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  • Foto do escritor: Paulo Vinicius
    Paulo Vinicius

Suzu é uma menina retraída que passa seus dias na escola tentando viver uma vida normal depois da tragédia que se abateu sobre sua família. Sua mãe faleceu ao tentar salvar uma criança e ela ficou traumatizada por ter sido deixada para trás. Sua relação com o seu pai é indiferente e ela não consegue formar amizades na escola. É aí que sua única amiga lhe apresenta o U, um mundo virtual onde ela pode ter uma segunda vida.


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Lidar com situações de perda é uma tarefa bem complicada. Principalmente quando você se sente ter sido deixado para trás por quem foi perdido. Em uma montanha-russa de emoções desejamos saber porque permanecemos. Ou o que fizemos de errado para termos sido abandonados? Nessa releitura de A Bela e Fera, Mamoru Hosoda mescla conto de fadas e uma narrativa com claras inspirações cyberpunk para nos falar sobre aqueles que ficaram para trás, o poder da música sobre nossos corações e o quanto as mídias sociais podem esconder violências tão reais que acontecem diariamente. O resultado é um longa-metragem interessante, com uma belíssima animação que emprega o que há de melhor na computação gráfica, mas que equilibra muitas bolas ao mesmo tempo.


Tendo sido apresentado pela primeira vez em 2021 no Festival de Cannes, Belle é uma animação dirigida por Mamoru Hosoda e produzida pelo Studio Chizu. Estreou em outros países alguns meses depois de sua apresentação inicial e hoje pode ser encontrado no catálogo da Netflix. Vale gastar um parágrafo para falarmos um pouco sobre quem é Mamoru Hosoda já que seu sucesso atual vai colocá-lo na mira nos próximos anos. Talvez os fãs brasileiros o conheçam mais pelo longo tempo em que passou dirigindo as várias séries de Digimon e a série de Gegege no Kitaro quando trabalhava na Toei. Ou seja, ele já começou sua carreira com grande destaque em um estúdio gigante como a Toei. Mas, ele quase esteve à frente de O Castelo Flutuante de Howl, em uma época em que o studio Ghibli buscava novos talentos. Infelizmente, ele acabou saindo do projeto em 2002 quando Hayao Miyazaki assumiu-o. O que era para ser uma co-produção entre Toei e Ghibli acabou sendo apenas uma ilusão. A partir de então, Hosoda não conseguiu emplacar nenhum de seus projetos, participando apenas de animações de pequeno porte. Isso até ele ser convidado por Masao Maruyama, presidente do studio Madhouse, que o convidou para dirigir A Garota que Pulou Através do Tempo, um grande sucesso de longa-metragem do estúdio. Com o sucesso do filme, Hosoda ganhou projeção até que em 2011 fundou o seu próprio estúdio, o Chizu, que se tornou famoso pela produção de longa-metragens como Os Meninos-Lobos e Mirai. Detalhe: a proposta do Chizu é parecida com a do Ghibli, que é a de se concentrar em longa-metragens.


A animação de Belle é sensacional. Desde o minuto inicial que conta com os letreiros de apresentação em uma bela canção da protagonista que já percebemos o mix de computação gráfica com animação tradicional. O filme é dividido em trechos que se passam no mundo real, em uma pequena cidade do interior, e toda a interação na plataforma U com suas paisagens geométricas assimétricas. Tudo acontece de maneira bastante fluida e o espectador não vai se decepcionar com o que passa em tela. Alguns momentos são verdadeiras explosões de cores por toda a parte com várias situações ocorrendo simultaneamente em tela. Por se tratar de uma história que vai se basear muito no poder da música, esta compõe um papel essencial para tudo. E ela não decepciona. A dubladora japonesa arrasa nos vocais. Não curti muito a dublagem americana, então caiam fora disso. E aí vale mencionar que Hosoda inicialmente pensava em Belle como um musical, semelhante ao que foi A Bela e a Fera da Disney (não à toa ele contou com a ajuda de alguém da Disney durante a produção). Mas, ele foi dissuadido da ideia porque o Japão não tem uma cultura de produzir musicais.


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Falando sobre o enredo em si, a gente pode dividí-lo em três fragmentos principais: a perda vivida por Suzu, o estranho mundo de U e o aparecimento da Fera. A história de Suzu é maravilhosa e espelha bastante uma questão fundamental na relação de filhos e pais que perderam suas mães. A sensação de ter sido deixado para trás, que acaba por causar uma série de traumas na criança. Principalmente quando a mãe representava um núcleo importante para a relação entre todos. Suzu batalha para tentar viver uma vida normal, mas a perda da mãe da forma como se deu se abate sobre ela diariamente. Sua mãe mergulhou em um rio revolto para salvar uma criança que estava para ser levada pela correnteza. Infelizmente a criança se salvou enquanto ela não. Suzu se questiona por que sua mãe salvou uma completa estranha enquanto ela permanecia na margem observando tudo transcorrer. Ela não se conforma com isso. Isso rende uma cena linda perto do final quando Suzu tem um insight da motivação por trás da ação de sua mãe. Na hora ela entende e se vê colocada em uma situação semelhante. Essa perda fez com que Suzu se retraísse e se afastasse das pessoas. Sua única amiga é Hiroka, que funciona quase como uma pessoa com quem Suzu pode conversar. Até porque a relação que ela tinha com o pai nunca mais voltou a ser a mesma. O sentimento de Suzu é de inconformismo e tudo o que ela deseja é gritar para o mundo aquilo que está sentindo. Só que nem isso é permitido a ela. Uma das coisas que ela mais gostava de fazer era cantar junto de sua mãe. Desde que ela faleceu, Suzu não é mais capaz de dizer uma nota musical mais. Na vez em que ela tenta, ela passa muito mal. E é nesse sentido que entra o U.


A ideia por trás do U é ser uma realidade virtual onde a pessoa tem o direito de viver uma segunda vida. O aplicativo do U detecta seus sinais vitais e constrói um avatar do usuário com base em seus dados biológicos. É praticamente a mesma pessoa só que com outra aparência. As pessoas adotam outros nomes e podem fazer o que quiser por lá. Não à toa uma das punições mais severas que tem por lá é um raio de energia que volta o corpo do usuário ao seu corpo de origem, revelando quem ele é para todos no U. Suzu se torna Belle, um avatar que teve como base Ruka, a garota popular da escola, com alguns traços da Suzu. Assim que entra no U, a primeira coisa que Suzu/Belle faz é cantar a música que ela tinha guardado no coração. Toda a angústia, a tristeza e o inconformismo foram vomitados para fora dela em uma melancólica canção. Rapidamente depois que ela cantou sua música, Suzu/Belle deixa o app sem imaginar o impacto que teve. Quando ela volta a logar no U, ela já tinha milhões de seguidores e ela não tinha entendido o motivo. É então que Hiroka ajuda Suzu a capitalizar em sua nova carreira como cantora ajudando na produção de suas faixas, marcando shows.


É em sua apresentação principal que surge a Fera, um ser monstruoso que está fugindo dos Justices, uma espécie de polícia local que combate os transgressores. Aparentemente a Fera estaria perturbando a paz do U. Suzu estabelece uma estranha conexão com a Fera que parece estar sofrendo dores intensas. Buscando saber quem é a Fera, Suzu começa uma busca desenfreada por ele em todas as partes do U. É aí que ficamos conhecendo mais sobre o funcionamento da justiça neste novo mundo e das conexões entre os usuários e o mundo real. A obsessão de Suzu em encontrar a Fera acaba por preocupar as pessoas ao seu redor, principalmente o seu amigo de infância Shinobu. Quando Suzu finalmente consegue uma pista de quem é a Fera, ela precisa colocar essa sua nova existência em risco caso queira realmente ajudar um estranho.


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Belle tem um bom roteiro e todo o problema pessoal da Suzu e a maneira como isso é amarrado na história da Fera é bastante interessante. Contudo, o roteiro se espalha demais por toda a parte. Se a ideia é fazer uma releitura cyberpunk de A Bela e a Fera, isso significa que é uma história romântica dos dois com algumas coisas sendo acrescentadas para diferenciar, certo? Não. Tem toda a questão do mundo virtual do U e a exploração nas mídias sociais. Só que o filme deixa o tema completamente para trás e mais para a frente o cenário psicodélico serve apenas para construir um modelo futurista do castelo da Fera. Algumas questões como o que as pessoas fazem no U, a ideia de uma arena de lutas e até mesmo todo o envolvimento com os Justices não tem lá muito sentido. A história é bonita, a música é sensacional e a animação extremamente competente. Mas, a gente fica com uma sensação de incompletude no final que incomoda. Não queria que o roteiro explicasse tudo 100%, mas há muitos furos e inconsistências. Mesmo assim, deixo aqui a minha recomendação para mais uma boa animação.



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A cidade de Shudder-to-think esconde segredos terríveis que remontam a eras passadas. Eldora e Octavia foram assistir a um filme no cinema e acordam sem lembrar do que aconteceu nas últimas horas. Isso as leva a entrar em contato com criaturas saídos dos piores pesadelos dos seres humanos.


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Sinopse:


Em uma pequena cidadezinha da Pensilvânia, as coisas estão cada vez mais estranhas. As minas de carvão abaixo da cidade estão abandonadas há anos. O bosque está repleto de coelhos com olhos humanos, uma mulher-cervo que persegue garotas e homens sem pele. E no centro, eventos misteriosos acontecem o tempo todo. Quando El e Octavia acordam em um cinema sem nenhuma lembrança das últimas horas de suas vidas, as duas adolescentes rebeldes começam uma jornada surreal e aterrorizante para descobrir a verdade sobre a bizarra cidade que elas chamam de lar.





Costumamos pensar que bons escritores equivalem a bons roteiristas de quadrinhos. Basta saber escrever que montar um roteiro de quadrinhos é fácil, certo? Só que isso não é bem uma verdade absoluta. É óbvio que um bom roteirista precisa criar uma narrativa interessante, criativa e que gere empatia pelo leitor. Saber escrever é um dos passos. Mas não é só isso. É preciso combinar arte e escrita em um só espaço e nessa frade sozinha existe um universo de possibilidades. Carmen Maria Machado é uma autora de destaque nos últimos anos por seus livros que tratam de feminismo, de violência contra a mulher, do corpo feminino. Ela traz para nós uma narrativa que vai beber dessa fonte a qual ela escreve ótimos contos e nos narra a história de uma cidade pequena no interior dos EUA onde duas garotas vão se colocar no centro de um turbilhão de acontecimentos terríveis. Tem tudo para ser uma boa história, certo?


Em uma noite de cinema em que Eldora e Octavia estão assistindo a mais um filme de terror elas parecem ter dormido durante a sessão. Despertam com a estranha sensação de que alguma coisa aconteceu com elas. É então que elas tentam voltar à sua vida normal de adolescentes em que Octavia está prestes a deixar a cidade rumo a uma vida melhor e El não sabe lá muito o que fazer. As amigas discutem por amores nunca acontecidos e decisões difíceis. Só que a estranheza daquele dia no cinema continua cutucando lá no fundo da mente das duas. E quanto mais fundo elas vão, mais coisas estranhas começam a acontecer ao redor delas. Um homem chamuscado saído de uma fenda na terra ataca El enquanto ela pensava em suas escolhas enquanto Jessica, a namorada de Octavia se transforma em uma espécie de buraco que suga tudo ao redor. A vida das duas parece ficar mais e mais estranha a cada dia que passa e elas precisam entender o que está acontecendo. Quando elas começam a descobrir algumas pistas sobre o que está acontecendo ao redor delas, El e Vi vão se deparar com um segredo hediondo que pode abalar as próprias fundações da cidade.


Vamos conversar sobre roteiros. Antes de mais nada é preciso dizer que sou bastante fã da autora. E por essa razão que me dói dizer que a história é boa, porém é um quadrinho bem ruim. Há uma dissonância bem clara entre arte e história. Parece que eles não conversam bem ao longo de dois terços da série. As edições 4 e 5 são as melhores nesse sentido de arte e história conversarem. Isso se dá no sentido de que a arte nos leva a imaginar a cena de um jeito enquanto que a sequencialidade do roteiro nos leva em outra direção. Se pensarmos no roteiro de Bosque Profundo como um conto em prosa, ele é bem interessante (salvo alguns problemas que destaco a seguir). Faz discussões que são relevantes, possui um clima de tensão (que a arte não consegue passar) e ao final temos uma boa virada narrativa. Mas, tudo isso se perde em uma falta de ritmo que me espanta. As viradas de página não conseguem te surpreender e mesmo os ganchos entre as edições não me fazem querer voltar na história. Lá pela edição 4 que eu finalmente entendi aonde a autora queria chegar, mas ela já havia me perdido lá atrás. Então, tudo o que foi apresentado a seguir só servia para eu querer acabar logo a leitura. Não larguei porque sou fã da autora. Algo que a DC não compreende é que nem todo autor de literatura em prosa é um bom roteirista de quadrinhos. Até existem casos como o da N.K. Jemisin que fez um bom trabalho em Lanterna Verde - Setor Final. Mas, no geral, tudo acaba desse jeito: com o autor perdendo o leitor no meio da sua narrativa porque os quadrinhos são outro veículo criativo.


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A arte da Dani não é boa. Entendi que ela quis fugir um pouco dos padrões ao apresentar personagens com visuais diferenciados e partindo para uma ideia mais realista de estilo corporal. O problema nem é esse e até gostei que ela fez isso. O problema são os cenários, é a coesão do que está acontecendo nos quadros e a conexão com a narrativa escrita. Nada disso funciona e o que temos são ideias que são jogadas em tela. Em alguns momentos, algumas páginas realmente me incomodaram como a cena acima cujo objetivo era criar um clima meio melancólico levando para o assustador. Só que o resultado foi apenas o de me tirar da história. Os momentos de terror são estranhos e o que era para ser assustador teve como consequência a confusão. Mais de uma vez eu tive que parar o fluxo da leitura para tentar entender a página em si. Porque os visuais eram estranhos e não faziam muito sentido. A ideia da Dani era seguir a visão simbólica e figurativa que Carmen Maria Machado impôs ao seu roteiro. Ela só me perdeu nesse processo. Ficava com um ponto de interrogação na cara buscando o contexto das coisas. Até entendi em alguns casos, como a obsessão com a ideia de fendas e buracos ou os "demônios-cervo" ou até as árvores assustadores (que você entende lá pelo final o que são). O que salva de verdade é a colorização da Tamra Bonvillain que é um monstro. O que ela consegue fazer nessa HQ com o emprego de uma palheta de cores que simula o humor das personagens me fez imaginar as páginas em outra perspectiva. Sem a colorização seria um caos absoluto.


Bosque Profundo é repleto de simbolismos. Só que o roteiro dá início a algumas ideias que a autora nunca retoma depois. Ou que não tem tanta importância assim para o desdobrar dos acontecimentos. Por exemplo, toda a história da cidade como tendo sido famosa pela exploração do carvão e o lastro de destruição das doenças pulmonares que afetam os cidadãos é um tema interessante e me fez pensar que haveria alguma conexão com o que acontece às duas adolescentes. Só que não. Serviu apenas para mostrar quais são as características dos moradores da cidade. Que os homens são machistas e conservadores, tipicamente do sul dos EUA. Só que ela não precisava entrar na fundação da cidade e gastar duas edições com isso. Bastava apontar através de algumas cenas como era a divisão social em Shudder-to-think. O enredo das pessoas afetadas pelo carvão não serve também para muita coisa porque não se liga à questão da bruxa e das fendas. Algumas coisas no triângulo El-Vi-Jessica ficaram mal acabados e não houve algum tipo de conversa ou acerta de contas. Entendi que a Carmen queria dar um desfecho com algo natural acontecendo com elas, mas me soou tão corrido e tão esquisito que me perguntei... "ah, é isso?". Outro problema diz respeito à decisão de Vi de seguir adiante sua vida, deixando a cidade para lá contra a visão de El de permanecer devido aos seus problemas familiares e à sua falta de condições de arcar com as despesas. Não houve uma resolução nisso... ia mencionar que não houve resolução satisfatória, mas nem isso posso dizer. Apenas que o assunto foi deixado sem resposta.


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Gostaria de comentar tanta coisa sobre esse quadrinho porque a Carmen usa esse espaço para falar de masculinidade tóxica, de violência contra a mulher, de sexo não consentido. Mas, fica difícil comentar sobre o tema quando a história é tão dispersa. A gente tenta se engajar em alguns dos temas, que a autora saca tão bem, mas não consegue. Porque daqui a algumas páginas a história está seguindo um rumo completamente diferente do anterior. Por exemplo, se a história apenas se focasse no acontecimento do cinema e na relação entre a Vi e a El e como a El iria lidar com o namoro da Vi com a Jessica, já seria uma história bem legal. Acrescentasse no meio aí toda a história das drogas do esquecimento e estava tudo bem. Não precisava dar milhões de voltas para chegar nisso. No fundo a história é sobre pessoas que descobriram um meio de deixar as mulheres sem memória e se aproveitar delas. Estou hiperssimplificando, mas é basicamente isso. As personagens ficam sabendo de segredos sujos da cidade e as pessoas que sabem do ocorrido, mas nada fazem para mudar as coisas.


Repito: queria tanto falar de tanta coisa desse quadrinho. Porém, meu senso como leitor crítico não me deixa fazer isso. É tanto problema, mas tanto problema, que uma boa história ficou afogada em um mar de estranhezas e perdições. Como um passaporte de entrada para o selo Hill House, com histórias que passaram pela curadoria do Joe Hill (filho do Stephen King), é um péssimo começo. E não gostaria de queimar a roteirista ou a desenhista, que certamente se esforçaram para trazer uma boa história. Mas, não rolou mesmo. É uma narrativa crítica e criativa, mas dispersa e dissonante.


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Ficha Técnica:


Nome: Bosque Profundo

Autora: Carmen Maria Machado

Artista: Dani

Colorista: Tamra Bonvillain

Editora: Panini Comics

Tradutor: Gabriel Faria

Número de Páginas: 160

Ano de Publicação: 2021


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Com 37 anos, Nora Seed é uma mulher de muitos talentos e poucas conquistas. Sem sucesso no amor e na vida profissional, ela vê sua existência como sendo um vazio sem sentido. Depois de uma péssima decisão, Nora vai parar em uma estranha biblioteca formada por várias possibilidades que sua vida poderia ter tido.


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Sinopse:


Aos 35 anos, Nora Seed é uma mulher cheia de talentos e poucas conquistas. Arrependida das escolhas que fez no passado, ela vive se perguntando o que poderia ter acontecido caso tivesse vivido de maneira diferente. Após ser demitida e seu gato ser atropelado, Nora vê pouco sentido em sua existência e decide colocar um ponto final em tudo. Porém, quando se vê na Biblioteca da Meia-Noite, Nora ganha uma oportunidade única de viver todas as vidas que poderia ter vivido.


Neste lugar entre a vida e a morte, e graças à ajuda de uma velha amiga, Nora pode, finalmente, se mudar para a Austrália, reatar relacionamentos antigos – ou começar outros –, ser uma estrela do rock, uma glaciologista, uma nadadora olímpica... enfim, as opções são infinitas. Mas será que alguma dessas outras vidas é realmente melhor do que a que ela já tem?


Em A Biblioteca da Meia-Noite , Nora Seed se vê exatamente na situação pela qual todos gostaríamos de poder passar: voltar no tempo e desfazer algo de que nos arrependemos. Diante dessa possibilidade, Nora faz um mergulho interior viajando pelos livros da Biblioteca da Meia-Noite até entender o que é verdadeiramente importante na vida e o que faz, de fato, com que ela valha a pena ser vivida.





Alerta de gatilho: suicídio.




Essa resenha vai ser tomada por como fui afetado emocionalmente por esse livro. E vou acabar misturando análise do livro com algumas situações pessoais. Porque aconteceu de esse livro cair no meu colo em um momento em que precisava lê-lo. Não digo que estava passando pelos dilemas vividos pela protagonista, mas fazia algumas das perguntas dela. Não se preocupem, não tenho nenhum dos instintos destrutivos de Nora, mas é inevitável que em uma certa etapa da vida nos perguntemos o que poderíamos feito diferente. Uma decisão errada, um amigo que não ajudamos ou um amor nunca realizado. Esses múltiplos arrependimentos que vão corroendo nossa alma e minando a confiança. Ao lado de Nora, vivi essa trajetória, buscando entendê-la e a seus dilemas ao mesmo tempo em que tinha minhas próprias perguntas que o livro me ajudou a responder. Várias das conclusões eu já havia chegado no passado, mas sabe quando nosso coração não quer mais enxergar ou se recusa a isso? A Biblioteca da Meia-Noite pode não ter sido o melhor livro do ano, o mais bem escrito, o mais apurado tecnicamente, mas é o que me fez chorar copiosamente como um adolescente. Em um momento em que precisava ouvir algumas verdades sobre a vida.


"Os seres humanos são fundamentalmente criaturas limitadas e generalizadoras, vivendo no piloto automático que tornam retas as ruas curvas em sua mente, o que explica por que se perdem o tempo todo."

Acompanhamos a história de Nora Seed, uma mulher inteligente, formada em filosofia e com vários outros talentos, mas que trabalha em uma loja de música chamada Teoria das Cordas e mora em uma cidade sem futuro chamada Bedford. Nora é a típica "tia dos gatos"; inclusive ela tem um chamado Voltaire. Ela sofreu várias perdas em sua vida e isso a fez se tornar introspectiva e desesperançosa. Em sua cabeça, Nora sente que é desnecessária ao mundo. Quando uma sequência de situações ruins acontecem como a perda de seu emprego (mesmo que ruim e pagando mal) e a morte de seu gato a fazem entrar em uma espiral depressiva que a leva a tomar uma péssima decisão. Quando ela desperta, se encontra em uma enorme biblioteca feita de livros com lombadas e capas na cor esverdeada. Como bibliotecária, ela encontra a sra. Elm, que era responsável pela biblioteca de sua escola durante a sua adolescência. Uma pessoa que lhe deu carinho e afeto no momento em que ela esteve em um estágio muito frágil. Essa biblioteca é uma espécie de limbo entre a vida e a morte e é formada por livros contendo todas as possibilidades de vidas que Nora poderia ter vivido. A missão de Nora é simples: encontrar uma vida que a satisfaça para que ela possa vivê-la no lugar da sua original. Mesmo a contragosto dela mesma.


Quero deixar o meu alerta para a Bertrand Brasil que publicou esse livro e não colocou nenhum alerta de gatilho na quarta capa ou nas páginas seguintes. Esse é um livro que vai lidar com questões de suicídio. Inclusive tem uma descrição gráfica da personagem cometendo o ato propriamente dito. Em um livro que é voltado para um público adolescente e no início da fase adulta, não avisar é bem ruim.


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"Fazer uma coisa diferente é, com frequência, o mesmo que fazer tudo de maneira diferente. Ações não podem ser desfeitas dentro de uma existência, não importa o quanto se tente..."

Matt Haig nos traz um livro que traz assuntos bastante profundos, mas com uma linguagem ágil, descolada e inovadora. Não diria que se trata de um Young Adult, mas de um New Adult, um subgênero comentado por alguns críticos que se situa em uma faixa etária um pouco acima do YA. Os capítulos são, em sua maior parte, bem curtinhos, o que fornece ganchos consistentes para o leitor que devora a leitura. Eu mesmo levei três dias para terminar a leitura e sinto que poderia ter terminado em menos tempo do que isso se tivesse realmente me dedicado. A personagem tem uma forma de se expressar que gira entre o cool e o culto, levando em consideração sua própria formação. Se trata de uma narrativa em terceira pessoa, onisciente, mas a partir do ponto de vista da Nora. É aquele estilo de discurso narrativo que funciona como uma câmera pousada no ombro da protagonista. Acompanhamos a personagem como um todo, desde suas ações, aos diálogos e até seus pensamentos. Não senti qualquer dificuldade na leitura e o autor emprega a filosofia em vários momentos, principalmente Henry David Thoreau, o filósofo favorito de Nora. Mesmo quando Haig se debruça sobre a filosofia thoreauiana, é bem fácil de compreender e se conecta com a vivência de Nora.


A grande questão do livro é do que nos arrependemos. Ou se vale a pena nos arrependermos. Nora é uma pessoa que desistiu de sua vida no começo da narrativa. Ela não vê sentido em permanecer entre as pessoas. E esse sentimento de vazio existencial a vai colocando em uma espiral de negatividade que a leva a cometer suicídio. A realidade dói a ela. Mesmo coisas simples como não poder mais levar os remédios ao senhor Bannerjee, uma pessoa que até então dependia dela, a fazem refletir sobre sua existência. O suicídio é uma fuga dessa dor que permanece com ela até então. Ao entrar em contato com outras possibilidades de sua vida, Nora vai se dando conta de o quanto ela é capaz de fazer. Quantas coisas independem de talento ou conhecimento e dependem apenas da coragem e da força de vontade em persistir. O que o leitor percebe é o quanto a personagem se limita usando a palavra NÃO. Volta e meia somos pegos com uma fala de Nora citando que ela não foi capaz disso, não fez aquilo, não encarou aquilo outro. Nesse primeiro momento, parece que seus olhos não conseguem enxergar o que ela pode fazer.


"A mente solitária na cidade movimentada anseia por conexão porque acredita que a conexão humano-humano é o sentido de tudo. Mas, em meio à natureza pura (ou o "tônico selvagem", como Thoreau o chamava), a solidão assumia um caráter diferente. Tornava-se, em si mesma, um tipo de conexão. Uma conexão entre si mesma e o mundo. E entre ela e ela mesma."

Só que os arrependimentos de Nora possuem um sentido ainda mais profundo. São as decisões que ela gostaria de ter feito como ser uma nadadora olímpica, ser uma glaciologista ou ter casado com Dan, o cara que ama ela de verdade embora Nora não seja tão ligada a ele. Haig é astucioso em sua narrativa ao não fornecer exatamente o que Nora deseja. Nada garante à protagonista que a vida dela será a mesma coisa com a exceção da escolha que ela queria ter feito. A vida é formada por múltiplas variáveis, com pessoas que podem não ser como Nora enxergou um dia. Por exemplo, embora Dan seja um cara aparentemente legal com o sonho de ser dono de um pub no interior da Inglaterra, rapidamente descobrimos o quanto o homem é um babaca completo. Nora só foi condescendente com os pequenos sinais abusivos que ela presenciou vez ou outra e decidiu olhar de lado. Sua vida que era para ser feliz é apenas o de uma esposa submissa, que não deseja ter filhos e descobre que o marido a traiu algumas vezes. Esse é só um exemplo das surpresas que a protagonista vai ter ao longo da história.


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Nos arrependermos das coisas é normal em qualquer existência. Quanto mais velhos ficamos, mais as decisões vão pesando nos nossos ombros. Isso porque a casa vai ficando maior com mais tijolos sendo sobrepostos um após o outro. Em um determinado momento da vida, vamos nos questionar sobre as coisas e nos perdermos divagando sobre o que poderia ter sido. Me peguei nesse último ano nesse loop infinito de digressões e isso vinha me consumindo. Trazendo infelicidade em uma vida que, mesmo com todos os obstáculos e desafios, é muito afortunada. Há duas conclusões possíveis a partir do que lemos em A Biblioteca da Meia-Noite. A primeira delas é que somos formados pela soma das decisões que escolhemos. Se quisermos mudar alguma destas decisões, seremos outra pessoa. A vida é formada de altos e baixos, de momentos tristes e felizes. Não há perfeição nisso e está tudo bem. Tem uma frase que uso desde os dezesseis anos e parece que eu tinha me esquecido recentemente e diz: "O que é, é." As coisas são como são; não há um sentido universal nisso. A segunda coisa que Nora passa ao longo do livro é o de aprender a observar e valorizar as pequenas coisas. Somos seres tão autocentrados que, com frequência, esquecemos o impacto que temos em vidas que passa marginalmente ao nosso redor. Como professor já passei por situações assim. De vidas que toquei sem sequer me dar conta disso.


Os problemas de Nora também vem de suas relações familiares. A péssima relação que ela teve com um pai que era exigente demais e uma comunicação ruim com o seu irmão. A relação dela com o pai vem de uma vontade dele de fazer com que sua filha tivesse o que ele não teve. Só que nossos filhos não nasceram para dar continuidade às nossas vidas. Suas escolhas são, quase sempre, diferentes das nossas. O fato de eu gostar de livros, por exemplo, não significa que um futuro filho meu venha a gostar disso. Nada me garante isso. Sem mencionar que Nora se sente responsável pelo casamento ruim de seus pais quando isso independia dela. Nos colocamos pesos nos pés que nem sempre nos pertencem. Aliás... o mundo não gira ao nosso redor. Não somos protagonistas do universo. Muitas vezes o que pensamos ser nossa responsabilidade, não é. É preciso ter um olhar sensível, vindo de fora para se dar conta dessa verdade simples. É chocante quando Nora percebe o quanto ela estava sendo arrogante e achando que tudo era culpa dela. Derivando disso vem a postura dela de querer sonhar o que outras pessoas querem que ela sonhasse. Os sonhos de Nora eram sonhos de seu pai, de seu irmão, de sua melhor amiga, de seu namorado. Não eram os dela. Isso contribuiu para a insatisfação dela consigo mesma. Apesar de ela não verbalizar isso, seu coração sabia o tempo todo o que estava passando.


"Não precisamos fazer tudo a fim de ser tudo, porque já somos infinitos. Enquanto estamos vivos, carregamos em nós um futuro de possibilidades multifacetadas."

A visão sobre vida e liberdade transmitidas por Henry David Thoreau foi bem aproveitada pelo autor. Forneceu a base existencial para que a personagem pudesse encontrar o centro dela que estava pulverizado após uma vida tão ruim. Nora precisou repensar sua vida, enxergar suas relações a partir de uma nova lente. As vidas com as quais ela vai tendo contato nos ajudam a compreender como a personagem vai sendo lentamente desconstruída. Sua nova perspectiva sobre a existência é formada por novas peças que vão substituindo aquelas que acabaram perdendo a razão de estarem ali. Para mim, é um livro que me tocou fundo no coração e funcionou como se vários sacos de areia tivessem caído dos meus ombros. Não digo que me livrei de todos os meus problemas emocionais, mas certamente vários dilemas que eu tinha voltei a enxergar de outra maneira. Um livro incrível que vou avaliar com o coração e não com a cabeça.



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Ficha Técnica:


Nome: A Biblioteca da Meia-Noite

Autor: Matt Haig

Editora: Bertrand Brasil

Tradutor: Adriana Fidalgo

Número de Páginas: 308

Ano de Publicação: 2021


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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