• Diego Araujo

Resenha: "A Guerra dos Tronos" (Uma Canção de Gelo e Fogo vol. 1) de George R.R. Martin

O seriado Guerra dos Tronos teve a sua conclusão neste ano. É a hora de se recuperar da ressaca acompanhando a saga de livros, e por que não desde o começo? A resenha da vez é o volume que estreia As Crônicas de Gelo e Fogo, o que o seriado tomou como homônimo ao título, A Guerra dos Tronos.

Sinopse:


A guerra dos tronos é o primeiro livro da série best-seller internacional As Crônicas de Gelo e Fogo, que deu origem à adaptação de sucesso da HBO, Game of Thrones.

O verão pode durar décadas. O inverno, toda uma vida. E a guerra dos tronos começou. Como Guardião do Norte, lorde Eddard Stark não fica feliz quando o rei Robert o proclama a nova Mão do Rei. Sua honra o obriga a aceitar o cargo e deixar seu posto em Winterfell para rumar para a corte, onde os homens fazem o que lhes convém, não o que devem... e onde um inimigo morto é algo a ser admirado.

Longe de casa e com a família dividida, Eddard se vê cada vez mais enredado nas intrigas mortais de Porto Real, sem saber que perigos ainda maiores espreitam a distância.

Nas florestas ao norte de Winterfell, forças sobrenaturais se espalham por trás da Muralha que protege a região. E, nas Cidades Livres, o jovem Rei Dragão exilado na Rebelião de Robert planeja sua vingança e deseja recuperar sua herança de família: o Trono de Ferro de Westeros.




O mundo é fantástico, de aspectos medievais e perigo constante. A magia, pouco presente e menos reconhecida pelos cavaleiros responsáveis por fazer a história de Westeros, é mencionada nas histórias, nas crônicas sobre os dragões do passado trazendo a nova monarquia a Porto Real. Crônicas sobre seres vindos antes do homem hoje residem apenas nas lendas dos nortenhos e crônicas sobre os Outros que no passado remoto fizeram os ancestrais construírem a Grande Muralha, organizando a Patrulha da Noite.


Chega a era de uma nova história, e As Crônicas de Gelo e Fogo começam pela A Guerra dos Tronos. Publicado originalmente em 1996 por George R. R. Martin com nova edição em 2019 pela editora Suma e traduzido por Jorge Candeias, é o primeiro volume da grande saga de livros que ainda estão em andamento, apesar de concluída no seriado da HBO meses atrás.

“O inverno está chegando, dizia o lema Stark.”

A narrativa alterna cada capítulo seguindo o ponto de vista de determinados personagens. Ela conta a história presente e apresenta os diversos personagens das famílias mais importantes de Westeros e os vassalos de maior destaque. Westeros é o lar de Sete Reinos, todos subjugados pelos herdeiros da família Targaryen até a queda do Rei Aerys II conquistada pela rebelião liderada por Robert Baratheon ao lado de Eddard Stark, Jon Arryn e exércitos de suas famílias entre tantas outras, como a dos Lannister. Anos após a rebelião, o agora Rei Robert anuncia a visita inesperada a Winterfell, reino da família Stark onde Eddard ainda governa como Senhor. Winterfell é o reino mais distante da região norte de Westeros e por isso recebe poucas visitas da capital. O patriarca Stark teme pelo motivo do amigo vir a este momento, depois da morte inesperada de Jon Arryn, atuante como a Mão do Rei ― quem governa e assume o lugar do Rei durante sua ausência. Robert convida Eddard a assumir a posição de Jon, o que o Senhor de Winterfell a princípio repudia até certos acontecimentos o motivarem a ir à capital de Westeros, agir conforme o desejo do Rei e investigar a suspeita de conspirações contra os velhos amigos, incluindo a morte de Jon Arryn.

Além de Eddard, acompanhamos a aventura da esposa Catelyn Stark, antes herdeira da família Tully e agora fiel à criação de seus filhos, como o primogênito Robb Stark. Bran é vítima de um atentado e perde a mobilidade das pernas, mas desperta o interesse do misterioso Corvo de Três Olhos enquanto assume a posição de segundo herdeiro da casa Stark e permanece com o irmão caçula Rickon. Jon Snow é um filho bastardo e vive sob a sombra desta realidade, apesar de todo o respeito compartilhado pelo pai Eddard; Catelyn o repudia por viver junto de seus irmãos, vê a realidade da posição de bastardo quando famílias de outros reinos se aproximam e os vê sem o enxergar como um herdeiro Stark. Deslocado de tudo, enxerga na Grande Muralha a oportunidade de conseguir reconhecimento ao servir na Patrulha da Noite, onde passará o resto da vida a protegê-la e será desprovido de relacionamentos ou de conceber herdeiros, devendo assumir os colegas da Muralha como irmãos ― independente de quem sejam ―, e abdicando de todo título ou relacionamentos antes de servir na Patrulha. Acompanhamos também as filhas Sansa e Arya, a primeira obediente aos ensinamentos de como comportar-se como uma dama, já a segunda é rebelde e inspirada nas artes da batalha, esta restrita aos homens. Todos os filhos são muito jovens, sendo apenas Robb capaz de conceber herdeiros e por isso assumindo as responsabilidades de adulto. No fim, todos eles terão de amadurecer rápido devido a crise que ameaçará toda a família.


Fora os Stark, a narrativa segue Tyrion, o anão e caçula de Tywin Lannister, o Senhor de Rochedo Casterly. A irmã Cersei é esposa de Robert Baratheon e, portanto, Rainha de Porto Real, fiel aos três filhos de olhos verdes e cabelos loiros típicos da família Lannister; o irmão Jaime é membro da Guarda Real desde os tempos do Rei Aerys II, quando o próprio Jaime traiu seu dever e assassinou o Targaryen, manchando a reputação com o título de Regicida. Desprezado por quase toda a família, Tyrion prova a capacidade através dos estudos e tira proveito da própria situação para agir em seus próprios meios.


E, por último, temos Daenerys Targaryen, a mais jovem sobrevivente da família. Vive com o irmão Viserys, obcecado por retomar o controle de Westeros e vingar a derrota da família. No momento vivem reclusos nas Cidades Livres, longe do domínio de Westeros, à busca de oportunidades de obter força o suficiente para enfrentar o Rei Usurpador e os respectivos aliados. Uma de suas ideias é casar Daenerys com Khal Drogo, líder do principal grupo dothraki e temível guerreiro.

“Uma mente necessita de livros da mesma forma uma espada necessita de uma pedra de amolar para se manter afiada.”

Jamais dediquei tantos parágrafos ao apresentar o enredo de um livro como fiz nesta resenha, tamanha é a abundância de histórias logo no primeiro volume. Com pontos de vistas focados nas famílias Stark, Lannister e o casal de irmãos sobreviventes dos Targaryen com a narrativa dos personagens acima citados, vê-se um pouco da história de cada família, de cada Reino governado por elas, mesmo os vassalos ganham presença na narrativa quando a situação exige a sua atuação leal ― ou não ― ao Senhor correspondente. Muitos nomes carregam inúmeras origens e contextos diversos, esses que o leitor assimila conforme acompanha o personagem focado naquele capítulo. Tantos personagens causam certos ajustes narrativos prejudicando a riqueza de toda a complexidade da história, como a repetição de certos gestos de determinados personagens. Em toda aparição de Lorde Varys surge a descrição de seus perfumes e passos silenciosos, a risada maliciosa de Lorde Petyr Baelish é tão recorrente quanto as gargalhadas de Renly Baratheon e de Theon Greyjoy. Tais gestos lembram a personalidade desses personagens, e a repetição garante o reconhecimento dos leitores menos atentos, mas cansa os já cientes de determinado comportamento.


Os primeiros capítulos trazem parágrafos pontuais, enumerando a primeira aparição de todos os envolvidos na trama de A Guerra dos Tronos enquanto desenvolve a trama particular de cada personagem protagonista daquele capítulo. Assim, acontece outro ajuste, o de acelerar as cenas iniciais com breves descrições de todos os personagens. Uma vez apresentados, os capítulos posteriores têm mais espaços a coordenar os eventos da trama e atribuem riqueza à complexidade mesmo nos agentes secundários da história. O protagonista do capítulo encarrega-se de viver o seu momento da história bem como prosseguir a vivência de todo o ambiente e personagens presentes com ele. Em outras palavras, a narrativa foca na atuação do protagonista e no que ele testemunha, pois os personagens desprovidos de ponto de vista são tão complexos como os com capítulo dedicado. O protagonismo favorece ninguém, e isto reflete em muitas nuances. George R. R. Martin aproveita de certas convenções narrativas e as subverte, brincando com as esperanças do leitor e o surpreende por deixar acontecer o que jamais se esperaria nas histórias comuns de fantasia.

“Quando se entra na guerra dos tronos, ganha-se ou morre.”

Quanto à nova edição publicada pela editora Suma, é preciso denunciar o desconforto da leitura por diagramarem o texto em fonte pequena e o pouco espaço entre as linhas. Assim a longa leitura é prejudicada por se perder ao longo do parágrafo de linhas tão próximas. A melhor experiência de leitura exigiria maior quantidade de páginas, mas a escolha de editar da forma vigente já tornou este livro com custo elevado ao consumidor. Ainda é preciso esperar algum tempo antes de avaliar as consequências do relançamento pela editora Suma nessas condições agravadas pela crise financeira em nosso país.


A Guerra dos Tronos estreia a saga de sucesso com a adaptação em seriado. Hoje temos a notícia do universo expandido em outras séries futuras da HBO, e todo este mundo começou neste livro, o primeiro volume apresentando Westeros e já entregando a história cheia de interações entre personagens, riqueza contextual de cada Reino e Família principal, além da pouca misericórdia aos personagens. Enquanto o inverno aproxima, A Guerra dos Ttronos é disputada entre a vitória e a morte.




Ficha Técnica:


Nome: A Guerra dos Tronos

Autor: George R.R. Martin

Série: As Crônicas de Gelo e Fogo vol. 1

Editora: Suma

Gênero: Fantasia

Tradutor: Jorge Candeias

Número de Páginas: 600

Ano de Publicação: 2019 (nova edição)


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*Material enviado em parceria com a Editora Suma


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