• Paulo Vinicius

Resenha: "Vikings - Morte ao Troll" de Eduardo Kasse e Carlos Sekko

Relatos sobre uma estranha criatura atacando a região chama a atenção do jarl Hroaldr que leva seus homens para investigar o desaparecimento de uma jovem. Mas, os trolls não mais existem. Ou será que as histórias exageraram no desaparecimento destas criaturas?


Sinopse:


As lendas nascem das sombras e dos medos.


Os Deuses amam a coragem. E a maior glória para um guerreiro é ter seu nome cantado pelos skalds através dos tempos. Matar um troll seria um feito digno de tal honraria.


As lendas que são contadas geração após geração nascem assim: de momentos em que o medo é superado. Os heróis são feitos de carne e osso, mas a sua vontade é tão forte quanto o aço das suas espadas e machados.


Em Vikings: Morte ao troll, Eduardo Kasse e Carlos Sekko, a dupla de Vikings: Noite em Valhala, novamente se une na parede de escudos para contar mais uma história de Hróaldr, Boors e de outros bravos nórdicos que ousarão perseguir um temido monstro que assombra as histórias à beira da fogueira. Em meio a muita sujeira e violência ilustradas pelo ríspido nanquim, viaje ao passado onde fantasia e realidade se encontram em mais uma narrativa histórica. Às armas! Por Odin! E pela honra de cear no Valhala!




Esta HQ continua uma série de histórias passadas com o bando de jarl Hroaldr e suas batalhas. Mas, deixo bem claro que são histórias independentes e podem ser lidas numa boa sem conhecimento prévio. Aqui o autor pega uma situação entre aventuras e explora uma história que tem um quê de divertida ao mesmo tempo em que não deixa de ser sangrenta. Aliada a uma arte que sabe explorar o roteiro da melhor maneira, temos um quadrinho que certamente vai divertir a todos os fãs de uma boa história de guerreiros.


A arte do Carlos Sekko combina bem com a atmosfera suja e sangrenta dos vikings. Você sente o suor e a bebedeira infestando o ar, ao mesmo tempo em que se une a eles em uma parede de escudos. Sekko tem uma boa noção de profundidade e mesmo em quadros pequenos parece que a cena se estende muito além do horizonte. Seus personagens parecem estranhos em sua forma física, mas isso é algo proposital que ressalta a sujeira por trás dos combates. Uma cena na taverna parece ser muito divertida ao lado de vários companheiros de aventura bebendo hidromel, se gabando de aventuras passadas e tentando se enfiar em um rabo de saia.


O artista usou um recurso bem interessante que foi o de deixar a arte cinza em trechos de flashbacks. É como se as imagens estivessem desvanecidas enquanto alguém conta como aquele momento aconteceu. A gente acaba percebendo isso em pouco tempo. A arte dele é estilizada, portanto, pode não agradar a todos. A mim me agradou porque se encaixou dentro da proposta do Kasse. Talvez em outro tipo de história eu precisaria reavaliar. Porém, preciso destacar que em alguns momentos as cenas me pareceram confusas. Principalmente quando se tratava de cenas paradas ou de conversa (tirando a cena da taverna que é excelente). Tudo parece caótico e embora essa talvez tenha sido a intenção dele, não me agradou tanto. Acabei preferindo as cenas mais abertas ou de combate. Essas sim conseguiram mostrar todo o potencial do Sekko.


Kasse já é um autor bem experiente e acostumado a trabalhar com ficções históricas, sempre inserindo alguma coisa de fantástica na narrativa. A proposta de Morte ao Troll é bem simples: um grupo de guerreiros indo investigar o sequestro de uma garota que teria sido levada por um troll. Simples, mas bem eficiente. Isso porque ele aproveita para desenvolver os personagens e torná-los únicos ao leitor. Se na HQ anterior ele mostrava uma noite de combate (em Vikings - Noite em Valhalla), se focando no espírito de corpo desenvolvido pelos personagens, aqui ele explora algo mais longo. A camaradagem continua ali, com os personagens tirando uma uns com os outros. É esse espírito que os mantém unidos e capazes de aguentar longas jornadas.


O melhor de tudo é que o autor não precisou traduzir nada. Algumas vezes aventuras que exploram períodos antigos parecem forçadas ou teatrais demais. Poucas são as séries que trazem a ideia do sangue e vísceras de uma forma credível. E é isso o que veremos na HQ. Pura verossimilhança que é algo que críticos vivem pedindo em ficções históricas. E olhe que Kasse nem se propõe a algo nesse sentido já que o fantástico está bem ali do lado. Claro que tudo o que envolve vikings vai acabar em um combate campal em algum momento. E é óbvio que isso vai acontecer mais para o final a partir de uma complicação vivida durante a aventura.


A temática presente no fundo da narrativa é a capacidade de deixar uma história sobre alguém. Vidas humanas passam em um piscar de olhos, mas uma lenda consegue viver por milhares de anos. O ato de contar histórias era importante na percepção dos guerreiros do norte, não à toa muitas eddas foram criadas. Eddas são histórias que contam sobre os deuses e suas interações com o mundo mortal. O fato de alguns guerreiros desejarem deixar sua marca é natural para homens cuja expectativa de vida é curta. É o mesmo dilema que Aquiles viveu quando fora convocado para a Guerra de Tróia. Ele foi se despedir de sua mãe Têtis e esta o avisou que se ele fosse para a guerra, ele iria morrer jovem mas seu nome viveria para a eternidade; se ele permanecesse em casa, teria uma vida longa, se casaria, teria descendentes, mas seu nome desapareceria depois de algumas gerações. É óbvio que ele preferiu a glória. É o mesmo que acontece aqui com os companheiros de Hroaldr desejando matar o último troll existente no planeta. Seria um feito para a eternidade.



A HQ é divertida, passa em um piscar de olhos e o leitor fica desejando ler mais dessa dupla. Essa é a sensação que fica após a leitura. É claro que desejamos ler mais histórias desse grupo de homens corajosos, sanguinolentos e sujos. Eles são sensacionais. Com um roteiro simples e eficiente e uma arte que faz jus ao que foi colocado pelo autor, Vikings tem tudo para estar na lista de melhores quadrinhos de muitos leitores. Basta só se juntar a esses caras em mais um banho de sangue. Ah, e dar algumas boas risadas com o plot twist aprontado pelo autor.










Ficha Técnica:


Nome: Vikings - Morte ao Troll

Autor: Eduardo Kasse

Artista: Carlos Sekko

Editora: Draco

Número de Páginas: 68

Ano de Publicação: 2019


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