• Paulo Vinicius

Resenha: "Terraplana" de Clari Cabral

Em uma linda história de companheirismo e amizade, Austrália vai a um mundo de sua imaginação se aventurar rumo ao fim do mundo. Ao longo do caminho ela vai fazendo companheiros e aprendendo o significado do desapego, da verdadeira amizade e de sonhar.




Sinopse:


Bem vindo(a) a Terraplana, aqui tudo é possível! Dinossauros ainda existem e são o melhor meio de transporte, leite com manga tem propriedades curativas e se você por acaso apontar para uma estrela, na certa vai crescer uma verrugona no seu dedo. Mas todo cuidado é pouco, em sua jornada até a borda, mais conhecida como Fim do Mundo, nossa protagonista Austrália, vai enfrentar perigos desconhecidos e contará com aliados inusitados.


Austrália é uma garota confiante que sempre teve gosto pela aventura, ainda mais quando se trata de seguir os passos dos seus avós Trópico e Zelândia, que foram grandes exploradores. Cansada da vida monótona da cidade, Austrália se sente preparada para desbravar Terraplana, e ir até o Fim do Mundo, o único lugar inexplorado pelos seus queridos avós. Nossa protagonista está determinada a chegar até o Fim do Mundo, mas uma coisa é ouvir as histórias de seus avós, e outra coisa é vivenciá-las...






Imaginação sem limites


Ah, Terraplana! Uma daquelas histórias de busca no Catarse que a gente se encanta por algum pequeno detalhe sobre um projeto, investiga, vê que é uma coisa completamente inusitada, se encanta, tenta espalhar para o mundo e quando chega, você fica ainda mais encantado. Sério, devo ter sido um dos poucos sites que comentou abertamente sobre Terraplana em uma das colunas sobre financiamentos coletivos e acho que o pessoal não entendeu a brincadeira feita pela Clari. O projeto foi bem sucedido o que me deixou bastante animado e o resultado é uma linda história que ressalta a infinitude de nossa capacidade de imaginar coisas. E o quanto a verdadeira amizade é apoiar e saber quando é a hora de deixar alguém seguir o seu caminho.


O roteiro é uma enorme brincadeira com o nosso ranço com terraplanistas. Na história, Austrália é uma menina que tem avós que foram aventureiros. E ela quer seguir os passos deles, mas na sua própria jornada. Ela entra em uma máquina que a leva até o lugar onde ela deseja chegar. Para conseguir trilhar o seu caminho, ela conta com a ajuda de um pequeno dinossaurinho chamado Baby que vai ser o seu companheiro de aventuras. Juntos eles atravessam planícies e montanhas até chegarem ao "fim do mundo". Só que este lugar parece prosseguir além do horizonte e a estrada (na verdade uma linha) que ela percorreu ao lado de Baby termina ali. E agora? Irá ela sozinha em um lugar desconhecido ou ela desobedecerá a estrada e levará Baby junto consigo?


Antes de mais nada, gente, essa é uma HQ voltada para um público infanto-juvenil. E, para mim, a autora foi muito feliz ao amarrar um roteiro que explora as loucuras de nossa imaginação. Pensem em um lugar onde chove canivetes? Onde você monta em um dinossauro? Onde você pode pegar uma estrela cadente? Esse é o mundo criado por Clari Cabral. E ele é diferente do nosso mundo real. Entendam vocês como quiserem quem é Austrália, a verdade é que no fundo todos nós temos um pouco dela em nossos corações. Aquele desejo imortal por encontrar lugares desconhecidos, mesmo que seja apenas em nossa imaginação, em um livro, um quadrinho, um game. Nós queremos atravessar a plaquinha de "fim do mundo" e encontrarmos o desconhecido. O ser humano é curioso e explorador por natureza.


A arte da Clari é bonita mesmo sendo aquele padrão digital que não agrada a todos os leitores. Como se trata de uma HQ voltada para o público mais novo, a arte caiu como uma luva e o fato de ela empregar uma palheta mais azulada ajuda a dar um ar onírico à trama. Quando pegamos a HQ em mãos a gente percebe o quanto os cenários exalam beleza e fofura, combinando com a proposta da autora. E as maluquices que ela insere ao longo da narrativa são muito divertidas. Para aqueles preocupados com temática ou estilo de arte podem ficar tranquilos que tudo é leve e incita a imaginação. A Clari criou também uma série de coisas em cima dos seus desenhos como os adesivos e o lindo marcador de páginas.


Adorei a amizade entre o Baby e a Austrália. O dinossaurinho começa como a montaria da protagonista, mas aos poucos os dois vão se tornando mais amigos. Tem um momento da trama que a gente fica com o coraçãozinho apertado, mas esse se torna necessário para o amadurecimento da personagem. A gente precisa saber quando ser parceiro e companheiro e quando deixarmos alguém seguir os seus objetivos. E é essa a escolha que a Austrália vai se ver precisando tomar. Somente assim ela vai ser capaz de chegar na outra metade da história quando ela encontra outro ser humano que parece ter vindo do "mundo real". A ligação entre os dois vai ser fundamental para o crescimento ainda maior da protagonista. Ela vai chegar a um ponto em que ela vai tomar uma atitude bacana e inesperada. Mas, que faz total sentido se pararmos para analisar o que ela vinha fazendo nas páginas da HQ.


Essa é uma daquelas histórias super bonitinhas que a gente descobre por acaso e passa a acompanhar depois só para ter ideia do que vai vir a seguir. Adorei o trabalho da Clari e só tenho a indicar para aqueles que não conhece. Com uma arte bonita e uma narrativa que pode ser lida por qualquer idade, a autora brinca com a ideia de terraplana para nos apresentar uma história que explora imaginação, criatividade e como sermos realmente amigos de outra pessoa.











Ficha Técnica:


Nome: Terraplana

Autora: Clari Cabral

Editora: Auto-publicado

Número de Páginas: 120

Ano de Publicação: 2019


Tags: #terraplana #claricabral #australia #imaginacao #criatividade #amizade #aventura #fimdomundo #ficcoeshumanas








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