• Paulo Vinicius

Resenha: "O Imortal Hulk vol. 2 - A Porta Verde" de Al Ewing, Joe Bennett, Lee Garbett e outros

Depois de ter consumido a energia gama do Sasquatch, Banner tenta entender que figura é essa que sussurra em seus pensamentos e usa o rosto de seu pai. Mas, ele terá um confronto com os Vingadores que estão sendo manipulados pelo obscuro general Fortean.



Sinopse:


BRUCE BANNER ESTÁ VIVO E À SOLTA - E AGORA O MUNDO TODO SABE. Logo, o Hulk volta a ser caçado. pelo governo, pela Tropa Alfa. e até mesmo pelos Vingadores! Alguém o encontrará primeiro, mas qual a opção menos perigosa? Isso pode não ter importância, pois Bruce tem problemas maiores. Algo terrível o infectou. Algo com planos insidiosos para a humanidade. E o único que sabe sobre a infecção. é o Hulk! Enquanto isso, "Crusher" Creel estava apenas tentando tocar a própria vida. Agora, para salvar tudo que construiu para si, ele deve fazer o impossível: o Homem Absorvente deve matar o Imortal Hulk! Mas o Gigante de Jade é o único obstáculo entre o mundo dos vivos. e a Porta Verde!






Sem dúvida alguma, Ewing está criando um run sensacional do golias esmeralda. Com inspirações vindas dos filmes de terror clássicos da década de 1970, o Hulk de Ewing é um monstro em sua acepção mais pura da palavra. Aterrorizante, inteligente. O que vemos então é um personagem que tem os seus dilemas a serem resolvidos, mas que está sempre envolto em uma aura de mistério que o cerca. E ele deseja entender a si mesmo e como esse seu novo eu pode afetar o mundo. Estar pareado com um artista como o Joe Bennett, que entende como potencializar o terror presente no roteiro, é uma combinação perfeita. Este foi um volume indicado ao prêmio Eisner e a gente entende rapidamente por que isso se sucedeu. O Imortal Hulk é uma HQ bem curiosa para ser algo mainstream dentro da Marvel. É um animal diferente dentro da Casa das Ideias. E ao final vamos ficar extremamente curiosos sobre o que vai acontecer a seguir.




Tem alguns spoilers!! Tem alguns spoilers!!!




Na última edição vimos algumas situações se sucedendo que acabaram por revelar que Bruce Banner está vivo. Primeiro teve toda a situação com Walter Langowski, o Sasquatch. Algo tomou posse de seu corpo e o confronto entre os dois gigantes foi inevitável. Ao final, o Hulk parece ter absorvido toda a energia gama do corpo de Langkowski, extinguindo de vez sua transformação como o gigante peludo. Só que alguma coisa veio junto com a energia gama e se alojou na mente de Banner. E essa presença começa a aterrorizá-lo de dia e inquietar o Hulk à noite. O Hulk parece querer ir para casa, ou seja, o lugar onde Banner teria se transformado pela primeira vez. Iniciamos uma longa jornada até lá onde Banner enfrentará uma série de desafios. O ressurgimento de Banner também alertou os Vingadores já que no último confronto deles, o Hulk estava descontrolado (não que ele esteja muito controlado agora). Então uma equipe liderada pela Capitã Marvel é destacada pelo capitão Thunderbolt Ross para cuidar da situação antes que inocentes saiam machucados. E nos bastidores o general Fortean usa métodos pouco convencionais para aproveitar as habilidades do Hulk e transformá-las em armas a serviço do governo dos Estados Unidos.


Nesta segunda edição, Ewing continua a construir a sua reinvenção do mito do Hulk. Ele parece misturar um pouco de ciência com algo místico. Mas, esse lado sobrenatural tem a ver com sentimentos negativos como o medo e o terror. E a criatura parece se alimentar dessas influências. Mais do que isso, sua presença exacerba estes sentimentos. Vimos na edição passada que tanto o Sasquatch como os cientistas do laboratório começaram a ter comportamentos violentos quando próximos à criatura. Chamo de criatura porque ainda não tenho como definir se é o Hulk propriamente dito ou algo que transcende o Hulk. E é daí que vem a tal Porta Verde que dá título ao volume. Vamos ficar curiosos pelo que ela significa e teremos uma ideia aproximada sobre o que ela significa lá pelo final. Só que fica claro que existe uma intenção maligna atraindo o Hulk, desejando-o para si e ele já percebeu que vai precisar de mais força do que ele normalmente maneja para poder lidar com esse ser.



Só nesse primeiro trecho da nossa resenha já dá para perceber o quanto o roteiro do Ewing tem vários pontos de mistério. Ele está soltando pequenas pontas que respondem algumas de nossas perguntas enquanto criam outras. Do começo ao fim, este segundo volume passa voando. Me peguei parando para ler uns dois capítulos e quando me dei conta tinha terminado os cinco. Porque os ganchos que ele deixa entre as edições torna o volume inteiro muito orgânico. A gente tem três linhas de histórias interconectadas que vão nos fornecendo as pistas que precisamos: o próprio Banner, a recém-criada tropa Gama e as maquinações de Fortean. Gostei que o autor retomou algumas histórias do passado do personagem, mas elas são bastante compreensíveis dentro das edições aqui. A gente consegue entender, por exemplo, que existe algum trauma do passado entre Banner e seu pai; entendemos o envolvimento entre Thaddeus Ross e Fortean; e até mesmo Betty aparece neste volume o que sugere que veremos esse momento da vida do personagem sendo mexida mais para a frente. O final é de deixar a gente doido porque temos uma revelação bombástica sobre a Porta Verde e algo sobre o passado do Hulk.


Claro que não poderíamos deixar de ter bons momentos de ação. E temos dois neste volume: uma batalha contra os Vingadores e mais para a frente o confronto com um novo Crusher Creel, o bom e velho Homem-Absorvente (o nome de vilão mais zoado da Marvel). Mas, meu favorito é o confronto com os Vingadores. Não é spoiler porque muita gente já comentou até antes do quadrinho sair, mas o Hulk dá um sarrafo nos Vingadores. Este é um novo personagem, revigorado e mais poderoso. Toda a sequência de ação é brutal com um momento com o Thor e outro com o Homem de Ferro que são sensacionais. Daqueles que a gente fica pensando: "caramba... o Ewing fez isso em um gibi mainstream???". Não que o combate com o Creel seja menos impactante, talvez mais do ponto de vista do terror visceral. Fora que a arte do Bennett está precisa, on point no volume interior. Por incrível que pareça, o único momento em que eu não gostei da arte é quando ela não era do Bennett que é no sexto capítulo. Gosto bastante da arte do Garbett, mas ela não estava legal aqui. Ou seja, a HQ é terror puro do começo ao fim, mas quando ela se propõe ser um gibi de ação massaveio, ela cumpre direitinho.


O meu momento favorito neste segundo volume se passa no laboratório com Fortean e os demais cientistas. E é curioso porque todo o enredo gira em clichês de filmes antigos de terror. Quando o monstro se deixa capturar em um lugar onde os heróis imaginam ter o controle sobre a situação. Mas, na verdade são eles que estão presos junto do monstro. E este começa a brincar com as suas psiquês com pequenas coisas. Pode parecer exagero (e é um trecho pequeno), mas me lembrou aquela estranha sensação em O Silêncio dos Inocentes das conversas entre Hannibal Lecter e a detetive Clarice Sterling onde o tempo todo o espectador se perguntava quem é que era o prisioneiro de quem. E Hannibal só precisava dar um olhar diferente, fazer um gesto conspiratório ou soltar frases de sentido ambíguo. Estar com um Hulk mais poderoso é essa sensação. Por mais que os cientistas imaginem que ele esteja controlado, o monstro sorri. É como se ele te dissesse "você tem certeza que está tudo sob controle?". É esse Hulk aterrorizante que eu gostei bastante de ver e espero que o Ewing explore mais essa sensação de insegurança.


O Quadrinho em 1 Quadro:



A arte do Bennett está bizarra, e no ótimo sentido da palavra. Ela nos aterroriza, evoca uma espécie de terror primitivo que se esconde no fundo de nossos seres. As expressões do Hulk são exageradas. Não são malignas no sentido vilanesco da coisa, mas são sagazes. Daquelas em que o leitor sabe entender em pequenas coisas como a criatura pode representar sua perdição caso você cruze o seu caminho. Em diversos momentos neste volume, Bennett se aproveita do fato do personagem ter se tornado imortal para criar cenas realmente chocantes como a do quadro acima. Parece saído de um filme de terror, e eu tenho certeza que foi, só não sei lembrar qual. Bennett está com um domínio no molde do corpo dos personagens que fornece um impacto visual incrível. Tem dois momentos bizarros: um no laboratório em uma reconstituição corporal absolutamente visceral e outra quando o Hulk pega um objeto e imita a arma do Homem Absorvente. Disse objeto? Okay.. fica como objeto.


Um segundo volume absolutamente impecável com mistérios novos surgindo e velhas feridas também. O momento em que o mundo iria descobrir que Banner estava de volta estava para acontecer, mas é curioso porque ele ainda está envolto em uma aura de mistério. A mitologia do Hulk está sendo ampliada lentamente e Ewing está dando a sua cara para o personagem. Se deixado aos seus cuidados, a narrativa pode ir bem longe e quero ver como o autor vai fazer isso nos próximos volumes. A participação dos Vingadores foi rápida, mas impactante. Tenho certeza que tem um certo personagem que ainda deve estar procurando o seu dente que caiu. E a Porta Verde parece que se abriu. O que terá depois dela?











Ficha Técnica:


Nome: O Imortal Hulk vol. 2 - A Porta Verde

Autor; Al Ewing

Artistas: Joe Bennett (ed. 7 - 10) e Lee Garbett (ed. 6)

Ilustrador: Martin Simmons (ed. 9 nos trechos do Homem-Absorvente)

Colorista: Paul Mounts

Editora: Panini

Tradutor: Leo "Kitsune" Camargo

Número de Páginas: 112

Ano de Publicação: 2020


Outros Volumes:

Volume 1


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