• Paulo Vinicius

Resenha: "Monstress vol. 3 - Haven" de Marjorie Liu e Sana Takeda

A caçada pelos fragmentos da máscara fica cada vez mais selvagem. Chegando em Pontus, Maika precisa ajudar Vihn em troca de abrigo. A Corte do Crepúsculo e a Corte da Aurora chegam a um acordo sobre como lidar com Maika e isso pode ser um péssimo sinal. E Kippa precisa decidir que rumo tomar para si mesmo.

Atenção: Tem spoilers.



Sinopse:


Maika Halfwolf começou a descobrir os mistério de seu passado - mas os desafios estão ficando mais perigosos. Neste terceiro volume de Monstress, a jornada de Maika a leva até a cidade neutra de Pontus, onde ela espera encontrar um refúgio temporário dos seus perseguidores. Infelizmente, Pontus pode não ser tão segura quanto Maika e seus aliados imaginaram.


Com uma guerra iminente entre humanos e arcanics se aproximando, e poderosos personagens lutando por uma chance de controlar seu futuro, Maika se vê tendo que trabalhar com Zinn, o Monstrum que vive dentro dela, para assegurar a sua mútua sobrevivência. Mas, mesmo esta aliança pode não ser o suficiente para preparar Maika para os horrores que se aproximam.





Os Antigos se aproximam



Antes de mais nada, leiam esta matéria apenas se vocês leram os dois primeiros volumes. Tem muitos spoilers deles.




Este é um volume que prepara os plots para o clímax na próxima edição. Já tivemos um momento incrível no final do volume 2 em que Zinn e Maika precisaram começar a aprender a conviver juntos. Os perigos se tornaram grandes demais para eles continuarem antagonizando um ao outro. Claro que Zinn tem seus próprios objetivos e Maika a sua obsessão. Então é uma aliança instável em que o deus antigo apronta várias para a protagonista. E a protagonista coloca a si mesmo em situações perigosas, contrariando o seu hospedeiro. Essa aliança vai se tornar essencial para encarar tudo o que vem atrás dos dois e de seus companheiros. A Corte do Alvorecer, Cumaea, a Imperatriz das Ondas, os estranhos gatos... e a lista só aumenta até porque Maika não faz muito em ser sutil em suas relações.


Logo de cara vemos a dificuldade que o navio onde Maika está tem para chegar ao porto de Pontus. A principal característica da cidade neutra é seu escudo impenetrável e a defesa de poderosos seres marinhos. Isso vai fazer a frota da Imperatriz das Ondas vacilar antes de atacar o grupo da protagonista. Ao chegar em Pontus, percebemos que Vihn, a arcanic que recebe Maika tem interesses próprios em ajudar a meio-arcanic. Por causa do sangue da imperatriz-xamã que corre nas veias de Maika, talvez ela seja capaz de usar 100% a energia do escudo, que hoje só é usado para defesa. Mas, manipular um artefato antigo criado pela genialidade da imperatriz-xamã pode não ser tão fácil quanto parece.



Este volume é claramente centrado em Maika e Zinn. Conhecemos um pouco mais da relação entre o deus antigo e a imperatriz-xamã. Dá para perceber o quanto ele era apaixonado por ela e o quanto sua ausência criou um vazio dentro dele. Sentimos a contradição dessa relação à medida em que este sentimento se tornou preponderante em um ser que deveria enxergar os mortais como vermes. E o quanto essa relação fez com que Zinn perdesse o respeito de seus semelhantes. Saber que a imperatriz foi uma grande inventora também me fez coçar o queixo. Muitos mistérios sendo empilhados e mesmo tendo algumas respostas, acabamos com mais perguntas. A batalha dentro do laboratório da amada de Zinn é animal e mostra bastante da arte da Sana Takeda. Ela entrega em um cenário uma mistura de tecnologia com terror lovecraftiano. Parece até que a cada edição a Sana se esforça em criar coisas ainda mais estranhas.


Do outro lado da ação temos uma conversa tensa entre a Baronesa (a líder da Corte do Alvorecer) e a Loba (a líder da Corte da Aurora). Ambas são criaturas que não medem consequências para alcançar seus objetivos como a Baronesa sacrificando dezenas de gatos para ativar um poder premonitório ou a Loba movendo peças para criar novos obstáculos para Maika (mesmo à custa de muitas vidas). A permanência da protagonista em Pontus obrigou as duas líderes a chegar a algum tipo de entendimento. Isso sem falar no outro inimigo que mal aparece neste volume: Cumaea. Depois do primeiro volume acabamos vendo-os bem pouco, mas graças a alguns desenvolvimentos daqui, tenho certeza de que eles não estarão longe.


Por falar na Baronesa, finalmente descobrimos qual é a relação dela com Maika. Ainda não tinha me atentado para essa conexão. Mas, uma coisa me deixou encucado: Zinn disse que algumas lembranças de Maika se referem a fatos que nunca aconteceram. Por que isso? O que acontece com a protagonista que manipula o continuum dessa forma? Se Moriko foi bastante mencionada no volume anterior, nesse ficamos mais na imperatriz. Agora deu para entender por que ela era tão poderosa. Uma outra figura que também não teve sua existência muito explicada é o "pai" de Maika. Ele é o pai dela mesmo? Porque os tigres parecem ser pais de criação, então.


No meio disso tudo ainda temos Kippa, que chega junto de Maika a Pontus. A pequena raposa parece ter ganhado um plot próprio e não necessariamente ficado apenas para acompanhar a protagonista. Como um refugiado, ele está atrás de seus familiares e descobre que Pontus estava recebendo muitas raposas igual a ele. Após uma discussão com Maika em que ela exige que ele espere por ela, Kippa segue até o local onde seus companheiros ficam. Por ter uma afinidade maior com sua raposa interior, Kippa parece possuir poderes mágicos curiosos que poderiam ajudar na evacuação dos refugiados. Então ele fica dividido entre ajudar a protagonista a superar seus desafios ou ajudar seu povo a alcançar um lugar seguro. Mas, ao mesmo tempo temos mestre Ren que parece ter recebido uma missão desagradável de seus familiares. E isso pode colocar a vida de Maika, Kippa e de todos os outros em risco.


Vejam só quanta coisa eu consegui comentar nesta resenha. E isso porque eu apenas passei por alto os temas e plots abordados neste terceiro volume. Tem muita coisa acontecendo e eu não quero estragar as surpresas que são apresentadas. O roteiro da Marjorie explora muitas possibilidades e é rico em detalhes. Algumas vezes o conteúdo e a quantidade de informações podem sobrepujar aqueles que não leram a HQ por muito tempo. Eu precisei reler o segundo volume para me lembrar de detalhes. Tudo é conectado. Alguns plots iniciados no primeiro volume voltam à tona agora como os personagens do núcleo de Cumaea que só tiveram algumas cenas nos capítulos passados. Como já afirmei antes, o roteiro da Marjorie daria facilmente um extenso livro de fantasia. A diferença é que boa parte das descrições são cobertas pela arte da Sana Takeda que ajuda e muito o roteiro. Quando temos um momento menos interessante no roteiro da Marjorie, os cenários criados pela Sana ajudam.


Monstress continua a todo vapor com uma história consistente e interessante. O roteiro vai agradar quem curte histórias complexas e repletas de reviravoltas. Sendo ousado, eu diria que Monstress não perde nada para um bom romance de George R.R. Martin ou do Brandon Sanderson. A diferença está na imaginação fora da caixinha da Marjorie Liu e na arte estonteante da Sana Takeda. Sem dúvida nenhuma é uma das melhores HQs da Image ao lado de Saga, Oblivion Song, Black Monday Murders. Recomendo a todos a leitura.






Ficha Técnica:


Nome: Monstress vol. 3 - Haven

Autora: Marjorie Liu

Artista: Sana Takeda

Editora: Image Comics

Número de Páginas: 152

Ano de Publicação: 2018


Outros Volumes:

Monstress vol. 1 - Awakening

Monstress vol. 2 - The Blood


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