• Paulo Vinicius

Resenha: "Os Deuses de Marte" (Barsoom vol. 2) de Edgar Rice Burroughs

Atualizado: 29 de Mar de 2019

John Carter deixou alguns assuntos pendentes no mundo de Barsoom. Hora de retornar e enfrentar novas batalhas.



Sinopse: Os Deuses de Marte dá sequência à história do herói interplanetário John Carter. Escrito com a mesma maestria que Edgar Rice Burroughs empregou em Uma Princesa de Marte, o livro garante uma continuação repleta de ação, aventura, mistério e romance.Vinte anos se passaram desde que John Carter pisou pela primeira vez em solo marciano. Entretanto, todas as suas aventuras ficaram para trás e suas conquistas estão ameaçadas. Perdido numa terra de beleza paradisíaca e brutalidade infernal, ele deve retomar sua jornada por Barsoom, começando por salvar um velho amigo. A revelação de que uma tradição barsoomiana não passa de uma farsa e que uma brutal realidade é oculta dos marcianos vermelhos e verdes faz com que John Carter parta em uma cruzada para libertar o planeta das garras de uma terrível conspiração envolvendo inimigos até então desconhecidos.


Esta é o segundo livro da trilogia de John Carter. Enquanto que o primeiro livro é uma grande sequência de ação (com várias cenas de luta e exploração), neste segundo livro  o autor pisa um pouco no freio e consegue apresentar uma trama mais elaborada. Mas, aviso aos navegantes: a saga Barsoom é um pulp, ou seja, um livro de ficção científica pensado como uma espécie de tirinha de jornal. Os pulps eram publicados regularmente e cada capítulo precisava fazer com que o leitor voltasse no momento seguinte. Os capítulos precisavam também ser bem pequenos para que o leitor não perdesse o interesse além de ter uma linguagem simples e acessível. Burroughs fez um trabalho de construção de mundo um pouco mais profundo do que no primeiro livro. Apresentou a topografia e as principais localidades do mundo de Barsoom. Também contou os mitos de povoamento do mundo, parte da religião e uma descrição maior dos lugares povoados. Esse aspecto mais descritivo acaba deixando a trama em segundo plano. O terço final do livro poderia ter sido enormemente diminuído ou até sido deslocado para o terceiro livro. As características dos pulps da década de 1920 estão fortemente presentes. Todo o capítulo termina com um cliffhanger para fazer o leitor voltar para o próximo capítulo. Cada capítulo foi publicado separadamente nos jornais e pulp magazines. Isso faz com que o autor precise se adaptar ao gênero e buscar agradar os leitores ao invés de ser consistente. Finalizar todo o capítulo com um cliffhanger acaba fazendo com que este perca o seu efeito. Quando o personagem se vê em uma situação de vida ou morte pela 50º vez, esta acaba não tendo o mesmo efeito já que sabemos que o personagem irá se salvar ou ser salvo na cena seguinte. 




A trama parece uma colisão entre a herança européia contra o dinamismo norte-americano. O mundo dos Therns sagrados se parece muito com uma associação ao Império romano: a presença de uma religião sacrificial, uma sociedade estratificada e até o aspecto dos gladiadores. Tudo remete à Antiguidade Greco-romana, a base cultural européia. John Carter age como um revolucionário norte-americano. O protagonista desqualifica imediatamente os costumes dos Therns. Isso porque ele precisa mostrar os valores americanos e transformar a sociedade. Algo que ele já havia feito em Helium. Isso indica que o autor pretende tornar John Carter um símbolo do ideal americano em Barsoom. Ele se refere a seus colegas os comparando a seus companheiros da Guerra de Secessão. Ou os valores civilizados. É uma questão de colonialismo típica do início do século XX. Um momento em que a Europa após a Primeira Guerra Mundial se encontra em um franco estado de decadência. E os EUA saem vitoriosos ao explorar os dois lados do conflito e se beneficiar com uma ampliação das suas indústrias de base. A década de 1920 é um período dourado para os norte-americanos; poder aquisitivo superior e franco desenvolvimento tecnológico em ritmo exponencial que acaba tornando-os egocêntricos. 

Apesar da clara escrita ideológica e cheia de clichês de Burroughs, o livro é agradável se o leitor não o levar a sério. Só achei que o autor se perdeu um pouco no final. Eu teria entendido se o volume tivesse terminado no momento da fuga do Vale da Dor. O retorno dele a Helium foi prolongado e desnecessário. Poderia ter sido empurrado para o próximo volume. No mais, o leitor só precisa desligar o botão da seriedade e se deixar levar pelo interessante mundo criado por Burroughs.




Ficha Técnica:


Nome: Os Deuses de Marte

Autor: Edgar Rice Burroughs

Série: Barsoom vol. 2

Editora: Aleph

Gênero: Ficção Científica

Tradutora: Silvia Mourão

Número de Páginas: 336

Ano de Publicação: 2012


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Resenhas da Série:

Uma Princesa de Marte (vol. 1)



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