• Paulo Vinicius

Resenha: "Dragonero vol. 4" de Luca Enoch, Stefano Vietti e Giuseppe Matteoni

Com o apoio dos orcs liderados por Hrar-Dank, Ian e seus aliados conseguem invadir a Fortaleza Sombria. Buscando destruir o suanin gigante da fortaleza que impede os orcs de iniciarem um ataque frontal, eles vão se deparar com os mistérios terríveis que cercam a torre. Esta é a batalha final e ninguém sairá ileso!

ATENÇÃO: SPOILERS DE EDIÇÕES ANTERIORES!


Sinopse:


Após chegarem a grande ilha dos orcs, Ian, Gmor, Sera e Myrva encontram a fortaleza da Senhora Sombria. Eles não podem atacá-la diretamente, pois sua torre é protegida por barreiras móveis mortais, tornadas invisíveis por um gigante suanin. Nossos heróis decidem tentar um ataque arriscado a noite… No coração da fortaleza, porém, a Senhora Sombria e sua companheira, uma elfa negra, estão prontas para lutar e determinadas a se livrarem do Dragonero!






ATENÇÃO: SPOILERS DE EDIÇÕES ANTERIORES



Essa quarta edição fecha todos os elementos narrativos iniciados em volumes anteriores e entrega um clímax que se estende por quase cem páginas. Edição muito competente e que apostou em uma progressão lenta e entregou o que prometeu aos leitores. Ainda não tinha visto um fumetti (quadrinho italiano) com histórias em arcos, porque geralmente as histórias são fechadas em uma só edição (no máximo duas quando é algum especial). Experimentar uma narrativa em arco de quatro edições foi uma novidade para a editora de Tex, Nathan Never, Zagor. Uma bela aposta e não é à toa que Dragonero teve um crescimento tão grande na Itália se tornando uma vitrine da nova era da Sergio Bonelli Editore. Luca Enoch e Stefano Vietti estão capitaneando a revista e ela tem uma pegada enorme de RPG. Consigo imaginar várias campanhas se passando no continente criado pelos autores. Espero que eles consigam brincar bastante com esse sandbox que eles criaram, mexendo ou mudando alguma coisa quando sentirem que precisam dar mais gás.


Embora eu implique bastante com a arte de Matteoni, essa edição é perfeita para o que ele faz. Aqui nós temos um exemplo de como um bom roteiro pode ajudar um artista. Mesmo com todos os problemas que apontei em edições anteriores, aqui por se tratar de uma edição que se passa no interior de uma fortaleza e que possui um ritmo frenético, acaba tocando nos pontos mais fortes daquilo que Matteoni é capaz de fazer. Adorei o design de interior que ele pensou para a fortaleza e até mesmo as armadilhas ao redor. Tem uma cena ótima que mostra como ele tem esse domínio de preenchimento de espaço que é quando Ian, Sera e Myrva estão subindo as escadarias da fortaleza e Matteoni coloca um ângulo visto de cima mostrando os três andares. A construção da cena é em panóptico e existe um enorme espaço aberto e central e as escadarias ficam para o canto. Cada abertura em arco revela alguma coisa acontecendo seja os inimigos pegando em armas para lutar contra os invasores, seja os personagens subindo e planejando o que fazer a seguir. Também gostei das armas e armadilhas pensadas, uma mistura fenomenal de ciência e magia. E isso é uma tônica desta série.

A ação está frenética neste quarto volume e são quase cem páginas disso acontecendo. Temos o roteiro se preocupando em fechar as pontas soltas, e os autores fazem isso muito bem, mas Matteoni conseguiu traduzir pura ação nas páginas da HQ. É o suco puro de uma boa história de fantasia com os personagens lutando contra orcs enormes armados com pesadas armaduras, espadas e machados, precisando escapar de armadilhas mortais e enfrentando o terrível antagonista no final. As cenas de luta estão ótimas e Matteoni sempre conseguiu entregar momentos emocionantes. Sem dúvida alguma, essa não era uma das minhas reclamações. São poucos os momentos mais parados ou com pegada externa, ajudando a manter uma boa impressão sobre a arte. Na minha opinião, essa é a melhor edição até o momento de Matteoni superando até o famoso volume 0.


Mesmo em uma edição voltada para ser o clímax do arco, Enoch e Vietti conseguiram trazer até temas ainda não tratados. Hrar-Dank, o chefe dos orcs que estão contra a tribo orc da Fortaleza Sombria, não queria trabalhar ao lado de humanos e elfos. Somente após Gmor convencê-lo de que seria necessário unir forças para se livrar de inimigos que empregavam uma arma tão poderosa quanto o suanin e a lama pírica, é que o chefe orc decide abrir uma exceção. Mas, a visão dele não muda mesmo depois dessa frágil aliança. Foi algo de conveniência feito para um momento específico. Diferentemente de Ian e Gmor que enxergam a possibilidade de uma coexistência pacífica entre as diversas raças que habitam o continente, Hrar-Dank considera o grupo formado por Ian (um humano), Gmor (um orc), Sera (uma elfa da floresta) e Myrva (uma humana tecnocrata) uma verdadeira aberração. E ele mesmo comenta que vários outros concordariam abertamente com essa opinião. No mundo de Dragonero, cada raça ocupa o seu espaço sem desejar se envolver muito nos negócios alheios. Temos alguns bolsões geográficos onde existe uma mistura étnica, mas não é comum e é calcada na desigualdade. Isso nos permite revisitar até mesmo a situação com Margrave exposta no primeiro volume em que o nobre decide eliminar todos os orcs de seu protetorado. E a razão para isso não fica tão clara assim sendo mais uma desculpa de Margrave do que um motivo tão urgente assim.

Os fantasmas do passado também parecem ter retornado para assombrar Ian. E nosso protagonista precisa lidar com o ressurgimento de uma figura que ele pensava ter partido há muito tempo. Embora ele desejasse que o destino tivesse sido outro, as circunstâncias nas quais ele é colocado o fazem ficar do lado oposto a essas pessoas. Precisar matá-las se torna essencial para o sucesso da missão, e Ian sabe que isso vai doer em seu coração. No passado, ele colocou seus desejos pessoais à frente de sua missão e isso provocou uma tragédia. Marcado agora pela vida, ele entende a necessidade de pensar em vidas humanas que podem ser afetadas por sua inação. É óbvio que ao final sabemos que o personagem vai precisar superar uma situação ruim. E também vemos mais um pouco dos misteriosos poderes do sangue de dragão, algo que Ian precisará lidar eventualmente.


Uma excelente edição que só consigo tecer grandes elogios. Uma maneira excelente de fechar este primeiro arco de histórias e os autores conseguiram fechar todas as pontas soltas e deixar uma ou outra coisinha a ser resolvida depois, mas nada que prejudique a história. Muito pelo contrário. Esses detalhes extras é que vão nos fazer retornar para mais uma edição. O artista está de parabéns nesta quarta edição e o roteiro o ajudou muito ao se concentrar em seus pontos fortes dando oportunidades para que ele pudesse explorar o cenário onde a aventura se passa com toques de criatividade e as cenas de ação que são limpas, coerentes e emocionantes. Um prato perfeito para quem gosta de boas histórias de fantasia.











Ficha Técnica:


Nome: Dragonero vol. 4 - A Fortaleza Escura

Autores: Luca Enoch e Stefano Vietti

Artista: Giuseppe Matteoni

Editora: Mythos

Tradutor: Julio Schneider

Número de Páginas: 100

Ano de Publicação: 2020


Outros Volumes:

Vol. 0 Vol. 7

Vol. 1 Vol. 8

Vol. 2

Vol. 3

Vol. 5

Vol. 6


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