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O Ficções Humanas é um blog literário sobre fantasia e ficção científica.

  • Paulo Vinicius

Resenha: "O Imortal Hulk vol. 1" de Al Ewing e Joe Bennett

O personagem ressurge dos mortos com uma nova faceta. Acreditem: este não é o Hulk que estamos acostumados a ver. Al Ewing revigora o personagem e nos mostra aonde se encontra o verdadeiro medo.

Sinopse:


O horror tem um nome. Você nunca iria notar o homem. Ele não gosta de ser notado. Ele é quieto. Calmo. Se alguém fosse atirar em sua cabeça... tudo o que ele faria seria morrer. Até que cai a noite - e uma outra pessoa desperta. O nome do homem é Banner. O horror é o Imortal Hulk! E os problemas tem o hábito de ir ao encontro de ambos. Como repórter, Jackie McGee tenta colocar juntos os fatos. Banner faz uma jornada solitária de cidade para cidade, encontrando assassinato, mistério e tragédia por onde vai. E o que Banner encontra, o Hulk esmaga! Em outro lugar, o herói chamado Sasquatch não consegue não se envolver nisso. De muitas formas, ele é alguém semelhante a Banner - e seu oposto. Sasquatch está prestes a arriscar sua vida buscando pelo homem - e encontrando o monstro!





Renovando um personagem


Não é fácil apresentar algo novo a um personagem que possui décadas de existência. O Hulk já foi cinza, verde, vermelho; já foi cientista, mafioso, fugitivo, gladiador. Al Ewing é um autor que já está há alguns anos na Marvel e apresentou roteiros bem interessantes no passado, principalmente com equipes menores. Mas, essa é a primeira vez que ele recebe liberdade criativa e um grande personagem no qual se espraiar. E ele conseguiu dar vida nova a este icônico personagem dando a ele vários níveis de complexidade.


Durante um evento passado, o Hulk havia sido morto com uma flechada na cabeça, impedindo-o de se regenerar. Ele permaneceu em um merecido descanso após anos de uma fúria violenta que não via fim. Mas, alguém o trouxe de volta e, dessa vez muito diferente do normal. O Hulk sempre teve uma relação muito próxima com a ira e a fúria. Mas, dessa vez, ele representa uma força da natureza. Despertando à noite no corpo de Banner, ele segue de cidade em cidade, perseguindo pessoas realizando injustiças. Ou pelo menos é o que parece. Logo no primeiro capítulo vemos Banner passando por uma loja de conveniências quando ela é assaltada por um criminoso muito nervoso. Durante o assalto, Banner acaba levando um tiro, o que leva o criminoso a disparar sua arma para todos os lados transformando tudo em uma cena horrível. O Hulk desperta e persegue o jovem, que na verdade realizava assaltos a mando de um grupo de criminosos. Vemos o quanto a vingança do monstro pode ser terrível.


O que me parece é que Ewing adotou uma pegada no estilo de O Médico e o Monstro. Estas eram as origens do personagem, lá na década de 1970. O curioso é que o título deste primeiro volume Ou será Ambos? (Or is He Both?) é uma brincadeira com o subtítulo da primeira edição escrita por Stan Lee com desenhos de Jack Kirby. Nela. dizia Ele é um Homem ou um Monstro? (Is He a Man or a Monster?). O Hulk de Stan Lee bebia muito da moda dos personagens de terror, típicos do período. É o que Al Ewing trouxe para esse novo Hulk. Suas histórias são sempre sombrias ou nebulosas. Pelo fato de o novo Hulk funcionar apenas à noite, isso dá um novo gás para a narrativa. Nesse primeiro volume, apesar de haver um grande arco por trás, as histórias são one-shots, ou seja, são histórias fechadas.

Uma Arte Esmagadora


A escolha de Joe Bennett para essa nova encarnação do Hulk foi perfeita. Ele consegue captar a brutalidade e o poder do monstro. Algumas das cenas que ele desenhou são assustadoras como o Hulk perseguindo os bandidos no ferro-velho, a perseguição à estranha criatura na caverna e o embate com o Sasquatch. Muitas vezes Bennett consegue fazer o Hulk dizer volumes apenas pelo gestual ou pelo olhar do personagem. Aos poucos a gente vai se dando conta de que essa nova encarnação do Hulk é inteligente e cruel. Isso apenas pelo traço do artista. O que me parece é que Bennett caiu como uma luva para essa pegada mais de terror de Ewing.


Ao mesmo tempo em que o Hulk de Bennett é monstruoso, o artista consegue nos mostrar um Banner cabisbaixo e melancólico. Alguém que queria estar morto. Isso se reflete na forma como o personagem se movimenta, na maneira como ele fala com as pessoas. Em certos momentos, o alter ego do Hulk lembra aqueles personagens de histórias de terror que servem para alertar os incautos a não se aventurar próximos a um monstro ou a um lugar. Não sei se isso foi proposital, mas me lembrou na hora destes romances góticos. Este Banner novo não sabe como lidar com o Hulk mais. Isto muito possivelmente porque o personagem perdeu a vontade de viver. Nada o move mais, apenas a vontade de ficar longe dos problemas.


A preocupação com a ação também é uma marca do artista. Mesmo desenhando um personagem enorme, ele consegue criar cenas muito dinâmicas e fáceis de serem entendidas. Já vi algumas HQs do Hulk que pecavam porque ou reduziam o Hulk de tamanho ou tornavam as cenas estranhas demais. Fora que o tamanho do personagem contribui para dar um ar amedrontador ao personagem. A cena do quadro abaixo das mãos se fechando na cabeça de uma pessoa comum é demais! Ou Bennett brinca com a silhueta do personagem se aproximando de seus oponentes. Esses pequenos detalhes fazem o quadrinho ganhar muito em qualidade.

Combatendo a injustiça de forma esmagadora


Outra peculiaridade do monstro nesse primeiro volume é que ele parece saber aonde deve ir. Algum tipo de senso de direção, muito semelhante ao Motoqueiro Fantasma que persegue os desejos de vingança das pessoas. Esse senso de direção deturpado é mencionado diversas vezes ao longo deste primeiro volume. Mesmo quando se trata do Sasquatch, parece que o personagem sabia que precisava estar ali naquele momento. O quanto isso é uma espécie de "sentido" só os próximos volumes vão nos revelar. Mas, o que fica é que este Hulk é inteligente a ponto de punir de maneira até cruel os seus oponentes. Até o presente momento, ele não matou ninguém, mas foi capaz de fazer uma vingança bem à altura. Ou quando ele precisou se conter em uma dada situação, ele assim o fez.


Ewing parece estar construindo ainda a sua narrativa. Sentimos que ele deixou para construir o seu ritmo e mostrar para o que veio neste primeiro volume. Várias pequenas sementes foram deixadas para serem trabalhadas em volumes futuros. Resta saber como o resto do universo Marvel vai lidar com esta nova encarnação do monstro. E parece que ele tem muitas contas a acertar com alguns membros dos Vingadores. É esperar para ver!


Ficha Técnica:


Nome: O Imortal Hulk vol. 1

Autor: Al Ewing

Artista: Joe Bennett

Editora: Marvel

Gênero: Terror

Número de Páginas: 128

Ano de Publicação: 2018


Outros Volumes:

Volume 2

Volume 3

Volume 4


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