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Resenha: "The Ghost in the Shell 2.0 - Man Machine Interface" de Masamune Shirow

Quatro anos após os acontecimentos do primeiro volume, Motoko vai precisar de toda a sua astúcia para lidar com uma guerra interna corporativa que acontece dentro da Poseidon Internacional. Isso e o surgimento de uma IA extremamente poderosa que coloca em questão a existência de uma nova forma de vida.



Sinopse:


A Major Motoko Kusanagi volta atualizada na sequência da obra-prima de Shirow Masamune The Ghost in the Shell 2.0 – Manmachine Interface. Assim como o mangá original que apresentou ao mundo a Major Motoko Kusanagi, esta sequência chega ao Brasil em uma luxuosa edição. Ao todo serão quase 200 páginas totalmente coloridas, revelando cada detalhe da excepcional arte de Shirow. Serializado no Japão na Revista Young Magazine, da Editora Kodansha, The Ghost in the Shell 2.0 foi publicado entre 1991 e 1997 para depois ter todas suas histórias em um volume único.






Ghost in the Shell é um exemplo clássico de uma obra que se tornou maior do que o original de onde foi adaptada. E quem acompanha o Ficções Humanas, sabe que eu não gostei do primeiro volume. Esse segundo volume só veio a confirmar a experiência tida antes. Man Machine Interface tem ótimas ideias, mas uma execução ruim aliada a uma arte que até está um pouco melhor do que antes. Só não entendi por que ele saiu do núcleo que ele havia criado no primeiro volume e criou algo completamente novo. Enfim, Shirow nos apresenta o que acontece quando exageramos nas referências, no abuso de distrações e no excesso de informações por página. Só não é um desastre completo porque eu curti algumas das ideias que ele apresenta, embora só fique nisso mesmo... ideias. Os personagens são bem dispensáveis em uma narrativa que demora a engrenar e quando engrena é o final da história.




Spoilers do primeiro volume!!!!!




No final do primeiro volume, a major Motoko Kusanagi se fundiu a uma inteligência artificial avançada tornando-se parte da matrix de informações compartilhada pelo mundo todo. Ela não é mais exatamente uma existência física, podendo alternar de corpo à vontade. E ela possui vários desses corpos sobressalentes espalhados pelo mundo todo, cada um com características físicas diferentes. São quase como "drones" para ela, já que ela consegue manter sua consciência digital e realizar atividades físicas ao mesmo tempo. Motoko vai precisar investigar um ataque terrorista ligada à sua companhia, a Poseidon Internacional, que acontece em um pequeno país chamado Monnabia do Sul. Lá existe uma big tech responsável pela criação de porcos voltados à incubação de órgãos para serem usados em seres humanos. Ela descobre que um grupo radical quer usá-lo para dominar supercomputadores. Mas, durante as investigações, ela se vê às voltas com uma IA que secretamente busca estudar novas maneiras de conectar as IAs de forma a criar uma nova forma de vida que seja capaz de unir homem e máquina.


Não vou fazer nenhum destaque especial à arte do Shirow simplesmente porque ela não me agrada como leitor. Mas, preciso dizer que a arte está um pouco melhor do que no primeiro volume, principalmente porque ele faz uma mescla entre o seu lápis e uma arte que parece arte digital. Então em vários momentos temos construtos bastante interessantes, principalmente quando a ação se passa no interior da rede. Um dos temas recorrentes nesse volume é a união de religião e ciência, então as representações pictóricas espalhadas pelos momentos climáticos da edição unem essas duas ideias. Uma das primeiras imagens que aparecem neste volume é uma representação da estrela polar dentro de um ambiente digital, algo que vai ser recuperado adiante na história. Esta edição conta com mais da metade dela colorida e outra parte em preto e branco. O leitor estranha bastante quando reverte para o preto e branco, algo que confundiu muita gente. Afinal, se a maior parte do mangá era colorido, por que não deixá-lo inteiramente colorido? Porém, preciso dizer que eu prefiro a arte do Shirow no preto e branco. Apesar de os trechos coloridos serem bem chamativos, o emprego de cores é estranho e em diversos momentos atrapalha a leitura. Tem momentos em que fica difícil ler os balões de diálogo porque o letreiramento permanece no preto ou no azulado e complica quando a cor empregada naquela situação deixa a fonte difícil de enxergar.



Prefiro a arte em preto e branco porque é onde o Shirow consegue trabalhar melhor o cenário. A gente consegue ver os rabiscos de sua pena e entende o quanto ele se preocupa com o fundo da cena tanto quanto o que os personagens estão fazendo. Um dado curioso é que o Shirow quase não usa linhas de ação, preferindo trabalhar com movimentos espelhados. Nas cenas de ação, é como se ele desenhasse os personagens várias vezes para criar uma ilusão de uma cena animada e compreendêssemos melhor os movimentos. Curti bastante o recurso. Por outro lado, preciso dizer que as cenas do Shirow costumam ter informação demais (uma reclamação que eu tenho inclusive em relação ao roteiro e aos diálogos). São tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo que o leitor não consegue focar o olhar em alguma coisa específica. Não tenho nenhum problema com cenas cheias, o problema é quando o quadrinho inteiro é assim. É um congestionamento de imagens que mais prejudica e cansa o leitor do que causa encantamento. Por exemplo, George Pérez sempre foi um artista que gostava de criar cenas grandiosas com múltiplas coisas acontecendo em um mesmo quadro. Mas, ele reservava essas cenas para momentos-chave na história. Se tratava de algo importante que se desdobrava nesse instante. Ao Shirow falta contenção.


A narrativa trata de conceitos ligados ao transumanismo. Pensem no seguinte: Shirow está tocando nesse tema em 1992 (o mangá foi publicado de forma seriada até 1997), anos antes de passarmos a discutir com mais vigor sobre ele. Esse compilado foi publicado no início do século XXI, tanto que o autor faz diversos questionamentos torcendo para que no futuro as coisas fossem diferentes. Pensar na possibilidade de existir IAs é coisa do passado; elas estão por aí, só que não estão caminhando (ainda). O que Shirow tenta imaginar é o que vem depois disso. Porque sabemos que eventualmente as máquinas pensarão por si mesmas, e que em um futuro as substituições de órgãos biológicos por artificiais serão comuns. Curiosamente me recordo de que há uns 7 ou 8 anos discutia-se na imprensa a viabilidade de usar órgãos suínos com DNA humano para transplante. As pesquisas ainda eram iniciais, mas as possibilidades eram altas. E isso foi apenas dez anos depois do compilado de Ghost in the Shell 2.0 ter sido publicado. O cérebro humano ainda é uma incógnita para os cientistas por conta se sua enorme capacidade de processamento. Usamos uma quantidade muito pequena dele no nosso cotidiano.


Os embates corporativos continuam nesse segundo volume. Se tem alguém profundamente influenciado por William Gibson é Masamune Shirow. Ele gosta de trabalhar dentro desses ambientes de disputa por tecnologias e espionagem industrial. A própria Motoko é pensada como alguém que, apesar de ser uma espécie de avalista de riscos, age como espiã por baixo dos panos. Ela não se incomoda de dobrar a lei para atingir os seus objetivos. Na narrativa, o autor se sente mais à vontade mostrando as voltas e reviravoltas de disputas por tecnologia. Embora a ação se passe dentro de um ambiente virtual, alguns dos momentos mais enigmáticos se passam ora dentro da sede da Poseidon, ora na Stabat Mater (uma organização que surge mais à frente). Mas, ainda preferia a Motoko como alguém que resolvia casos no Distrito 9 do que essa empresária/espiã desse segundo volume.



E aí eu preciso resmungar com coisas que me incomodaram. E muito. O primeiro é exatamente o mesmo problema que acontece em Ghost in the Shell: o Shirow é verborrágico demais. Fala muito!! E isso incomoda. Carregar de diálogos não é exatamente um problema grave, mas ter diálogos E notas de rodapé imensas a cada página incomoda horrores. Sem falar no emprego desmedido de jargões cibernéticos em que o leitor se perde na maior parte das vezes. Não há problema em se usar jargões, mas o leitor precisa ter tempo para absorver o que eles significam. Só que toda hora aparece um termo novo que se sobrepõe ao anterior em uma escalada sem fim. Para piorar, as notas de rodapé quase sempre não acrescentam em nada à história. São comentários sobre tecnologia, expectativas ou curiosidades de enredo. Isso sem falar no roteiro que demora demais a dizer qual é o objetivo da personagem. O mangá tem um prólogo, um epílogo e cinco capítulos e eu só fui entender de verdade a história no final do quarto capítulo. É muito tempo com o leitor vendo a personagem indo para lá e para cá, hackeando, invadindo e fazendo coisas que a gente não entende o sentido.


Outra reclamação é o excesso de situações desnecessárias na qual a personagem é colocada. Eu sei que a cultura japonesa tem uma certa fixação no ecchi. Mas... Ghost in the Shell é um mangá de alta ficção científica com conceitos refinados. E, bem, a personagem aparece pelada em mais da metade do mangá. Ou eu cansei de ver a calcinha da Motoko... ou melhor, de diferentes versões da Motoko. As microssaias da Motoko dariam inveja a muita funkeira carioca. Acho que eu nunca vi uma mulher em tantas e variadas posições sexuais como vi a Motoko nesse mangá. Sério. Saia subindo, calcinha enfiada, ela de cabeça para baixo, de ponta cabeça, de quatro, de costas, de peito, de crawl. Inacreditável isso. Algo que me incomodou demais. Se essas poses sensuais fossem, sei lá, uma estratégia da Motoko para obter informações de um empresário, vá lá. Mas, é apenas guilty pleasure. Pela madrugada.


Cheguei à conclusão de que eu desisto de Ghost in the Shell. O filme em animação é maravilhoso, é uma revolução do gênero. A série e as sequências que saíram posteriormente também tem seus méritos, agora o mangá... Tinha pensado em adquirir o tal volume 1,5, mas mudei de ideia drasticamente aqui. Passo longe disso. E para não ser todo reclamações, a edição da JBC está muito boa, com uma jacket e uma capa lindíssimas e a edição está com um papel bem legal que não é transparente (e com essa explosão de cores poderia ter dado muito problema). Dou meus parabéns à editora brasileira, e não tantos parabéns ao autor que manteve vícios do primeiro volume e aprimorou neste segundo.











Ficha Técnica:


Nome: Ghost in the Shell 2.0 - Man Machine Interface

Autor: Masamune Shirow

Editora: JBC

Tradutora: Drik Sada

Número de Páginas: 304

Ano de Publicação: 2017


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