• Paulo Vinicius

Resenha: "The Goblin Emperor" de Katherine Addison

Maia é um hobgoblin: um dos herdeiros de um poderoso rei elfo que é relegado a um lugar pantanoso para nunca ter oportunidade de subir ao trono. Quando uma tragédia acontece e toda a família real morre, Maia se torna o novo rei, contra todos os prognósticos. Agora ele se vê tendo que subir ao trono e governar um reino no meio do caos total.



Sinopse: Maia, o filho mais jovem do Imperador (e um hobgoblin) viveu toda a sua vida em exílio, distante da Corte Imperial e das intrigas mortais que a formam. Mas quando seu pai e seus três irmãos na linha sucessória são mortos em um "acidente", ele não tem escolha senão tomar seu lugar como o único herdeiro legítimo ainda sobrevivendo. Completamente alheio à arte das políticas de corte, ele não tem amigos, nem conselheiros e a noção quase certa de que quem quer que tenha assassinado seu pai e irmãos poderiam fazer uma tentativa de assassinato contra ele a qualquer momento. Cercado por puxa-sacos loucos para obter favores com o ingênuo novo imperador, e assolado pelo peso de sua nova vida, ele não pode confiar em ninguém. No meio do tornado de planos para retirá-lo do poder, ofertas de casamento arranjados, e o especto de conspiradores desconhecidos que rastejam pelas sombras, ele deve rapidamente se ajustar à sua vida como o Imperador Goblin.




Este é o primeiro romance de Sarah Monette sob seu pseudônimo de Katherine Addison. A autora já havia publicado uma trilogia anteriormente com uma história bem mais violenta. The Goblin Emperor foi indicado ao Nebula e ao Gemmell Awards, dois importantes prêmios de ficção científica e fantasia. Fiz toda essa apresentação porque gostaria que os leitores gravassem bem essa obra e o nome da autora. The Goblin Emperor é fenomenal, de uma sensibilidade e doçura ímpares entre as obras de fantasia.

Temos nos acostumado muito à dark fantasy e seus personagens de índole duvidosa, os finais horrorosos e depressivos (horrorosos no sentido de ápice do terror e desespero) e as ambientações catastróficas. Jorg Ancrath da trilogia dos Espinhos (escrita por Mark Lawrence) é um vilão no sentido essencial da palavra; em The Promise of Blood, Tamas é um estrategista que não se importa com os meios para alcançar seus objetivos. É um sopro de ar fresco ver como Maia é um protagonista adorável e de bom coração. Mesmo sofrendo nas mãos de seu guardião Setheris após a morte de sua mãe, ele consegue transbordar bondade no coração. Ficamos sensibilizados com a história de Maia; torcemos para que ele consiga solucionar os problemas da melhor maneira possível. Torcemos até para que Csethero Ceredin (a noiva de Maia) possa entender e aceitar Maia.

A história se centra na figura de Maia, um dentro os vários filhos de Varenechibel IV. Por ser um hobgoblin (meio-elfo, meio-goblin), Maia foi renegado e exilado junto com sua mãe goblin Chenelo aos pântanos de Edonomee. Chenelo morre jovem, triste por ter sido abandonada pelo marido. Varanechibel cuidou para que seus filhos elfos fossem educados desde jovens para o sucederem. Ninguém esperava que Maia ascendesse ao trono; ninguém sequer lembrava que Maia existia como possível sucessor. E, em uma sabotagem, o rei e seus filhos caem de sua aeronave quando se dirigiam ao casamento do príncipe de Thu-Athavar (um dos aliados de Varenechibel). E maia se vê tendo que assumir o trono subitamente. Um hobgoblin imperador dos elfos.




Katherine Addison é a Maquiavel dos mundos de fantasia. A brutalidade de Game of Thrones é interessante, mas a sutileza da corte de Utheilein’mere é muito mais perigosa. Os formalismos, as preferências e as pequenas ações podem levar ao sucesso ou ao desastre. Neste circo de vaidades, Maia quer apenas encontrar um amigo ou pelo menos alguém em quem possa confiar. Mas, como imperador, todos querem alguma coisa. Como saber se alguém quer realmente ser um amigo ou se quer apenas favores. O universo sufocante da corte élfica é mostrada em detalhes, pela autora. Em determinados momentos nos sentimos acuados, encostados contra a parede. A autora, em entrevista, alegou que teve um pouco da Rússia czarista nos personagens. A gente percebe o excesso de mesuras, o jogo da corte, a escolha de palavras.

Quem busca um livro de ação, com batalhas sangrentas e feitos heróicos, feche o livro e procure outro. The Goblin Emperor não é sobre isso. O livro todo se passa na corte de Utheilein’mere e na cidade de Cethro. São as decisões reais, as festividades, as honrarias. A batalha é pela manutenção do poder, pela prosperidade do reino. Vale destacar que apesar de Maia dispor de dois guarda-costas, um soldado e um mago, quase não vemos o emprego de magia na história. Sarah alegou que os personagens não quiseram usar magia; mais uma vez, ela demonstra quando os personagens ganham vida e saem do controle. Cala procura sempre resolver os problemas de uma maneira construtiva e sem empregar suas habilidades. Acaba que essa ausência de magia em uma história fantástica não faz falta.

Os personagens são muito importantes para a trama. Por ser um livro mais intimista, a autora precisou desenvolver bem as características de cada personagem. O núcleo de Mais é muito bem trabalhado. Lá pela metade do livro conseguimos distinguir bem Csevet (o secretário direto), Cala e Beshelar (os primeiros guardiões de Maia). Mesmo os coadjuvantes como Dach’osmer Tethimar e até Chavar tem suas características bem descritas.

The Goblin Emperor é acima da média. Não sei se gostaria de ver uma sequência: acho que a autora encerrou bem a obra sem deixar quaisquer pontas soltas. Quem aprecia fantasia, deve dar uma chance ao livro. Não vai se arrepender.




Ficha Técnica:


Nome: The Goblin Emperor

Autora: Katherine Addison

Editora: Simon & Schuster

Gênero: Fantasia

Número de Páginas: 480

Ano de Publicação: 2016


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