• Paulo Vinicius

Resenha: "Terrain" de Genevieve Cogman

Um grupo de companheiros tem suas moradias ameaçadas pela construção de uma estrada de ferro que vai desalojar a todos. Hora de transformar os cães de metal em armas e lutar contra pessoas inescrupulosas.



Sinopse:


Terrain, de Genevieve Valentine, é um western steampunk sobre seis pessoas diversas vivendo e trabalhando juntas em uma fazenda fora de uma pequena cidade em Wyoming. A ferrovia Union Pacific quer as terras, ameaçando suas casas e seu modo de vida, administrando um serviço de mensagem única com "cães" mecânicos (que se parecem mais como insetos) que podem escalar montanhas onde o Pony Express não pode.





O papel de um crítico muitas vezes se confunde com uma série de fatores: humor, clima, ambiente, stress literário, cotidiano. Por mais que eu me coloque para ser o mais técnico possível nas minhas leituras, é óbvio que ela vai se confundir com o meu estado de espírito e com os meus gostos literários. Por isso, nem sempre uma análise vai ser justa ou correta com o que está sendo lido. Leitura é um ato subjetivo. Fiz todo esse preâmbulo apenas para dizer que Terrain foi um desses casos. Por mais que a narrativa da Genevieve Valentine conseguisse desenvolver seus personagens e apresentasse uma história minimamente interessante, ela não me cativou em nenhum momento. Por vários momentos eu me via arrastando na leitura. E em se tratando de um conto, isso não é um sinal positivo.


Somos levados a uma fazenda no interior do Wyoming, em um cenário steampunk. Elijah tem uma fazenda onde circulam uma série de pessoas diversas e interessantes: a experiente Maria, o bravo Faye, o inseparável Frank e Fa Liang, a oriental. Os personagens são diversos e interessantes como Maria que é vista como alguém capaz de realizar bruxaria ou Elijah, uma pessoa que possui uma reputação e teoricamente seria uma espécie de burguês. A confusão começa quando a Union Pacific deseja expandir a sua malha ferroviária e ela passa pelas terras de Elijah, provocando um futuro desalojamento de todos que ali vivem. Só que a Union Pacific está agindo com a conivência do xerife local e buscando expulsar as pessoas à força. É aí que Maria e Elijah organizam uma resistência contra os opressores. E usar os "cães", uma espécie de robôs insetoides usados para levar correspondência a lugares onde o Pony Express não consegue, pode virar o jogo a favor dos fazendeiros.


Esse é um daqueles livros steampunk onde o elemento de gênero é mantido de forma bem sutil na narrativa. A autora não esfrega na sua cara que é um steampunk... só sabemos por causa dos "cães" e do trem estranho. É uma maneira inteligente de tratar o assunto; não é necessário usar tudo o que diz que steampunk é steampunk para que a narrativa assim seja. O importante não é inserir uma história em um gênero, mas contar uma boa história. E Terrain é uma história dramática. Narrada pelo ponto de vista de Maria, mas em terceira pessoa, vamos acompanhar esses personagens em uma resistência desesperada para manter o seu modo de vida. A história tem um bom tamanho para um conto, sem exageros e a autora consegue entregar o que ela pretendia desde o começo.


A parte mais importante da narrativa são os personagens. E eles são bem construídas, sendo tridimensionais e cada um com suas características e peculiaridades. É interessante ver como eles se relacionam como Maria sempre ao lado de Frank ou o quanto Elijah representa a base de sustentação de todos. Ou como Frank é uma pessoa extremamente confiável a ponto de se tornar a rocha no momento em que eles mais precisam de forças para lidar com o xerife e a Union Pacific. O drama vai se complicando a cada página à medida em que a corporação vai apertando cada vez mais o laço no pescoço dos personagens. O leitor percebe que não há saída ali. Torcemos para que tudo acabe bem, mas mesmo assim a pressão para eles saírem dali é demais. E não há ajuda vinda de parte alguma. Eles só podem contar com eles mesmos.


Para mim, Terrain não funcionou. Tentei me apegar aos personagens, mas a história não me gerou empatia. Talvez em algum outro momento eu retorne e tente outra vez.










Ficha Técnica:


Nome: Terrain

Autora: Genevieve Valentine

Editora: Tor.com

Número de Páginas: 36

Ano de Publicação: 2013


Avaliação:


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