• Paulo Vinicius

Resenha: "Black Magick vol. 1" de Greg Rucka e Nicola Scott

Rowan é uma detetive do Departamento de Polícia de Portland. Ela esconde um segredo: Rowan Black é uma bruxa. E parece que alguns criminosos descobriram o seu segredo e o de seu coven na floresta. Uma ameaça terrível se aproxima.

Sinopse:


Rowan Black is a detective with the Portsmouth PD... and a witch, two aspects of her life she has struggled to keep separate. Now someone is targeting Rowan, someone who knows her secrets and means to expose her... or worse.




Depois de ter lido Wytches no ano passado com as bizarrices pensadas por Scott Snyder, eu queria ver alguma coisa mais puxada para o tradicional. E sou presenteado com esta bela edição que nos coloca um dos melhores roteiristas dos últimos anos, Greg Rucka, no leme desse tema. Ele explora bem ao seu estilo a personagem e aquilo que a cerca de uma forma bem eficiente.

Sou fã do Rucka da fase do Demolidor, personagem da Marvel. Ele conseguiu entregar um personagem bem construído vivendo na Cozinha do Inferno, um cantão de Nova York onde se passam suas histórias. Desde ali eu percebi o quanto o autor gosta de situar os seus personagens em um local específico e ir construindo a sua relação com o lugar pouco a pouco. E é isso o que o autor faz nesse primeiro volume. Ao final do quinto capítulo parece que conhecemos muito bem a personagem e alguns de seus coadjuvantes. Rucka consegue aterrar Rowan Black de tal forma que tudo o que está acontecendo parece bastante natural. Nada é fantástico demais, apesar de ter alguns toques de sobrenatural. Fiquei muito animado para saber o que vai se seguir no segundo volume.

Os traços do Nicola Scott são lindos. Muito expressivos e detalhistas, ele consegue entregar formatos corporais e de rosto bem diferentes do comum. A própria Rowan Black é bem diferente do padrão: cabelos rebeldes, olhos escuros e uma maçã do rosto pronunciada. Mesmo eu que não entendo tanto de traçado consigo reparar na diferença dos tipos de personagem que o Scott nos apresenta. Claro que o que vocês, leitores, mais vão reparar é na estética preto e branco da história. O artista usa um efeito tipo sépia que dá uma impressão noir à narrativa. Não chega a ter aquele esquemão com luzes e neon e cidade decadente, mas no pouco que ele explorou de Portland deu para reparar que o objetivo é realmente ir por essa vertente. Isso aliada a uma narrativa policial com toques de sobrenatural. Achei lindo o traçado e a escolha de cores. Realmente chama a atenção e é algo decididamente único nos últimos anos.

Mesmo em uma edição, Rucka consegue nos apresentar muito bem a personagem e suas motivações. Rowan não chega a ser uma bad-ass, mas é uma mulher firme e de personalidade. Aos poucos, o autor vai nos apresentando os ambientes em que ela vive: a delegacia de polícia e o coven. Pelo pouco que eu pude ver, Rowan parece ser uma mulher mais solitária, muito por conta do seu segredo. Acho que nas próximas edições, Rucka deve explorar um pouco mais a personalidade da protagonista (pelo que eu conheço do trabalho dele). O ambiente em que a personagem vive também é importante na narrativa do autor que gosta de tecer uma trama para calcar a personagem em algum ambiente.

O elemento sobrenatural é colocado de maneira muito sutil. Apesar de elas serem bruxas, elas não ficam usando mágica a torto e a direito. Existe toda uma ritualística no emprego destes poderes. Ou seja em uma única edição já conhecemos a prática e as limitações. Achei legal o efeito que Scott dá durante o uso de algum feitiço: são os únicos momentos de colorização da edição. Então quando algo sai mais colorido na revista, o leitor já sabe que algo grandioso está acontecendo. Pelo que eu pude entender, a magia tem relação com mitos antigos. Então é um prato cheio para quem curte essas relações, apesar de toda a liberdade criativa tomada pelo autor.

A narrativa é bem simples nesse primeiro momento. Uma simples história de perseguição, de algum tipo de inimigo oculto fixado na personagem por algum motivo. A construção de mundo me interessou bastante porque Rucka introduz máfia, Igreja, elementos demoníacos. Isso acaba criando um mundo muito rico onde as histórias podem acontecer. Fiquei um pouco chateado pelo hiato de um ano entre a primeira e a segunda edição que me fizeram até pensar que o autor havia abandonado o projeto. Mas, parece que Rucka voltou com tudo, e as aventuras de Rowan Black vão continuar. Isso porque esse primeiro volume serviu mais para apresentar os personagens e alguns dos adversários da protagonista. Ele deixou um cliffhanger no final que explodiu minha cabeça. Para você que curte esse tipo de histórias, Black Magick é um prato muito cheio. Me parece que os direitos da série foram comprados e pode vir a se tornar uma série daqui a alguns anos.


Ficha Técnica:

Nome: Black Magick vol. 1 Autor: Greg Ricka Artista: Nicola Scott Editora: Image Comics Gênero: Fantasia Número de Páginas: 128 Ano de Lançamento: 2016

Outros Volumes:

Volume 2


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