• Amanda Barreiro

Resenha: "The Girl From Everywhere - O Mapa do Tempo", de Heidi Heilig

Nix navega no tempo e no espaço com seu pai, Slate, mas a viagem mais perigosa é aquela em que ela precisa descobrir a si mesma. Medos, fugas, destino... liberdade. Uma aventura cheia de significados aguarda a bordo do Temptation.


Arte de Stay in Wonderland

Sinopse


Nix é uma viajante do tempo. Ela e seu pai, Slate, velejam a bordo do Temptation, um navio pirata repleto de tesouros. Ao longo do caminho eles encontram amigos, uma tripulação de refugiados do tempo e até mesmo um charmoso ladrão que pode significar muito mais para Nix.

Tudo que Slate precisa é um mapa certo para viajar a qualquer tempo e lugar, real ou imaginário: seja para a China no século 19; terras vindas direto das Mil e Uma Noites ou até mesmo uma mítica versão da África. Apesar das inúmeras possibilidades, o pai de Nix está obcecado com um mapa específico: Honolulu, 1868 – o ano de nascimento de Nix e a última vez em que ele viu sua esposa viva. E, por uma chance de reencontrá-la mais uma vez, Slate está disposto a sacrificar a tudo e a todos.

Quando o desejado mapa aparece, Nix vê sua própria existência em perigo e agora deve descobrir o que quer, quem é, e aonde realmente pertence, antes que seu tempo acabe. Para sempre.


Segredos, fugas e as dores do amadurecimento


Literatura vai além de entretenimento - é arte, é um misto de forma e conteúdo, é uma conversa entre autor e leitor, é uma troca de experiências que nos toca e provoca reflexões, empatia, alteridade. E é exatamente isso que acontece em The Girl from Everywhere – O Mapa do Tempo.

Lendas, mistérios, mapas que levam à destinos exóticos e há muito perdidos na história ou até mesmo à atual Nova York, além de um navio imponente e uma tripulação incomum são alguns dos elementos que nos aguardam no primeiro livro da autora Heidi Heilig. Nix é uma moça de dezesseis anos e seu coração pertence a todos os lugares – cada viagem e local visitado contam sua história. Apenas uma viagem a apavora: Honolulu, 1868. O mapa de seu nascimento e também da morte de sua mãe. O mapa para o qual Slate tanto quer voltar e tentar salvar a esposa.

Voltar ao seu mapa de origem apagaria a existência da Nix adolescente? Elas coexistiriam no mesmo tempo e espaço? Como seria reencontrar a própria mãe? Multiversos sempre geram vários questionamentos e as respostas não estão prontas, mas vamos descobrindo-as aos poucos, junto com os temores da protagonista. Pouco a pouco alguns pontos são esclarecidos, outros não tanto, mas nada de difícil entendimento.

“Abri a boca e a fechei em seguida. Na mitologia sânscrita, dizem que o sopro é vida, e eu não queria dar vida aos meus medos. Não queria falar em voz alta: ‘E daí, o que vai acontecer comigo? ’”.

The Girl From Everywhere é dividido em capítulos curtos e narrados em primeira pessoa pela Nix, o que nos permite um enorme aprofundamento na personagem e nas suas impressões sobre todos que a cercam, inclusive sobre o pai. É um recurso muito bem utilizado pela autora para nos conectar com a história e também para criar as ambiguidades na qual a trama se apoia para criar alguns plot twists.

Quanto mais a narrativa se aproxima do clímax, mais tensa e desesperada Nix se encontra, enquanto Slate oscila entre a euforia das tentativas e o desânimo das falhas. A viagem em si, até mais do que objetivo, é a grande preciosidade do livro, seja pela Navegação entre mares e mapas ou pela jornada de autodescobrimento pela qual Nix passa, de uma jovem insegura e amedrontada pela figura paterna a uma moça que luta pelas suas próprias conquistas, firme e engenhosa.


Temas como abuso, drogas, abandono emocional e relações tóxicas são fortemente debatidos durante a trama. Slate é um homem amargurado pelo luto, um pai manipulador, egoísta e irresponsável, e isso transparece na personalidade de Nix. Não importa para onde olhamos na história, os traços de uma infância e adolescência infelizes estão cravados na alma de Nix. Os traumas desse convívio são o cerne da história.


Um personagem que precisa ser destacado é Kashmir, um ladrão à la Aladdin, cheio de charme e mãos leves, experiente em roubar ouro e a nossa atenção. Kashmir é um dos personagens mais interessantes, pelo seu contexto lendário das terras das Mil e Uma Noites, e tem um papel importantíssimo na história, além de representar, para Nix, o refúgio, a aventura, a liberdade. Kash e Nix flertam o tempo todo e isso traz certa leveza para a narrativa, que, do contrário, poderia se tornar muito pesada pela profundidade dos temas que aborda.

Disputando o coração de Nix, Blake imprime maior seriedade na parte romântica da história, mostrando à jovem um Havaí cheio de encantos e belezas, lugares misteriosos e fontes mágicas. Um jardim que só rivaliza com o próprio Éden. Mas a participação de Blake vai muito além de um romance e representa tudo que Nix poderia ter sido, tudo que poderia ter tido se nunca tivesse Navegado para fora de Honolulu.


 “No fundo, tudo que ele queria era uma fuga, e isso eu entendia, entendia muito bem.”

O enredo é inteligente, sensível e profundamente reflexivo. Além da fantasia deliciosa, cheia de mitos, lendas e artefatos mágicos, como a bolsa sem fundo e o pássaro que cura quase qualquer doença, a autora nos apresenta como pano de fundo um Havaí próximo à anexação pelos Estados Unidos, em um clima de tensão política e jogos de interesse estrangeiros, com a população nativa explorada e viciada em ópio e álcool. Vários fatos são citados para apoiar a fantasia, como a polêmica da Hula, a decadência da monarquia havaiana, a corrupção do próprio governo e a negociação com os estrangeiros, além de histórias do folclore havaiano.


A escrita de Heidi é fluida, gostosa e ritmada como as ondas do mar. Vamos virando cada página, lendo cada capítulo no balanço que ela dá à história e quando percebemos... lá se foram 100 páginas. A escrita da autora é viciante e nossa única vontade é correr para oTemptation e sair Navegando por aí.

The Girl from Everywhere – O Mapa do Tempo é o primeiro volume dessa duologia cheia de sentimentos, fugas e passeios mágicos, carregado de referências e simbolismos graves e importantes de serem discutidos. Um Young Adult que precisa ser conhecido por leitores de todas as idades.


“ – É difícil compreender todo o mal que é praticado em nome do amor.”



Ficha Técnica:

Nome: The Girl from Everywhere - O Mapa do Tempo Autora: Heidi Heilig Série: The Girl from Everywhere vol. 1 Editora: Morro Branco (no Brasil) Tradutora: Débora Isidoro Gênero: Fantasia Número de Páginas: 416 Ano de Publicação: 2017 (no Brasil)


Outros Volumes:

O Navio Além do Tempo (vol. 2)


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*Material enviado em parceria com a editora Morro Branco


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