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Depois que uma bomba biológica acabou com todos os adultos, um grupo de crianças tenta sobreviver em um mundo diferente do que era antes. Tudo isso com a sombra do fato de que se eles entrarem na puberdade, morrerão pelos efeitos da bomba que ainda continuam no ar.


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Sinopse:


Uma bomba que mata apenas adultos é detonada e agora o mundo está entregue às crianças. Nesta estranha distopia criada por Carlos Trillo e Horacio Altuna, acompanhamos a história de um grupo de jovens lutando não apenas para sobreviver, mas também para compreender o mundo sem ninguém para guiá-los.


Lançada originalmente em capítulos entre junho de 1982 e junho de 1983 na revista espanhola 1984, O Último Recreio nos coloca questões assustadoramente atuais. Guerra, doença, desamparo. A genialidade de Trillo e o traço cruel de Altuna nos dá a universalidade e a atemporalidade destas questões e muitas outras nesta obra obrigatória para o leitor de quadrinhos.





Esse é um roteiro bem cruel que mexe com um tema que muitas vezes é encarado como um tabu: a infância. Carlos Trillo nos coloca em um mundo distópico onde ingenuidade e violência caminham de mãos dadas. E a gente pode ver, em histórias curtas, o quanto crianças podem revelar um lado obscuro tão grande quanto o de adultos. Muitos vão se lembrar na hora de outro clássico da literatura, O Senhor das Moscas, de William Golding. Embora tenha várias diferenças, o núcleo da história continua sendo esse lado obscuro que não é tão explorado pelos autores. Existe uma falsa ideia de que é preciso colocar a própria noção de infância em um pedestal imaculado, que remete a um senso de pureza e inocência. Quando nada poderia estar mais longe da verdade. Quem trabalha em educação infantil e nos primeiros anos do ensino básico, sabe que crianças são sim capazes de atos bem cruéis. Principalmente se não dermos os devidos limites a elas. Mas, volto a esse assunto já mais abaixo.


Esse é um quadrinho formado por várias histórias curtas que se passam em um mundo distópico. Uma bomba foi estourada (não é explicado o motivo) que dizimou toda a população adulta através de um efeito químico. Os resíduos dessa bomba, agora chamada de "sex bomb" ficaram no ar e matam todos aqueles que alcançam a puberdade. Só restaram crianças nesse mundo e aqueles cuja biologia não pode ser afetada pela sex bomb. Vamos acompanhar diversos grupos de crianças tentando sobreviver neste novo mundo distópico e anárquico onde gangues de rua dominam o fornecimento de comida, as casas e tentam impor a ordem pela força. Em um mundo sem adultos e sem regras, as crianças tomaram posse de todas coisas. Mas, serão elas melhores que seus pais? Ou apenas repetirão os mesmos erros?


Falando sobre a arte do Horacio Altuna, ela combina bem com esse ambiente estranho e melancólico ao qual somos levados. Altuna tem uma boa pegada na hachura e no pontilhado, fazendo as cenas ganharem amplitude. E é bem curioso porque ele não usa nenhum quadro grande para compor as cenas. São sempre quadros pequenos, composições de seis a oito quadros por página ou até páginas formadas por pequenos quadrados em que pequenas cenas ou closes de rosto são postos. O fato de as sarjetas serem pretas somadas a esses quadros menores torna a leitura bem escura e prensada. Passa uma sensação quase que de prisão. É uma contradição até bem-vinda: embora as crianças sejam livres, algo que elas sempre fantasiaram, de escapar do controle dos pais, a verdade é que elas parecem mais presas do que antes. A maior parte delas não sabe o que fazer com essa suposta liberdade ou como se virar para poder sobreviver. O cenário é cruel, e acontece dentro de uma grande cidade, não nomeada. Altuna apresenta as ruas e avenidas esvaziadas, com folhas e papéis sendo levados pelo vento. O que impressiona em sua arte é como ela é tão cruel quanto o roteiro. Algumas das cenas mostram corpos de crianças jogados nos lugares mais inusitados possíveis. Às vezes estamos passando o olho por uma página e nos deparamos com um beco repleto de corpos jogados.


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Isso combina bem com o meu comentário sobre o design de personagens que é lindo. Primeiramente é preciso elogiar o quanto Altuna deu individualidade aos designs. Não vemos designs iguais por todo o quadrinho. Segundo que seus personagens bebem de uma contradição que está presente também no roteiro de Trillo: uma inocência associada a crueldade. Os personagens são crianças, então podemos nos deparar com um quadro com uma criança curiosa com o que está acontecendo do outro lado da rua, ou apenas assustada dentro de uma enorme mansão, achando que teriam fantasmas. Por outro lado, tem as gangues de rua, e ver a expressão de um menino portando uma .38 e apontando para a cabeça de outro é apavorante. Tem uma cena dramática pela metade do quadrinho em que um garoto vai tentar pegar a arma do líder de uma gangue de crianças porque ele desejava acabar com a sua opressão. O chefão acorda e simplesmente dispara no outro. Só que ele não entendia exatamente o que poderia acontecer caso disparasse no outro de forma fatal. Temos duas expressões transpostas ali: uma de raiva, de o outro ter invadido o seu espaço e tentado reduzir sua autoridade; e outra de desespero ao ver qual foi o resultado de seu ato. Altuna também vai colocar sensualidade em alguns momentos da trama porque esses meninos não podem crescer. É uma inversão do mito de Peter Pan. Então lidar com a sexualidade é perigoso, mas acaba sendo inevitável. Teremos esses momentos apresentados em alguns capítulos.


Trillo tem um roteiro muito bom que se embrenha em diversos temas. Como são várias histórias curtas, alguns temas se repetem enquanto outros são apresentados. O roteirista foi muito feliz ao usar um elenco que se repete também. Alguns personagens aparecem em várias histórias como o Sapo, o Gordo, a Ann, o Andy, o Flynn. Óbvio que por ser um mundo bem cruel, não conte com os personagens sobrevivendo até o final porque você pode ser surpreendido. Algumas das histórias tem finais bem tristes. A narrativa de uma inocência perdida é perene por todo o quadrinho. São meninos e meninas que se veem em um ambiente que se tornou hostil e elas não sabem como sobreviver ali. No começo, tudo é festa com as crianças querendo brincar e extravasar em uma situação sem fim. Agora que os pais não estão presentes, a farra vai até tarde, os lugares proibidos se tornam acessíveis. A primeira história lida com essa sensação de liberdade. Dois garotos perambulam pela cidade quebrando janelas, roubando comida e fazendo o que querem. Só que aí um deles vai longe demais ao decidir simplesmente atacar e estuprar uma garota. É aí que somos apresentados aos efeitos da sex bomb. Com o decorrer da história, a farra vai acabando e as crianças precisam se preocupar em como arranjar comida, aonde vão se estabelecer até chegar a momentos desesperadores quando as coisas simplesmente acabam na cidade.


As crianças precisam também lidar com quem é que vai administrar aquilo tudo. Surge a figura de um eunuco que não foi afetado pela sex bomb e ele deseja se transformar no líder. Só que um líder que se impõe pela manipulação e pela intimidação. Usa crianças para fazer seus serviços sujos. O que ele não contava é que estas são crianças que não conhecem limites. Então colocá-las dentro de um quadradinho ou um conjunto de normas não funciona. Simplesmente por que elas não conhecem normas. A ideia de governar uma nação de crianças se torna efêmera rapidamente e esse eunuco vai adotar posturas bem macabras lá pelo final da HQ. Essa discussão sobre regras está bem presente aqui. A construção da maturidade das crianças passa pela construção de uma visão de que o mundo é ordenado de acordo com um conjunto de regras de conduta. São coisas passadas no ambiente doméstico pelos pais e na escola pelos professores. Mas, se você não tem contato com isso, como entender limites? Ou formas de se portar. Isso é perceptível até mesmo na forma como eles se vestem que é completamente aleatória.


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A sexualidade é tratada com bastante medo por essas crianças. E não sejamos caretas pelo fato de Altuna ser explícito em algumas cenas. Essa é uma história sobre crianças em um mundo devastado por uma bomba que os impede de crescer. Altuna foi bastante respeitoso na forma como tratou o assunto. Não tem nenhuma exploração estúpida de sexualidade infantil. Deixando isso bem claro para não haver confusão. Ao contrário, tirando uma cena no capítulo final, a maior parte das cenas mais sensuais me deixaram com o estômago embrulhado do que qualquer coisa. São cenas sempre cercadas por violência. Curioso que a única cena mais sexual propriamente dita é repleta de amor e carinho pelo casal (e a gente fica se perguntando o que aconteceu depois). É bem complicado a gente ver um casal de garotos estirados em um beco, quase nus, repletos de outros corpos decompostos e lixo do lado. Cenas bem incômodas mesmo. Em outro momento, um dos meninos diz ter se tornado um homem e que a sex bomb não o afeta por ele já ter envolvimento sexual com sua namorada. Ou seja, ele emprega uma fofoca sexual sobre sua parceira para conseguir status dentro de seu grupo. A questão é: o quanto do que ele disse é verdade?


Um último momento que merece destaque é quando um grupo de crianças decide sair da cidade, já que esta se mostrou muito hostil e não tem oportunidades mais de obter comida. Cada um dos membros do grupo volta para os lugares onde eles estão e precisam fazer as malas para sair. Eles entram em contato com seus passados e é aí que o lado infantil transparece mais. A saudade de seus pais, a solidão de estarem abandonados neste estranho mundo. Talvez o momento mais emblemático é que vários deles fazem suas malas e colocam brinquedos dentro. O menino coloca seus robôs de brinquedo enquanto que a garota estufa bonecas dentro da mala. O líder do grupo pede que todos deixem espaço para levarem comida para o lugar onde estão indo. Ao carregarem suas malas, estas parecem pesadas demais. É aí que as crianças, com olhos tristes e melancólicos, abrem suas malas e despejam os brinquedos em uma vala. A inocência se foi. Hora de encarar o mundo. Essa é uma história cruel e fascinante ao mesmo tempo. Nos coloca para refletir a respeito de várias situações que vivemos nos tempos atuais.


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Ficha Técnica:


Nome: O Último Recreio

Autor: Carlos Trillo

Artista: Horacio Altuna

Editora: Risco Editora

Tradutora: Jana Bianchi

Número de Páginas: 136

Ano de Publicação: 2023















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Nesta história de suspense e de vidas perdidas, vamos tentar aprender como Nicolás Ferraro construiu uma história instigante e nos prendeu usando técnicas avançadas de escrita. Vamos estudar um pouco sobre técnicas narrativas.


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Sempre é válido estudarmos um pouco de escrita criativa partindo de alguma história como exemplo. Recebi Âmbar, de Nicolás Ferraro, dos meus parceiros da Avec Editora, mas não costumo fazer resenhas de livros policiais ou de thriller, porque acho que acaba fugindo do escopo do site. Mas, gostei tanto do livro que achei interessante destacar alguns pontos que tornaram o romance em algo especial e que valem a pena serem mencionados. Fora que sair de nossa zona de conforto e ler outros gêneros sempre é bom para diversificarmos nossas abordagens de escrita. Então, essa vai ser uma matéria diferente em que vou passar alguns pontos que julguei merecerem destaque. E quem sabe possam ajudá-los com alguma dúvida de escrita (para escritores) ou entenderem melhor as leituras que fazemos (para leitores mais curiosos).


Fazendo uma rápida sinopse, Âmbar é uma adolescente de seus quinze anos que vive com seu papel Victor Mondragón. Ela vive se mudando a todo o momento e seu cotidiano é bastante perigoso. Isso porque seu pai é um matador de aluguel. Um homem contratado para fazer os mais diversos trabalhos, desde tráfico de drogas até assassinatos a sangue frio. Victor é um dos melhores no que fazem, o que lhe rendeu uma reputação conhecida no Cone Sul. Âmbar faz parte dessa vida, mas anseia com uma adolescência normal, onde ela pode fazer amigos, frequentar a escola, namorar. Mas, isso não é uma escolha dela. Só que tudo irá mudar quando Victor e seu companheiro são emboscados por atiradores. Embora Victor tenha saído vivo, seu companheiro não teve a mesma sorte. É aí que se inicia uma caçada para saber quem foi o responsável por colocar um prêmio na cabeça deles. Enquanto isso, Âmbar reflete sobre sua vida.


Vamos começar pelo início. Pelo começo da história mais precisamente e as escolhas que Ferraro faz. A narrativa é escrita em primeira pessoa, do ponto de vista da Âmbar. Então nós conhecemos o mundo pelos olhos dessa jovem que vive mudando de cidade e cuja vida é bastante perigosa. Optar pela primeira pessoa tem a ver com criar uma conexão entre o leitor e sua protagonista. Ferraro quis nos apresentar uma narrativa mais intimista. E a primeira pessoa fornece essa sensação. A narrativa pede o tipo de discurso empregado. Se Ferraro optasse pela terceira pessoa, a história soaria mais distanciada, mesmo que a câmera fosse focada em Âmbar. O relato pessoal da personagem ganha mais força porque revela os sentimentos que ela tem em seu íntimo. Não à toa o livro tem longos trechos narrativos. Porque vários destes parágrafos não passam de fluxos narrativos dela, navegando por todo tipo de assuntos. Variam desde os quartos de motel em que vivem, ao tipo de comida que ela curte, às suas opções para programas de TV. Ou seja, é através destes fluxos de pensamento que o autor nos revela como sua protagonista se relaciona com o mundo.


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O começo da história nos coloca no meio da confusão acontecida após a emboscada realizada contra o pai de Âmbar, Victor. Logo no primeiro capítulo o leitor já percebe que existe alguma coisa errada acontecendo na vida dessa garota. A maneira como ela lida com a situação demonstra experiência. Ou seja, a opção de Ferraro por nos colocar no olho do furacão foi bastante acertada porque revela duas coisas: primeiro que é a motivação para a jornada da personagem e segundo que é a própria vida da mesma. Percebam que o autor não faz nenhum flashback em nenhum momento do livro. Não conhecemos a mãe da protagonista, uma personagem quase sempre mencionada. Sabemos apenas que Âmbar foi abandonada... ou não por ela. Lembrando que uma narrativa em primeira pessoa sempre tem um narrador não confiável. Isso acontece porque a história está sendo contada por aquele que é o protagonista da mesma. É sua visão de mundo que se interpõe sobre a nossa. Suas afirmações são seu ponto de vista. O personagem pode estar retendo, ocultando ou omitindo informações. Ou simplesmente não as tem por completo. Numa narrativa em terceira pessoa, a narrativa é menos parcial porque podemos ter acesso a uma gama maior de informações. O autor ainda pode reter essas informações, mas apenas para fins de dramaticidade. É diferente de um personagem simplesmente não saber informações. Muitas informações neste livro são deixadas no ar, mas não porque o autor deseje fazer uma série de livros. É porque estas informações não interessam ao contexto do que ele está escrevendo. Detalhe: a narrativa é bem fechadinha, sem deixar ganchos.


O autor optou por usar um esquema de três atos para contar sua história. Assim como a jornada do herói, a narrativa em três atos é apenas mais uma forma. Podemos até chamar esse modelo de cinematográfico porque muitos roteiristas de cinema ainda empregam até hoje esse formato. Nele há uma divisão clara de atos: introdução, meio ou desenvolvimento e clímax/conclusão. Esse sistema pode ter três ou quatro atos, dependendo de como o autor deseje contar sua história. Ele pode criar um ato adicional para trabalhar com mais profundidade a conclusão. Em Âmbar, os três atos correspondem aos três capítulos maiores do livro. Então, na introdução vemos como é a vida de Âmbar e o começo da busca de Victor; no desenvolvimento, eles chegam até uma outra cidade onde Victor descobre quem é o pistoleiro atrás dele e Âmbar começa a refletir sobre sua própria existência; e o clímax é o confronto com o antagonista e a conclusão com alguma mudança no status quo. Ferraro dividiu com bastante precisão seus três atos, então dá para analisá-los bem de perto. Na introdução geralmente apresentamos os personagens e suas motivações. Como a jornada se inicia e pistas sobre o que ela verdadeiramente esconde. No desenvolvimento os obstáculos são inseridos e o personagem precisa passar por "testes" que vão explorar sua convicção. O clímax é onde todas as sementes plantadas ao longo da narrativa vão brotar e os conflitos precisam ser resolvidos (ou não, caso um conflito se metamorfoseie em outro).


Outro ponto muito importante foi a opção de Ferraro por ter apenas dois personagens. Somente Victor e Âmbar. Teremos o antagonista sendo alardeado por toda a história, mas ele não é mostrado. Apenas sua presença é que representa algo ameaçador. Até temos personagens secundários, mas eles são meramente passageiros com exceção de uma que é introduzida no final do segundo ato e tem importância no terceiro. Ao escolher brincar com apenas dois personagens, o autor consegue se concentrar em dar maior tridimensionalidade a eles, mostrando que estes não são nem um pouco perfeitos. Novamente: narrativa em primeira pessoa, intimista, com narrador não-confiável. Todas essas características fornecem um ar de extrema humanidade a eles. Nem Âmbar, nem Victor se escondem em uma faceta heroica. Eles buscam sobreviver em uma conjuntura de morte e violência que se repete de maneira cíclica ao longo da história. Na essência, a narrativa nada mais é do que a protagonista tentando quebrar esse ciclo de mortes. Passamos muito tempo ao lado destes dois personagens e vamos conhecer seu interior, seus sentimentos.


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O cenário empregado é de um interior maltratado e repleto de corrupção e crime. A maior parte das pessoas com as quais Âmbar e Victor lidam são criminosos de alguma espécie. Vale destacar que Ferraro ainda mantém um certo grau de inocência na maneira como a protagonista vê o mundo. Uma inocência cerceada por um mundo violento e cruel. Seu pai é capaz de atrocidades cruéis como espancar um garoto apenas porque respondeu errado para ele. Victor é um homem duro, forjado nesse mundo onde os amigos são poucos e você precisa olhar por cima do ombro. Sendo sua filha, Âmbar tenta justificar ou até normalizar as ações dele, mas com o passar da narrativa suas certezas vão caindo por terra. É um cenário tão distorcido que a figura do Sábio da história é assumido por uma mulher que tem uma conduta moral questionável. E Ferraro é bastante habilidoso ao tornar tal mulher uma pessoa bastante interessante e repleta de sabedoria a passar para alguém mais nova. Boa parte dos locais são terrenos baldios, casas abandonadas, pequenos vilarejos dominados por chefões do crime. Somos apresentados a uma normalidade dentro da ausência do Estado. Algo bastante comum em lugares afastados dos grandes centros urbanos. Outro detalhe: a narrativa parece se passar algumas décadas no passado. Não sei precisar se nos anos 80 ou 90.


Falando um pouco do clímax/conclusão, sem dar spoilers, o autor amarrou várias pontas soltas. Até acho que existe um deus ex machina, uma coincidência muito grande, acontecendo lá pelos momentos finais, mas nada de grave. Nesse clímax, o autor explora como a personagem amadureceu suas dúvidas a ponto de ter se tornado outra pessoa. A Âmbar do final do livro não é a mesma que no começo. Ela chegou a uma definição de o que ela deseja para si tendo como base todas as suas experiências anteriores somadas aos acontecimentos recentes. Tudo isso entra em uma rota de colisão que reflete suas escolhas. O que ela faz no final faz total sentido e é coerente com todo o registro narrativo. O autor fez de uma forma que desse a entender que se tratou de uma virada narrativa, mas nada foi mais lógico do que o que ela fez. Tem um ponto que não sei se a inspiração de Ferraro foi essa. A jornada de Âmbar me parece com a de um protagonista de faroeste. Ele chega a uma cidade com problemas ou uma situação complicada, precisa lidar com o problema, e ao final sua presença não é mais requerida naquele espaço e ele precisa cavalgar rumo ao sol. O protagonista de faroeste geralmente é um fora-da-lei ou alguém que vive às margens dela. O problema que se apresenta na cidade é um que as autoridades ou as forças da normalidade não conseguem lidar. Em qualquer outro contexto, o protagonista seria mal visto na cidade. Mas, sua abordagem à margem da lei favorece os habitantes locais naquele momento. Depois que tudo é resolvido, o fora-da-lei continua sendo um fora-da-lei. Por isso ele precisa deixar o lugar. Tirando alguns detalhes deste modelo narrativo, se parece muito com a jornada da protagonista.


Enfim, espero que vocês tenham curtido essa forma de apresentar um livro. Tentei abordar alguns elementos de escrita criativa, me referindo a trechos do livro e dando alguns insights sobre ele. Gostei bastante de Âmbar e é uma leitura bem rápida. A gente acaba bastante imerso na vida de Âmbar e em como ela precisa lutar para sair daquele ciclo de violência incessante. Ao final, me senti bastante satisfeito com a leitura e procurei compartilhar de uma maneira um pouco diferente. Se vocês gostaram, deixem seus comentários aí.


Livro comentado:


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Ficha Técnica:


Nome: Âmbar

Autor: Nicolás Ferraro

Editora: Avec

Gênero: Drama

Tradutora: Jana Bianchi

Número de Páginas: 255

Ano de Publicação: 2023


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*Material recebido em parceria com a editora Avec






Sinopse: Um dos maiores êxitos da literatura argentina atual agora no Brasil. Com Ámbar, vencedor do prêmio Daniel Hammett de melhor romance policial de 2022, Nicolás Ferraro constrói uma narrativa poderosa sobre a relação entre uma adolescente, que apenas queria uma vida normal, e seu pai criminoso, responsável por arrastá-la para uma jornada ao inferno.





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Uma mão gigante é encontrada em uma cidadezinha nos EUA. Anos mais tarde, a dra. Rose Franklin lidera uma equipe de pesquisa para descobrir outros pedaços de um possível gigante espalhados por todo o mundo. Através de interrogatórios e arquivos anexados, vamos descobrindo uma imensa conspiração que envolve uma tecnologia que pode ou não ser proveniente do planeta Terra.


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Sinopse:


Rose passeia de bicicleta pelo bosque perto de casa, quando de repente é engolida por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de ferro. Dezessete anos depois, Rose é ph.D em física e a nova responsável por estudar o artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério. A datação por carbono desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria razoável é rapidamente descartada. Quando outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parece ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana. Mas ele se transformará em um instrumento para promover a paz ou causar destruição em massa? Parte ficção científica, parte thriller, Gigantes adormecidos é uma história viciante da disputa pelo controle de um poder capaz de engolir todos nós.







A humanidade está preparada para entrar em contato com alienígenas de tecnologia superior? Estaremos nós na fase de amadurecimento ou somos apenas crianças brincando de triciclo na palma da mão dos deuses? Sylvain Neuvel nos traz uma história cuja narrativa é contada a partir de interrogatórios e relatos feitos pelos principais envolvidos em uma pesquisa de artefatos que podem ou não terem sido construídos na Terra há milhares de anos atrás. Se possuirmos tal tecnologia, o que faremos com ela? O autor aborda o assunto de uma maneira bastante realista e nos coloca em uma autorreflexão sobre os caminhos que deveremos traçar nas próximas décadas para nos tornarmos uma civilização realmente amadurecida. Claro que esse é um crescimento que não virá sem obstáculos como os personagens vão experimentar nas páginas deste livro. Esse momento de mudança, esse precipício de transição se impõe entre nós e nossos eus futuros e não há como escapar mais.


Rose Franklin é uma das melhores especialistas em sua área de pesquisa, a de física aplicada. Quando era pequena, ela fez parte de um acontecimento que mudou a história do mundo. Um dado dia, quando andava de bicicleta, ela caiu em uma imensa mão metálica, feita de um conjunto de metais cuja combinação é desconhecida nesse mundo. Anos mais tarde, ela viria a ser escolhida como a chefe de pesquisas justamente dessa mão robótica que prenuncia o achado de várias outras partes espalhadas pelo mundo. Nessa empreitada, ela é supervisionada por um homem cujo nome desconhecemos, mas age por trás das cortinas manipulando politicamente o mundo para que a pesquisa não seja interrompida. Em sua equipe, ela vai contar também com Kara Resnik, uma piloto de helicóptero do exército americano, instável e desconfiada, mas extremamente leal; Ryan Mitchell, outro militar de patente que serve como co-piloto para Kara; e Vincent Couture, um gênio pitoresco, cuja inteligência lhe permite desvendar códigos e línguas estranhas, mas se colocou em um enigma que pode ser maior do que ele. Juntos, eles mudarão o mundo. Para melhor ou para pior.


"As histórias servem como distração, para preservar a história ou servir a algum propósito para a sociedade."

O ponto mais importante neste começo é falar a respeito da escrita de Neuvel. É o que lhe deu essa projeção inicial e o fez ser conhecido. Sua narrativa é escrita no formato epistolar, com interrogatórios, relatos, anotações de diário. Vai ser através desse método peculiar que a história será contada. Não existem momentos de escrita em prosa comum, somente esse formato de entrevistas. Pode ser que a ideia de Neuvel fosse dar um grau de realismo ao que ele estivesse escrevendo. Até porque dos três volumes da trilogia, este é o mais "pé no chão". Ficamos conhecendo os personagens dessa maneira, percebendo os acontecimentos, vendo os desdobramentos de suas relações entre si e com o projeto, e as consequências para o resto do mundo. A primeira parte (o livro é composto de cinco partes) é bem mais variada em formatos e esse formato serve para conhecermos de forma objetiva os personagens. Não há necessidade de discorrer em diálogos longos para dizer o que cada um sabe ou não fazer. O formato de entrevista inicial serviu bem ao que o autor queria. Só que à medida em que a história vai evoluindo esse formato começa a ficar cansativo. Os acontecimentos são contados após eles terem acontecidos e vemos suas repercussões apenas. Tem dois momentos na história em que acompanhamos in loco o desenrolar das coisas, mas é feito de uma forma tão esquisita que não funcionou para mim. Ou seja: para o começo da história, esse formato funcionou bem, mas de mais ou menos metade para frente, não mais.

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Neuvel tenta usar esse formato peculiar para trabalhar seus personagens e consegue até certo ponto. O entrevistador é alguém que funciona quase como um M mesmo, o clássico supervisor das Panteras. A gente conhece pouco sobre ele, alguns detalhes pescados aqui e ali e que ele vai desenvolvendo um certo grau de afetividade com eles. Salvo o triângulo amoroso formado por Kara, Ryan e Vincent, conhecemos pouco sobre a Rose. Aí novamente cai no formato escolhido pelo autor que só permite interações pareadas. Sabemos das relações interpessoais por intermédio de um relato feito a um entrevistador. É complicado passar minúcias de sentimentos através disso. Não vou dizer que não haja, até porque o autor consegue espremer uma limonada e dar tridimensionalidade em alguns momentos, mas na maior parte das vezes os relatos soam quase robóticos. O autor se limitou demais se prendendo a esse formato. Mary Shelley usa o formato epistolar em Frankenstein e alterna prosa e relatos com muito sucesso. Os momentos mais íntimos dos personagens poderiam ter acontecido no formato de prosa. Ou as situações mais perigosas.


"Se você deixa uma arma com um grupo de pessoas como forma de defesa e descobre que estão se matando com ela, é melhor tomar de volta ou se livrar dela de vez. Por mera questão de bom senso."

A ideia de desvendar o mistério de um robô gigante encontrado na Terra é bem trabalhado por Neuvel. O realismo disso é bem fundamentado e o fantástico vai acontecendo bem lá para o final da história. É uma lenta progressão. Ele vai soltando pistas e tentando criar teorias aqui e ali até que algo fora do escopo surge, o que altera a percepção do todo. Mesmo assim, gosto de como o autor não entrega tudo de cara. A gente vai descobrindo e montando as peças do quebra-cabeças junto com os personagens. Faz parte da graça da narrativa. Ao mesmo tempo vamos acompanhando como cada uma das revelações é entendida pelos membros da equipe. A variação de humores que vai da empolgação passando pela preocupação e chegando ao terror. É uma montanha-russa completa. Ao final da história, a gente tem algumas respostas e o autor nos entrega novas perguntas a serem respondidas no próximo livro. Acredito que o gancho deixado é interessante demais para eu não fisgar a isca.


A política é bem trabalhada ao longo da história. É lógico que queremos ver os personagens descobrindo os segredos de um artefato tão estranho. Mas, lentamente, as manipulações políticas vão tomando a frente da história. É óbvio que uma descoberta como essa não passaria desapercebida no cenário internacional. O entrevistador procura manipular tudo para sempre estar à frente dos acontecimentos, e em certo momento cheguei até a pensar que ele seria um deus ex machina, mas acaba não sendo. Pelo menos não me pareceu algo definitivo per se. Até porque suas ações tem reações em igual intensidade e ele vai se enrolando cada vez mais na teia maluca que ele criou para si. O final é explosivo, mas não é inesperado. Pistas do que poderia acontecer são plantadas por todo o livro, desde a exótica dra. Alyssa Papantoniou até os problemas com os demais países. Em certo momento, o entrevistador é confrontado a respeito da arrogância que transborda dele, e ele se revela alguém muito menos confiante do que parece em um primeiro momento.


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Esse livro ficou com uma impressão de ser meramente uma introdução para o que vai se desenrolar a seguir. No fundo da narrativa, temos um debate sobre o nosso desenvolvimento como uma civilização senciente. Na minha visão, o livro deixa claro que enquanto não formos capazes de deixar nossas diferenças e fronteiras de lado, não conseguiremos alcançar um novo patamar. Todos os problemas que acontecem nas duas últimas partes do livro são consequência justamente dessa falta de cooperação e solidariedade entre os países. No fundo, o sr. Burns (um personagem que surge na metade do livro) tem razão ao entender todos os dilemas vividos pelo entrevistador como algo passageiro e inócuo. Nada disso tem importância no grande esquema das coisas. Se os humanos vão usar a tecnologia para se matar ou não, não é a questão em si (e se acontecer, só significa que não estamos preparados para o próximo passo), mas o que podemos depreender do que nos é mostrado. É um livro que começa a tocar em um tema profundo e que deve ser desenvolvido com mais atenção nos próximos volumes.


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Ficha Técnica:


Nome: Gigantes Adormecidos

Autor: Sylvain Neuvel

Série: Arquivos Têmis vol. 1

Editora: Suma

Tradutor: Michel Teixeira

Número de Páginas: 312

Ano de Publicação: 2016


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Conversa aberta. Uma mensagem lida. Pular para o conteúdo Como usar o Gmail com leitores de tela 2 de 18 Fwd: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br Caixa de entrada Ficções Humanas Anexossex., 14 de out. 13:41 (há 5 dias) para mim Traduzir mensagem Desativar para: inglês ---------- Forwarded message --------- De: Pedro Serrão Date: sex, 14 de out de 2022 13:03 Subject: Re: Parceria publicitária no ficcoeshumanas.com.br To: Ficções Humanas Olá Paulo Tudo bem? Segue em anexo o código do anúncio para colocar no portal. API Link para seguir a campanha: https://api.clevernt.com/0113f75c-4bd9-11ed-a592-cabfa2a5a2de/ Para implementar a publicidade basta seguir os seguintes passos: 1. copie o código que envio em anexo 2. edite o seu footer 3. procure por 4. cole o código antes do último no final da sua page source. 4. Guarde e verifique a publicidade a funcionar :) Se o website for feito em wordpress, estas são as etapas alternativas: 1. Open dashboard 2. Appearence 3. Editor 4. Theme Footer (footer.php) 5. Search for 6. Paste code before 7. save Pode-me avisar assim que estiver online para eu ver se funciona correctamente? Obrigado! Pedro Serrão escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:42: Combinado! Forte abraço! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:41: Tranquilo. Fico no aguardo aqui até porque tenho que repassar para a designer do site poder inserir o que você pediu. Mas, a gente bateu ideias aqui e concordamos. Em qui, 13 de out de 2022 13:38, Pedro Serrão escreveu: Tudo bem! Vou agora pedir o código e aprovação nas marcas. Assim que tiver envio para você com os passos a seguir, ok? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:36: Boa tarde, Pedro Vimos os dois modelos que você mandou e o do cubo parece ser bem legal. Não é tão invasivo e chega até a ter um visual bacana. Acho que a gente pode trabalhar com ele. O que você acha? Em qui, 13 de out de 2022 13:18, Pedro Serrão escreveu: Opa Paulo Obrigado pela rápida resposta! Eu tenho um Interstitial que penso que é o que está falando (por favor desligue o adblock para conseguir ver): https://demopublish.com/interstitial/ https://demopublish.com/mobilepreview/m_interstitial.html Também temos outros formatos disponíveis em: https://overads.com/#adformats Com qual dos formatos pensaria ser possível avançar? Posso pagar o mesmo que ofereci anteriormente seja qual for o formato No aguardo, Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 17:15: Boa tarde, Pedro Gostei bastante da proposta e estava consultando a designer do site para ver a viabilidade do anúncio e como ele se encaixa dentro do público alvo. Para não ficar algo estranho dentro do design, o que você acha de o anúncio ser uma janela pop up logo que o visitante abrir o site? O servidor onde o site fica oferece uma espécie de tela de boas vindas. A gente pode testar para ver se fica bom. Atenciosamente Paulo Vinicius Em qui, 13 de out de 2022 12:39, Pedro Serrão escreveu: Olá Paulo Tudo bem? Obrigado pela resposta! O meu nome é Pedro Serrão e trabalho na Overads. Trabalhamos com diversas marcas de apostas desportivas por todo o mundo. Neste momento estamos a anunciar no Brasil a Betano e a bet365. O nosso principal formato aparece sempre no topo da página, mas pode ser fechado de imediato pelo usuário. Este é o formato que pretendo colocar nos seus websites (por favor desligue o adblock para conseguir visualizar o anúncio) : https://demopublish.com/pushdown/ Também pode ver aqui uma campanha de um parceiro meu a decorrer. É o anúncio que aparece no topo (desligue o adblock por favor): https://d.arede.info/ CAP 2/20 - o anúncio só é visível 2 vezes por dia/por IP Nesta campanha de teste posso pagar 130$ USD por 100 000 impressões. 1 impressão = 1 vez que o anúncio é visível ao usuário (no entanto, se o adblock estiver activo o usuário não conseguirá ver o anúncio e nesse caso não conta como impressão) Também terá acesso a uma API link para poder seguir as impressões em tempo real. Tráfego da Facebook APP não incluído. O pagamento é feito antecipadamente. Apenas necessito de ver o anúncio a funcionar para pedir o pagamento ao departamento financeiro. Vamos tentar? Obrigado! Ficções Humanas escreveu no dia quinta, 13/10/2022 à(s) 16:28: Boa tarde Tudo bem. Me envie, por favor, qual seria a sua proposta em relação a condições, como o site poderia te ajudar e quais seriam os valores pagos. Vou conversar com os demais membros do site a respeito e te dou uma resposta com esses detalhes em mãos e conversamos melhor. Atenciosamente Paulo Vinicius (editor do Ficções Humanas) Em qui, 13 de out de 2022 11:50, Pedro Serrão escreveu: Bom dia Tudo bem? O meu nome é Pedro Serrão, trabalho na Overads e estou interessado em anunciar no vosso site. Pago as campanhas em adiantado. Podemos falar um pouco? Aqui ou no zap? 00351 91 684 10 16 Obrigado! -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! OverAds Certification -- Pedro Serrão Media Buyer CLEVER ADVERTISING PARTNER contact +351 916 841 016 Let's talk! 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