• Paulo Vinicius

Resenha: "Um Toque de Morte" (A Ordem vol. 1) de Luiza Salazar

Katherine possui um dom especial e aterrador: o seu toque é capaz de sugar a energia vital de suas vítimas, o que pode levar à morte delas. Ao mesmo tempo em que tenta viver uma vida normal, ela trabalha em missões para uma figura conhecida como O Chefe. Mas, quando novos alunos chegam em sua escola, ela vai se envolver em uma trama perigosa.



Sinopse: E se a Morte estivesse sempre ao alcance de suas mãos?

Pode me chamar de Kat. Eu daria tudo para ser apenas uma jovem universitária, preocupar-me com os assuntos discutidos nos trens, nos corredores das escolas, nas ruas: qual roupa vestir na festa, qual o futuro da política do país, quem vai ganhar o jogo esta noite. É, você entendeu. Mas na minha cabeça só há espaço para uma preocupação: quem será a minha próxima vítima. Eu sou uma Ceifadora. Isso significa que posso matar com um simples toque das mãos, um dom que desejava todos os dias não possuir. Mas quando aqueles dois estranhos apareceram na minha vida e fizeram tudo virar de pernas pro ar, comecei a entender que existem pessoas que fariam de tudo para controlar esse meu poder indesejável. Até mesmo me matar. É até irônico, né?

Um Toque de Morte é um romance fantástico de Luiza Salazar, uma aventura pelas sombras que se escondem nos becos da cidade.

Não se deixar envolver, não se aproximar demais. Essa é a maldição dos Ceifadores, não poder sentir o mundo com a própria pele.




Katherine é uma menina com um dom especial: toda vez que ela toca alguém, ela suga a energia vital da pessoa, causando sua morte. Com isso, Katherine se torna uma pessoa introvertida e antissocial. Ela faz parte de um grupo de seres humanos que possuem habilidades especiais. Para sobreviver, nossa protagonista se torna uma assassina de aluguel: ela recebe seus trabalhos de uma pessoa que ela chama de O Chefe. Pelo preço certo, a morte é garantida. Mas, este é o seu trabalho noturno. De dia, ela frequenta uma faculdade, mais para manter as aparências. Divide um quarto com sua melhor amiga Rebeca. Como qualquer adolescente ela tem seus problemas, suas dúvidas e suas dificuldades. Mas, de repente sua vida é colocada de pernas para o ar quando ela conhece dois homens muito sedutores e uma estranha mulher de cabelos vermelhos. Katherine será sugada para um mundo de seres estranhos, conspirações e uma rixa antiga entre duas organizações pelo controle do submundo.

Os personagens são muito bem desenvolvidos ao longo da trama. Esse é um do pontos fortes da escrita de Luiza. Apesar de a narração ser feita em primeira pessoa acabamos conhecendo a fundo as motivações de todos os personagens. Rebeca e sua postura companheira e compreensiva; Eric e seu jeito protetor e selvagem; Victor e seu estilo carismático e sedutor. Os personagens que rodeiam a protagonista são delineados e possuem suas próprias motivações. Ao final acabamos nos relacionando de alguma maneira a eles.

Admito não ter gostado da escolha de cenário feito pela autora. Mas, pelo que eu entendi, a autora mora nos EUA então a familiaridade dela é com Nova York e suas localidades. Volto a enfatizar isso porque ela sendo uma autora brasileira poderia ter facilmente ambientado a trama no Rio ou em São Paulo ou em qualquer outra cidade do Brasil. Não existem grandes elementos que obriguem a história a se passar nos EUA. É uma daquelas críticas de leitor cri-cri que gostaria de ver o seu país melhor representado. E um livro cinco estrelas como esse seria excelente para representar a cultura local. Pode parecer um nacionalismo bobo, mas juro que não se trata disso. Parece muitas vezes que nós entendemos como normal ambientar nossas histórias em algum lugar dos EUA. Demonstra como o capital cultural norte-americano penetrou em nossas essências. Prefiro entender essa crítica mais pela familiaridade da autora por morar fora do Brasil. De forma alguma isso age em detrimento de sua escrita ou de seu enredo.



O tema principal da história é a necessidade de estender laços. A protagonista viveu a vida inteira entendendo a si mesma como uma ilha. Por ser diferente e por ter um poder destrutivo, Katherine entendia que ela não precisava criar vínculos. Seja por receio de matar alguém acidentalmente ou por ver a vida e a morte de uma maneira diferente, ela acaba se tornando distante de tudo e de todos. Becky é a âncora de Kat para o mundo. Ela puxa a protagonista de volta à sociedade. Só aí já somos capazes de ver como a noção de Kat cai por terra. Quando ela se vê tragada por um mundo complexo e desconhecido, ela percebe o quanto ela precisa de ajuda. Não existe a possibilidade de ela sair da situação em que ela se encontra por si mesma. Kat precisa de alguém com quem conversar e a quantidade de mentiras que ela precisa criar para poder viver normalmente. Mas em pouco tempo tudo fica bagunçado e as mentiras acabam impedindo que ela consiga se abrir com sua melhor amiga.

O mundo criado é muito interessante. A autora soube equilibrar explicar o funcionamento deste mundo com o andamento na história. Este equilíbrio proporcionou um bom andamento da história sem deixar a história chata ou parada. Em todos os capítulos existe uma boa dose de ação e explicação; entre suspense e o cotidiano escolar de Kat; entre as conversas com Becky e as ações noturnas para O Chefe. Ficamos tão absorvidos com a história que não percebemos as páginas passando. O livro tem uma boa quantidade de páginas, mas estas passam facilmente.

Outro elemento que me incomodou muito mesmo foi o final da história. Pensei muito se daria 2 ou 3 corujas justamente por isto. Achei um golpe baixo a história terminar sem um final claro e cristalino. Poderia ser um epílogo ou apenas um capítulo para criar expectativas no leitor. Terminar daquela forma não foi uma forma legal de terminar o livro. Um bom cliffhanger deixa o leitor curioso para saber o que vai acontecer a seguir; aquele cliffhanger me deixou apenas irritado. De toda forma, este pequeno momento não manchou a história que foi desenvolvida de forma magistral pela autora.

Raramente eu sou fisgado tão rapidamente por uma história. Geralmente eu levo entre 50 a 100 páginas para ser absorvido pela história. Aqui eu preciso de menos da metade disso. Com uma trama empolgante e um estudo íntimo de uma personagem, Luiza Salazar cria um ótimo romance em um mundo repleto de histórias para acontecer. O cenário poderia ser diferente, mas isso não age como ponto negativo da história. Este está presente na maneira como a autora termina o livro, apostando em um cliffhanger que não recompensa a jornada do leitor. Fiquei curioso para saber como a história vai terminar muito mais pelo vínculo que criei com os personagens do que com o final do livro. Porém, recomendo muito a leitura de Um Toque de Morte, uma grata surpresa para mim em 2016.




Ficha Técnica:


Nome: Um Toque de Morte

Autora: Luiza Salazar

Série: A Ordem vol. 1

Editora; Draco

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 224

Ano de Publicação: 2013


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