois voltarmos a lidar com a Ascensão e a Aria (o grupo de caçadores de bruxas). Greg Rucka mantém uma dinâmica muito boa apesar de que este segundo volume se foca mais nas relações que Rowan desenvolveu com Morgan e com Hawthorne. Em qualidade eu achei este segundo volume um pouco mais devagar e me parece ser um arco de preparação para o que segue. De qualquer forma, é uma baita história e o leitor deveria aproveitar para acompanhar já que a série ainda tem poucos volumes.


A arte do Nicola Scott continua a sendo o ponto alto da série. Embora este segundo volume não tenha imposto tantos desafios ao artista. O fato de ele usar uma palheta em preto, cinza e branco dá um baita diferencial para Black Magick inserindo um visual meio noir a tudo. Mas, novamente, este segundo volume está distinto do primeiro por causa da necessidade do Rucka de tornar as lendas do universo criado por ele mais complexas. Por essa razão a arte acaba não recebendo toda a atenção que deveria. Por outro lado, Nicola Scott foi obrigado a trabalhar mais nas expressões dos personagens, uma limitação que acontece devido ao aspecto mais intimista deste segundo volume. O visual da dupla Ascensão é do cacete. Principalmente a garotinha; simplesmente assustadora. Tem uma cena lá pelo décimo capítulo em que a garotinha está andando pelo hospital e um médico vem perguntar se ela estaria perdida. O olhar que ela devolve é macabro.



Senti falta um pouco do trabalho da Rowan como policial e investigadora. Imaginei que eu veria mais disso até porque o Rucka gosta de histórias nessa linha (vide o arco que ele fez na série do Demolidor, pela Marvel). Não levem isso pelo lado água com açúcar dessa comparação, mas esse segundo volume me lembrou um pouco Charmed, aquela série sobre bruxas que passava há algumas décadas atrás. Isso porque o foco aqui é em mostrar a importância da família Black, de onde vem o conhecimento e poder das bruxas e por que elas acabaram se tornando reclusas. Excelente a solução do Rucka que dá às bruxas bastante conhecimento, sem torná-las apelativas. Estava em dúvida sobre qual abordagem eu curti mais: a de Scott Snyder em Wytches ou a do Rucka, aqui. Posso dizer com convicção que prefiro agora a do Rucka. Embora o Snyder tenha apresentado ideias aterrorizantes, achei a forma como o Rucka explora o mito como algo mais verossímil.


Conhecemos um pouco mais da relação entre Hawthorne e Rowan neste volume. Para quem esperava um romance lésbico, quebrou um pouco a cara. Até acho super legal a maneira como Rucka aborda a amizade e a confiança das duas. O autor poderia ter criado um romance artificial apenas para abarcar um apelo LGBT. E ele preferiu tornar a relação entre as duas ainda mais repleta de camadas. Gostei porque isso permite explorar de muitas formas diferentes como elas ficaram juntas, por que confiam uma na outra. E até associar isso ao conhecimento adquirido através de gerações de bruxas foi bem inteligente. Sério... seria muito fácil cair em uma armadilha aqui. Hawthorne acaba se tornando bem participativa neste volume, precisando lidar com a Aria no lugar da Rowan.


A Aria finalmente aparece na forma dos dois caçadores: Stepan e Leclerc. Bom também perceber que o Rucka fugiu do lugar comum de apresentar caçadores fanáticos e mortíferos. Tem uma ótima discussão entre Leclerc e Hawthorne que mostra que a Aria não é simplesmente uma versão moderna da Santa Inquisição. Eu imaginei isso lá atrás e o autor quebrou minha expectativa pelo clichê. Só o que eu fiquei em dúvida ainda é acerca das motivações e do comportamento de Leclerc. Ele aceita facilmente o convite de Hawthorne. Para um caçador, ele poderia ter sido levado a uma armadilha e ter sido morto em um piscar de olhos. Esse, para mim, foi um furo de roteiro. Queria ver um pouco mais de tensão entre Rowan/Hawthorne, a Aria e a Ascensão. Acho que essa dupla ameaça faria a narrativa ganhar muito dinamismo, já que a dupla de protagonistas não saberia de onde viria o perigo. Me parece que não é isso o que veremos a seguir.


E no fim temos a Ascensão. Ainda são seres envoltos em mistério, sendo que este segundo volume não revela a respeito dos perseguidores misteriosos. O que deu para entender e esta era uma desconfiança que vimos no primeiro volume, é que elas estão atrás de Rowan. Pelo que vimos no sexto capítulo e sem dar spoilers, Rowan parece ter herdado habilidades mágicas poderosas. Sem comentar mais, essa é a impressão que ficou. Uma segunda dedução que vem a partir do primeiro volume é que são seres demoníacos. E é isso o que temos. A relação entre Rowan e Morgan acaba entrando na mira da Ascensão. A filha de Morgan está para nascer e a química que existe entre a dupla acaba ficando mais forte. A questão é como Morgan vai lidar com isso. Ele se deixa levar pela sua paixão por Rowan ou continua com sua esposa que acaba de ter um filho. Nossa bruxa fica dividida entre deixar Morgan ser feliz ou ser egoísta e ir atrás daquele que ela ama. Como isso se relaciona com a Ascensão? Bem... digamos que elas vão explorar essa dúvida no coração de Rowan.



Um segundo volume tenso e que no final deixa a gente com várias pulgas atrás da orelha. A arte do Nicola Scott ficou em parte limitada pelo fato de ser um volume mais tranquilo do que o anterior. Apesar disso ele trabalha bem nas expressões dos personagens, conferindo emoção e drama às cenas. O roteiro está preciso apesar de ter alguns furos que me incomodaram como o fato de a Aria aceitar facilmente conversar com seus inimigos. Estranho e pouco coerente. No mais, minha única reclamação é o fato do Rucka demorar tanto tempo entre uma edição e outra. O próximo arco de histórias parece que vai sair apenas no segundo semestre de 2020.












Ficha Técnica:


Nome: Black Magick vol. 2

Autor: Greg Rucka

Artista: Nicola Scott

Editora: Image Comics

Número de Páginas: 136

Ano de Publicação: 2018


Outros Volumes:

Volume 1


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