• Paulo Vinicius

Resenha: "Emperor of Thorns" (Trilogia dos Espinhos vol. 3) de Mark Lawrence

Atualizado: 7 de Abr de 2019

No último volume da Trilogia dos Espinhos, Jorg vai enfrentar o seu inimigo mais poderoso: os poderosos reis da Centena. Além disso, a influência dos Construtores vai ficando maior. Como lidar com isso?




Sinopse: Uma obra-prima imprevisível e cruel – porque o melhor fica guardado para o final!

“O mundo está dividido e o tempo se esgotou completamente, deixando-nos agarrado aos dias finais. Estes são os dias que nos esperaram por todas as nossas vidas. Estes são os meus dias. Eu vou estar diante da Centena e eles vão ouvir. Vou tomar o trono, não importa quem está contra mim, se vivo ou morto. E se eu devo ser o último imperador, farei disso um final e tanto.”

A aclamada Trilogia dos Espinhos chega ao seu grande final, depois de termos acompanhado a dolorosa e surpreendente infância e adolescência de Jorg Ancrath em Prince of Thorns e King of Thorns, com todo o brilhantismo, charme, violência extrema e total crueldade deste egomaníaco romântico. Conforme Jorg cresce, seu caráter muda e ele parece encontrar algum equilíbrio em suas tendências sociopatas. Em Emperor of Thorns, vamos novamente tomando contato com as atribulações de Jorg e sua fixação em conquistar o Império Destruído com saltos entre o presente e o passado, assim como Mark Lawrence já havia feito no volume anterior. Com isso, vamos descobrindo, desvendando e nos surpreendendo com o mundo onde a história se passa e com as saídas e escolhas nada tradicionais ou lógicas que Jorg se vê obrigado a tomar em seu caminho ao trono. Prince of Thorns, King of Thorns e Emperor of Thorns formam uma das trilogias mais importantes da nova geração, que chega ao fim de forma brilhante e imprevisível, ao mesmo tempo cruel e poética, uma obra-prima de um novo grande autor.




O volume final da Trilogia dos Espinhos conta uma história de redenção. O autor procura mostrar neste volume como o mundo funciona em tons de cinza. E até mesmo um ser humano desprezível como Jorg pode ter lapsos de amor, ternura e honra.

A história avança alguns anos depois do confronto de Jorg com Egan. Jorg agora é soberano de vários reinos que eram vassalos do falecido príncipe de Arrow. O personagem segue para Vyenne se reunir com outros lordes da Centena e tentar eleger um novo imperador. Estranhamente Jorg parece confiante de que tudo sairá conforme os seus planos. Mas, uma estranha sombra se coloca entre Jorg e o trono em Vyene: as tropas do Rei Morto.

Como em outros volumes da trilogia, Lawrence trabalha com duas temporalidades: o presente e o passado. No passado, Jorg sai das tórridas costas de Cantalona e se dirige para a árida região da Liba encarar o califa que ameaça as terras de seu avô. Lá ele vai encontrar mais relatos sobre os Construtores e enfrentar terríveis inimigos.

A mecânica dos flashbacks não funciona tão bem aqui (ou pelo menos de uma maneira satisfatória). Achei as passagens confusas demais principalmente quando Lawrence decide mudar também o Ponto de Vista. Além de passado e presente, o livro alterna entre Jorg e Chella. Isso acaba por confundir a cabeça do leitor que vê uma sequência sendo quebrada abruptamente. Se em King of Thorns esse mecanismo não prejudicou a narrativa, aqui isto é o extremo oposto.

O enredo é interessante aqui. Existe uma iminência na jornada de Jorg em direção à Vyenne. Pela primeira vez nós conseguimos entender a importância das sandices de Jorg. A necessidade de construir alianças, analisar os oponentes e entender quando e como uma ação deve ser feita. Aquele traço de infalibilidade não está tão presente aqui porque as ações do personagem são justificadas a partir de anos de planejamento (apesar de eu ter achado uma desculpa fajuta para alguns elementos de enredo, mas, okay).



Apesar de ter contado muita coisa sobre a história dos Construtores, Lawrence deixa muitas pontas soltas. Como eu imaginei, é um mundo que ele pretende revisitar outras vezes e, por isso, não há pressa em mostrar todas as suas cartas. Por que Fexler se rebelou? É só por que ele deseja uma terceira via? E a questão da magia? Eu tenho uma teoria insana: o mundo de Jorg poderia ser uma realidade virtual a la Matrix e os Construtores seriam os responsáveis pela manutenção do jogo. Os habitantes do mundo seriam homens de baixa categoria colocados neste mundo para servirem de espetáculo. Ideia completamente insana, não acham?

Alguns personagens são aprofundados como Chella e Makin, por exemplo. Vemos que controlar a morte é como uma droga para Chella. As energias negativas fazem com que os seus sentidos se abram mais. Quando Jorg a derrotou nos Pântanos de Ken, ele a deixou fraca e à mercê do Rei Morto. A respeito de Makin conhecemos um pouco mais sobre ele e como ele foi parar nos calabouços do Castelo Alto. Makin é considerado quase como um amigo de Jorg. Ou o mais próximo que essa palavra significa para o protagonista.

Outros personagens recebem mais espaço como Miana e o padre Gomst. Realmente Miana é a esposa ideal para Jorg. Lawrence a construiu de maneira muito complementar a ele. Mas, é possível compreender o relativo distanciamento do protagonista em relação à sua esposa. Não é que ele seja perdidamente apaixonado por Katherine. É que ele não sabe como amar; tudo o que ele entende é fúria e violência. Mas ao mesmo tempo Jorg desenvolve uma afetividade em relação a ela, revelando um lado que nem mesmo ele conhecia.

Como nos volumes anteriores, o final não é completamente satisfatório. Achei melhor do que no volume 1 e 2, mas ainda assim o autor tem dificuldades em apresentar e encerrar o clímax da história. A batalha final em Vyenne é emocionante e nós queremos ver logo o que vai acontecer a seguir. Mas, a queda do ritmo para o encerramento da história é brusco demais. Nesse volume esse súbito rompimento de ritmo é maior porque o ciclo de Jorg se encerra nesta história.

A Trilogia dos Espinhos é uma história diferente. O autor nos apresentou um personagens com características estranhas àquele modelo de herói virtuoso. De certa forma, Jorg percorre a jornada do herói. Não a realiza rigorosamente segundo os elementos clássicos da fantasia. A trama tem suas falhas, mas é bem conduzida e apresenta alguns plots interessantes. Recomendo o livro, mas com reservas.





Ficha Técnica:


Nome: Emperor of Thorns

Autor: Mark Lawrence

Série: Trilogia dos Espinhos vol. 3

Editora: DarkSide Books

Gênero: Fantasia

Tradutor: Dalton Caldas

Número de Páginas: 528

Ano de Publicação: 2014


Outros volumes:

Prince of Thorns

King of Thorns


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