• Diego Araujo

Resenha: "A Tormenta de Espadas" (Crônicas de Gelo e Fogo vol. 3) de George R.R. Martin

A Tormenta de Espadas é o terceiro volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo. Dois calhamaços já foram, já apresentaram a trama e elaboraram boas reviravoltas, e neste tem muitas surpresas reservadas aos leitores, essas que são o foco da análise desta resenha.



Sinopse:


O futuro de Westeros está em jogo, e ninguém descansará até que os Sete Reinos tenham explodido em uma verdadeira tormenta de espadas.


Dos cinco pretendentes ao trono, um está morto e outro caiu em desgraça, e ainda assim a guerra continua em toda sua fúria, enquanto alianças são feitas e desfeitas. Joffrey, da Casa Lannister, ocupa o Trono de Ferro, como o instável governante dos Sete Reinos, ao passo que seu rival mais amargo, lorde Stannis, jaz derrotado e enfeitiçado pelas promessas da Mulher Vermelha.


O jovem Robb, da Casa Stark, ainda comanda o Norte, contudo, e planeja sua batalha contra os Lannister, mesmo que sua irmã seja refém deles em Porto Real. Enquanto isso, Daenerys Targaryen atravessa um continente deixando um rastro de sangue a caminho de Westeros, levando consigo os três únicos dragões existentes em todo o mundo.


Enquanto forças opostas avançam para uma gigantesca batalha final, um exército de selvagens chega dos confins da civilização. Em seu rastro vem uma horda de terríveis criaturas místicas – os Outros: um batalhão de mortos-vivos cujos corpos são imparáveis.





Lordes se tornaram reis autointitulados, e alguns já caíram. Batalhas foram vencidas, e o reinado oficial sobrevive. Já percorremos dois volumes, então sabemos: nada é tão simples. Novas preocupações surgiram e antigas conspirações brotaram das sementes plantadas mesmo antes da história narrada. A vida continua embora a sobrevivência seja incerta, além de surpresas sobre desfechos em aberto no volume anterior. Novos objetivos na jornada, novos medos, inúmeros acontecimentos vindos de todo um continente que pulsa vida, enquanto parte de suas artérias são dilaceradas pelas garras do enredo. Muitas batalhas aguardam os leitores de A Tormenta de Espadas, lançado pela primeira vez em 2000 por George R. R. Martin e relançado em 2019 pela editora Suma sob a tradução revisada de Jorge Candeias. O terceiro volume é o maior até então por quantidade de conteúdo, com muitos acontecimentos a sobrecarregar os personagens que acompanhamos desde o começo da saga, além de outros dois personagens dotados de foco narrativo a partir de agora.

“Algumas batalhas ganham-se com espadas e lanças, outras com penas e corvos.”

Foram apresentados os enredos focados em cada personagem nas resenhas dos livros anteriores. Com as tramas já definidas e no intuito de evitar spoilers dos desfechos em aberto no segundo volume, a apresentação a seguir concentra-se no enredo geral em vez dos personagens. No mais, mantém-se o aviso de abordar os acontecimentos ocorridos antes de A Tormenta de Espadas.

Porto Real sobrevive ao ataque de Stannis Baratheon após manter a defesa a tempo dos reforços chegarem. Após a vitória, vem as cobranças de consequências inesperadas. Com Tywin na capital, Tyrion perde o cargo de Mão do Rei e recebe novos desafios em uma nova função. Livre do casamento com Joffrey, Sansa mantém-se trancafiada em terror por estar isolada dos remanescentes da casa Stark. Porto Real busca novas alianças, e assim receberá ações inesperadas.

Fora de Porto Real, há o exército de Robb Stark. O jovem lobo vencia todas as batalhas sem ter o mesmo progresso na guerra, ainda mais após a perda de Winterfell para os homens da casa Greyjoy. Com uma união prometida através de casamento com a família Frey, Robb ocupa a mente com preocupações mais urgentes, deixando a mãe Catelyn preocupada.



Daenerys continua em sua busca pela conquista de seu próprio exército e demais recursos fora de Westeros, enquanto começa a descobrir verdades ocultas dos próprios seguidores; seus dragões crescem, ainda incapazes de atacar o reino tomado dos Targaryen à força. Já ao norte de Westeros, os selvagens estão prontos para confrontar a Muralha e seguir ao sul. Os personagens da região exploram a situação, descobrem junto ao leitor histórias antigas e ameaças vigentes, sem falar do perigo prestes a chegar a todos, independente a qual rei os joelhos dobram.

“A guerra transforma muita gente honesta em ladrões.”

A Tormenta de Espadas tem título sugestivo, convida os leitores a encontrar conflitos travados em batalhas ou armadilhas inusitadas para os cavaleiros. É o melhor volume aos fãs de cenas de ação, essas anunciadas desde o começo do capítulo, por vezes mesmo antes, ou surpreendem ao descrever sequências de acontecimentos banais, típicos de eventos aristocráticos, e em seguida as espadas são desembainhadas em nome do respectivo rei, sob juramento dos Sete Deuses, Deuses Antigos ou Senhor do Fogo.

Cenas de ação compensam o calhamaço de páginas, e não se restringe a isso. As jornadas de cada personagem estão estabelecidas, sem a necessidade de apresentá-las. O autor também não pecou em dar mais espaço à ambientação, a história acontece conforme os parágrafos são lidos. Ao chegar nos capítulos finais de cada personagem, é incrível lembrar que o terceiro volume começa de tal maneira, e então observamos toda a evolução dos acontecimentos até os personagens serem levados até aquele momento. Pendências foram resolvidas, com as consequências prontas a vir na quarta etapa da saga.

A Fúria dos Reis foi criticada em resenha deste blog no quesito da abordagem escrita. Quanto a alternar a narrativa com pensamentos do personagem focado, era esperado manter a abordagem, inclusive por toda a saga. Em outras palavras, quem sentir incômodo pela quebra de ritmo no mesmo parágrafo, continuará incomodado. Algumas passagens recompensam com frases dignas de citação, vai além de dar a perspectiva do personagem no momento vigente, pois condensa toda a situação daquele capítulo e ainda elabora uma frase criativa.



“É sempre fome, peste e guerra. Ah, e o inverno, e a longa noite que nunca termina”

Quanto a condução de cenas, também ficou menos repetitiva. Ainda acontece, apenas em escala bem menor. O problema aqui é outro, capaz de comprometer até mesmo as grandes cenas de ação e acontecimentos do enredo. A narrativa das Crônicas de Gelo e Fogo consiste em capítulos alternados pelas perspectivas dos personagens, cuja passagem de tempo e eventos alheios a eles ocorrem de forma disforme, ora revelados no capítulo de outro personagem, ora submersos na narrativa até a possível revelação. O autor se aproveitou das regras narrativas elaboradas por ele mesmo e, de certa forma, trapaceou no próprio jogo. Muitas ocorrências surpreendentes neste volume são feitas porque de fato os capítulos anteriores não mostraram nada ao leitor, salvo o comportamento de um ou outro personagem a permanecer incógnito mesmo durante o ato e, por conveniência, os capítulos posteriores justificam porque os demais personagens não tiveram acesso a uma informação capaz de indicar a reviravolta. Além desta forma ainda tem a inconsistência dos rumores plantados por Westeros, reelaborando narrativas ao esconder as informações verdadeiras. Algo interessante de ver a diversidade da interpretação das mais diversas pessoas a viver neste mundo de fantasia, porém ao usá-lo no leitor, abre precedente para o autor fazer o que bem entender sem plantar a ideia antes, apenas justificando depois.

Na ousadia de manter muitos personagens e jornadas paralelas, existe o risco de inconsistências. Dentre elas há duas neste romance. Primeiro com Daenerys e a relação dos dragões desenvolvida em todo o segundo volume e parte do terceiro, até a personagem anunciar algo contra toda esta elaboração de forma abrupta. Apesar da ação seguinte revelar a surpresa planejada por Daenerys, até chegar neste momento fica o incômodo de ter prejudicado a construção da personagem, ainda mais pelo leitor ter acesso aos pensamentos espontâneos dela, os quais ainda afirmaram a intenção anunciada quanto aos dragões. O segundo ocorre com Tyrion no decorrer do casamento, este sem chegar a ser consumado. O anão fala abertamente a pessoas capazes de prejudicá-lo sobre a disponibilidade de arranjar prazer nas prostitutas, mas segreda nos trechos de pensamento de caso alguém souber sobre tais relações, seria prejudicado. Por ser perigoso afirmar isso conforme o pensamento, por que o disse a outro personagem?

A Tormenta de Espadas é prato cheio a leitores interessados num dos aspectos mais envolventes nos romances de fantasia: as cenas de ação. Com toda a trama situada, o enredo pôde progredir como nunca, trazendo grandes acontecimentos, esses postos em xeque pelas consequências da proposta ousada do autor a esta saga. Grandes reviravoltas vêm de enormes contextos, como icebergs, cujo maior volume se encontra submerso. O autor pecou por arrancar uma parte inferior, trazê-la à superfície e arremessá-la aos navios apenas para chocar a plateia. Poderia ao menos mostrar este pedaço descolando da parte debaixo, então subindo até atingir a história principal; o máximo feito foi puxar lascas debaixo como se justificasse o bloco de gelo vindo do nada em seguida.

“Qualquer homem que tenha de dizer ’sou o rei’ não é rei de verdade.”













Ficha Técnica:


Nome: A Tormenta de Espadas

Autor: George R.R. Martin

Série: As Crônicas de Gelo e Fogo vol. 3

Editora: Suma

Tradutor: Jorge Candeias

Número de Páginas: 832

Data de Publicação: 2019


Outros Volumes:

A Guerra dos Tronos (vol. 1)

A Fúria dos Reis (vol. 2)


Link de compra:

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*Material enviado em parceria com a editora Suma


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