• Paulo Vinicius

Resenha: "Saga vol. 3" de Brian K. Vaughan e Fiona Staples

Atualizado: 6 de Jul de 2019

Trabalhando mais os personagens de apoio. Em um volume mais morno, conhecemos mais o que move Heist e o real significado da perda de alguém que amamos.

Sinopse:


Terceiro volume da multipremiada série em quadrinhos que tem arrebatado leitores em todo o mundo, tornando-se um dos maiores fenômenos dessa mídia dos últimos tempos. Nesse tomo, os pais de primeira viagem, Marko e Alana, vão até um mundo alienígena para encontrar seu autor preferido, enquanto seus perseguidores se aproximam cada vez mais. Saga é uma série em quadrinhos no melhor estilo space opera com um toque de fantasia criada e escrita por Brian K. Vaughan e ilustrada por Fiona Staples. Frequentemente comparada pela crítica especializada como um “encontro entre Star Wars e A Guerra dos Tronos”, Saga nos conta a história de Alana e Marko, dois soldados de lados opostos numa longa e devastadora guerra intergaláctica que se apaixonam e lutam para garantir que Hazel, sua filha recém-nascida, continue viva. Mas é claro que isso não será nada fácil... Mais do que uma versão de Romeu e Julieta no espaço, Saga é uma história sobre amor e vingança, com uma pitadinha de humor, num cenário futurista e todos aqueles sentimentos, bons ou ruins, que nos tornam humanos.




Esse foi um volume mais morno da série e o autor decide colocar algumas coisas em andamento enquanto passa algumas mensagens. Sim, o volume é repleto de assuntos interessantes, mas senti que o autor encheu um pouco de linguiça aqui. A ação acontece toda em um cenário em um recorte temporal específico.

Neste volume voltamos a Quietus, lar de Heist, o escritor que mudou a vida de Alana. Só que diferentemente do que vimos na edição passada, Alana, Marko e sua avó já estavam lá há mais de uma semana. Heist apresenta os motivos que o fizeram escrever o livro que Alana tanto gosta. A avó de Marko ainda sofre pela morte de seu companheiro de longa data, Barr. Mas, ela vai descobrindo aos poucos um carinho especial por Heist e seria ela capaz de se apaixonar novamente? Alana e Marko precisam tomar uma decisão pelo futuro de Hazel. Alana tem muito medo do que o futuro poderá trazer a eles. E talvez a única solução seja parar em algum planeta para cuidar de Hazel e conseguir um trabalho. Mas que tipo de trabalho poderá abrigar dois fugitivos? Gwendolyn e The Will se encontram em uma situação complicada. Sophie ingeriu comida de Quietus e agora enxerga alucinações por toda a parte. Ela feriu mortalmente The Will, mas Gwen ainda não sabe do ocorrido. Já Robot IV aproxima-se como um ultimato para cima do lugar onde Alana e Marko estão escondidos. E agora?

Assim como no volume 2, Fiona não teve lá muito espaço para fazer seus belíssimos quadros. Achei a ação mais intimista e menos expansiva. Porém, a desenhista pôde praticar mais a sua habilidade em desenhar criaturas estranhas. Aqueles esqueletos que atacam Alana e Marko estão excelentes. Já vi alguns esqueletos bem estranhos em quadrinhos e aqui parece até que eles são mais naturais. Mas, vale o destaque maior para a maneira como Fiona sabe desenhar personagens expressivos. É assustador isso. Enquanto Marko parece ser um cara mais estoico e tranquilo, Alana é mais impulsiva. Entretanto, a expressão de tristeza no rosto de Marko pela perda do avô é linda. Ela consegue passar o leitor o quanto a perda foi devastadora para o personagem. Aos poucos ele vai suavizando a sua dor e com isso sua expressão muda bastante. Já Alana é um festival de expressões. Acho que Alana mais do que Marko tocou o meu coração. Ver a expressão de preocupação dela pela Hazel ou a recusa em dar um tiro de misericórdia em seu marido e filha é de levar qualquer um às lágrimas. Nesse sentido, é merecida qualquer premiação para Fiona Staples.

Nesse volume, o autor inverte a perspectiva sobre Heist. No volume anterior, o personagem pareceu ser um cara frio e calculista que se importa apenas com o dinheiro. Aqui ele trabalha todo o contexto que levou àquela conversa com Robot IV. Ou seja, contar uma história é trabalhar com pontos de vista. Após Vaughan apresentar o contexto todo fomos capazes de entender a altercação entre o robô e o escritor. Da mesma forma, vamos acompanhando a investigação dos dois repórteres e a maneira como Landfall fica incomodada com a perspectiva de ter a história de Alana contada ao grande público. Isso porque o que incomoda não é o fato de mostrar um lado ou o outro lado da história, mas o fato de não existirem lados. Não existem pontos de vista claros porque ambos são seres viventes que possuem sentimentos. História é ponto de vista sim, mas o fato de vivermos em uma sociedade maniqueísta é algo preocupante. Sempre precisamos escolher o bem e o mal. Mas, e quando não existe bem e mal, certo e errado? Alana e Marko não defendem bandeira nenhuma; eles apenas querem poder criar sua família em paz. Mas, o governo de Landfall quer manter a ilusão do certo e errado.

No núcleo familiar de Alana e Marko a preocupação agora é com a responsabilidade para com Hazel. Isso porque o casal não é mais um bando de loucos vivendo mil aventuras pelo espaço. Eles agora precisam pensar no bem de sua pequena filha. E com isso vem uma série de outras decisões necessárias: uma casa, um trabalho, colocar comida. Tudo isso mexe completamente com os planos dos dois. E Alana ainda não tinha se dado conta disso. Quando ela se dá, vemos em seu rosto o quanto a ficha finalmente caiu.

Também nos deparamos com a dor da perda de uma pessoa amada. O quanto isso destrói os sentimentos de uma pessoa. Klara e Marko estão muito abatidos pela perda de Barr e somente depois de muito tempo no espaço que o coração de ambos começa a se remendar. A dor da perda nos faz repensar uma série de sentimentos em nossos corações. Ficamos com medo de perder mais pessoas que amamos a todo custo. E será esse sentimento sufocante que Gwendolyn sentirá depois. Vemos o desespero no rosto dela a ponto de ela cometer atos que vão contra a sua natureza. Ela está desesperada para salvar o seu amor, mesmo que para isso precise pisar em suas convicções. E com isso ela acaba errando de maneira tola e prejudicando suas decisões. Não existe racionalidade na perda.

Já falei da manipulação de histórias e os dois repórteres representam o núcleo político da história. Mas o bacana é o questionamento de se vale ou não a pena morrer por uma história. Quando eles são ameaçados pelo The Stand acabam se vendo nesse dilema. Mesmo sendo uma história que precisa ser publicada a vida dos dois está em risco. E aí? Pensar no bem maior ou neles mesmos? Será que vale a pena jogar a vida fora por um ideal? O casal precisa pensar não só no bem maior, mas no que o outro deseja para si. Um dilema muito interessante e que acredito que o autor vá retornar em volumes futuros.

Eu achei esse volume mais fraco em relação aos anteriores. Mas, belas reflexões estão presentes neste volume. Fiona Staples continua arrasando em seus traços mesmo que ela não tenha sido capaz de criar aquelas splash pages de cair o queixo. Mas, ela soube trabalhar bem a expressividade dos personagens e transmitir para nós as emoções que eles estão sentindo naquele momento. Os vários núcleos tiveram avanços apesar de eu achar que o foco da história é na responsabilidade familiar e no mote de que história é perspectiva.


Ficha Técnica:


Nome: Saga vol. 3 Autor: Brian K. Vaughan Artista: Fiona Staples Editora: Devir Gênero: Ficção Científica

Tradutor: Não Informado

Número de Páginas: 152 Ano de Publicação: 2016


Outros Volumes:

Saga vol. 1

Saga vol. 2

Saga vol. 4

Saga vol. 5

Saga vol. 6


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