• Paulo Vinicius

Resenha: "Yiwu" de Lavie Tidhar

Esham trabalha como um vendedor de raspadinhas de loteria. Seus fregueses podem vir de qualquer parte no universo. O prêmio para o vencedor da loteria é o desejo mais íntimo de seu coração. Até que um dia, algo estranho acontece...



Sinopse:


Podem os sonhos se tornar reais? Eles podem se você ganhar na loteria, que promete dar ao vencedor aquilo que o seu coração desejar. Para um humilde vendedor em Yiwu, vender tickets de loteria é um modo de vida. Até que um bilhete premiado abre mistérios que ele nunca imaginou.




A trama tecida por Lavie Tidhar parece simples. Vamos rever: um vendedor de loteria no futuro vende tickets de loteria para todo o tipo de pessoa. Logo na primeira página do conto ele fala que só viu três vencedores e as coisas mais estranhas aconteceram: uma vez começaram a cair coisas estranhas do céu, na segunda, o vencedor foi levado por dois caras de terno e na terceira, todas as estátuas do mundo inteiro dançaram ao som de k-pop por cinco minutos. Desejos absolutamente bizarros. Mas, a senhora Qiu é um mistério para ele. O que aconteceu com ela fez com que ele fosse tentar descobrir o inimaginável. Mais do que isso eu não posso contar.


Lavie Tidhar tem uma escrita bem redondinha, mas como o conto é bem estranho, o leitor precisa ficar atento à narrativa. Ainda mais porque a história é curtinha. A narrativa vai ficando cada vez mais estranha à medida em que vai avançando. E esse estranhamento vai se dando desde à apresentação de situações até os personagens envolvidos. Lá pelo final, vamos ver coisas completamente fora da realidade com uma percepção até de normalidade frente ao que já passamos parágrafos antes. É essa noção de crescendo na estranheza que faz o conto fazer sentido no final.


A vida de Esham é bem monótona. O autor vai colocando essa monotonia a cada página mostrando o quanto o personagem pouco se importa com o que vai acontecendo ao seu redor, mas ao mesmo tempo o quanto seu coração anseia por algo diferente. Se a gente for fazer um paralelo curioso, é como os dias de isolamento social durante a pandemia tem sido. A gente perde a noção de dias ou de semanas já que todos os dias são iguais. Tem um diálogo muito bom do Esham com a Isa em que ela pergunta a ele se ele se imagina fazendo alguma coisa diferente ou estando em algum outro lugar se ele ganhasse o prêmio e dizendo que não. Vender tickets é a vida dele e é tudo o que ele sabe do mundo. O que no fundo é triste.


Ao mesmo tempo a trama trabalha com a questão do que o nosso coração realmente deseja. E é aí que a coisa toma um rumo realmente diferente. Por que acontece tantas coisas bizarras ao longo da história? O único desejo aparentemente normal acaba nos parecendo estranho diante de todas as coisas bizarras que acontecem aos vencedores da loteria. Afinal, sabemos realmente o que nosso coração realmente deseja? Será que faz sentido? É com essa dúvida que Tidhar constrói sua narrativa e nos leva por um caminho tortuoso que nos leva para um final que eu achei bem singelo. Yiwu é um belo conto e uma maneira de usar o estranho para contar uma bonita história.










Ficha Técnica:


Nome: Yiwu

Autor: Lavie Tidhar

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 26

Ano de Publicação: 2018


Avaliação:


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