• Diego Araujo

Resenha: "A Filha do Rei de Elfland" de Lorde Dunsany

A editora Wish enfim trouxe A Filha do Rei de Elfland, um romance de Lorde Dunsany de 1924, mas ainda inédito no Brasil segundo a própria editora.



Sinopse:


O estilo poético e a grandeza arrebatadora de A Filha do Rei de Elfland (1924) o tornaram um dos romances de fantasia mais amados do nosso tempo, uma obra-prima que influenciou alguns dos maiores fantasistas contemporâneos.


Na história, o Senhor de Erl descobre que seu povo gostaria de ser governado por um mestre mágico. Obedecendo aos costumes, o Senhor envia seu filho, Alveric, para encontrar a filha do Rei de Elfland, Lirazel, e torná-la sua esposa. Alveric parte em sua busca com a ajuda da bruxa Ziroonderell. Assim como muitas noivas mágicas do folclore, Lirazel não se adapta à realidade humana e retorna a Elfland, e Alveric, apaixonado, tenta mais uma vez procurá-la.


A história comovente do casamento entre um homem mortal e uma princesa elfa é uma tapeçaria magistral do conto de fadas que segue o "felizes para sempre".





O reino é de uma vila remota, carente de reconhecimento de terras distantes, estas conhecidas por todos. Esta vila remota faz fronteira com um lugar mágico, aquele sabido apenas pelas canções o suficiente para forjar o sonho de tornar a vila famosa entre os conhecidos. A união entre esta vila e o reino mágico ocorre através do amor, este se tornando o tema da história. A Filha do Rei de Elfland é um romance clássico de fantasia escrito por Lorde Dunsany, um autor que foi capaz de inspirar desde Lovecraft passando por Tolkien e Ursula K. Le Guin. Publicado pela primeira vez em 1924, a Editora Wish traz esta história para o Brasil em 2020 com a tradução de Cláudia Mello Belhassof e graças a uma campanha de financiamento coletivo bem sucedida, capaz de garantir esta publicação em conjunto com A Rainha do Ignoto, da autora brasileira Emília Freitas.


A vila de Erl anseia pelo reconhecimento de suas terras entre os demais reinos. Os cidadãos fazem esta reivindicação ao Soberano, e este reconhece o pedido deles, afinal o parlamento de anciões também defendia a ideia de Erl ter um Soberano Mágico. Deste objetivo, encarregou o filho Alveric de se casar com a filha do Rei de Elfland, o reino encantado cujos vislumbres os humanos conhecem apenas pelas canções. Alveric então prepara seus equipamentos, cruzando a fronteira da Terra e enfrentando os perigos mágicos da nova terra. No fim, ele se encontra com Lirazel, a princesa de Elfland, e a convence de viver na companhia dele entre os humanos. E isso é apenas o começo da história...


“Impossível? Será que é impossível? Temos a magia.”

O início do romance é acelerado conforme apresentamos no parágrafo anterior. A jornada comum de conto de fadas ocorre em poucos capítulos, mas em vez do “felizes para sempre”, o casal precisa lidar com os dilemas deste relacionamento, culminando em novos conflitos se desdobrando por muito mais páginas abordando as aventuras e magias de Elfland. Tudo narrado sob medida, Lorde Dunsany equilibra a história nas descrições agradáveis, inserindo palavras comuns em contextos fantásticos e transformando as frases em verdadeiros momentos de poesia enquanto lembra o leitor sobre as diferenças entre a Terra e o reino mágico. Só que ele faz isso de forma repetida, a ponto de poder incomodar o leitor.






De narrador onisciente, os pontos de vista alternam entre os capítulos, indo além dos personagens centrais, embora sempre trazendo cenas relevantes sobre os dois reinos envolvidos, sem falar dos dilemas criados por temerem as próprias conquistas. Isso estende a história rumo a assuntos diferentes do amor e dos encantos mágicos, complementando a narrativa sem desviar do enredo, pois esses capítulos também trazem o interesse que a história construiu desde o começo.






“Entre os espíritos de Alveric e Lirazel repousava toda a distância que existe entre a Terra e Elfland; e o amor ergueu uma ponte sobre a distância e pode fazer mais do que isso.”

É preciso comentar a respeito da motivação do conflito do casal e quanto a eles voltarem a se entender ou não. Protagonizado por Alveric, o enredo aborda pouco a perspectiva de Lirazel, e assim falta apresentar os anseios pessoais da personagem, deixando até de aprofundar a justificativa de ela mudar de atitude, por mais que isso cause os pontos de virada do enredo.


A Filha do Rei de Elfland é uma história mágica em sua descrição e composição das palavras e das cenas sempre revelando algo curioso de vislumbrar entre o reino dos homens e o mágico. Provoca discussões interessantes no meio da jornada do amor fantástico, e poderia ser completo caso desse atenção à personagem feminina, ainda mais Lirazel cujo protagonismo teria tanto potencial quanto Alveric.


“[...] se aceitarmos tudo que os poetas dizem quando devidamente inspirados, nossos erros serão mínimos.”







Ficha Técnica:


Nome: A Filha do Rei de Elfland

Autor: Lord Dunsany

Editora: Wish

Tradutora: Cláudia Mello Belhassof

Número de Páginas: 256

Ano de Publicação: 2020


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