• Paulo Vinicius

Resenha: "Eden vol. 7" de Hiroki Endou

Atualizado: 6 de Nov de 2019

Em um volume que prepara os leitores para os últimos momentos da série, vemos a luta de Elijah para recuperar sua irmã, Mana, das mãos da Propater.


Sinopse:


Para desativar a micromáquina implantada no corpo da Mana e resgatá-la do controle da Propater, o Elijah e Ethia tentam se encontrar com o homem que desenvolveu o sistema da micromáquina e que já fez parte do Projeto Pleroma, mas o sujeito é um tanto peculiar até para os padrões dos dois... Ao mesmo tempo, o Ennoia também está agindo! Tudo indica que o plano dele é sequestrar o novo presidente do conselho da Propater, mas qual será o seu real intuito?




Antes de começarem a ler fica o alerta de spoiler. Já em um volume tão avançado de Eden, não tem como não dar. Então fica a critério de vocês, gente.

O começo de Eden é tão explosivo e a série perde muito fôlego ao longo dos volumes subsequentes. Chego a ficar triste de ver uma queda tão vertiginosa. Isso faz com que a série seja muito desbalanceada apesar de continuar a ser bem ousada em alguns momentos. Minha experiência de leitura com este volume 7 foi péssima. Foi uma leitura cansativa que eu contava as páginas para saber quando vou terminar. Se não faltassem só dois volumes para terminar, eu decididamente abandonava.

Mas, vamos à resenha em si. A escrita do Endou é boa. Só que parece que ele se perde no que ele quer fazer ao longo da narrativa. Somos capazes de perceber para onde ele quer levar a história e os elementos intrigantes inseridos por ele nos capítulos. Ele faz alguns cortes para causar um suspense no leitor. O problema é que a cadência da história fica muito prejudicada. Por exemplo: neste volume ele se focou no resgate da Mana, mas inseriu pedaços de como anda a situação com os colóides. Pedaços mesmo... São poucas páginas ao longo do volume inteiro e metade de um capítulo só para mostrar a quantas andam as descobertas feitas pela equipe que está na Austrália. Um tanko é formado por pelo menos 6 a 8 capítulos. Impossível que não dá para pôr um interlúdio entre os momentos de ação só para se focar nessa parte. A gente já percebeu que esse plot dos colóides vai convergir com a guerra entre Ennoah e Elijah e a Propater. Definitivamente, a escrita não estava boa e na metade final deste volume BIG é que eu vi lampejos do velho Hiroki lá do volume 1 apresentando ideias incríveis e fazendo boas discussões ao lado de momentos de ação visceral. Mas, foi só isso mesmo: lampejos.

O traço do Endou salvou este volume. O que era chato e desinteressante no aspecto narrativo, pelo menos teve bons momentos de ação. Os cenários não eram nada espetaculares, mas precisavam ser preenchidos de forma competente pelo autor. Todos se passam em centros urbanos e um pedaço na propriedade do Feynman. Tem uma splash page de Uluru com os coloides se liquefazendo que eu achei lindo. Mas, esta edição teve vários momentos de ação. Temos três deles: o ataque à propriedade de Feynman, a perseguição à Alona e o resgate da Mana. Todos muito bem dirigidos com o autor mostrando como ele tem uma ótima visão de quadros e ação. Ele tem uma boa pegada sobre como o corpo humano se move e consegue criar alguns momentos bizarros de tiroteio e perseguição. Teve só um momento que eu achei estranho: foi um duelo entre a Alona e um ciborgue no telhado em que ele cria duplicatas corporais para dar um efeito Matrix (chama-se bullet time) ... Aquilo ficou esquisitíssimo. Para mim eu acho que ele teria que ter usado um traço em tons transparentes para dar esse efeito. Do jeito que ficou parece até que a Alona virou um cosplay de Kali, a deusa hindu da morte.

"No lugar onde eu nasci e cresci, eles faziam "promoções" de vidas humanas... Lá, vidas eram geradas e mortas com a maior facilidade. Já a sua, vale muito dinheiro. Devia agradecer por isso."

Vários temas permeiam essa edição de Eden. Só achei que alguns deles como o do Feynman poderiam ter sido mais explorados. Aqui estamos diante de um cientista que vive com uma família feita de ciborgues. Ele está no meio dessa família e a dificuldade de Alona e Elijah é descobrir quem é o cientista. Ele detém o conhecimento necessário para retirar o explosivo que está no corpo da Mana. Vemos o quanto Elijah não se preocupa muito com os meios para se atingir um fim. Ele contrata um grupo de sequestradores de crianças para raptar Feynman. Não preciso nem dizer que isso leva um rastro de destruição à vida isolada do cientista. Fica a crítica do Elijah à estranha vida vivida por ele. Fiquei um pouco pensativo em relação a isso porque o cientista aceita muito facilmente ajudar Elijah. O personagem arrebenta com a vida dele, empregando criminosos da pior espécie só para saber quem é o cientista. Mesmo que Feynman sinta que tem responsabilidade em relação ao que acontece a Mana, não acho que alguém no lugar dele iria de boa vontade.


Fica também o questionamento sobre a substituição de seres humanos por máquinas. Mesmo elas tendo as memórias de uma família, elas compõem uma família de verdade? Vai chegar um momento no futuro em que isso pode se tornar comum quando o ser humano aprender a transferir suas memórias para receptáculos (muito no que acontece no livro Carbono Alterado, de Richard K.Morgan). Uma coisa colocada neste volume é que as máquinas não são capazes de crescer, mesmo sendo Inteligências Artificiais. A vida de Feynman dentro daquela propriedade estava parada no tempo ad eternum.

Alona é aprofundada bastante neste volume e sua relação com Elijah se complica. Isso porque depois de uma batalha no hospital em que ela perde seu tio, a personagem acaba precisando sair da força policial. Ela sabe que se retornar à sua terra natal será executada logo que pisar no Peru. Então é como se Alona tivesse chegado ao fundo do poço. Ao perder tudo o que a caracteriza, ela perdeu a própria identidade. O que ela é? Quem ela é? Qual o seu objetivo? Volta para casa, termina o que faz ou acompanha Elijah? Já Elijah é um personagem que se tornou complicado demais para se envolver. Tudo o que ele passou o transformou em um homem perdido, assombrado por seus próprios demônios. Frequentemente recorre ao obscurecimento e ao vazio deixado pelas drogas que lhe dão o alívio desejado por ele. Mesmo sendo chamado a atenção pela Lethia, não há remédio mais para a dor na alma do protagonista.

Ao final temos ainda uma conversa entre o novo superintendente da Propater e Ennoia. Mesmo a Propater querendo estabelecer um ideial de unificação, não é isso o que ela demonstra durante suas ações. A Propater tem seus próprios objetivos e nenhum deles envolve uma diminuição das desigualdades. A troca de palavras entre Ennoia e Kanté é fantástica onde o segundo apresenta um futuro provável para o continente africano que gera o presente da história. A história alternativa criada por Endou não é nem um pouco distante do que acontece nos dias de hoje. Os conflitos ocorridos no continente africano continuam ocorrendo. Endou especula e extrapola bastante, mas muito do que ele coloca ali vivemos hoje no presente. Não estamos preparados para evoluir como indivíduos. Não estamos preparados para o porvir porque estamos presos ao presente e aos nossos conflitos mesquinhos. As disputas entre nações são as mesmas de há 100, 150 anos atrás. Perceber isso é triste.

Este volume 7 definitivamente não me agradou apesar dos fortes momentos de ação espalhados pelo volume. Mas, o desenvolvimento da história está muito fraco e desequilibrado. O autor precisa dividir um pouco o peso das histórias para construir um todo uniforme. Vou terminar de ler a série apenas porque faltam mais dois volumes, mas definitivamente perdi o interesse.



Ficha Técnica:

Nome: Eden vol. 7 Autor: Hiroki Endou Editora: JBC (no Brasil) Gênero: Ficção Científica

Tradutor: ----- Número de Páginas: 400 Ano de Publicação: 2016


Outros Volumes:

Volume 1

Volume 2

Volume 3

Volume 4

Volume 5

Volume 6

Volume 8

Volume 9



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