• Paulo Vinicius

Resenha: "Limbo" de Thiago D'Evecque

Atualizado: 9 de Abr de 2019

Limbo é uma fantástica história de um personagem que precisa encontrar pessoas que possam ajudar a trazer o melhor para os homens na Terra. Mas, no fim, o que esse personagem precisa mesmo é saber qual o seu papel no Universo. Conheçam Limbo!



Sinopse: O Limbo é para onde todas as almas vão após a morte. Além de humanos, deuses esquecidos e espíritos lendários também vagam pelo plano. Muitas almas sabem exatamente onde estão e por que; a maioria, entretanto, ainda tem a impressão de estar viva. A morte é um hábito difícil de se acostumar.


Um dos espíritos residentes no Limbo acorda sem nenhuma lembrança de sua identidade. Ele descobre que a Terra está prestes a ser destruída pelos próprios humanos e fica encarregado de enviar doze almas heroicas de volta. Elas reencarnarão no plano dos homens e tentarão reverter o quadro apocalíptico.


Contudo, poucas almas encaram o retorno com bons olhos. O espírito deve, então, forçá-las. Armado, de preferência. Assim, resolve visitar um velho amigo: Azazel, anjo ferreiro e primeiro escolhido da lista.

O espírito descobre mais sobre quem realmente é, ouve uma versão completamente diferente sobre a rebelião dos anjos e é presenteado com uma surpresa de péssimo gosto.


LIMBO mistura elementos e referências de videogames, RPGs, HQs, animes, mangás, filmes, séries e livros. De Lovecraft a Final Fantasy, é uma homenagem às influências que marcaram o autor.




Quando um autor mexe muito com mitologias, eu sempre fico um pouco preocupado. Interpretar mal uma cultura ou até estereotipar alguma coisa é algo bem comum. Vide o que aconteceu recentemente a J.K. Rowling quando escreveu alguns contos usando mitologia navajo no mundo de Harry Potter. Mas, fiquei muito satisfeito com o trabalho feito por Thiado D'Evecque neste fantástico romance.

O personagem principal é convocado pelo anjo Gabriel que pede que este busque em todo o Limbo por doze indivíduos possuidores de qualidades especiais. Estes são necessários ao mundo dos homens que se encontra em franca decadência. A partir de então, este personagem parte em direção aos vários cantos do Limbo buscando indivíduos com coragem, amor, liderança, honestidade, sabedoria e tantas outras qualidades necessárias ao homem. Indivíduos como o Rei Arthur, o anjo ferreiro Azazel, Tomoe (a lendária espadachim), o guerreiro celta Cumhail e vários outros. Entretanto, um dos mistérios presentes neste romance é a amnésia do personagem principal. Quem será esta pessoa? E qual é o objetivo final de Gabriel?

Gostei da maneira que o autor escondeu o seu jogo. Aquilo que parecia um enredo a la Onze Homens e Um Segredo se tornou um estudo intimista sobre a humanidade. Em vários momentos o autor discute diversos aspectos sobre o caráter do homem. A cada novo indivíduo com o qual o personagem principal interage é feita uma nova defesa sobre as qualidades que tornam único entre todos os seres da Criação. Não se trata de nenhuma maneira de um tratado sobre religião ou um ensaio de filosofia, mas como somos seres falhos, porém únicos. Alguns debates são tensos como o travado com o rei Arthur enquanto outros são voltados para elementos que o homem deixou um pouco de lado como a capacidade de perdoar. Neste sentido, gostei que o autor tenha me enganado com o real sentido da história. Somente na metade final eu percebi aonde ele queria chegar com a jornada do personagem principal (estou insistindo em chamar dessa forma para não revelar sua identidade). Aliás, este é o tipo de história que o final nem é tão interessante quanto a jornada em si. O leitor sai com um sorriso no final.

Insisto no tema mitológico. Como historiador, sempre me preocupo muito quando um autor toma este caminho. Calcar o enredo em um aspecto da realidade enquanto trabalha elementos culturais sempre pode levar a interpretações estranhas. Achei que Thiago acabou adotando os elementos monoteístas como pináculo e as demais religiões ocupariam uma região dentro do mundo monoteísta. Eu fico em dúvida se aponto isso como ponto fraco ou não. Inicialmente me incomodou um pouco, mas depois eu pensei por um outro viés. Se o autor adotou este sistema mitológico como algo natural (não chegou a refletir mais além disso), se trata sim de um ponto fraco. O Limbo não poderia ser um espaço monoteísta onde outras mitologias apenas são submissas a este espaço. Porém, se o autor quis dizer esta submissão como algo oriundo do sucesso do monoteísmo diante do politeísmo, aí já é algo bem diferente. Se o autor pensou realmente nesses termos, ganhei um novo respeito e se eu tivesse 4 corujas eu dava a este livro. Por isso, acabei não levando em consideração esta crítica/elogio.



A revelação sobre a identidade do personagem foi um tapa na cara do leitor. Normalmente nós assumimos aquilo que o personagem descobre e revê os seus conceitos sobre si mesmo. Quando o autor nos faz questionar nossos pré-conceitos, ele te faz atentar mais ao que você está lendo. E se você retornar aos capítulos anteriores, vai perceber que isso de fato é verdade. A forma como os personagens anteriores observam nosso guia ao longo da história é este mesmo. Nós (e o personagem principal, por conseguinte) é que assumimos o contrário. O final é deixado em aberto, mas recomendo fortemente ao autor que não há a necessidade de retornar à história. Ela é encerrada perfeitamente em si mesma. Existem pontas soltas que poderiam gerar novas histórias, mas não com este personagem especificamente. Adoraria uma nova história com qualquer um dos doze que foram apresentados no romance. Aí sim. Até mesmo o ponto de vista do décimo segundo personagem seria fantástico. E se o autor usar o mesmo nível de contação de histórias que ele usou para compor o enredo de Limbo iria ser muito bom.

Não conhecia o trabalho do autor e fiquei agradavelmente surpreso com Limbo. Um enredo muito bem construído e o autor até se permite brincar com o leitor. Os personagens também são ótimos. Todos possuem profundidade e o autor não se esqueceu de trabalhar nenhum. As histórias e angústias de cada um servem para torná-los não apenas guerreiros, mas pessoas propriamente ditas. Suas qualidades divinas são evidentes e em nenhum momento duvidei da divindade de nenhum. O ritmo da história é bom e o leitor fica querendo saber o que vai acontecer a seguir. Eu li a história rapidamente e desejei não tê-lo feito. Deveria ter lido mais lentamente de forma a aproveitar mais a pena do autor.




Ficha Técnica:


Nome: Limbo

Autor: Thiago D'Evecque

Editora: Auto-Publicado

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 243

Ano de Publicação: 2015


Outros volumes:

Contos do Limbo


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