• Paulo Vinicius

Resenha: "Dragonero vol. 7" de Stefano Vietti e Francesco Rizzato

Ian segue na trilha dos zágharos que capturaram Gmor e precisa encontrar uma maneira de chegar a tempo. Enquanto isso, nosso orc favorito está prestes a enfrentar um gigante karkassero, um inimigo mortal de seu povo.

Tem spoilers do volume 6!


Sinopse:


Durante uma missão, Ian e Gmor param em um vilarejo onde presenciam a morte de um orc enfurecido. Ajudados pela cerúsica Eryana, eles descobrem que a vítima estava fugindo de alguns traficantes de animais selvagens que, em seguida, conseguem narcotizar e capturar o próprio Gmor. Ao despertar, ele se encontra com o chefe do bando – um elfo sombrio de nome Zehfir –, que pretende usá-lo como lutador em arenas clandestinas. Assim que é informado do ocorrido, Ian parte para salvar o amigo, acompanhado pela misteriosa Eryana.






Alguns spoilers da edição anterior!!!



Essa é a parte final do arco de duas histórias que coloca Ian e Gmor na trilha de um bando de zágharos que realizam lutas ilegais nas aldeias mais remotas do Suprelurendar. Como vimos na edição passada, Gmor acaba sendo capturado pelos zágharos e levado a uma espécie de caravana itinerante chefiada por um elfo negro chamado Zehfir. Um elfo que possui uma série de conhecimentos proibidos e parece esconder mais segredos do que aparenta. Ian está no encalço dos sequestrados sendo acompanhado pela misteriosa cerúsica Eryana ao qual nosso protagonista imagina não ter contado toda a sua história. O mais certo é que Gmor precisa sobreviver aos combates da arena clandestina até a chegada de Ian. E o próximo adversário do orc é um inimigo mortal de sua raça: um gigante karkassero. Talvez sobreviver pode ser mais complicado do que Gmor possa ter imaginado.


Um dos pontos altos da edição passada foi a arte de Rizzato que me deixou abismado com a qualidade e a habilidade de lidar com o preto. Isso talvez tenha me feito embarcar nessa edição com uma expectativa muito elevada. A arte dessa edição é bonita, mas não encheu os meus olhos como na edição passada. Talvez por ser uma edição que se passa muito em ambientes escuros e fechados e não tenha dado espaço para a arte ocupar os quadros. Tem alguns bons momentos como a passagem de flashback da Eryana o qual nos coloca em um laboratório super detalhado com ervas, poções e cogumelos por toda a parte. Outras boas passagens envolvem Gmor em combates. E Rizzato tem uma ótima noção de como dar vida ao roteiro proposto por Vietti. As sequências são emocionantes e nos deixam apreensivos quanto ao destino do orc. O combate com o karkassero em uma espécie de riacho é incrível. E o legal de tudo: todos os movimentos são fáceis de imaginar e recriar em nossas imaginações. E isso por que estamos falando de dois seres não-humanos.

Essa edição tem um roteiro legal e bons momentos, mas senti que ela ficou devendo em relação à edição passada. Algumas coisas acontecem de forma bastante conveniente como o reencontro de Ian e Gmor e o próprio histórico da Eryana. Muita coincidência ela ser justamente aquele tipo de pessoa. Sem falar no momento de confrontar o Zehfir. Achei bastante anti climático e imaginava algo mais épico porque a edição anterior dava pistas disso. E o relato de Eryana deixa a gente ainda mais pilhado para quando houvesse finalmente o encontro do grupo com o elfo negro. O que me pareceu foi que Vietti queria acrescentar mais um vilão à galeria do Ian e usou essas duas histórias para isso. A resolução foi muito rápida e me deixou bastante decepcionado. Se a ideia foi aproveitar o personagem mais tarde e essas duas histórias serviram como uma espécie de "introdução" para o personagem, isso poderia ter sido feito de várias outras formas diferentes. Acho que conveniência é a palavra ideal para demarcar o roteiro desse volume. E não de uma forma positiva.


Por outro lado, mais uma vez Dragonero surpreende com a profundidade de compreensão das suas narrativas. Conseguiu pinçar algumas e queria passar a bola para vocês. Primeiro tem o caso do flashback da Eryana que me remete imediatamente aos médicos fitoterápicos que existem no mundo hoje. Sempre vistos como charlatões ou supersticiosos ao se focar em descobrir as propriedades medicinais de ervas. Principalmente quando levamos para o debate do emprego de drogas alucinógenas como tratamento médico, seja para doenças como câncer ou outras inflamações ou para lidar com casos psicossomáticos. Essa medicina mais natural não possui o lobby de indústrias farmacêuticas (gente... juro que não vou citar a Big Pharma, expressão que me faz lembrar a política brasileira em sua pior forma). A perseguição a esses profissionais passa pelo descrédito puro e simples, mas pode chegar a situações bem mais agressivas.


Outro bom tema tem a ver com o apoio dado pela população da aldeia aos combates clandestinos. A culpa de toda a situação que envolveu a aldeia é dos próprios aldeões. A gente pode tentar buscar encontrar a justificativa de que se trata de uma maneira de eles sobreviverem e que o Império os deixou meio de lado. Só que quando tudo estoura é óbvio que parte das consequências posteriores pertence a eles já que assumiram o risco. Eles sabiam que aquilo não era legal, que haviam pessoas com históricos duvidosos e capazes de ações hostis no meio. Não tem como imaginar que traficantes de pessoas sejam gente honesta e honrada. Por essa razão, Ian faz o correto: se livrar de Zehfir que é o perigo mais imediato. Lidar com as autoridades imperiais e entregar os zágharos é um trabalho da aldeia. É responsabilidade do chefe da aldeia.


Esta é uma boa edição que consegue entregar um pouco mais sobre o mundo de Dragonero: quem são os cerúsicos e os Elêusis que foram renegados. Introduz também um poderoso inimigo na forma de um elfo negro que possui poderes além da imaginação. Ainda tem tempo de desenvolver mais a relação de amizade e respeito forjada por Ian e Gmor. A arte está um pouco abaixo do que foi na edição anterior, mas ela não deixa de impressionar. Algumas cenas de combate são incríveis e mesmo quando a ação está parada, Rizzato nos entrega belos quadros. A esperar como será a próxima aventura. Será que eles finalmente chegarão na Meróvia? Parece que se passaram meses desde que eles partiram da casa de Ian.











Ficha Técnica:


Nome: Dragonero vol. 7 - No Reino do Zehfir

Autor: Stefano Vietti

Artista: Francesco Rizzato

Editora: Mythos

Tradutor: Julio Schneider

Número de Páginas: 100

Ano de Publicação: 2021


Outros Volumes:

Vol. 0 Vol. 6

Vol. 1 Vol. 8

Vol. 2

Vol. 3

Vol. 4

Vol. 5


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