• Paulo Vinicius

Resenha: "Segunda Fundação" (Fundação vol. 3) de Isaac Asimov

Atualizado: 6 de Jun de 2019

Na conclusão da primeira trilogia da Fundação veremos como os nossos protagonistas vão lidar com a ameaça do Mulo. E como os planos de Seldon alcançarão um estágio avançado.

Sinopse:


Lançado originalmente em 1953, o livro Segunda Fundação, de Isaac Asimov é o terceiro volume da clássica Trilogia Fundação, vencedora do prêmio Hugo de melhor série de todos os tempos. A obra da continuidade aos acontecimentos de Fundação e Império, porém, enquanto os dois primeiros volumes retratam a Fundação mantenedora do conhecimento científico, o terceiro romance revela a Segunda Fundação, que guarda segredos inimagináveis. Neste livro, que segue o mesmo modelo de contos dos outros dois volumes da trilogia, Hari Seldon já havia previsto que a humanidade perderia seu domínio sob a galáxia. Para evitar esse desastre, elaborou um plano que, seguido à risca, em mil anos deveria fazer surgir uma nova era de glórias para o homem. Mas nem ele contava com o Mulo, um ser mutante que pode colocar tudo a perder. Seu objetivo é derrotar a Fundação para que um novo império se erga em torno de seus fantásticos poderes mentais. E, para consolidar sua vitória, ainda terá de enfrentar um inimigo igualmente poderoso.



Este é o último livro da primeira trilogia da Fundação. O autor procura fechar algumas de suas ideias e lançar outras. Em questão de timing este foi um bom livro. Asimov conduziu bem seus personagens até o contato com a Segunda Fundação. O plot twist que ele faz no final era esperado, não tendo sido surpreendente. Ou seja, eu esperava um pouco mais, mas o final não foi ruim. Todos os volumes da Fundação (tanto da primeira série como da segunda) possuem um tema desenvolvido ao longo do livro. No anterior o Mulo é usado para demonstrar como a interferência de um indivíduo pode alterar radicalmente o curso da história. Em Segunda Fundação, podemos dividir o livro em duas partes: o confronto final com o Mulo e a altercação com os membros da Segunda Fundação. Nessa segunda parte é preciso apontar o evento que é a guerra contra Kalgan. Na primeira metade existe novamente a busca pela origem de tudo: Asimov mostra que mesmo civilizações avançadas querem saber de onde se originam. É um tema que começa a ser comentado e será abraçado em Limites da Fundação. Para os protagonistas, encontrar a Segunda Fundação era como encontrar o próprio espírito de Hari Seldon. A sabedoria de Seldon saberia resolver o problema com o Mulo. Mesmo enfraquecido este representava uma ameaça significativa. Finalmente conhecemos a Segunda Fundação. Seldon separou as ciências exatas daquelas que se focam no desenvolvimento humano. Aqui ele não explica o motivo exato para essa separação. É abordado por alto por Preem Palver, mas permanece meio mal explicado. Ele só vai retomar esse gancho em Origens da Fundação, último volume da segunda série. A justificativa usada aqui é a de que todos se tornariam dependentes das previsões do cientista. Em mais de uma ocasião, Asimov explicou que as teorias de Seldon só funcionariam se os indivíduos agissem por si só. A psico-história dependeria do funcionamento harmônico do empreendedorismo humano.

Por causa dos desvios provocados pelo aparecimento do Mulo, os membros da Segunda Fundação tiveram que se revelar. Enquanto que os membros da Primeira eram técnicos, os membros da Segunda possuíam poderes mentais. Seldon encarregou a Segunda Fundação de proteger o andamento do plano. O que era para ser um trabalho complementar tornou-se uma ameaça. Os técnicos acharam que os mentalistas deveriam se revelar. Continuar escondidos significava algum tipo de ameaça implícita. No fundo tal era verdade. A ideia de Seldon era que a Primeira Fundação se desenvolvesse tecnologicamente até um ponto em que a Segunda seria responsável por governar Terminus. Tratava-se de uma dominação interior. Já a Primeira Fundação tomou ares parecidos com os de Trantor em seu auge: expansionista e intimidadora. Para eles, o Segundo Império nada mais seria do que a substituição de um por outro. Formas diferentes de estabelecer o domínio: o desenvolvimento tecnológico ou a evolução intelectual? Este é um dos ganchos que Asimov deixará para uma exploração futura. O confronto entre Terminus e Kalgan acaba sendo um reflexo da discordância entre as duas fundações. Asimov acaba optando por uma solução conciliadora deixando para resolver a questão posteriormente. Eu achei que essa atitude foi uma falta de iniciativa do autor. Ele acabou dando uma barriga para o livro. Temas que ele vai abraçar em Fundação e Terra poderiam ser solucionados aqui. Tirando essa opção conciliatória, a obra possui um tom mais dinâmico do que outros volumes. A solução encontrada para o confronto entre as duas Fundações também não me agradou. Pode ter parecido inteligente, mas na minha opinião, foi uma opção preguiçosa. E sabemos que Asimov sabe fazem muito melhor. A segunda série da Fundação vão apresentar um tom diferente até mesmo em relação ao tratamento de seus personagens.


Ficha Técnica:


Nome: Segunda Fundação

Autor: Isaac Asimov

Série: Fundação vol. 3

Editora: Aleph

Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Marcelo Brabão

Número de Páginas: 240

Ano de Publicação: 2009


Outros livros da série:

Fundação (vol. 1)

Fundação e Império (vol. 2)

Limites da Fundação (vol. 4)

Fundação e Terra (vol. 5)


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